"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



sábado, 19 de setembro de 2015

* John William Fletcher / Biografia & Obras


Jean Guillaume de la Fléchère, um Suíço de língua Francesa que nasceu em Nyon em 12 de Setembro de 1729, foi um verdadeiro grande homem de Deus. John William Fletcher - o seu nome foi anglicizado para ajudá-lo a ser aceito por aqueles a quem ele foi chamado a pastorear e pregar - serviu o Senhor em Madeley (Inglaterra) de 1729-1785 e foi presidente da Trevecca, a universidade do Sul de Gales fundada pela Condessa de Huntingdon, concebida para treinar líderes Cristãos durante o reavivamento do Séc. XVIII. 
Ele era altamente respeitado e amado, - quase que adorado pelos estudantes. Amigo íntimo tanto de John como de Charles Wesley, Fletcher foi considerado sucessor de John Wesley, mas, ao morrer em 1785, precedeu Wesley na morte. Wesley disse que, espiritualmente, nunca encontrara ninguém como Fletcher, “alguém tão devotado a Deus tanto exterior como interiormente; e dificilmente encontrarei outro como ele deste lado da eternidade”.Quando morreu foi dito: “John Fletcher, um modelo de santidade sem paralelo neste século.”.
John Fletcher era conhecido por De Madeley devido ao impacto que causou nesta terra inglesa. A influência do seu ministério foi de tal envergadura que os bares fecharam todos nesta localidade.Alguns apresentavam como desculpa para não irem aos cultos, aos Domingos de manhã, o fato de não conseguirem acordar a tempo suficiente para terem a família pronta. Ele arranjou um remédio para este mal. Pegando numa sineta, às cinco horas da manhã, durante meses, todos os domingos, percorria as ruas convidando os habitantes para a casa de Deus. Era incansável. Mesmo doente nunca recusava sair de casa a altas horas da noite, ou de madrugada, em qualquer estação do ano, mesmo sob as condições atmosféricas mais severas e desconfortáveis, para visitar os doentes e moribundos, e oferecer-lhes as consolações do Evangelho.O pai dele era membro de uma das famílias mais respeitadas no Cantão de Berna, na Suíça, e foi Coronel no Exército Francês. O pai colocou-o a estudar em Geneva, onde se distinguiu academicamente pelo brilhantismo. Depois foi estudar alemão e Hebraico no cantão Suíço de Lensbourg. O pai queria que ele seguisse a carreira eclesiástica. No entanto, quando concluiu os estudos, e não obstante ter tido uma infância que o marcou positivamente a nível espiritual, resolveu enveredar por outra via. Disse ele depois que tal mudança se deveu à corrupção existente no mundo e no seu próprio coração. Os colegas aliciaram-no a seguir o Exército. Ele tentou em vão obter o consentimento do pai para entrar no Exército.
NA MARINHA PORTUGUESA
Apesar de ter qualificações intelectuais para trabalhar como professor, preferiu o risco da aventura de ser mercenário. Chegou a vir a Lisboa para comandar um navio de guerra Português que o levaria ao Brasil, ao serviço do Rei de Portugal. Entretanto algo o obrigou a ficar em terra e a desistir dessa via. Uma criada, que servia o pequeno-almoço, entornou-lhe em cima duma perna um bule de Chá a ferver, impossibilitando-o de concretizar este seu desejo. Ainda tentou ingressar no Exército da Holanda onde tinha um tio no posto de Coronel, mas, entretanto o tio morreu e as suas esperanças desvaneceram-se. O que se teria perdido, se estes reveses não tivessem acontecido?!
