"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



quinta-feira, 18 de julho de 2013

* Ética Cristã / Artigos

EDUCAÇÃO CRISTÃ EM REVISTA






ÉTICA CRISTÃ

01 - DEUS PERMITE O DIVÓRCIO?

Em princípio, o casamento é indissolúvel: "O que Deus ajuntou não o separe o homem". Todavia, em caso de prostituição de um dos cônjuges (adultério ou qualquer outro tipo de imoralidade sexual), Deus permite a separação, se esta for a vontade do cônjuge ofendido. Havendo perdão entre as partes, nada impede de continuarem juntos (Mateus 19.9; Lucas 16.18). Os casamentos hoje em dia são desfeitos por qualquer banalidade. Muitas vezes o motivo maior é o fim do amor: os dois chegam à conclusão que não se amam mais. Isto acontece quando a união do casal não é alimentada pela fonte inesgotável do amor de Deus.


02 - EM QUE CIRCUNSTÂNCIA DEUS CONDENA O ABORTO?


Abortar é tirar a vida de uma criança em desenvolvimento. A vida de uma pessoa inicia-se na fecundação do óvulo. Ali é plantada a semente. No período de oito semanas, o não nascido é chamado de embrião. Após esse tempo, é conhecido por feto. Embrião ou feto são etapas da vida de uma criança. O sexto Mandamento proíbe o homicídio: "Não matarás". Assim é pecado abortar, seja para controlar a natalidade, seja para corrigir uma gravidez não desejada.


Abaixo mais detalhes. 


03 - E AS CARÍCIAS ENTRE NAMORADOS OU NOIVOS?


São impurezas para Deus. Não convém aos santos "ver a nudez" ou "descobrir a nudez" de outrem, a não ser do cônjuge. As carícias ou práticas libidinosas contrariam os padrões de moralidade exigidos por Deus. Devemos manter o nosso corpo em santificação e honra porque o Espírito Santo habita em nós, isto é, nos que aceitaram a Jesus como Senhor e Salvador. (Levítico 18.6-17; Mateus 5.28; Gálatas 5.19; 1 Tessalonicenses 4.3-7).


04 - EM QUE SITUAÇÃO O SEXO É PECADO?


A relação sexual ENTRE NÃO CASADOS é pecado, ainda que sejam namorados, noivos ou comprometidos. O ADULTÉRIO, proibido pelo sétimo Mandamento (Êxodo 20.14), abrange os vários tipos de imoralidade e pecados sexuais. Lembramos que entre casados nem tudo é permitido, como é o caso de sexo anal. O homossexualismo masculino ou feminino (sexo entre homens ou entre mulheres) é pecado. Deus criou macho e fêmea e os uniu pelo casamento (Gênesis 2.24). 


Homens e mulheres, adolescentes, jovens e adultos, devem permanecerem puros, abstendo-se de qualquer atividade sexual que não seja no casamento. "Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula, pois aos devassos e adúlteros Deus os julgará". (Hebreus 13.4). "Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o que se prostitui peca contra seu próprio corpo". (1 Coríntios 6.18).


05 - SEXUALIDADE É BÊNÇÃO OU MALDIÇÃO?


Sexualidade (Dicionário Aurélio): "Qualidade de sexual. O conjunto dos fenômenos da vida sexual. Sexo". Somos seres sexuados, seres que possuem órgãos sexuais, órgãos específicos na mulher e no homem destinados à reprodução da espécie. Todos nós possuímos sexualidade, possuímos sexo. E essa capacidade de reprodução da espécie foi-nos dada por Deus, quando nos criou. Deus nos criou assim. 


E mais: para que a espécie humana continuasse se multiplicando, Deus fez com que o ato sexual fosse prazeroso, agradável, e servisse, também, para que o casal (marido/mulher) tivesse interesse um pelo outro, e mantivesse laços conjugais cada vez mais fortes. Por tudo isso devemos dar graças a Deus. Não só pelo sexo, pela sexualidade, mas devemos dar graças pelos nossos sentidos, nossa capacidade de planejar, de pensar, de raciocinar, de amar: 

"EM TUDO DAI GRAÇAS, POIS ESTA É A VONTADE DE DEUS EM CRISTO JESUS PARA CONVOSCO" (1 Timóteo 5.18). 
Nesse sentido, a sexualidade é uma bênção. Quando Deus concluiu sua obra-prima, o homem, Ele disse que o que havia feito ERA MUITO BOM (Gênesis 1.31). Portanto, tudo de que dispomos para viver é ótimo. Todavia, assim como há homens que usam as mãos para roubar, torturar, matar, e oferecer iguarias aos demônios; os olhos para ver coisas impuras e contemplar outros deuses; os ouvidos para ouvir palavras imorais e músicas profanas; o coração para odiar o próximo, e adorar ídolos, da mesma forma muitos usam a sexualidade de forma pervertida: homens com homens e mulheres com mulheres numa relação sexual vergonhosa, imoral e proibida por Deus; ou usam sua sexualidade por puro prazer, fora do compromisso de uma vida conjugal estável. Assim usada, a sexualidade é pecado, por tratar-se de uma impureza e imoralidade.

06 - SENSUALIDADE É PECADO?


Em primeiro lugar, interessa-nos saber o que é sensualidade. O Dicionário Aurélio diz : Sensualidade é amor aos prazeres materiais. O dicionário da Bíblia On-line diz: Sensualidade é lascívia (conduta vergonhosa, como imoralidade, imoralidade sexual, libertinagem, luxúria). Gálatas 5.19 inclui a sensualidade como obra da carne: “prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, pelejas, dissensões, facções, invejas, bebedices, orgias, e coisas semelhantes a estas, as cercas das quais vos declaro, como já antes vos preveni, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus”. Ver Marcos 7.22; Romanos 1.27 (homossexualismo). Tudo isso e mais alguma coisa é SENSUALIDADE. Não se deve relacionar sensualidade apenas com sexo, que, se praticado licitamente, ou seja, entre casados, não é pecado. Sexo realizado fora do leito conjugal é adultério (Hebreus 13.4).


07 - PIADAS EVANGÉLICAS: DEVEMOS EVITÁ-LAS?


Um dos argumentos dos que julgam não existir qualquer problema em se contar/ouvir piadas é o de que o riso é bom para a saúde, e elas nos proporcionam alegria. Há uma grande diferença entre riso e alegria. O riso poderá se transformar até numa gargalhada quando a piada é forte e bem bolada, mas o coração poderá continuar triste. Nem sempre os palhaços são pessoas felizes e alegres, apesar dos risos que provocam. A alegria está no coração, e devemos buscá-la no Senhor: "Não tenho maior alegria do que esta: a de ouvir que os meus filhos andam na verdade" (3 João 4). "O reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo"(Romanos 14.17). Alegria maior é servir ao Senhor e andar segundo os seus estatutos (Salmos 37.4). Maria declarou que a sua alma engrandecia ao Senhor, e seu espírito se alegrava em Deus seu Salvador (Lucas 1.46-47).


