"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



terça-feira, 4 de outubro de 2016

* A Declaração Teológica de Barmen / Alemanha

Declaração Teológica de Barmen

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Igreja Gemarker, em Barmen, onde as teses da Declaração foram aprovadas em 1934.
Declaração Teológica de Barmen foi um documento elaborado a partir do posicionamento de evangélicos alemães, especificamente o grupo da resistência alemã denominado Igreja Confessante, contra o nazismo.

Antecedentes 

O contexto do escrito é a história da Alemanha no período que antecedeu a Segunda Guerra Mundial. Em janeiro de 1923, o exército francês ocupou o Vale do Ruhr, visando forçar a Alemanha a continuar pagando as indenizações da Primeira Guerra Mundial, impostas pelo Tratado de Versalhes. Encorajados pelo governo, os mineiros e siderúrgicos alemães adotaram imediatamente uma resistência não violenta, recusando-se a trabalhar nas minasfábricas e estradas de ferro.
Isso agravou a situação econômica do país, pois o governo alemão pagava os salários. O governo tentou sustentá-los emitindo enormes quantidades de papel-moeda. Essa política econômica e a sangria das reservas de ouro com as indenizações de guerra desencadearam uma hiperinflação na Alemanha. O marco alemão perdeu totalmente seu valor. Para ter uma ideia da hiperinflação, observe-se estes dados: antes da guerra, um dólar americano equivalia a 4,2 marcos alemães; em março de 1923 um dólar valia 22.000 marcos; a 1º de agosto de 1923 um dólar valia mais de 1 milhão de marcos, e a 10 de novembro de 1923, um dólar valia 1 bilhão de marcos; e no auge da hiperinflação, um dólar era cotado em Berlim à razão de 2,5 trilhões de marcos.
Carregando cédulas em sacolas, a povo obtinha comida para dois ou três dias. Trocava-se um par de sapatos por um prato de sopa, e um relógio de pulso por uma linguiça. No final de 1923, o governo lançou uma nova moeda, sendo os novos marcos trocados pelos antigos à razão de 1 para 1 trilhão. Muitos cidadãos que tinham casa própria foram obrigados a vendê-la para ter com que comer. E muitos especuladores astutos enriqueceram, comprando valiosas propriedades com uma pequena entrada e pagando a restante com prestações insignificantes graças à depreciação da moeda. Em 1929, havia 1,6 milhão de desempregados. Em 1933, esse número subiu para 6 milhões.
A grande Crise de 1929 atingiu a economia mundial. Após a Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos substituíram os países europeus na hegemonia mundial, tornando-se um país credor no mercado internacional. A agricultura e a indústria desenvolveram-se rapidamente e as reservas em ouro superavam as de todo a mundo. Vultosos empréstimos foram feitos aos países europeus. Mas na medida em que os países europeus se recuperavam, passaram a consumir menos artigos americanos. A queda das importações gerava superprodução nos Estados Unidos, que começaram então a ter grandes estoques de mercadorias agrícolas e industrializadas. A política do governo, essencialmente liberal, era de não-intervenção e os capitalistas, visando o lucro imediato, não diminuíram a produção. Era uma crise do sistema capitalista, que produzindo para o lucro, sem que a população tivesse condições de consumir, provocou uma superprodução. A produção visava o lucro, não se preocupando com a demanda do mercado. Com o tempo, os estoques aumentaram assustadoramente. Não conseguindo escoar a mercadoria, os fazendeiros americanos depararam-se com uma situação de insolvência, sendo forçados a arcar com a produção agrícola excedente e a hipotecar suas propriedades.
A Crise de 1929 foi o resultado da mística da prosperidade, que empolgava os americanos. Nem o governo, nem os empresários adotaram medidas para fazer frente ao perigo que surgia. Para tentar diminuir a crise, a governo norte-americano interrompeu os créditos para a Europa, suspendendo bruscamente os empréstimos e gerando ali crise semelhante. Este é o quadro da situação econômica que culminou na crise de 1929. Diminuíram as exportações norte-americanas; as ações das grandes empresas começaram a cair; as fábricas adotaram férias coletivas, diminuíram a jornada de trabalho, e par fim demitiram em massa. O número de desempregados chegou a 12 milhões. Fábricas, bancos e agricultores foram à falência. Em 29 de outubro de 1929 (a chamada Terça-Feira Negra), ocorreu a quebra da Bolsa de Valores de Wall Street, em Nova York .