EM INGLATERRA
Desempregado, resolveu ir para Londres. Uma vez aqui, ouviu o Evangelho através dos metodistas e converteu-se ao Senhor. Começou então uma vida maravilhosa. Pouco tempo decorrido após a conversão começou a pregar – com muita bênção. Era muito solicitado em diferentes igrejas. A humildade e o fervor eram as suas grandes características. Toda a sua vida passou a ser uma vida de devoção; e tão ansioso ele estava em manter a comunhão com Deus, que por vezes dizia, “Não me levantarei, sem primeiro erguer o meu coração a Deus”."Sempre que nos encontrávamos”, observa um amigo íntimo, "se estivéssemos sós, a sua primeira saudação era, 'Interrompo a tua oração?' Se conversávamos sobre qualquer ponto doutrinal, quando estávamos na profundidade da questão, ele interrompia muitas vezes de forma abrupta a conversa e perguntava, 'Onde estão agora os nossos corações?' Se a má conduta de uma pessoa ausente fosse mencionada, a sua atitude era,'Oremos por ele.' "Ele escreveu muito. Embora tendo nascido e sido educado na Suíça, John Fletcher adotou a língua inglesa deixando obras importantes nesta língua. Foi considerado um grande teólogo. Ele chegou a estudar 14 a 16 horas por dia as Escrituras, combatendo, por escrito, idéias estranhas à fé Cristã nos seus dias. Comia apenas para sobreviver fisicamente. Era raro tomar as refeições a horas regulares. Em 24 horas comia 2 ou 3 vezes, comendo pão, queijo, fruta e leite.
JOVENS MARCADOS
Ele também lecionou. Os estudantes ficavam tão impressionados com ele que quando entrava na sala de aulas fechavam os livros sobre Virgílio, Cícero e outros, muito em moda na época. Preferiam escutá-lo. Depois de falar sobre grandes temas como a oração, a plenitude do Espírito e o poder e bênção de Deus na vida quotidiana, convidava-os a colocarem a teoria na prática. Normalmente saía da sala de aulas e dirigia-se a um compartimento onde se punha a orar. Invariavelmente os estudantes todos seguiam-no. Estes contaram que um dia, quando ele orava, o êxtase espiritual que experimentava era tão elevado que exclamou. “Senhor, não me enchas mais senão rebento. Perdoa-me Senhor, continua a encher-me; prefiro rebentar a perder esta bênção de ser cheio de Ti”. Os estudantes confessavam que às vezes não sabiam se ainda estavam neste mundo ou já no próximo. Havia dias que passavam com ele horas a buscar a face de Deus. Um dia ele disse-lhes: “Se Deus vos conceder arrebatamentos e experiências extraordinários, agradecei-Lhe; mas não vos glorieis nisso fora da medida. Sede prudentes, para que a desilusão não se intrometa; e lembrai-vos que a vossa perfeição Cristã não consiste tanto na construção de um tabernáculo no Monte Tabor, para descansardes e desfrutardes de VISTAS RARAS ALI, mas em tomardes resolutamente a cruz, e seguir Cristo no palácio de um arrogante Caifás, até ao átrio de juízo de um injusto Pilatos, e até ao cume de um ignominioso Calvário. Nunca lestes nas vossas Bíblias, “Que esteja sobre vós a glória que também esteve sobre Estêvão, quando ele olhou firmemente para o céu, e disse, ‘Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus’, mas tendes lido nelas freqüentemente, ‘De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-Se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-Se a Si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.’”
HOMEM DE ORAÇÃO
A oração, com Fletcher, não era um dever mas um refrigério e uma inspiração. Todos os Domingos de manhã, entre as quatro e as cinco da manhã, e duas ou três noites por semana, depois dos alunos estarem a dormir, ele costumava sair para os prados, ou para as margens do Severn, reunindo-se com um funcionário de finanças, um criado, e uma viúva pobre.Os quatro derramavam a sua alma em oração a Deus, sendo admiráveis as manifestações de amor e graça divinos que lhes era concedido. Henry Venn disse dele: “Fletcher foi um luminar — eu disse, um luminar? Ele foi um sol! Conheci todos os grandes homens de Deus nestes 50 anos, mas nunca conheci ninguém como ele, e conheci-o intimamente... Nunca o ouvi proferir uma única palavra que não fosse própria. E tinha uma tendência impressionante de ministrar graça aos que o ouviam… Nunca ouvi Fletcher falar mal de alguém. Ele orava pelos que andavam desordenadamente, mas nunca publicava as suas faltas.”