A prática de piadas é incompatível com uma vida cristã e santa. A verdade é que as piadas não convêm aos santos. Às vezes surgem piadas envolvendo irmãos de outras denominações, envolvendo pastores e a Palavra Sagrada. Contudo, Deus recomenda santidade: "Sede santos, porque eu sou santo" ( 1 Pedro 1.16). Paulo disse: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm.. eu não me deixarei dominar por nenhuma delas" (1 Coríntios 6.12). As piadas estão mais ligadas às obras da carne do que às do espírito recriado (Gálatas 5.19). Eis a questão: dominar/refrear a natureza pecaminosa.

Não raro as piadas envolvem mexericos, zombaria, malícia, escárnio, desprezo pelo ser humano, e muita imoralidade quando resvalam para o plano sexual. Não são recomendáveis para quem busca a santificação. Poderíamos imaginar Jesus chamando os apóstolos para uma seção de risos e piadas, para descontrair, após um dia de trabalho? Claro que não. Poderíamos imaginar uma sessão de piadas evangélicas após um culto de louvor e adoração a Deus? Não duvido de que isto esteja ocorrendo alhures! Ora, no que pudermos, devemos ser imitadores de Cristo: "Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo" (1 Coríntios 11.1).


A maioria das piadas é mentira, estórias inventadas. Quando surgem de um fato verídico, servem para ridicularizar as pessoas envolvidas. Ora, Deus não aprova a mentira: “Pelo que deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo... e não deis lugar ao diabo. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, conforme a necessidade, para que beneficie aos que a ouvem” (Efésios 4.25,27,29). As piadas nada acrescentam de bom à nossa vida espiritual.


E as piadas na televisão? Para quem gosta, os programas televisivos estão aí com muitas piadas para o deleite de muitos. É só ligar-se na telinha, aos domingos, dar gostosas gargalhadas, e descontrair-se. A carne agradece. Todavia, tal prática é contra a Palavra de Deus: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Salmos 1.1-2). Ligar o televisor com esse fim é o mesmo que juntar-se com os escarnecedores, trazê-los para nossa casa, aplaudi-los e concordar com suas zombarias e obscenidades. Não devemos colocar coisas impuras diante de nossos olhos (Salmos 101.3)

Alguns diriam: "Mas assim é difícil ser cristão"! Quem falou que é fácil? Vejam que Jesus falou em carregar cada um a sua cruz e seguir um caminho estreito, que leva a uma porta estreita; ensinou-nos a amar nossos inimigos e por eles orar. E disse que seríamos perseguidos e odiados por causa do Seu nome. É fácil?


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APOLOGÉTICA CRISTÃ

 


Ética Cristã


Por: Augustus Nicodemus Lopes

Tomando Decisões

Todos nós tomamos diariamente dezenas de decisões. Fazemos escolhas, optamos, resolvemos e determinamos aquilo que tem a ver com nossa vida individual; a vida da empresa, da igreja, a vida da nossa família... Enfim, a vida de nossos semelhantes.

Ninguém faz isso no vácuo. Antigamente pensava-se que era possível pronunciar-se sobre um determinado assunto de forma inteiramente objetiva, isto é, isenta de quaisquer pré-concepções ou pré-convicções. Hoje, sabe-se que nem mesmo na área das chamadas “ciências exatas” é possível fazer pesquisa sem sermos influenciados pelo que somos, cremos, desejamos, objetivamos e vivemos.

As decisões que tomamos são invariavelmente influenciadas pelo horizonte do nosso próprio mundo individual e social. Ao elegermos uma determinada solução em detrimento de outra, o fazemos baseados num padrão, num conjunto de valores do que acreditamos ser certo ou errado. É isso que chamamos de ética.

A nossa palavra "ética" vem do grego eqikh, que significa um hábito, costume ou rito. Com o tempo, passou a designar qualquer conjunto de princípios ideais da conduta humana, as normas a que devem ajustar-se as relações entre os diversos membros de uma sociedade.

Ética é o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que seja certo ou errado e toma decisões.

Alternativas Éticas

Cada um de nós tem uma ética. Cada um de nós, por mais influenciado que seja pelo relativismo e pelo pluralismo de nossos dias, tem um sistema de valores interno que consulta (nem sempre, a julgar pela incoerência de nossas decisões...!) no processo de fazer escolhas. Nem sempre estamos conscientes dos valores que compõem esse sistema, mas eles estão lá, influenciando decisivamente nossas opções.

Os estudiosos do assunto geralmente agrupam as alternativas éticas de acordo com o seu princípio orientador fundamental. As principais são: humanística, natural e religiosa.

Éticas Humanísticas

As chamadas éticas humanísticas são aquelas que tomam o ser humano como a medida de todas as coisas, seguindo o conhecido axioma do antigo pensador sofista Protágoras (485-410 AC). Ou seja, são aquelas éticas que favorecem escolhas e decisões voltadas para o homem como seu valor maior.

Hedonismo

Uma forma de ética humanística é o hedonismo. Esse sistema ensina que o certo é aquilo que é agradável. A palavra "hedonismo" vem do grego |hdonh, "prazer". Como movimento filosófico, teve sua origem nos ensinos de Epicuro e de seus discípulos, cuja máxima famosa era "comamos e bebamos porque amanhã morreremos". O epicurismo era um sistema de ética que ensinava, em linhas gerais, que para ter uma vida cheia de sentido e significado, cada indivíduo deveria buscar acima de tudo aquilo que lhe desse prazer ou felicidade. Os hedonistas mais radicais chegavam a ponto de dizer que era inútil tentar adivinhar o que dá prazer ao próximo.

Como conseqüência de sua ética, os hedonistas se abstinham da vida política e pública, preferiam ficar solteiros, censurando o casamento e a família como obstáculos ao bem maior, que é o prazer individual. Alguns chegavam a defender o suicídio, visto que a morte natural era dolorosa.

Como movimento filosófico, o hedonismo passou, mas certamente a sua doutrina central permanece em nossos dias. Somos todos hedonistas por natureza. Freqüentemente somos motivados em nossas decisões pela busca secreta do prazer. A ética natural do homem é o hedonismo. Instintivamente, ele toma decisões e faz escolhas tendo como princípio controlador buscar aquilo que lhe dará maior prazer e felicidade. O individualismo exacerbado e o materialismo moderno são formas atuais de hedonismo.

Muito embora o cristianismo reconheça a legitimidade da busca do prazer e da felicidade individuais, considera a ética hedonista essencialmente egoísta, pois coloca tais coisas como o princípio maior e fundamental da existência humana.

Utilitarismo

Outro exemplo de ética humanística é o utilitarismo, sistema ético que tem como valor máximo o que considera o bem maior para o maior número de pessoas. Em outras palavras, "o certo é o que for útil". As decisões são julgadas, não em termos das motivações ou princípios morais envolvidos, mas dos resultados que produzem. Se uma escolha produz felicidade para as pessoas, então é correta. Os principais proponentes da ética utilitarista foram os filósofos ingleses Jeremy Bentham e John Stuart Mill.

A ética utilitarista pode parecer estar alinhada com o ensino cristão de buscarmos o bem das pessoas. Ela chega até a ensinar que cada indivíduo deve sacrificar seu prazer pelo da coletividade (ao contrário do hedonismo). Entretanto, é perigosamente relativista: quem vai determinar o que é o bem da maioria? Os nazistas dizimaram milhões de judeus em nome do bem da humanidade. Antes deles, já era popular o adágio "o fim justifica os meios". O perigo do utilitarismo é que ele transforma a ética simplesmente num pragmatismo frio e impessoal: decisões certas são aquelas que produzem soluções, resultados e números.

