segunda-feira, 22 de julho de 2013

Acervo da Teologia

Orando com Poder e Autoridade - Livro



É fácil falar sobre oração. Mas sua prática é difícil. Este livro vai ajudá-lo a orar com mais autoridade e sentir que suas orações fazem diferença neste mundo incrédulo. Seu objetivo é conduzir o leitor à oração de poder, que habilita o crente a participar dos projetos divinos neste mundo.

 O propósito deste livro é lançar bases bíblicas sólidas para a redescoberta e a prática fiel da oração capaz de mudar a história. Se você está desejoso de levar a oração mais a sério, explorando a possibilidade de avivamento em nossa sociedade, ou buscando a renovação da igreja, este livro é para você.


  A oração como Instrumento Criativo

Jesus viveu e desenvolveu seu ministério em intensa oração (Mc 1.35). A tarefa que ele havia recebido do Pai era pregar o reino de Deus (Mc 1:14-15) e edificá-lo. Jesus foi o Criador último. Ele edificou uma Nova Criação que deve crescer continuamente, até que preencha o céu e a terra por toda a eternidade. A oração faz parte de seus métodos para a edificação dessa nova realidade.

  Os cristãos dos dias atuais normalmente têm achado que não precisam orar. Muitos têm abandonado a oração porque a consideram um empreendimento infrutífero, passivo demais ou duvidoso para quem gosta de construir e dar forma às coisas de modo ativo. No entanto, se houve alguém que realmente construiu e deu forma às coisas, essa pessoa foi Jesus. Colocamos em perigo nossos esforços, se pensarmos que temos um caminho melhor que o dele. Jesus nos deu seu exemplo para que seguíssemos seus passos (Jo 13:15) - e seus passos levam à oração antes de conduzir a qualquer outro lugar.


A oração que estamos mencionando é algo forte e robusto, uma ferramenta para pessoas criativas, como as ferramentas usadas pelos carpinteiros e construtores. Essa oração, que estamos chamando de oração dinâmica, constrói novas realidades onde antes nada existia: lares espirituais, segurança, novas igrejas, avanço missionário. Pela oração, somos desafiados a ver de antemão essas realidades num mundo devastado e vazio. Participando desse ministério de oração, iremos fazer acontecer o futuro que Deus planejou.

Martinho Lutero 

  Martinho Lutero viveu no século XVI, um dos períodos de maior corrupção e autodestruição da história européia. A Alemanha dos dias de Lutero era um solo espiritual improdutivo. A  Igreja havia se corrompido com a riqueza. A imoralidade sexual estava tão espalhada que havia adentrado até os mosteiros, lugares que, a princípio, eram um convite a uma vida sem qualquer mácula mundana. A discórdia política desestabilizara tanto a Igreja que havia, simultaneamente, três papas brigando pelo controle político da Igreja Católica Romana.

   Martinho Lutero, sendo ainda jovem, sentiu o desespero, e Deus mostrou-lhe uma resposta. Ele escreveu:

   Abra seus olhos e olhe para sua própria vida e para a vida de todos os cristãos, particularmente para a condição espiritual, e você descobrirá que a fé, a esperança, o amor, a obediência, a castidade e todas as virtudes estão se desvanecendo; descobrirá que todos os tipos de vícios terríveis estão  reinando, que faltam bons pregadores e prelados; só os enganadores [...] estão governando. Então você verá que há necessidade de orar em todo o mundo, a toda hora, sem cessar, com lágrimas de sangue, por causa da terrível ira de Deus sobre os homens.

  A maioria dos historiadores volta seus olhos para a Reforma Protestante como tendo sido um debate doutrinário, não como um despertamento espiritual ou um movimento de oração. Mas Lutero, o pai do Protestantismo, viu a oração como estando no centro de tudo. Ele percebeu que, sem oração, nada de bom ou duradouro poderia acontecer. Numa carta escrita para Philip Melanchton, seu amigo e companheiro reformador, Lutero escreveu:

    Quaisquer que sejam as circunstâncias, podemos alcançar tudo através da oração. Só ela é a poderosa rainha do destino humano. Com ela podemos realizar tudo e, assim, manter o que já existe, consertar o que está defeituoso,suportar com paciência o que for inevitável, vencer o que é mau e preservar tudo o que é bom.