SERÁFICO
Quando visitou determinada localidade um crente idoso rogou-lhe que prolongasse a sua visita somente por mais uma semana. Quando viu que seria impossível, desabafou para outro crente, com lágrimas nos olhos: “Oh, que infelicidade para a minha terra! Durante a minha vida só vi ser produzido um homem anjo e agora que o temos perdemo-lo.”Quando ele pregava o sentimento de quem o ouvia era de que falava como alguém que acabara de conversar com os anjos e Deus, e não como ser humano. John Fletcher certa ocasião ausentou-se 5 meses de Inglaterra para, numa viagem, pregar em França, Itália e Suíça. Por onde passou deixou marcas profundas nas almas que o receberam e escutaram. Fez o mesmo, noutras ocasiões, por toda a Grã-Bretanha, regressando sempre à imensa labuta entre os seus, em Madeley.
REMINDO O TEMPO
Para se ter uma noção de como ele remia o seu tempo notemos o que se passou certa ocasião. Certa manhã, ele quis estar presente quando as raparigas da escola foram tomar o seu pequeno-almoço, observando o tempo que demoravam. Quando acabaram ele falou com cada uma separadamente, e no fim disse-lhes: “Observei esta manhã como vocês tomam o vosso pequeno-almoço. Convido-vos a estardes presente no meu pequeno-almoço amanhã, para verdes como eu o tomo. Ele informou-as que o seu pequeno-almoço seria às 7h. Quando elas vieram à hora marcada observaram-no comer uma malga de leite com pedaços de pão enquanto ao mesmo tempo conversava com elas. Ele tinha colocado um relógio na mesa, e quando acabou de comer perguntou-lhes quanto tempo demorara. Elas disseram-lhe que comera num minuto e meio. Contrastando com o tempo que elas tinham tomado no dia anterior -uma hora -, disse-lhes: “Ainda temos 58 minutos!” E começou a cantar um hino com esta letra: A nossa vida é como quimera! A nossa temporada escoa efêmera. O momento fugidio já era. A seguir pregou-lhes sobre o valor do tempo e da alma. Por fim ajoelharam-se todos em oração.
FAZIA BALANÇO DIÁRIO
Antes e além de tudo o mais John Fletcher buscava Deus. Como ajuda neste supremo esforço ele redigiu as seguintes regras para usar à noite:
Hoje, ao levantar-me estive espiritualmente vigilante, e tive o cuidado de impedir que a minha mente vagueasse?
Neste dia estive mais perto de Deus em momentos de oração, ou dei azo à preguiça e ociosidade?
Neste dia a minha fé foi enfraquecida por falta de vigilância, ou despertada pela diligência?
Neste dia andei pela fé e vi Deus em todas as coisas?
Neguei-me a proferir palavras e pensamentos maus? Alegrei-me por ver outros preferidos a mim?
Fiz o máximo com o meu precioso tempo, ou enquanto tive luz, força e oportunidade?
Guardei as saídas do meu coração com graça, de modo a tirar proveito delas?
O que é que neste dia fiz em proveito das almas e corpos dos queridos santos de Deus?
Fiz alguma coisa para agradar ao meu ego quando podia ter poupado dinheiro para a causa de Deus?
Neste dia governei bem a minha língua, lembrando-me que “na multidão de palavras não falta pecado”?
Em quantos exemplos me neguei a mim mesmo hoje?
A minha vida e conversação adornaram o Evangelho de Jesus Cristo?