Pessoas influenciadas pelo utilitarismo escolherão soluções simplesmente porque elas funcionam, sem indagar se são corretas ou não. Utilitaristas enfatizam o método em detrimento do conteúdo. Eles querem saber “como” e não “por quê?”.

Talvez um bom exemplo moderno seja o escândalo sexual Clinton/Lewinski. Numa sociedade bastante marcada pelo utilitarismo, como é a americana, é compreensível que as pessoas se dividam quanto a um impeachment do presidente Clinton, visto que sua administração tem produzido excelentes resultados financeiros para o país.

Existencialismo

Ainda podemos mencionar o existencialismo, como exemplo de ética humanística. Defendido em diferentes formas por pensadores como Kierkegaard, Jaspers, Heiddeger, Sartre e Simone de Beauvoir, o existencialismo é basicamente pessimista. Existencialistas são céticos quanto a um futuro róseo ou bom para a humanidade; são também relativistas, acreditando que o certo e o errado são relativos à perspectiva do indivíduo e que não existem valores morais ou espirituais absolutos. Para eles, o certo é ter uma experiência, é agir — o errado é vegetar, ficar inerte.

Sartre, um dos mais famosos existencialistas, disse: "O mundo é absurdo e ridículo. Tentamos nos autenticar por um ato da vontade em qualquer direção". Pessoas influenciadas pelo existencialismo tentarão viver a vida com toda intensidade, e tomarão decisões que levem a esse desiderato. Aldous Huxley, por exemplo, defendeu o uso de drogas, já que as mesmas produziam experiências acima da percepção normal. Da mesma forma, pode-se defender o homossexualismo e o adultério.

O existencialismo é o sistema ético dominante em nossa sociedade moderna. Sua influencia percebe-se em todo lugar. A sociedade atual tende a validar eticamente atitudes tomadas com base na experiência individual. Por exemplo, um homem que não é feliz em seu casamento e tem um romance com outra mulher com quem se sente bem, geralmente recebe a compreensão e a tolerância da sociedade.

Ética Naturalística

Esse nome é geralmente dado ao sistema ético que toma como base o processo e as leis da natureza. O certo é o natural — a natureza nos dá o padrão a ser seguido. A natureza, numa primeira observação, ensina que somente os mais aptos sobrevivem e que os fracos, doentes, velhos e debilitados tendem a cair e a desaparecer à medida que a natureza evolui. Logo, tudo que contribuir para a seleção do mais forte e a sobrevivência do mais apto, é certo e bom; e tudo o que dificultar é errado e mau.

Por incrível que possa parecer, essa ética teve defensores como Trasímaco (sofista, contemporâneo de Sócrates), Maquiavel, e o Marquês de Sade. Modernamente, Nietzsche e alguns deterministas biológicos, como Herbert Spencer e Julian Huxley.

A ética naturalística tem alguns pressupostos acerca do homem e da natureza baseados na teoria da evolução: (1) a natureza e o homem são produtos da evolução; (2) a seleção natural é boa e certa. Nietzsche considerava como virtudes reais a severidade, o egoísmo e a agressividade; vícios seriam o amor, a humildade e a piedade.

Pode-se perceber a influência da ética naturalística claramente na sociedade moderna. A tendência de legitimar a eliminação dos menos aptos se observa nas tentativas de legalizar o aborto e a eutanásia em quaisquer circunstâncias. Os nazistas eliminaram doentes mentais e esterilizaram os "inaptos" biologicamente. Sade defendia a exploração dos mais fracos (mulheres, em especial). Nazistas defenderam o conceito da raça branca germânica como uma raça dominadora, justificando assim a eliminação dos judeus e de outros grupos. Ainda hoje encontramos pichações feitas por neo-nazistas nos muros de São Paulo contra negros, nordestinos e pobres. Conscientemente ou não, pessoas assim seguem a ética naturalística da sobrevivência dos mais aptos e da destruição dos mais fracos.

Os cristãos entendem que uma ética baseada na natureza jamais poderá ser legítima, visto que a natureza e o homem se encontram hoje radicalmente desvirtuados como resultado do afastamento da humanidade do seu Criador. A natureza como a temos hoje se afasta do estado original em que foi criada. Não pode servir como um sistema de valores para a conduta dos homens.

Éticas Religiosas

São aqueles sistemas de valores que procuram na divindade (Deus ou deuses) o motivo maior de suas ações e decisões. Nesses sistemas existe uma relação inseparável entre ética e religião. O juiz maior das questões éticas é o que a divindade diz sobre o assunto. Evidentemente, o conceito de Deus que cada um desse sistema mantém, acabará por influenciar decisivamente o código ético e o comportamento a ser seguido.

Éticas Religiosas Não Cristãs

No mundo grego antigo os deuses foram concebidos (especialmente nas obras de Homero) como similares aos homens, com paixões e desejos bem humanos e sem muitos padrões morais (muito embora essa concepção tenha recebido muitas críticas de filósofos importantes da época). Além de dominarem forças da natureza, o que tornava os deuses distintos dos homens é que esses últimos eram mortais. Não é de admirar que a religião grega clássica não impunha demandas e restrições ao comportamento de seus adeptos, a não ser por grupos ascéticos que seguiam severas dietas religiosas buscando a purificação.

O conceito hindú de não matar as vacas vem de uma crença do período védico que associa as mesmas a algumas divindades do hinduísmo, especialmente Krishna. O culto a esse deus tem elementos pastoris e rurais.

O que pensamos acerca de Deus irá certamente influenciar nosso sistema interno de valores bem como o processo decisório que enfrentamos todos os dias. Isso vale também para ateus e agnósticos. O seu sistema de valores já parte do pressuposto de que Deus não existe. E esse pressuposto inevitavelmente irá influenciar suas decisões e seu sistema de valores.

É muito comum na sociedade moderna o conceito de que Deus (ou deuses?) seja uma espécie de divindade benevolente que contempla com paciência e tolerância os afazeres humanos sem muita interferência, a não ser para ajudar os necessitados, especialmente seus protegidos e devotos. Essa concepção de Deus não exige mais do que simplesmente um vago código de ética, geralmente baseado no que cada um acha que é certo ou errado diante desse Deus.

A Ética Cristã

Á ética cristã é o sistema de valores morais associado ao Cristianismo histórico e que retira dele a sustentação teológica e filosófica de seus preceitos.

Como as demais éticas já mencionadas acima, a ética cristã opera a partir de diversos pressupostos e conceitos que acredita estão revelados nas Escrituras Sagradas pelo único Deus verdadeiro. São estes:

1. A existência de um único Deus verdadeiro, criador dos céus e da terra. A ética cristã parte do conceito de que o Deus que se revela nas Escrituras Sagradas é o único Deus verdadeiro e que, sendo o criador do mundo e da humanidade, deve ser reconhecido e crido como tal e a sua vontade respeitada e obedecida.

