terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Portal Teologia & Missões

* Missões - O Desafio Continua / Livro de Ronaldo Lidório


Missões - O Desafio Continua
Autor: Ronaldo A Lidório
Páginas: 94
Editora: Betânia

Sinopse:

Há dois mil anos, Jesus Cristo orientou seus seguidores para que fossem por todo o mundo e anunciassem o evangelho a toda criatura.De lá para cá, a igreja tem procurado cumprir a Grande Comissão, investindo em missões, enviando missionários, levantando dados, expandindo suas fronteiras, definindo estratégias para levar aos não-alcançados a mensagem transformadora do evangelho. Mas ainda há muito o que fazer.

Ronaldo Lidório foi missionário durante vários anos entre os Konkombas no oeste africano. Atualmente trabalha entre os índios na região amazônica. Neste livro ele compartilha conosco suas extraordinárias experiências, ao mesmo tempo em que propõe uma reflexão acerca da atuação missionária da igreja nos dias atuais. Ele levanta questões importantíssimas a respeito das barreiras e das dificuldades encontradas. Mostra-nos também como a igreja em geral e os cristãos em particular podem obter sucesso no cumprimento do ide de Jesus.

Resumo


       CONCEITUANDO MISSÕES EM TERMOS DE FIDELIDADE AO SENHOR 

 A "missão" não é um processo que pode ser definido em termos de resultados, mas sim de fidelidade ao Senhor.

 Não apregoo uma proclamação estéril do Evangelho, entretanto necessitamos  de uma urgente compreensão de que a ação missionária, na visão de Deus, não é definida em termos de resultados visíveis ou contábeis, mas sim pela postura de corações que tenham o caráter de Cristo.

 Voltemos no tempo cerca de 2.000 anos, especificamente na região da Palestina, nos lugares onde Cristo passaria. Imaginemos um homem forte, vestido de peles de camelo, sandálias gastas nos pés e barbas sujas, carregando na bolsa apenas um pouco de mel. Seu nome era João Batista e ele pregava ao povo. Seus sermões eram duros, ele falava sobre o machado posto "à raiz das árvores" e a palha queimada "em fogo inextinguível", e durante anos ele usava em seus apelos frases como "raça de víboras" ( Mt 3.10; Lc 3.7,17).


  O Evangelho nos primeiros séculos reivindicava um modo transformado de vida. Era a santidade retirada do nível apenas teológico e trazida para a realidade mais simples, diária e prática de cada dia. Quando essas verdades atingiam as multidões, então o milagre começava a acontecer. Homens corruptos paravam de roubar para devolverem  até quatro vezes mais aos que haviam sido ludibriados. Mulheres adúlteras abandonavam a promiscuidade e transformavam-se instantaneamente em testemunhas. Pescadores deixavam suas redes para seguirem um Carpinteiro de Nazaré. Muitos vendiam tudo o que tinham para distribuírem entre os que nada possuíam. Milhares morriam crucificados, queimados, degolados ou serrados ao meio por se recusarem a negar o seu Senhor, o qual nunca haviam visto face a face. Perseguidores se transformavam em perseguidos, lançando-se à morte para levar a verdade de salvação aos gentios. Homens cultos escreviam cartas sobre a mensagem que liberta, mesmo estando encarcerados e prestes a morrer. Todos, com santidade de vida, levantavam-se dispostos a, se necessário fosse, abandonar tudo, repudiar a própria família e se esquecer da própria vida, tão somente para encher a Terra da glória do Senhor. Isto é missões - a santidade constrangendo e impulsionando vidas a investirem tudo para cumprir o propósito do coração de Deus: impactar o mundo com o Evangelho de transformação, criando um povo novo na Terra, para a glória do Senhor.
Missiólogos poderão direcionar a igreja de Cristo para uma ação impactante de expansão  do reino de Deus na terra. Teólogos poderão propor princípios necessários para permearmos a obra dentro de uma teologia bíblica. Entretanto somente homens cheios do Espírito alcançarão o mundo. 
     . . . James Alivian, um obreiro indiano, comentou certa vez: 
     "A igreja brasileira experimenta um momento único em que tem havido um grande despertamento para a obra missionária transcultural. Vocês possuem uma oportunidade sem precedentes históricos para impactarem o mundo com o Evangelho, mas não estão conseguindo fazer isso. O que está faltando?" 
    O que importa, basicamente, não são quantos celeiros abarrotados de missionários nós possuímos; não são nossas estratégias certeiras ou métodos infalíveis; não é nossa aceitação política e adaptabilidade cultural, mas sim quanta santidade de vida e compromisso com Jesus há em nosso meio. Não creio em despertamento missionário sem quebrantamento espiritual. A pergunta que fará diferença quando a adversidade chegar, e certamente chegará, vai ser esta: Até onde você está disposto a ir por Jesus? E somente um povo santo poderá responder a ela.


