"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



segunda-feira, 22 de julho de 2013

*Pneumatologia

Blasfêmia contra o Espírito Santo, o que é?
.

Por Denis Monteiro


O texto de Mateus 12.24-31 (cf. Marcos 3.28-29; Lucas 12.10) relata o caso de que os fariseus blasfemaram contra o Espírito Santo. A questão é: O que significa a blasfêmia contra o Espírito Santo? 

Em rápidas palavras tentarei mostrar as três interpretações mais aderidas, e assim, com base bíblica, mostrar a mais coerente. 

A primeira interpretação e a mais famosa (sendo interpretada no sentido isolado), é de que, tal blasfêmia é atribuir uma maravilha de Deus (um feito) a uma obra do Diabo ou de Belzebu como diz o texto. E se olharmos o texto, passando os olhos rapidamente, dar-se entender que essa interpretação é a mais correta (Mateus 12.26-28). Mas, creio eu, que tal interpretação fará com que voltemos no tempo e faremos ressurgir uma doutrina que foi rechaçada da igreja que se chama subordinacionismo. 

subordinacionismo ensina que o Pai é o único Deus, o Filho e o Espírito Santo são criaturas subordinadas[1]. Ou seja, que não se deve prestar a mesma honra ao Pai assim como se dá ao Filho e ao Espírito Santo. Então, se seguirmos este raciocínio, de que, se pecarmos contra o Espírito Santo não teremos perdão mas se pecarmos contra o Pai e o Filho podemos obter a salvação, logo, tal interpretação é injusta pois declara que o Espirito Santo é maior do que o Pai e/ou o Filho, sendo que, a salvação é uma obra Trinitariana (Efésios 1.4-14; 1Pe 1.2-5). A palavra blasfêmia faz referência a uma injuria e/ou calunia. Em Marcos 3.21 é dito que os parentes de Jesus O tivera por louco, ou como mostra o sentido grego (existemi) pensaram que Ele estivesse enfeitiçado. Ou seja, de um modo ou de outro os Seus parentes blasfemaram, e ainda assim, temos relatos bíblicos dos irmãos de Jesus sendo chamados de irmãos (na fé) (Gálatas 1.19; Judas 1). 

A segunda é de que tal blasfêmia é uma rejeição da salvação oferecida pelo Espirito Santo. F. Davidson diz:

"Este pecado,[é] a rejeição propositada de Cristo e sua salvação é o único que, pela natureza, priva o homem da possibilidade de perdão... A explicação é que o Espírito Santo é quem oferece a salvação ao coração do homem."[2]

Essa interpretação leva consigo uma complicação. Se blasfemar é recusar a salvação, como explicar o caso do apóstolo Paulo que diz: ainda que outrora eu era blasfemador, perseguidor, e injuriador; mas alcancei misericórdia, porque o fiz por ignorância, na incredulidade (1 Timóteo 1.13) (?). 

A terceira interpretação, e a mais coerente, quando olhamos para outros textos bíblicos, é de que, tal blasfêmia é uma apostasia. Apostasia tal, que acarreta uma série de evidências que os textos bíblicos mostram. O contexto da passagem não fala, somente, de uma incredulidade ou rejeição de Cristo. Os textos (Mateus 12.24-31; Marcos 3.28-29; Lucas 12.8-11) mostra que tal pessoa, que blasfema, tem o conhecimento de quem é Cristo e do poder do Espírito Santo, mostra uma rejeição deliberada dos fatos sobre Cristo[3]. Assim, como Hebreus 6.4-6 mostra, uma pessoa que teve um entendimento (photizo Hebreus 6.4), sentiram o sabor (geuomai Hebreus 6.4) e que estiveram em comunhão (metochos Hebreus 6.4) essas pessoas são impossíveis de serem perdoados. Calvino diz:

"...a razão pela qual a blasfêmia contra o Espírito supera outros pecados, não é que o Espírito é superior a Cristo, mas que aqueles que se rebelam, depois que o poder de Deus foi revelado, não pode ser dispensado sob a alegação de ignorância."[4]

Concluísse que os que blasfemam são aqueles que tiveram um pouco do conhecimento de Cristo, esses receberam muito açoites (Lucas 12.28) pois queremde novo crucificar o Filho de Deus, e o expor ao vitupério. Estes são como a terra que embebe a chuva, que muitas vezes cai sobre ela, e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada, recebe a bênção de Deus; Mas a que produz espinhos e abrolhos, é reprovada, e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada. (Hebreus 6.7-8; cf. Mateus 13.3-23). 
______________________
[1] A doutrina da Trindade
[2] Comentário Bíblico F. Davidson (programa Theword) 
[3] Grudem, Wayne A. Teologia Sistemática - São Paulo: Vida Nova. 1999. pg. 419
[4] Comentário Bíblico de João Calvino (programa Theword)

Fonte: Bereianos
.............................................................................................................................

 "Quem é o Espírito Santo?"

Resposta: 
Há muitos conceitos errôneos sobre a identidade do Espírito Santo. Alguns vêem o Espírito Santo como uma força mística. Outros entendem o Espírito Santo como sendo um poder impessoal que Deus disponibiliza aos seguidores de Cristo. O que diz a Bíblia a respeito da identidade do Espírito Santo? Colocando de forma simples – a Bíblia diz que o Espírito Santo é Deus. A Bíblia também nos diz que o Espírito Santo é uma Pessoa, um Ser com mente, emoções e uma vontade.

O fato do Espírito Santo ser Deus é claramente visto em muitas Escrituras, incluindo Atos 5:3-4. Neste verso Pedro confronta Ananias em por que ele tinha mentido para o Espírito Santo, e a ele diz “não mentiste aos homens, mas a Deus”. É uma declaração clara de que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus. Podemos também saber que o Espírito Santo é Deus porque Ele possui os atributos ou características de Deus. Por exemplo, a onipresença do Espírito Santo é vista em Salmos 139:7-8: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face? Se subir ao céu, lá tu estás; se fizer no inferno a minha cama, eis que tu ali estás também.” Em I Coríntios 2:10 vemos a característica de onisciência do Espírito Santo: “Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”

Podemos saber que o Espírito Santo é mesmo uma Pessoa porque Ele possui uma mente, emoções e vontade. O Espírito Santo pensa e sabe (I Coríntios 2:10). O Espírito Santo pode se entristecer (Efésios 4:30). O Espírito intercede por nós (Romanos 8:26-27). O Espírito Santo toma decisões de acordo com Sua vontade (I Coríntios 12:7-11). O Espírito Santo é Deus, a terceira “Pessoa” da Trindade. Como Deus, o Espírito Santo pode verdadeiramente agir como o Confortador e Consolador que Jesus prometeu que ele seria (João 14:16,26; 15:26).



 "É para o Cristão ser capaz de sentir o Espírito Santo?"

Resposta: 
Enquanto certos ministérios do Espírito Santo envolvem um "sentimento", tal como a convicção de pecado, conforto e receber Seu poder para fazer algo que Deus quer que façamos – as Escrituras não nos ensinam a basear nosso relacionamento com o Espírito Santo em como nos sentimos. Todo Cristão que é nascido de novo tem o Espírito Santo habitando dentro de si. Jesus nos disse que quando o Consolador viesse, Ele estaria conosco e em nós. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco, o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” (João 14:16-17). Em outras palavras, Jesus está mandando alguém como Ele mesmo para estar conosco e em nós.

Sabemos que o Espírito Santo está conosco porque a Palavra de Deus nos diz assim. Todo crente verdadeiramente nascido de novo é habitado pelo Espírito Santo, mas nem todo crente é "controlado" pelo Espírito santo; há uma diferença distinta entre os dois. Quando andamos na nossa carne, não estamos sob o controle do Espírito Santo, apesar de que ainda somos habitados por Ele. O Apóstolo Paulo comenta sobre essa verdade, e ele usa uma ilustração para nos ajudar a entender. “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Efésios 5:18). Muitas pessoas leem esse versículo e o interpretam como se o Apóstolo Paulo estivesse falando contra o vinho. No entanto, o contexto dessa passagem é a caminhada e a luta do crente que está cheio do Espírito Santo. Portanto, nesse versículo, há algo que vai mais além do que uma simples advertência contra beber muito vinho.

Quando pessoas estão bêbadas com muito vinho, elas exibem certas características: elas cambaleiam, o seu falar é arrastado e seu discernimento é prejudicado. O Apóstolo Paulo faz uma comparação aqui. Da mesma forma que há certas características que nos permitem enxergar quando alguém esta sob o controle de muito vinho, também deve haver certas características que nos permitem ver quando alguém está sob o controle do Espírito Santo. Lemos em Gálatas 5:22-24 sobre o "fruto" do Espírito. Esse é o Seu fruto, e é exibido pelo crente que é nascido de novo e que anda sob o controle do Espírito.

