quarta-feira, 3 de maio de 2017

Acervo da Teologia

I e II Samuel - Comentário



Autor: O autor é anônimo. Sabemos que Samuel escreveu um livro (1 Samuel 10:25), e é muito possível que tenha escrito parte deste livro também. Outros possíveis participantes de 1 Samuel são os profetas / historiadores Natã e Gade (1 Crônicas 29:29).

Quando foi escrito: Originalmente, os livros de 1 e 2 Samuel eram um só livro. Os tradutores da Septuaginta os separaram, e desde então temos mantido essa separação. Os eventos de 1 Samuel ocorreram durante um período de 100 anos, a partir de 1100 AC até 1000 AC. Os eventos de 2 Samuel descrevem outros 40 anos. A data em que foi escrito, então, seria algum tempo depois de 960 AC.

Propósito: Primeiro Samuel registra a história de Israel na terra de Canaã à medida que passam pela transição do governo dos juízes a uma nação unificada sob reis. Samuel emerge como o último juiz e unge os dois primeiros reis, Saul e Davi.

Versículos-chave: “Porém esta palavra não agradou a Samuel, quando disseram: Dá-nos um rei, para que nos governe. Então, Samuel orou ao SENHOR. Disse o SENHOR a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele” (1 Samuel 8:6-7).

“Então, disse Samuel a Saul: Procedeste nesciamente em não guardar o mandamento que o SENHOR, teu Deus, te ordenou; pois teria, agora, o SENHOR confirmado o teu reino sobre Israel para sempre. Já agora não subsistirá o teu reino. O SENHOR buscou para si um homem que lhe agrada e já lhe ordenou que seja príncipe sobre o seu povo, porquanto não guardaste o que o SENHOR te ordenou” (1 Samuel 13:13-14).

“Porém Samuel disse: Tem, porventura, o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o atender, melhor do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria e culto a ídolos do lar. Visto que rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Samuel 15:22-23).

Resumo: O livro de 1 Samuel pode ser nitidamente dividido em duas seções: a vida de Samuel (capítulos 1-12) e a vida de Saul (capítulos 13-31).

O livro começa com o nascimento milagroso de Samuel em resposta à oração fervorosa de sua mãe. Quando ainda criança, Samuel viveu e serviu no templo. Deus o escolheu como um profeta (3:19-21), e a primeira profecia da criança foi uma de julgamento sobre os sacerdotes corruptos.

Os israelitas vão à guerra com os seus inimigos perenes, os filisteus. Os filisteus capturam a arca da aliança e estão em posse temporária dela, mas quando o Senhor envia julgamento, os filisteus devolvem a arca. Samuel chama Israel ao arrependimento (7:3-6) e em seguida à vitória sobre os filisteus.

O povo de Israel, querendo ser como as outras nações, deseja ter um rei. Samuel está insatisfeito com suas demandas, mas o Senhor lhe diz que não é a liderança de Samuel que estão rejeitando, mas a Sua própria. Depois de alertar as pessoas do que ter um rei implicaria, Samuel unge um benjamita chamado Saul, o qual é coroado em Mispa (10:17-25).

Saul experimenta de um sucesso inicial, derrotando os amonitas em batalha (capítulo 11). Mas então ele faz uma série de equívocos: ele presunçosamente oferece um sacrifício (cap. 13), faz um voto tolo em detrimento de seu filho Jônatas (capítulo 14) e desobedece uma ordem direta do Senhor (capítulo 15). Como resultado da rebelião de Saul, Deus escolhe um outro para tomar o seu lugar. Enquanto isso, Deus retira a Sua bênção de Saul e um espírito maligno começa a atormentá-lo à loucura (16:14).

