"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



quarta-feira, 17 de julho de 2013

*Pastoral

MAIS ERROS QUE O PASTOR NÃO DEVEM COMETER





Como Realizar Uma Entrevista Eficaz Com um Candidato Adesão 

No início, pode ser útil para reconhecer que não há versículos específicos das Escrituras que exigem uma igreja para realizar uma entrevista antes de reconhecer alguém como membro de sua congregação. Nos dias do Novo Testamento, o processo para se tornar um membro da igreja parece ter sido bastante breve e orgânicos. Um novo membro professavam a fé em Cristo, foi batizado, e foi adicionado à Igreja (cf. At 2:41).
Mas por uma boa razão, muitas igrejas têm encontrado útil para reservar um tempo para conversar com um candidato adesão antes que ele ou ela se junta à igreja. Na minha experiência, essas sessões de entrevista representam uma oportunidade pastoral extremamente valioso. É uma chance de fazer perguntas, fornecer cuidados pastorais, e moldar a compreensão do seu papel na igreja dos candidatos.
O objetivo deste artigo é fornecer algumas orientações práticas sobre como aproveitar ao máximo as entrevistas para o benefício do membro e para a saúde da igreja. E enquanto não há um conjunto maneira de conduzir uma entrevista de adesão, eu achei útil para tentar alcançar três coisas no decorrer de uma reunião de uma hora:
  1. Conheça o candidato à adesão.
  2. Ajude o candidato entender a igreja.
  3. Comece o cuidado pastoral para o candidato.

Conhecê-los

Depois de abrir em oração, eu costumo começar a fazer perguntas que me ajudarão a conhecer a pessoa melhor. Às vezes eu entrevisto pessoas que eu conheço muito bem, como ex-membros que se mudaram de volta para a área. Outros que eu estou entrevistando aqueles que são, para todos os intentos e propósitos, completos estranhos. Então, enquanto eu poderia adaptar a minha abordagem a essas situações específicas, aqui estão quatro coisas que eu normalmente peço de cada candidato adesão (com alguns breves comentários):
1. Que faz você querer se juntar à igreja?
Esta questão é um bom quebra-gelo. Ela ajuda a obter as motivações das pessoas e pode, ocasionalmente, levantar algumas bandeiras vermelhas (como a pessoa que uma vez respondeu: "Porque eu estou cansado de procurar uma boa igreja").
2. De onde você é ou veio?
As pessoas não chegam em seu escritório do nada. Eles são formados para o bem e mal por suas origens, suas experiências e suas famílias. Como um pastor, esta informação irá ajudá-lo a cuidar do novo membro, como ela se torna parte do seu rebanho. Alguém de um fundo cristão legalista, provavelmente, terá necessidades diferentes, reações, e as tentações do que alguém criado por pais ateus.
3. Como você se tornou um cristão?
Esta é a mais importante peça de informação para entrar em uma entrevista de adesão. A igreja deve estar confiante de seus membros são genuinamente convertidos e compreensão de uma pessoa de sua conversão, muitas vezes, revelam um pouco sobre a sua maturidade espiritual. Mais de uma vez esta questão tem sido usado por Deus para revelar que o membro em potencial não pode muito bem ser convertido em tudo.
4. Você pode explicar brevemente o evangelho para mim?
Você pode ser surpreendido como muitos cristãos que não conseguem articular claramente as boas novas sobre Jesus. Podem crer no evangelho, mas não entendem bem o suficiente para comunicá-lo. Ou, mais comumente, eles podem deixar de fora uma parte importante do evangelho, tal como a necessidade de os pecadores, ao responder em arrependimento e fé. Esta questão permite informar suavemente ou corrigir a sua compreensão da boa notícia.

Ajuda-los a conhecer a Igreja

Depois de tomar o tempo para conhecer o potencial membro (e acredito que ele seja convertido), e mover a conversa para ajudá-lo a entender a igreja que ele venha a aderir. Enquanto não temos uma classe da sociedade que abrange muitos desses assuntos, é útil para passar por eles um a um.
1. Responda a todas as perguntas que o candidato possa ter.
Muitas vezes as pessoas têm perguntas sobre a Igreja, que vão desde o pequeno ("Por que a igreja tem logotipo verde?") Para o peso ("O que a igreja ensina sobre o divórcio?").Esta é uma boa oportunidade para deixar os povos explorar qualquer dúvida que pode chatear eles.
2. Reveja a declaração de fé e igreja aliança.
Este assunto é normalmente coberto muito bem em nossas aulas de adesão, mas a entrevista ocasionalmente gera boas oportunidades para explicar alguns pontos de doutrina ou corrigir um mal-entendido.
3. Reveja as expectativas dos membros da igreja.
A entrevista de adesão é um grande momento para definir claramente as expectativas.Nós dizemos a nossos novos membros da congregação, espere seis coisas de todos os seus membros:
  1. Participar - Para a nossa igreja, isso significa manhã de domingo e (se possível) domingo à noite. Você não pode ser parte de alguma coisa, se você não está presente.
  2. Ore - Nós pedimos e esperamos que os nossos membros pare para orar uns pelos outros.
  3. Dar - Doar é um ato de adoração e obediência.
  4. Sirva - Use seus dons do Espírito dado a edificar o corpo.
  5. Viver santo - Suas ações, em privado e em público, afetar a saúde do corpo.Combater o pecado, pela graça de Deus e ser rápido para confessar e pedir ajuda quando você precisar dele.
  6. Evangelizar - Você é um missionário enviado por nossa igreja em seu bairro, casa e local de trabalho.
4. Reforçar quaisquer distinções importantes para a sua cultura igreja.
A entrevista de adesão é um horário nobre para garantir novos membros realmente "pegar" a cultura da igreja. Eu costumo rever nossa abordagem à liberdade cristã, a prioridade que damos no nosso orçamento para a plantação de igrejas, e nossa ênfase no ministério todos os membros, em vez de programas. É útil para todos na igreja para estar na mesma página com esses tipos de problemas.
5. Rever o processo de adesão vai para a frente.
Esta parte é simples, anda-los através dos próximos passos no processo de adesão da sua igreja. Pode ser útil para tratar de questões que eles têm sobre o calendário, bem como qualquer declaração pública que pode ser solicitado a dar.

