"Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando a algum lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus".
2 Coríntios 2.17


terça-feira, 22 de julho de 2014

*Adauto Lourenço / Biografia & Mensagens


Adauto J. B. Lourenço é formado em Física pela Bob Jones University (1990), Carolina do Sul, EUA. Possui mestrado em Física, obtido na Clemson University (1994), Carolina do Sul, EUA, onde defendeu a tese intitulada “Inelastic Scattering of Helium from Rhodium” . Realizou pesquisas no Max Planck Institut für Strömungsfurchung, em Göttingen, Alemanha, em conjunto com Dr. J. R. Manson e Dr. J. P. Toenies (1992), no Oak Ridge National Laboratory (1990-1993), em conjunto com Dr. R. J. Warmack e Dr. T. L. Ferrell e também coordenou, em conjunto com o engenheiro Ary Biazotto Corte Jr., a pesquisa do equipamento OX-FREE, de anticorrosão, financiada pela FAPESP, durante os anos de 2003-2005.

Vamos a uma curta biografia, extraída do próprio DVD.

Adauto J. B. Lourenço recebeu o seu Grau de Bacharelado em Física – Maio 1990. Minors: Matemática e Ciência da Computação. Tem também mestrado em Física, na área de matéria condensada (interações de energia entre superfícies metálicas e gases), através da Clemson University, Carolina do Sul, EUA, em Dezembro de 1994.Durante os seus estudos de mestrado, o Prof. Lourenço planejou, dirigiu e executou mais de 450 horas de pesquisas no Max Planck Insitut für Strömungsforchung, Alemanha.

Também realizou pesquisa cooperativa com o departamento Submicrom do Oak Ridge National Laboratory (E.U.A.), onde planejou, dirigiu e executou mais de 350 horas de pesquisa na área de nano tecnologia (microscopia de força atômica, STM e AFM) em conjunto com equipe da NASA.O Prof. Lourenço é membro da American Physics Society e da Sigma-Pi-Sigma Society of Physics. Também lecionou por três anos em Física Aplicada na Clemson University (Clemson, EUA), três anos em cursos de Computação Gráfica no Greenville Technical College (Greenville, EUA) e quatro anos na área de Informática Aplicada no Centro Unisal Dom Bosco (Americana, SP).

Entre 2003-2005 Adauto trabalhou na pesquisa para avaliação de equipamento OX-FREE anticorrosão, financiado pela FAPESP.

Artigos

  • Atomic Force Microscopy of deoxyribonucleic acid stants adsorbed on mica: The effect of humidity on apparent width and image contrast. Jornal of Vacuum Science and Technology A 10(4), Jul/Aug 1992.

Livros

  • 2007 - Como Tudo Começou - Uma Introdução ao Criacionismo.
  • 2011 - Gênesis 1 e 2:A Mão de Deus na Criação.
  • 2011 - A Igreja e o Criacionismo.

DVDs

  • Criação ou Evolução - Como Tudo Começou. 4 DVDs.

Vida pessoal

Adauto é filho de Jaime e Zoraide. Adauto é casado com Sueli e tem três filhas, Quézia, Joyce e Sarah. O casal residiu nos Estados Unidos por 13 anos.

ENTREVISTA COM O TEÓLOGO E FÍSICO ADAUTO LOURENÇO / revista comunhão


"É estranho um físico que não lê a Bíblia, assim como é estranho um pastor que não estuda Ciências"

Mestre em Física pela Clemson University, nos EUA, matemático e teólogo, Adauto J. B. Lourenço, 53 anos, mora em São Paulo, onde congrega na Igreja Presbiteriana Central de Limeira. É casado com Sueli Lourenço e tem três filhas. Morou nos EUA e Alemanha para pesquisar e retornou ao Brasil para atuar como pesquisador independente na área de Matéria Condensada e Física de Superfície. Ele presta consultoria na área de novas tecnologias anticorrosivas. Seu ministério é ensinar o Criacionismo Científico, apresentando palestras em igrejas sobre a importância de mostrar que processos naturais, ou seja, as leis da natureza, não teriam trazido à existência a complexidade encontrada no universo e na vida.
Quando perguntado sobre a razão de ter cursado Teologia e Física, a resposta é rápida: "Porque Deus sabia que um dia elas me seriam necessárias. Como sempre fui muito curioso, conhecer o universo também foi um plano de Deus na minha vida".
Comunhão esteve presente a uma de suas palestras, realizada na Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória, e obteve essa entrevista, exclusiva. Confira.
Comunhão - Como se deu sua conversão?

