"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



quinta-feira, 8 de maio de 2014

*Cosmovisão Cristã

O que é Cosmovisão Cristã?

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 Rev. Ronaldo P. Mendes 

O termo cosmovisão, quer dizer o modo pelo qual uma pessoa vê ou interpreta uma realidade. A palavra alemã é Weltanschau-ung, que significa um “mundo e uma visão de vida”, ou “um paradigma”. É a estrutura por meio da qual a pessoa entende os dados da vida. Uma cosmovisão influencia muito a maneira em que a pessoa vê Deus, origens, mal, natureza humana, valores e destino. Francis Schaeffer disse que a cosmovisão ”é o filtro através do qual uma pessoa enxerga o mundo ( Livro: Como Viveremos). Há sete visões principais de mundo. Cada uma é singular. Vejamos algumas delas:

Teísmo - Um Deus Infinito e pessoal existe além do e no universo. O teísmo diz que o universo físico não é tudo que existe. Há um Deus infinito e pessoal além do universo, que o criou, que o sustenta e que age nele de forma sobrenatural. É a visão representada pelo judaísmo tradicional, o cristianismo e o islamismo.

Deísmo – Deus está além do universo, mas não nele. O deísmo é o teísmo sem milagre. Deus fez o mundo, mas não age nele. Ele “deu corda” na criação e a deixa funcionar sozinha. Alguns exemplos de pensadores teístas: Voltaire, Thomas Jefferson e Tomas Paine.

Ateísmo – Não existe nenhum Deus além do ou no universo. O ateísmo afirma que o universo físico é tudo que existe. Não existe nenhum Deus em lugar algum, nem no universo ou além dele. O universo é auto-suficiente. Alguns dos ateus mais famosos foram: Karl Marx, Friedrich Nietzschee Jean-Paul Sartre.

Panteísmo  Deus é o Todo/Universo. Tudo é Deus. O criador e a criação são duas maneiras de denotar uma realidade. Deus é o universo ou Todo, e o universo é Deus. O panteísmo é representado por certas formas de hinduísmo: zen-budismo e Ciência Cristã  Politeísmo – Muitos deuses existem além do mundo e nele. É a crença em muito deuses finitos, que influenciam o mundo. Quando um deus finito é considerado chefe sobre outros, a religião é chamada de henoteísmo. Os principais representantes do politeísmo: os gregos antigos, o mórmons e os neopagãos (adeptos da Wicca - É uma religião fundamentada nos cultos da fertilidade que se originaram na Europa. Freqüentemente, Wicca inclui a prática de várias formas de Alta Magia)

Desenvolver uma cosmovisão cristã

Para o cristão, a cosmovisão cristã vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo “...no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3)”. Em nossos dias está em andamento uma movimentação muito intensa, no meio evangélico, para estabelecimento de escolas evangélicas, que ensinem todas as matérias a partir da perspectiva cristã da vida. Para isso, há a necessidade de que se ensine e se dissemine uma cosmovisão cristã. A fé cristã deixa de ser uma “questão religiosa” para o domingo, mas volta a assumir o seu posto original, e que havia sido resgatado pela reforma do século 16. Esse movimento por escolas cristãs, tem características interdenominacionais. 

A fé reformada sempre enfatizou a questão da cosmovisão cristã. Agora, esse tesouro está sendo procurado por segmentos que até pouco tempo rejeitavam qualquer coisa que tivesse o mais remoto relacionamento com o calvinismo. O que pregadores e autores, durante anos, não conseguiram, Deus, em sua soberania, está fazendo – com a absorção, pela necessidade, dos conceitos transmitidos na ideia de uma cosmovisão cristã. 

Nesse sentido, Deus tem sido pregado como soberano real do universo em comunidades teologicamente arminianas. Escolas de igrejas que “fogem” da teologia reformada, não piscam quando livros tais como: Calvinismo (de Abraham Kuyper) e E Agora, Como Viveremos (que tem como co-autora Nancy Pearcey – que estudou com o filósofo e teólogo calvinista, Francis Schaeffer), são recomendados, apresentados e suas idéias ensinadas. Tais círculos têm compreendido que é impossível se praticar a verdadeira educação das esferas de conhecimento, sem a coesão proporcionada por uma cosmovisão cristã reformada, na qual Deus é verdadeiramente regente do universo, e não um mero espectador, que reage às circunstâncias, procurando “consertar” as coisas. Por isso é necessário que o pastor e líder cristão, e até nós, leigos, tenhamos uma boa compreensão deste tema. Porque precisamos também orientar os irmãos e familiares nesse entendimento. Cosmovisão cristã, também, tem tudo a ver com o estudo de Governo e Economia, e outras áreas de conhecimento e de atividades humanas que, para serem adequadamente compreendidas e exercitadas, não podem ser divorciadas dos princípios contidos nas Escrituras. (Solano Portela) A Cosmovisão cristã oferece à humanidade as respostas mais contundentes para as suas maiores indagações. Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe?