FÉ PRÁTICA
Com o fim de encorajar os outros se manterem em comunhão com Deus e desfrutarem da salvação plena, Fletcher formulou uma série de questões como forma útil de se examinarem a si mesmos. O exemplo que a seguir apresentamos mostra quão prática era a fé que ele vivia e pregava.“Sinto algum orgulho? Estou morto para todo o desejo de ser elogiado? Se me desprezam, gosto menos deles por causa disso? Ou se me amam ou aprovam, amo-os mais como resultado? Cristo é a vida de todas as minhas afeições e projeto, do mesmo modo que a minha alma é a vida do meu corpo? Realizo sempre a presença de Deus? ...Estou livre do medo dos homens? Estou sempre pronto para confessar Cristo, sofrer com o Seu povo, e morrer por amor a Ele?...Estou pronto a abrir mão da minha tranqüilidade e comodidade para fazer algo em favor dos outros, ou espero que sejam eles a fazerem isso por mim?...Nunca tomo para mim a glória que pertence a Cristo?...Sou amável, não severo; adaptando-me a todos com doçura; esforçando-me para não causar dor, mas para ganhar e vencer tudo para seu bem?...Realizo as tarefas mais servis, como as que requerem muito trabalho e humilhação, com alegria?...Sujeito todos os pensamentos a Cristo?...Não penso no mal, não dou ouvidos a conjecturas sem fundamento,nem julgo pela aparência? Como é que sou na tentação? Se Satanás me apresenta uma má imaginação, a minha vontade resiste imediatamente, ou cede? Sofro as enfermidades da velhice ou doença sem procurar reparar a decadência da natureza com bebidas fortes? Ou faço de Cristo o meu único apoio, lançando o peso do corpo enfraquecido nos braços da Sua misericórdia?” Nada havia inferior à sua imersão na profundidade d’Aquele Cuja santidade era origem, convite e recompensa para o homem que insistiu muito com a sua mulher: “Não escrevas nada sobre mim; Deus é tudo.”
REVOLUÇÃO EM MADELEY
O povo de Madeley estava num enorme desconforto, quando John Fletcher surgiu. Eles nada mais queriam, do que serem deixados sós, mas a influência deste novo ministro era de uma força tremenda.Eles começaram a temer abrir as suas tabernas e salões de dança. A aparência deste homem pálido, quando repreendia o pecado com palavras que queimavam e feriam, era de olhos relampejantes, como brasas incandescentes. Fletcher insistia na urgência da sua conversão a Deus e não na simples ida à igreja. Em público dirigiam-se a ele com raiva; em privado falavam mal dele; perturbavam as suas reuniões informais; amaldiçoavam o seu nome. Porém houve uma coisa com que não conseguiram lidar – a sua coragem e bondade, que foram determinantes para mudar a maré.O seu estilo de pregação não foi bem recebido e não obteve o apoio do clero e dos abastados. Eles referiam-se a ele como sendo um herege cismático. Mas, com suas boas obras, qualidades pessoais e dom de oratória venceu-os a todos. Uma das características de Fletcher é que ele não requeria sempre um púlpito para pregar; uma área aberta, ao ar livre, era igualmente boa para ele. Muitas vezes aventurava-se a trabalhar nas comunidades, com os mineiros, os metalúrgicos, os marinheiros e os pobres, a quem ele fazia freqüentes visitas. Ele tratava todos por igual, nunca tirando partido dos caprichos dos poderosos.
ENORME DIANTE DO REI
Em 1776 ele escreveu um folheto. Uma cópia foi enviada ao Rei de Inglaterra.Este quis recompensá-lo com uma posição eclesiástica elevada. Com cortesia ele recusou a oferta do monarca, acrescentando, “Apenas quero mais graça”. Sempre que lhe perguntavam se tinha alguma necessidade, ele respondia, “... não quero nada, a não ser mais graça”.