Adauto: O Senhor Deus veio ao meu encontro quando eu tinha 10 anos. Pude entender o que Ele pensava a meu respeito e que a minha única opção era aquela que Ele me oferecia através de Cristo Jesus.
Por que decidiu cursar Teologia e Física?

Porque Deus sabia que um dia elas me seriam necessárias. Como sempre fui muito curioso, conhecer o universo também foi um plano de Deus na minha vida.
Como saber se a narrativa bíblica sobre a criação aconteceu como está escrito?

Na verdade, é impossível provar que a Criação não ocorreu como está escrito. Gênesis 1 e 2 falam da criação dos céus e da terra. Apocalipse 21 e 22 fala da criação de novos céus e nova terra. Existe uma simetria muito grande entre esses textos. Se Gênesis 1 e 2 são mentiras, então Apocalipse 21 e 22 também o são. Fomos planejados. Esta é a maior descoberta científica de todos os tempos.
Podemos utilizar a Ciência para provar que as revelações bíblicas são verdadeiras?

A Ciência não prova que as revelações bíblicas são verdadeiras porque, se fosse assim, a Ciência seria maior que a Bíblia. Na verdade, a Ciência apenas constata a verdade bíblica.
Como o senhor avalia a postura da igreja e dos pastores em relação ao estudo da Ciência?

A Igreja já não é como foi no passado. Os pastores dos idos de 1800 tinham que estudar Teologia e Física Natural como parte de seu currículo. Hoje, cursam só Teologia, por isso não sabem fazer a conexão da Bíblia com o resto das coisas. É estranho um físico que não lê a Bíblia, assim como é estranho um pastor que não estuda Ciências.
O que dizem as leis do Brasil e dos Estados Unidos sobre ensino da teoria Criacionista nas escolas?

Em ambos os países, as leis promulgadas não favorecem o ensino do criacionismo científico, sob a alegação de que se estaria ensinando religião, e não ciência. Isso é colocado considerando-se o Estado laico, ou seja, secular, sem a influência ou controle por parte da igreja. Dizer-se que ensinar o criacionismo estaria sendo ensinar religião somente seria verdade se fosse ensinado o criacionismo bíblico, ou o criacionismo religioso, em lugar do criacionismo científico.
Apenas para esclarecimento, o Criacionismo científico defende a tese de que processos naturais e leis da natureza não teriam trazido à existência a complexidade encontrada no universo e na vida. Por exemplo,se eu lhe perguntasse: "O laptop que utilizo veio à existência espontaneamente ou foi criado? Em outras palavras, processos naturais e leis da natureza, teriam trazido o meu laptop à existência?" A resposta é, obviamente, um NÃO muito enfático. Se processos naturais e leis da natureza não conseguem trazer à existência um simples laptop, o que dizer a respeito do cérebro humano, que é quase que infinitamente mais complexo? Teria o cérebro humano vindo à existência por meio de processos naturais? A resposta é óbvia.
O Criacionismo científico é perfeitamente compatível com o ensino científico proposto pelas leis que regem a educação nesses dois países. Falta apenas conhecimento das lideranças dos departamentos de ensino de ambos os países para que essa disciplina possa ser ensinada nas escolas.
Como confrontar Criacionismo e Evolucionismo?

Sob o ponto de vista da Ciência, o Criacionismo procura demonstrar que leis da natureza, os processos naturais, não teriam trazido a vida à existência. Isso é mostrado em laboratório, onde estão as bases do Criacionismo científico. Os evolucionistas dizem que em bilhões de anos tudo poderia acontecer. Na verdade, evolucionistas e criacionistas possuem exatamente o mesmo dado, a mesma informação. Um fóssil, ou um raio, por exemplo. Mas as perspectivas de cada um é que darão a devida interpretação, do ponto de vista individual.
Como explicar o início da existência de Deus dentro do tempo, do espaço e da matéria?