Criação – De onde viemos, e quem somos? - Enquanto várias teorias acerca da criação do universo e da origem do homem são inventadas e estudadas pela ciência, Deus revela em sua Palavra que todo o universo foi Criado por Ele (No principio criou Deus o céu e a terra Gn 1.1).

Queda – O que aconteceu de errado com o mundo? O pecado trouxe a morte ao mundo, a morte física e, pior ainda, a morte espiritual. Ainda, o solo se tornou menos fértil e a comida mais escassa. O homem começou a trabalhar mais para obter menos. A humanidade também perceberia logo o efeito que o pecado tem nas relações humanas: crueldade, assassinato, lascívia e desarmonia. Paulo disse da seguinte forma: “Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor”, Rm 6.23. Portanto, o que aconteceu de errado, e o motivo do sofrimento no mundo é exatamente o pecado original cometido pelo homem.

Redenção – O que podemos fazer para consertar isso? Jesus Cristo é o único Caminho através do qual o homem pode ser perdoado e viver eternamente com Deus. O interessante da cosmovisão cristã reside no fato dela ser simples, como disse C. S Lewis, como tema de seu livro, “Cristianismo puro e simples”. No entanto, simplicidade não é sinônimo de inverdade ou erro. Pelo contrário, as maiores verdades são simples. 

Tanto que o pensamento cristão vem ao longo de toda a sua história superando todos os desafios que lhe foram propostos, desde a Igreja primitiva, onde os cristão foram perseguidos, passando pelo período do iluminismo racionalista, o tempo do comunismo, e, atualmente, o pós-modernismo relativista. Em todos estes contextos, a cosmovisão cristã, guardada por próprio Deus, não sucumbiu. Afinal, como disse Jesus: “As portas do inferno não prevalecerão!” Mt. 16.18.

Somos chamados a conhecer teologia e ética, a tratar o texto bíblico com reverência, mas também ter uma mente inquiridora que medita, reflete, constrói o pensamento, que se move em direção a uma cosmovisão cristã da realidade humana. É bom ler obras clássicas da literatura – os grandes romancistas e filósofos nos ajudam a ver o mundo com outros olhos, sem perder nossa referência cristã. Estamos realmente usando as Escrituras como texto, ou como pretexto? Nossas pregações surgem a partir de uma experiência do coração e de uma mente inteligente e geram transformação? Todas essas pregações e estudos bíblicos têm gerado homens e mulheres mais parecidos com Jesus Cristo? SENHOR: “…tu dominas sobre tudo, na tua mão há força e poder; contigo está o engrandecer e a tudo dar força.”(1 Cr 29.12)- “…em ti está o manancial da vida; na tua luz, vemos a luz.”(Sl 36.9).

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Fontes de pesquisa: Fundamentos da Cosmovisão cristã - Valmir Nascimento Millomem; Cosmovisão Cristã (uma explicação simples) - Presb. Solano Portela; Como viveremos – Francis Schaeffer; O Deus que intervém - Francis Schaeffer; Cristianismo puro e simples - C.S Lewis. 

Sobre o autor: Rev. Ronaldo P. Mendes é bacharel em teologia pelo seminário Presbiteriano Conservador de Riacho Grande - SBC/SP. Atualmente pastoreia a 6ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Goiânia-Go. É casado com Janecléia Oliveira. 

Fonte: BEREIANOS 






COSMOVISÃO REFORMADA NA FAMÍLIA

Por Cláudio Marra

Texto Básico: Dt 6.1-25

 Introdução

A palavra “cosmovisão” refere-se a um conceito antigo, mas seu uso em nosso meio é recente. Quem leu Calvinismo, de Kuyper, publicado por esta editora, lembra-se da abordagem dessa questão pelo autor logo no começo do livro. E olhe que as Palestras Stone, origem do texto do livro – foram proferidas no início do século 20. Mas eu cresci na Igreja Presbiteriana, nunca ouvi a expressão e tampouco fui exposto ao conceito. Afinal, do que se trata? Cosmovisão tem a ver com concepção de vida ou perspectiva da realidade. É “a resposta de uma pessoa às principais questões da vida”.1 Por exemplo:
  • Existe Deus? Quem ou o que ele é?
  • Qual é a realidade última?
  • É possível conhecer o mundo?
  • Existe certo e errado? Como saber?
  • O que é o ser humano? Do que ele se compõe? Ele é essencialmente bom? Ele é livre?
Diferentes cosmovisões