2. A humanidade está num estado decaído, diferente daquele em que foi criada. A ética cristã leva em conta, na sistematização e sintetização dos deveres morais e práticos das pessoas, que as mesmas são incapazes por si próprias de reconhecer a vontade de Deus e muito menos de obedecê-la. Isso se deve ao fato de que a humanidade vive hoje em estado de afastamento de Deus, provocado inicialmente pela desobediência do primeiro casal. A ética cristã não tem ilusões utópicas acerca da "bondade inerente" de cada pessoa ou da intuição moral positiva de cada uma para decidir por si própria o que é certo e o que é errado. Cegada pelo pecado, a humanidade caminha sem rumo moral, cada um fazendo o que bem parece aos seus olhos. As normas propostas pela ética cristã pressupõem a regeneração espiritual do homem e a assistência do Espírito Santo, para que o mesmo venha a conduzir-se eticamente diante do Criador.

3. O homem não é moralmente neutro, mas inclinado a tomar decisões contrárias a Deus, ao próximo. Esse pressuposto é uma implicação inevitável do anterior. As pessoas, no estado natural em que se encontram (em contraste ao estado de regeneração) são movidas intuitivamente, acima de tudo, pela cobiça e pelo egoísmo, seguindo muito naturalmente (e inconscientemente) sistemas de valores descritos acima como humanísticos ou naturalísticos. Por si sós, as pessoas são incapazes de seguir até mesmo os padrões que escolhem para si, violando diariamente os próprios princípios de conduta que consideram corretos.

4. Deus revelou-se à humanidade. Essa pressuposição é fundamental para a ética cristã, pois é dessa revelação que ela tira seus conceitos acerca do mundo, da humanidade e especialmente do que é certo e do que é errado. A ética cristã reconhece que Deus se revela como Criador através da sua imagem em nós. Cada pessoa traz, como criatura de Deus, resquícios dessa imagem, agora deformada pelo egoísmo e desejos de autonomia e independência de Deus. A consciência das pessoas, embora freqüentemente ignorada e suprimida, reflete por vezes lampejos dos valores divinos. Deus também se revela através das coisas criadas. O mundo que nos cerca é um testemunho vivo da divindade, poder e sabedoria de Deus, muito mais do que o resultado de milhões de anos de evolução cega. Entretanto é através de sua revelação especial nas Escrituras que Deus nos faz saber acerca de si próprio, de nós mesmos (pois é nosso Criador), do mundo que nos cerca, dos seus planos a nosso respeito e da maneira como deveríamos nos portar no mundo que criou.
Assim, muito embora a ética cristã se utilize do bom senso comum às pessoas, depende primariamente das Escrituras na elaboração dos padrões morais e espirituais que devem reger nossa conduta neste mundo. Ela considera que a Bíblia traz todo o conhecimento de que precisamos para servir a Deus de forma agradável e para vivermos alegres e satisfeitos no mundo presente. Mesmo não sendo uma revelação exaustiva de Deus e do reino celestial, a Escritura, entretanto, é suficiente naquilo que nos informa a esse respeito. Evidentemente não encontraremos nas Escrituras indicações diretas sobre problemas tipicamente modernos como a eutanásia, a AIDS, clonagem de seres humanos ou questões relacionadas com a bioética. Entretanto, ali encontraremos os princípios teóricos que regem diferentes áreas da vida humana. É na interação com esses princípios e com os problemas de cada geração, que a ética cristã atualiza-se e contextualiza-se, sem jamais abandonar os valores permanentes e transcendentes revelados nas Escrituras.

É precisamente por basear-se na revelação que o Criador nos deu que a ética cristã estende-se a todas as dimensões da realidade. Ela pronuncia-se sobre questões individuais, religiosas, sociais, políticas, ecológicas e econômicas. Desde que Deus exerce sua autoridade sobre todas as dimensões da existência humana, suas demandas nos alcançam onde nos acharmos – inclusive e principalmente no ambiente de trabalho, onde exercemos o mandato divino de explorarmos o mundo criado e ganharmos o nosso pão.

É nas Escrituras Sagradas, portanto, que encontramos o padrão moral revelado por Deus. Os Dez Mandamentos e o Sermão do Monte proferido por Jesus são os exemplos mais conhecidos. Entretanto, mais do que simplesmente um livro de regras morais, as Escrituras são para os cristãos a revelação do que Deus fez para que o homem pudesse vir a conhecê-lo, amá-lo e alegremente obedecê-lo. A mensagem das Escrituras é fundamentalmente de reconciliação com Deus mediante Jesus Cristo. A ética cristã fundamenta-se na obra realizada de Cristo e é uma expressão de gratidão, muito mais do que um esforço para merecer as benesses divinas.

A ética cristã, em resumo, é o conjunto de valores morais total e unicamente baseado nas Escrituras Sagradas, pelo qual o homem deve regular sua conduta neste mundo, diante de Deus, do próximo e de si mesmo. Não é um conjunto de regras pelas quais os homens poderão chegar a Deus – mas é a norma de conduta pela qual poderá agradar a Deus que já o redimiu. Por ser baseada na revelação divina, acredita em valores morais absolutos, que são à vontade de Deus para todos os homens, de todas as culturas e em todas as épocas.

Autor: Rev. Augustus Nicodemus Lopes

Fonte: [ CACP ]
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Pergunta: "O que a Bíblia diz sobre o aborto?"

Resposta: 
A Bíblia não trata especificamente sobre a questão do aborto. No entanto, há inúmeros ensinamentos nas Escrituras que deixam muitíssimo clara qual é a visão de Deus sobre o aborto. Jeremias 1:5 nos diz que Deus nos conhece antes de nos formar no útero. Êxodo 21:22-25 dá a mesma pena a alguém que comete um homicídio e para quem causa a morte de um bebê no útero. Isto indica claramente que Deus considera um bebê no útero como um ser humano tanto quanto um adulto. Para o cristão, o aborto não é uma questão sobre a qual a mulher tem o direito de escolher. É uma questão de vida ou morte de um ser humano feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27; 9:6).

O primeiro argumento que sempre surge contra a opinião cristã sobre o aborto é: “E no caso de estupro e/ou incesto?”. Por mais horrível que fosse ficar grávida como resultado de um estupro e/ou incesto, isto torna o assassinato de um bebê a resposta? Dois erros não fazem um acerto. A criança resultante de estupro/incesto pode ser dada para adoção por uma família amável incapaz de ter filhos por conta própria – ou a criança pode ser criada pela mãe. Mais uma vez, o bebê não deve ser punido pelos atos malignos do seu pai.

O segundo argumento que surge contra a opinião cristã sobre o aborto é: “E quando a vida da mãe está em risco?”. Honestamente, esta é a pergunta mais difícil de ser respondida quanto ao aborto. Primeiro, vamos lembrar que esta situação é a razão por trás de menos de um décimo dos abortos realizados hoje em dia. Muito mais mulheres realizam um aborto porque elas não querem “arruinar o seu corpo” do que aquelas que realizam um aborto para salvar as suas próprias vidas. Segundo, devemos lembrar que Deus é um Deus de milagres. Ele pode preservar as vidas de uma mãe e da sua criança, apesar de todos os indícios médicos contra isso. Porém, no fim das contas, esta questão só pode ser resolvida entre o marido, a mulher e Deus. Qualquer casal encarando esta situação extremamente difícil deve orar ao Senhor pedindo sabedoria (Tiago 1:5) para saber o que Ele quer que eles façam.

