"Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra de Deus visando a algum lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus".
2 Coríntios 2.17


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

*Maniqueísmo / Definição


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

Maniqueísmo é uma filosofia religiosa sincrética e dualística fundada e propagada por Maniqueu que divide o mundo simplesmente entre Bom, ou Deus, e Mau, ou o Diabo. A matéria é intrinsecamente má, e o espírito, intrinsecamente bom. Com a popularização do termo, maniqueísta passou a ser um adjetivo para toda doutrina fundada nos dois princípios opostos do Bem e do Mal.

HISTÓRIA

Quando o gnosticismo primitivo já perdia a sua influência no mundo greco-romano, surgiu na Babilônia e na Pérsia, no século III, uma nova vertente, o maniqueísmo.
O seu fundador foi o profeta persa Mani (ou Manés) e as suas ideias sincretizavam elementos do Zoroastrismo, do Hinduísmo, do Budismo, do Judaísmo e do Cristianismo. Desse modo, Mani considerava ZoroastroBuda e Jesus como "pais da Justiça", e pretendia, através de uma revelação divina, purificar e superar as mensagens individuais de cada um deles, anunciando uma verdade completa.
Conforme as suas ideias, a fusão dos dois elementos primordiais, o reino da luz e o reino das trevas, teria originado o mundo material, essencialmente mau. Para redimir os homens de sua existência imperfeita, os "pais da Justiça" haviam vindo à Terra, mas como a mensagem deles havia sido corrompida, Mani viera a fim de completar a missão deles, como o Paráclito prometido por Cristo, e trouxera segredos para a purificação da luz, apenas destinados aos eleitos que praticassem uma rigorosa vida ascética. Os impuros, no máximo podiam vir a ser catecúmenos e ouvintes, obrigados apenas à observância dos dez mandamentos (citados abaixo).
As ideias maniqueístas espalharam-se desde as fronteiras com a China até ao Norte d'África. Mani acabou crucificado no final do século III, e os seus adeptos sofreram perseguições na Babilônia e no Império Romano, neste último nomeadamente sob o governo do Imperador Diocleciano e, posteriormente, os imperadores cristãos. Apesar da igreja ter condenado esta doutrina como herética em diversos sínodos desde o século IV, ela permaneceu viva até à Idade Média.
MANIQUEÍSMO E GNOSTICISMO
O dualismo maniqueísta - cuja origem provêm do elcasaismo do Século II como prova o facto de extractos do Apocalipse de Elkasaï' se encontrarem no codex de Manis conhecido como Vita Mani - diferencia-se do dualismo gnóstico uma vez que, se para este último, a divindade é superior ao demiurgo criador, para o primeiro trata-se de dois princípios igualmente poderosos, sem que haja subordinação, apenas igualdade de origens.
Santo Agostinho, que a princípio fora influenciado pelas ideias maniqueístas, terminará por combatê-las, sustentando contra esse princípio de igualdade de origens o do caráter negativo do mal. Combateu ainda a concepção maniqueísta de que não havia nenhuma realidade extracorporal. O "logos" era, para Mani, a encarnação do princípio da bondade, destinado a opor-se ao primeiro produto da criação do mal. As sucessivas criações de ambas as potências (bem e mal) não tinham outro fim que o de neutralizar-se mutuamente, até que o Bem e a Luz triunfassem sobre as trevas do mal.
A igreja cristã de Mani era estruturada a partir dos diversos graus do desenvolvimento interior. Ele mesmo a encabeçava como apóstolo de Jesus Cristo. Junto a ele eram mantidos doze instrutores ou filhos da misericórdia. Seis filhos iluminados pelo sol do conhecimento assistiam cada um deles. Esses "epíscopos" (bispos) eram auxiliados por seis presbíteros ou filhos da inteligência. O quarto círculo compreendia inúmeros eleitos chamados de filhos e filhas da verdade ou dos mistérios. Sua tarefa era pregar, cantar, escrever e traduzir. O quinto círculo era formado pelos auditores ou filhos e filhas da compreensão. Para esse último grupo, as exigências eram menores.
Mani foi um preservador da tradição gnóstica. Com a morte de Mestre Jesus, o Cristo, os discípulos se separaram em dois grupos, e fugiram. Um, como bem sabemos, o maior, seguiu para o Egito (onde escolas gnósticas floresceram nas décadas seguintes), seguindo depois para o porto de Marselha, na França. Tal é o motivo de Maria Madalena ser tão venerada na França, e Tiago ter seu famoso ‘caminho’. Tal é o motivo das historias britânicas estarem estritamente relacionadas a José de Arimateia e assim por diante.
Do outro lado temos o grupo de Tomé, Simão o Mago, Mateus... que sobe para as regiões da Síria, onde pequenos núcleos de buscadores da gnosis serão formados. Décadas depois a Síria estará entre as regiões visitadas por Apolônio de Tiana e o gnóstico Paulo. Aliás, a Síria sempre foi objeto de grande interesse espiritual, séculos depois é para a Síria que os Templários se dirigem em busca dos Mistérios, e é igualmente para a Síria que Christian Rosenkreutz, o pseudônimo do fundador dos rosacruzes, se dirige, e lá encontra o seu ‘livro secreto’, e um ‘augusta fraternidade’ [carece de fontes].
Coincidência ou não, é impossível ignorar a importância dessa região, algo, sem dúvida, devia haver lá.Então, esse segundo grupo de discípulos se dirige para lá. Há relatos que sugerem que Tomé teria passado um tempo lá e retornado para a Índia (como indica o Hino da Pérola, que é simbólico, mas usa de base a historia de um príncipe que veio do Oriente). Curiosamente o ‘Hino da Pérola’ (Ou ‘Hino da veste de glória’) vai ser divulgado a partir de escolas na Síria.
Entre a ‘coleção’ de textos divulgados pela escola da Síria, está o dito Hino, e também os escritos de Tomé, cópias do Evangelho de Tomé se preservaram graças a esses gnósticos antigos.Além do Evangelho de Tomé, temos o ‘Livro de Tomé’ redigido por Mateus enquanto Jesus conversava com Tomé, segundo consta o próprio livro. Esses textos são divulgados mais tarde principalmente por um gnóstico chamado Bardesanes, na Síria. Bardesanes não é nada menos que o avô de Mani.
Portanto é nesse contexto gnóstico de Hinos da veste de glória e Evangelho de Tomé que Mani, o Profeta da Luz, é educado. Mani, jovem e inspirado, ignorou ingenuamente o perigo que vinha do oeste e ensinou abertamente; logo, os atentos olhos da oposição, a Igreja que se formava em Roma, viram em Mani um problema. Assim o maniqueísmo passou a ser combatido
Mas o que ensinam esses maniqueus que rejeitaram a ânsia por poder da igreja romana e foram tão perseguidos? Ensinam:
  • A fonte do Bem está na 'região da Luz'.
  • O Rei da Luz é a Árvore da Vida. Eu assimilei a Lei da Luz. Eu sou Mani, o Apóstolo de Jesus, o Amigo da Luz.
  • A Mente-Luz (Cristo) é o que desperta aqueles que dormem.
  • No homem em quem a Mente-Luz está, sua é a Sabedoria.
  • A Mente-Luz (a Mente Iluminada) é o Sol dos corações, a Senda dos que buscam, o Pórtico dos tesouros da Vida.
  • Bem-aventurado é aquele que foi iniciado nesta Gnosis Divina.
  • Eu encontrei a Terra da Luz. Eu fiz meu caminho para a Cidade dos Deuses.
  • Eu tornei minha alma limpa – sou um servo de Deus [eu sou um Nazareno].
  • Vocês são filhos do Dia e filhos da Luz. Jesus tem me auxiliado e ele poderá auxiliar vocês. Ele poderá dar-nos sua Compaixão.
  • De tempos em tempos a Sabedoria envia os Mensageiros de Deus. Em idades após idades estes Mensageiros têm sido enviados pelo eterno rei da Luz [Zrwan]: Seth, Zoroastro, Buddha, Christos. As primitivas religiões foram verdadeiras enquanto puros líderes estavam nelas.
  • A presente revelação, esta profecia desta última idade, veio para a Babilônia através de mim, Mani, para as outras escolas e para as outras heresias. Para cada uma delas eu mostrei que a sua própria sabedoria e suas escrituras é a verdade a qual eu desvelei e mostrei ao mundo.
  • Há duas fontes do que vem à existência: Deus e a Matéria, Luz e a Escuridão, Bem e o Mal. A Luz é a árvore que dá bons frutos. A Matéria é uma árvore que dá maus frutos.
  • A espiritualidade não pertence ao mundo da matéria , o mundo físico é o mundo espiritual não o material.