Protágoras de Abdera (Abdera, 480 a.C.–Sicília, 410 a.C.) foi quem cunhou a frase “o homem é a medida de todas as coisas”. Se o homem é a medida de todas as coisas, então coisa alguma pode ser medida para os homens, ou seja, as leis, as regras, a cultura, tudo deve ser definido pelo conjunto de pessoas, e aquilo que vale em determinado lugar não deve valer, necessariamente, em outro. O ser humano é a medida da realidade. O resultado dessa posição foi o relativismo.

Séculos depois de Protágoras, e num momento histórico em que o Cristianismo oficial já estava bastante descaracterizado, a proposta do Catolicismo foi que a Igreja determinaria o que era verdade, ela seria a medida de todas as coisas. Mas, apesar da linguagem religiosa e de se bradar Deus o quer, essa foi, no fim das contas, uma proposta humanista, porque quem afinal decidia era o Papa ou eram os Concílios, muitas vezes a partir de pressões militares, políticas ou populares.

A Renascença (séculos 16 e 17) foi a volta ao Humanismo secularista (o homem volta a ser a medida de todas as coisas), mas a Reforma (século 16) promoveu o retorno às Escrituras e o reconhecimento da Soberania de Deus. Sola Scriptura, bradaram os reformadores, contra o humanismo renascentista e contra a pretensa autoridade de papas e concílios. Mas os tempos haveriam de se tornar ainda mais difíceis. A radicalização do humanismo desembocou no Racionalismo, para o qual a Razão humana determina o que é verdade: é o homem sentado no topo da torre de Babel. Resultaram daí o Modernismo e no Comunismo.

Para Kuyper (em pronunciamento do início do século 20, como anotamos), “O Modernismo está comprometido em construir um mundo próprio a partir de elementos do homem natural, e a construir o próprio homem a partir de elementos da natureza” (Calvinismo:19). Imaginou-se, primeiro, um deus fora do universo, incapaz de interferir aqui, mas depois chegou-se à idéia de que não precisamos de Deus de modo algum. Com a Teoria da Evolução, nem um Criador distante é mais necessário. Foi decretada a morte de Deus.

Filho do Racionalismo, o Comunismo ateu propunha que a matéria é “Deus” e a origem de todas as coisas. Para o Comunismo, Pecado é a propriedade privada e Redenção é a Revolução do proletariado, retomando o poder para as massas. No Comunismo, o Estado é a medida de todas as coisas. Mas os dirigentes substituíram os proprietários na dominação violenta. O Comunismo era mesmo utopia e sua derrocada marcou o fim do Racionalismo arrogante. O Modernismo saiu de moda. Esta é a era do Pós-modernismo.

Para o Pós-modernismo não há uma verdade absoluta e cada pessoa constrói sua própria realidade a partir de suas experiências e interpretações. Por isso, o Pós-modernismo rejeita o Racionalismo (que afirmava poder-se chegar à verdade pela Razão) e rejeita o Cristianismo (que reconhece Cristo como a verdade).

O Pós-modernismo é representado pelo Existencialismo, mas aí as definições não procedem de um conjunto de pessoas, como entendia Protágoras. No Existencialismo elas procedem de cada indivíduo:
  • O aborto é certo se a mãe achar que é certo.
  • Relações sexuais antes do casamento serão certas se o casal entender assim.
  • Homossexualidade será certa se a pessoa assim achar (ainda que nossa cultura diga que isso não é questão de escolha pessoal).
  • Eutanásia será certa se a pessoa o desejar.
  • Qualquer religião será certa para quem assim pensar.
A proposta do Cristianismo tal como resgatada pela Reforma a partir da Escritura

Aprendemos da Escritura que Deus é espírito, criou todas as coisas, mas existe além da sua criação. Porém, mesmo assim ele pode ser conhecido porque sustenta a sua criação, se autorevela e comunica ao homem a sua vontade quanto ao que o homem deve crer e fazer. Aprendemos que pecado é qualquer falta de conformidade com a vontade revelada de Deus, que resulta em separação de Deus, condenação, mas que, para salvar o seu povo, o Senhor providenciou a Redenção por meio da morte substitutiva de seu Filho.

