"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



terça-feira, 4 de outubro de 2016

* Os Primeiros Metodistas na América

              OS PRIMEIROS METODISTAS NA AMÉRICA.


Nem a visita que João e Carlos Wesley fizeram em 1735 à colônia de Geórgia, nem as sete visitas de Whitftfield às plagas americanas, entre os anos de 1737 e 1770, marcam o começo do Metodismo na América. Não foi Wesley que introduziu o Metodismo na América do Norte, mas os seus filhos espirituais.

Em 1688 Luiz XIV promoveu forte perseguição aos huguenotes, na França e no Palatinato. Incendiou suas cidades e vilas. Expulsou-os. Muitos dos huguenotes franceses emigraram para a América e não mais de cem famílias de alemães emigraram para a Irlanda, onde fixaram residência na cidade de Limerick. Estas passaram alguns anos all, trabalhando para ganhar o pão de cada dia, mas se descuidaram de sua vida moral e espiritual. Deixaram de cultivar sua própria língua e tornaram-se tão atrasadas e corrompidas como os seus vizinhos.

Em 1752 João Wesley visitou a Irlanda, passou pela cidade de Limerick e ali pregou. Os emigrantes alemães assistiram às suas pregações. Wesley repetia visitas a essa cidade, quando ia à Irlanda. Dizem que visitou a Irlanda quarenta e duas vezes, numa média de uma vez por ano, desde 1747 até 1789.

Filipe Embury e Roberto Strawbridge

O tempo total que Wesley gastou nessas visitas se calcula em seis anos. Entre os convertidos de Limerick havia um moço chamado Filipe Embury, que se tornou pregador local e ajudante de Wesley na Irlanda. Havia também outros irlandeses que também entraram nas Sociedades Metodistas e depois emigraram para a América. 


Alguns destes fixaram residência no estado de Maryland e outros no estado de Nova York.

É desconhecida a data exata da emigração desses dois grupos. Alguns julgam que chegaram à América em 1760; outros, que em 1766. Por falta de documentos autênticos não se pode dizer também com segurança qual foi o primeiro grupo a chegar à América. Seja como for, logo depois de 1760 aparecem os dois grupos de metodistas na América: o grupo do estado de Maryland, que fixou residência em Sam's Creek, no Condado de Fredrick, chefiado por Roberto Strawbridge; e o grupo do estado de Nova York, que fixou residência na cidade de Nova York, chefiado por Filipe Embury.
Roberto Strawbridge nasceu no condado de Leitrim, estado de Ulster, na Irlanda. Esta zona foi notável no avivamento metodista. Roberto Strawbridge converteu-se e tornou-se pregador local. 

Foi muito perseguido na sua cidade. Andou de lugar em lugar, pregando com bom êxito. Strawbridge era irlandês típico, ardoroso, liberal e enérgico, mas pouco intransigente com as autoridades. Sem dúvida ouviu notícias de emigrantes que iam à América e também resolveu ir para lá com a sua família a fim de ganhar sua vida mais facilmente. Estabeleceu residência em Sam's Creek, alguns cinqüenta quilômetros à noroeste da cidade de Baltimore. Foi, talvez, em 1760 que construiu a sua casa na floresta, à beira do córrego "Sam's Creek". Logo começou a realizar cultos na sua casa e, pouco mais tarde, construiu, ali perto, uma capela.

O trabalho prosperou, muitos dos seus vizinhos converteram-se e acabou organizando uma Sociedade Metodista. Strawbridge tornou-se um itinerante independente. Pregava não somente em Maryland, mas também nos estados de Delaware, Pensilvânia e Virgínia. Organizou seus adeptos em classes metodistas e nomeou moços sérios como guias de classes. Dessa maneira Strawbridge conseguiu diversos rapazes americanos para o ministério. Alguns desses moços se tornaram pregadores itinerantes mais tarde e ajudaram a conquistar o povo americano para Cristo. Entre eles estão Guilherme Waters, Filipe Gatch e Freeborn Garrettson.

Roberto Stawbridge, como pregador itinerante, só viajou
dois anos (1773-1775).


Quando os missionáriosTomaz Rankin e Francisco Asbury chegaram, tornou-se mais rígida a disciplina. Os pregadores itinerantes tinham de trabalhar nos campos determinados pelo superintendente. Strawbridge, homem ardoroso e enérgico,
provavelmente não quis submeter-se às ordens de outros e, por isso, se localizou. Mas continuou a trabalhar. Organizou as primeiras sociedades nos condados de Baltimore e de Harford.


Richard Owen, o primeiro pregador metodista americano, era seu filho espiritual. Strawbridge faleceu depois de alguns anos no serviço, porém deixou muitas pessoas que se lembravam dele com saudades, pois eram seus filhos espirituais.

O pequeno grupo de metodistas de Nova York filiou-se à Igreja Luterana. Não sabemos quanto tempo Filipe Embury e seus companheiros ficaram em Nova York antes de começar seu trabalho espiritual sob a bandeira metodista. Em 1761 encontramos Embury ensinando numa escola luterana. Parece que não tinha coragem para iniciar trabalho religioso no Novo Mundo, embora fosse pregador local e licenciado por João Wesley. Provavelmente Embury, logo depois de chegar à América, tentou fazer trabalho espiritual, mas, por falta de meios e de cooperação, terminou desistindo Enterrou seu talento e o deixou enterrado até que uma compatriota irlandesa o despertou.

Contas-se que era costume dos companheiros de Filipe Embury juntarem-se depois do trabalho do dia, em casa de alguém, para jogar cartas de baralho. Uma noite, no outono de 1766, quando grande número deles, reunidos, estavam jogando cartas de baralho, Bárbara Heck entrou, pegou nas cartas lançou-as ao fogo e repreendeu a todos.

Foi imediatamente à casa de Filipe Embury, que era seu primo, e contou-lhe o que tinha visto e feito. Então, com grande ênfase, disse: "Filipe, você tem de pregar para nós, senão todos iremos para o inferno e Deus exigirá de você o nosso sangue". Filipe procurou desculpas, dizendo: "Como posso pregar? Não tenho nem casa, nem congregação". "Pregue na sua própria casa e para nosso próprio grupo" (Mc Tyiere, p. 263).

Ele prometeu fazê-lo e começou logo a realizar cultos na sua própria casa. Tinha cinco ouvintes no começo, mas o número depois aumentou. Os interessados foram organizados em classe. Logo formaram duas classes. O número dos participantes cresceu ainda mais. Alugaram uma sala para cultos, chamada "Rigging Loft".

Capitão Webb

Os cultos se realizavam com regularidade duas vezes por semana, nos domingos e nas quintas-feiras. Num domingo à tarde apareceu no culto uma pessoa estranha. Usava o uniforme de soldado inglês e tinha só um olho; um pano verde cobria o olho que faltava. Todos ficaram cismados e curiosos, mas logo se dissiparam as suas desconfianças e ficaram alegres ao saberem que era um bom metodista, convertido em Bristol sob a pregação de Wesley e, além disso, pregador local e que estava pronto a ajudar Filipe Embury. 


Era o capitão Webb, que tomara parte na batalha de Quebec, quando os ingleses conquistaram aos franceses aquela cidade do Canadá. Foi nessa batalha que perdeu um dos olhos. Agora estava destacado, como mestre de quartel, em Albany. O Capitão Webb se fez vulto memorável na história do Metodismo americano. A sua identificação e a sua presença entre os metodistas da América deram prestígio a este grupo de gente desprezada. E, além disso, era bom orador e bom cristão. Tinha o costume de pregar com a espada colocada na mesa, em frente. Dispensava a espada de aço enquanto empregava a "espada do Espírito".

Pelas pregações do Capitão Webb e de Filipe Embury aumentou ainda mais o número de crentes e o "Rigging Loft" já não comportava mais o povo.

Resolveram comprar um lote de terreno em John Street, em 1768. Conseguiram a cooperação de todo o povo, desde o prefeito até aos mais pobres. Na lista dos contribuintes consta o nome de duzentas e cinqüenta pessoas. O primeiro nome na lista é o do Capitão Webb, com uma oferta equivalente a três mil cruzeiros (Cr$ 3.000,00). Compraram o terreno e nele construíram uma Casa de Oração com quatorze metros de largura por vinte de comprimento. Tomou o nome de Wesley Chapel. Existe hoje no mesmo terreno a terceira casa de oração. Todos os dias úteis da semana, ao meio dia, nela se realiza culto de oração por trinta minutos em benefício dos negociantes.

