"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



terça-feira, 5 de maio de 2015

* Uma Bíblia [versus] Muitas Versões


Devemos nos acautelar com relação à escolha da versão da Bíblia Sagrada que vamos utilizar.

Quando visitamos qualquer livraria evangélica podemos verificar a grande quantidade de diferentes traduções da Bíblia, as quais têm aparecido nos últimos anos. E não somente a multiplicidade de traduções se torna evidente, como também existem diferentes edições nas quais cada editor incorpora variadas “ajudas” com as quais ele obteve os próprios direitos autorais. Na maioria dessas Bíblias esses editores têm incorporado introduções, comentários e notas, os quais evidenciam e ensejam variadas correntes doutrinárias, interpretativas e denominacionais.

Por isso, quando se pede uma Bíblia, logo vem a pergunta: “Que tipo de Bíblia?” Por esse motivo é que resolvi escrever estas páginas a fim de facilitar a resposta a essa pergunta, a qual que é feita comumente, antes de se tomar uma decisão.

As comparações entre as Bíblias que vamos fazer, referem-se às versões protestantes ou àquelas, nas quais os “protestantes” tenham participado. Detalhar exaustiva e diferentemente as traduções hoje existentes, não será uma tarefa muito fácil. 

Oremos ao Senhor para que estas linhas possam realmente ajudar ao cristão de boa vontade que as estiver lendo, para que haja uma aproximação mais direta dele com a legitima palavra de Deus, as Sagradas Escrituras.

Vejamos os tipos de tradução oferecidos desde o início do século 20

O mesmo texto pode ser vertido para outra língua, seguindo diferentes critérios de tradução. Segundo a correspondência entre os textos a serem traduzidos e a tradução resultante, estamos falando de “equivalência dinâmica” ou funcional, e “equivalência formal”. Estes são dois extremos dentro de um continuum que permite múltiplas alternativas.

Equivalência Dinâmica  e  Equivalência Formal

O principio da equivalência dinâmica, também chamada, ultimamente, de equivalência funcional,  é o que busca transmitir o significado que seguramente deveria ter o texto que se traduz, deixando em segundo lugar o significado concreto das palavras. Os tradutores e editores que apoiam a equivalência dinâmica têm uma definição da inspiração divina que tem colocado em dúvida a inerrância da Bíblia.

Taber e Nida definem o seu método, a equivalência dinâmica, colocando as seguintes prioridade (1):

1.- A coerência textual tem prioridade sobre a concordância da palavra por palavra.
2.- A equivalência dinâmica tem prioridade sobre a correspondência formal.
3.- A audição de um texto tem prioridade sobre a leitura silenciosa.
4.- As formas linguísticas comumente empregadas e admitidas pelos leitores, aos quais se destina a tradução, têm prioridade sobre as formas tradicionais mais prestigiadas.

Definindo o método, eles dizem: “A qualidade de uma tradução na qual a mensagem do texto original foi transferida à língua receptora, deve ser de tal maneira que a reação dos receptores seja essencialmente a mesma que a dos receptores do texto original”.

Este  método parece muito “racional”, porém faz parte de um conceito de inspiração que não corresponde à plena e verbal inspiração das Sagradas Escrituras. Ele fala da “mensagem do texto original” esquecendo, contudo, as palavras com as quais a mensagem nos é transmitida; ou então só creem na inspiração da mensagem e não das palavras. E, mesmo assim, os próprios defensores deste método reconhecem as limitações e perigos que nele existem (2).

O cúmulo das traduções segundo o princípio da equivalência dinâmica ou funcional, é a chamada “Bíblia em Francês Fluente”, a qual foi feita na base de um vocabulário básico e limitado. Próximas a esta tradução temos as chamadas “Versões Populares ”, como a conhecida BLH. Existem também as chamadas “Versões Confessionais ou Ecumênicas”, a partir da equivalência dinâmica ou funcional.

