"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



quarta-feira, 1 de abril de 2015

* Os Caraítas / Definição


Caraísmo é uma religião abraâmica que defende a crença única e absoluta em Deus e que sua revelação única foi dada através de Moisés na Torá (que não admite adições ou subtrações) e nos profetas da Tanakh. Confiam na Providência divina e esperam a vinda do Messias e a Ressurreição dos Mortos. Seguem um calendário baseado no Abib e com início de mês na lua nova visível.
A palavra caraíta (do hebraico קראים, qaraim ou bnei mikra, "Seguidores das Escrituras"), designa uma das ramificações do judaísmo que defende unicamente a autoridade das Escrituras Hebraicas como fonte de Revelação Divina. 
Rejeitam o judaísmo rabínico como por exemplo o Talmud e a Mishná (aceitos pelo judaísmo rabínico). Não seguem costumes judaicos rabínicos como o uso de peiottefilin e afins.

História

Desde a época do Segundo Templo de Jerusalém, existiam grupos no judaísmo que defendiam a autoridade única e exclusiva da Torá escrita, em oposição aos que seguiam também as tradições posteriores conhecidas como a Torá oral. Entre as seitas que seguiam unicamente a Torá escrita estavam os tzadokim (saduceus) e os betusianos ( Os betusianos eram uma seita judaica que seguia apenas os ensinamentos da Torá escrita. Foram um dos grupos que, séculos mais tarde, dariam origem ao caraísmo). Esses opunham-se aos perushim (Fariseus) que defendiam ter Deus lhes revelado, junto com a Torá escrita, uma Torá oral, que era passada de geração em geração pelos estudiosos, mestres e profetas.
Essas seitas continuaram a existir mesmo depois da destruição do Templo no ano de 70 d.C., mas com a queda de Jerusalém, a autoridade central representada pelo Templo deixou de existir, fortalecendo as comunidades locais e seus centros de estudo (sinagogas), que eram majoritariamente farisaicas. Esses fariseus posteriormente dariam origem ao judaísmo rabínico, compilando suas leis e tradições em sua obra conhecida como Talmud.
Talmud no entanto não foi aceito por parcela da comunidade judaica, que opôs forte resistência ao judaísmo rabínico. No séc. VIII d.C., Anan ben David organizou os diversos elementos antitalmúdicos e conseguiu convencer o Califado a estabelecer um segundo exilarcado para aqueles que não seguissem as práticas talmudistas. Os seguidores de Anan foram conhecidos como "ananitas" e posteriormente misturando-se a outras seitas anti-rabínicas constituíram o Caraísmo.
O caraísmo obteve grande influência, chocando-se contra o judaísmo rabínico, mas este conseguiu sobressair-se no século X com Gaon Saadia. Mas o caraísmo ainda continuou existindo principalmente na EspanhaRússiaEgitoImpério Bizantino e Israel. Hoje ainda sobrevive em comunidades espalhadas pelo mundo, inclusive em Israel, onde conta com um departamento governamental que cuida dos seus interesses.
O caraísmo em toda sua história nunca representou de fato um movimento único, como atesta a historiografia judaica, e sim uma forte resistência de parte do povo judeu, a prática de novas leis, criadas no decorrer da história judaica, e no final da Idade Antiga denominada de lei oral.
Sem contar com uma liderança central, e com diversos pontos de vistas divergentes, entre seus grupos, o caraísmo não conseguiu fazer frente à unidade rabinista medieval, chegando ao século XX, como uma minoria quase desconhecida mundialmente.
Em tempos recentes existe uma tentativa de revitalização, por parte do chamado "Movimento Caraíta Mundial", um grupo americano-israelense, que não reconhece como caraíta nenhum outro grupo, mesmo anterior a sua existência e reclamando para si a exclusividade na autoridade de converter alguém à prática da torá.

Doutrinas

Para os caraítas, apenas o Tanakh tem uma revelação divina e, como tal, nenhuma pessoa pode advogar-se a dar sua interpretação à Torá. Sendo assim, os caraítas dão uma grande ênfase ao cumprimento literal da Torá, como pode ser visto por meio do cumprimento de alguns mandamentos.
O judaísmo caraíta contrasta-se ao judaísmo rabínico ao desconsiderar a Torá Oral e enfatizar apenas o valor da Torá Escrita, o que o leva a desprezar a autoridade advogada por qualquer outra escritura fora do Tanakh, como o Talmud, o Novo Testamento cristão e outros textos.
Os caraítas seguem um calendário móvel baseado na Lua Nova, ao contrário dos rabinistas, que seguem um calendário fixo. Desta forma, os caraítas iniciam seu mês com o início da Lua Nova visível, e seu ano se inicia no mês de Abib, quando a cevada se torna madura nos campos de Israel.

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