Embury continuou a ajudar no trabalho até chegarem missionários da Inglaterra. Então mudou para o interior do estado, onde faleceu em 1775.

O Capitão Webb, pela sua valentia na guerra, foi reformado com vencimentos de capitão. Passou o resto da vida a pregar e ajudar no trabalho de igrejas, na organização de classes e na construção de capelas. Ajudou na abertura do trabalho em Nova Jersey e na Filadélfia. Escreveu cartas para Wesley dando-lhe informações acerca do trabalho na América e também pedindo que mandasse mais missionários. E, quando esteve na Inglaterra, compareceu perante a Conferência de Leeds, em 1772, e novamente pediu mais missionários para a América. O resultado foi que dois homens, Rankin e Shadford, foram enviados. Este velho soldado contribuiu muito para a implantação do Metodismo na América. 

O estadista João Adams o ouviu pregar uma vez em Filadélfia e disse: "O velho soldado é um dos homens mais eloquentes que já ouvi. Ele inflama a imaginação e estimula as paixões muito bem e externa os seus pensamentos com convicção".

Terminou a sua útil e longa vida em Bristol, Inglaterra, onde se convertera. Passou seus últimos dias ali, ajudando na construção de Portland Chapel e auxiliando no trabalho da sociedade. Quando morreu, seus amigos o puseram num túmulo construído debaixo da mesa de comunhão da capela.

Roberto Willians

O primeiro pregador itinerante que veio para a América foi Roberto Williams. O nome dele consta na lista das nomeações feita na Conferência realizada na Irlanda, em 1766. Provavelmente conheceu Roberto Strawbridge antes dele emigrar para a América. Williams não tinha muito respeito para com o clero anglicanoe, às vezes, pregava contra os vigários.


Wesley não gostava disso e talvez fosse esse o motivo por que nomeou Williams como missionário para a América, já que ele queria vir. Wesley consentiu em que viesse, mas que na América ficasse sob a direção dos missionários que estavam para vir.

Em 1769 chegam à Inglaterra noticias do bom êxito de Embury em Nova York e foi quando Williams, com a aprovação de Wesley, embarcou para a América. Williams era pobre. Vendeu seu cavalo, pagou as dívidas, embarcou para Dublim, levando o alforje nos ombros e nas mãos, um pão e uma garrafa de leite. Chegando a Dublin encontrou seu amigo, Ashton, que o esperava. Ashton pagou a passagem para os dois e ambos embarcaram no mesmo navio para a América. Chegaram à Nova York em agosto de 1769, dois meses antes dos dois primeiros missionários, Boardman e Pilmoor.

Roberto Williams tomou o lugar de Embury em Wesley Chapel e trabalhou com os missionários em Nova York e nas cercanias da cidade até 1771.

De Nova York Williams foi para Maryland para estar com Strawbridge. Ali se encontrou também com João King, outro obreiro irregular (sem nomeação oficial), recentemente chegado da Inglaterra. Trabalhou no estado de Maryland e fundou trabalho na cidade de Baltimore e cercanias. Em 1772 passou para o estado de Virgínia. Chegou a Norfolk no princípio do ano e logo começou seu trabalho. Pregou o seu primeiro sermão ao ar livre, em frente da prefeitura. 

Cantou um hino, juntou-se o povo, ajoelhou-se, orou e, levantando-se, pregou aos presentes. Mas o povo julgava que era um louco, porque parecia que pregava e blasfemava ao mesmo tempo. Outra razão para que o povo assim pensasse, era que usava os termos "inferno" e "diabo" no seu discurso. Mas no dia seguinte, quando de novo pregou, o povo descobriu que não era um louco, mas um homem sincero e de bom senso. Algumas pessoas ficaram interessadas e assim o trabalho começou naquele estado. No fim do ano tinha cem membros na congregação.

Roberto Williams organizou o primeiro circuito em Virginia. O seu trabalho foi frutífero. Conseguiu a conversão de Jesse Lee, seus pais e seus irmãos. Jesse Lee tornou-se um dos grandes pioneiros do Metodismo na América. Abriu o trabalho metodista na Nova Inglaterra e escreveu a história do Metodismo na América. Jesse Lee assim descreve o método de Roberto Williams: "Seu modo de pregar despertava os pecadores descuidados e encorajava os penitentes. Não poupava esforços para fazer o bem. 

Freqüentemente assistia ao culto na Igreja Anglicana e, saindo da igreja, subia num toco ou num banco e começava a cantar e a orar e depois pregava o Evangelho a centenas de pessoas. Era costume dele, logo após a pregação fazer perguntas a respeito das suas almas" (McTyeire, p. 267).

Foi o primeiro pregador na América a seguir o exemplo de Wesley em disseminar bons livros e folhetos. Publicou diversos livros, tratados e sermões de Wesley que eram distribuídos entre o povo com grande proveito Fixou residência entre as cidades de Suffolk e Portmouth. 

Faleceu em Norfolk, em 1775, e Asbury falando na ocasião do enterro, disse: “Talvez não haja outro homem na América que tenha servido de instrumento para despertar tantas almas como ele". O túmulo dele era lembrado com saudades pelos seus filhos espirituais, mas no correr do tempo ficou desconhecido. Dizem que Roberto Willians imprimiu o primeiro livro metodista na América e dentre os metodistas na América foi o primeiro a casar, o primeiro a localizar-se, o primeiro a morrer e o primeiro dos heróis a entrar na cidade celestial.

João King

João King é um outro nome que deve ser mencionado entre o pequeno grupo de obreiros irregulares que começou o trabalho na América, antes de chegarem missionários os especialmente enviados.


Nasceu na Inglaterra em 1746, o mais moço de três filhos. Estudou na Universidade de Oxford e na Escola de Medicina de Londres. Ouviu João Wesley pregar e converteu-se. Os seus pais o deserdaram, porque não quis abjurar sua fé.

Falou com Wesley e resolveu pregar o Evangelho. Emigrou para a América e, sentindo o chamado para pregar, apresentou-se à sociedade metodista da Filadélfia e pediu licença para isso. Depois de dar provas da sua sinceridade e vocação foi licenciado pregador.
Logo apareceu em Maryland, em companhia de Strawbridge. 

Trabalharam juntos por algum tempo. Foi João King que implantou o Metodismo na cidade de Baltimore. Em menos de cinco anos se realizou naquela cidade uma Conferência anual. Baltimore tem sido baluarte do Metodismo no correr dos anos.

O nome de João King consta entre os dez nomes que figuram na primeira ata metodista publicada na América. Serviu em diversas regiões, entre as quais, em Nova Jersey, Norfolk e Brunswich, na Virgínia.

Todas as igrejas que King pastoreou prosperaram. Casou-se e logo depois deixou a itinerância. Nessa época isso quase sempre se dava com os pregadores itinerantes. Como conhecia a medicina, clinicou para sustentar a sua família. Teve seis filhos e todos eram crentes. Dois deles entraram no ministério. Prestou bom serviço a causa como pregador. Morreu em 1794 e foi sepultado perto da sua casa, no condado de Wake.

Dizem que João King era homem teimoso e cabeçudo. João Wesley notou isso como um dos seus defeitos e escreveu-lhe a seguinte carta, dando conselhos: "Meu caro irmão, receba sempre como um favor o conselho ou a repreensão: são sinais de mais amor. Eu o aconselhei uma vez e o irmão ficou ofendido; contudo, fa-lo-ei mais uma vez. Não grite mais, pelo amor da sua alma. Deus por meu intermédio agora o admoesta, porque me colocou como seu superior. Fale com toda sinceridade, mas não grite. Fale com todo coração, porém com voz moderada. A respeito de nosso Senhor foi dito: "Ele não chorará”. 

O significado do verbo é, ele não gritará. Neste ponto, seja meu seguidor, como sou de Cristo. Falo em geral alto; às vezes, com veemência; mas jamais grito. Não me esforço demais; não ouso fazê-lo; sei que seria um pecado contra Deus e contra a minha alma. Talvez seja uma das razões por que aquele bom homem, Tomaz Walch, e também João Manners ficaram em trevas dolorosas antes de morrer, que eles mesmos encurtaram a sua própria vida. Ó João, ore pedindo espírito prudente e dócil. Está longe disso, por natureza; é teimoso e cabeçudo. 

A sua última carta foi ditada por um espírito injusto" (McTyeire, p. 269).