O princípio da equivalência formal procura manter, o mais próximo possível, a tradução do exato significado das palavras do texto que está sendo traduzido. Os que apoiam este princípio acreditam piamente na inspiração plena e verbal das Sagradas Escrituras, crendo na inspiração divina, não só da mensagem como também das palavras pelas qual a mensagem está sendo transmitida.

A verdade é que toda tradução contém uma parte de interpretação. Contudo, também é certo que, dependendo daquilo em que o tradutor ou tradutores realmente creiam sobre a inspiração das Sagradas Escrituras, a tradução resultante será mais ou menos fiel às palavras originais.

O princípio da equivalência formal foi o que orientou a maioria das traduções bíblicas, até pouco tempo, e sobre ele foram embasadas as traduções da Reforma Protestante do século 16. Até então, os tradutores acreditavam na inspiração plena e verbal das Sagradas Escrituras.

Quais os textos que estão por trás de uma tradução

Conforme é bem conhecido, os idiomas originais da Bíblia foram: o Hebraico -  para o Velho Testamento - contendo algumas breves seções em Aramaico - e o Grego, para o Novo Testamento.

Muitíssimas das traduções Bíblicas atuais afirmam ser traduções dos idiomas originais; quando não se menciona tal fato sob o nome de tradução, é necessário colocar as notas introdutórias que encontramos em quase todas as versões modernas. A única exceção atual encontrada é a versão “Novo Mundo”, da seita das “Testemunhas de Jeová”, a qual afirma ser traduzida da tradução Inglesa de  1961,portanto a tradução de uma tradução. Em outros tempos, as versões da Bíblia realizadas e autorizadas pela Igreja Católica Romana também eram traduções de uma tradução, ou seja, da Vulgata Latina, porém na atualidade é difícil encontrar-se uma tradução desse tipo.

Neste caso, de onde procedem as diferenças importantes entre as diversas traduções atuais da Bíblia? Já consideramos que elas podem vir dos princípios que originam estas traduções. Outra coisa é que nem todas as traduções da Bíblia, em especial as modernas, foram feitas a partir dos mesmos textos Hebraicos, Aramaicos e Gregos.

Textos Relativos ao Velho Testamento.

O Texto Massorético é o texto hebraico/aramaico do VT. As diferenças entre os diversos textos existentes referem-se basicamente ao aparato critico (as diferentes alternativas que se apresentam ao texto básico).

A questão relativa ao VT não é tanto em relação às línguas originais, mas à importância que se dá à tradução judaica do VT, conhecida como Septuaginta, ou Versão dos Setenta.

Ainda assim, não podemos negar a primazia que se tem dado aos códigos mais modernos, como o Sinaiticus e o Vaticanus.

Textos Relativos ao Novo Testamento

Os textos existentes podem ser classificados em dois grandes grupos: o Texto Alexandrino e o Texto Bizantino. Maiores divisões normalmente têm a intenção de dar peso ao Texto Bizantino. O chamado “Texto Majoritário” segue a mesma linha do Texto Bizantino. A linha de preservação textual, através dos tempos, encontra-se no que hoje é conhecido como Textus Receptus, o qual corresponde ao texto do Novo Testamento, o qual foi passado de geração em geração, até a Reforma do século 16, e em cuja base iriam se realizar as clássicas traduções protestantes: Reina-Valera, Diodati, Almeida, Lutero, BKJ King James Bible, de 161), etc. Este texto teve diversas edições, com pequenas diferenças.

Durante o século 19 e inicio do século 20, foram apresentados novos textos alternativos, conhecidos como “textos críticos”, produzidos a partir de descobertas arqueológicas que se distanciaram do texto tradicional, o Textus Receptus, e formaram o grupo de Textos Alexandrinos, os quais são sumamente heterogêneos; entre eles estão os textos confeccionados por Westcott e Hort e Nestle-Alland...