Como foi que Martinho Lutero conseguiu exceder ao Catolicismo doentio daquele tempo e fazer da Alemanha uma nação que seguia as revelações da Palavra de Deus? Em parte, isso ocorreu devido à invenção da imprensa, que colocou a Bíblia nas mãos do povo alemão. Mas havia também uma força oculta agindo, uma força que Deus havia dado à Igreja e que Lutero havia redescoberto - a oração da fé.


  Para os ativistas políticos de nossos dias, e para pastores que confiam nos programas eclesiásticos, no profissionalismo e nas boas obras, Lutero diria o seguinte: 

Onde estão as pessoas que desejam conhecer e fazer boas obras? Deixe-as apenas experimentar a oração e praticá-la em verdadeira fé e descobrirão que aquilo que os santos pais disseram é verdade: não há obra maior do que orar.

 Lutero trouxe os cristãos de volta à Palavra de Deus, à Bíblia, lançando os alicerces para a Grande Reforma. O mote da Reforma- sola scriptura ("somente as Escrituras") - é normalmente tudo de que nos lembramos acerca do movimento reformador em nossos dias. Mas, para Lutero, esse lema era apenas metade da verdade. A outra metade tem sido muito esquecida - a necessidade da oração juntamente com a Palavra, ou o hábito de orar para que a Palavra de Deus se cumpra. Lutero escreveu:

 Temos agora falado com frequência acerca da oração: como ela é necessária e o poder que tem. Para nós, não basta ter a Palavra, saber e entender tudo que deveríamos.

   Considerando que Lutero é um exemplo brilhante dessa oração que faz acontecer uma nova realidade, e que ele escreveu muito sobre a oração, vamos citá-lo com muita liberdade em nosso livro. A existência das igrejas protestantes é um testemunho do valor da confiança que Lutero tinha na oração da fé. Hoje, no entanto, a maioria das pessoas que estão nessas denominações de origem reformada não têm nada que se pareça com a fé que Lutero colocava na oração. Cremos que as denominações protestantes estão apenas precisando redescobrir as ferramentas que Lutero descobriu para que consigam, de novo, edificar igrejas produtivas.

   Discernindo Quais são as Nossas Áreas de Atividade 

     Assim como Deus fez com Paulo, Ele dá a cada um de nós uma "esfera de ação", um contexto dentro do qual somos chamados para trabalhar. Isso geralmente começa de forma humilde com nossa vida pessoal, nosso cônjuge e filhos, com algumas poucas pessoas que estejamos discipulando, ou com alguns poucos colaboradores. O tamanho de nossa chamada não é a coisa mais importante. o que, de fato, é mais importante, é se tomamos posse das ferramentas que Deus nos tem dado, sendo a oração a principal delas, e se começamos a trabalhar.

   Deus está procurando fidelidade mais do que grandes projetos e personalidade forte. Na parábola dos talentos (Mateus 25:14-30), não se levou em consideração se um dos servos recebeu dez talentos, o outro cinco e o outro um. A questão era o que eles haviam feito com aquilo que o mestre havia lhes dado.

 A oração é uma atividade humilhante. Ela rebaixa o intelecto e o orgulho, crucifica a vanglória e faz-nos ver nossa falência espiritual. A carne e o sangue têm dificuldade de suportar tudo isso. É mais fácil não orar do que aguentar isso. Por essa razão, entregamo-nos a um dos piores males destes tempos, talvez de todos os tempos - pouca oração ou completa ausência de oração. Desses dois males, talvez orar pouco seja pior do que não orar. Orar pouco é um tipo de fraude, um bálsamo para a consciência, uma farsa e uma ilusão.

 Algumas pessoas, tendo observado apenas a oração "faz-de-conta" que Bounds, Lutero e Goforth estavam descrevendo, acreditam que toda oração é vazia e não merece atenção. Elas resistem à chamada divina para a oração porque tudo o que sempre viram foi uma oração sem valor, que não as impressionou. Como antídoto a essa oração ineficaz, oferecemos o modelo de Jesus, que nos revela a verdadeira oração dinâmica. Siga a Jesus.

  Jesus veio como o Bom Pastor e o verdadeiro Sumo Sacerdote. Uma de suas tarefas é levantar um povo de oração. Ele veio para orar, para nos ensinar a orar e para edificar uma casa de pessoas que oram.