Deus trouxe tudo à existência quando trouxe o tempo, o espaço e a matéria, mas Deus não está neles e nem precisa deles, pois os criou.O Criador não é a criação, mas está em cada metro cúbico dela. Nós é que estamos presos no tempo e no espaço.
Se não houvesse nada mudando, como saberíamos que o tempo já passou? A ideia de tempo implica a de mudança. Portanto, antes de criar tudo não havia mudança, por isso não havia tempo. Então, não há razão para perguntar quando Deus começou a existir, isso não faz sentido. Deus não vê o futuro porque Ele não está no tempo, está fora do tempo, mas vê tudo de uma vez só. Enfim, não podemos provar a existência de Deus pela Física, conforme está escrito em Hebreus 11:6. Se fosse possível provar, isso não seria fé, pois o que se prova não tem necessidade da fé.
Como associar milagre e Ciência no advento da abertura do Mar Vermelho?

Por meio de leis físicas, estranhas e desconhecidas o mar se abriu, porque por leis normais e conhecidas isso não seria possível. Por isso o nome é milagre. E do ponto de vista de um matemático, é mais fácil crer no mar que se abriu do que na explosão do big bang,que teria originado toda a criação, porque no primeiro caso tinha dois milhões de testemunhas e no outro, nenhuma.
Há uma explicação científica para o fato de Deus ter feito Eva da costela de Adão, e não de outra parte do corpo?

Sim. Primeiro Deus aplicou-lhe uma anestesia geral, que foi um pesado sono. Em seguida, Deus retirou uma de suas costelas porque nela tem medula óssea vermelha, onde encontramos células-tronco. É nelas que está o material genético para a clonagem. Eva foi criada de uma clonagem. Após a cirurgia, Deus fechou a carne de Adão fazendo de Eva um clone alterado geneticamente.
Por que Deus começou a criação pelo homem, e não pela mulher? 

Porque eles (os homens) são de cromossomos XY e a mulher, XX,e no processo de clonagem, é só duplicar o X. Mas,se houvesse começado pela mulher, como iria duplicar o Y?
Por que temos medo de estudar e confrontar Ciências? Seria um sinal de incredulidade estudar essas coisas?

Essas duas questões estão relacionadas com o nosso entendimento do que é Ciência. Ciência nada mais é que uma busca por conhecimento. Nenhum cristão verdadeiro deveria temer a Ciência, ou mesmo não querer confrontá-la sabiamente, pois nós somos convidados por Deus a buscar conhecimento (Prov. 2:1-5). Deus disse: "Dominai a terra", ou seja, saiba com funciona, conheça, estude Ciências. Infelizmente, nem tudo o que é ensinado "em nome da Ciência" é verdadeiro. E por isso muitos cristãos não se sentem motivados a estudar Ciências. A reação deveria ser exatamente a oposta. Por Deus ter nos libertado para conhecer a verdade - e conhecê-la em todas as áreas, não somente na área espiritual - é que deveríamos ter muitos cristãos envolvidos com a Ciência. Precisamos entender que a multiforme sabedoria de Deus, como nos é dito em Efésios 3:10, expressa-se em todas as áreas do conhecimento humano, inclusive na Ciência. Essa é uma das principais razões de o mundo incrédulo achar que Deus só entende de coisas espirituais, o que é um erro muito grosseiro. Sinal de incredulidade é não querer conhecer as obras das mãos de Deus, reveladas na natureza e estudadas pela verdadeira Ciência.
A Ciência e a fé se contradizem ou se misturam?

Depende de como se vê a Ciência e a fé. Toda ciência devidamente estabelecida e toda Bíblia corretamente interpretada nunca entrarão em contradição.
Exemplifique essa sua afirmação.