Samuel viaja a Belém para ungir o jovem Davi como o próximo rei (capítulo 16). Mais tarde, Davi tem o seu confronto famoso com Golias, o filisteu, e se torna um herói nacional (capítulo 17). Davi serve na corte de Saul, casa com a filha de Saul e faz amizade com o filho de Saul. O próprio Saul fica com ciúmes do sucesso e popularidade de Davi e tenta matá-lo. Davi foge e assim começa um período extraordinário de aventura, intriga e romance. Com ajuda sobrenatural, Davi por pouco, mas consistentemente, escapa do sanguinário Saul (capítulos 19-26). Por tudo isso, Davi mantém a sua integridade e sua amizade com Jônatas.

Perto do final do livro, Samuel morre e Saul é um homem perdido. Na véspera de uma batalha com a Filístia, Saul procura obter respostas. Tendo rejeitado a Deus, ele não recebe ajuda dos céus e acaba procurando o conselho de um médium. Durante a sessão, o espírito de Samuel ressurge dentre os mortos para dar uma última profecia: Saul morreria em batalha no dia seguinte. A profecia foi cumprida; os três filhos de Saul, incluindo Jônatas, caem no campo de batalha e Saul comete suicídio.

Prenúncios: A oração de Ana em 1 Samuel 2:1-10 faz várias referências proféticas a Cristo. Ela exalta a Deus como a sua Rocha (v. 2), e sabemos através dos evangelhos que Jesus é a rocha sobre a qual devemos construir a nossa casa espiritual. Paulo se refere a Jesus como uma “pedra de tropeço” aos judeus (Romanos 9:33). Cristo é chamado de “Pedra espiritual” que forneceu bebida espiritual aos israelitas no deserto, assim como Ele oferece “água viva” para as nossas almas (1 Coríntios 10:4, João 4:10). A oração de Ana também faz referência ao Senhor que julgará as extremidades da terra (2:10), enquanto Mateus 25:31-32 se refere a Jesus como o Filho do Homem que virá em glória para julgar a todos.

Aplicação Prática: A trágica história de Saul é um estudo de oportunidade desperdiçada. Ali estava um homem que tinha tudo - honra, autoridade, riquezas, boa aparência e muito mais. No entanto, ele morreu em desespero, com medo de seus inimigos e sabendo que tinha desapontado a sua nação, a sua família e o seu Deus.

Saul cometeu o erro de achar que poderia agradar a Deus através de desobediência. Como muitos hoje, ele acreditava que um motivo razoável iria compensar pelo mau comportamento. Talvez o seu poder lhe subiu à cabeça e ele começou a achar que estava acima das regras. De alguma forma, ele desenvolveu uma baixa opinião dos mandamentos de Deus e uma elevada opinião de si mesmo. Mesmo quando confrontado com o seu erro, ele tentou justificar-se e foi isso que causou a rejeição de Deus (15:16-28).

O problema de Saul é um que todos nós temos que enfrentar - um problema do coração. Obediência à vontade de Deus é necessária para o sucesso, e se em orgulho nos rebelarmos contra Ele, estamos causando a nossa própria derrota.

Davi, por outro lado, não parecia ser muita coisa no início. Até mesmo Samuel foi tentado a ignorá-lo (16:6-7). Mas Deus vê o coração e viu em Davi um homem segundo o Seu coração (13:14). A humildade e a integridade de Davi, juntamente com a sua ousadia para o Senhor e o seu compromisso à oração, deixaram um bom exemplo para todos nós.

Fatos Culturais e Destaques

Durante o período englobado pelo livro (ca. século XI a.C.), nenhuma superpotência eclipsava a região hoje conhecida como Palestina. Por isso, Israel, liderado por Davi, aproveitou todas as oportunidades para subjugar as outras nações de Canaã. Os filisteus, porém, que viviam nas áreas costeiras junto ao mar Mediterrâneo, provaram ser um inimigo resiliente. O Livro apresenta Samuel e em seguida explora a tensão entre a lealdade pactual para com Deus e a monarquia humana. O Rei Saul foi, de modo geral, desobediente a Deus, por isso o Senhor pôs em execução seu plano de fazer de Davi o rei seguinte de Israel. 

Você Sabia? 