O evangelista Charley Finney havia experimentado com frequência a beleza da verdadeira oração durante as reuniões da igreja. Ele ansiava por tal oração:

    Nada tem maior poder para unir os corações dos cristãos do que orar juntos. Eles nunca se amam tanto como quando testemunham o coração do outro derramando-se em oração. Sua espiritualidade gera um sentimento de união e confiança, altamente importante para a prosperidade da igreja. Se os cristãos realmente têm o hábito de orar juntos, é difícil crer que possam estar unidos de outra forma. E quando têm sentimentos difíceis e diferenças entre si mesmos, tudo isso é desfeito se estiverem unidos em oração. O grande alvo é conquistado se você consegue realmente uni-los em oração. Se isso puder ser feito, as dificuldades desaparecerão...


  Uma só oração feita com ardor, vinda de um coração confiante, vale mais do que todas as orações decoradas e recitadas religiosamente, como obrigação, por pessoas  que estão ansiosas para que o culto acabe logo. Nas palavras de John Bunyan, autor de O Peregrino: 

Quando você orar, é melhor que seu coração esteja sem palavras do que suas palavras estejam sem coração.


  A maioria das pessoas tem o sentimento de que Deus está longe. Muitas religiões têm feito dessa idéia uma doutrina central, como o budismo e o islamismo. A maioria das pessoas parece não conseguir relacionar-se intimamente com Deus. Por isso, tentam construir pontes para atravessar o abismo. Essas pontes têm sido magnificentes estruturas religiosas, mas nenhuma conseguiu ir de um lado ao outro. Na verdade, o próprio conceito de comunhão com Deus é estranho a todas elas, o que prova nosso argumento. Acreditam que Deus seja praticamente inatingível e alguns até se ofendem com a noção de que possamos nos aproximar de Deus. Estão apenas bem conscientes de que existe um abismo e de que Deus está do outro lado, sendo inatingível. (Is 59:1-2).

Na oração, você está apenas se aproximando de Deus e deixando que Ele mude seu próprio coração. Portanto, a oração realmente não muda qualquer coisa, a não ser você mesmo.

  Deus escolheu a oração para ser o meio pelo qual sua graça, amor e poder são gerados em nossas vidas. O reformador Martinho Lutero concordou:

   ... Aprendamos que a oração é sumamente necessária e não vamos nos deixar ser enganados por essa tentação maligna, achando que, mesmo sem nossa oração, Deus nos dará o que precisamos, e que, por ser Ele conhecedor do que mais nos beneficia, não há necessidade de oração.  Agostinho está certo quando diz: "Aquele que criou você sem você não quer salvar você sem você.


   Em outra de suas obras, A Escravidão da vontade, Lutero revela que cria piamente na soberania de Deus. Mesmo assim, Lutero orava. E orava três horas por dia!

  A oração, em outras palavras, é a vontade soberana de Deus.

  É a maneira que o próprio Deus escolheu para fazer sua vontade. Quaisquer que sejam os projetos que Ele tenha idealizado para nosso mundo, não gosta de fazê-los por si mesmo. Ele quer que nós oremos para que tais planos venham à existência.

  Deus irá fazer isso! - Ou não, talvez nós devêssemos! 

  Sem oração, ficamos confusos se é Deus ou se somos nós que devemos ministrar às pessoas. Quem não ora procura fazer todo tipo de boas obras. Então, quando coisas ruins acontecem às pessoas e as boas obras se mostram ineficazes para mudar as coisas, tais pessoas culpam a Deus. Estão sempre confusas sobre quem deve fazer o quê. Elas têm dificuldade para assimilar o conceito de cooperação com Deus. Eles não entendem o que está no coração de Deus, que almeja realizar seus projetos em parceria conosco.

  A oração nos guia por um caminho que está entre dois extremos. De um lado está a completa irresponsabilidade: 

Que seja feita a vontade de Deus. De outro, a tendência de tomar as rédeas de tudo: O homem moderno atingiu a maturidade. 

Por isso, não espere que Deus faça qualquer coisa por você. Deus ajuda aqueles que se ajudam". A oração é o ponto intermediário ao se fazer as coisas juntamente com Deus. Nisto, cumprimos os desejos de seu coração paternal.

O que o Espírito Santo mais deseja é levar-nos à maravilhosa descoberta do potencial que temos depois do nosso novo nascimento em Cristo: "Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas". (Ef 2:10). Jesus tem uma obra que deseja que realizemos. O Espírito Santo coloca isso diante de nós como sendo uma visão para nossas vidas. Cremos que a capacidade para ter uma visão é dada a todo cristão que está em contato com o Espírito Santo. Certamente esse é o significado da citação que o apóstolo Pedro faz de Joel em Atos 2:17-18.