Começo Pastoral

Neste ponto da conversa, eu deveria ter uma boa ideia sobre o que um candidato pode precisar quando ele entra na vida da congregação. 

No final da reunião, o que é bom para definir um plano de formas o candidato pode integrar na igreja. Em nossa congregação, isso pode significar organizando para colocá-lo com um pequeno grupo e um parceiro de leitura da Bíblia. Em alguns casos especiais, torna-se claro que a pessoa se beneficiaria de seguir algumas especial (como o aconselhamento, um programa de estudo da Bíblia, ou mesmo um curso evangelístico). Nesses casos, eu prefiro começar a bola rolar nesse processo antes de o candidato sair do meu escritório. Na conclusão da reunião é útil orar para o novo membro, que tinha de crescer na vida da Igreja, e que a igreja iria dar muito fruto em sua vida.
É um privilégio para realizar entrevistas de adesão. Ele pode se sentir cansativo quando um monte de pessoas que querem participar de minha agenda (e as dos nossos outros anciãos) é apertado. Mas é importante para a saúde da igreja que examinamos cuidadosamente as pessoas antes de se tornarem membros, e é uma alegria ouvir testemunhos da graça de Deus dos candidatos e analisar em conjunto como Deus possa abençoá-los por meio da igreja.


Mike McKinley é o pastor sênior da Igreja Batista em Guilford Sterling, Virginia. 








VOCAÇÃO, CHAMADO E MINISTÉRIO



Ministérios Fracassados (documentário) 

  O documentário abaixo, produzido por Yago Martins, aborda a questão do sucesso segundo o mundo contra o sucesso segundo Deus – uma mensagem tão importante nos tempos megalomaníacos de hoje.





John Piper pede afastamento ministerial até fim de 2010

O conselho de anciãos da Igreja Batista Bethlehem já tomou conhecimento a respeito do retiro ministerial que o pastor John Piper iniciará em maio, finalizando em 31 de Dezembro deste mesmo ano. Esse é um exemplo que deveria ser seguido pelos homens chamados ao ministério. Que Deus nos conceda humildade para trabalhar em cada aspecto de nossas vidas e nos sujeitarmos à autoridade do governo da igreja.

Oremos pelo pastor John, sua obra e seu esforço pela igreja de Cristo foram de grande valor. Que o nosso bom Deus possa operar em sua vida e cumprir os seus propósitos através dessa situação.

Carta de John Piper:

"Como muitos de vocês ouviram o que foi dito no sermão dos dias 27 e 28 de Março, os anciãos aprovaram amavelmente, no dia 22 de Março, o recesso ministerial que me levará a ausentar-me de Bethlehem do dia 1º de Maio a 31 de Dezembro de 2010. Entendemos que seria de grande utilidade uma explicação de minha parte, através de uma carta que acompanha esse sermão.

Pedi aos anciãos que considerassem este recesso devido a um crescente sentimento em meu interior de que minha alma, meu casamento, minha família e o padrão que tenho seguido durante o ministério, necessitam de uma revisão a ser realizada pelo Espírito Santo.

Por um lado, amo meu Senhor, minha esposa, meus 5 filhos e suas famílias, primeiro e antes de todas as coisas; e amo minha dedicação de pregar, escrever e dirigir Bethlehem. Espero que o Senhor me conceda, pelo menos, mais 5 anos como pastor de pregação e visão de Bethlehem.

No entanto, por outro lado, vi algumas manifestações de orgulho em minha alma que, embora não tenha chegado ao nível de desqualificar-me para o ministério, me entristecem profundamente, e têm cobrado um alto preço na minha relação com Noël e com outros que são muito queridos para mim. Como posso desculpar-me com vocês, não por algum fato em particular, mas por defeitos que são contínuos em meu caráter e que têm seus efeitos afetado a outros? Farei isso agora, e não duvido que o tenha de fazer outra vez, perdão. Como não tenho algum fato específico pelo qual possa desculpar-me pontualmente, peço, simplesmente, por um espírito de perdão; e quero garantir verdadeiramente que não estou fazendo às pazes, mas estou em guerra, voltado contra meus próprios pecados.

Noël e eu estamos sólidos como uma rocha em relação ao compromisso entre nós, e não existe fato de infidelidade de nenhum dos lados. Mas, como eu disse aos anciãos, “sólidos como uma rocha” nem sempre é uma metáfora que satisfaz emocionalmente, especialmente a uma mulher. Uma rocha não é a melhor imagem da terna companhia de uma mulher. Em outras palavras, o precioso jardim de minha casa necessita ser cuidado. Eu quero dizer a Noël que ela é preciosa para mim de uma forma que, nesta etapa de 42 anos de peregrinação juntos, pode ser melhor expressado ao ausentar-me por um tempo de quase todos os compromissos públicos.

Nenhum matrimônio é uma ilha. Para nós, essa afirmação aplica-se corretamente em dois sentidos. Primeiro, Noël e eu somos conhecidos dentro e fora por alguns conhecidos em Bethlehem – mais ainda pelos nossos colegas e amigos há muito tempo, David e Karin Livingston, e também por um grupo de mulheres confiáveis para Noël, e de homens, para mim. Temos prestado contas, somos conhecidos, temos sido aconselhados e têm orado por nós. Estou profundamente agradecido pela cultura de graça, de transparência e de confiança que existe entre a liderança de Bethlehem.

A outra forma em que nosso matrimônio não pode comparar-se a uma ilha é que nossas fortalezas e debilidades foram conseqüência para as demais pessoas. Ninguém em nosso círculo familiar e de amigos permaneceu sem ser afetado pelos nossos defeitos. É minha oração que este recesso possa chegar a ser como cura ao interior da minha alma, através do coração de Noël, alcançando nossos filhos e suas respectivas famílias, e a todos aqueles que foram feridos por meus erros.

