"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

* Thomas Cranmer / Biografia


(1489-1556)

Foi um inglês Protestante-EpiscopalReformador; e Arcebispo de Cantuária (1533-1556) no transcorrer dos reinados de Henrique VIII e Eduardo VI.

"Ora, vocês são o Corpo de Cristo, e cada um de vocês, individualmente, é membro desse corpo. Assim, na igreja, Deus estabeleceu primeiramente apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois os que realizam milagres, os que têm dons de curar, os que têm dom de prestar ajuda, os que têm dons de administração e os que falam diversas línguas. São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Têm todos dons de curar? Falam todos em línguas? Todos interpretam? / Entretanto, busquem com dedicação os melhores dons. Passo agora a mostrar-lhes um caminho ainda mais excelente." (1ª Coríntios 12:27-31, NVI, SBI).

Thomas Cranmer nasceu em 1489, em Aslockton, próximo da cidade de Nottingham, capital do Condado de Nottinghamshire da Inglaterra, no Reino Unido. Seus pais eram socialmente humildes e suas condições financeiras permitiram apenas educar o filho mais velho, assim preteriram o filho Thomas. Desde cedo, Thomas Cranmer e seu irmão mais novo foram iniciados nos serviços religiosos. Posteriormente, Thomas motivado por uma praga na cidade de Cambridge, sede do Condado de Cambridgeshire, na Inglaterra, alterou sua residência para o Condado de Essex, na Inglaterra, localizado no sudeste do Reino Unido.

Quando estava morando no Condado de Essex, atraiu a atenção do Rei Henrique VIII da Inglaterra. O Rei e seus conselheiros identificaram Thomas Cranmer como um excelente advogado para advogar a causa matrimonial de Henrique VIII com Catarina de Aragão, bem como para exercer a função de pesquisador.

As pesquisas e o trabalho de Thomas Cranmer com o seu amigo John Foxe geraram precedente legal e histórico, permitindo ao Rei tecer uma tese acadêmica que rompesse com Roma.

John Foxe
John Foxe.
(1517-1587)
John Foxe foi um inglês Puritano-Protestante e Martirólogo. Seu livro mais conhecido é "O Livro dos Mártires", que narra a história de sofrimento e perseguição dos principais mártires cristãos. Suas narrativas começam com Jesus Cristo até o final do reinado de Maria I da Inglaterra, proveniente da família Tudor, conhecida também como Maria, a Sanguinária.

John Foxe narra a história dos reformadores e mártires famosos como Policarpo de Esmirna,John WycliffeJohn HussMartinho Lutero,Hugh Latimer, bem como relata a trajetória de outros que sofreram perseguições e martírio nos governos pagãos e pela Inquisição. O livro também relata a trajetória do seu amigo Thomas Cranmer. "O Livro dos Mártires" ajudou a moldar a opinião pública britânica sobre a Igreja Católica.

Thomas Cranmer foi enviado para a embaixada inglesa de Roma no ano de 1530. Durante o ano de 1532, ele foi constituído embaixador do Imperador Carlos V do Sacro Império Romano Germânico.


Cranmer lia os autores antigos sem desprezar os novos; durante todo esse ínterim, analisava e comparava as opiniões de vários autores. Era um leitor lento mas um observador sério. Nunca abordava um autor sem ter à mão pena e tinta, embora não usasse a memória menos que a pena. Sempre que surgia alguma controvérsia, recolhia os pareceres de todos os autores de forma resumida e anotava seus diversos questionamentos em cadernos preparados para esse fim; ou então, se o texto era longo demais para transcrevê-lo, anotava os dados da obra com o número da página para com isso ajudar a memória. / Grandemente beneficiou-se o novo arcebispo de sua velha coleção de notas, que ele utilizou em seu estudo.

"Às cinco da manhã já estava debruçado sobre seus livros e assim continuava estudando e orando até as nove horas." / "Geralmente estudava de pé, poucas vezes se sentava."

"Não passava nenhuma hora do dia em vão; todas eram empregadas em cuidar da glória de Deus, servir o príncipe ou promover o bem da Igreja. Esse bom emprego do tempo proporcionava-lhe a alegria de ouvir bons comentários de todos, atestando que ele era irrepreensível em suas conversas, como convém a um ministro de Deus."


Inquisição
Ilustração de Julgamento na Inquisição.
CONTRA-REFORMA INGLESA

Maria Tudor, que reinou de 1553 a 1558, era filha do casal Henrique VIII e Catarina de Aragão. O reinado de Maria ocorreu concomitantemente ao período do desenvolvimento da Contra-Reforma naIgreja Romana no velho continente. Alguns chamam o evento de Contra-Reforma Inglesa.

Maria, Católica Romana de coração, assessorada pelo Cardeal Reginald Pole, forçou o Parlamento a restaurar as práticas religiosas católicas na Inglaterra. O Parlamento concordou nas medidas necessárias, menos na restauração das terras tomadas da Igreja Romana durante o reinado de Henrique VIII. Maria se casou com Filipe II da Espanha, em 1554, mas o casamento foi impopular na Inglaterra. Filipe jamais correspondeu ao amor de Maria Tudor.

"O Parlamento dos Tudors representava o povo, mas atendia mais ao rei do que ao povo; os Tudors governavam como ditadores, dissimulando o punho de ferro com uma luva de pelica."