94% dos abortos realizados hoje em dia são por razões diferentes da vida da mãe estar em risco. A vasta maioria das situações pode ser qualificada como “Uma mulher e/ou seu parceiro decidindo que não querem o bebê que eles conceberam”. Isto é um terrível mal. Mesmo nos outros 6%, onde há situações mais difíceis, o aborto jamais deve ser a primeira opção. A vida de um ser humano no útero é digna de todo o esforço necessário para permitir um processo de concepção completo.

Para aquelas que fizeram um aborto – o pecado do aborto não é menos perdoável do que qualquer outro pecado. Através da fé em Cristo, todos e quaisquer pecados podem ser perdoados (João 3:16; Romanos 8:1; Colossenses 1:14). Uma mulher que fez um aborto, ou um homem que encorajou um aborto, ou mesmo um médico que realizou um – todos podem ser perdoados pela fé em Cristo.

Pergunta: "O que a Bíblia diz sobre o aborto espontâneo?"

Resposta: 
Provavelmente a pergunta mais comum que as pessoas fazem depois de um aborto é "Por que isso aconteceu?" ou "Por que Deus fez isso comigo?". Não há respostas fáceis para essas perguntas. De fato, não há nenhuma conclusão satisfatória a respeito de por que coisas ruins acontecem com as pessoas, especialmente com crianças inocentes que ainda nem começaram a viver. Devemos entender que Deus não tira os nossos entes queridos de nós como uma espécie de castigo cruel. A Bíblia nos diz que "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Romanos 8:1).

Os abortos espontâneos são geralmente causados por padrões anormais de cromossomos no feto. Quando essas anormalidades são detectadas, o crescimento é interrompido e o aborto espontâneo é o resultado. Em outros casos, os abortos são causados por malformações uterinas, alterações hormonais, problemas com o sistema imunológico, infecções crônicas e doenças. Depois de milhares de anos de pecado, morte e destruição pessoal, não deve surpreender-nos que distúrbios genéticos acabariam se tornando comuns.

A Bíblia não comenta especificamente sobre abortos espontâneos. Podemos ter certeza, porém, que Deus se compadece daqueles que têm sofrido por causa deles. Ele chora e sofre com a gente simplesmente porque nos ama e sente a nossa dor. Jesus Cristo, o Filho de Deus, prometeu enviar o Seu Espírito a todos os crentes para que nunca tivéssemos que passar por provações sozinhos (João 14:16). Jesus disse em Mateus 28:20: "E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século."

Qualquer crente que tenha sofrido um aborto espontâneo deve ter fé na gloriosa esperança de um dia ver o seu filho novamente. Para Deus, um feto não é apenas um feto ou um "pedaço de tecido", mas um dos Seus filhos. Jeremias 1:5 diz que Deus nos conhece enquanto ainda estávamos no útero. Lamentações 3:33 nos diz que Deus "não aflige, nem entristece de bom grado os filhos dos homens." Jesus prometeu deixar-nos com um dom de paz diferente de qualquer tipo de paz que o mundo possa dar (João 14:27).

Romanos 11:36 nos lembra que tudo existe pelo poder de Deus e destina-se para a Sua glória. Apesar de não infligir sofrimento em nós como punição, Deus ainda permite que coisas entrem em nossas vidas para que possamos usá-las para trazer glória a Ele. Jesus disse: "Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo" (João 16:33).

Pergunta: "Será que os fins justificam os meios?"

Resposta: 
A resposta a esta questão depende do que esses fins ou metas são e os meios que estão sendo utilizados para alcançá-los. Se os objetivos são bons e nobres e os meios que usamos para atingi-los também são bons e nobres, então sim, os fins justificam os meios. Entretanto, não é isso o que a maioria das pessoas quer dizer quando usa a expressão. A maioria usa isso como uma desculpa para alcançar seus objetivos através de quaisquer meios necessários, não importa quão imoral, ilegal ou desagradável esse meio seja. O que a expressão geralmente significa é algo assim: "Não importa como você alcance o que quer, contanto que você o alcance."

A expressão "o fim justifica os meios" normalmente envolve fazer algo errado para atingir um fim positivo e justificar esse erro ao apontar para um bom resultado. Um exemplo seria mentir no currículo para conseguir um bom emprego e justificar a mentira ao dizer que o maior salário permitirá que o mentiroso providencie de forma mais adequada para a sua família. Outra pessoa pode tentar justificar o aborto de um bebê para salvar a vida da mãe. Mentir e dar fim a uma vida inocente são moralmente errados, mas o sustento da família e salvar a vida de uma mulher são moralmente corretos. Onde, então, estabelecer um limite?

O dilema sobre os fins/meios é um cenário popular na discussão ética. Normalmente, a pergunta é algo assim: "Se você pudesse salvar o mundo matando alguém, você faria isso?" Se a resposta for "sim", então um resultado moralmente certo justifica o uso de meios imorais para ser alcançado. No entanto, há três coisas diferentes a considerar em tal situação: a moralidade da ação, a moralidade do resultado e a moralidade da pessoa que executa a ação. Nesta situação, a ação (assassinato) é claramente imoral e o assassino também o é, mas salvar o mundo é um resultado bom e moral. É mesmo? Que tipo de mundo está sendo salvo se os assassinos são autorizados a decidir quando e se o assassinato é justificado e ainda permanecem livres? Ou será que o assassino terá que encarar punição pelo seu crime no mundo que salvou? O mundo que foi salvo será justificado em tirar a vida de alguém que tinha acabado de salvá-lo?

Do ponto de vista bíblico, é claro, o que está faltando nessa discussão é o caráter de Deus, a lei de Deus e a providência de Deus. Porque sabemos que Deus é bom, santo, justo, misericordioso e reto, quem tem o Seu nome deve refletir o Seu caráter (1 Pedro 1:15-16). Assassinar, mentir, roubar e todos os tipos de comportamentos pecaminosos são a expressão da natureza pecaminosa do homem, não a natureza de Deus. Para o cristão cuja natureza tem sido transformada por Cristo (2 Coríntios 5:17), não deve haver a justificação do comportamento imoral, não importa a sua motivação ou resultado. Deste Deus santo e perfeito, temos uma lei que reflete os Seus atributos (Salmo 19:7; Romanos 7:12). Os Dez Mandamentos deixam claro que o assassinato, adultério, roubo, mentira e ganância são inaceitáveis aos olhos de Deus e Ele não tem uma "cláusula de escapamento" para a motivação ou racionalização. Observe que Ele não diz: "Não matarás a não ser que seja para salvar uma vida." Isso é chamado de "ética situacional" e não há espaço para isso na lei de Deus. Então, claramente, do ponto de vista de Deus, não há fins que justificam os meios de quebrar a Sua lei. Vale à pena salientar, no entanto, que muitas pessoas cometem o erro de dizer que o mandamento da Bíblia, “Não matarás”, aplica-se à guerra. No entanto, a Bíblia na verdade diz que não devemos assassinar. A palavra hebraica significa literalmente “o assassinato intencional, malicioso e premeditado de outra pessoa”. 

Também em falta na discussão sobre os fins/meios é uma compreensão da providência de Deus. Deus não se limitou a criar o mundo, preenchê-lo com pessoas e depois deixá-las para sobreviver por conta própria, sem nenhuma supervisão dEle. Pelo contrário, Deus tem realizado o Seu plano e propósito para a humanidade através dos séculos. Cada decisão tomada por cada pessoa na história tem sido sobrenaturalmente aplicada a esse plano. Ele afirma esta verdade de forma inequívoca: "que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade; que chamo a ave de rapina desde o Oriente e de uma terra longínqua, o homem do meu conselho. Eu o disse, eu também o cumprirei; tomei este propósito, também o executarei" (Isaías 46:10-11). 