O movimento metodista na América não foi planejado por ninguém; porém se manifestou espontaneamente no coração dos crentes metodistas que aportaram às plagas americanas. Era o Espírito de Deus que se manifestava no coração de pessoas convertidas. Começou em pequena escala, mas no correr de alguns anos se alastrou por toda parte do país. Notamos que na zona onde trabalhavam os obreiros irregulares, como nos estados de Maryland e Virgínia, houve mais progresso do que nas zonas onde trabalhavam os missionários enviados da Inglaterra, como por exemplo, os estados de Nova York e Pensilvânia. Em outras palavras, a zona do Sul desenvolveu-se mais rapidamente do que a zona do Norte. Talvez a explicação disto esteja no fato que na zona do sul a Igreja Anglicana predominava e as outras Igrejas evangélicas não estavam ainda bem desenvolvidas, ao passo que na zona do Norte as outras Igrejas evangélicas estavam mais fortes e a Igreja Anglicana, muito fraca. O povo da zona do sul recebeu mais facilmente os metodistas do que o povo da zona do Norte.

OS MISSIONÁRIOS DE WESLEY E SEUS COLABORADORES


Quatro anos depois de Strawbridge e Embury começarem o trabalho metodista, a Conferência anual na Inglaterra tomou conhecimento oficial da obra metodista na América. A vigésima sétima Conferência anual que se realizou em Londres, em 1770, registrou em ata, a respeito, o seguinte: "Nº 50. América. Portanto, toda a obra na América foi considerada como uma zona — a zona da América".


Nessa zona havia dois pregadores, Richard Boardman e José Pilmoor. Como já, tinham chegado à América, mandaram seu relatório. Levaram nove semanas na viagem para a América. Desembarcaram em Filadélfia e começaram logo seu trabalho.
José Pilomoor

José Pilmoor estudara na Escola de Kingswood e tivera quatro anos de experiência na itinerância, antes de embarcar para a América. As viagens de George Whitefield e as suas pregações ao ar livre prepararam o terreno para estes novos obreiros. Numa carta que escreveu para Wesley, Pilmoor disse "Ficamos muito surpreendidos por encontrarmos o Capitão Webb na cidade e uma sociedade de cerca de cem membros que desejam comunhão com o senhor. Isto é obra do Senhor e é maravilhosa aos nossos olhos. 


Já preguei diversas vezes ao povo metodista. Domingo à noite fui à praça pública Serviu-me de púlpito o estrado usado para o juiz das corridas de cavalos e julgo que havia quase cinco mil pessoas presentes, que prestaram boa atenção. Graças a Deus pela pregação ao ar livre" (McTyeire, p. 279).

Boardman, deixando Pilmoor na cidade de Filadélfia, foi para Nova York. Logo depois mandou seu relatório para Wesley. Pelo caminho, de Filadélfia a Nova York, pregou algumas vezes e ficou bem impressionado com o interesse que o povo manifestava, em ouvi-lo. Estes dois homens, Boardman e Pilmoor, trabalharam nessas duas cidades. De vez em quando trocavam os campos de trabalho.

Outros obreiros foram enviados da Inglaterra. Em 1771 chegaram Francis Asbury e Richard Wright. Em junho de 1773 vieram Tomaz Rankin e George Shadford, acompanhados do Capitão Webb e de sua esposa. Quase no fim do ano de 1774 chegaram mais dois obreiros, Martin Rodda e James Dempster. Além desses, que foram oficialmente enviados, havia mais obreiros que vieram para a América como voluntários, com o consentimento de Wesley. Além de Roberto Williams e João King, que já foram mencionados, havia José Yearbry e Guilherme Glendenning.

Todos os missionários que Wesley mandou para a América, na ordem em que vieram, são os seguintes: 

Richard Boardman e José Pilmoor em 1769;
Francis Asbury e Richard Wright, em 1771;
Tomaz Rankin e George Shadford, em 1772;
James Dempster e Martin Rodda, em 1774.


A situação política das colônias dificultou logo as atividades desses obreiros e impediu a vinda de mais trabalhadores. A Revolução Americana pela independência arrebentou em 1776. Mas, antes disso, já havia na colônia, desordens e ameaças de guerra. O conflito durou sete anos. Logo no princípio da guerra os pregadores ingleses, menos Francis Asbury, voltaram para a Inglaterra. Alguns não se deram bem na América e voltaram; outros fizeram bom trabalho e poderiam ter trazido uma contribuição valiosa à causa, na América, se não fosse a guerra que dificultou as suas atividades.

Martin Rodda

Martin Rodda ficou pouco tempo na América. Foi nomeado para trabalhar na zona do estado de Delaware. Sendo tory (partidário do rei inglês), começou a distribuir a proclamação do rei na sua zona. Isto criou oposição forte contra ele. Com o auxilio de alguns escravos escapou e, tendo embarcado num navio de guerra, voltou para a Inglaterra. Seu procedimento, na América, trouxe grandes embaraços, não somente aos seus colegas ingleses, mas também aos pregadores e crentes metodistas americanos. Assim Martin Rodda falhou.


Richard Wrigh


Richard Wright trabalhou dois ou três anos nas províncias do sul, principalmente em Norfolk. No princípio do ano de 1774 voltou para a Inglaterra a conselho dos seus colegas. Trabalhou poucos anos com Wesley e desistiu de viajar.


Richard Boardman 


Richard Boardman trabalhou nas cidades de Filadélfia e Nova York e fez uma viagem para o norte até a cidade de Boston. Teve bom êxito no seu trabalho em Nova York. Mas, por causa da guerra, voltou para a Inglaterra, em 1774. Trabalhou alguns anos e faleceu de repente na cidade de Cork, na Irlanda, em 1782.


José Pilmoor também trabalhou nas cidades de Filadélfia e Nova York e fez uma viagem para o sul. Foi até Savanah, na Geórgia, onde visitou o orfanato de Whitefield. Voltou para a Inglaterra e trabalhou por alguns anos. Não tendo sido incluído o seu nome na lista dos cem, no “Título da Declaração", ficou desgostos e deixou os metodistas. Voltou para a América e tornou-se pároco da Igreja Episcopal Protestante, na cidade de Nova York. Mas sempre amou os metodistas.

Tomaz Rankin


Tomaz Rankin era natural de Dunbar. Por algum tempo foi companheiro de João Wesley nas suas viagens. Esse contacto com Wesley preparou-o para o trabalho que havia de fazer mais tarde na América. Conhecia bem a doutrina e a disciplina da Igreja Metodista e, quando chegou à América, tomou o lugar que Asbury ocupava, de superintendente.


Rankin veio conhecer o Metodismo por meio de soldados metodistas. Alguns soldados foram destacados para Dunbar e entre eles havia dez ou doze homens piedosos. Alugaram uma sala e nela dirigiam cultos. Fundaram uma sociedade metodista no lugar. 

Rankin veio a conhecer a natureza do trabalho deles, mas tinha preconceitos acerca do costume que eles tinham, ouvir confissões, julgando que a confissão praticada nas classes, fosse confissão auricular, e por isso não lhes freqüentava os cultos. Mas seu espírito estava preparado para ouvir um embaixador de Deus na pessoa de Whitefield Assim narra ele a sua experiência: "Foi mais ou menos nessa época que ouvi o notável servo de Deus, George Whitefield. 

Estava ele pregando um sermão de despedida, no orfanato de Edimburgo. Eu tinha pensado ir ouvi-lo, mas tantas coisas eu tinha ouvido a seu respeito, que não queria enganar-me. Escutei-o com admiração e espanto e recebi do plano de salvação uma explicação que nunca recebi antes. Eu me lembro mais daquele sermão do que de todos os outros que até aqui tenho ouvido: descobri as riquezas inescrutáveis da graça de Deus em Cristo Jesus, quando ele explicou como um pecador perdido pode voltar para Deus e alcançar misericórdia por intermédio do Redentor".

"Recebi a impressão: "Provavelmente você não é um dos eleitos e pode buscar em vão". Eu comia quase nada, não podia dormir e definhei, até que afinal me mergulhei no desespero. Certa manhã entrei no jardim e me sentei num canteirinho para chorar minha triste condição. Comecei a lutar com Deus em oração angustiada. Gritei: “Senhor, tenho lutado muito e ainda não consegui nada. Oh! que eu agora consiga alguma coisa!" A passagem de Jacó em luta com o anjo me veio à mente e eu falei em voz alta: "Não to deixarei ir, se não me abençoares". 