CASAMENTO
Ele casou-se com Mary Bosanquet, uma mulher que conhecia há muito tempo, na esperança de que ela o ajudasse no reavivamento. Adotaram uma menina chamada Sally. Eles casaram-se em 1781, quando o noivo tinha 52 anos de idade. Foi um casamento muito feliz e aceito com muita alegria em Madeley, mesmo apesar da noiva ser natural de Leytonstone e não uma rapariga local. Este casamento feliz rompeu-se forçosamente devido à morte dele, apenas três anos, nove meses e dois dias depois de se realizar.
SEGREDO DO SUCESSO
O segredo do seu sucesso parece ter sido uma mistura de oração contínua, devoção pessoal à Pessoa de Cristo, estudo intenso das Escrituras, preocupação social pelo rebanho, e uma prontidão voluntária em visitar qualquer pessoa que se encontrasse de alguma forma aflita. Ele orava muito todos os dias e dedicava duas noites por semana – que se estendiam pela madrugada - ao estudo das Escrituras para melhor compreender a fé Cristã.
ALTRUÍSTA
Ele organizou a ajuda - e ele mesmo empenhou-se nela – aos velhos, pobres, moribundos, viúvas e órfãos. Ele manifestou uma compaixão evangélica típica pelas necessidades sociais dos que o rodeavam, dando ele mesmo sacrificadamente para que a sua visão se materializasse. Ele dava tanto que pouco ficava para manter a sua casa e comer. A sua atitude imutável para com o dinheiro e toda a forma de riqueza mundana, deve ter parecido incompreensível aos seus contemporâneos; ele era bastante insensível às ofertas de conforto e luxúria. De fato, tendo puramente por base o fato de que uma “certa jovem senhora” tinha riqueza, ele menosprezou o amor da única mulher com quem achava que se podia casar. Só depois de Miss Bosanquet ter sido deserdada pela sua família devido às suas convicções evangélicas, é que Fletcher rompeu o silêncio e fez a proposta há muito esperada – vinte e cinco anos depois de se terem encontrado pela primeira vez. E mesmo então, ele tornou bastante claro que, embora ele a amasse, foi a penúria dela que tornou possível que ele a abordasse daquele modo!
PODEROSO
Para um homem com o talento treinado como o dele, tendo um poder de expressão que destilava eloquência diante de qualquer audiência, Fletcher podia ter conseguido para si um nome famoso. Em vez disso, o propósito dele foi levar à conversão e não encantar os seus ouvintes; assegurar os seus interesses eternos e não obter os seus aplausos momentâneos… Ele falava como na presença de Deus, e ensinava com autoridade Divina. A energia da sua pregação era irresistível. Os seus temas, linguagem, gestos, tom de voz, e a sua face, tudo conjugava para fixar a atenção e afetar o coração. Sem pretender a sublimidade; ele foi verdadeiramente sublime, e de eloquência rara.”
ESQUECIDO
John Fletcher tem sido esquecido pela Cristandade moderna, não sendo muito mencionado pelos historiadores, no entanto alterou o curso de eventos nacionais por meio das suas orações e zelo. Apesar de reservado (e por isso esquivo) não deveríamos negligenciar o testemunho desta vida que é uma autêntica fonte de inspiração e piedade. A Bíblia tem razão: A memória do justo é uma bênção (Prov. 10:7).