Memorial da Declaração de Barmen.
As agitações sociais aumentaram na Alemanha e os nazistas se aproveitaram da situação para disputar a poder. O modelo econômico nazista procurou sanear as estruturas capitalistas, abaladas com a Crise de 1929. Estava aberta a porta para a intervenção do Estado. O nazismo também rejeitou o marxismo, considerando-o que o fundamento da luta de classes enfraquece e divide a sociedade.
Os nazistas também identificavam o marxismo com o judaísmo, salientando que os dois haviam colaborado para o declínio da Alemanha desde a Primeira Guerra Mundial (ver: Dolchstoßlegende). De um modo resumido, estes são os fatores que contribuíram para a sucesso do nazismo:
  • A desconfiança perante o capitalismo, que se mostrou frágil com a Crise de 1929.
  • O anseio do povo por um governo forte, centralizador e intervencionista.

Em 1932, Hitler disputou a presidência da Alemanha, mas foi derrotado por pequena margem de votos. O Marechal Hindenburg foi reeleito. Mas o Partido Nazista aumentava consideravelmente o número de deputados, o que impossibilitava ao Chanceler (Primeiro Ministro) o apoio da maioria no Parlamento. Os banqueiros, industriais e grandes latifundiários pressionaram o Presidente Hindenburg e Hitler foi nomeado Chanceler. Em 1934, com a morte de Hindenburg, Hitler passou a acumular os cargos de Presidente e Chanceler, proclamando-se Guia (Führer) da Alemanha. Surgia assim o Terceiro Império (Reich), tendo como símbolo a bandeira vermelha com a cruz gamada suástica.
A política interna era nacionalista e racista e tinha coma base estes princípios: um povo (Volk), um Império (''Reich'') e um chefe (Führer). Desencadeou-se uma repulsa ao Tratado de Versalhes e à Liga das Nações. Foi abolido o princípio federativo e surgiu um Estado unitário, centralizador. A imprensa (rádios e jornais), a educação, o teatro, o cinema foram censurados. Passou-se a valorizar exclusivamente a cultura germânica. A economia alemã começou a se recuperar através de sua indústria bélica. O maior comprador de armamentos era a Estado, que se preparava para a guerra. Desencadeou-se uma perseguição aos judeus e outras raças. Inicialmente eram confinados em "guetos"; depois, nos campos de concentração.
A política externa era impulsionada pela teoria do Lebensraum (espaço vital), ou seja, a conquista de novas terras pelos alemães, para que a raça ariana pudesse se desenvolver. Em 1937, os alemães apoiaram as tropas de Franco na Guerra Civil Espanhola, bombardeando cidades como Guernica e testando assim suas armas. Em 1938, os alemães invadiram a Áustria (Anschluss) e aTchecoslováquia, sob o pretexto de anexar territórios ocupados por minorias alemãs. Em 1939, os alemães queriam que os poloneses devolvessem a cidade-porto de Danzig e o Corredor Polonês, perdidos na Primeira Guerra Mundial. Diante da recusa dos poloneses, Hitler ordenou a invasão da Polônia, o que deu início à Segunda Guerra Mundial.

O significado teológico do documento

A Declaração Teológica de Barmen é a resolução fundamental do Primeiro Sínodo Confessante da Igreja Evangélica Alemã, realizado entre 29 a 31 de maio de 1934, em Barmen, Alemanha. O documento quer proporcionar orientação aos cristãos confusos diante da ideologia do nacional-socialismo e corrige os posicionamentos da Igreja em relação à sua tarefa, natureza e ordem. O texto foi redigido por Karl Barth. Karl Barth tornou-se um dos líderes da Igreja Confessante, salientando publicamente que a Igreja deve obediência exclusiva a seu Senhor e ao Evangelho, e que a característica essencial da Igreja é ouvir a Deus.