Num instante as nuvens que pousavam em minha alma se dissiparam e lágrimas de amor me rolaram pela face, ao aplicar, repetidas vezes, a estas palavras: "E ali o abençoou". Elas vieram com o Espírito Santo e com muita segurança. Minha alma se inundou da presença de Deus. Todas as minhas dúvidas se dissiparam e todos os meus receios se desvaneceram como as sombras da noite ao nascer do sol. Tive o testemunho claro de que todos os meus pecados estavam perdoados pelo sangue de Cristo e de que eu era filho de Deus e herdeiro da glória eterna" (Mc Tyiere, p. 283).

Rankin, depois da sua conversão, falou com Wesley e foi nomeado para uma zona. Sentiu-se logo chamado com tanta clareza para pregar como fora iluminado a respeito da sua conversão. Rankin veio para a América para por tudo em ordem. Foi ele que acabou com o costume de nomear os pregadores para seus campos na ocasião das Conferências trimestrais. Introduziu as Conferências anuais na política do Metodismo americano. 

As nomeações feitas na primeira Conferência anual, realizada na Filadélfia em 14 de julho de 1773, são as seguintes:

- Nova York: Tomaz Rankin (para ser substituído dentro de quatro meses);
- Filadélfia: George Shadford (para ser substituído dentro de quatro meses);
- Nova Jersey: João King e Guillerme Waters;
- Baltimore: Francis Asbury, Roberto Strawbridge, Abraham Whitworth e Jose Yearbry;
- Norfolk; Richard Wright;
- Petersburg - Roberto Williams" (McTyeire, p. 283).


Assim se introduziu a Conferência anual, que se tornou a célula vital e unificadora da política do Metodismo americano.

Rankin não tinha, para administrar o trabalho e guiar os homens, a visão que seu antecessor, Asbury, possuía. Era homem piedoso, mas pessimista. Não podia apreciar a grandeza do trabalho na América. Para ele tudo era pequeno: o número de crentes era pequeno, o número de pregadores era pequeno, a Conferência era pequena. Tudo, enfim, na América, era pequeno, exceto os rios: estes, sim, eram grandes, muito maiores do que o Tamisa que passa pelo meio da cidade de Londres. Não gostava de tantas mudanças. Portanto, quando viu a crise política, julgou que sua missão na América estava terminada. Escreveu nesse sentido uma carta a Asbury e nos fins de 1777 e voltou para a Inglaterra. Passou muitos anos no serviço da Igreja em sua terra. Na hora da morte de Wesley ele estava presente.

Asbury tinha mentalidade diferente. Quando teve de enfrentar a mesma questão, assim se expressou: "Mas de modo nenhum posso deixar um campo, onde se podem arrebanhar almas para Cristo, como aqui na América. Seria desonra eterna para os metodistas, se todos deixássemos as três mil almas que desejam entregar-se ao nosso cuidado. Também não seria papel de um bom pastor deixar seu rebanho em tempo de perigo. Portanto, estou resolvido, pela graça de Deus, a não deixá-lo, sejam quais forem as conseqüências. 

Nossos amigos daqui parecem que estão excessivamente angustiados com o pensar que serão abandonados pelos pastores. Assim escrevi e expressei meus sentimentos aos irmãos Tomaz Rankin e George Shadford” (McTyeire, p. 285). Por isso, Asbury respondeu: "Fico".

Há, na correspondência de Wesley, evidências de que Rankin tinha escrito coisas desfavoráveis acerca de Asbury. Sabemos que Wesley deu a este ordem para que voltasse para a Inglaterra, mas essas ordens nunca chegaram às mãos de Asbury e não foram assim, obedecidas. Wesley nunca perdeu a confiança em Asbury, apesar da grande dificuldade de saber ou receber sobre ele informações exatas. Asbury sempre ocupou o primeiro lugar na confiança de Wesley, que lhe chamava "o honesto Francis Asbury".

George Shadford


George Shadford nasceu em Lincolnshire, na Inglaterra, em 1739. 


Seus pais eram piedosos e procuraram guiar os filhos no temor de Deus. O ministro ensinou-lhe o catecismo e, quando tinha quatorze anos, foi confirmado na Igreja. Comungou pela primeira vez, quando tinha dezesseis,anos. Foi-lhe uma experiência impressionante; julgou que era cristão. Mas, por falta de guias espirituais, essas boas impressões foram diminuindo, até que ele perdeu o interesse na vida religiosa.

Entrou para o exército. Ali as tentações foram fortes. Houve luta intensa entre a impiedade da vida da caserna e a sua consciência Ficou triste. Sentiu se tentado ao suicídio. Perto do quartel os metodistas realizavam cultos ao ar livre. Junto com outros colegas foi assistir ao "culto esquisito". Ficou impressionado com a simplicidade do culto e com a mensagem que ouviu. Resolveu assistir ao culto outra vez.


Terminando o prazo do seu serviço no exército, voltou para casa. Durante a sua ausência, os metodistas tinham organizado uma sociedade perto da sua casa. Com o contacto dos metodistas, não levou muito tempo para converter-se. Assim ele descreve a sua conversão: "A casa ficou repleta e muitos ficaram comovidos, quando o pregador falava acerca do Mestre crucificado. Lá para o fim do seu sermão eu tremia. Chorei. "Não posso agüentar isso", pensei eu, cairei aqui no meio desta gente". Oh! como eu gostaria de estar sozinho onde pudesse chorar, porque tinha vergonha de chorar ali! Sentia-me culpado e condenado, como o publicano no templo. Gritei (os outros puderam ouvir, o meu coração estava transpassado pela espada do Espírito): "Ó Deus, sê propício a mim pecador"! Mal tinha pronunciado estas palavras, vi com os olhos da fé (não com os olhos naturais), Cristo, meu advogado, à destra de Deus, fazendo intercessão por mim. Cri que ele me amou e que se deu a si, mesmo por mim. Num instante o Senhor encheu minha alma do seu amor divino. Assim, o Senhor que eu buscava, depressa veio ao templo. Imediatamente meus olhos transbordaram de lágrimas e meu coração de amor. Lágrimas de tristezas e de alegria rolaram pelas faces minhas. Oh! quão doce foi essa tristeza! Parecia que poderia derramar a minha vida em lágrimas de amor" (McTyeire, p. 287).

Logo depois de sua conversão entrou na classe. Em pouco tempo começou a tomar parte nos cultos fazendo oração, exortando e esforçando-se por levar almas a Cristo. Mas ficou muito preocupado com a salvação dos seus pais e irmãos. Não deixava de orar por eles, mas achou que seria melhor orar com eles e, pois, pediu licença aos pais para fazer o culto doméstico. Consentiram nisso e em menos de um ano, quatro da família já estavam convertidos.

Um dia, quando Shadford estava pregando em Yorkshire, lhe veio a notícia que seu pai estava moribundo. Apressou-se por chegar até ao lar paterno. Disse-lhe seu pai: "Meu filho, estimo vê-lo, mas me vou embora. Vou estar com Deus. Vou para o céu". "Papai", respondeu Shadford, "tem certeza disso?" "Sim", disse ele, "tenho toda certeza. Sei que meu Redentor vive. Já faz quatro anos que o Senhor me perdoou todos os pecados e já faz meio ano que Ele me deu aquele amor perfeito que lança fora todo o pecado. Agora mesmo sinto o céu dentro do meu coração. Certamente este céu de cá de baixo deve levar-me para o céu de lá de cima".

Tendo-lhe Deus concedido frutos do trabalho de exortador e pregador local, não demorou •para que Wesley o convidasse para entrar na itinerância. Em 1768 foi nomeado para uma zona em Cornwall. Teve um ano cheio de bênçãos. Trabalhou cinco anos na Inglaterra, antes de ser enviado para a América. Poucos dias antes de embarcar para a América, Wesley lhe escreveu, em abril de 1773, a seguinte carta: "Caro Jorge: Já chegou a hora de você embarcar para a América. Dena a Bristol, onde se encontrara com Tomaz Rankin, com o Capitão Webb e sua esposa. Eu o deixo livre, Jorge, no grande continente da América. Faça sair sua mensagem à luz do sol e faça todo bem possível. Sou, caro Jorge, afetuosamente seu, João Wesley “.

Seu trabalho na América foi muito abençoado. Ele e Asbury trabalharam juntos por algum tempo e seus esforços foram coroados de bom êxito na salvação de muitas almas. Ficou muito abatido com a última nomeação que recebeu, e que era para o estado de Virgínia. Quando chegou ao seu novo campo, ficou acabrunhado. É ele quem o diz: "Antes da manifestação maravilhosa do poder e da presença de Deus na minha vida, eu me sentia muito abatido. Na obra da pregação e da oração, o Senhor despia e esvaziava o seu servo, em vez de enchê-lo. Eu me via tão vil e sem valor que não posso descrevê-lo e duvidava que Deus pudesse empregar-me no seu trabalho. Fiquei admirado, quando comecei a pregar em Virgínia. São raras às vezes em que prego sem que alguém se convencia e convertia. Freqüentemente três ou quatro pessoas se convertem. Quase não posso acreditar, quando eles falam disso" (McTyeire, p. 288).