DEPENDENTE
O acontecimento que a seguir narramos ilustra o poder da bênção divina abundante no seu ministério. Uma senhora que se tinha convertido e que desejava muito ir aos cultos, sofria o antagonismo de um marido terrível. Ele era um perfeito pagão que fazia tudo para a reter em casa, e transformar a sua vida numa miséria. Um dia em que ela se preparou para ir ao culto ele disse-lhe, com sinceridade óbvia que, se ela saísse de casa, a estrangularia quando voltasse. Apesar da ameaça, ela foi. À medida que o tempo passava, ela pensava, receosa, na recepção que teria no regresso. John Fletcher, que nada sabia disto, não sentiu liberdade nenhuma em pregar a partir das anotações que preparara. Sentiu-se pressionado pelo Senhor para pregar de memória, guiado pelo Espírito. A mente dele foi orientada para a história de Sadraque, Mesaque e Abdenego, lançados na fornalha, em Daniel. Sem saber, ele foi levado a encorajar aquela mulher preocupada. Após o culto, encorajada com o que ouvira, a mulher regressou a casa sem receio, confiada na provisão do Senhor. Contudo, ao chegar a casa, o que os olhos dela contemplaram excedia tudo o que a sua mente tinha imaginado. O seu marido pagão estava prostrado no chão, com a face no soalho, em agonia, clamando a Deus por misericórdia, tal a convicção a que estava sujeito pelo Espírito de Deus.
INFLUENTE
Em toda a sua vida ministerial John Fletcher conheceu um poder espiritual notável na pregação; não há dúvida que ele estava ungido com a unção divina e falava no poder do Espírito Santo. A sua congregação cresceu exponencialmente, sendo grandemente afetados, nos cultos, tanto jovens como idosos. As lágrimas eram lugar comum. Independentemente do local onde ia e da língua falada, o resultado era o mesmo. As audiências ficavam num estado de profunda convicção. Por vezes as congregações não dispersavam, ficando reunidas horas depois de acabada a pregação, por causa do desejo da obtenção da graça divina que se seguia ao arrependimento.
CONVITE DE JOHN WESLEY
Fletcher era tão poderoso e eloquente que John Wesley afirmava repetidas vezes que era ele, e não George Whitefield, que deveria ter tamanha fama nacional. Wesley não dizia isto maldosamente, pois ele tinha a mais elevada consideração pelo seu entusiástico colega Whitefield; ele olhava para os fatos de uma forma lógica, e apenas emitia a sua opinião. De fato, Wesley foi mais adiante e manifestou o seu desejo permanente de que Fletcher liderasse o movimento metodista após a sua morte. Quando Wesley tinha 58 anos e John Fletcher 32, ele pediu a Fletcher para que fosse seu companheiro e sucessor. Wesley ficou desiludido quando Fletcher decidiu restringir-se a Madeley. Wesley não imaginava que viveria mais 6 anos do que John Fletcher, apesar da diferença significativa das suas idades.
FANTÁSTICO ATÉ AO FIM
Ele contraiu a tuberculose tendo ido para um clima mais quente para recuperar. Nunca recuperou e morreu em 14 de Agosto de 1785 com 56 anos de idade. Quando Fletcher soube que tinha tuberculose ficou calmo, como sempre.Em vez de assumir o papel de doente, ele percorreu a Suíça comunicando aos seus conterrâneos as coisas que Deus lhe tinha mostrado nos anos anteriores. Ele suportava o sofrimento do mesmo modo que suportou a incompreensão –ficando calmo, com a ajuda de Deus. Estando gravemente enfermo alguém foi visitá-lo e ficou impressionado: “Fui visitar um homem que tinha um pé na sepultura; mas encontrei um homem com um pé no céu”. Mesmo extremamente doente foi pregar numa conferência. Alguém escreveu o que viu: “Toda a assembléia se colocou de pé como que movida por um choque elétrico. John Wesley ergueu-se e avançou uns passos para segurar o seu amigo e irmão quando este acabou de pregar. A face de Fletcher parecia pronunciar fortemente que ele se abeirava da sepultura, enquanto os olhos relampejavam amor seráfico, indicando que habitava nos subúrbios do Céu … Ele tinha falado com uma eloquência tão santa que nenhuma descrição minha pode expressar adequadamente. Ele acabava de falar a uma centena de pregadores, em números redondos, que estavam inundados em lágrimas … Wesley, para aliviar o seu amigo lânguido de fadiga e desgaste pelo enorme esforço que fizera ao pregar, ajoelhou-se abruptamente ao seu lado, secundado por todo o congresso de pregadores, enquanto num modo conciso e enérgico, orou pela restauração da saúde de John Fletcher.”