A igreja do senhor Jesus foi chamada para exercer – e não contemplar – sua autoridade. Fomos revestidos da autoridade de Deus não para nos tornarmos um corpo fechado em nós mesmos, inidôneos e plantados em terra firme, mas para uma missão, como forasteiros e peregrinos em lugares incertos. A palavra nos incita a arar, salgar, iluminar, transformar, proclamar, instar, pregar a tempo e fora de tempo tanto aos de perto quanto aos de longe, chamar até à última fronteira. Precisamos desregionalizar a igreja e manter um compromisso com o evangelho. Para isso, é necessário sacramentalizarmos mais os santos e menos os templos. Missões não é um programa eclesiástico – é a forma de viver da igreja. 

  A Palavra afirma que "muitos são chamados, mas poucos, escolhidos" (Mt 22.14). As vezes, creio que é necessário discutirmos menos sobre a missão de Deus - escolher - e exercermos mais fidelidade no cumprimento da missão da igreja - chamar. E chamar com autoridade tanto os de perto quanto os de longe. Sem dúvida, há muitos a quem chamar.

 Antes de ser chamada para anunciar o evangelho de Deus, a igreja foi revestida de autoridade para ser santa, ser fiel e viver toda a plenitude do evangelho. Não somos como os abades gauleses, sujeitos às intempéries dos astros; também não somos seguidores de uma parlapatice que se diz evangélica mas não é coerente com uma vida cristã autêntica. Somos servos de um Deus que é soberano e cuja Palavra afirma que ele usará um povo santo.

DEFININDO MISSÕES EM TERMOS DE PERSEVERANÇA NO SOFRIMENTO 

 John Barclay afirmou em seu manifesto "Homem e Crise", de 1897, que a "crise humana e a da igreja são marcas de um tempo em que a tendência é sucumbir. Se a fé, a boa consciência, a pureza de vida e os valores sociais estão se perdendo a todo instante, então vivemos em crise. Estamos sucumbindo e precisamos orar pela intervenção de Deus".

 Spurgeon, em um de seus grandes sermões na catedral de Newington, em 1883, numa manhã de Domingo, finalizou sua palavra dizendo que "o mundo está em crise sempre que apodrece mais rápido do que o esperado. A tendência natural do mundo é apodrecer. A missão estoica da igreja é conservá-lo como um bom sal faria. Entretanto, sempre que o mundo apodrecer mais rápido  do que o esperado, sempre que seu mau cheiro criar náuseas no povo de Deus, aí então poderemos afirmar que a crise chegou".

Antes de mais nada, precisamos crer que a missão mais importante da igreja não é proclamar o evangelho, não é se expandir, e tampouco conquistar a mídia e impactar a sociedade. A primeira missão da igreja é morrer. É perder os valores da carne e ser revestida com os valores de Deus. E se "desglorificar" para glorificar a Deus.

. . . Certa vez perguntaram a George Müller:

  - Qual o segredo do seu sucesso ministerial? A resposta dele veio de imediato:
  - O segredo de George Müller é que George Müller morreu já há alguns anos.


 Acredito que o alcance de todos os povos é o relógio escatológico de Deus para a vinda de Cristo - quando o "testemunho" chegar "a todas as nações". 




 "Dê-me uma centena de homens que não temam nada a não ser o pecado, e não desejem nada além de Deus, e eu sacudirei o mundo. Sejam eles clérigos ou leigos." João Wesley  

 "Ninguém é capaz de orar por milhões de vidas que perecem sem Cristo, se não consegue chorar, sequer, por uma delas". 


 Atos 8. 1-25 - Pregavam a Palavra . . . 