Em Jó 6:7 temos uma afirmação científica. Nosso norte sideral existe, é o espaço vazio. Isso foi provado por cientistas em 1989 e confirmado em 2007.
Qual teria sido o sinal colocado em Caim depois que matou Abel?

A Bíblia não diz qual foi o sinal colocado em Caim. E não há como descobrir. Existem pessoas que dizem que foi a cor negra da pele. Isso é pura heresia. A Bíblia não ensina isso. E podemos perceber muito facilmente que esse não é o caso. Se Caim fosse negro, todos os seus descendentes, que por sinal não entraram na Arca de Noé, teriam morrido no dilúvio. Portanto, não deveria haver nenhuma pessoa de pele negra após o dilúvio.
Satanás é criação de Deus?

Satanás é criação de Deus, mas Deus não está lutando com Satanás, pois este não é páreo para Ele. Assim que quiser, poderá desfazê-lo num piscar de olhos. É o arcanjo Miguel quem luta com Satanás.
A Bíblia é mais avançada que as descobertas científicas?

Para exemplificar esta verdade, cito Gênesis 1:9, onde a Bíblia fala da parte seca criada e não das partes secas, ou seja, havia um único continente. A Bíblia diz que a ciência é tão ignorante que chegou a essa conclusão quatro mil anos depois.E em Jó 40:15 temos a descrição completa do dinossauro, de 40x24 metros de altura e 100 toneladas. O osso era de 30 cm de diâmetro.
Qual a melhor estratégia de evangelização de crianças?

A Igreja tem que parar de ensinar Gênesis como se fosse um gibi. É história com H, e não com e, de estória. Temos que ensinar Genealogia, que é a ideia de falar dos personagens bíblicos dentro do tempo e do espaço. Por exemplo, Abraão tinha 58 anos quando Noé existia e podia perguntar tudo o que quisesse para ele. Na minha infância, muitas coisas, pela maneira como me foram ensinadas, reforçavam as ideias evolucionistas que eu recebia na escola. Uma dessas coisas ensinadas na igreja foi que Noé não teria levado os dinossauros na arca porque eles já estariam extintos há muito tempo. Eu queria colocar os dinossauros na arca, mas o professor disse que eles já haviam desaparecido. Então, eu fiz automaticamente uma separação dos tempos que reforçaram a ideia evolucionista que aprendi na escola.
O que responder para quem defende que a Bíblia é apenas papel e não serve como prova da verdade sobre Deus e sua criação?

Pergunte a idade da pessoa. Quando ela responder, peça que prove sua idade. Ela apresentará um documento com sua data de nascimento. Ao final, pergunte por que ela acredita num pedaço de papel e conclua dizendo que ninguém sabe de fato sua própria idade, apenas cremos num pedaço de papel e no que as pessoas dizem a nosso respeito. Por que insistem em usar esse argumento somente para a Bíblia?
MENSAGENS & PALESTRAS 
























































OUTROS VÍDEOS DE ADAUTO LOURENÇO 

. Fatores Genéticos
Os animais na arca (1/4)
.  De onde veio toda a água do dilúvio? (1-5)  
.  Para onde foi toda a água do dilúvio (1-4) 
.  A origem das teorias (1/5) 
.  A origem do universo (1/6)
.  Ciência e fé se misturam? (1-5) 
.  Um grande Criador e uma grande criação (1/5)
.  Gênesis Capítulo Um: Literal ou Figurado? Dias literais ou eras?

.  Vida Fora do Planeta Terra (Série: Criação x Evolução)

.  Como explicar os fósseis de hominídeos e dinossauros à luz da Bíblia?


Adauto Lourenço defende a criação do mundo em entrevista ao JM Online


Por Gisele Barcelos, JM Online


Ciência e fé podem ser aliadas? Esta é a pergunta levada pelo pesquisador Adauto Lourenço em várias palestras realizadas no Brasil sobre a origem do universo e da vida. Nascido no interior do Estado de São Paulo e pertencente a uma família cristã, Adauto começou a luta internamente durante a faculdade e os questionamentos cresceram junto com as experiências acumuladas no currículo. Depois de buscar respostas na Física e na Matemática, o pesquisador abandonou a teoria da evolução para se tornar um defensor do modelo chamado criacionismo científico. O resultado dos anos de estudo foi registrado no livro "Como Tudo Começou". A obra contesta a preferência do evolucionismo no atual sistema de ensino e ainda garante: as evidências da criação são concretas. 