Viajando um dia, chegou a um rio que estava cheio demais para ser atravessado. Voltou para trás dois quilômetros, onde achou estalagem para aquela noite. A família com quem se hospedou não era crente. Pediu licença para dirigir um culto na casa. Alguns vizinhos foram convidados para assisti-lo. Todos ficaram bem impressionados. O hospedeiro, no dia seguinte, acompanhou-o como guia. Chegando ao lugar de culto, para onde se dirigia o homem assistiu a pregação, ficou interessado e insistiu para que ele pregasse de novo na sua casa. O resultado disso foi um avivamento naquela comunidade e, antes de findar o ano se organizou ali, uma sociedade metodista com setenta membros.

Jesse Lee nos dá uma ideia do avivamento que se deu na zona de Shadford: "Nos fins do ano de 1775 houve grande avivamento religioso no sul de Virgínia, o maior que já se deu ali em tão pouco tempo. Mas aumentou no mês de janeiro de 1776. George Shadford pregava em Virgínia, nessa época e, enquanto os ouvidos do povo, por causa da novidade, estavam abertos para a Palavra de Deus, o coração do povo era atingido. Muitos pecadores ficaram convencidos de pecado e suplicaram a misericórdia divina. 

Notícias de convicção de pecado e de conversão se ouviam de todos os lados. O povo de Deus ficou inspirado com nova vida e vigor para dar testemunho da felicidade de outros. Mas, decorrido pouco tempo, os próprios crentes começaram a sentir que eles mesmos precisavam em seus corações de uma obra mais profunda da graça de Deus do que aquela que até então haviam experimentado. 

Começaram a implorar a Deus, com lágrimas, que os salvasse do pecado original e que lhes desse "um coração circuncidado", que pudessem "amá-lo de todo o coração" e servi-lo com todas as suas forças.

Em todas as reuniões se davam manifestações especiais do poder divino, especialmente nas reuniões das classes. Um sopro de vida reanimava os ossos secos, cada semana. Grande número de pessoas idosas, jovens e crianças sentiu o efeito desse trabalho. Houve casos de conversão de crianças de oito e nove anos. Algumas crianças ficaram cheias do amor de Deus e davam testemunho de como Deus fizera a sua obra nos seus corações, falando da convicção do pecado, do tempo, do lugar e da maneira como foram libertadas, com tanta certeza que mesmo um ateu poderia certificar que isso era uma grande obra de Deus.

Muitos que desprezavam os meios da graça, vieram para ouvir, não somente os pregadores, mas também os exortadores e os guias de classes. Mas, ouvissem ou não, o poder de Deus se manifestava entre o povo. Notou-se que os cultos de oração contribuíam singularmente na promoção da obra de Deus.

Esse derramamento do Espírito se estendeu mais ou menos a todas as zonas, abrangendo uma circunferência entre setecentos e novecentos quilômetros de diâmetro. O avivamento continuou até ao mês de maio, quando se realizou uma Conferência trimensal em Boisean Chapel, cerca de vinte quilômetros de Petersburg. Nessa ocasião as janelas do céu se abriram e caíram sobre o povo chuvas de bênçãos por mais de quarenta dias.

No segundo dia da Conferência trimensal houve uma festa de amor. Logo no princípio o poder divino desceu sobre o povo e parecia que toda a casa estava cheia da presença de Deus. Uma chama se acendeu e passou de coração a coração. Muitos ficaram profundamente convencidos de perdão; muitos dos penitentes foram consolados; e muitos dos crentes ficaram tão abismados no amor de Deus que julgavam que era possível amar a Deus de todo o coração.

Quando terminou o ágape, abriram-se as portas da igreja e muitos dos que estavam do lado de fora, entraram. Notando a angústia de uns e o regozijo de outros, diversos deles prostraram-se no chão, perante Deus, e suplicaram a sua misericórdia.

A multidão que assistia a essas reuniões, voltando para sua casa, levaram a chama divina para seus vizinhos e o fogo divino assim passava de casa para casa, de modo que, no correr de quatro semanas, centenas de pessoas acharam paz em Deus. A conversa do povo limitava-se quase exclusivamente às coisas de Deus. Não se podia encontrar uma pessoa que não falasse da sua salvação e quase todos pareciam contentes, gozando a paz e o amor de Deus no coração" (Jesse Lee, p., 54-56).

No correr de alguns meses Shadford e seus colegas tiveram o grato prazer de ver crescido o número de crentes naquela zona. Mais de mil e oitocentas pessoas entraram nas sociedades metodistas.
Mas a guerra tornou-se mais generalizada e os súditos britânicos não podiam ficar sem correr o perigo de ser presos. George Shadford teve de enfrentar o problema. Chegou à conclusão que devia voltar para a Inglaterra. Discutiu a questão com Francis Asbury, que resolveu ficar. Para Asbury era a vontade de Deus que ele ficasse, mas para Shadford era a vontade de Deus que ele voltasse. Assim os dois homens de Deus interpretavam a providência divina. Entre os oito ministros ingleses que Wesley mandou para a América, Asbury e Shadford deram-se melhor no novo ambiente.

Chegando à Inglaterra, Shadford continuou seu trabalho sob a direção de Wesley por muitos anos. Homem completamente consagrado a Deus, a sua experiência tornou-se cada vez mais feliz. Na velhice ficou cego, porém, por meio de uma operação, o médico lhe restituiu a vista. O médico disse-lhe: "Agora pode usar talheres, quando comer". "Senhor médico, disse ele, "tenho ainda maior prazer em ler a minha Bíblia". E a primeira coisa que fez, depois de recuperar a vista, foi ler a Bíblia.

Morreu com setenta e oito anos de idade. Quando o médico o desenganou, ele exclamou: "Glória a Deus!" Suas últimas palavras foram: "Vitória, vitória, mediante o sangue do Cordeiro!" E dormiu no Senhor Jesus Cristo.

Os oito missionários que Wesley mandou para a América voltaram para a Inglaterra, exceto Francis Asbury. Este lançou a sua sorte com a causa dos americanos e tornou-se o pai do Metodismo americano. Deus, às vezes, utiliza-se de instrumentos humildes para realizar os seus desígnios. Havia, na América, homens ainda não mencionados, como Devereux Jarrett, Richard Owen, Filipe Gatch, Edward Dromgoole, Ruben Ellis, João Dickins, Filipe Bruce, Freeborn Garrettson e muitos outros, que entraram nas fileiras metodistas e ajudaram a Asbury, quando este procurava dirigir as suas atividades na nação que acabava de nascer no Novo Mundo.

Francis Asbury


Francis Asbury nasceu em 20 ou 21 de agosto de 1745, perto de Birmingham, de pais piedosos, mas humildes e pobres. Era desejo do pai educar seu filho, porém o mestre da escola, onde Francisco estudava, era tão cruel na sua disciplina que o menino criou desgosto com as aulas e deixou de freqüentá-las aos treze anos de idade. Arranjou emprego numa casa de família rica. Felizmente ficou ali pouco tempo, pois corria o perigo de corromper-se. Arranjou então serviço em casa de um homem piedoso e trabalhou com ele seis anos, aprendendo o ofício de ferreiro. Durante esse tempo converteu-se, tornando-se membro de uma Sociedade Metodista e pregador local. Começou a dirigir cultos de oração aos dezesseis anos de idade. Trabalhou durante o dia e dirigia cultos à noite. Às vezes dirigia culto seis vezes por semana. Para dirigi-los andava a pé distancias longas.


Wesley o convidou para entrar na itinerância. Trabalhava já, há quatro anos como itinerante quando se ofereceu para o trabalho na América, na ocasião da Conferência realizada em Bristol, em 1771. Logo depois se despediu dos seus pais pela última vez e embarcou para a América em 4 de setembro de 1771. Tinha só dois cobertores para sua cama e dormia sobre tábuas. Podemos apreciar o estado do seu espírito por estas palavras suas: "Necessito de fé, coragem, paciência, mansidão e amor. Quando outros sofrem tanto por causa dos seus interesses temporais, poderei certamente sofrer um pouco pela glória de Deus e pelo bem das almas. Sinto meu espírito agarrado ao Novo Mundo e meu coração ligado ao povo americano, ainda que desconhecido. Tenho motivo para crer que, indo agora, não me estou precipitando. 

