"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



terça-feira, 4 de outubro de 2016

* Teologia Política / Artigos


O Direito, o Voto e o Cristianismo

“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;” Fp 2.15
Em um “Estado Democrático de Direito”, como no caso do Brasil, conforme o caput (“cabeçalho”) do art. 1º, da Constituição Federal de 1988, o povo exerce seu poder de democracia através do “Sufrágio Universal”. Em outras palavras, estas mais simples, através do voto.
Obrigatório para os maiores de 18 anos, porém facultativo para ”os analfabetos, os maiores de setenta anos, e os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos” (art. 14, §1º, Constituição Federal/88), o voto é a “arma” do povo quando no momento de eleger quem há de representá-lo.
Neste artigo, a intenção não é de lhe apontar, amado leitor, em quem você deve votar. Não tenho o desejo de lhe colocar um cabresto sobre a cabeça e lhe conduzir pelos meus preceitos políticos.
Desejo, entretanto, lhe apontar uma “maneira cristã de votar”. Em tudo devemos glorificar ao nosso Deus. Em tudo devemos adorá-lo. Nestes termos, tenho firme em meu peito que é necessário “viver de modo digno do Evangelho” (Fp 1.27) em todos os momentos de nossa vida, abandonando a ideia de “aquilo é secular, isso é sagrado”, já que esta dicotomia cria um reino onde Cristo não é Senhor.
Pois bem, aos fatos.
1) Posso vender meu voto?
De modo breve, entenda que vender seu voto é crime. Se você é candidato a algum cargo, querer comprar a escolha do povo também é crime. Isto é previsto no art. 299, da Lei 4.737/65 (Código Eleitoral), com pena de reclusão de até 4 anos, e pagamento de multa.
Leitor, seu voto vale, e vale muito, mas não deve ser negociado! Não troque seu voto por gasolina, tijolos, dinheiro, favores, cargos, ou qualquer outra coisa que lhe ofereçam. Vote com a consciência limpa, sabendo que ao cometer este crime você também comete pecado (caso tenha dúvidas quanto a isso, dê uma lida em Rm 13).
Não negocie seus valores.
2) Não quero que o candidato “Fulano de tal” ganhe. Posso manchar a imagem dele?
Não! Isso é murmuração, calúnia, e também é crime! Segundo os arts. 323 e 324, da mesma lei acima citada, e os arts. 138, 139 e 140 do Código Penal, é crime este tipo de atitude, onde a pena pode ser detenção de dois meses a dois anos, mais o pagamentos de multa. Se você quer entrar nesta “briga eleitoral”, fale bem daquele que é seu candidato, e não suje o nome de outro. Além de ser crime, é pecado (Tt 3.2).
3) Se eu votar em branco, ou anular meu voto, o que acontece?
Aqui, não reside nenhuma “controvérsia” do que pode ser crime ou pecado. Tenho a intenção apenas de elucidar este ponto. Votos brancos e nulos, em tese, tem o mesmo efeito: nenhum.
Não, não é possível anular as eleições se você votar em nulo, e o voto em branco não vai pro candidato que estiver ganhando (não de forma direta)¹.
4) Você é ovelha, não gado.
Nos tempos da chamada “República Velha”, período compreendido pelo final do século XIX e início do seguinte, o Brasil enfrentou um problema político chamado de “Coronelismo”. O voto, à época, não era secreto, e os eleitores viviam sob a “jurisdição” de coronéis (homens ricos, detentores de absurdo poder).
No nosso contexto infelizmente isso se repete. Vemos pastores, “apóstolos”, bispos, “profetas”, que usam de sua “autoridade” para coagir o povo a votar em seus candidatos, retirando-lhes o direito de pensar e escolher.
Além de ser imoral e antibíblica (Mc 10.42-45), tal atitude é considerada crime. Vemos isso no art. 301, do Código Eleitoral, onde a pena é reclusão de até 4 anos, bem como pagamento de multa.
Querido leitor, entenda: Se Deus lhe libertou da escravidão, lhe arrancou do jugo do pecado, você não deve obediência-cega às ordens pautadas em heresias, tampouco a falsos ensinos.
5) O candidato é um ser humano, não Deus.
Criticamos de inúmeras formas as demais religiões, e isso se dá principalmente pelo contexto de idolatria que lá existe. Entretanto, analisando o “mundo gospel”, vemos que não está tão distante disto.
O culto aos homens é altamente proibido na Bíblia. De fato, o culto a qualquer “coisa”, além de Deus, é estritamente proibido. Vemos, no Novo Testamento, igrejas com sério problemas quanto a isto, ao ponto de adorarem anjos (Cl 2.18). A criatura serve ao Criador, e não aos seus conservos.
Nestes termos, compreenda que o candidato é um ser humano, falho, pecador, muitas das vezes “criatura”, e não “filho”. Ele erra. Ele peca. Ele promete e pode não cumprir. Não o adore.
6) Vote com base nos valores cristãos.
Por fim, amado leitor, peço-lhe apenas uma coisa: saiba em quem você está votando. Conheça os valores do seu candidato, veja qual a ideologia que ele prega, entenda seus projetos e princípios. Tenha certeza de votar em alguém que não batalhará contra a Fé, contra o Caminho. Lembre do salmista, quando este fala que:
“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.1-2).
E, ainda, mais à frente:
“Bem-aventurados os retos em seus caminhos, que andam na lei do Senhor” (Sl 119.1).
Leitor, minha oração é que, ao ler este pequeno texto, você entenda que seu dever como cristão é também de ser um bom cidadão. Exerça sua cidadania de modo a glorificar o nome Santo do Senhor.
Não venda seu voto.
Vote consciente.
Sob a Graça,
Daniel Rodrigues Kinchescki

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