O tempo verbal em Efésios 5:18 indica um processo contínuo de estar cheio do Espírito Santo. Já que é uma exortação para estarmos “cheios do Espírito”, isso indica que também é possível que não estejamos "cheios" ou controlados pelo Espírito. O resto do capítulo 5 de Efésios nós dá as características de um Cristão cheio do Espírito Santo: "falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo" (Efésios 5:19-21).

Portanto, o crente que é nascido de novo não deve ser controlado por nada mais do que o Espírito Santo. Não somos cheios do Espírito porque "sentimos" que somos, mas porque esse é um privilégio e garantia que temos em Cristo. Ser cheio ou controlado pelo Espírito é o resultado de andar em obediência ao SENHOR. Esse é um presente da graça de Deus e não um sentimento emocional. Emoções podem e vão nos enganar – ao ponto que podemos entrar em um estado emocional de muito furor e ser puramente uma obra da carne e não do Espírito Santo. "Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito" (Gálatas 5:16,25).

Tendo dito isso, não podemos ignorar o fato de que em certos momentos podemos estar bem maravilhados pela presença e poder do Espírito, e isso é frequentemente uma experiência emocional. Quando isso acontece, é uma alegria incomum! O Rei Davi "dançava" de alegria (2 Samuel 6:14) quando trouxeram a Arca da Aliança para Jerusalém. Experimentar do gozo do Espírito é compreender que, como filhos de Deus, estamos sendo abençoados por Sua graça. Então, certamente, os ministérios do Espírito Santo podem envolver nossos sentimentos e emoções. Ao mesmo tempo, enquanto que o trabalho do Espírito Santo nas nossas vidas pode incluir um “sentimento”, não devemos basear nossa segurança de possessão do Espírito Santo em como nos sentimos.


"Qual foi o papel do Espírito Santo no Antigo Testamento?"

Resposta: 
O papel do Espírito Santo no Antigo Testamento é muito parecido com o seu papel no Novo Testamento. Quando falamos do papel do Espírito Santo, podemos discernir quatro áreas gerais nas quais o Espírito Santo trabalha: 1) regeneração, 2) habitação (ou enchimento), 3) contenção e 4) capacitação para o serviço. Evidências dessas áreas do trabalho do Espírito Santo são tão presentes no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento.

A primeira área do trabalho do Espírito está no processo de regeneração. Uma outra palavra para regeneração é "renascimento", do qual obtemos o conceito de “nascer de novo”. O texto de prova clássico para isto pode ser encontrado no evangelho de João: "Digo-lhe a verdade: Ninguém pode ver o Reino de Deus, se não nascer de novo" (João 3:3). Isso levanta a questão: o que isso tem a ver com a obra do Espírito Santo no Antigo Testamento? Mais tarde, em seu diálogo com Nicodemos, Jesus diz-lhe: "Você é mestre em Israel e não entende essas coisas?" (João 3:10). O ponto que Jesus estava destacando é que Nicodemos deveria saber a verdade de que o Espírito Santo é a fonte de vida nova porque isso é revelado no Antigo Testamento. Por exemplo, Moisés disse aos israelitas antes de entrar na Terra Prometida que "O Senhor, o seu Deus, dará um coração fiel a vocês e aos seus descendentes, para que o amem de todo o coração e de toda a alma e vivam" (Deuteronômio 30:6). Esta circuncisão do coração é a obra do Espírito de Deus e pode ser realizada somente por Ele. Vemos também o tema da regeneração em Ezequiel 11:19-20 e Ezequiel 36:26-29.

O fruto do trabalho regenerador do Espírito é a fé (Efésios 2:8). Agora sabemos que havia homens de fé no Antigo Testamento porque Hebreus 11 nomeia muitos deles. Se a fé é produzida pelo poder regenerador do Espírito Santo, então este deve ser o caso dos santos do Antigo Testamento, os quais olhavam adiante para a cruz, acreditando que o que Deus havia prometido em relação à sua redenção iria acontecer. Eles viram as promessas "de longe e de longe as saudaram" (Hebreus 11:13), aceitando pela fé que Deus realizaria o que prometera.

O segundo aspecto da obra do Espírito no Antigo Testamento é habitar, ou seja, encher. Aqui é onde a principal diferença entre os papéis do Espírito no Antigo e Novo Testamento é aparente. O Novo Testamento ensina a habitação permanente do Espírito Santo nos crentes (1 Coríntios 3:16-17; 6:19-20). Quando colocamos nossa fé em Cristo para a salvação, o Espírito Santo vem morar dentro de nós. O Apóstolo Paulo chama isso de habitação permanente, a "garantia da nossa herança" (Efésios 1:13-14). Em contraste com este trabalho no Novo Testamento, a habitação no Antigo Testamento era seletiva e temporária. O Espírito "apoderava-se" de certas pessoas do Antigo Testamento como Josué (Números 27:18), Davi (1 Samuel 16:12-13) e até Saul (1 Samuel 10:10). No livro de Juízes, vemos o Espírito "apoderando-se" dos vários juízes que Deus tinha levantado para libertar Israel de seus opressores. O Espírito Santo veio sobre estes indivíduos para tarefas específicas. A habitação era um sinal do favor de Deus sobre aquele indivíduo (no caso de Davi), e se o favor de Deus abandonava uma pessoa, o Espírito sairia (por exemplo, no caso de Saul em 1 Samuel 16:14). Finalmente, o Espírito "apoderando-se" de um indivíduo nem sempre indicava a condição espiritual da pessoa (por exemplo: Saul, Sansão e muitos dos juízes). Assim, enquanto no Novo Testamento o Espírito só habita os crentes e de uma forma permanente, o Espírito veio sobre certos indivíduos do Antigo Testamento para uma tarefa específica, independentemente da sua condição espiritual. Uma vez que a tarefa foi concluída, o Espírito presumivelmente saía dessa pessoa.

O terceiro aspecto da obra do Espírito no Antigo Testamento é a Sua contenção do pecado. Gênesis 6:3 parece indicar que o Espírito Santo restringe a pecaminosidade do homem, e que essa restrição pode ser removida quando a paciência de Deus sobre o pecado chegar a um "ponto de ebulição". Este pensamento é repetido em 2 Tessalonicenses 2:3-8, quando no fim dos tempos uma crescente apostasia vai sinalizar a vinda do juízo de Deus. Até o tempo predeterminado quando o "homem do pecado" (v. 3) será revelado, o Espírito Santo restringe o poder de Satanás e o soltará apenas quando fazê-lo cumprir os Seus propósitos.

O quarto e último aspecto da obra do Espírito no Antigo Testamento é a concessão da capacidade para o serviço. Muito parecido com a maneira em que os dons espirituais operam no Novo Testamento, o Espírito capacita certos indivíduos para o serviço. Considere o exemplo de Bezalel em Êxodo 31:2-5, o qual foi dotado para fazer muito do trabalho de arte relacionado com o Tabernáculo. Além disso, recordando a habitação seletiva e temporária do Espírito Santo discutida acima, vemos que estes indivíduos foram dotados para executar determinadas tarefas, assim como reinar sobre o povo de Israel (por exemplo, Saul e Davi).

Poderíamos mencionar também o papel do Espírito na criação. Gênesis 1:2 fala do Espírito "pairando sobre as águas" e superintendendo a obra da criação. De forma semelhante, o Espírito é responsável pela obra da nova criação (2 Coríntios 5:17) ao trazer pessoas ao reino de Deus através da regeneração.

Ao todo, o Espírito em grande parte realiza na nossa época atual as mesmas funções que nos tempos do Antigo Testamento. A principal diferença é a habitação permanente do Espírito nos crentes agora. Como Jesus disse a respeito dessa mudança no ministério do Espírito: "Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês" (João 14:17).


"O Espírito Santo pode em algum tempo abandonar o Cristão?"

Resposta: 
Colocado de forma simples, não, o Espírito Santo nunca abandonará um cristão. Essa verdade é revelada em muitas passagens diferentes no Novo Testamento. Por exemplo, Romanos 8:9 nos diz: “E, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” Esse versículo deixa bem claro que se alguém não tem o Espírito Santo habitando dentro de si, então ele/ela não é salvo; portanto, se o Espírito Santo fosse deixar um cristão, ele/ela teria perdido seu relacionamento com Cristo e perdido sua salvação. No entanto, isso é contrário ao que a Bíblia ensina sobre a “segurança eterna” dos cristãos. Um outro versículo que fala claramente da permanência da presença do Espírito Santo habitando na vida dos cristãos é João 14:16. Aqui Jesus fala que o Pai vai mandar um outro Consolador para que “esteja para sempre convosco”.