Jornal da Manhã - O senhor inicialmente era defensor do evolucionismo. Mudou de posicionamento por causa da conversão ao cristianismo? 

Adauto Lourenço - Eu sou de uma família evangélica e me converti aos 10 anos de idade. Então, a minha mudança saindo do evolucionismo para o criacionismo científico não se deu por causa de uma conversão religiosa. Durante a faculdade, eu estava muito relacionado com aquilo que a gente chama de evolucionismo teísta. Isso significa que de uma forma específica eu aceitava a teoria da evolução como totalmente verdadeira e acreditava que o relato bíblico era verdadeiro também. Só não sabia como juntar as duas coisas. Então, eu tinha tendência de pegar certos textos da Bíblia, como Gênesis, e pensar de uma forma mais alegórica e não como uma história literal. Porém, na época de mestrado, eu comecei a questionar algumas coisas com meus orientadores e eu percebi que muitas dúvidas que eu tinha, eles também tinham. Enquanto anteriormente a teoria da evolução me foi passada como comprovada e sem problemas, eles me mostraram que aquela era a forma como se acreditava que poderia ter acontecido. E existe uma diferença entre acreditar que poderia ter sido assim e efetivamente ter acontecido. Então, chegou a um ponto que eu quase entrei em parafuso. Foi um processo mais ou menos de uns cinco anos migrar do evolucionismo para o criacionismo. Não foi assim: deitei evolucionista e acordei criacionista. Eu fui questionando e quanto mais eu questionava, mais eu pude perceber que literalmente não havia uma consistência entre a evidência científica e o modelo evolucionista. Foi passando o tempo e eu percebi que alguma coisa tinha que ser feita. Durante esses anos de pesquisa pessoal, eu fui encontrando outros que eram criacionistas, mas não eram religiosos. Isso para mim foi uma grande surpresa. Porque eu pensava que quem era criacionista era religioso. E eu encontrei muitos criacionistas que são inclusive ateus. Por quê? Não é uma questão de tentar provar que Deus criou o mundo ou que a Bíblia está correta. O que discutimos é: processos naturais e leis da natureza teriam trazido à existência o universo, a vida e toda a complexidade que encontramos neles? Existe uma satisfação intelectual em responder essa pergunta: tudo surgiu ou não espontaneamente? 

JM - Mas o criacionismo é sempre apresentado nos livros didáticos como ficção, de que forma isso pode ser refutado cientificamente?

AL - Existem três criacionismos distintos: o científico, o religioso e o bíblico. No primeiro caso, é possível sim demonstrar cientificamente que o universo e a vida foram criados. Só não é possível demonstrar quem criou. Por exemplo, eu pego um relógio e é fácil demonstrar de forma científica que o objeto foi criado e não surgiu espontaneamente. Independente de provar quem o criou. São duas coisas totalmente distintas. O criacionismo científico trabalha apenas a questão se o universo e a vida foram criados ou surgiram espontaneamente. Já os religiosos tentam explicar por que uma determinada divindade teria criado o universo e a vida. E o bíblico é descritivo, não explica o porquê, apenas cita o que Deus fez. Normalmente, quando falamos de criacionismo, as pessoas associam apenas aos dois últimos. Poucas pessoas, principalmente no meio acadêmico, conhecem a respeito do criacionismo científico. Não são todos iguais. Os nossos centros de ensino não permitem o ensino do criacionismo e existe um motivo para isso. Muitas pessoas não conhecem o criacionismo científico e querem ensinar a questão religiosa ou bíblica. Obviamente a escola é para ensinar ciência. A proposta do criacionismo científico não é religiosa, embora possua implicações religiosas. 

JM - Quais são então os argumentos para contestar a evolução?

