"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



terça-feira, 4 de outubro de 2016

* A Expansão da Igreja Metodista

A EXPANSÃO DA IGREJA METODISTA


A Igreja Metodista no Novo Mundo existe desde o ano de 1766, quando dois pregadores wesleyanos locais, naturais da Irlanda, se transferiram para os Estados Unidos e começaram a realizar cultos segundo a ordem metodista. Não se sabe ao certo se Filipe Embury realizou o primeiro culto em sua própria casa em Nova York ou se foi Roberto Strawbridge, em Fredrick County, Maryland. Esses dois homens organizaram sociedades, e em 1768, Filipe Embury edificou uma capela na rua João, onde funciona até os dias atuais um templo Metodista Episcopal. 

O número de metodistas na América do Norte cresceu. Por essa razão, em 1769, João Wesley enviou dois missionários, Ricardo Broadman e Tomás Pilmoor, a fim de inspecionarem as obras e cooperarem na sua extensão. Outros pregadores, sete ao todo foram enviados da Inglaterra, dentre os quais se destacou Francisco Asbury, que chegou nos Estados Unidos em 1771. A primeira Conferência Metodista nas colônias foi realizada em 1773, presidida por Tomás Rankin. Porém, em razão do início da Guerra de Independência, todos os pregadores deixaram o país; exceto Asbury.

Quando o governo dos Estados Unidos foi reconhecido pela Grã-Bretanha, os metodistas da América do Norte alcançavam o número de quase quinze mil. Estando eles ligados a Igreja da Inglaterra, Wesley tentou convencer o bispo de Londres de que devia consagrar um bispo para servir as igrejas da América do Norte. Contudo não conseguiu o que desejava. Wesley então separou o Reverendo Tomás Coke, clérigo da Igreja inglesa, e nomeou-o Superintendente das Sociedades da América do Norte. Para esse fim usou o ritual da consagração de bispos, porém deu-lhe o título de Superintendente.

Wesley instruiu o Dr. Coke para que designasse Francisco Asbury como seu auxiliar, encarregado das sociedades wesleyanas na América do Norte. Uma conferência de ministros metodistas na parte setentrional dos Estados Unidos foi realizada na semana do Natal de 1784, em Baltimore, quando então foi organizada a Igreja Metodista Episcopal. Asbury recusou-se a receber o cargo de superintendente, até que a recomendação de Wesley fosse submetida a voto de seus companheiros. O Dr. Coke voltou à Inglaterra. Por acordo comum o titulo de superintendente, foi substituído por bispo, e até o ano de 1800 Asbury foi o único a desempenhar tal função. Em razão de seu incansável trabalho, de seus planos sábios, e da boa orientação, as Igrejas Metodistas da América do Norte devem mais a Asbury do que a qualquer outro homem.

A Igreja Metodista Episcopal foi a igreja mãe no país. Entretanto por causa da diferenças de raça, de idioma, de rivalidades políticas, e principalmente em 1864 a agitação sobre a escravatura, várias divisões ocorreram. Em abril de 1939 reuniu-se a Conferência Unida formando uma só Igreja Metodista. Participaram dessa conferencia representantes da Igreja Metodista Protestante, representando um total de cerca de onze milhões de membros.

Essas igrejas possuem a mesma teologia: são arminianas, quer dizer, sustentam a doutrina do livre-arbítrio, oposto a doutrina calvinista da predestinação, e dão ênfase ao conhecimento pessoal da salvação de todo crente. Também são uniformes em sua organização. As igrejas locais estão organizadas em distritos ao cargo de um presbítero ou ancião presidente, apesar de na Igreja Metodista Episcopal, em 1908, haver sido mudado esse nome para superintendente distrital. Os distritos reúnem-se em conferências anuais, e sobre todos estão os bispos que são nomeados para cargos vitalícios, embora sujeitos a afastamento pela Conferência Geral, o órgão supremo, que se reúne de quatro em quatro anos. Todos os pastores são nomeados anualmente pelo bispo encarregado da conferência.

A IGREJA METODISTA NO BRASIL

Junius Estaham Newman, pastor metodista e Superintendente Distrital, foi o pioneiro da obra metodista permanente no Brasil. "J. E. Newman, recomendado para a Junta de Missões para trabalhar na América Central ou Brasil": essa foi a nomeação que ele recebeu em 1866, na Conferência Anual. Após ter servido durante a Guerra Civil Americana, como capelão das tropas do Sul, observou que muitos metodistas do Sul emigraram para as Américas do Sul e Central e acompanhou-os.