O fato de que o Espírito Santo nunca abandonará o cristão também é ensinado em Efésios 1:13-14, onde diz que os crentes são “selados” com o Espírito Santo: “o qual é o penhor da nossa herança, ao resgate da sua propriedade, em louvor da sua glória.” O retrato de ser selado com o Espírito Santo é um de posse e propriedade. Deus prometeu vida eterna aos que acreditam em Cristo, e como garantia de que cumprirá a Sua promessa, Ele enviou o Espírito Santo para habitar dentro de cada cristão até o dia da redenção. Da mesma forma que fazemos um pagamento como entrada em um carro ou casa, Deus providenciou aos cristãos um pagamento como entrada do seu relacionamento futuro com Ele ao ter enviado o Espírito Santo para habitá-los. O fato de que todos os crentes são selados com o Espírito Santo também é visto em 2 Coríntios 1:22 e Efésios 4:30.

Antes da morte, ressurreição e ascensão de Cristo aos Céus, o Espírito Santo tinha um relacionamento de “ir e vir” com as pessoas. O Espírito Santo habitou Saulo, mas depois Se retirou (1 Samuel 16:14). Ao invés, o Espírito veio a Davi (1 Samuel 16:13). Depois de seu adultério com Bate-Seba, Davi ficou com medo de que o Espírito ia Se retirar dele (Salmos 51:11). O Espírito Santo veio a Bezalel para capacitá-lo a produzir o que era necessário para o tabernáculo (Êxodo 31:2-5), mas isso não é descrito como um relacionamento permanente. Tudo isso mudou depois da ascensão de Cristo ao Céu. Começando com o dia de Pentecostes (Atos 2), o Espírito Santo começou a permanentemente habitar dentro dos crentes. A habitação permanente do Espírito Santo é o cumprimento da promessa de Deus de sempre estar conosco e de nunca nos abandonar.

Enquanto o Espírito Santo nunca abandonará um crente, é possível que o nosso pecado “apague o Espírito Santo” (1 Tessalonicenses 5:19) ou “entristeça o Espírito Santo” (Efésios 4:30). O pecado sempre tem consequências no nosso relacionamento com Deus. Embora o nosso relacionamento com Deus esteja seguro em Cristo, o pecado não confessado nas nossas vidas pode atrapalhar nossa comunhão com Deus e efetivamente apagar o trabalho do Espírito Santo em nossas vidas. Por isso é tão importante que confessemos nossos pecados, porque “Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9). Então, apesar de que o Espírito Santo nunca vai nos abandonar, os benefícios e a alegria de Sua presença podem, de fato, retirar-se de nós.


 "Quando / Como recebemos o Espírito Santo?"

Resposta: 
O Apóstolo Paulo claramente ensinou que recebemos o Espírito Santo no momento em que cremos em Jesus Cristo como nosso Salvador. I Coríntios 12:13 diz: “Pois todos nós fomos batizados em um Espírito, formando um corpo, quer judeus, quer gregos, quer servos, quer livres, e todos temos bebido de um Espírito.” Romanos 8:9 nos diz que se uma pessoa não tem o Espírito Santo, não pertence a Cristo: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” Efésios 1:13-14 nos ensina que o Espírito Santo é o selo da salvação para todo aquele que crê: “Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.”

Estas três Escrituras deixam claro que o Espírito Santo é recebido no momento da salvação. Paulo não poderia dizer que nós todos fomos batizados por um Espírito e que a todos foi dado um Espírito para beber se todos os crentes de Corinto não tivessem o Espírito Santo. Romanos 8:9 é ainda mais forte. Se uma pessoa não tem o Espírito, esta não pertence a Cristo. Por esta razão, possuir o Espírito é fator de identificação em ter ou não a salvação. Além disso, o Espírito Santo não poderia ser o “selo da salvação” (Efésios 1:13-14) se Ele não fosse recebido no momento da salvação. Inúmeras Escrituras deixam muitíssimo claro que a salvação é assegurada no momento no qual recebemos a Cristo como Salvador.

Esta discussão é polêmica porque há bastante confusão entre dois dos ministérios do Espírito Santo. Receber o Espírito Santo (ou seja, passar a ser por Ele habitado) ocorre no momento da salvação. Estar cheio do Espírito é um processo contínuo na vida Cristã. Enquanto defendemos a posição de que o batismo do Espírito também ocorre no momento da salvação, alguns Cristãos não veem assim. Isto às vezes resulta em confusão entre o Batismo do Espírito Santo e “receber o Espírito” como um ato subsequente à salvação. Concluindo, como recebemos o Espírito Santo? Recebemos o Espírito Santo simplesmente crendo no Senhor Jesus Cristo como nosso Salvador (João 3:5-16). Quando recebemos o Espírito Santo? O Espírito Santo se torna nossa posse permanente no momento em que cremos.


"Quais são os nomes e títulos do Espírito Santo?"

Resposta: 
O Espírito Santo é conhecido por muitos nomes e títulos, a maioria dos quais denota alguma função ou aspecto do Seu ministério. Abaixo estão alguns dos nomes e descrições que a Bíblia usa para o Espírito Santo:

Autor da Escritura:(2 Pedro 1:21, 2 Timóteo 3:16) A Bíblia é inspirada, literalmente "soprada por Deus", pelo Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade. O Espírito moveu os autores de todos os 66 livros para gravar exatamente o que Ele soprou em seus corações e mentes. Como um navio é movido pelas águas pelo vento em popa, assim os escritores bíblicos foram movidos pelo impulso do Espírito.

Consolador/Conselheiro/Ajudador:(Isaías 11:2, João 14:16, 15:26, 16:7) Todas as três palavras são traduções do grego parakletos, do qual temos "Paráclito", um outro nome para o Espírito. Quando Jesus foi embora, os discípulos ficaram muito tristes por terem perdido a Sua presença reconfortante. Entretanto, Ele prometera enviar o Espírito para confortar, consolar e orientar aqueles que pertencem a Cristo. O Espírito também "testifica" com os nossos espíritos que pertencemos a Ele e, assim, garante a nossa salvação.

Convencedor do Pecado:(João 16:7-11) O Espírito aplica as verdades de Deus às mentes dos homens a fim de convencê-los por argumentos justos e suficientes de que são pecadores. Ele faz isso através da convicção em nossos corações de que não somos dignos de estar diante de um Deus santo, de que precisamos de Sua justiça e de que a sentença é certa e virá a todos os homens um dia. Aqueles que negam essas verdades se rebelam contra a condenação do Espírito.

Depósito/ Selo/ Garantia:(2 Coríntios 1:22; 5:5, Efésios 1:13-14) O Espírito Santo é o selo de Deus sobre o Seu povo, Sua reivindicação sobre nós como pertencentes a Ele. O dom do Espírito para os crentes é uma entrada da nossa herança celestial, a qual Cristo nos prometeu e garantiu na cruz. É porque o Espírito nos selou que temos a certeza da nossa salvação. Ninguém pode quebrar o selo de Deus.

Guia:(João 16:13) Da mesma forma em que o Espírito guiou os escritores das Escrituras para registrar a verdade, assim Ele promete guiar os crentes a conhecer e compreender essa verdade. A verdade de Deus é "loucura" para o mundo, porque é "discernida espiritualmente" (1 Coríntios 2:14). Aqueles que pertencem a Cristo têm a habitação do Espírito que nos guia em tudo o que precisamos saber a respeito de assuntos espirituais. Aqueles que não pertencem a Cristo não têm um "intérprete" para orientá-los a conhecer e compreender a Palavra de Deus.

Habitador dos Crentes:(Romanos 8:9-11, Efésios 2:21-22, 1 Coríntios 6:19) O Espírito Santo habita nos corações do povo de Deus, e essa habitação é a característica distintiva da pessoa regenerada. De dentro dos crentes, Ele dirige, orienta, conforta e nos influencia, bem como produz em nós o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23). Ele fornece a conexão íntima entre Deus e Seus filhos. Todos os verdadeiros crentes em Cristo têm o Espírito residindo em seus corações.

Intercessor:(Romanos 8:26) Um dos aspectos mais encorajadores e confortantes do Espírito Santo é o Seu ministério de intercessão em nome daqueles em quem habita. Porque muitas vezes não sabemos o que ou como orar quando nos aproximamos de Deus, o Espírito intercede e ora por nós. Ele interpreta os nossos "gemidos", para que quando estivermos oprimidos e esmagados pelas provações e preocupações da vida, Ele se aproxime para prestar assistência assim como nos sustentar diante do trono da graça.

Revelador/Espírito da Verdade:(João 14:17, 16:13, 1 Coríntios 2:12-16) Jesus prometeu que, depois da ressurreição, o Espírito Santo viria "guiar em toda verdade". Por causa do Espírito em nossos corações, somos capazes de compreender a verdade, especialmente em assuntos espirituais, de uma maneira que os descrentes não podem. De fato, a verdade que o Espírito nos revela é "loucura" para eles, e não podem entendê-la. Entretanto, nós temos a mente de Cristo na Pessoa do Seu Espírito dentro de nós.