A Declaração


Selo postal alemão: "Jesus Cristo é a única Palavra de Deus. 50 anos da Declaração Teológica de Barmen."
Diante da ideologia do nacional-socialismo, da dissimulação do Estado nazista em criar uma suposta Igreja Protestante unida para depois introduzir autoridades, elementos, personagens e símbolos estranhos nada identificados com o cristianismo e as práticas cristãs, pessoas como Karl Barth (Igreja Reformada da Suíça) e Hans Asmussen (Igreja Luterana da Suécia), elaboram um documento onde cristãos confessaram a autoridade única de Jesus Cristo sobre a Igreja, rejeitando a autoridade eclesiástica instalada pelo Reich de Hitler
A "Igreja confessante" não aceitou a subordinação da Igreja ao Estado. Nenhum outro acontecimento ou poder tem a possibilidade de se tornar fonte e fundamento da fé e da pregação. Para o cristão não existe nenhum âmbito da vida que esteja fora da reivindicação do senhorio de Jesus Cristo. Nenhum outro poder deve ser reconhecido como revelação de Deus. Como propriedade de Jesus Cristo, a Igreja deve testemunhar sua fé.
A propaganda nazista apontava os que se opunham à tentativa do Estado nazista em criar uma única igreja evangélica em torno do Reich como uma igreja "contrária à unidade da nação alemã". Os membros das Igrejas Luterana, Reformada e Unida redigiram um texto em que as igrejas confessavam o mesmo credo e eram unânimes em pensamentos contra a instituição de uma igreja que chamaram de "uma falsa doutrina, fazendo uso da força e de práticas insinceras".
Na Declaração Teológica de Barmen, um ano após a instituição da Constituição da Igreja Evangélica Alemã, reconhecida pelo Governo do Reich em 14 de Julho de 1933, observava-se as intenções dissimuladas e insinceras.
Pontuava a ameaça à unidade da igreja verdadeira que o Reich tentava dissolver ao introduzir, na igreja que tentou-se unificar um ano antes, elementos "estranhos" à doutrina bem como introduzir autoridade humana de ditos "cristãos alemães", o que passou a constituir a pagã Igreja do Reich.
Ela se acha ameaçada pelos métodos de ensino e de ação do partido eclesiástico dominante dos «cristãos alemães» e pela administração da Igreja conduzido por ele. Esses métodos se vêm tornando cada vez mais salientes neste primeiro ano de existência da Igreja Evangélica Alemã. Essa ameaça reside no fato de que a base teológica da unidade da Igreja Evangélica Alemã tem sido contrariada contínua e sistematicamente e tornada ineficaz por doutrinas estranhas...
A Igreja Confessante rejeitava:
Face dos erros dos «cristãos alemães» da presente administração da Igreja do Reich(...) Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja teria o dever de reconhecer - além e aparte da Palavra de Deus - ainda outros acontecimentos e poderes, personagens e verdades como fontes da sua pregação e como revelação divina. (...) Rejeitamos a falsa doutrina de que, em nossa existência haveria áreas em que não pertencemos a Jesus Cristo, mas a outros senhores(...) Rejeitamos a falsa doutrina de que à Igreja seria permitido substituir a forma da sua mensagem e organização, a seu bel prazer ou de acordo com as respectivas convicções ideológicas e políticas reinantes. (...) Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, desviada deste ministério, poderia dar a si mesma ou permitir que se lhe dessem líderes especiais revestidos de poderes de mando. (...) Rejeitamos a falsa doutrina de que o Estado poderia ultrapassar a sua missão especifica, tornando-se uma diretriz única e totalitária da existência humana, podendo também cumprir desse modo, a missão confiada à Igreja. Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja poderia e deveria, ultrapassando a sua missão específica, apropriar-se das características, dos deveres e das dignidades estatais, tornando-se assim, ela mesma, um órgão do Estado. (...) Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, possuída de arrogância humana, poderia colocar a Palavra e a obra do Senhor a serviço de quaisquer desejos, propósitos e planos escolhidos arbitrariamente.