AL - A teoria da evolução diz que os seres humanos, no caso os Neandertais e os Homo sapiens, teriam vindo de um ancestral comum aos gorilas, chimpanzés e talvez possivelmente aos orangotangos. Analisando o aspecto da ancestralidade, não temos evidências genômicas para comprovar isso [O cientista argumenta em suas palestras que as pesquisas utilizaram um número reduzido de genes para fazer a comparação do homem e do macaco. Por isso, na análise total a semelhança genômica entre as duas espécies seria praticamente nula]. A única possibilidade, então, seria a interpretação do registro fóssil. A interpretação é algo interessante. Não temos uma sequência que mostre seres humanos evoluindo de um ancestral comum aos gorilas e chimpanzés. Temos fósseis como o Australophitecus [na teoria da evolução, este animal é considerado o ancestral direto do homem moderno], em que um dos mais conhecidos é a Lucy [fóssil encontrado em 1974 e apresentada como o elo perdido da sequência da evolução humana]. No entanto, a estrutura óssea mostra questões interessantes a respeito de suas patas, principalmente o sistema locomotor inferior. Esse sistema não permitia a esse animal ficar em pé, ou seja, não tem nada de ancestralidade do ser humano. A imagem de uma Lucy em pé nas suas patas inferiores não existe. Nós sabemos isso por várias publicações científicas de pesquisadores que têm trabalhado no estudo especificamente do sistema locomotor do Australophitecus. Por isso, sabemos que eles nunca foram criaturas que ficaram em pé como o ser humano fica. A evidência é que não houve evolução porque todos esses fósseis que estão sendo encontrados são muito semelhantes aos chimpanzés, gorilas e orangotangos. Eles não são semelhantes aos seres humanos. Ou seja, se pegar esses fósseis e fizer um estudo, o desvio da estrutura do fóssil é muito pequeno ao comparar entre chimpanzés, gorilas e orangotangos. É gigantesca ao comparar com o ser humano. Daí, falam que eram pequenas transições. Não! Eram apenas pequenas variações entre chimpanzés, gorilas e orangotangos. Não era evolução da espécie para chegar ao ser humano. Mas eu entendo que não é essa a compreensão da maioria dos cientistas, principalmente os evolucionistas. Agora, a verdade científica não é estabelecida por número de adeptos, é estabelecida em laboratório. O desvio desses fósseis, com respeito a formas de vida que nós conhecemos hoje, é um desvio menor em função dos chimpanzés, gorilas e orangotangos? Ou é menor com respeito ao ser humano? A resposta é óbvia: os Australophitecus são muito mais parecidos com chimpanzés, gorilas e orangotangos do que qualquer coisa com seres humanos. Chamá-los de ancestrais humanos ou hominídeos é um exagero. 

JM - Então, para os criacionistas, Lucy seria apenas um tipo de macaco primitivo?

AL - O que temos encontrado até o presente momento nos fósseis dos chamados hominídeos é um desvio praticamente zero comparado com gorilas, chimpanzés e orangotangos. Quando se compara ser humano, o desvio é enorme. A estrutura morfológica dos artelhos das patas inferiores do Australophitecus é exatamente igual à de chimpanzés, gorilas e orangotangos. Aquilo não é um pé. É praticamente a mesma estrutura das mãos. As pessoas argumentam que é porque estava no início do processo evolutivo. Não! Isso não é o início do processo evolutivo, é a forma daquele organismo. A própria estrutura dos Australophitecus mostra que eram extremamente preparados para subir em árvore como os gorilas e chimpanzés. O ser humano não é preparado para subir em árvores. A nossa coluna vertebral não funciona desse jeito. O nosso centro de gravidade não funciona assim. Os macacos inclusive têm centro de gravidade diferente do nosso para facilitar essa atividade. Estão mandando olhar o registro fóssil e é exatamente isso que estamos fazendo. Os Australophitecus seriam nada mais, nada menos que pequenas variações dos gorilas, chimpanzés e orangotangos que temos hoje. Eles teriam existido no passado e provavelmente estão extintos atualmente. 

JM - Mas os fósseis não são justamente a prova da existência da vida na Terra há milhões de anos e da evolução de diversas espécies ao longo do tempo? 