Espírito de Deus/o Senhor/Cristo:(Mateus 3:16, 2 Coríntios 3:17, 1 Pedro 1:11) Estes nomes nos ensinam que o Espírito de Deus é de fato parte da Santíssima Trindade e que é tanto Deus quanto o Pai e o Filho. Ele é o primeiro revelado a nós na criação, quando estava "pairando sobre as águas", denotando a Sua parte na criação, juntamente com a de Jesus, que "fez todas as coisas" (João 1:1-3). Vemos essa mesma Trindade de Deus novamente no batismo de Jesus, quando o Espírito desce sobre Jesus e a voz do Pai é ouvida.

Espírito de Vida:(Romanos 8:2) A frase "Espírito de vida" significa que o Espírito Santo é aquele que produz ou dá a vida, não o que inicia a salvação, mas sim o que concede novidade de vida. Quando recebemos a vida eterna por Cristo, o Espírito fornece o alimento espiritual que é o sustento da vida espiritual. Aqui, novamente, vemos o Deus trino trabalhando. Somos salvos pelo Pai através da obra do Filho, e essa salvação é sustentada pelo Espírito Santo.

Mestre:(João 14:26, 1 Coríntios 2:13) Jesus prometeu que o Espírito iria ensinar os seus discípulos "todas as coisas" e trazer à lembrança as coisas que disse enquanto ainda estava com eles. Os escritores do Novo Testamento foram movidos pelo Espírito para recordar e compreender as instruções que Jesus dera para a construção e organização da Igreja, as doutrinas sobre Si mesmo, as diretrizes para uma vida santa e a revelação das coisas futuras.

Testemunha:(Romanos 8:16, Hebreus 2:4; 10:15) O Espírito é chamado de "testemunha" porque verifica e atesta os fatos de que somos filhos de Deus, de que Jesus e os discípulos que realizaram milagres foram enviados por Deus e de que os livros da Bíblia são de inspiração divina. Além disso, ao dar os dons do Espírito aos crentes, Ele testemunha e confirma a nós e ao mundo que realmente pertencemos a Deus.



 "Como saber qual o meu dom espiritual?"

Resposta: 
Não há fórmula mágica ou “teste” para sabermos quais são nossos dons espirituais. O Espírito Santo distribui os dons como Ele mesmo determina (I Coríntios 12:7-11). Ao mesmo tempo, Deus não quer que sejamos ignorantes em como Ele quer que nós o sirvamos. O problema é que é muito fácil que fiquemos tão presos à idéia de dons espirituais que busquemos apenas servir a Deus na área em que sentimos ter um dom espiritual. Não é assim que os dons espirituais funcionam. Deus nos chama para servirmos a Ele com obediência. Ele nos equipará com qualquer dom ou dons que precisarmos para realizar a tarefa ou tarefas que Ele nos chamar a fazer.

Identificar nosso dom espiritual é algo que podemos conseguir de várias formas. “Testes” e avaliações, nos quais não podemos confiar totalmente, podem, entretanto, nos ajudar a compreender onde pode estar nosso dom. A confirmação por parte de outras pessoas também pode dar uma luz quanto ao nosso dom espiritual. Outras pessoas que nos vêem servindo ao Senhor podem freqüentemente identificar um dom espiritual em uso que nós mesmos não percebemos ou reconhecemos. A oração também é importante. A única pessoa que sabe exatamente como somos espiritualmente capacitados é o mesmo que nos capacita com dons: o Espírito Santo. Podemos pedir a Deus que nos mostre como somos capacitados, para que possamos melhor usar esses dons espirituais para Sua glória.

Sim, Deus chama alguns para serem professores e dá a eles o dom do ensino. Deus chama alguns para serem servos e os abençoa com o dom de generosidade. Entretanto, saber especificamente nosso dom espiritual não é desculpa para que não sirvamos a Deus em áreas fora de nosso dom. É então proveitoso saber que dons espirituais Deus nos deu? Claro que sim. É errado se concentrar tanto nos dons espirituais que perdemos outras oportunidades de servir a Deus? Sim! Se formos dedicados, com disposição para sermos usados por Deus, Ele nos equipará com os dons espirituais de que precisamos.

"Como posso estar cheio do Espírito Santo?"

Resposta: 
Um versículo chave que discute a plenitude do Espírito Santo neste tempo é João 14:16, onde Jesus prometeu que o Espírito habitaria os crentes em caráter permanente. É importante distinguir entre ter dentro de si o Espírito com estar cheio do Espírito. Ter permanentemente o Espírito habitando dentro de si não é para alguns poucos crentes, mas para todos. Há muitas referências nas escrituras que embasam esta conclusão. A primeira é que o Espírito Santo é um dom dado a todos os crentes em Jesus, sem exceção, e nenhuma condição é imposta a isto, a não ser a fé em Cristo (João 7:37-39). A segunda é que o Espírito Santo é dado no momento da salvação. Efésios 1:13 indica que o Espírito Santo é dado no momento da salvação. Gálatas 3:2 também enfatiza esta mesma verdade, dizendo que o selo e o ato de receber o Espírito aconteceram no momento em que se creu. Terceiro, o Espírito Santo habita em cada crente permanentemente. O Espírito Santo é dado aos crentes como garantia ou validação de sua futura glorificação em Cristo (II Coríntios 1:22; Efésios 4:30).

Isto está em contraste com o mandamento para estarmos cheios do Espírito encontrado em Efésios 5:18. Devemos ceder ao Espírito Santo de tal maneira que Ele possa nos possuir totalmente, e neste sentido, ficarmos plenos. Romanos 8:9 e Efésios 1:13-14 afirmam que Ele habita dentro de cada crente, mas que pode se entristecer (Efésios 4:30), e sua atividade dentro de nós pode se extinguir (I Tessalonicenses 5:19). Quando permitimos que isto aconteça, não experimentamos a plenitude da operação e poder do Espírito Santo, dentro e através de nós. Para estarmos plenos do Espírito, Ele deve ter liberdade para ocupar cada parte de nossas vidas, nos guiando e controlando. Seu poder, então, pode ser exercitado através de nós a fim de que o que façamos produza frutos para Deus. Estar cheio do Espírito não se aplica somente a atos externos; também se aplica aos pensamentos mais secretos e motivações para nossos atos. Salmos 19:14 diz: “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor, Rocha minha e Redentor meu!”

O pecado é o que nos separa de estarmos cheios do Espírito Santo, e a obediência a Deus é a maneira pela qual continuamos cheios do Espírito. Nosso foco deve ser a plenitude, como dito em Efésios 5:18, mas apesar disso, orar para estarmos cheios do Espírito Santo não é o que faz com que o sejamos. Somente nossa obediência aos mandamentos de Deus permite ao Espírito liberdade para trabalhar dentro de nós. Por sermos criaturas pecadoras, é impossível estarmos cheios do Espírito todo o tempo. Devemos lidar imediatamente com o pecado em nossas vidas, e assim renovar nosso compromisso em estarmos cheios do Espírito e por Ele guiados.

"Há dons miraculosos do Espírito hoje em dia?"

Resposta: 
Primeiramente, é importante reconhecer que esta não é uma questão de saber se Deus ainda faz milagres nos dias de hoje. Seria tolo e não-bíblico afirmar que Deus não cura as pessoas, não fala às pessoas e nem que faz sinais miraculosos e maravilhas nos dias de hoje. A questão é se os dons miraculosos do Espírito, descritos principalmente em I Coríntios capítulos 12 -14, ainda se encontram ativos na igreja de hoje. Esta também não é questão do Espírito Santo “poder” dar a alguém um dom miraculoso. A questão é “se” o Espírito Santo ainda dispensa os dons miraculosos nos dias de hoje. Acima de tudo, reconhecemos plenamente que o Espírito Santo é livre para dispensar dons de acordo com Sua vontade (I Coríntios 12:7-11).

No livro de Atos e nas Epístolas, a vasta maioria dos milagres é feita pelos apóstolos e seus companheiros. II Coríntios 12:12 nos dá a razão: “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas.” Se cada crente em Cristo fosse equipado com a habilidade de fazer sinais, prodígios e maravilhas, sinais, prodígios e maravilhas não poderiam, de modo algum, ser marcas que identificam um apóstolo. Atos 2:22 nos diz que Jesus foi “reconhecido” por “maravilhas, prodígios e sinais”. De modo parecido, os apóstolos foram “marcados” como genuínos mensageiros de Deus pelos milagres que faziam. Atos 14:3 descreve a mensagem do Evangelho sendo “confirmada” pelos milagres que Paulo e Barnabé faziam.

I Coríntios capítulos 12-14 lida principalmente com o assunto dos dons do Espírito. Parece, pelo texto, que aos cristãos “comuns”, às vezes eram dados dons milagrosos (12:8-10; 28-30). Não é dito a nós o quão comum isto era. Pelo que aprendemos acima, que os apóstolos eram “marcados” por sinais e maravilhas, poderia parecer que era exceção, e não regra, que os dons miraculosos fossem dados a cristãos “comuns”. Fora os apóstolos e seus colaboradores chegados, o Novo Testamento, em nenhum lugar, descreve especificamente pessoas exercendo os dons miraculosos do Espírito.

