sexta-feira, 31 de março de 2017

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* A Virgindade nas Culturas Antigas e sua Importância / Notas Históricas e Culturais


A Virgem 

Juízes 11 - O pedido da filha de Jefté para ir aos montes e chorar sua virgindade (Jz 11.37) deixa o leitor moderno intrigado. Por que uma garota prestes a ser levada à morte como sacrifício estaria preocupada com sua virgindade? Para que se entenda isso, é necessário reconhecer a enorme importância que se dava à virgindade nas culturas antigas, especialmente em Israel. Alguns exemplos reforçarão esse ponto: 

* Na peça As suplicantes, de Ésquilo, um pai pede às sua filhas que mantenham a virtude em face dos desejos luxuriosos dos homens. Ele as adverte: "Honrem sua castidade mais que sua vida" (verso 1013). 

* Alceste, uma peça de Eurípedes, conta a história de uma mulher que entrega a própria vida para salvar o marido. À espera da morte, ela chora a desgraça que caiu sobre si. Em sua lamentação, ela olha para sua cama e declara: 

"Ó cama, em que perdi minha virgindade para esse homem por quem vou morrer, adeus!" (versos 177-179). Assim como a filha de Jefté, ela pensa em sua virgindade quando enfrenta a morte. 

* Josefo, em sua obra Antiguidades judaicas (1.246), reconta a história de Rebeca, de Gênesis 24, e diz: "Eles me chamam de Rebeca. Meu pai foi Betuel, mas ele está morto, e Labão é meu irmão e , com minha mãe, ele cuida de todas as coisas da família e é o guardião da minha virgindade". A narrativa de Gênesis não impõe essa responsabilidade sobre Labão, mas a expectativa era que os leitores judeus e gentios da época entendessem prontamente. 

* A história do estupro de Tamar, irmã de Absalão, por Amnom (2 Sm 13), ilustra não apenas quão forte era o sentimento da jovem a respeito de seu celibato, mas também o significado de sua reputação. Na história, Amnom engana sua meia-irmã Tamar e então violenta, mas depois sente desprezo por ela e a manda embora. Antes do estupro, Tamar usava uma túnica especial, que representava sua condição de virgem, mas depois de ter sido violentada, na hora da angústia, ela a rasgou. Desse modo, ela teria preferido ser desposada por Amnom, uma das personagens mais repulsivas do A.T, a viver com a desgraça de ser mulher sem marido depois de perder a virgindade. 

* Deuteronômio 22.13-21 discorre sobre o homem que desposa uma mulher, mas se aborrece dela e começa a espalhar o boato de que ela não se casou virgem. Assim, recai sobre a família da mulher a responsabilidade de apresentar provas de sua virgindade (Dt 22.17). Essa confirmação, evidentemente, consistia das roupas de cama manchadas com o sangue da noite de núpcias, o momento em que ela perdeu a virgindade. Os líderes da cidade tinham a obrigação de punir o homem que a difamou 22.19. No entanto, se a mulher teve realmente algum intercurso sexual antes do casamento, deveria ser apedrejada até a morte (Dt 22.21). 

* A Bíblia hebraica às vezes se refere a cidade e países pelo termo "virgem" (Is 47.1; Jr 31.4). O motivo é que a virgem, no antigo Israel, deveria ser protegida dos estrangeiros, assim como as cidades e países deveriam ser protegidos de invasores e permanecer inviolados. 

Com base nesses exemplos da cultura, não há dúvida de que a filha de Jefté, como a maioria das jovens israelitas, teria considerado a preservação de sua virgindade até o casamento a principal característica de sua identidade. A jovem filha de Jefté jamais atingiria o objetivo de experimentar o casamento como uma noiva casta. 

Bíblia de Estudo Arqueológica 
Revisado por Michael Rossane 


Leia mais em Curiosidades Bíblicas 

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