UMA NAÇÃO AFETADA
A sua morte em 14 de Agosto de 1785, com a idade de 56 anos, foi, humanamente falando, inoportuna e prematura; ele viveu como uma labareda que durou menos tempo do que o esperado; todo o país ficou triste com a perda. John Wesley prometeu escrever a história da sua vida logo que pudesse, de modo a que as suas experiências pudessem ser úteis para a posteridade. Um ano depois, com a idade de 83 anos, a tarefa estava concluída. No grande manuscrito produzido, Wesley escreveu, “Nunca conheci alguém tão uniforme e profundamente devotado a Deus... E dificilmente encontrarei, deste lado da eternidade”. Wesley conduziu o seu funeral com 82 anos de idade, usando como texto da mensagem o Salmo 37:37: “Nota o homem sincero, e considera o reto, porque o fim desse homem é a paz.” O seu epitáfio: Jaz aqui o corpo do REV. JOHN WILLIAM DE LA FLÉCHÈRE, Vigário de Madeley; O qual nasceu em Nyon, na Suíça, em 12 de Setembro de 1729, tendo consumado a sua carreira, em 14 de Agosto de 1785, nesta Vila, onde os seus trabalhos sem precedentes nunca serão esquecidos. Ele exerceu o seu ministério no espaço de 25 anos nesta comunidade, com um zelo e capacidade invulgares. E apesar de muitos terem crido no seu testemunho, ele podia com justiça ter adotado a lamentação do Profeta: “Estendi as minhas mãos o dia todo a um povo rebelde e contradizente: todavia o meu direito está perante o SENHOR, e o meu galardão perante o meu Deus.”
RETRATO JORNALÍSTICO
A personalidade de John Fletcher foi assim retratada por um jornal, escassos dias após a sua morte: --"No dia 14 deixou esta vida John Fletcher, de Madeley, para indescritível dor e apreensão do seu rebanho, e de todos os que tiveram a felicidade de o conhecer. Se falarmos dele como homem, e como cavalheiro, ele era detentor de todas as virtudes que adornam e dignificam a natureza humana. Se tentarmos falar dele como ministro do Evangelho, será extremamente difícil transmitir ao mundo uma ideia justa deste grande homem de Deus. Os seus conhecimentos profundos, a sua exaltada piedade, os seus labores incessantes para realizar o importante dever das suas funções, juntamente com as capacidades e bom efeito com que o conseguia, são bem conhecidos e nunca serão esquecidos na vinha em que labutou. A sua caridade, a sua generosidade universal, a sua mansidão,e a sua bondade exemplar, são dificilmente igualadas pelos filhos dos homens. Ansioso por cumprir os sagrados deveres do seu ministério até aos últimos momentos da sua vida, ele pregou a cerca de 200 pessoas no Domingo que antecedeu a sua morte, confiado no poder Todo-Poderoso e entregando a sua vida nas mãos d’Aquele que lha deu, com a serenidade e a alegre esperança de uma ressurreição feliz, que acompanham os últimos momentos dos justos.” Que os dias que nos restam sejam como os seus!

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💪 Nós aprendemos com Jesus que a verdadeira masculinidade não é simplesmente manter nossos narizes limpos e nossa casa em ordem. A verdadeira masculinidade significa enxergar além de nós mesmos para amar nosso próximo – e nosso próximo é qualquer um que encontramos em necessidade. O homem de verdade livremente doa seu tempo, recursos, atenção, energia e apoio emocional para aqueles que precisam, sem se preocupar em como eles podem retribuir. Seja você casado ou solteiro, se você não está servindo ao seu próximo abnegadamente e sacrificialmente, você não está exercendo completamente a masculinidade bíblica.

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