Também é importante saber que a igreja primitiva não possuía a Bíblia em sua totalidade, como temos hoje em dia (II Timóteo 3:16-17). Por isto, os dons de profecia, conhecimento, sabedoria, etc., eram necessários para que os cristãos primitivos soubessem o que Deus os faria fazer. O dom da profecia capacitava os crentes a comunicar novas verdades e revelações de Deus. Agora que a revelação de Deus é completa na Bíblia, os dons de “revelação” não se fazem mais necessários, pelo menos não na mesma capacidade como eram no Novo Testamento.

Deus miraculosamente cura as pessoas todos os dias. Deus ainda fala a nós nos dias de hoje, tanto com voz audível, ou em nossas mentes, ou através de impressões e sentimentos. Deus ainda faz milagres assombrosos, sinais e prodígios, e às vezes faz tais milagres através de um cristão. Entretanto, o que acaba de ser descrito não necessariamente diz respeito aos dons miraculosos do Espírito. O propósito principal dos dons miraculosos era provar que o Evangelho era verdadeiro e que os apóstolos eram verdadeiramente mensageiros de Deus. A Bíblia não diz de forma clara e direta que os dons miraculosos já cessaram, mas explica por que talvez não sejam mais necessários.



 "O que é a Cláusula filioque?"

Resposta: 
A cláusula filioque era, e ainda é, uma controvérsia na igreja em relação ao Espírito Santo. A pergunta é: de quem o Espírito Santo procedeu, do Pai, ou do Pai e Filho? A palavra "filioque" significa "e filho" em Latim. É chamada de cláusula filioque porque a frase "e filho" foi adicionada ao Credo Niceno, indicando que o Espírito Santo procedeu do Pai "e Filho". Houve tanta controvérsia por causa desse assunto que acabou culminando na separação das Igrejas Católica Romana e Ortodoxa em 1054 D.C. As duas igrejas ainda hoje não chegaram a um acordo sobre a cláusula filioque.

João 14:26 nos diz: "mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome....". João 15:26 nos diz: "Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim." Veja também João 14:16 e Filipenses 1:19. Essas passagens aparentam indicar que o Espírito é enviado pelos dois: Pai e Filho. O assunto que realmente importa é que a cláusula filioque é um desejo de proteger a divindade do Espírito Santo. A Bíblia ensina claramente que o Espírito Santo é Deus (Atos 5:3-4). Aqueles que se opõem à cláusula filioque acreditam que o Espírito Santo seja procedente do Pai e Filho; fazendo dEle "subserviente" ao Pai e Filho. Aqueles que defendem a cláusula filioque acreditam que o Espírito Santo procedendo do Pai e Filho não tenha nenhuma influência no fato de que Ele é igualmente Deus, assim como o Pai e Filho.

A controvérsia da cláusula filioque provavelmente é um aspecto da pessoa de Deus que nunca poderemos compreender completamente. Deus, sendo um ser infinito, é essencialmente incompreensível a nós, seres humanos e finitos. O Espírito Santo é Deus.... e Ele foi enviado por Deus como a "substituição" de Cristo aqui na terra. Quer o Espírito Santo tenha sido enviado pelo Pai, ou pelo Pai e Filho – isso provavelmente não pode ser respondido, nem há uma necessidade de ser respondido. A cláusula filioque provavelmente vai continuar sendo uma controvérsia.



"Qual é o papel do Espírito Santo em nossas vidas hoje?"

Resposta: 
De todos os presentes que Deus tem dado à humanidade, não há um maior do que a presença do Espírito Santo. O Espírito tem muitas funções, papéis e atividades. Primeiro, Ele trabalha nos corações de todas as pessoas em todos lugares. Jesus disse aos seus discípulos que enviaria o Espírito ao mundo para convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:7-11). Todas as pessoas têm uma consciência de que Deus existe, quer admitam ou não, pois o Espírito aplica as verdades de Deus às mentes dos homens para convencê-los com argumentos suficientes e justos de que são pecadores. Responder a essa convicção leva os homens à salvação.

Quando somos salvos e pertencemos a Deus, o Espírito passa a residir em nossos corações para sempre, selando-nos com a promessa que confirma, certifica e assegura nosso estado eterno como Seus filhos. Jesus disse que enviaria o Espírito para ser nosso Consolador, Conselheiro e Guia. “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco” (João 14:16). A palavra grega traduzida como “consolador” significa um que é chamado para o lado de alguém, e dá a ideia de alguém que encoraja e exorta. A palavra para “esteja” tem a ver com sua residência permanente nos corações dos crentes (Romanos 8:9; 1 Coríntios 6:19, 20; 12:13). Jesus enviou o Espírito como uma “compensação” por Sua ausência, para executar as funções que Ele mesmo teria executado se tivesse permanecido pessoalmente conosco.

Uma dessas funções é revelar a verdade. A presença do Espírito dentro de nós nos capacita a entender e interpretar a Sua Palavra. Jesus disse aos seus discípulos: “quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” (João 16:13). Ele revela a nossas mentes o conselho completo de Deus em relação ao louvor, doutrina e vida cristã. Ele é o verdadeiro guia, indo na nossa frente, mostrando o caminho, removendo os obstáculos, abrindo as portas para o entendimento e fazendo todas as coisas claras e evidentes. Ele nos mostra o caminho que devemos seguir em todas as coisas espirituais. Sem um guia assim, seríamos propensos a cair em erro. Uma parte crucial da verdade que Ele revela é que Jesus é quem disse ser (João 15:26; 1 Coríntios 12:3). O Espírito nos convence da divindade e procedência de Cristo, assim como de Sua encarnação, de Sua identidade como o Messias, de Seus sofrimentos e morte, de Sua ressurreição e ascensão, de Sua exaltação à mão direita de Deus e de Sua função como o Juiz de tudo. Ele dá glória a Cristo em tudo (João 16:14).

Uma outra parte de sua função é distribuir dons. 1 Coríntios 12 descreve os dons espirituais outorgados aos crentes para que possamos funcionar como o corpo de Cristo na terra. Todos esses dons, grandes e pequenos, são dados pelo Espírito para que possamos ser Seus embaixadores ao mundo, mostrando Sua graça e glorificando a Ele.

O Espírito também funciona como o produtor de fruto em nossas vidas. Quando Ele habita em nós, Ele começa o processo de colher fruto em nossas vidas - amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gálatas 5:22-23). Esses não são frutos da carne, que é incapaz de produzir tal fruto, mas são os produtos da presença do Espírito em nossas vidas.

O conhecimento de que o Espírito Santo de Deus passou a residir em nossas vidas, que Ele executa todas essas funções tão milagrosas, que Ele habita conosco para sempre e nunca vai nos abandonar ou deixar – tudo isso é motivo de grande alegria e conforto. Graças a Deus por esse Presente tão precioso – o Espírito Santo e Seu trabalho em nossas vidas!


 "Cair no Espírito é bíblico?"

Resposta: 
A ideia de “cair no Espírito” é quando um pastor impõe as mãos sobre alguém e essa pessoa cai no chão, supostamente dominada pelo poder do Espírito. Os que praticam "cair no Espírito" usam passagens bíblicas que falam de pessoas tornando-se "como morto" (Apocalipse 1:17), ou caindo sobre o próprio rosto (Ezequias 1:28; Daniel 8:17-18; Daniel 10:7-9). No entanto, há vários contrastes entre os exemplos bíblicos de "cair sobre o próprio rosto" e a prática de "cair no Espírito".

1. Biblicamente falando, cair no chão era o resultado da reação de uma pessoa ao que tinha visto em uma visão, quando ia muito além de acontecimentos comuns, tal como a transfiguração de Cristo (Mateus 17:6). Na prática não-bíblica de "cair no Espírito", essa pessoa responde ao "toque" de uma outra pessoa ou ao movimento do braço do pastor.

2. Os exemplos bíblicos foram bem raros, de tal forma que aconteciam apenas nas vidas de uns poucos. No fenômeno de "cair no Espírito", cair no chão é um evento semanal naquelas igrejas e essa experiência acontece com muitos.

3. Nos exemplos bíblicos, as pessoas caíam sobre o próprio rosto quando maravilhadas pelo que viam ou por Quem viam. Na farsa de "cair no Espírito", elas caem para trás, ou em resposta ao movimento do braço do orador, ou como resultado do toque de um líder da igreja (ou empurrão, em alguns casos).

Não estamos clamando que todos os exemplos de "cair no Espírito" sejam falsos ou apenas uma resposta a um toque ou empurrão. Muitas pessoas sentem uma energia ou uma força que as leva a cair para trás. No entanto, não achamos nenhuma base bíblica para esse conceito. Sim, talvez haja uma energia ou força envolvida, mas se esse for o caso, provavelmente não vem de Deus e não é o resultado do trabalho do Espírito Santo.