Atualmente, em relação aos textos usados para a sua tradução, as traduções bíblicas podem ser catalogadas em três grupos: Traduções de traduções, traduções segundo os textos tradicionais, e traduções segundo os textos alternativos ou críticos. O quadro que vamos apresentar em continuação ao que já foi dito, refere-se às traduções protestantes, ou às que colaboram com os protestantes.

A questão a ser resolvida é se cremos ou não na preservação do texto bíblico, através dos séculos, pela ação do Espírito Santo. Se Deus inspirou verbal e plenamente as Escrituras Sagradas, tendo preservado de erros os escritores humanos. Porventura não poderia Ele também manter o texto inspirado, através dos séculos, para a salvação dos incrédulos e orientação do Seu povo? Será que teríamos de esperar até o advento da crítica destrutiva da Bíblia, para que pudéssemos ter os textos mais fidedignos, e que o movimento de Deus que surgiu no século 16, de volta à plena palavra de Deus,  houvesse colocado à disposição somente os textos corrompidos e inferiores aos atuais?

Quem crê na inspiração plena e verbal das Sagradas Escrituras e na preservação fiel do texto bíblico, através dos séculos, deve optar por uma tradução realizada na base da equivalência formal, e de acordo com o Texto Massorético no Velho Testamento, e o Textus Receptus,  no Novo Testamento.

A Bíblia somente, ou uma Bíblia com o acréscimo de palavras humanas?

Exclusivamente o texto bíblico ou outros texto, com adições de palavras e pensamentos humanos...  Por qual deles devemos optar? Até alguns anos atrás, uma das características fundamentais das traduções bíblicas feitas pelos protestantes era que estas não continham notas, nem comentários, o que as diferenciava das traduções realizadas sob os auspícios da Igreja de Roma. Contudo, este panorama mudou muito nas ultimas décadas, a ponto de, em alguns casos, as traduções protestantes trazerem mais notas e comentários que as bíblias católicas. Contudo, esta expressão é mais do que retórica, visto como já faz tempo que as novas traduções da Bíblia estão sendo feitas a partir do tipo ecumênico ou inter-denominacional, o que dá no mesmo. Está cada vez mais difícil conseguir uma Bíblia que contenha apenas o texto bíblico, - os sessenta e seis livros inspirados, que formam as Sagradas Escrituras. As edições que têm aparecido como “Bíblias de Estudo” chegam repletas de notas e comentários, o que não passa de uma desculpa geralmente usada para respaldar as opiniões de homens.

O problema é que as notas e comentários, inclusive certas informações entregues, influenciam a mente humana sobre o acesso direto à palavra de Deus e à dependência da orientação do Espírito Santo, para entender as Sagradas Escrituras.

Não nego que algumas destas notas e comentários sejam corretas e proveitosas, porém jamais deveriam ocupar uma parte do
LIVRO SANTO, a BÍBLIA SAGRADA ou simplesmente a BÍBLIA. É preciso que haja uma clara distinção entre as opiniões de homens (por mais santos e eruditos que eles sejam) e a palavra de Deus, a única e infalível, inerrante e eterna. Que sejam eliminados as notas e comentários dentro do LIVRO. O mal já está feito e o pior é que as livrarias estão cada vez mais saturadas de Bíblias, as quais apresentam em suas páginas peculiares doutrinas denominacionais, com os respectivos erros doutrinários que possam conter os ensinos destrutivos da crítica, que nega a plena inspiração da palavra de Deus, de forma subreptícia. [N.T. - Aqui no Brasil temos a BLH, a Viva, a NVI, a Bíblia Pentecostal e outras versões desse tipo]. 