A diferença entre este retiro e o sabático que realizei quatro anos atrás é que escrevi um livro durante esse sabático (“O que Jesus exige do mundo”). Em 30 anos, nunca abandonei a paixão de ser produtivo publicamente. Neste retiro, tenho a intenção de abandonar tudo. Não escreverei livros. Não haverá preparação de sermões e pregações. Não escreverei em blogs. Nem no Twitter. Não haverá artigos. Não haverá reportagens. Não haverá papéis. Não haverá compromissos para falar em conferências. Existe somente uma exceção no caso – o final de semana dedicado à Conferência Nacional de Desiring God combinado com a inauguração do Colégio e Seminário Bethlehem, em Outubro. Noël achou melhor que eu mantivesse 3 dos compromissos internacionais. Nossa motivação é de que ela pudesse acompanhar-me neles, e se planejarmos bem, essas poderão ser ocasiões especiais para refrigério mútuo.

Os anciãos designaram um grupo que manterá contato comigo e aos quais poderei prestar contas durante o recesso. Eles são David Mathis, John Bloom, Tom Steller, Sam Crabtree, John Grano, Tim Held, Tony Campagna e Kurt Elting-Ballard. Cinco deles caminharam com Noël e eu durante os 2 últimos meses, ajudando-nos a discernir, com sabedoria, a abrangência e a natureza deste retiro. Foram eles os que levaram a recomendação final aos demais anciãos no dia 22 de Março.

Pedi aos anciãos que não me pagassem durante o recesso. Não sinto que deveriam pagar-me. Eu sei que estou causando mais trabalho para muitas pessoas, e peço desculpas por todo o apoio despendido. Não somente isso, outros também podem ter um tempo similar. Muitos dos homens e mulheres que trabalham não têm a liberdade de adotarem um recesso como este. Os anciãos não aceitaram essa petição. Noël e eu estamos profundamente agradecidos por essa manifestação de amor. Estaremos buscando direção do Senhor para ver de que forma podemos retribuir à igreja por este suporte financeiro que nos oferecem para, de alguma forma, aliviar a nossa carga.

Pessoalmente, vejo estes próximos meses como uma espécie de reinício do que espero que sejam os 5 anos mais humildes, felizes e frutíferos dos 35 que estamos em Bethlehem e dos 46 anos de matrimônio. Vocês poderiam acompanhar-me em oração por tal propósito? Poderão permanecer junto a sua igreja (Bethlehem) com todas as suas forças? Que Deus faça destes oito meses, os melhores que Bethlehem tenha conhecido; algo realizado por Deus, a realização das coisas mais extraordinárias enquanto eu não estiver ali.

Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. (1 Coríntios 3:7)


Amo muito vocês, e prometo orar por vocês todos os dias.

Pastor John.”



Fonte: Libertos do Opressor 


Sua igreja atrapalha seu chamado?




O Chamado para o Ministério

Geoffrey Thomas
Quem permanecerá em um relacionamento com uma namorada ou um namorado “até que a morte nos separe”, a menos que haja uma profunda devoção àquela pessoa acima de todas as outras, em um compromisso que se baseia no conhecimento e respeito total? Essa é a essência do casamento: deixar todos os outros e unir-se a um só até que Deus os separe pela morte.
Quem permanece no ministério cristão por toda uma vida de serviço, a menos que ame esse trabalho acima de todos os outros, sendo incapaz de fazer qualquer outra coisa além de pregar o evangelho e pastorear o povo de Deus, para quem ele prega semana após semana? O apóstolo Paulo escreve sobre um homem que “coloca o seu coração” neste trabalho (1 Timóteo 3:1). Ele se esforça para fazer disso a suprema vocação da sua vida. 

 Ele não está falando sobre ambição egoísta por prestígio e poder, mas sobre o grandioso privilégio que é cuidar do povo que o Filho de Deus amou e por quem ele sofreu a morte de cruz. Assim sendo, a primeira qualificação para o compromisso de uma vida com o ministério pastoral é um forte desejo interior. Nossa vida é oferecida a Deus para a edificação de seu povo e para a busca do perdido, até que todos, juntamente com você, alcancemos a estatura da plenitude de Cristo.

Claramente, esse anseio deve ser educado e informado. Deve haver uma compreensão dos requisitos do Novo Testamento para o trabalho de pastor-pregador, e não há lugar melhor para descobrir isso nas Escrituras do que através da vida do apóstolo Paulo. Existem alguns aspectos da sua vocação que são aqueles peculiares de um Apóstolo, mas a maior parte da vida de Paulo — sua defesa da fé, seu estabelecimento completo do evangelho da graça, seu caráter íntegro, seu zelo incansável, sua sabedoria em lidar com as tensões de uma congregação — serve de modelo para o ministério. 

 Uma vez que você entender que o seu trabalho deve ser focado principalmente no serviço ao Senhor, então você terá o desejo de saber onde poderá melhor apreciar o que isso requer. O Novo Testamento o ajudará, especialmente a vida de Paulo. Muitas vezes você se perguntará: “Quem está apto para fazer esse trabalho?”, e é essencial que você se pergunte isso ou o orgulho da função e seus poderes, bem como os dons que você tem, vão destruí-lo.

Deixe que esse anseio também seja validado pelos homens mais piedosos, justos e amorosos que você puder conhecer, cujo primeiro amor seja o reino de Deus e seu Rei, e que queiram saber da credibilidade da sua conversão, seu entendimento do trabalho de ministério, sua fidelidade confessional, sua integridade moral, sua maturidade emocional e de seu coração compassivo. Eles vão sondá-lo para garantir que você não tenha “ideias bobas”, e poderão te dizer “não”, “sim” ou “espere um pouco”.

Depois disso, o grande exército de ministros, pastores e evangelistas que se manifestaram ao longo dos últimos dois mil anos da história da igreja também o suprirão com centenas de exemplos de vocação para o serviço de pregador. Os pais da Igreja, os Reformadores, os Puritanos e muitos outros o fartarão como modelos ministeriais.

Juntamente com os que vieram antes, existem os modelos de hoje. Em muitos aspectos, eles são os melhores, especialmente aqueles homens que você conheceu que, pela providência de Deus, são seus contemporâneos. Eles são um pouco mais velhos ou mais novos do que você, mas parecem ser gigantes. Eles são cristãos há muitos anos; sentaram-se aos pés de uma rica pregação bíblica; têm lido muito e desenvolveram opiniões sensatas sobre o significado de passagens-chave, textos e doutrinas da Bíblia. 