Infelizmente, muitas pessoas buscam essas falsificações estranhas que não produzem fruto espiritual nenhum, ao invés de buscarem o fruto prático que o Espírito distribui com o propósito de glorificar a Cristo com nossas vidas (Gálatas 5:22-23). Ser cheio do Espírito não é evidenciado por tais farsas, mas sim por uma vida que transborda com a Palavra de Deus de tal forma que a pessoa esteja sempre cheia de cânticos espirituais e de gratidão a Deus. Que Efésios 5:18-20 e Gálatas 5:22-23 sejam um retrato das nossas vidas!


 "É falar em línguas evidência de ter o Espírito Santo?"

Resposta: 
Há três ocasiões no livro de Atos em que falar em línguas era acompanhado pelo recebimento do Espírito Santo (Atos 2:4; 10:44-46; 19:6). No entanto, essas três ocasiões são os únicos lugares na Bíblia onde falar em línguas era uma evidência de receber o Espírito Santo. Por todo o livro de Atos, milhares de pessoas acreditaram em Jesus e nada é dito deles falando em línguas (Atos 2:41; 8:5-25; 16:31-34; 21:20). O Novo Testamento não ensina em lugar algum que falar em línguas seja a única evidência de que uma pessoa recebeu o Espírito Santo. Na verdade, o Novo Testamento ensina o contrário. Somos ensinados que todo Cristão tem o Espírito Santo (Romanos 8:9; 1 Coríntios 12:13; Efésios 1:13-14), mas que nem todo Cristão fala em línguas (1 Coríntios 12:29-31).

Então, por que falar em línguas era a evidência do Espírito Santo naquelas três passagens em Atos? Atos capítulo 2 registra os apóstolos sendo batizados no Espírito Santo e recebendo o Seu poder para proclamar o Evangelho. Os Apóstolos eram capazes de falar em outras linguagens (línguas) para que pudessem compartilhar a verdade com as outras pessoas em suas próprias linguagens. Atos capítulo 10 registra o Apóstolo Pedro sendo enviado a compartilhar o Evangelho com pessoas que não eram judaicas. Pedro e os outros Cristãos primitivos, sendo judeus, teriam dificuldade em aceitar gentios (pessoas que não eram judaicas) na igreja. Deus capacitou os gentios a falarem em línguas para demonstrar que eles tinham recebido o mesmo Espírito Santo que os Apóstolos tinham recebido (Atos 10:47; 11:17).

Atos 10:44-47 descreve: “Ainda Pedro falava estas coisas quando caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, que vieram com Pedro, admiraram-se, porque também sobre os gentios foi derramado o dom do Espírito Santo; pois os ouviam falando em línguas e engrandecendo a Deus. Então, perguntou Pedro: ‘Porventura, pode alguém recusar a água, para que não sejam batizados estes que, assim como nós, receberam o Espírito Santo?’” Mais tarde Pedro se refere a esta ocasião como prova de que Deus estava realmente salvando os gentios (Atos 15:7-11).

Falar em línguas em nenhum lugar da Bíblia é apresentado como um dom pelo qual todos os Cristãos devem esperar receber quando aceitam Jesus Cristo como seu Salvador e são, portanto, batizados no Espírito Santo. Na verdade, de todos os registros de conversões no Novo Testamento, apenas dois têm em seu contexto o falar em línguas. Falar em línguas era um dom milagroso que tinha um propósito específico por um certo período de tempo. Não era, e nunca foi, a evidência do recebimento do Espírito Santo.


"Devemos adorar o Espírito Santo?"

Resposta: 
Sabemos que só Deus deve ser adorado. Só Deus exige adoração, e só Deus merece adoração. A questão de se devemos adorar o Espírito Santo só pode ser respondida ao se determinar se o Espírito é Deus. Ao contrário das ideias de algumas seitas, o Espírito Santo não é apenas uma "força", mas uma personalidade. Ele é referido em termos pessoais (João 15:26; 16:7-8, 13-14). Ele age como um Ser com personalidade atuaria - Ele fala (1 Timóteo 4:1), Ele ama (Romanos 15:30), Ele ensina (João 14:26), Ele intercede (Romanos 8:26) e assim por diante.

O Espírito Santo possui a natureza da divindade - Ele compartilha os atributos de Deus. Ele não é nem angélico nem humano na sua essência. Ele é eterno (Hebreus 9:14). Ele é onipresente (Salmo 139:7-10). O Espírito é onisciente, isto é, Ele sabe de "todas as coisas, até mesmo as coisas mais profundas de Deus" (1 Coríntios 2:10-11). Ele ensinou aos apóstolos "todas as coisas" (João 14:26). Ele estava envolvido no processo de criação (Gênesis 1:2). O Espírito Santo é mencionado em associação íntima com o Pai e o Filho (Mateus 28:19, João 14:16). Como pessoa, pode-se mentir ao Espírito (Atos 5:3-4) e entristecê-lo (Efésios 4:30). Além disso, algumas passagens do Antigo Testamento que são atribuídas a Deus são aplicadas ao Espírito no Novo Testamento (ver Isaías 6:8 com Atos 28:25 e Êxodo 16:7 com Hebreus 3:7-9).

Uma Pessoa divina é digna de adoração. Deus é "digno de louvor" (Salmo 18:3). Deus é Grande e "digno de todo louvor" (Salmo 48:1). Somos ordenados a adorar a Deus (Mateus 4:10, Apocalipse 19:10; 22:9). Se, então, o Espírito é divindade, a terceira pessoa do nosso trino Deus, Ele é digno de adoração. Filipenses 3:3 nos diz que os verdadeiros crentes, aqueles cujos corações foram circuncidados, adoram a Deus pelo Espírito e se gloriam e alegram em Cristo. Aqui está uma bela imagem de adoração de todos os três membros da Trindade.

Como devemos adorar o Espírito Santo? Da mesma forma que adoramos o Pai e o Filho. O louvor cristão é espiritual, decorrente do trabalho interior do Espírito Santo ao qual respondemos quando oferecemos nossas vidas a Ele (Romanos 12:1). Adoramos o Espírito através de obediência aos Seus mandamentos. Referindo-se a Cristo, o apóstolo João explica que "Os que obedecem aos seus mandamentos permanecem nele, e ele neles. Deste modo sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu" (1 João 3:24). Vemos aqui a ligação entre obedecer a Cristo e o Espírito Santo que habita em nós, convencendo-nos de todas as coisas -- especialmente a nossa necessidade de adoração através de obediência -- e a nossa capacitação para a adoração.

A adoração é em si uma função do Espírito. Jesus diz que devemos adorar "em espírito e em verdade" (João 4:24). Os verdadeiramente espirituais são aqueles habitados pelo Espírito que testifica a nós que pertencemos a Ele (Romanos 8:16). Sua presença em nossos corações nos permite retornar adoração a Ele no Espírito. Estamos nEle assim como Ele está em nós, assim como Cristo está no Pai e o Pai está em nós através do Espírito (João 14:20, 17:21).


 "O que é o selo do Espírito Santo?"

Resposta: 
O Espírito Santo é referido como o "penhor", "selo" e "garantia" no coração dos cristãos (2 Coríntios 1:22; 5:5, Efésios 1:13-14; 4:30). O Espírito Santo é o selo de Deus sobre o Seu povo, a Sua reivindicação sobre nós como pertencentes a Ele. A palavra grega traduzida como "garantia" nestas passagens é arrhabōn que significa "penhor, entrada", isto é, parte do dinheiro de compra ou de propriedade dada antecipadamente como garantia para o resto. O dom do Espírito para os crentes é um sinal da nossa herança celestial que Cristo nos prometeu e garantiu na cruz. É porque o Espírito nos selou que temos a certeza da nossa salvação. Ninguém pode quebrar o selo de Deus.

O Espírito Santo é dado aos crentes como uma "primeira parcela" para assegurar-nos de que a nossa plena herança como filhos de Deus será entregue. O Espírito Santo nos é dado para confirmar que pertencemos a Deus, o qual nos concede o Seu Espírito como um dom, assim como Sua graça e fé são dons (Efésios 2:8-9). Através do dom do Espírito, Deus renova e nos santifica. Ele produz em nossos corações os sentimentos, esperanças e desejos que são evidência de que somos aceitos por Deus, que somos considerados Seus filhos adotivos, que a nossa esperança é genuína e que a nossa redenção e salvação são certas da mesma forma que um selo garante um testamento ou acordo. Deus concede-nos o Seu Espírito Santo como o penhor certo de que somos Seus para sempre e seremos salvos no último dia. A prova da presença do Espírito é a Sua transformação no coração que produz o arrependimento, o fruto do Espírito (Gálatas 5:22-23), a conformidade com os mandamentos e vontade de Deus, uma paixão pela oração e louvor, assim como amor pelo Seu povo. Essas coisas são as evidências de que o Espírito Santo renovou o coração e que o cristão está selado para o dia da redenção.