Então, ao contrário do que afirma o Pós-modernismo, existe a verdade absoluta e ela independe do ser humano, mas pode ser conhecida por ele com a revelação e iluminação divinas. A verdade abrange todas as áreas da vida porque procede de Deus, que é Soberano sobre todas as coisas. O Cristianismo reconhece que Deus é a origem e o sentido de toda a realidade, a medida de todas as coisas. Ele é a realidade última.

Mas, como Deus se vê e como vê ele a realidade? Aprendemos na Escritura que:
  • Deus é único e Salvador (Is 45.22).
  • Deus é criador, sustentador e incompreensível (Is 40.28).
  • Deus se revela (Sl 19.7).
  • Deus é misericordioso (Mq 7.20).
Mas a misericórdia de Deus é exercida principalmente no contexto da Aliança (Êx 2.24). O SENHOR é o Deus da Aliança. E isso nos traz para o âmbito da família, porque Deus criou a família, que deveria cumprir os mandatos da Criação. Não há, pois, melhor (nem anterior) lugar onde esses conceitos devam ser aprendidos.

 O ensino na família dos mandatos ou relacionamentos da criação
A família é a agência designada por Deus como ponto de partida e base para a educação (Dt 6). Na família cada pessoa precisa começar a aprender sobre a cosmovisão bíblica, isto é, na família cada pessoa precisa adquirir primeiro uma perspectiva da realidade tal como Deus a vê. Os pais farão isso ensinando aos filhos os mandatos da criação, antes de qualquer discurso ou sermão, servindo eles mesmos de modelo para os seus filhos.

A. O mandato espiritual – Refere-se ao andar com Deus de nossos primeiros pais (e agora o nosso), tal como Deus andava com eles (Gn 17.1). Fala de um relacionamento de temor e obediência e isso se aprende em casa:

1. Os pais serão modelo de relacionamento com Deus e assim ensinarão que Deus existe. Deus é soberano; Deus deseja andar conosco e nos procura. Nós desejamos andar com ele e o buscamos, o louvamos e adoramos. Nós obedecemos à sua vontade, que encontramos em sua Palavra, estudada e refletida no lar.

2. Os pais serão modelo de restauração após a queda. A desobediência separa, afasta, rompe o relacionamento. Na Queda, Adão e Eva se esconderam de Deus. O Senhor os procurou, anunciou a execução da punição prometida, mas anunciou também o caminho da redenção. As vestimentas providenciadas por Deus para o casal e a anunciada semente da mulher previam a restauração. Os filhos verão tudo isso em seus pais.

Os pais serão modelo para seus filhos deixando-os ver quando buscam o Senhor após pecar, confessando seu pecado e confiando na redenção por meio de Cristo. Pais “perfeitos” não podem ensinar arrependimento a seus filhos. Os pais serão modelo para seus filhos pedindo-lhes perdão quando pecam contra eles.
Os pais conduzirão os seus filhos ensinando-os a confessar eles mesmos os seus pecados, aos pais e irmãos, e a Deus, confiando no sacrifício de Cristo para terem os seus pecados perdoados.

3. Os pais serão modelo de retorno à Aliança. O Deus da Aliança retoma o relacionamento com os rebeldes arrependidos e contritos (Mq 7.19). Pais que retomam o louvor, a adoração, a oração, o estudo da Palavra e a obediência, dão para os seus filhos testemunho do perdão, da misericórdia e da fidelidade de Deus à Aliança. Ensinam que o relacionamento espiritual foi restabelecido.

4. Os pais respeitam o desenvolvimento dos filhos. Tudo isso leva tempo e exige dedicação, sensibilidade e paciência. “Leite vos dei a beber, não vos dei alimento sólido; porque ainda não podíeis suportá-lo. Nem ainda agora podeis, porque ainda sois carnais” 1 Co 3.2), foi a reação de Paulo em relação aos crentes fracos de Corinto. Eles já deviam ter amadurecido, mas o apóstolo respeitou a limitação deles. Com essa preocupação, decidiremos o quê, quando e como ensinar. Os pais não haverão de desistir jamais, porque Deus não desiste (Fp 1.6).
B. O mandato social  Refere-se à vida em família, ao deixar o homem pai e mãe e unir-se à sua mulher, para serem os dois uma só carne e se multiplicarem.