 Deus está intimamente envolvido e no controle de Sua criação. Além disso, Ele afirma que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que o amam e são chamados segundo o Seu propósito (Romanos 8:28). Um cristão que mente em um currículo ou aborta um bebê estaria violando a lei de Deus e negando a Sua capacidade de sustentar uma família e preservar a vida de uma mãe se essa for a Sua vontade. Aqueles que não conhecem a Deus podem ser forçados a justificar os seus meios para um fim, mas aqueles que se dizem filhos de Deus não têm qualquer razão para quebrar um dos mandamentos de Deus, negar o Seu propósito soberano ou envergonhar o Seu nome.

Como devem os pais cristãos lidar com uma filha adolescente que ficou grávida?"

Resposta: P
arece que uma das coisas mais difíceis para os cristãos se lembrarem é que não é um pecado estar grávida. Não é um pecado estar grávida fora do casamento. E não é um pecado nascer de pais que não são casados. É um pecado ter relações sexuais fora do casamento - tanto para o homem quanto para a mulher. No entanto, um relacionamento íntimo antibíblico é uma coisa muito mais fácil de esconder dos olhos críticos do que uma gravidez e, infelizmente, menos prejudicial para a reputação de uma família na comunidade cristã.

Por mais decepcionante e esmagador que seja ficar sabendo que uma filha adolescente está grávida, é fundamental manter uma perspectiva eterna sobre o assunto. O pecado está feito. As influências sob as quais os adolescentes têm estado que os encorajaram a pecar não podem ser evitadas agora. Esta nova situação não se trata da moralidade do sexo fora do casamento ou da reputação de uma família, mas do desenvolvimento de uma criança. Todas as crianças são bênçãos de Deus, e Ele tem um plano para cada uma (Salmo 139:13-18). Mesmo se as circunstâncias ao redor da vinda do bebê não sejam ideais, essa criança é tão preciosa e amada por Deus como qualquer outra.

A filha grávida também é preciosa para Deus. O papel dos pais é ensinar e orientar seus filhos a viverem vidas que agradem a Deus sempre, não importa o que estejam enfrentando. Esta é uma excelente oportunidade para fazer exatamente isso. A menina pode estar com medo, envergonhada e bastante emocional, e é a responsabilidade dos pais ajudá-la a enxergar além dessa emoção e virar-se ao Pai Celestial.

Alguns pais temem que dar a sua filha o amor e apoio de que ela precisa vai incentivar o comportamento que levou à gravidez. Mas, mais uma vez, estar grávida e dar à luz uma criança não é um pecado, e há muitos outros benefícios para de forma ativa e pública apoiar uma adolescente grávida. Isso promove um ambiente em que a criança é valorizada como uma bênção e incentiva o pai a assumir a responsabilidade sem medo. Além disso, faz do aborto uma opção muito menos desejável.

Se uma família abandona a sua adolescente grávida - até mesmo emocionalmente- ela será muito mais propensa a tomar decisões prejudiciais. Ela pode pensar que se casar com o pai do bebê é a única opção. Pode não saber como cuidar de sua saúde e da do bebê. Outras adolescentes grávidas podem ver essa relação volátil e manter a sua própria condição em segredo.

Por outro lado, a menina vai ser capaz de tomar decisões muito mais sábias sobre seu futuro e do seu bebê se ela puder descansar na aceitação e orientação amorosa dos seus pais. Tornar esta viagem emocionalmente mais difícil não vai incentivar o seu pensamento claro. Os pais sábios ajudarão a sua filha a analisar as opções de manter a criança ou de dá-la para adoção. Também pode ser benéfico envolver o pai e sua família; ele precisa assumir a sua responsabilidade o tanto quanto a mãe. Depois da oração cuidadosa, os pais devem ser claros sobre o nível de apoio que podem dar na educação da criança. Se possível, utilize os centros cristãos de apoio à gravidez indesejada.

Nosso Deus é um Deus poderoso que pode, apesar do pecado, trazer alegria e bênção. Provavelmente haverá momentos incrivelmente difíceis pela frente para a adolescente grávida e sua família, mas o nosso Deus é o Deus que redime.















Dicionário de Ética Cristã / Carl Henry



Uma das grandes dificuldades na atualidade é saber como se portar diante de dilemas éticos: aborto, crime, delinquência juvenil, família, homossexualidade, racismo, socialismo, relativismo cultural, etc.

O “Dicionário de Ética Cristã”, publicado por Cultura Crista Editora, é obra imprescindível para auxiliar cristãos a se posicionarem diante destes debates éticos. Esta obra contém ensaios escritos por 263 eruditos evangélicos internacionais, abordando diferentes aspectos da ética cristã por meio de centenas de verbetes, tratando de temas importantes nesta área sensível, assim como muitos outros tópicos relacionados com a fé cristã.
A ampla, mas erudita abordagem dos temas, servirá de apoio para os que desejam aplicar a Escritura aos problemas éticos de nossos dias.

Abaixo, trechos do verbete “socialismo”, escrito por Edmund A. Opitz:

“A quintessência do socialismo moderno é a propriedade, por parte do governo, das propriedades produtivas e o gerenciamento e a direção centralizada da vida econômica. (...) O socialismo está em luta contra a Sociedade Livre... (...). O socialismo tem um plano que abarca tudo, que um grupo de homens com poder político devem impor sobre a massa dos cidadãos para que os alvos e propósitos desejados pela nação possam ser realizados. (...) O socialismo significa uma nação com duas espécies de homens: os poucos que detém o poder de dirigir as coisas e os muitos cuja vida é dirigida por outros homens. Que tipo de pessoa se adapta melhor à tarefa de encaixar a vida dos outros dentro do Plano? (...) O homem que tem a autoridade e o poder de colocar as massas em seu passo e punir os não conformistas terá de ser implacável o suficiente para sacrificar uma pessoa por um princípio. Os imperativos operacionais de uma ordem socialista exigem essa espécie de ação. (...) A distorção da visão cristã é óbvia aqui; o socialismo necessita uma religião secular para sancionar sua política autoritária, e substitui a ordem moral tradicional por um código que subordine o indivíduo ao coletivo. Essa inversão de valores tem a intenção de melhorar o bem estar econômico, mas em vão. O socialismo promete distribuir a abundância mas não sabe como produzi-la.”

Apresentação por: Franklin Ferreira 






TRABALHO — O QUE É ISSO?