Desse modo, através das Bíblias que os crentes usam, a palavra de Deus tem sido introduzida nas igrejas bíblicas e fundamentalistas, com erros doutrinários que jamais seriam pregados nos púlpitos, contendo afirmações e sugestões que dão autoridade ao texto que afirmam estar representando. Que contradição maior é a de que dentro de um livro, que é apresentado como sendo a Bíblia Sagrada, possam estar contidas afirmações, sugestões, comentários e/ou notas que negam o seu meridiano e correto sentido, questionando e emendando o que diz o texto sagrado! Indagamos neste espaço: cremos realmente, que a Bíblia é a única e absoluta autoridade do cristão em tudo que ela diz e afirma? Se a resposta é “sim”, devemos optar por uma Bíblia que seja somente a Bíblia Sagrada, sem qualquer acréscimo de notas e comentários de homens, a fim de permitir que a palavra de Deus fale com a autoridade, dependendo exclusivamente da ação do Espírito Santo, para ser perfeitamente compreendida.

Se um cristão crê na plena e verbal inspiração da Escritura Sagrada; na preservação fiel do texto bíblico através dos séculos, e na soberana Autoridade da Palavra de Deus, ele deve optar por uma tradução feita a partir do Texto Massorético, no Velho Testamento, e do Textus Receptus, no Novo Testamento, e que seja uma Bíblia sem notas e comentários.

Existem atualmente muitas traduções em nossa língua, e de muitas delas podemos encontrar várias edições, cada uma com as suas peculiaridades. Existem edições para homens, mulheres, casais, jovens, moças, crianças, etc. [só faltando mesmo uma edição para o papagaio da casa]. Por isso, antes de decidir qual a Bíblia que você vai adquirir e usar, responda as perguntas supra apresentadas. [A tradutora destas páginas optou pela BKJ (King James Bible de 1611), em Inglês, pela Reina-Valera (de 1609), em Espanhol, e pela FIEL (isto é, ACF, a Almeida Corrigida Fiel, edição 2007), em Português].

As traduções mais confiáveis são aquelas que foram preparadas no final do século 19, como a Almeida Revista e Corrigida de 1894, da qual a ACF é digna herdeira, ou no início do século 20, quando a contaminação com o Westcott & Hort ainda era pouca não há representante perfeita no Brasil, somente na ACF de 1995-temos uma Bíblia de Português perfeito, moderno, fluido, livre de arcaísmos, porém conservando 100% da fidelidade e pureza da Almeida 1984 e anteriores. De fato, nas edições mais antigas podemos encontrar palavra ou expressões que nos parecem obsoletas; mesmo assim estas são muito melhores do que as versões modernas, as quais, a pretexto de uma atualização da linguagem, contêm erros doutrinários bem disfarçados. A letra gótica e a monotype corsiva [itálicas] antes usadas, desapareceram, para dar lugar à Times New Roman...

A historicidade e literalidade do próprio texto bíblico é o que deve contar; portanto, voltemos às nossas Bíblias protestantes, as quais trazem simplesmente a palavra de Deus inspirada, com os 66 Livros da Sagrada Escritura, traduzidos conforme os textos originais, inspirados plena e verbalmente por DEUS, sem quaisquer notas e comentários feitos por homens. [Que o Espírito Santo tenha plena liberdade, através do que Ele mesmo inspirou, para nos fazer crescer na graça e no conhecimento de Cristo, dando-nos a certeza de que existe um só Deus verdadeiro e que Jesus Cristo foi enviado pelo Pai, como o único Mediador e Salvador da humanidade, através do Seu sangue derramado na cruz do Calvário].



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♛ Uma das características mais recorrentes das homilias de João Crisóstomo (347-407) é sua ênfase no cuidado com os necessitados. Ecoando temas do Evangelho de Mateus, ele exorta os ricos a abandonarem o materialismo para ajudar os pobres, empregando todas as suas habilidades retóricas para envergonhar os ricos e obrigá-los a abandonar o consumismo mais conspícuo:


“Honras de tal forma teus excrementos a ponto de recebê-los em vasilhas de prata quando outro homem criado à imagem de Deus está morrendo de frio?”


— João Crisóstomo