. Os gregos dos tempos antigos, com quem aparentemente estavam relacionados os filisteus, às vezes decidiam confrontos militares por meio de campeões escolhidos para duelar entre os exércitos em linha de batalha. Esse julgamento pela prova de batalha estava baseado na crença de que os deuses de cada exército é que lutariam e decidiriam a batalha (17.4). 

. O uso das convenções normais da poesia hebraica, segundo as quais "dez mil" era em geral usado como paralelo para "mil", a frase: "Davi [matou] seus dez milhares" foi uma forma que as mulheres encontraram para dizer: "Saul e Davi mataram milhares" (18.7).

. Os sacerdotes e adivinhos eram as vezes obrigados, sob pena de morte, a fazer juramento de lealdade ao rei, comprometendo-se a servi-los como informantes (22.9-18).

. Agarrar a borda do manto simbolizava lealdade, porém cortar um pedaço da túnica de alguém significava deslealdade e rebelião (24.4,5). 

. Era costume que o novo rei assumisse o harém (grupo constituído por esposas, concubinas, parentes femininas e criadas que habitam o harém) de seu predecessor (3.7).

. As culturas antigas viam a deficiência física como sinal de pecado ou do desfavor de Deus (4.4). 

. As mulheres reais desempenhavam um papel político significativo nas antigas sociedades ( 16.21,22). 

. As eiras, que geralmente ficavam nas colinas, eram locais em que tradicionalmente eram recebidas mensagens divinas (24.18-25). 



Livro de 2 Samuel 

Autor: 

O Livro de 2 Samuel não identifica o seu autor. Não pode ser o profeta Samuel já que ele morreu em 1 Samuel. Possíveis escritores incluem Natã e Gade (veja 1 Crônicas 29:29).

Quando foi escrito: 


Originalmente, os livros de 1 e 2 Samuel eram um só livro. Os tradutores da Septuaginta os separaram e temos mantido essa divisão deste então. Os acontecimentos de 1 Samuel ocorreram ao longo de aproximadamente 100 anos, entre 1100 AC até 1000 AC. Os acontecimentos de 2 Samuel abrangem mais 40 anos. O livro foi escrito, então, algum tempo depois de 960 AC.

Propósito: 


2 Samuel é o registro do reinado do Rei Davi. Este livro coloca a aliança davídica no seu contexto histórico.

Versículos-chave: 


“Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” (2 Samuel 7:16).

“Tendo o rei coberto o rosto, exclamava em alta voz: Meu filho Absalão, Absalão, meu filho, meu filho!” (2 Samuel 19:4).

“E disse: O SENHOR é a minha rocha, a minha cidadela, o meu libertador; o meu Deus, o meu rochedo em que me refugio; o meu escudo, a força da minha salvação, o meu baluarte e o meu refúgio. Ó Deus, da violência tu me salvas. Invoco o SENHOR, digno de ser louvado, e serei salvo dos meus inimigos” (2 Samuel 22:2-4).


Resumo: 


O livro de 2 Samuel pode ser dividido em duas seções principais – os triunfos de Davi (capítulos 1-10) e os problemas de Davi (capítulos 11-20). A última parte do livro (capítulos 21-24) é um apêndice não-cronológico que contém mais detalhes do reinado de Davi.

O livro começa com Davi recebendo a notícia da morte de Saul e seus filhos. Ele proclama um tempo de luto. Logo depois, Davi foi coroado rei de Judá, enquanto Isbosete, um dos filhos sobreviventes de Saul, é coroado rei de Israel (capítulo 2). Uma guerra civil segue, mas Isbosete é assassinado e os israelitas pedem a Davi que reine sobre eles também (capítulos 4-5).

Davi muda a capital do país de Hebron para Jerusalém e depois move a Arca da Aliança (capítulos 5-6). O plano de Davi para construir um templo em Jerusalém é vetado por Deus, que em seguida promete a Davi as seguintes coisas: 1) Davi teria um filho que governaria depois dele; 2) o filho de Davi iria construir o templo; 3) o trono ocupado pela linhagem de Davi seria estabelecido para sempre e 4) Deus nunca iria remover a sua misericórdia da casa de Davi (2 Samuel 7:4-16).