 Você agradecerá a Deus por tê-los em sua vida. A amizade com eles no seminário perdura desde a ordenação e ao longo das diferentes peregrinações que Deus planeja para você. Nenhuma semana passa sem que vocês se falem ao telefone e mandem e-mail um para o outro. Você compartilha problemas pastorais, estratégias de gestão, livros recentes, participação em conferências e as bênçãos e dificuldades da vida ministerial. Quando o chamado para uma nova esfera chega até você, eles são aqueles, depois de sua esposa, cujos conselhos e orações você mais anseia. O ministério não é lugar para homens solitários ou sem amigos.

Se você tem a benção de ter um pregador como o seu exemplo, o perigo é óbvio: você pode optar por imitar aqueles aspectos dos dons dele que forem mais fáceis de reproduzir. É um perigo muito grande. Por exemplo, você pode considerar o fato dele fazer poucas visitas domiciliares, visto que sua paróquia se localiza no centro da cidade, como uma justificativa para o seu abandono desta indispensável tarefa pastoral. É essencial que você tenha mais de um modelo pastoral. Quanto mais pastores você conhecer, mais fácil será a realização de um ministério mais completo.

Acima de tudo, é o Senhor que faz com que os homens sejam pescadores de homens. Houve homens cujos dons eram limitados, mas sua dependência no Senhor era sincera. Alguns deles, como David Brainerd, sofreram com a melancolia, mas foram feitos pescadores de homens. Com pouco conhecimento da história da igreja, com poucos amigos ou uma congregação espiritual para apoiá-los, eles foram, como José, armados com a Palavra de Deus, ao coração de seus próprios Egitos e Reinos das trevas. Ao lançarem-se a Deus, eles superaram poderosas tentações da carne e da solidão da vida na prisão sem a voz amiga de outro cristão, e lá subjugaram reinos poderosos e alcançaram as promessas de Deus de construir a Sua Igreja, trabalharam em obras de justiça para as quais olhamos e observamos, a partir de nossos estilos de vida atuais e luxuosos, enquanto humildemente nos maravilhamos e repreendemos a nossa autopiedade.



Visitação Pastoral


Por Dr. Joseph Pipa

Deus deu aos oficiais da Sua igreja a responsabilidade de conduzir Seu rebanho. Paulo diz em Atos 20:28: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue”. Igualmente Pedro escreveu em 1 Pe 5:1-3: “Rogo pois aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho”.

Esta não é uma tarefa pequena. Os oficiais da Igreja darão uma resposta a Deus pelo desempenho do seu ofício. De fato, Hebreus 13:17 diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por nossa alma, como quem deve prestar contas”. Um dos principais meios para exercerem este cuidado é a visitação pastoral. Contudo, é triste dizer, as visitas pastorais não são sempre utilizadas de modo a permitir às partes envolvidas colherem os maiores benefícios espirituais. Uma coisa que você pode fazer para aumentar o proveito de uma visita pastoral – é preparar-se para ela. Se as famílias são preparadas para visitas pastorais, então o tempo gasto será extremamente mais lucrativo. Como, então, se preparar?

Fazendo um Inventário Espiritual

Em primeiro lugar, use a ocasião de uma visita pastoral para fazer um inventário espiritual da sua vida. Examine-se a si mesmo, seu relacionamento com Deus e com outros (sua família, vizinhos, colegas de trabalho, o mundo, etc.) para determinar como você está indo espiritualmente. Busque uma resposta para perguntas como: como tenho certeza de que sou um cristão? Estou comprometido com o estudo regular da Bíblia e oração? Posso dizer com certeza que diariamente estou morrendo para o pecado e vivendo mais corretamente? Que pecados estou combatendo? Posso apontar áreas na minha vida em que tenha crescido? Se você tem família, então faça a você mesmo estas perguntas: Como está a minha família espiritualmente? Que estou fazendo com vistas às devoções da família? Vejo qualquer evidência de graça nas vidas dos meus filhos? Meus filhos estão demonstrando um crescente interesse nas coisas do Senhor? Eles gostam de orar, ler a Bíblia, assistir aos cultos, cantar hinos e salmos? Se você se prepara dessa maneira, então estará capacitado para dar uma resposta explícita quando for questionado sobre seu crescimento espiritual. Além do mais, você se beneficiará espiritualmente do período de auto-exame.

Sendo Honesto a Respeito dos Seus Problemas

Deste inventário espiritual fluirá uma segunda área de preparação. Existe qualquer área em sua experiência cristã com a qual você está tenho problemas? Tiago diz em Tiago 5:16: “Confessai pois os vossos pecados uns aos outros”. A visita pastoral é a hora perfeita para ser honesto e abrir-se a respeito dos seus problemas. Está tendo problemas com o estudo consistente da Bíblia ou com as devoções familiares? Há um pecado especial que continua a levar a melhor em sua vida? Não espere até o problema ficar insuperável. Esteja preparado para compartilhar seus problemas e buscar conselho e oração com relação a eles.

Buscando o Conselho dos Seus Oficiais

Uma terceira área de preparação lida com solicitação direta de conselho. Esteja preparada para aqueles que o visitam se eles vêem alguma área – “problema” em sua vida (ou na vida dos membros da sua família) que necessita ser tratada. Não tenha receio de fazer esse tipo de pergunta. Nós todo tivemos, num momento ou outro, vendas espirituais. Buscar o conselho de outros que atravessaram dificuldades semelhantes fornecerá a você dicas úteis para lidar com os seus problemas. Da mesma forma, pergunte aos seus oficiais se há alguma coisa que você possa fazer para servir o Senhor. Todos nós prometemos apoiar o trabalho da igreja com nosso tempo, talentos e bens. Descobrir onde podemos ser úteis não apenas nos abençoa, mas também nos dá oportunidade para ser uma bênção para nossos irmãos e irmão no Senhor.