AL - Primeiro, precisamos observar o registro fóssil e depois interpretar os dados. Observar está relacionado à quantidade de fósseis que nós temos e o que eles nos mostram. Quando estudo o registro fóssil, duas coisas ficam evidentes imediatamente: existem formas de vida fossilizadas que não existem mais hoje e existem formas de vida fossilizadas que continuam existindo até hoje. Daí, a pergunta passa a ser a seguinte: qual delas é predominante? E aproximadamente 75% do registro fóssil é composto de plantas e organismos que ainda estão vivos. Isso é importante porque permite comparar como esses organismos foram no passado com aquilo que são hoje. Podemos estudar o tamanho da caixa craniana, estrutura óssea, peso e estatura. Ao fazer a interpretação disso não é possível ver no registro fóssil uma sequência que mostre peixes evoluindo em anfíbios, por exemplo. Existem peixes com características diferentes e anfíbios com características diferentes. Não há peixes com patas nem anfíbios com nadadeiras. Existem registros que se desviam um pouquinho da maioria, mas isso não significa evolução. É apenas um pequeno desvio. Não é porque você tem um anfíbio que tem a pata óssea, mas um pouco diferenciada com membranas grandes entre os dedos, por exemplo, que podemos dizer que já foi nadadeira no passado. Não tem nada a ver. O registro mostra uma pata com uma membrana grande para facilitar o deslocamento na água. O problema principal é a interpretação do registro fóssil. 

JM - Dentro dessa lógica, a teoria criacionista nega também a seleção natural?

AL - Pelo contrário, a seleção natural é um dos maiores aliados que o criacionismo tem dentro da biologia. Por exemplo, uma boa pata sempre será escolhida pela seleção natural ao contrário de uma pata em mutação, pois uma pata em mutação não seria mais uma boa pata. Para que uma boa pata se transforme numa boa asa, vai ter um momento em que ela seria primeiro uma pata que não andaria e uma asa que não voaria. Agora você não vai me dizer que isso seria uma vantagem seletiva. Segundo o modelo da seleção natural, seria eliminado. Desta forma, a seleção natural eliminaria possibilidades evolutivas e favoreceria microvariações e microadaptações. Muitas pessoas argumentam: “Várias microvariações iriam produzir o quê?”. Apenas várias microvariações. 

JM - E a existência dos dinossauros é admitida dentro desta teoria?

AL - Sim, por todos os criacionistas. A quantidade de fósseis é inegável e não tem como escapar. Também não há um desejo que os dinossauros não tenham existido. Pelo contrário. Para a gente, os dinossauros são evidência muito grande da criação. Para chegar aos grandes dinossauros, como apatossauros, que eram gigantescos e tinham acima de doze metros de altura, você está falando de estruturas espetaculares. Agora como essa megaestrutura teria vindo à existência espontaneamente a partir de pequenos répteis? A estrutura mostra claramente um design e um planejamento absurdo. Estamos falando de mega-construções desde os músculos e nervos, para sustentar o peso, até os pulmões. Não teria como construir estrutura tão grande como essa por meio de pequenos saltos evolutivos. A quantidade de informação genética que teria que ser acumulada para chegar a algo assim é fabulosa. Os dinossauros são uma evidência muito grande de criação. Tem outro ponto muito legal ao analisar as pinturas rupestres em muitas cavernas, pois os desenhos mostram dinossauros. Por que os homens das cavernas não desenharam ossos? A resposta é óbvia: eles foram contemporâneos. 

JM - Então, o que aconteceu com eles? Foram extintos?

AL - Se fôssemos procurar dinossauros hoje, deveríamos fazê-lo nas regiões de florestas tropicais. Existe um balanço que no planeta Terra existem 13,5 milhões de quilômetros quadrados de florestas tropicais e menos de 1% foi pesquisado. Temos muito a pesquisar e o que vamos encontrar lá dentro só podemos dizer depois disso (risos). Como matemático, eu poderia dizer que a probabilidade de os dinossauros estarem extintos não é zero. 

JM - O senhor pode voltar ao posicionamento antigo e retomar a defesa do evolucionismo?