Fogueira na Inquisição
Ilustração de Perseguição na Contra-Reforma.
Cerca de 800 clérigos ingleses recusaram-se a acatar as mudanças e perderam suas paróquias. Os clérigos foram forçados a fugir para Genebra e Frankfurt, para não sucumbirem diante da perseguição desencadeada por Maria Tudor. Perto de 300 pessoas, principalmente das regiões de comércio do sul da Inglaterra, foram martirizadas por sua fé; os primeiros foram LatimerRidley eCranmerLatimer encorajou a Ridley na fogueira ao dizer que o seu fogo acenderia uma vela na Inglaterra que, pela graça de Deus, jamais seria apagada. De início, Cranmer retratou-se, mas depois retratou-se de sua renegação, e ao ser queimado, colocou a mão que assinara a retratação no fogo até ficar calcinada. Nada fortaleceu a causa do Protestantismo mais do que a morte destes dois bravos mártires, cuja fé e coragem convenceram os ingleses da verdade de suas opiniões. O Livro dos Mártires de Foxe (1536) contava essas perseguições em detalhe e granjeou simpatia para oProtestantismo.

Perseguição Religiosa
Ilustração de Execução.
Thomas Cranmer foi perseguido, torturado física e intelectualmente, considerado herege pelos poderosos religiosos de sua época. Naquele espetáculo de horrores, findou sua vida no calor terrível da fogueira. Hoje, podemos dizer que Cranmer combateu o bom combate, concluiu a sua carreira e guardou a sua fé. Dentro do seu coração existia a convicção da obra redentora de Jesus Cristo e no seu espírito humano habitava o Espírito Santo do Deus que é Fogo Consumidor. Jamais aquela fogueira alimentada pelos horrores da intolerância religiosa superaria o Fogo Santo que queimava no seu interior.
Morte de Thomas Cranmer
Morte de Thomas Cranmer.
Uma vez que cheguei ao fim de minha vida, do qual depende toda a minha vida futura, ou para viver com meu Mestre Cristo na felicidade eterna, ou então para sofrer eternamente com os perversos demônios do inferno, vejo na minha frente o céu preparado para receber-me e o inferno disposto a tragar-me. Quero, portanto, declarar perante vós minha verdadeira fé, sem máscara ou dissimulação alguma, pois esta não é a hora de disfarçar, independentemente do que eu disse ou escrevi no passadoThomas Cranmer.
Escrevi aquilo por medo da morte e, se fosse possível, para salvar a minha vida. Estou falando de todos aqueles bilhetes e textos que escrevi ou assinei de meu próprio punho desde a minha degradação. Ali escrevi muitas coisas falsas. E pelo fato de que minha mão direita pecou ao escrever contra o meu coração, ela será a primeira a chegar ao fogo, a primeira a ser queimadaThomas Cranmer.

Quando Thomas Cranmer enfatizou que escreveu muitas coisas falsas, estava referindo-se à sua retratação, quando perante a opressão religiosa cedeu por temor da própria vida. Não devemos acusar Cranmer, certamente muitos de nós teríamos a mesma reação, afinal sua vida estava em jogo e a fogueira era o destino.

"Chegando ao local onde os santos bispos e mártires de Deus, Hugo Latimer eNicholas Ridley, haviam sido queimados antes dele, [Thomas Cranmer]ajoelhou-se e orou a Deus." / "Então os frades espanhóis, João e Ricardo, começaram a exortá-lo e a desempenhar de novo seu papel, mas em vão perderam seu tempo. Cranmer, determinado a manter-se firme em sua profissão de doutrina, estendeu a mão a alguns anciãos e a outros circunstantes, despedindo-se deles."

Em seguida Cranmer foi amarrado com uma corrente de ferro. Quando ficou claro que sua firmeza não permitiria que ele fosse demovido de suas palavras, mandaram que lhe ateassem fogo. Quando a lenha foi acesa e o fogo começou a queimar perto dele, estendendo o braço, pôs a mão direita no meio das chamas e ali a segurou firme, imóvel (exceto quando a recolheu para passá-la sobre o rosto). Ele queria que todos pudessem ver a mão queimada antes que seu corpo fosse tocado pelas chamas. (...). Tinha os olhos erguidos para o céu e foi repetindo as palavras 'sua indigna mão direita' enquanto a voz lhe permitiu. Pronunciando algumas vezes as palavras de Estevão, 'Senhor Jesus, recebe o meu espírito', no ardor das chamas entregou a sua alma.
Thomas Cranmer
Thomas Cranmer.
(1489-1556)
"Cranmer era um homem de estatura média, de pele sem manchas e um tanto avermelhada. À época de sua morte, tinha a cabeça calva, mas exibia uma longa barba branca e espessa. Tinha sessenta e seis anos de idade quando o queimaram."

Nesta pequena referência da vida de Thomas Cranmer somos convidados para revermos os alicerces da nossa fé, a forte convicção dentro do nosso espírito humano, o vigor da nossa mente no seio da nossa alma.

Prezados leitores, os senhores são desafiados para expressarem a vossa fé, demonstrarem o calor do Espírito Santo no vosso espírito humano, e principalmente constituírem as vossas mentes com os exemplos dos servos e das servas de nosso Senhor Jesus Cristo.

FONTE:

Livro: O Livro dos Mártires.
Autor: John Foxe.
Editora: Mundo Cristão. (Brasil).
Páginas: 354.


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