Seus Médicos Espirituais Estão Aqui Para Servi-lo

Quando uma pessoa vai ao seu médico para um check-up, geralmente ela diz como está se sentido. A pessoa avalia suas diversas dores e sofrimentos e procura determinar os que são importantes e os que não são. A tragédia é que algumas vezes uma pessoa pode deixar de contar para o médico sobre um sintoma particular por o julgarem sem importância, ou pior, porque ela receia o que ele pode significar. No entanto, aquele sintoma pode ser o primeiro aviso de alguma séria enfermidade que poderia ser tratada mais facilmente no estado presente. Se o problema é ignorado, a doença piora até que finalmente medidas mais sérias terão que ser tomadas ou, como acontece, é muito tarde para agir. Seus oficiais são médicos da sua alma. Sua tarefa será cem vezes mais fácil e mais efetiva se você se examinar e falar aberta e francamente com eles sobre suas condições e necessidades espirituais. Lembre-se que é melhor prevenir que remediar. Esta máxima é verdade para nossa vida espiritual também. Vamos praticar a medicina preventiva espiritual!

Perguntas que Podem ser Feitas por Pastores e Oficiais

“Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé. Provai-vos a vós mesmos.” (2 Co.13:5).

I – Sua compreensão de você mesmo
  • Tem certeza de que você é cristão?
  • Está envolvido com um estudo bíblico regular? Alternativamente, está tendo dificuldades com um estudo bíblico consistente e devoções familiares?
  • Como está a sua vida de oração? Ora regularmente?
  • Pode indicar áreas da sua vida em que você tem crescido recentemente?
  • Existem áreas em sua experiência cristã nas quais você está tendo problemas?
  • Há uma tentação ou pecado particular que continua a derrotá-lo espiritualmente?
  • Onde você gostaria de ver-se espiritualmente daqui a um, cinco, dez anos?

II – Sua compreensão de Deus
  • O que tem Deus lhe ensinado ultimamente a respeito dEle mesmo? Ou, que atributo de Deus tem significado mais para você ultimamente?
  • Que livros cristãos você tem lido ultimamente?
  • Você está apto para compartilhar sua fé com outros? Se não, estaria interessado em aprender como compartilhar sua fé? Gostaria de ser discipulado?

III – Sua relação com o mundo
  • Se você tem família, como está ela espiritualmente? Que está fazendo você com respeito às devoções familiares (leitura da Bíblia, oração, catecismo, etc).
  • Você vê alguma evidência de graça nas vidas dos seus filhos? Estão eles mostrando um crescente interesse pelas coisas do Senhor? Eles gostam de orar e ler a Bíblia? São batizados? Estão prontos para fazer uma profissão de fé?
  • Como está seu relacionamento com sua esposa? Filhos? Outros?
  • Como os outros vêem seu caminhar como cristão (em casa, vizinhos, no trabalho, na igreja, etc)?
  • Como está procurando influenciar o mundo ao seu redor com a sua fé cristã?

IV – Seu relacionamento com a Igreja
  • O que gostaria de ver “melhorar” em nossa Igreja?
  • O que você especialmente gosta sobre nossa igreja?
  • Que espécie de opinião/conselho podemos deixar para você desta vez?
Fonte: OS PURITANOS 


  PASTOREIO DE OVELHAS NO MUNDO ANTIGO  


 Ezequiel 34

Será se de fato hoje o pastoreio está de certa forma descaracterizado dos ensinamentos das Escrituras Sagrada? Suas atitudes, motivações, desejos e responsabilidade, sendo que, de certa forma sim, hà algumas diferenças entre o pastoreio ensinado e vivido pelos pastores do AT e do pastoreio de Jesus no NT.

  O pastoreio de ovelhas era muito difundido no mundo antigo, desde os tempos mais remotos, praticado desde a Mesopotâmia até o mundo romano. As ovelhas proporcionavam carne, lã, leite e queijo. Os pastores, às vezes, praticavam a transumância (movimento sazonal de rebanhos entre as pastagens das terras baixas e a das montanhas) e viviam como nômades, mas não era comum. 

Os pastores levavam suas ovelhas para pastar e beber água, protegiam-nas dos animais selvagens, mantinham um registro cuidadoso de seu número e davam atenção especial às que precisavam de cuidados, como as fêmeas prestes a dar à luz. À noite, o pastor ficava com as ovelhas, às vezes reunindo-as numa simples área cercada ou mesmo em cavernas. Numa família de pastores, os meninos e as meninas ajudavam a cuidar do rebanho (Gn 29.6; Davi, 1 Sm 16.11). A vida do pastor era difícil, obrigando-o a ficar longas horas ao ar livre.

 No entanto, o pastoreio de ovelhas era muitas vezes idealizado, como na poesia pastoril da Grécia e de Roma (e.g., as dez écoglas, de Virgílio – poemas em que uma ovelha conversa com a outra). Os pastores aparentemente passavam boa parte do tempo vago criando música e poesia, enquanto observavam as ovelhas pastarem. O escudo de Aquiles traz a imagem de dois pastores tocando instrumentos de sopro, e a carreira de Davi como salmista de Israel começou entre as ovelhas e com outros pastores. 

No mundo antigo, o pastor era uma metáfora padrão para os governantes. Os legisladores mesopotâmios Lipit-Istar, de Isin, e Hamurabi, da Babilônia, foram chamados “pastores”, e o cetro do faraó talvez imitasse a forma do cajado de um pastor. Na mitologia babilônia, dizia-se que Marduque era o pastor dos deuses, enquanto no AT Deus é o Pastor de Israel (Sl 80.1) e dos crentes fiéis (Sl 23). Ao mesmo tempo, Deus esperava que os reis de Israel agissem como pastores de seu povo (2 Sm 5.2) e condenava os que abusavam dessa autoridade (Ez 34). Jesus, em cumprimento dos versículos de 11 a 16, proclamou-se “o bom pastor” (Jo 10.1-18).

  Ezequiel 34. 1-31: Os pastores de Israel são denunciados

    A imagem do povo de Deus como um rebanho de ovelhas ocorre inúmeras vezes em toda a Bíblia, isto é fato. Neste oráculo, os então pastores, isto é, os governantes de Israel, são repreendidos por se preocuparem apenas com seus próprios interesses e pela falta de cuidado para com o seu rebanho. Além disso, algumas ovelhas engordaram à custa de outras, isto é, algumas pessoas adquiriram poder e fortuna por meio da opressão dos mais pobres e fracos. Ezequiel adverte que a justiça será restaurada.