A família foi designada por Deus como base na Criação, base para toda a sociedade (Gn 1.27; 5.1-3). Para cumprir o propósito divino, Adão precisava de ajuda. Para vivermos como Deus quer e para exercer o nosso papel na criação de Deus precisamos de nossas famílias. Na família temos:

> O pai, modelo de autoridade, mas também de sujeição e de entrega (Ef 5.22-29). O pai é a cabeça da casa, como Cristo é a cabeça da Igreja, seu Corpo. Mas Cristo deu a sua vida pela Igreja. O mesmo ato deve fazer o marido e pai. Seu amor deve ser declarado, mas principalmente praticado, para ser visto pelos filhos.
> A mãe, modelo de sujeição (a Igreja a Cristo, Ef 5.22-24), mas também de cuidado e proteção. Os filhos aprenderão que a Igreja deve sujeitar-se a Cristo, mas também aprenderão com ela que Deus cuida de nós e nos consola (Mt 23.37; Is 66.13).

>O casal, modelo de união – Os dois serão uma só carne (Gn 2.24). Formarão um laço ou vínculo (Ez 20.37, trad. brasileira). Isso apontará, na Deidade, para a união da Trindade. E na humanidade, e primeiro no lar, ensinará respeito (reconhecer o outro) e cortesia (fazer concessões ao outro).

 O casal, modelo de distinção e complementaridade. “Criou Deus … homem e mulher” (macho e fêmea, Corrigida) (Gn 1.27). O próprio casal deixará bem clara a ideia de macho e fêmea, oposta à androginia da moda. O papai é o macho e a mamãe é a fêmea. A educação sexual (anatomia, funcionamento, relacionamento – verdade e dignidade) começarão em casa, e não nas pagãs aulas de (des)educação sexual nas escolas.

> O casal, modelo de fidelidade à Aliança que simboliza a Aliança. “… o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade … o SENHOR, Deus de Israel, diz que odeia o repúdio…” (Ml 2.14-16). Os pais levarão a sério a sua aliança, para ensinar os filhos a honrar a aliança de Deus. Divórcio nem passa pela cabeça de um casal crente.

C. O mandato cultural – O Senhor determinou que o ser humano deveria, sob Deus, dominar a terra e desenvolver o seu potencial (Gn 1.26). Assim como o Senhor dominava o universo, o homem refletiria esse senhorio do Criador exercendo domínio sobre todas as criaturas da terra. Como um tipo de mediador entre o Criador e o cosmos, o homem estava entre o mundo animal e o mundo espiritual; entre o pó da terra e o fôlego de vida, com o propósito exclusivo de glorificar de modo inteligente o Senhor Deus.

Outro aspecto desse domínio, base do mandato cultural, é que era um domínio responsável. O homem havia de trabalhar no jardim (Gn 2.15). Aqui o homem reflete a providência de Deus. Cuidando e preservando as plantas que foram criadas por Deus, o homem responde como administrador, um vice-gerente do jardim de Deus.

O mandato cultural nunca foi cancelado. O descrente o ignora quando se põe como senhor da criação. O crente o ignora quando espiritualiza suas responsabilidades. E a família é o primeiro lugar para o desenvolvimento dos aspectos culturais, nas áreas da Política, trabalho, negócios, dinheiro, administração, entretenimento e educação. Tudo isso será trabalhado e desenvolvido pela igreja e pela escola, mas a base deve ser lançada no lar, sob o senhorio e soberania de Deus. Alguns cuidados serão necessários:

1. Enfatizar apropriada e coerentemente o senhorio de Deus;
2. Não isolar os filhos da cultura, mas ensiná-los a desenvolver senso crítico. A doutrina da Depravação Total nos ensina que todas as áreas da vida humana foram afetadas pela Queda. Mas a doutrina da Graça Comum nos garante que o mundo não é tão mal quanto poderia, e manifestações da Graça podem ser encontradas à nossa volta, ainda que em um meio não regenerado. Por isso, vamos, estimular nossos filhos à participação em atividades culturais variadas, evitando o desequilíbrio (concentração exagerada ou exclusiva em esportes, ou artes, ou estudos, ou relacionamentos, ou trabalho).

Conclusão

Tudo começou com a família. A Aliança começou e continuou na família. Cada família deve espelhar o relacionamento entre Jesus e a Igreja, portanto, a Nova Aliança. Precisamos verificar que estamos ali vivendo e ensinando os mandatos da criação, os relacionamentos da Aliança. Isso integrará a vida toda sob Deus, numa perspectiva da realidade que o Senhor mesmo nos ensina em sua Palavra. Isso é uma cosmovisão bíblica ou, como dizemos, reformada.
__________________________
Autor da Lição: Cláudio Marra
Estudo publicado originalmente pela 

Fonte: Electus 

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