AL - Como um pesquisador e como cientista, a resposta sempre tem que ser sim. Basta apenas ter uma evidência ou um grupo de evidências que destruam ou desmontem o modelo no qual eu e outros temos trabalhado. Sem dúvida. É só provar que estamos errados. Como seria possível? É só demonstrar que processos naturais e leis da natureza teriam feito toda a complexidade da vida e do universo. 

JM - Uma afirmação que existe é que a religião e a fé inviabilizam a ciência... O senhor concorda com isso?

AL - Para responder de forma adequada, seria preciso responder qual religião. Porque existem religiões que realmente fazem isso, outras não. O cristianismo verdadeiro e autêntico é literalmente o berço onde a ciência prospera porque a proposta que vem da Bíblia é que os crentes examinem as escrituras diariamente para ver se as coisas eram de fato como estavam sendo ensinadas. Então, pesquisar faz parte da mentalidade do cristianismo. Aceitar como dogma não faz parte do cristianismo e nunca foi. O cristianismo nos ensina a questionar. Quando olhamos a história, na época da chamada reforma protestante, podemos ver que durante o movimento houve uma grande explosão de conhecimento. Grandes universidades surgiram – como Yale, Princeton e Harvard, nos Estados Unidos –, outras ganharam a forma que têm atualmente – como Oxford e Cambridge, na Inglaterra. Infelizmente, o cristianismo do século XX perdeu a sua autenticidade e a sua capacidade de ser questionador. Os cristãos esqueceram a essência do cristianismo. Daí é que você encontra alguns grupos que são literalmente anticiência, mas eles não representam o cristianismo verdadeiro e nem entenderam a essência do cristianismo. 

JM - O senhor enfrenta preconceito dentro da comunidade científica?

AL - Sim. Porque dentro da comunidade científica existe uma ideia de que se você é religioso, você é tendencioso. Como se o ateu não fosse tendencioso. Tanto um ateu como alguém que acredita na existência de Deus trabalham em cima de preconceitos. Ou seja, o ateu tem uma percepção baseada na sua cosmovisão. O cristão também. Sendo ambos cientistas, o ateu não está numa posição melhor do que o religioso. De forma alguma. Os dois trabalham em cima de ideias preconcebidas. O problema é se o modelo proposto descreve a realidade, independente da tendenciosidade do cientista. 

JM - E existem publicações científicas tratando do criacionismo?

AL - Não. Primeiro porque é praticamente impossível publicar no Brasil, Estados Unidos e Europa pelos meios convencionais. Isso não significa que não tenha criacionistas publicando seus trabalhos. O professor doutor Marcos Eberlin, da Unicamp, trabalha na área de Design Inteligente e tem mais de 600 publicações científicas e mais de 6.000 citações dos trabalhos dele na área de espectrometria de aceleração de massa. Se tentar algo sobre Design Inteligente – como tentou –, não é aceito. Não é uma questão de capacidade e nem de titulação. Mas existe um posicionamento preferencial pela academia que evita publicações relacionadas com qualquer coisa envolvendo criacionista ou Design Inteligente. 

JM - O senhor acredita que isso pode mudar?

AL - Haveria possibilidade de mudança se fosse possível, por exemplo, criar uma academia brasileira de cientistas independentes. 

JM - Vida extraterrestre: possível ou não?

AL - Para que vida exista no planeta Terra são necessários pelo menos dois milhões de variáveis perfeitamente balanceados até onde nós sabemos. Para achar um outro planeta que tenha só 10% disso – o que não permitiria a existência de vida –, a probabilidade é de aproximadamente uma em um quatrilhão. Isso foi calculado há pouco tempo pelo pessoal da Nasa que trabalha na área de exociência, ou seja, vida fora do planeta Terra. Até o presente momento não recebemos um único sinal vindo do espaço sideral que indicasse que foi produzido por vida inteligente. Se existe vida fora da Terra, não parece ser inteligente. A outra possibilidade seria vida biológica não inteligente. Quanto a isso, não temos como detectar até agora.


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Phillip Holmes



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