  A advertência se torna uma promessa para o futuro (21-24). O Senhor não apenas salvará suas ovelhas, mas também nomeará Davi com seu pastor, e estabelecerá com elas uma aliança de paz. Como em outros oráculos, o nome é simbólico. A referência a Davi não significa que o antigo rei Davi será literalmente ressuscitado e entronizado como rei. Sua força se encontra no fato de que o próximo governante terá os atributos exemplares de Davi – alguém em quem o Senhor se compraz e que triunfou sobre os inimigos de Israel. Uma referência a Davi também pode ser encontrada em 37.24-26, em que o seu governo é descrito como eterno. A mesma passagem também se refere à eterna aliança de paz que o Senhor estabelecerá com o seu povo, um tema quase idêntico ao de 34.25-30.

   As duas passagens não apontam somente para o futuro imediato de Israel, mas também para um futuro de longo prazo. Deus estabelecerá a paz com o seu povo, e apontará um pastor para dirigi-los.

  O oráculo traz uma promessa de esperança. Mesmo que o povo de Deus seja espalhado e oprimido, um dia terá justiça. Os leitores do NT testemunharão esse dia com a volta de Jesus Cristo, uma promessa selada com a sua primeira vinda, morte e ressurreição.

   1-31 Ezequiel deve proclamar aos pastores de Israel: “Ai de vós pastores de Israel. Não cuidastes do rebanho. Ele se espalhou pelas terras. Vós vos preocupastes somente convosco mesmos (2,5-8). Eis que me levanto contra os pastores. Eles serão responsabilizados pelo rebanho, porei fim ao seu pastoreio. Eles já não se alimentarão de meu rebanho (10). Eu buscarei e ajuntarei minhas ovelhas. Eu as ajuntarei de todas as nações e as trarei para uma terra de boa pastagem, a terra de Israel. Eu mesmo cuidarei delas e serei para elas um bom pastor (11-15). Eis que julgarei entre ovelhas e ovelhas. Algumas engordaram à custa de outras. O rebanho já não servirá de rapina (17-22). Apontarei meu servo Davi como seu único pastor. Eu serei o seu Deus e Davi o seu príncipe (23,24). Eu celebrarei com elas uma aliança de paz. Elas habitarão em uma terra fértil e segura. Elas serão resgatadas da escravidão. Saberão, porém, que eu, o seu Deus, estou com elas, e que elas são o meu povo” (25-31).

 Notas. 13 “Tirá-las-ei [...] e as congregarei”: a promessa da restauração recebe ênfase especial nos cap. 34-48. Entretanto, isso também acontece em oráculos anteriores: 11.17; 16.60; 20.34,42; 28.25.


  25 “Aliança de paz”: a nova aliança prometida (Jr 31.31-34). 

Michael Rossane 

Fonte de Pesquisas: Bíblia de Estudo Arqueológica
Comentário Bíblico Vida Nova. 






