domingo, 14 de dezembro de 2014

Acervo da Teologia

* Vale Tudo para Evangelizar? Richardson Gomes


Richardson Gomes

Nesse final de semana li um pequeno texto de uma antiga edição da revista da Juerp, de um autor que não me lembro o nome, onde ele cita uma pesquisa que foi feita em várias igrejas com a pergunta: "Qual a principal missão da Igreja?" A resposta foi quase sempre a mesma: "Evangelizar". E provavelmente esta também foi sua resposta. Diante de tantas estratégias para se conseguir um número maior de pessoas, onde muitos têm promovido festas, baladas, bares, curas, milagres, prosperidades e acham que "tá tudo certo com Deus" se colocarem o nome "gospel" no final da frase, uma reflexão deve ser feita: A principal missão da Igreja é glorificar a Deus, inclusive quando se prega a Sua Palavra. 

Hoje, os jovens não se contentam mais com a Palavra de Deus, não estão mais satisfeitos com ela, querem algo a mais. E aí, vêm aqueles que querem atrair o povo fazendo todo tipo de coisa pra chamar a atenção dos jovens. Se vestem de Chapolin, fazem encenações, põem jogos de luzes, fumaça, artistas e pronto, o show está feito. Estão deixando de lado o que é certo pra fazer o que dá certo. O que falta hoje é amor à Glória de Deus. O que estão fazendo é simplesmente um circo para entreter toda essa criançada.


Contudo, ainda insistem no erro de que "muitos estão sendo transformados". E esse é o grande problema. Resultados nunca foram e nunca serão prova que ministério A ou B é fiel ao Senhor. Testemunhos, mudanças de vida, milagres e até vidas salvas não garantem que uma pessoa é correta. Garantem que Deus é misericordioso e soberano para usar quem quer que seja para cumprir seus planos eternos.


Pense comigo num violão e num instrumentista. Ainda que o violão seja perfeito, não haverá música boa se o instrumentista não souber tocar. Mas todos nós sabemos o que um exímio instrumentista pode fazer com qualquer violão. Não há glória para o instrumento. A diferença está na habilidade do instrumentista. Eis algumas passagens na Bíblia que nos ensinam que ser usado não significa ser fiel: 



Nabucodonosor foi um homem perverso, mas Deus o chamou de “meu servo”: E agora eu entreguei todas estas terras na mão de Nabucodonosor, rei de babilônia, meu servo; e ainda até os animais do campo lhe dei, para que o sirvam. E todas as nações servirão a ele, e a seu filho, e ao filho de seu filho, até que também venha o tempo da sua própria terra, quando muitas nações e grandes reis se servirão dele.” (Jeremias 27:6-7)
Na parábola dos talentos, todos são chamados de servos. Tanto os bons e fiéis, como os maus e inúteis: Porque isto é também como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens. E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. [...] Então aproximou-se o que recebera cinco talentos, e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. [...] Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei?” (Mateus 25: 14-15; 20-21; 24-26)

Até Satanás, quando Deus se irou contra Israel, foi usado por Ele para se levantar contra Seu povo. Até Satanás é servo de Deus. “Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá” (2 Sm 24.1). “Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel” (1Cr 21.1).


Reflita no que o apóstolo Paulo diz, quando ele e Apolo são vítimas de idolatria por parte de alguns de seus seguidores: Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” (1 Coríntios 3:4-7)


Um ministério não é bom porque é usado por Deus, um ministério é usado por Deus porque Deus é bom. O problema é que quando as pessoas se prendem aos resultados para justificar seus ministérios, estão demonstrando que amam mais os resultados do que a Deus. Fidelidade é continuar temente a Deus, sem corromper-se, sem desviar-se do evangelho, sem deixar a centralidade de Cristo e a autoridade das Escrituras, mesmo que não haja nenhum resultado. Nem mesmo o apóstolo Paulo usou os resultados para defender-se. Pelo contrário, ele disse: “Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação” (1 Co 9:16). Peço-lhe que reflita nisso, com temor e tremor, e antes de achar que uma pessoa está no caminho certo somente porque é usada por Deus, lembrem-se: Deus usou uma mula.


Se você sabe que tem ouro nas mãos, você entende que não precisa de nenhum enfeite para valorizá-lo. Preguemos somente as Escrituras. Nos voltemos somente para Cristo. Nos rendamos somente à Graça de Deus. Glorifiquemos somente à Deus. Esta é a nossa missão: Proclamar a Glória de Cristo. Enquanto você oferecer doces para que as pessoas venham a Cristo, elas serão apenas cheias de doces e vazias de Cristo. Que em meio à tanta falta de zelo por Deus, nós possamos nos revestir da Sua Palavra, para que não caiamos nos mesmos erros. Que Deus tenha misericórdia de nossas vidas e nos preserve até o fim.

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Sobre o autor: Richardson Gomes é bacharelando no Seminário Batista do Ceará. Membro da Igreja Batista Missionária em Jd. América - Fortaleza/CE.
Divulgação: Bereianos

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