Quanto mais dificuldades tenho, tanto mais convencido fico de que estou fazendo a vontade de Deus. O povo que Deus honra na Europa, são os metodistas. As doutrinas e a disciplina que fazem cumprir são, creio eu, mais puras que as de qualquer outro povo do mundo. O Senhor tem abençoado essas doutrinas e essa disciplina nos três reinos; portanto, devem ser agradáveis a ele. Se Deus não me reconhecer na América, voltarei para a Inglaterra. Sei que meus motivos são justos. Permita Deus que o sejam sempre" (McTveire, p. 295).

Antes de desembarcar na América escreveu no seu Diário o seguinte: "Para onde vou? Para o Novo Mundo. Para que fim? Ganhar honras? Não!! se é que conheço meu coração. Ganhar dinheiro? Não! vou viver para Deus. Esforçar-me-ei por levar outros a fazer o mesmo" (Hurst., vol. IV, p. 741).

Chegou à Filadélfia em 27 de outubro de 1771. Foi recebido pelos crentes "como um anjo de Deus." Sendo líder por natureza, não deixou de observar tudo e de tomar nota das coisas que julgava de valor. Notou logo uma coisa que seus antecessores faziam e, que ele achava errado. Limitavam-se quase exclusivamente às cidades e descuidavam-se das regiões rurais. 

O que lhe abriu os olhos para esse fato foi o que se deu num culto de vigília. Diz seu Diário: "Novembro, 4. Realizamos culto de vigília. Quase no fim, um homem simples da roça falou e suas palavras tocaram o coração de todos, de modo que pudemos perguntar: "Quem desprezou os dias das pequenas coisas?" Nem Nosso Senhor, nem Deus. Então por que faz isso o homem?" (McTyeire, p. 296). A fala desse homem da roça, rude e simples, mas sincero, abriu os olhos de Asbury para o grande valor e a importância dos camponeses.

Depois de pregar algumas vezes em Filadélfia, foi à Nova York, onde pregou sobre o texto: "Pois resolvi não saber coisa alguma entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado". Gostou do povo, porém não apreciou a tática de Boardman e Pilmoor, que gostavam de ficar nas cidades, sem viajar e abrir pontos de pregação nas zonas rurais. Ele disse: "Atualmente estou descontente e julgo que vamos ficar presos nas cidades ainda este inverno. Meus colegas parecem não ter vontade de deixar as cidades; creio que vou mostrar-lhes o caminho". "Vim para a América com intenções justas e, pela graça de Deus, procurarei revelá-las; estou resolvido a não deixar ninguém influenciar-me com palavras suaves e conversas persuasivas". "Agrade ou desagrade a quem quer que seja, serei fiel a Deus, ao povo e à minha alma". (McTyeire, p. 296).

Asbury tomou a resolução de evangelizar o povo tanto nas zonas rurais como nas cidades. Guardou esse propósito até ao fim da vida: nunca deixou de viajar. Tornou-se o maior itinerante de todos os tempos.

Logo que chegou à América, montou a cavalo e viajou, pode dizer-se, o resto da sua vida. Tornou-se o cavaleiro da estrada longa". Diversos cavalos envelheceram a seu serviço. Gostava do cavalo que participava das suas privações. Na velhice recordava os nomes dos seus cavalos, que gastaram os seus dias, viajando da Nova Inglaterra à Geórgia e da Virgínia às fronteiras de Kentucky e Tennessee. 

Os nomes de Jane, Spark e Fox tornaram-se sagrados na sua memória. Quando vendeu o velho Fox, ele ficou em sua memória. Quando vendeu o velho Spark, ele observou, "o animal rinchou e queria ir comigo. Entrou no meu coração Pobre escravo! Quanta fadiga pacientemente havia sofrido por mim".

Quantas viagens longas através de florestas, debaixo de sol, chuva, neve e gelo, atravessando rios a nado Francis Asbury enfrentou. Que coisa não fez ele nos quarenta e cinco anos que trabalhou na América?! Homenagearam-no merecidamente até um monumento!

 A nação americana não deixou de prestar justa homenagem ao herói missionário que contribuiu mais para desenvolver a civilização norte-americana do que qualquer outro homem do seu tempo, erigindo-lhe um monumento numa praça da cidade de Washington, Distrito de Colúmbia. A estátua representa um homem montado num cavalo, e tem a seguinte inscrição: "Se buscardes os resultados do seu trabalho, encontra-lo-eis em nossa civilização cristã".

Pela estrada longa que Asbury trilhava, havia casas hospitaleiras ocupadas, muitas vezes, pelos seus filhos espirituais. Nelas encontrava abrigo e bom acolhimento. Casas como a de Perry Hall, em Maryland; a de White, em Delaware; a de Dromgoole, em Virgínia; a de Edmundo Taylor e a de Green Hills, em Carolina do Sul, são provas do cumprimento da promessa de Jesus aos seus discípulos que "ninguém há que tenha deixado casa, ou irmãos, ou mãe ou pai, ou filhos ou campos, por amor de mim e por amor do Evangelho, que não receba, já no presente, o cêntuplo de casas, irmãos, mães, filhos e campos, com perseguições, e, no mundo vindouro, a vida eterna".

Por amor do Evangelho, Asbury não se casou. A natureza do seu trabalho vedava-lhe a vida doméstica. Ele achava injusto sujeitar uma esposa à vida itinerante como era a que ele tinha de levar naquela época. Era sempre uma tristeza para ele, quando um dos seus pregadores se casava, pois isso significava a fixação e abandono da itinerância e com isso cessava a evangelização do povo em algum lugar.

Ora, Asbury começou logo a por em execução seu propósito. Fez diversas viagens durante o inverno, nas cercanias da cidade de Nova York. Visitou Nova Rochele, Rye, Staton Island e outros pontos. Implantou o Metodismo em Staton Island. Conquistou algumas famílias distintas naquela ilha. A família de Pedro Van Pelt, que ele levou a Cristo, tornou-se-lhe um lar amigo. Anos depois, quando abriu trabalho no estado de Kentucky, encontrou o irmão de Pedro, Benjamin Van Pelt, que ficou seu amigo e se tornou pregador local, tendo fundado diversas sociedades metodistas a leste do estado de Tennesse. 

Parece que o exemplo de Asbury estimulou Boardman e Pilmoor a viajarem mais, pois nesse tempo encontramos Boardman fazendo viagem longa na direção do leste, até a cidade de Boston, e Pilmoor, antes de voltar para a Inglaterra, fez uma longa viagem para o sul até ao estado da Geórgia, onde visitou o orfanato de Whitefield, em Savanah.

Em outubro de 1772 Wesley nomeou Asbury como seu ajudante ou assistente na América. Obedecendo ao seu princípio, Asbury organizou uma zona nas cercanias da cidade da Filadélfia, como já fizera nas da cidade de Nova York. Assim o sistema da itinerância se iniciou, de fato, na América e tem continuado até ao dia de hoje.
Asbury fixou seu quartel general na cidade de Baltimore. 

Organizou as sociedades metodistas em classes e assim unificou os crentes, pondo-os sob o cuidado de guias espirituais. O trabalho desenvolveu-se e resolveram os crentes construir duas casas de oração.

Asbury fez viagens que abrangiam seis condados no estado de Maryland. Encontrou-se com Strawbridge, Owen e João King que o ajudaram na obra da evangelização. O vigor com que Asbury executava o trabalho não agradava a seus colegas Wright e Pilmoor, pois viam que ele tinha espírito militar demais no seu plano. 

Houve, pois, queixas e Wesley enviou Tomaz Rankin para assumir a direção do trabalho.

Na ocasião da Conferência anual, que se realizou em Filadélfia, em 1773, houve discussões amargas de que nos dá uma ideia a seguinte citação de Asbury: "Houve alguns debates na Conferência entre os pregadores, a respeito do procedimento de alguns que queriam ficar nas cidades e viver como cavalheiros. Três anos em quatro passavam nas cidades. Observou-se que se tinha gasto dinheiro sem resultado, que se nomearam guias incompetentes e que nossas 'regras foram violadas" (McTyeire, p. 300).

A influência de Asbury sobre as sociedades em Baltimore e no estado de Maryland foi tão salutar que o Metodismo ficou permanentemente implantado nessa zona. Algumas das famílias mais importantes da cidade de Baltimore foram levadas a Cristo e, entre elas, pode mencionar-se a família de Henry Dorsey Gough. Gough era rico e casou-se com a filha do governador Ridgeley. 