Teologia Bíblica e Ministério Pastoral

Bobby Jamieson

Como você descreveria o trabalho de um pastor? Onde você procuraria modelos? Talvez você buscasse as respostas em algumas outras igrejas locais e fizesse algumas adaptações que refletissem a agenda e os programas de sua própria igreja.
Isso seria presumir, é claro, que todo mundo já sabe como um pastor deve ser e o que ele deve fazer. Mas como nós sabemos qual é o papel fundamental de um pastor?
Certamente, devemos olhar para a Escritura para descobrir o que é um pastor. Mas em que lugar da Escritura? Poderíamos começar pelo trabalho implícito às qualificações de um presbítero (1 Timóteo 3.1-7; Tito 1.5-10) e, cuidadosamente, considerar mandamentos explícitos dados aos líderes de igreja. Quando ultrapassamos a superfície de alguns desses mandamentos, contudo, uma interessante imagem aparece. Considere Atos 20.28 e 1 Pedro 5.1-3, ambos dirigidos a presbíteros de igrejas locais:
Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes [gr.poimainen] a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue. (Atos 20.28, Almeida Revisada Imprensa Bíblica)
Aos anciãos, pois, que há entre vós, rogo eu, que sou ancião com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há de revelar: apascentai [gr. poimanate] o rebanho de Deus, que está entre vós, não por força, mas espontaneamente segundo a vontade de Deus; nem por torpe ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores sobre os que vos foram confiados, mas servindo de exemplo ao rebanho. (1Pedro 5.1-3, Almeida Revisada Imprensa Bíblica)
Em ambas as passagens, a principal tarefa do pastoreio é resumida com o verbo grego poimaino, cujo significado básico é “apascentar”, isto é, tomar conta de ovelhas (Lucas 17.7; 1 Coríntios 9.7). Tanto Paulo em Atos como Pedro em sua primeira epístola resumem o trabalho de pastorear em uma palavra: apascentar.
Em Efésios 4.11, Paulo se refere aos pastores como “apascentadores-mestres”, novamente demonstrando que a ideia de apascentar é básica no que tange ao ofício pastoral. De fato, a própria palavra “pastor” vem do latim pastor, que significa “apascentador”. Assim, apascentar é básico no que tange à palavra “pastor” e às descrições bíblicas do pastoreio.
Mas onde nós aprendemos o que significa apascentar? Se você tem alguma familiaridade com ovelhas e suas necessidades, então você já tem uma ideia básica. Ovelhas necessitam ser alimentadas, cuidadas, guiadas e protegidas. Os pastores fazem essas coisas por seu povo, transpostas para um sentido espiritual.
O enredo bíblico do apascentamento
Mas essa metáfora assume uma profundidade ainda maior quando vemos como ela se desvela ao longo do enredo da Escritura. Em última instância, pastores aprendem o que significa ser um pastor pelo modo como o próprio Deus apascenta o seu povo.
O Pastor Divino do Êxodo
O enredo bíblico do apascentamento começa, de fato, quando Deus traz o seu povo para fora do Egito, guia-os pelo deserto durante quarenta anos e os conduz em segurança à sua própria terra.[1] Ao descrever todo o período do êxodo e da peregrinação no deserto, o Salmo 77.20 declara: “O teu povo, tu o conduziste, como rebanho, pelas mãos de Moisés e de Arão”.
Como um pastor, Deus estava pessoalmente presente com seu povo (Êxodo 33.15-16). Como um pastor, Deus protegeu o seu povo (Números 14.7-9; Deuteronômio 23.14). Como um pastor, Deus proveu para o seu povo. Ele os alimentou (Salmo 78.19, 105.40-41). Ele os curou (Êxodo 15.26; Números 21.8-9).
Como um pastor, Deus guiou o seu povo a pastos verdejantes: “Com a tua beneficência guiaste o povo que salvaste; com a tua força o levaste à habitação da tua santidade” (Êxodo 15.13). Como um pastor, Deus gentil e ternamente os conduziu adiante:
Atraí-os com cordas humanas,
com laços de amor;
fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas
e me inclinei para dar-lhes de comer. (Oseias 11.4)
Em tudo isso, Deus apascentou o seu povo por meio de Moisés, o líder humano que havia designado para apascentá-los (Salmo 77.20). E o próprio Moisés pediu ao Senhor um sucessor, a fim de que “a congregação do SENHOR não seja como ovelhas que não têm pastor” (Números 27.17).
Assim, o Senhor, o divino Rei da criação, é também o pastor do seu povo. E ele o apascentou por meio de um pastor humano por ele mesmo designado.
Davi, o pastor-rei
Centenas de anos depois, esse padrão continua no reino de Davi e sua dinastia. O Senhor tomou Davi do apascentamento de ovelhas e o constituiu pastor de Israel (2 Samuel 5.1-3, 7.8). O salmista declara:
Também escolheu a Davi, seu servo,
e o tomou dos redis das ovelhas;
tirou-o do cuidado das ovelhas e suas crias,
para ser o pastor de Jacó, seu povo,
e de Israel, sua herança.
E ele os apascentou consoante a integridade do seu coração
e os dirigiu com mãos precavidas. (Salmo 78.70-72)
Assim como Davi ternamente nutria as ovelhas sob seus cuidados, assim também ele, na maior parte, conduziu Israel de modo responsável e compassivo, apascentando-o com integridade e sabedoria.
Contudo, o próprio Deus permanecia como o verdadeiro pastor de Israel. Israel confessava: “Ele é o nosso Deus, e nós, povo do seu pasto e ovelhas de sua mão” (Salmo 95.7). E Davi, designado por Deus para ser “subpastor”, proclamou a sua confiança na provisão, proteção e orientação divinas na sublime poesia do Salmo 23.
Mas nem todos os pastores-reis de Israel conduziram Israel pelos pastos verdejantes da obediência à Palavra do Senhor. Ao contrário, a maioria deles conduziu o povo de Deus às terras devastadas e estéreis da idolatria e da injustiça. Assim, Deus dispersou o seu rebanho por entre as nações como uma punição por seu pecado (Levítico 26.33; Deuteronômio 4.27, 28.64; 1Reis 14.15).
Novos pastores no novo êxodo
Mas o mesmo Deus que dispersou o seu povo prometeu ajuntá-lo novamente. Em Jeremias 23.1-2, Deus pronuncia julgamento sobre os reis ímpios de Israel, os pastores que destruíam e espalhavam o rebanho de Deus. Esses pastores falharam em assistir o povo Deus em cuidado e proteção; assim, Deus irá assisti-los em julgamento. Não apenas isso, nos versículos 3-4, Deus declara:
Eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; serão fecundas e se multiplicarão. Levantarei sobre elas pastores que as apascentem, e elas jamais temerão, nem se espantarão; nem uma delas faltará, diz o SENHOR.
O Senhor irá restaurar a sorte do seu povo e ele terá pastores que cuidem dele, provejam para ele e o protejam. Como esses pastores servirão o povo de Deus? A passagem paralela em Jeremias 3.15 nos conta: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência”. Os líderes do povo reunido de Deus irão liderar o povo alimentando-o com conhecimento e com entendimento dos caminhos e da Palavra de Deus.
Não apenas isso, mas Deus também há de levantar um rei supremo, o herdeiro de Davi, que assegurará a salvação de todo o povo de Deus:
Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa. (Jeremias 23.5-6)
Esse reajuntamento do povo de Deus, um novo êxodo de volta para a sua terra, ultrapassará em glória até mesmo a poderosa libertação do povo de Deus do Egito e será a obra pela qual o povo de Deus há de invocá-lo e lembrá-lo daquele tempo em diante (vv. 7-8).