 Nesse texto, Lucas inicia uma narração sobre Filipe, o diácono. Como vimos, o capítulo 8 começa mostrando a igreja sendo perseguida em Jerusalém (pois ela não havia saído de lá). Os crentes que foram dispersos pelas regiões da "Judéia e Samaria" (V.1) "iam por toda parte pregando a palavra" (v.4) Depois de falar sobre a ação de Filipe, Pedro e João em Samaria, onde o Evangelho também deveria chegar (segundos Atos 1.8), Lucas dedica um trecho desse capítulo para contar um episódio que se deu com o diácono Filipe.

 O texto narra que um anjo do Senhor o enviou "para o lado do Sul, no caminho que desce de Jerusalém a Gaza" (v.26). Ele foi e encontrou um oficial etíope, eunuco, que viera adorar em Jerusalém e lia Isaías, mas não o entendia. Filipe então lhe expõe o texto e lhe apresenta Jesus Cristo. O etíope aceita a Palavra e é batizado. Logo depois, o Espírito arrebata Filipe. Notemos que essa história era comum para a igreja da época. Mas, com certeza, o fato era relevante, já que Lucas o registrou com detalhes. Evidencia claramente o Espírito Santo movendo a comunidade dos santos a testemunharem, além de demonstrar uma profunda preocupação transcultural. 
   
 Segundo a tradição histórica, o cristianismo alcançou a Etiópia no século IV d.C., por meio de missionários coptas. Estes, chegando à região, constataram que Jesus não era totalmente desconhecido ali, pois séculos antes alguém já o havia anunciado. Registra-se que esse alguém fazia parte do governo etíope, o que se encaixa ao "nosso" etíope, o qual era superintendente de todo o tesouro real e alto oficial da rainha (v.27). 

 Creio que Deus tencionava deixar claro que a extensão ministerial da sua igreja era além-fronteiras. Será que podemos imaginar como seria a igreja que o Senhor tinha em mente? É provável que ela seria cheia do Espírito Santo, de vida santa, de plena comunhão. É possível também que iria testemunhar onde estivesse e que, fosse ou não perseguida, pregaria a Palavra. Certamente enviaria missionários para que buscassem os etíopes perdidos pelos desertos. Ela alcançaria o centro do império. Seria preocupação dela espalhar um evangelho prático que gerasse transformação nos indivíduos. Olharia o mundo sem romantismo e saberia que seria necessário suor e esforço para se tornar testemunha de fato. E, acima de tudo, ela agiria na força do Espírito de Deus. 

 A importância que o Espírito Santo dá, e que Lucas registra, no testemunho transcultural da igreja no Pentecostes e depois com o etíope, não é casual. Isso é determinante para direcionar a igreja em seu ministério. E quanto a este, afirma: 

. Ele começa onde estamos;
. Deve ser movido pelo Espírito; 
. Vai até onde houver alguém à espera, até aos confins da terra. 


 CONSTRUINDO UMA TORRE 


   "A fé é uma confiança viva, ousada, na graça de Deus, tão segura e certa que o crente pode arriscar a vida por ela milhares de vezes". 

 Martinho Lutero 



 A Palavra nos ensina a sentar e "calcular a despesa" (Lc 14.28-30) antes de iniciarmos a construção de uma torre. Há dois ensinamentos destacados aqui. Primeiramente, é importante sabermos que há um preço a ser pago para que uma torre seja construída. Em segundo lugar, precisamos saber se estamos preparados para pagar todo o montante. Para isso, é necessário sentar e calcular o preço. A pergunta óbvia por trás dessa referência é: Quanto custa uma torre? 

 Podemos ver esse princípio em missões. Os congressos e encontros missionários falam a respeito da meta de alcançar todos os povos em todo o mundo. Nada é mais necessário, desafiador e urgente. Entretanto há aqui uma pergunta a ser feita: Quanto custa um povo? Sim, quanto custa alcançar um povo que ainda não ouviu do Evangelho? Essa é, sem dúvida, uma pergunta que deve ser respondida antes de impormos as mãos e enviarmos nossos missionários ao mundo. Penso que, tendo essa resposta em vista, muitos iriam descobrir que o preço é mais alto do que supunham. Por isso a Palavra nos exorta a calcular, e esse é um apelo pessoal. 