Possuía uma casa, a cerca de trinta quilômetros da cidade, chamada, Pery Hall, uma das casas maiores e mais belas da América. Mas Gough não era feliz e gostava de jogar e beber. A sua esposa gostava da religião e da pregação dos metodistas, mas ele a proibiu de lhe assistir aos cultos. Uma noite, jogando e bebendo com seus colegas, sugeriram-lhes que todos fossem assistir à pregação dos metodistas. Foram, Asbury pregou. Saindo do culto, disse um deles,: "Que tolice ouvimos esta noite"! Respondeu Gough: "Não, senhor, o que ouvimos é a verdade, a verdade como está em Cristo"... Quando chegou em casa, disse à sua esposa: "Eu nunca mais hei de proibir você de assistir aos cultos dos metodistas". Converteu-se e ambos entraram na sociedade metodista. 

A casa grande tornou-se lar dos pregadores metodistas. Gough construiu uma capela ao lado da sua casa e, quando não havia pregador para dirigir culto, sua esposa lia a Bíblia, junto com os negros (escravos), cantava alguns hinos e orava.

Por alguns anos Gough andou direito, mas caiu e se afastou da sociedade. Em 1800 foi levantado pelo seu grande amigo Asbury. Depois da sua restauração exclamou: "Oh, se minha esposa tivesse voltado para o mundo, eu estaria do mesmo jeito perdido; mas, não tendo voltado, ai sempre alimentava a esperança de voltar para Deus, inspirado pelo seu bom exemplo e pela sua conduta". Morreu na fé, em 1808, e Asbury, que o tinha levado duas vezes À cruz, esteve presente para confortá-lo nas últimas horas.

Devereux Jarrett 


Houve, ao menos, um clérigo da Igreja Anglicana na América que se identificou com o trabalho metodista. Foi Devereux Jarrett. Era americano. Nasceu no estado de Virgínia. Estudou nas escolas que ali havia, ajudando seu pai na fazenda na época das férias. Ensinou numa escola por algum tempo. Uma senhora piedosa o influenciou e, sentindo seus pecados, resolveu entrar no ministério. Preparou-se para sua ordenação. Foi à Inglaterra a fim de ser ordenado. 


Voltando para a América, foi nomeado para a paróquia de Bath. Falando de seu modo de pregar, disse: "Em vez de uma palestra moral aconselhando meus ouvintes a andar de uma maneira tranqüila e calma na senda filosófica de sublime e elevada virtude e não a trilhar a pista suja de vícios vergonhosos (predileção daquele tempo), eu me esforcei por lhes pintar com as cores mais alarmantes a culpa do pecado, a depravação total da natureza humana, o perigo alarmante em que os homens se acham, por natureza e pela prática, a maldição tremenda a qual estão expostos e sua incapacidade absoluta de executar a sentença da lei e o veredito da justiça divina pelo seu próprio poder, ou por mérito de suas boas obras. 

A ignorância acerca das coisas de Deus, a profanação e a irreligião prevaleciam então em todas as camadas. Eu duvido que até alguma forma de piedade se descobrisse em qualquer família na minha numerosa paróquia. Eu era pessoa estranha ao povo. Minhas doutrinas eram inteiramente novas para ele e não eram pregadas nem cridas por qualquer outro clérigo até onde eu pude
verificar, em toda a paróquia" (McTyeire, p. 302).


Jarrett conseguiu bons resultados. Os seus serviços foram procurados e solicitados em diversos lugares. Trabalhou entre os metodistas, administrando-lhes os sacramentos e fez o que pode por conservá los contentes com a sua situação. Ficou desapontado porque os metodistas finalmente optaram por uma organização independente da Igreja Anglicana ou Episcopal. Não somente sofreu desapontamento com o rumo que as sociedades metodistas tomaram, sendo que sofreu desprezo (às mãos) do clero da sua própria Igreja, porque ajudava os metodistas. Mas nem por isto deixou de auxiliá-los.

Mandou um relatório do trabalho que fez na sua paróquia para Wesley. Lendo seu relatório, tem-se a impressão que foi escrito por um pregador metodista. Fala nas sociedades que organizou, nas reuniões de avivamento que promoveu no número de conversões e de santificações, etc. O avivamento que começou na sua paróquia se estendeu por quatorze condados no estado de Virgínia e por alguns condados no estado de Carolina do Norte. 

Em 1776 houve avivamento em. diversas partes do estado de Virgínia. Antes de Shardford partir para assistir à Conferência, recebeu uma Carta de Jarrett, em que dizia: "Dou graças a Deus pela sua bondade, por ter derramado abundantemente o seu Espírito sobre homens, mulheres e crianças. Creio que mais de setenta pessoas, na minha paróquia, pela graça de Deus, têm crido desde a última Conferência trimensal. Tal trabalho nunca vi antes com meus olhos. 

As vezes doze e quinze aparecem na reunião da classe. Acabo de voltar da reunião de duas classes. O poder de Deus se manifestou abundantemente em ambas. Minha esposa está agora alegre no Senhor. Bato palmas, exultando e louvando a Deus. Louvado seja o Senhor, que mandou o irmão e seu colega para este cantinho da sua vinha" (McTyeire, p. 305).

Novos obreiros apareceram e continuaram o trabalho, estendendo-o para novos Campos. Quanto mais se estendia o trabalho, tanto mais trabalhadores apareciam. Homens com pouco preparo, depois da sua conversão, entraram nas fileiras, mas, pela leitura da Bíblia, do hinário, da Disciplina e de outros livros, adquiriram conhecimentos práticos e experimentais que os habilitavam a fazer uma obra grandiosa na conversão de almas e na santificação de vidas.

Guilherme Waters


Guilherme Waters nasceu no condado de Baltimore em 1751 e converteu-se com vinte anos de idade. Pouco tempo depois da sua conversão começou a pregar e em menos de um ano entrou na itinerância. O ponto forte no seu trabalho era seu costume de alistar seus conversos no trabalho. O método dele era o seguinte: nos domingos dividia os crentes em grupos de dois ou três que visitavam as casas, cantavam hinos, liam a Bíblia, faziam oração e falavam. Assim, os novos crentes começavam logo trabalhar e diversos descobriram que tinham dons para pregar. 


O seu primeiro ano de itinerância foi ricamente abençoado. Muitas almas foram convertidas. O seu segredo de bom êxito ele o explicou mais tarde: "O trabalho mais glorioso que já vi entre os crentes foi nesta zona. Centenas e centenas de pessoas professaram a santificação e dedicação ao Senhor. Eu não podia contentar-me, sem exortar os crentes acerca do seu privilégio, e notei que os que pregavam, ainda que com eloqüência, sem falar neste assunto, não satisfaziam os ouvintes, ao passo que os que falavam neste assunto, ainda que sem eloqüência, mas com convicção da alma, exortando os crentes a buscarem a perfeição, eram abençoados nas suas palavras" (McTyeire, P. 307).

Richard Owen


Richard Owen fez notável trabalho como pregador local. Antes de entrarem os itinerantes na zona onde ele morava, já tinha aberto trabalho em diversos lugares. A chama divina que crepitava na sua alma o levou a pregar aos outros a mensagem divina. Muitas vezes deixou a sua família para fazer viagens longas, sem receber qualquer remuneração material. Quando a família já estava criada e podia cuidar de si, dedicou-se ao trabalho como suplente. Finalmente tombou no seu posto, como bom obreiro do Senhor, longe de casa, mas no meio de irmãos carinhosos.


Filipe Gatch


Filipe Gatch, colega de Guilherme Waters, nasceu perto de Georgetown, no estado de Maryland, em 1751. Gatch foi instrumento para estender o Metodismo para leste e oeste do país. Desde a sua mocidade tinha impressões religiosas, porém não havia ninguém que pudesse explicar-lhe o caminho da salvação pela fé. Um dia um metodista leigo, Nata Perigna, passou pela sua comunidade e pregou. O sermão o despertou. Mais tarde, assistindo a um culto, ficou tão impressionado com a verdade que saiu dali julgando-se indigno de estar na casa de oração. Um bom homem saiu a procurá-lo e explicar-lhe a necessidade de buscar a Deus e o seu perdão. Entrando de novo na casa de oração, Gatch orou: "Ó Senhor, se me deres poder para invocar o teu nome, quão grato te serei!". Imediatamente sentiu o poder de Deus na sua alma. Ouviu a voz suave de Deus na sua alma, dizendo: "Meu poder está presente para te curar, se crês". Creu e sua alma foi libertada. Então entrou num novo mundo.