  OS MANDAMENTOS MANIQUEUS 

 Eles deviam seguir sobretudo os dez mandamentos seguintes como fio condutor da sua vida cotidiana:
  1. Não adorar nenhum ídolo;
  2. Purificar o que sai da boca: não praguejar, não mentir, não levantar falso testemunho ou caluniar;
  3. Purificar o que entra pela boca: não comer carne, nem ingerir álcool;
  4. Venerar as mensagens divinas;
  5. Ser fiel ao seu cônjuge e manter a continência sexual, especialmente durante os jejuns;
  6. Auxiliar e consolar aqueles que sofrem;
  7. Evitar os falsos profetas;
  8. Não assustar, ferir, atormentar ou matar animais;
  9. Não roubar nem cometer fraude;
  10. Não praticar nenhuma magia ou feitiçaria;
Há um romance histórico escrito por Amin Maalouf, um jornalista libanês, que enfoca o nascimento do maniqueísmo. O livro, "Jardins de Luz", foi publicado pela Ed. Record e conta sobre a vida de Mani, desde que ele teria sido levado de junto e sua mãe para o convívio na comunidade dos "Vestes Brancas"...."Sufis".....
  
LIBERDADE PARA O MANIQUEÍSMO 
   "Para os maniqueus, havia duas divindades supremas a presidir o universo: o princípio do Bem e o do Mal – a luz e as trevas. Como consequência moral, afirmavam ter o homem duas almas. Cada uma presidida por um desses dois princípios. Logo, o mal é metafísico e ontológico. A pessoa não é livre nem responsável pelo mal que faz. Este lhe é imposto (OLIVEIRA:2008, p.15)."

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