Então Deus há de ajuntar o seu povo como um fiel pastor. E Deus levantará muitos pastores fiéis que cuidem do seu povo. Contudo, um pastor-rei em particular irá salvar o povo e garantir-lhe o seu florescimento seguro no lugar de Deus, sob o governo de Deus.
Isaías 40.11 apresenta um outro relance do novo êxodo a ser realizado por Deus ao ajuntar, ele mesmo, o seu rebanho:
Como pastor, apascentará o seu rebanho;
entre os seus braços recolherá os cordeirinhos
e os levará no seio;
as que amamentam ele guiará mansamente.
Ezequiel 34 pinta um retrato mais detalhado da obra de Deus como o pastor que salvará o seu povo. Os então pastores de Israel alimentaram a si mesmos, em vez de alimentarem o rebanho, e falharam em curar as ovelhas doentes e em buscar as desgarradas; por isso, agora, o rebanho de Deus está disperso (vv.1-6). Por tudo isso, Deus há de julgar esses pastores ímpios e há de resgatar, ele mesmo, o seu rebanho (vv. 7-10). O próprio Deus irá buscá-lo, resgatá-lo, ajuntá-lo em sua própria terra, alimentá-lo e conduzi-lo ao lugar de descanso (vv. 11-14). “Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas e as farei repousar, diz o SENHOR Deus. A perdida buscarei, a desgarrada tornarei a trazer, a quebrada ligarei e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com justiça” (vv. 15-16).
Contudo, Deus também promete: “Suscitarei para elas um só pastor, e ele as apascentará; o meu servo Davi é que as apascentará; ele lhes servirá de pastor” (v. 23). Então o próprio Deus será o pastor de Israel, mas também o seu “servo Davi” o será. E quando Deus novamente apascentar o seu povo, ele terá paz, bênção, segurança, abundância, liberdade, honra e o verdadeiro conhecimento de Deus (vv. 25-31).
Jesus, o bom pastor
Quem é esse pastor que Deus constitui sobre o seu povo? Jesus, o bom pastor. Jesus teve compaixão das multidões porque elas estavam aflitas e exaustas, ovelhas sem um pastor (Mateus 9.36). Jesus é o bom pastor que vem dar vida abundante ao rebanho de Deus (João 10.10), que dá a sua vida pelo rebanho de Deus (vv. 11, 15), que conhece as suas próprias ovelhas (v. 14), que ajunta todas as suas ovelhas em um só rebanho (v. 16).
A metáfora do povo de Deus como rebanho, no princípio, foi usada para descrever Israel no deserto: com fome, com sede, queimado pelo sol, ainda fora de seu verdadeiro lar. Transposto para um sentido espiritual, tudo isso é verdade acerca da igreja na presente era. Como Israel no deserto, nós ainda não entramos no descanso de Deus (Hebreus 4.11). Somos ameaçados não apenas pela fome e privação, mas também por oposição e perseguição.
Agora nós somos fracos e peregrinos, pressionados pelas privações. Mas, em Apocalipse, João nos dá um relance de nosso destino final:
Jamais terão fome, nunca mais terão sede,
não cairá sobre eles o sol,
nem ardor algum,
pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará
e os guiará para as fontes da água da vida.
E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima. (Apocalipse 7.16-17)
O Senhor Jesus é o nosso pastor e ele é um bom pastor. Contudo, aproxima-se o dia em que ele será nosso pastor e nós nunca mais sentiremos fome ou dor.
Pastoreando como o supremo pastor
Então, o que esse enredo ensina aos pastores da igreja? As famosas palavras de Jesus a Pedro nos apontam a direção certa. Três vezes Jesus perguntou a Pedro se ele o amava; três vezes Pedro respondeu que sim; três vezes Jesus incumbiu Pedro de cuidar do seu rebanho (João 21.15-17). O Evangelho de João usa duas palavras gregas diferentes para “cuidar” ou “alimentar” nessa passagem, mas elas significam a mesma coisa. Ambas se referem ao abrangente cuidado que os pastores demonstram para com as ovelhas: alimentando-as, cuidando delas, guiando-as, protegendo-as. E é exatamente esse o tipo de cuidado que os pastores devem dar ao seu povo.
Pastores devem alimentar o seu povo com a Palavra, exortando-o na sã doutrina (Tito 1.9-10), anunciando-lhe todo o conselho de Deus (Atos 20.27). Pastores devem proteger o seu povo da falsa doutrina e daqueles que buscam desviá-lo (Atos 20.29-31). Pastores devem liderar o seu povo provendo-lhe um exemplo piedoso (Hebreus 13.7), equipando-o para o ministério (Efésios 4.12) e conduzindo com sabedoria os assuntos da igreja (1 Timóteo 5.17). Pastores devem cuidar do seu povo provendo-lhe, com ternura, todo o conselho, ajuda e encorajamento que for necessário.
Em uma palavra, pastores cuidam. Eles não apenas se preocupam com o seu povo, eles zelam por ele. Eles o conhecem. Eles o buscam. Eles dão ao seu povo o de que a sua alma precisa, mesmo quando o próprio povo não compreende nem deseja aquilo de que mais precisa.
Em tudo isso, os pastores refletem a imagem de Deus o Pai. Paulo exorta os líderes da igreja: “Exortamo-vos, também, irmãos, a que admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos” (1 Tessalonicenses 5.14). Esse tipo de cuidado pessoa-a-pessoa é exatamente o que Deus promete fazer pelo seu povo ao garantir que irá buscar a ovelha perdida, trazer de volta a desgarrada, ligar a quebrada e apascentar todas elas em justiça (Ezequiel 34.16).
E os pastores também refletem a imagem do nosso Senhor Jesus Cristo, que apascenta o povo de Deus antes de qualquer pastor, apascenta-o por meio do ministério de todo pastor e irá apascentá-lo mesmo quando o ministério de todos os pastores houver terminado. É por isso que Pedro chama Jesus de o “Supremo Pastor” (1 Pedro 5.4). Jesus é o herdeiro que Deus suscitou a Davi; ele é o único verdadeiro Pastor-Rei do povo de Deus. Contudo, o ministério pastoral de Jesus não exclui os pastores humanos – em vez disso, ele os equipa e fortalece para o seu ministério.
Pastor, acaso você já considerou que o seu próprio ministério em sua igreja local é parte do cumprimento de profecia? Lembre-se de que Deus prometeu levantar muitos pastores sobre o seu povo quando levantasse o seu Supremo Pastor sobre eles (Jeremias 23.4-5). Esses pastores haveriam de alimentar o povo de Deus com conhecimento e com inteligência (Jeremias 3.15).
O quanto as suas prioridades no ministério correspondem àquelas do pastor divino? O quanto você conhece as necessidades espirituais de suas ovelhas? Quanto tempo e esforço você dedica a suprir essas necessidades uma a uma? Você está mais preocupado com quantos novos indivíduos entram no prédio da igreja ou em se a alma deles está faminta ou tem fartura?
Você está vigilante contra as ameaças à saúde do seu povo na fé? Ou você deixa as suas ovelhas à mercê de falsos mestres, por falhar em equipá-los com uma compreensão profunda da doutrina bíblica?
Você sabe quais de suas ovelhas estão fartas e quais estão mal nutridas? Quais estão espiritualmente fortes e quais estão doentes? Quais estão seguras no aprisco e quais estão vagando no deserto?
Se você deseja renovar sua mente quanto ao que constitui o trabalho de um pastor, considere como Deus tem apascentado o seu povo ao longo do enredo da Escritura. Maravilhe-se com o seu gentil cuidado e com sua poderosa proteção. Aprenda com sua paciente atenção às diversas necessidades do seu povo. Admire-se com a profundidade da tenra compaixão divina, com o fato de que aquele que tem nas mãos as galáxias também se inclina para tomar em seus braços aquelas ovelhas que são fracas demais para andar. E ore para que, por sua graça e no poder do seu Espírito, Deus faça de você um pastor segundo o seu próprio coração.



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