Logo depois seu irmão se converteu e os dois irmãos iniciaram a prática do culto doméstico. Em pouco tempo toda a família estava convertida e fazia parte da sociedade metodista. Começou a exortar e também a pregar. Rankin queria que ele aceitasse trabalho em Nova Jersey, porque o escândalo causado pelo mau comportamento de dois pregadores da zona estava matando o trabalho metodista naquele estado. O lugar era difícil e o rapaz era novo no ministério, mas acertou o trabalho. Gatch disse: "Pareceu-me que se rompiam os lagos da vida; era uma espécie de morte para eu separar-me da minha família e dos meus amigos. Mas ousei não olhar para trás. Aquele que quer ser discípulo de Cristo tem de deixar tudo para segui-lo".

Gatch entrou no seu novo campo de trabalho, fortalecido pela sua fé em Deus. Encontrou muita oposição, mas, por sua coragem e pelo seu bom senso, saiu vencedor. Certa ocasião um homem quis quebrar-lhe a cabeça com uma cadeira, porém um amigo pegou na cadeira em tempo de evitar a pancada Esse ato de violência ganhou-lhe mais amigos entre o povo. Havia nessa zona um clérigo, Kain, que, não querendo que pregasse nos limites da sua paróquia, saiu para dar-lhe combate intelectual. Foi o caso de gigante Golias dando combate contra Davi. O pároco alegou que ele não tinha autoridade da Escritura para pregar. O rapaz subiu ao estrado, debaixo duma árvore, e escolheu seu texto do livro "Oração Comum". A sua explicação foi tão clara e acertada que a leitura do discurso que o pároco preparara não tinha mais cabimento.

Então o pároco falou contra a doutrina do "novo nascimento" e contra a oração de improviso. Gatch replicou que sabia que tinha nascido de novo e, quanto à oração extemporânea, podia dizer que, quando Pedro estava afundando na água, não correu à terra para procurar um livro de oração, mas gritou: "Salva-me, Senhor!". O pároco deu-se por vencido e retirou-se.

Gatch, na madureza da vida, mudou-se para o oeste e fixou residência perto do lugar onde esta hoje a cidade de Cincinati. Deixou de viajar como itinerante, porém continuou a ajudar o trabalho naquela nova zona. Morreu firme na fé, em 28 de dezembro de 1833. O juiz McLen era seu amigo e escreveu a biografia dele, terminando-a com estas palavras: "Quanto ao fundo e a forma, Gatch pertenceu à classe dos pregadores que lançaram os alicerces do Metodismo na América. Não era sábio, nem a seus próprios olhos nem aos olhos do mundo. Educou-se na escola de Cristo, mas, além disso, as suas qualificações não excederam as dos pescadores e publicanos que pregaram o Evangelho no princípio, que se revestiram da armadura de Deus e profundamente se possuíram de espírito cristão. Foi desprezado e condenado pela sua ignorância e ousadia. Talvez não pudesse formular um silogismo nem argumentar nos limites prescritos pelas regras da lógica. Mas venceu, não por sua própria força, porém pela força d'Aquele que muitas vezes escolhe as coisas fracas do mundo para confundir as coisas dos poderosos. Ele e os seus colegas saíram e sua voz foi ouvida por todo o país. Pregavam ao ar livre, nos celeiros e em qualquer lugar onde o povo quisesse ouvi-los. Estavam cientes das suas deficiências e não tinham confiança nas suas forças naturais. Não procuravam pregar grandes sermões, mas sermões que penetrassem o coração e reformassem a vida dos homens. As bênçãos de Deus repousaram sobre seu trabalho e a Igreja vem cultivando a "sua memória" (Hurst, Vol. IV, p. 118).

Eduardo Drongoole


Eduardo Drongoole nasceu na Irlanda e criou-se no romanismo. Renunciou o romanismo antes de emigrar para a América, em 1770. Trabalhou como alfaiate por algum tempo. Ouviu seu patrício, Strawbridge, pregar e converteu-se. Começou logo a pregar. Trabalhou nos estados de Virgínia, Carolina do Norte e Maryland. Passou doze anos na itinerância; casou-se e logo deixou a itinerância. Prosperou nos seus negócios e tornou-se homem abastado e de grande influência na sociedade. Foi pai de dez filhos, dos quais dois entraram no ministério e o mais moço foi eleito deputado ao congresso dos Estados Unidos.


Não deixou, depois disso, de trabalhar e ajudar a causa metodista. Hospedou na sua casa uma Conferência geral. O bispo Asbury pregou muitas vezes na sua casa. Na última visita, em 1815, pregou na casa dele e o ordenou presbítero. Foi feliz no seu casamento; a sua vida conjugal durou quarenta anos. Morreu com oitenta e quatro anos de idade.

João Dickins


João Dickins era patrício de Francis Asbury. Trabalhou na Carolina do Norte e ajudou Asbury a formar planos para fundar um colégio. Ajudou na fundação da Casa Publicadora que tem trazido tanto benefício à causa de Cristo na América. Foi ele que sugeriu o nome oficial da nova igreja na América — Igreja Metodista Episcopal.


Filipe Bruce


Filipe Bruce nasceu na Carolina do Norte. Era descendente de pais huguenotes. Estudou com um escocês. Era homem alto, escuro e de olhos penetrantes. Pregava bem e exortava com eficiência. Professou, pregou e exemplificou na sua vida a santificação.


Freeborn Garrettson 


Freeborn Garrettson nasceu no estado de Maryland, em 1752. Converteu-se, ouvindo um exortador, em 1775. Logo se tornou pregador enérgico. Sofreu violências e perseguições de seus patrícios no tempo da guerra da Independência. Pregou por algum tempo na Nova Escócia. Passou a maior parte do seu ministério no estado de Nova York. Morreu com setenta e seis anos de idade.


Conclusão


Novos recrutas entravam no ministério de ano em ano. Se todos os nomes fossem mencionados numa só lista, fariam um pequeno volume. Mas todos esses servos de Deus trouxeram a sua contribuição para a fundação do Metodismo na América.


______________________________________________________
(*) Texto extraído das páginas 149 a 181 do livro História do Metodismo, de Paul Eugene Buyers, publicado pela saudosa Imprensa Metodista em 1945.


Igreja Metodista de Vila Isabel 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

💪 Nós aprendemos com Jesus que a verdadeira masculinidade não é simplesmente manter nossos narizes limpos e nossa casa em ordem. A verdadeira masculinidade significa enxergar além de nós mesmos para amar nosso próximo – e nosso próximo é qualquer um que encontramos em necessidade. O homem de verdade livremente doa seu tempo, recursos, atenção, energia e apoio emocional para aqueles que precisam, sem se preocupar em como eles podem retribuir. Seja você casado ou solteiro, se você não está servindo ao seu próximo abnegadamente e sacrificialmente, você não está exercendo completamente a masculinidade bíblica.

Phillip Holmes



Postagens populares

.

DOUTOR DA IGREJA GREGA - MAIOR PREGADOR DA IGREJA PRIMITIVA - MESTRE DA RETÓRICA, DA HOMILÉTICA!

DOUTOR DA IGREJA GREGA - MAIOR PREGADOR DA IGREJA PRIMITIVA - MESTRE DA RETÓRICA, DA HOMILÉTICA!
Você deseja honrar o corpo de Cristo? Não o ignore quando ele está nu. Não o homenageie no templo vestido com seda quando o negligencia do lado de fora, onde ele está malvestido e passando frio. Ele que disse "Este é o meu corpo" é o mesmo que diz "Tu me vistes faminto e não me destes comida" e «quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mateus 25:40)... Que importa se a mesa eucarística está lotada de cálices de ouro quando seu irmão está morrendo de fome? Comeces satisfazendo a fome dele e, depois, com o que sobrar, poderás adornar também o altar.

João Crisóstomo, Comentário sobre Mateus

♛ Uma das características mais recorrentes das homilias de João Crisóstomo (347-407) é sua ênfase no cuidado com os necessitados. Ecoando temas do Evangelho de Mateus, ele exorta os ricos a abandonarem o materialismo para ajudar os pobres, empregando todas as suas habilidades retóricas para envergonhar os ricos e obrigá-los a abandonar o consumismo mais conspícuo:


“Honras de tal forma teus excrementos a ponto de recebê-los em vasilhas de prata quando outro homem criado à imagem de Deus está morrendo de frio?”


— João Crisóstomo


-

OREM PELOS CRISTÃOS

OREM PELOS CRISTÃOS