A Declaração Teológica de Barmen
1. UM APELO ÀS CONGREGAÇÕES EVANGÉLICAS E AOS CRISTÃOS NA ALEMANHA
O Sínodo Confessional da Igreja Evangélica Alemã reuniu-se na cidade de Barmen, de 29 a 31 de maio de 1934. Representantes de todas as Igrejas Confessionais alemãs uniram-se unanimemente numa confissão do único Senhor da Igreja una, santa e apostólica. Fiéis à sua confissão de fé, membros das Igrejas Luteranas, Reformada e Unida procuraram redigir uma mensagem comum e para ir ao encontro das necessidades e tentação da igreja em nossos dias. Com gratidão a Deus, estão convictos de que lhes foi concedida uma palavra comum para dizerem. Não foi sua intenção fundar uma nova Igreja ou formar uma união de Igrejas. Nada esteve tão longe dos seus pensamentos do que a abolição do status confessional das nossas igrejas. Pelo contrário, sua intenção era resistir com fé e unanimidade à destruição da Confissão de Fé, e, por conseguinte, da Igreja Evangélica na Alemanha. Em oposição às tentativas de estabelecer a unidade da Igreja Evangélica Alemã mediante uma falsa doutrina, fazendo uso da força e de práticas insinceras, o Sínodo Confessional insiste que a unidade das Igrejas Evangélicas na Alemanha só poderá provir da Palavra de Deus na fé concedida pelo Espírito Santo. Somente assim a igreja se renova.
O Sínodo Confessional, portanto, conclama as congregações para se unirem em oração e coesas cerrarem fileiras em torno dos pastores e mestres que permanecem fiéis às Confissões. 
Não vos deixeis enganar pelos boatos de que pretendemos opor-nos à unidade da nação alemã! Não deis ouvidos aos sedutores que pervertem nossas intenções, dando a impressão de que desejaríamos quebrar a unidade da Igreja Evangélica Alemã ou abandonar as Confissões dos Pais da Igreja.
Examinai os espíritos, a ver se eles são de Deus! Provai também as palavras do Sínodo Confessional da Igreja Evangélica Alemã pare testar se estão conformes com a Sagrada Escritura e com a Confissão dos Pais. Se achardes que nossas palavras se opõem à Escritura, então não nos deis atenção! Mas se julgardes que nossa posição está conforme com a Escritura, então não permitais que o medo ou a tentação vos impeça de trilhar conosco a vereda da fé e da obediência à Palavra de Deus, a fim de que o povo de Deus tenha um só pensamento na terra e que nós experimentemos pela fé aquilo que ele mesmo disse: Nunca vos deixarei, nem vos abandonarei. Por esse motivo, não temais, ó pequenino rebanho, porque vosso Pai se agradou em dar-vos o seu reino. 
2. DECLARAÇÃO TEOLÓGICA A RESPEITO DA SITUAÇÃO ATUAL DA IGREJA EVANGÉLICA ALEMà
Conforme as palavras iniciais da sua Constituição, datada de 11 de julho de 1933, a Igreja Evangélica Alemã é uma federação de Igrejas Confessionais, oriundas da Reforma, gozando de direitos iguais. O fundamento teológico para a unificação dessas igrejas se acha nos artigos 1º. e 2º. (1) da Constituição da Igreja Evangélica Alemã, reconhecida pelo Governo do Reich em 14 de julho de 1933: 
Artigo 1º. - A base inviolável da Igreja Evangélica Alemã é o Evangelho de Jesus Cristo, conforme nos é atestado nas Sagradas Escritures e trazido novamente à luz nas Confissões da Reforma. Todos os poderes necessários à Igreja para cumprir sua missão por ele são determinados e limitados.
Artigo 2º. (1) - A Igreja Evangélica Alemã é dividida em igrejas regionais (Landeskirchen).
Nós, os representantes das igrejas Luterana, Reformada e Unida, dos Sínodos livres, das assembleias eclesiásticas e organizações paroquiais unidas no Sínodo Confessional da Igreja Evangélica Alemã, declaramos estarmos unidos na base da Igreja Evangélica Alemã como uma federação de Igrejas Confessionais. Unifica-nos a confissão de um só Senhor da Igreja una, santa, católica e apostólica.
Declaramos publicamente nesta Confissão, perante todas as igrejas evangélicas da Alemanha, que aquilo que ela mantém como patrimônio comum está em grande perigo que também ameaça a unidade da Igreja Evangélica Alemã. Ela se acha ameaçada pelos métodos de ensino e de ação do partido eclesiástico dominante dos cristãos alemães e pela administração da Igreja conduzida por ele. Esses métodos se vêm tornando cada vez mais salientes neste primeiro ano de existência da Igreja Evangélica Alemã. Essa ameaça reside no fato de que a base teológica da unidade da Igreja Evangélica Alemã tem sido contrariada contínua e sistematicamente e tornada ineficaz por doutrinas estranhas, da parte dos líderes e porta-vozes dos cristãos alemães, bem como da parte da administração da igreja. Se tais doutrinas conseguirem impor-se, então, conforme todas as Confissões em vigor em nosso meio, a Igreja deixará de ser Igreja, e a Igreja Evangélica Alemã, como federação de Igrejas Confessionais, tornar-se-á intrinsecamente impossível. 
Na qualidade de membros das Igrejas Luterana, Reformada e Unida, podemos e devemos falar com uma só voz neste assunto. Precisamente por querermos ser e permanecer fiéis às nossas várias Confissões, não podemos silenciar, pois cremos ter recebido urna mensagem comum para proclamá-la numa época de necessidades e tentações gerais. Depositamos nossa confiança em Deus pelo que isto possa significar para as interrelações das igrejas Confessionais. 