Texto Básico: Gênesis 3.19
Leitura Diária

Domingo: Ef 4.28 – Trabalhar fazendo o que é bom
Segunda: Dt 25.4 – O boi que debulha pode comer
Terça: 1Ts 4.9-12 – Trabalhar com as próprias mãos
Quarta: Gn 2.15-19 – O trabalho antes do pecado
Quinta: Sl 128.1-6 – Do trabalho comerás
Sexta: Pv 6.6-11 – O exemplo da formiga
Sábado: Pv 21.25 – O preguiçoso morre desejando

Introdução

Muitos cristãos fazem uma nítida separação entre sua vida espiritual ou religiosa e sua vida secular. Agindo assim, esses irmãos encontram muita dificuldade em perceber como sua fé deve se relacionar com todas as áreas da vida. Por exemplo, por imaginarem que o trabalho é uma atividade puramente secular, nem sempre enxergam com clareza as implicações de sua fé para o seu exercício profissional. Sabem que não devem trapacear, nem mentir no trabalho e até compartilham sua fé com algum amigo. No entanto, muito raramente, levam em consideração questões básicas, como: Minha fé afeta os produtos que faço? Meu compromisso com Cristo influencia a maneira como vendo os produtos que minha empresa comercializa? Minha participação na aliança da graça afeta a maneira como enxergo meu salário e meus lucros?
Neste trimestre, estudaremos o modo como nossa atividade profissional interage com nossa fé. O intuito é mostrar que o reino de Deus é muito mais amplo do que a igreja e todas as áreas da nossa vida, com todas as atividades que realizamos, quer elas sejam consideradas religiosas ou não, precisam ser feitas de modo agradável ao Senhor.

I. A visão grega do trabalho

O modo como os antigos gregos enxergavam a vida tem muita influência no mundo ocidental. O modo como interagiam com o mundo e a sociedade, por meio de sua filosofia, influenciou não apenas as cidades gregas, mas todo o Império Romano. Ainda hoje influencia muito a maneira como nossa sociedade interpreta a realidade. É por isso que é tão importante levarmos em consideração a opinião dos gregos antigos sobre o trabalho.
Para eles, o trabalho era algo muito ruim, um mal irremediável que devia ser evitado a todo custo. Eles acreditavam que o trabalho com as artes, o comércio ou a terra não tinham nobreza. Em linhas gerais, o trabalho servia apenas para roubar o tempo, que deveria ser aproveitado com amizades e prazeres. Segundo Hesíodo, o trabalho começou com Eris, a deusa da discórdia, e o labor veio da caixa de Pandora, como um castigo de Zeus. Cícero considerava o trabalho sem valor e sórdido.
Como conciliar essa visão sobre o trabalho com a necessidade de que o trabalho seja feito? Os gregos não eram contra o trabalho. Eles apenas não aceitavam que pessoas livres se dedicassem a ele. Não tinham nada contra o trabalho feito por animais ou pelos escravos. Segundo os gregos, os trabalhadores (escravos) vêm ao mundo, trabalham, reproduzem-se e morrem, sem deixar marcas de sua existência. Os homens livres, por sua vez, vêm ao mundo, ocupam-se da filosofia, da cidadania e da satisfação de suas necessidades e prazeres. No entanto, como temos um corpo e nossa vida está diretamente ligada a ele, precisamos cuidar dele, alimentá-lo e vesti-lo, até que seus dias cheguem ao fim. Os cuidados com o corpo geram trabalho. Os homens livres têm escravos que cuidam desse trabalho.
Percebe como essa visão grega sobre o trabalho, que existe há milhares de anos, continua viva? A opinião popular mostra que o trabalho é uma atividade árdua, realizada por pessoas que precisam trabalhar para sobreviver e, por isso, submetem-se às exigências de uma ocupação e de um chefe (aqui há o conceito de que trabalho é coisa de escravo). Além disso, o bom mesmo é poder se divertir sem ter que se preocupar com acordar cedo para trabalhar.
Mas será que é isso mesmo? O trabalho é apenas um mal inevitável? Um mal ao qual temos de nos submeter como escravos para ter o que comer e vestir? Sujeitamo-nos a ocupações próprias de animais simplesmente para abastecer nosso próprio “cocho”?

II. A visão medieval do trabalho

A Idade Média é outro período que tem grande influência sobre o modo como o trabalho é encarado. Esta influência é resultado do pensamento dos teólogos medievais que, normalmente, davam pouco valor ao trabalho.
Os cristãos medievais acreditavam que o trabalho era instrumentalmente bom. Em outras palavras, o trabalho era bom porque produzia bons resultados. Ele alimentava o corpo, humilhava a alma e agradava a Deus. Mas, para aqueles cristãos, o trabalho não tinha um valor intrínseco, isto é, o trabalho não tinha valor em si mesmo. Se a pessoa tinha com o que se sustentar, não precisava trabalhar. É claro que essa opinião sobre o trabalho era muito influenciada pela filosofia grega.
Mais uma vez, os cristãos tiveram dificuldade de enxergar a relação que seu trabalho tinha com sua fé, assim como acontece hoje. Alguns cristãos conseguem perceber a importância de não mentir no trabalho ou de cumprir as promessas feitas aos colegas de trabalho, ou mesmo de não trabalhar aos domingos, mas dificilmente percebem o que sua fé tem a ver com os produtos que fabricam ou vendem, ou com os serviços que prestam.

III. As visões renascentista e reformada do trabalho

Os cristãos do Renascimento tinham uma visão mais clara de Deus, e isso produziu neles uma visão mais clara do trabalho e da relação que ele tem com a fé cristã. Em vez de interpretarem Deus como um ser passivo e distante, que pouco ou nada tem que ver com o mundo criado, os cristãos do Renascimento chamavam Deus de artesão do universo.
Segundo eles, Deus demonstrou seu poder e sua sabedoria ao criar o universo. Como resultado dessa alta consideração que tinham por Deus, como artesão, esses cristãos passaram a dar mais valor à habilidade profissional, ao empenho, ao lucro e ao próprio trabalho. Giordano Bruno, por exemplo, pensava que o trabalho era bom porque fazia os homens desenvolverem suas capacidades criativas, que eventualmente os levaria a exercer controle sobre a terra e cumprir o mandato que Deus tinha dado a Adão na Criação.
O Renascimento negava que o trabalho fosse uma atividade própria dos animais, pois os animais trabalham sem pensamento ou variação, conforme padrões rígidos de comportamento instintivo, enquanto os homens usam a imaginação, planejando e executando suas ações. Eles criam, inovam, fabricam coisas a partir dos materiais da natureza. Assim, há um sentido em que o trabalho é um reflexo do fato de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus.
A Reforma levou a afirmação do trabalho um passo mais à frente. Martinho Lutero declarou que o fazendeiro, removendo esterco, e a criada, tirando leite da vaca, agradam a Deus na mesma intensidade que o pastor que prega ou ora, se todos estiverem fazendo seu trabalho fielmente.
É Deus quem nos chama e nos capacita para exercermos nossa atividade profissional. Ao cumprirmos este chamado nos tornamos agentes do cuidado amoroso e providencial de Deus. Pelas mãos dos homens, enquanto eles trabalham, o Senhor responde às orações de seus filhos. À noite, oramos pelo nosso pão de cada dia, e os padeiros se levantam cedo para assá-lo. Oramos por segurança na viagem, e os mecânicos consertam os carros e os aviões. Quando desempenhamos nossas vocações fielmente, os nus são vestidos, os famintos são alimentados, os enfermos são curados, os ignorantes são educados.
Calvino e os puritanos concordam que os homens agradam a Deus quando se ocupam de vocações honestas. De fato, toda tarefa, mesmo as que são tidas em baixa estima pelas pessoas, é preciosa aos olhos de Deus, se for exercida para a glória do Senhor, que nos vocaciona e nos capacita para o trabalho.
Os cristãos só devem se ocupar de atividades lícitas. As atividades ilícitas não correspondem a nenhum chamado de Deus. Por exemplo, nenhum cristão é chamado por Deus para produzir ou distribuir produtos piratas ou para vender produtos sem nota fiscal, por exemplo. Há vários pecados envolvidos nesse tipo de atividade (fraude, mentira e roubo). No entanto, deve chamar nossa atenção o fato de que temos a exortação bíblica de trabalhar fazendo o que é bom (Ef 4.28). Isso envolve trabalhar em harmonia com as leis vigentes, dando a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Mas não basta trabalhar com aquilo que é lícito. Há atividades que são lícitas, mas não se harmonizam com a fé que professamos, como a produção e comercialização de tabaco, produtos de baixa qualidade e até pornografia.
As ideias dos reformadores permanecem centrais para um conceito cristão de trabalho. Ambos se recusaram a dividir a vida entre atividades seculares e atividades sacras. Ambos enfatizaram nossa habilidade de honrar a Deus em nossas tarefas diárias.
Existem diferenças entre Calvino e os outros reformadores. Lutero e a maioria dos puritanos acreditavam que estruturas sociais eram quase imutáveis. Eles incentivavam os homens a servir no lugar ou classe dado pelo costume social. Mas Calvino acrescentou que a sociedade como um todo pode ser reformada. Nós devemos tentar reformar estruturas sociais para promover justiça para a sociedade caída, e não apenas para indivíduos. Há reformas sociais importantes que precisam ser abraçadas e realizadas pelos cristãos, tais como: acesso à saúde e à educação e geração de emprego e renda para todos.
Os reformadores fizeram duas alegações cruciais. Primeiro, nenhum lugar de trabalho é absolutamente secular. Por mais degradado que um lugar possa ser, Deus o reivindica. Temos o dever de honrar nosso trabalho com um exercício profissional de boa qualidade. Segundo, Deus nos reforma por meio de nosso trabalho. Esses princípios nos capacitam a viver como seus filhos no local de trabalho e a exercer seu reinado ali.