 COLOCANDO A MÃO NO ARADO


 "Dá-me uma visão da tristeza infinita, milhares correndo em direção ao juízo de Deus. Dá-me uma visão de terras distantes, perdidas sem Cristo, mãos estendidas. Mostra-me a agonia do Getsêmani, dá-me o amor dele pelo mundo." Wesley Duewell  

 Pensando em todos esses desafios que vimos até agora, podemos concluir que há hoje na Igreja de Cristo um grande abismo entre o que cremos e a forma como agimos. Somos capazes de crer no amor cristão, mesmo contemplando terríveis choques denominacionais dentro do corpo de Cristo. Cremos na comunhão entre os santos, apesar de alguns possuírem mais do que necessitam e outros não terem nem sequer alimentos à mesa. Cremos na unicidade do corpo de Cristo, mesmo que grupos se neguem a adorar a Deus em conjunto com outros irmãos. Cremos na igreja como célula de expansão da fé cristã ao mesmo tempo em que negamos todo tipo de envolvimento financeiro, litúrgico ou humano com missões mundias. Cremos na universalidade do corpo de Cristo, apesar de não cedermos o "pastor local" para nenhum trabalho fora da "igreja local", e assim por diante. Partimos ao meio nossa eclesiologia. 

  Certa vez um irmão, me perguntou: 


  "Teologicamente, até onde deve ir a ação da igreja?"
  Após algum tempo refletindo, cheguei à conclusão de que a igreja necessita ir até onde vai o sacrifício de Cristo.


 O sacrifício de Cristo vai até ao último povo perdido da terra, e é até aí que a igreja deve ir. 

 Temos de entender que nenhum despertamento missionário irá acontecer enquanto não nos dispusermos a viver segundo o que cremos. Precisamos voltar a ser uma igreja visionária, que traduza a sua teologia diante da gritante angústia do mundo sem Cristo; que tenha os valores do reino de Deus; que entenda de uma vez por todas que uma alma vale mais que o mundo inteiro; que ofereça sua vida, seus filhos e suas forças para que ao fim, com lágrimas nos olhos e alegria no coração, contemplemos, ajoelhados, lado a lado, homens de todas as extremidades da terra louvando conosco ao Cordeiro Jesus, formando com os santos, de todas as gerações, a grande multidão dos salvos no último dia. Uma igreja visionária é uma igreja que põe a mão no arado e ara a terra. 



Muitos poderão enviar missionários ao mundo, mas apenas um povo santo fará isso movido pela compaixão que brota do coração. Muitos poderão falar ao mundo da glória de Deus, mas apenas um povo santo, por fim, dará glória a Deus. Muitos poderão andar dezenas de milhares de quilômetros para falar das boas-novas de salvação, mas apenas um povo santo andará com Deus. Muitos poderão se preparar em cursos de alto padrão teológico, cultural, missiológico e linguístico, sentindo-se preparados e sendo enviados ao campo, mas apenas um povo santo, após toda e qualquer preparação, se sentirá ainda despreparado, necessitando desesperadamente da graça e da misericórdia de Deus sobre sua vida. Muitos poderão chegar às extremidades do mundo, falar do evangelho aos não-alcançados, criar postos, agências e igrejas em campos missionários, mas apenas um povo santo "transtornará" o mundo com o testemunho, derramando lágrimas apaixonadas pelos que ainda nada ouviram.

 "Ai de mim se não anunciar o evangelho".
 O que a Palavra na verdade expressa é: Abençoados são aqueles que não conseguem viver sem falar de jesus. 

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1 comentários:

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21 de dezembro de 2015 11:01 delete

Ao passar pela net afim de encontrar novos amigos e divulgar o meu blog, me deparei com o seu que muito admiro e lhe dou os parabéns, pois é daqueles blogs que gostaria que fizesse parte de meus amigos virtuais.
Pois se desejar visite o Peregrino E Servo. Leia alguma coisa e se gostar siga, Saiba porém que sempre vou retribuir seguindo também o seu blog.
Um Feliz-Natal.
Minhas cordiais saudações, e um obrigado.
António Batalha.
http://peregrinoeservoantoniobatalha.blogspot.pt/

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