A Guerra deixou endividada a Junta, sem possibilidade de enviar obreiros para qualquer local. Newman financiou sua própria vinda ao Brasil, com suas modestas economias. Chegou ao Rio de Janeiro em agosto de 1867, mas fixou residência em Saltinho, cidade próxima a Santa Bárbara do Oeste, província de São Paulo. Desde 1869, pregou aos colonos, mas, dois anos mais tarde, no terceiro domingo de agosto, organizou o "Circuito de Santa Bárbara".

O primeiro salão de culto – antes era uma venda – foi uma pequena casa, coberta de sapé e de chão batido. Newman trabalhava com os colonos norte-americanos e pregava em inglês. Um dos motivos da demora de Newman em organizar uma paróquia metodista, é que ele pregava, principalmente para metodistas, batistas, presbiterianos e a todos que desejassem ouvir sua mensagem, pensando ser mais sábio unir os "ouvintes" em uma única igreja, sem placa denominacional. Mas depois, todas as denominações organizaram-se em igrejas, de acordo com sua origem eclesiástica nos EUA.

 Newman insistiu, através de suas cartas, para que os metodistas norte-americanos abrissem uma missão em nosso país. Em 1876, a Junta de Missões da Igreja Metodista Episcopal Sul, despertada através da publicação das cartas nos jornais metodistas nos EUA, enviou seu primeiro obreiro oficial: John James Ranson. Dedicou-se ao aprendizado do português para proclamar a boa-nova aos brasileiros.

J. E. Newman e sua família mudaram-se para Piracicaba, SP, onde permaneceram entre 1879 e 1880, quando as filhas de Newman, Annie e Mary, organizaram um internato e externato. O "Colégio Newman" é considerado precursor do Colégio Piracicabano, hoje UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba).

O período entre 1876 e 1886 é geralmente denominado de "Missão Ransom", visto que ele organizou toda a estrutura. Ele não teve pressa para estabelecer o campo de trabalho: descartou Piracicaba, fez um reconhecimento do Rio Grande do Sul, mas escolheu o Rio de Janeiro como centro estratégico para propagar o metodismo. J. J. Ransom iniciou sua pregação mais tarde, a fim de dominar o português. Em janeiro de 1878, iniciou sua pregação em inglês e português, no Rio de Janeiro. Os primeiros brasileiros foram recebidos à comunhão da Igreja em março de 1879, sem serem rebatizados. No mês de julho seguinte, quatro pessoas da família Pacheco foram recebidas.

Ransom casou-se com Annie Newman, no Natal de 1879, que veio a falecer em meados do ano seguinte. Ele regressou aos Estados Unidos em busca de mais pessoas dispostas a contribuir na tarefa missionária no Brasil. Voltou, dois anos depois, com James L. Kennedy, Marta Watts e o casal Koger. Todos contribuíram na expansão geográfica da missão e também para a educação.

A educadora Marta Watts veio como missionária com a tarefa de educar crianças e moças brasileiras. O Colégio Piracicabano, primeiro educandário metodista no Brasil, foi fundado em 13 de setembro de 1881, com a matrícula de apenas uma aluna, Maria Escobar. Fatores como a capacidade e dedicação da diretora e o novo método do Colégio chamaram novas alunas, a partir do ano seguinte. O educandário foi a semente para a UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba), criada em 1975. Frances S. Koger, ou simplesmente Fannie, fundou uma escola para crianças pobres em Piracicaba, demonstrando assim, o interesse pela educação de crianças pobres, um fato que não é tão conhecido. Além dos missionários fundadores das principais igrejas: Ransom, Rio de Janeiro, 1879; Koger, Piracicaba, 1881 e São Paulo, 1884; e Kennedy, Juiz de Fora, 1884 – destacam-se, por exemplo, três obreiros leigos que precederam Kennedy na preparação do trabalho em Juiz de Fora e outros primeiros obreiros leigos.

Bernardo de Miranda, Ludgero de Miranda, Felipe Relave de Carvalho e Justiniano de Carvalho receberam nomeação episcopal em 1886. Na Conferência Anual de 1887, com exceção de Ludgero, todos foram admitidos à Conferência, em caráter de experiência. Mas na Conferência Anual de 1890, o bispo J. C. Granbery admitiu os quatro obreiros, ordenando-os diáconos. Algum tempo depois, leigas foram chamadas de "Mulheres da Bíblia", ocupando-se com visitações e leitura da Bíblia com outras mulheres. Em 1° de janeiro de 1886, foi publicada a primeira edição do Metodista Católico, atual Expositor Cristão.


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