Face dos erros dos cristãos alemães da presente administração da Igreja do Reich, erros que estão assolando a igreja e, também rompendo, por esse motivo, a unidade da Igreja Evangélica Alemã, confessamos as seguintes verdades evangélicas: 
1. Eu sou o caminho e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim (Jo 14.6).
Em verdade, em verdade vos digo: o que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador... Eu sou a porta: se alguém entrar por mim, será salvo 
(Jo 10.1 e 9). 
Jesus Cristo, como nos é atestado na Sagrada Escritura, é a única Palavra de Deus que devemos ouvir, e em quem devemos confiar e a quem devemos obedecer na vida e na morte. 
Rejeitamos a falsa doutrina de que a igreja teria o dever de reconhecer — além e aparte da Palavra de Deus — ainda outros acontecimentos e poderes, personagens e verdades como fontes da sua pregação e como revelação divina. 
2. Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria e justiça e santificação e redenção (I Co 1.30). 
Assim como Jesus Cristo é a certeza divina do perdão de todos os pecados, assim e também com a mesma seriedade, é a reivindicação poderosa de Deus sobre toda a nossa existência. Por seu intermédio experimentamos uma jubilosa libertação dos ímpios grilhões deste mundo, para servirmos livremente e com gratidão às suas criaturas. 
Rejeitamos a falsa doutrina de que em nossa existência haveria áreas em que não pertencemos a Jesus Cristo, mas a outros senhores, áreas em que não necessitaríamos da justificação e santificação por meio dele. 
3. “Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado, pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua seu próprio crescimento para a edificação de si mesmo em amor (Ef 4.15-16). 
A Igreja Cristã é a comunidade dos irmãos, na qual Jesus Cristo age atualmente como o Senhor na Palavra e nos Sacramentos através do Espírito Santo. Como Igreja formada por pecadores justificados, ela deve, num mundo pecador, testemunhar com sua fé, sua obediência, sua mensagem e sua organização que só dele ela é propriedade, que ela vive e deseja viver tão somente da sua consolação e das suas instruções na expectativa da sua vinda. 
Rejeitamos a falsa doutrina de que à Igreja seria permitido substituir a forma da sua mensagem e organização, a seu bel prazer ou de acordo com as respectivas convicções ideológicas e políticas reinantes. 
4. Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva (Mt 20.25-26).
A diversidade de funções na Igreja não estabelece o predomínio de uma sobre a outra, mas, antes o exercício do ministério confiado e ordenado a toda a comunidade. 
Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, desviada deste ministério, poderia dar a si mesma ou permitir que se lhe dessem líderes especiais revestidos de poderes de mando. 
5. Temei a Deus, honrai ao rei! (1 Pe 2.17).
A Escritura nos diz que o Estado tem o dever, conforme ordem divina, de zelar pela justiça e pela paz no mundo ainda que não redimido, no qual também vive a Igreja, segundo o padrão de julgamento e capacidade humana com emprego da intimidação e exercício da força. A Igreja reconhece o benefício dessa ordem divina com gratidão e reverência a Deus. Lembra a existência do Reino de Deus, dos mandamentos e da justiça divina, chamando, dessa forma a atenção para a responsabilidade de governantes e governados. Ela confia no poder da Palavra e lhe presta obediência, mediante a qual Deus sustenta todas as coisas. 
Rejeitamos a falsa doutrina de que o Estado poderia ultrapassar a sua missão específica, tornando-se uma diretriz única e totalitária da existência humana, podendo também cumprir desse modo, a missão confiada à Igreja. 
Rejeitamos a falsa doutrina de que a igreja poderia e deveria, ultrapassando a sua missão específica, apropriar-se das características, dos deveres e das dignidades estatais, tornando-se assim, ela mesma, um órgão do Estado.
6. Eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século (Mt 28.20). A Palavra de Deus não está algemada (II Tm 2.9)
A missão da Igreja, na qual repousa sua liberdade, consiste em transmitir a todo o povo — em nome de Cristo e, portanto, a serviço da sua Palavra e da sua obra pela pregação e pelo sacramento— a mensagem da livre graça de Deus. 
Rejeitamos a falsa doutrina de que a Igreja, possuída de arrogância humana, poderia colocar a Palavra e a obra do Senhor a serviço de quaisquer desejos, propósitos e planos escolhidos arbitrariamente.
O Sínodo Confessional da Igreja Evangélica Alemã declara ver no reconhecimento destas verdades e na rejeição desses erros, a base teológica indispensável da Igreja Evangélica Alemã na sua qualidade de federação de igrejas Confessionais. Ele convida a todos os que estiverem aptos a aceitar esta declaração a terem sempre em mente estes princípios teológicos em suas decisões na política eclesiástica. Ele concita a não pouparem esforços para o retorno à unidade da fé, do amor e da esperança.
Verbum Dei manet in aeternum  
Fonte: 




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