IV. A visão contemporânea do trabalho

O relato de Gênesis 2.15-19 mostra que Deus colocou o trabalho nos seus planos para o homem. Ainda antes que houvesse pecado, havia trabalho e ele era feito com alegria, como parte da vida. Portanto, temos motivos para olhar o trabalho com mais otimismo.
Algo que precisa ser levado em consideração no estudo deste trimestre é que, segundo o ponto de vista da sociedade moderna, pessoas que têm ocupações consideradas de maior status são mais bem vistas, enquanto pessoas que têm ocupações mais modestas são tratadas com descaso. O cristão não pode submeter-se a esta visão equivocada. O fato de muitas pessoas possuírem empregos modestos não as torna inferiores a ninguém. Deus não faz esse tipo de distinção. De modo nenhum ele trata com descaso os lavadores de louça ou as faxineiras que realizam as tarefas mais humildes. Deus não conhece nenhum sistema de castas e não nos separa por categorias de nenhuma espécie. Lembre-se de que entre os amigos de Jesus estavam pessoas humildes, como pescadores e pastores de ovelhas. Todo trabalho honesto possui valor perante Deus.
Outro elemento que precisa ser levado em conta quando apresentamos a visão contemporânea do trabalho é a fadiga a que os trabalhadores são submetidos por vários motivos. Um deles é a precariedade dos sistemas de transporte público (muitos trabalhadores passam horas, todos os dias, em ônibus e trens lotados). Outro é a opressão desumana que muitos sofrem no local de trabalho. Chega a causar arrepios o fato de haver no Brasil, ainda hoje, milhares de pessoas que trabalham em regime de escravidão. Além dos escravos modernos, há os trabalhadores que são diariamente oprimidos em seu local de trabalho por chefes autoritários, por terem de trabalhar em locais sem higiene ou pelas condições desumanas em que o trabalho é realizado.
Toda condição de trabalho que torne o labor opressivo deve ser condenada abertamente. A Escritura afirma que o trabalhador precisa ser tratado com dignidade. Em 1Timóteo 5.18, o apóstolo afirma que “o trabalhador é digno do seu salário”. No mesmo texto, ele repete o ensinamento de Deuteronômio 25.4 que diz: “Não amordaces o boi, quando pisa o trigo”. Ora, se Deus se preocupa em nos dar mandamentos que nos impeçam de sermos injustos até mesmo com os animais, com quanta dignidade devemos tratar os seres humanos que trabalham conosco ou para nós? O regime opressor a  que muitos trabalhadores são submetidos, e as precárias condições de trabalho existentes em muitas empresas, explicam por que tantas pessoas começam a sonhar com a aposentaria aos 40 anos de idade.
Consideremos, também, os trabalhos importantes que não geram rendimento. Por exemplo, o trabalho voluntário e o trabalho doméstico. Visto que trabalho é mais do que subsistência, muitas pessoas continuam trabalhando por prazer, até mesmo depois que se aposentam. Muitas trabalham em casa, fazendo pequenos trabalhos domésticos apenas para desenvolver suas habilidades manuais e sua capacidade criadora. Outras se dedicam às atividades domésticas. A maioria, por obrigação e sem prazer. A estes, é preciso dizer que esse trabalho é tão sublime e tão necessário quanto qualquer outro. Outros fazem isso por opção, por gostarem de ver a casa arrumada e cheirosa. A estes, é necessário dizer que os dons que Deus nos dá nem sempre têm o objetivo de nos proporcionar ganho financeiro, mas sempre têm o objetivo de nos levar a desempenhar tarefas importantes para nossa sociedade e para nossa família. O trabalho nos dá significado e direção, identidade e propósito. Pelo trabalho, ganhamos a satisfação de contribuir para algo maior do que nós mesmos.
Por fim, reconhecidamente muitos trabalham porque se conformam com os papéis que a sociedade impõe a eles. A sociedade premia os trabalhadores e pune os preguiçosos. Mas fazemos mais do que ganhar dinheiro e status social com nosso trabalho. O trabalho é afetado pela maldição a que está submetido pelo pecado e pela irritação de trabalharmos com outros pecadores, tão limitados e tão imperfeitos quanto nós mesmos. No entanto, ele ainda tem valor intrínseco, porque Deus trabalha e nos convoca para sermos seus companheiros de trabalho.
Nas próximas lições veremos que, para tirar o máximo proveito do trabalho, devemos descobrir nossos talentos e nossa vocação.

Conclusão

Os gregos e os pensadores da Idade Média tinham uma visão distorcida do trabalho que afeta o conceito de trabalho até os nossos dias. Com o Renascimento e a Reforma Protestante, esse conceito foi revisto, para se adequar ao que ensina a Escritura. Os cristãos da atualidade devem manter essa visão bíblica do trabalho e transmiti-la pelo ensino e testemunho pessoal.

Aplicação

Hoje vimos que nenhum trabalho é inteiramente secular. Como esta convicção afeta seu trabalho? O que a lição de hoje pode ajudá-lo a mudar em sua vida ou em seu exercício profissional? Você trabalha para a honra de Deus e seu reino enquanto aperta parafusos ou varre o chão da empresa?




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“Honras de tal forma teus excrementos a ponto de recebê-los em vasilhas de prata quando outro homem criado à imagem de Deus está morrendo de frio?”


— João Crisóstomo


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