Por isso, é através do Espírito Santo, Seus ensinamentos e poder orientador que somos selados e confirmados até o dia da redenção, completos e livres da corrupção do pecado e da morte. Porque temos o selo do Espírito em nossos corações, podemos viver com alegria, confiantes de nosso lugar certo em um futuro que contém glórias inimagináveis.


"O Espírito Santo é um 'Ele', 'Ela' ou 'algo', ou seja, masculino, feminino ou neutro?"

Resposta: 
Um erro comum cometido em relação ao Espírito Santo encontra-se em referir-se ao Espírito como "algo", o que a Bíblia nunca faz. O Espírito Santo é uma pessoa. Ele tem os atributos de personalidade, executa as ações de pessoas e tem relações pessoais. Ele tem entendimento (1 Coríntios 2:10-11). Ele sabe das coisas, o que requer um intelecto (Romanos 8:27). Ele tem uma vontade (1 Coríntios 12:11). Ele convence do pecado (João 16:8). Ele faz milagres (Atos 8:39). Ele guia (João 16:13). Ele intercede entre as pessoas (Romanos 8:26). Ele é para ser obedecido (Atos 10:19-20). Pode-se mentir a Ele (Atos 5:3), resisti-lo (Atos 7:51), entristecê-lo (Efésios 4:30), blasfemá-lo (Mateus 12:31) e até mesmo insultá-lo (Hebreus 10:29). Ele se relaciona com os apóstolos (Atos 15:28) e com cada membro da Trindade (João 16:14, Mateus 28:19, 2 Coríntios 13:14). A personalidade do Espírito Santo é apresentada sem qualquer dúvida na Bíblia, mas qual o seu sexo?

Linguisticamente, é claro que a terminologia teísta masculina domina as Escrituras. Ao longo de ambos os testamentos, as referências a Deus usam pronomes masculinos. Os nomes específicos de Deus (ex: Yahweh, Elohim, Adonai, Kurios, Theos, etc.) estão todos no gênero masculino. Deus nunca recebe um nome feminino e nunca é mencionado com pronomes femininos. O Espírito Santo é mencionado no masculino em todo o Novo Testamento, embora a palavra para "espírito" por si só (pneuma) seja na verdade neutra. A palavra hebraica para "espírito" (ruach) é feminina em Gênesis 1:2. Entretanto, o gênero de uma palavra em grego ou hebraico não tem nada a ver com a identidade do gênero.

Teologicamente falando, já que o Espírito Santo é Deus, podemos fazer algumas afirmações sobre Ele a partir de afirmações gerais sobre Deus. Deus é espírito, em oposição ao físico ou material. Deus é invisível e espírito (ou seja, sem corpo) - (João 4:24, Lucas 24:39; Romanos 1:20, Colossenses 1:15, 1 Timóteo 1:17). É por isso que nenhuma coisa material jamais podia ser usada para representar Deus (Êxodo 20:4). Se o gênero é um atributo do corpo, então um espírito não tem sexo. Deus, em Sua essência, não tem sexo.

As identificações do gênero de Deus na Bíblia não são unânimes. Muitas pessoas pensam que a Bíblia apresenta Deus em termos exclusivamente masculinos, mas esse não é o caso. O livro de Jó retrata Deus dando à luz e Isaías o retrata como uma mãe. Jesus descreveu o Pai sendo como uma mulher em busca de uma moeda perdida em Lucas 15 (e Ele mesmo como uma "galinha" em Mateus 23:37). Em Gênesis 1:26-27 Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”, e então “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Assim, a imagem de Deus era masculina e feminina - e não apenas uma ou a outra. Isso é confirmado em Gênesis 5:2, o qual pode ser traduzido literalmente como "Ele os criou homem e mulher; quando foram criados, ele os abençoou e os chamou de Adão." O termo hebraico "adão" significa "homem" - com o contexto mostrando se significa "homem" (em oposição à mulher) ou "humanidade" (no sentido coletivo). Portanto, em qualquer grau que a humanidade seja feita à imagem de Deus, o gênero não é um problema.

No entanto, o retrato masculino na revelação não é sem significado. A segunda vez que foi especificamente dito que Deus se revelava através de uma imagem física foi quando Jesus recebeu o pedido de mostrar o Pai aos discípulos em João capítulo 14. Ele responde no versículo 9, dizendo: "Quem me vê, vê o Pai." Paulo deixa claro que Jesus era a imagem exata de Deus em Colossenses 1:15 ao chamar Jesus de "a imagem do Deus invisível." Este versículo é colocado em uma seção que demonstra a superioridade de Cristo sobre toda a criação. A maioria das religiões antigas acreditava num panteão - deuses e deusas - que era digno de adoração. No entanto, uma das marcas distintivas do Cristianismo judaico é a sua crença em um Criador supremo. A linguagem masculina melhor exemplifica esta relação do criador com a criação. Assim como um homem entra em uma mulher para engravidá-la, assim Deus cria o universo ao invés de criá-lo de dentro de si mesmo. . . Assim como uma mulher não pode engravidar a si mesma, da mesma forma o universo não pode criar a si mesmo. Paulo transmite essa ideia em 1 Timóteo 2:12-14 quando se refere à ordem da criação como um modelo para a ordem da igreja.

No final, qualquer que seja a nossa explicação teológica, o fato é que Deus usou exclusivamente termos masculinos para se referir a si mesmo e quase que exclusivamente terminologia masculina em metáforas. Por meio da Bíblia Ele nos ensinou a como nos dirigirmos a Ele, e isso foi em termos relacionais masculinos. Assim, embora o Espírito Santo não seja nem masculino nem feminino em sua essência, Ele é devidamente mencionado no masculino em virtude de Sua relação com a criação e revelação bíblica. Não há absolutamente nenhuma base bíblica para enxergar o Espírito Santo como o membro "feminino" da Trindade.


  "Existe uma lista bíblica de dons espirituais?"

Resposta: 
Na verdade, existem três listas bíblicas dos "dons do Espírito", também conhecidos como dons espirituais. As três principais passagens que descrevem os dons espirituais são Romanos 12:6-8, 1 Coríntios 12:4-11 e 1 Coríntios 12:28. Os dons espirituais identificados em Romanos 12 são profetizar, servir, ensinar, incentivar, dar, liderança e misericórdia. A lista em 1 Coríntios 12:4-11 inclui a palavra de sabedoria, a palavra de conhecimento, fé, cura, poderes miraculosos, profecia, discernimento dos espíritos, falar em línguas e a interpretação de línguas. A lista em 1 Coríntios 12:28 inclui curar, ajuda, governos, variedade de línguas. Uma breve descrição de cada dom segue:

Profecia - A palavra grega traduzida como "profetizar" ou "profecia" em ambas as passagens corretamente significa "proclamar" ou declarar a vontade divina, interpretar os propósitos de Deus, ou tornar conhecida de forma alguma a verdade de Deus que é projetada para influenciar as pessoas. A ideia de predizer o futuro foi adicionada em algum momento da Idade Média e é uma contradição de outras passagens bíblicas que condenam adivinhação ou predizer o futuro (Atos 16:16-18).

Servir - Também conhecida como "ministério", a palavra grega diakonian, da qual obtemos a palavra "diácono", significa um serviço de qualquer espécie, a aplicação generalizada de uma ajuda concreta às pessoas necessitadas.

Ensinar - Este dom envolve a análise e a proclamação da Palavra de Deus, explicando o seu significado, contexto e aplicação à vida do ouvinte. O mestre talentoso é aquele que tem a capacidade especial de instruir e comunicar conhecimento de forma clara, especificamente as doutrinas da fé.

Encorajamento - Também chamado de "exortação", este dom é evidente naqueles que consistentemente encorajam outras pessoas a prestar atenção e seguir a verdade de Deus. Isso pode envolver correção ou edificar outras pessoas através do reforço da fé fraca ou do conforto durante tribulações.

Repartir – Ter o dom de repartir se aplica àqueles que alegremente compartilham o que têm com os outros, quer seja de forma material, financeira, ou o seu tempo e atenção pessoal. O doador se preocupa com as necessidades dos outros e procura oportunidades de compartilhar os bens, dinheiro e tempo conforme a necessidade surja.

Liderança - O líder talentoso é aquele que governa, preside ou tem a gestão de outras pessoas na igreja. A palavra significa literalmente "guia" e traz consigo a ideia de alguém que dirige um navio. O que possui o dom de liderança governa com sabedoria e graça e exibe o fruto do Espírito em sua vida ao liderar com o próprio exemplo.

Misericórdia - Intimamente ligado com o dom de encorajamento, o dom de misericórdia é óbvio naqueles que são compassivos com pessoas que estão em angústia, mostrando simpatia e sensibilidade juntamente com o desejo e os recursos para diminuir seu sofrimento de uma maneira afável e alegre.