Davi lidera Israel à vitória sobre muitas das nações inimigas que os cercavam. Ele mostra também bondade à família de Jônatas ao cuidar de Mefibosete, filho aleijado de Jônatas (capítulos 8-10).

Então Davi cai. Ele cobiça uma bela mulher chamada Bate-Seba, comete adultério com ela e depois tem o marido assassinado (capítulo 11). Quando o profeta Natã confronta Davi com seu pecado, Davi confessa e Deus graciosamente perdoa. No entanto, o Senhor diz a Davi que problemas poderiam surgir de dentro de sua própria casa.

Problema realmente surge quando o filho primogênito de Davi, Amnom, violenta sua meia-irmã, Tamar. Em retaliação, o irmão de Tamar, Absalão, mata Amnom. Absalão então foge de Jerusalém ao invés de enfrentar a ira de seu pai. Mais tarde, Absalão lidera uma revolta contra Davi e alguns dos antigos companheiros de Davi se juntam à rebelião (capítulos 15-16). Davi é forçado a sair de Jerusalém e Absalão se posiciona como rei por um curto período de tempo. No entanto, o usurpador é derrubado e - contra a vontade de Davi - é morto. Davi lamenta a morte de seu filho.

Um sentimento geral de inquietação assola o resto do reinado de Davi. Os homens de Israel ameaçam separar-se de Judá e Davi deve tem que suprimir mais uma rebelião (capítulo 20).

O apêndice do livro inclui informação sobre uma fome de três anos que assolou a terra (capítulo 21), uma canção de Davi (capítulo 22), um registro das façanhas dos mais valentes guerreiros de Davi (capítulo 23), assim como o censo pecaminoso de Davi e a consequente praga (capítulo 24).
 


Prenúncios: 


O Senhor Jesus Cristo é visto principalmente em duas partes de 2 Samuel. Em primeiro lugar, a aliança davídica conforme descrita em 2 Samuel 7:16: “Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será estabelecido para sempre” e reiterada em Lucas 1:32-33 nas palavras do anjo que apareceu à Maria para anunciar-lhe o nascimento de Jesus: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim”. Cristo é o cumprimento da aliança davídica; Ele é o Filho de Deus da linhagem de Davi que reinará para sempre.

Em segundo lugar, Jesus é visto na canção de Davi no final da sua vida (2 Samuel 22:2-51). Ele canta sobre a sua rocha, fortaleza e libertador, seu refúgio e salvação. Jesus é a nossa Rocha (1 Coríntios 10:4, 1 Pedro 2:7-9), o Libertador de Israel (Romanos 11:25-27), a fortaleza para qual “já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta” (Hebreus 6:18) e o nosso único Salvador (Lucas 2:11; 2 Timóteo 1:10).


Aplicação Prática: 


Qualquer um pode cair. Mesmo um homem como Davi, que verdadeiramente desejava seguir a Deus e que foi ricamente abençoado por Deus, era suscetível à tentação. O pecado de Davi com Bate-Seba deve servir como um aviso a todos nós para guardarmos nosso coração, nossos olhos e nossas mentes. Orgulho sobre a nossa maturidade espiritual e nossa capacidade de resistir à tentação com nossas próprias forças é o primeiro passo para uma queda (1 Coríntios 10:12).

Deus é misericordioso para perdoar até os pecados mais hediondos quando realmente nos arrependemos. No entanto, curar a ferida causada pelo pecado nem sempre apaga a cicatriz. O pecado tem consequências naturais e, mesmo depois de perdoado, Davi colheu o que havia semeado. Seu filho da união ilícita com a esposa de outro homem foi-lhe tirado (2 Samuel 12:14-24) e Davi sofreu a miséria de uma ruptura no seu relacionamento amoroso com seu Pai celestial (Salmos 32 e 51). Quão melhor é evitar o pecado em primeiro lugar, ao invés de ter que pedir perdão depois!


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