Palavra de sabedoria - O fato de que este dom é descrito como a "palavra" de sabedoria indica que é um dos dons de falar. Este dom descreve alguém que pode compreender e proclamar a verdade bíblica de tal forma a aplicá-la habilmente a situações da vida com todo o discernimento.

Palavra de conhecimento - Este é um outro dom de falar que envolve compreender a verdade com um entendimento que só vem por revelação de Deus. Aqueles com o dom do conhecimento entendem as coisas profundas de Deus e os mistérios de Sua Palavra.

Fé - Todos os crentes possuem fé em alguma medida porque é um dos dons do Espírito concedidos a todos os que vêm a Cristo por fé (Gálatas 5:22-23). O dom espiritual da fé é exibido por aquele que possui uma forte e inabalável confiança em Deus, sua Palavra, suas promessas e o poder da oração para efetuar milagres.

Cura - Embora Deus ainda cure hoje, a capacidade dos homens para produzir curas milagrosas pertencia aos apóstolos da igreja do primeiro século com o propósito de afirmar que sua mensagem era de Deus. Os cristãos de hoje não têm o poder de curar os doentes ou ressuscitar os mortos. Se tivessem, os hospitais e necrotérios estariam cheios dessas pessoas "dotadas" esvaziando as camas e caixões em toda parte.

Poderes miraculosos - Também conhecido como a operação de milagres, este é um outro temporário dom de sinal que envolvia a realização de eventos sobrenaturais que só poderiam ser atribuídos ao poder de Deus (Atos 2:22). Este dom foi exibido por Paulo (Atos 19:11-12), Pedro (Atos 3:6), Estêvão (Atos 6:8), Filipe (Atos 8:6-7), entre outros.

Distinguir (discernir) os espíritos - Algumas pessoas possuem a habilidade única para distinguir a verdadeira mensagem de Deus da do enganador, Satanás, cujos métodos incluem doutrina enganosa e errada. Jesus disse que muitos viriam em seu nome e enganariam a muitos (Mateus 24:4-5), mas o dom de discernir espíritos é dado à Igreja para protegê-la de falsos mestres.

Falar em línguas - O dom de línguas é um dos temporários "dons de sinais" dados à Igreja primitiva para permitir que o evangelho fosse pregado em todo o mundo a todas as nações e em todas as línguas conhecidas. Envolvia a capacidade divina de falar em línguas até então desconhecidas ao falante. Este dom autenticava a mensagem do evangelho e aqueles que a pregavam como provenientes de Deus. A frase "diversidade de línguas" ou "diferentes tipos de línguas" efetivamente elimina a ideia de uma "linguagem de oração pessoal" como um dom espiritual.

Interpretação de línguas - Uma pessoa com o dom de interpretação de línguas podia entender o que o falador em línguas estava dizendo embora não conhecesse a língua que estava sendo falada. O intérprete de línguas então comunicaria a mensagem do falador para todos os outros, para que todos pudessem entender.

Ajuda – Esse dom é intimamente relacionado com o dom de misericórdia. Aqueles com o dom de ajuda são os que podem ajudar ou prestar assistência a outros na igreja com compaixão e graça. Isso tem uma ampla gama de possibilidades de aplicação. Mais importante, esta é a capacidade especial de identificar aqueles que estão lutando com dúvidas, medos e outras batalhas espirituais; de se aproximar daqueles em necessidade espiritual com uma palavra gentil e uma atitude compreensiva e compassiva; de falar verdade bíblica que seja ao mesmo tempo convencedora e amorosa.


 "A quem devemos orar: ao Pai, ao Filho ou ao Espírito Santo?"

Resposta: 
Toda oração deve ser direcionada ao Deus triúno – Pai, Filho e Espírito Santo. A Bíblia ensina que podemos orar a um ou aos três, porque os três são Um. Ao Pai, oramos com o salmista: “Atende à voz do meu clamor, Rei meu e Deus meu, pois a ti orarei” (Salmos 5:2). Ao Senhor Jesus, oramos da mesma forma que oramos ao Pai, porque eles são iguais. Oração a um dos membros da Trindade é oração a todos. Estêvão, enquanto estava sendo martirizado, orou: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito!” (Atos 7:59). Também devemos orar no nome de Cristo. Paulo exortou os crentes da igreja de Éfeso a sempre dar “graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5:20). Jesus assegurou aos seus discípulos que qualquer coisa que pedissem em Seu nome – quer dizer, Sua vontade – seria concedido (João 15:16; 16:23). Semelhantemente, devemos orar ao Espírito Santo e em Seu poder. Paulo pediu ao Espírito que unisse os corações dos crentes da igreja de Corinto (2 Coríntios 13:14). Além disso, o Espírito nos ajuda a orar mesmo quando não sabemos como ou pelo que pedir (Romanos 8:26; Judas 1:20). Talvez a melhor forma de entender o papel da Trindade em relação à oração é que oramos ao Pai, através do Filho, pelo poder do Espírito Santo. Todos os três são participantes ativos na oração do crente.

De igual importância é a quem não devemos orar. Algumas religiões não-Cristãs encorajam seus seguidores a orar ao panteão de deuses, parentes mortos, santos e espíritos. Católicos Romanos são ensinados a orarem a Maria e a vários outros santos, como Pedro. Tais orações não são bíblicas, são contra a vontade de Deus e são, na verdade, uma ofensa ao nosso Pai Celestial. Para entender o porquê, precisamos estudar a natureza da oração. Oração tem vários elementos e se estudarmos apenas dois – louvor e ação de graças – podemos ver que oração é, em sua própria essência, adoração. Quando louvamos a Deus, estamos louvando a Ele por Seus atributos e Seu trabalho em nossas vidas e no mundo. Quando oferecemos orações de ação de graças, estamos adorando Sua bondade,misericórdia e ternura para conosco. Adoração dá glória a Deus, o Único que realmente merece ser glorificado. O problema em orar a qualquer outra pessoa que não seja Deus é que Deus é um Deus zeloso e tem declarado que não vai dividir Sua glória com ninguém. Na verdade, fazer isso é nada menos do que pura idolatria. “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura” (Isaías 42:8).

Outros elementos de oração – tais como arrependimento, confissão e petição – também são formas de louvor. Arrependemo-nos sabendo que Deus é um Deus que perdoa e é amoroso, e que Ele tem providenciado um meio de perdão através do sacrifício do Seu Filho na cruz. Confessamos nossos pecados porque sabemos que “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9) e louvamos a Deus por isso. Aproximamo-nos dEle com nossas súplicas e intercessões porque sabemos que Ele nos ama e nos escuta, e louvamos a Ele por Sua misericórdia e bondade em estar disposto a escutar e responder às orações. Quando consideramos tudo isso, é fácil ver que orar a alguém que não seja ao Deus triuno é impensável porque oração é uma forma de adoração, e adoração deve ser reservada a Deus e apenas Deus.


Fonte: 


.............................................................................................................................

.............................................................................................................................


.............................................................................................................................

Um comentário:

  1. 2 Corintios cap 13 tem 13 versos,
    foi mencionado a quem devemos orar....2 Corintios 13.14

    ResponderExcluir

500 ANOS DA REFORMA

500 ANOS DA REFORMA

Postagens populares

.

E SE FOSSE VOCÊ?

E SE FOSSE VOCÊ?

DOUTOR DA IGREJA GREGA - MAIOR PREGADOR DA IGREJA PRIMITIVA - MESTRE DA RETÓRICA, DA HOMILÉTICA!

DOUTOR DA IGREJA GREGA - MAIOR PREGADOR DA IGREJA PRIMITIVA - MESTRE DA RETÓRICA, DA HOMILÉTICA!
Você deseja honrar o corpo de Cristo? Não o ignore quando ele está nu. Não o homenageie no templo vestido com seda quando o negligencia do lado de fora, onde ele está malvestido e passando frio. Ele que disse "Este é o meu corpo" é o mesmo que diz "Tu me vistes faminto e não me destes comida" e «quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mateus 25:40)... Que importa se a mesa eucarística está lotada de cálices de ouro quando seu irmão está morrendo de fome? Comeces satisfazendo a fome dele e, depois, com o que sobrar, poderás adornar também o altar.

João Crisóstomo, Comentário sobre Mateus

♛ Uma das características mais recorrentes das homilias de João Crisóstomo (347-407) é sua ênfase no cuidado com os necessitados. Ecoando temas do Evangelho de Mateus, ele exorta os ricos a abandonarem o materialismo para ajudar os pobres, empregando todas as suas habilidades retóricas para envergonhar os ricos e obrigá-los a abandonar o consumismo mais conspícuo:


“Honras de tal forma teus excrementos a ponto de recebê-los em vasilhas de prata quando outro homem criado à imagem de Deus está morrendo de frio?”


— João Crisóstomo