  Se tão somente aprendêssemos a ouvir a voz de Deus, para tomarmos posse da visão que Ele tem para nós e para aprendermos a cooperar com Ele na edificação de seus projetos, poderíamos caminhar com confiança e alegria. Mas, sem essa visão, não temos condições de fazer nada de valor pelo Reino de Deus; nossos talentos e tempo são desperdiçados.

 Normalmente, obtemos a visão de Deus para nossa vida através da oração - oração que cria novas realidades, que dá forma ao nosso futuro. Em oração, Deus vem a nós e diz: 

Eis  que tenho um projeto para você. Vamos trabalhar nisso juntos.

 Uma visão de Deus pode não parecer atraente para os outros, mas para quem a recebe é um grande tesouro. A visão e a vocação divina serão compatíveis com nossa "esfera de atividade" e com os dons que nos foram concedidos. Quando uma visão vem de Deus, ela nos leva, incessantemente, para dentro do coração divino. Ela também nos conduz além de onde poderíamos chegar com nossas próprias habilidades, para criarmos aquilo que é impossível, se não estivermos revestidos da graça e do poder divinos. Quando seguimos a visão dada por Deus, essa experiência torna-se uma incrível aventura de dar cada passo em fiel dependência dele. Pode ser que comecemos orando por nossa própria família e trabalho. Mas é improvável que Deus nos deixe nesse ponto se, de fato, estamos dando ouvidos a Ele.

 A oração é como o sangue que leva nutrientes para o útero a  fim de alimentar o bebê. Sem isso o feto não sobrevive. Talvez seja por isso que Jesus nos encorajou a permanecer em fervente oração, mesmo quando não vemos imediatamente os resultados (Lc 18:1-8).


  Quando você começa a compartilhar a visão, saiba que vai passar por aqueles que estão com "extintores" na mão para tentar apagar a visão. Eles surgem em diferentes formas, mas o resultado será o mesmo: eles tentam matar a visão e bloquear a ação de Deus no mundo. A realidade trágica é que uma visão que vem de Deus sofrerá amarga oposição tanto dos homens quanto do reino espiritual da maldade. Isso porque ela traz ao mundo a luz de Jesus Cristo.

   O visionário deve ser avisado de que o cumprimento da visão não será uma caminhada tranquila no parque, mas uma violenta e arriscada corrida numa zona de combate.

 A oração é vital para o cumprimento de uma visão. Mas vital também é a ação humana que faz com que a visão se torne realidade. A participação de Deus, mediante a oração, é como a chuva caindo sobre sobre um solo em que ainda não houve plantio. O campo tem de receber a semente e precisa ser cultivado para produzir fruto. Os cristãos constantemente erram a esse respeito. Ou enfatizam tanto as ações a ponto de negligenciar a oração, ou colocam tanta ênfase na oração que falham no trabalho em favor do cumprimento da visão. Em ambos os casos, a visão não avança em direção ao cumprimento e nossas orações não dão nova forma ao futuro.

  Lutero reconheceu que, desde o princípio, temos de lidar com um inimigo sutil, que deseja impedir, a todo custo, que oremos. O que o diabo mais gosta é de fazer com que nos sintamos indignos de entrar na presença de Deus. Se ele não consegue colocar impedimentos e subterfúgios em nosso caminho, coloca em dúvida nosso direito de nos aproximarmos de Deus. Faz com que tenhamos sentimentos de indignidade. O mais importante, diz Lutero, é que permaneçamos firmes no acesso que nos foi concedido pela morte expiatória de Jesus ( a ponte sobre o abismo).

Um Pastor que Ora 

  O pastor influencia profundamente a atmosfera de uma congregação. P.T. Forsyth disse: 

O pregador cuja força principal não está na oração zelosa é, nesse ponto, um homem que não conhece seu trabalho. A oração é o trabalho do ministro. 

  Se a liderança pastoral levar a oração a sério, esse será o degrau para que a igreja se torne uma comunidade de oração. Mas se o pastor não leva a oração a sério, será muito mais difícil para a congregação praticar a poderosa "oração comum" que Martinho Lutero descreveu.

  Para manter uma igreja orando é necessário ter recebido uma visão de Deus. Essa visão levará a liderança e finalmente a congregação à oração. Uma igreja sem visão será sempre uma  igreja sem oração - e uma igreja que não ora não recebe a visão de Deus.

  Cremos que muitas igrejas são afligidas com problemas espirituais que vêm mascarados como conflitos, facções, medo ou imoralidade entre os líderes. Enquanto não tratarem desses problemas através da oração, não verão a libertação....

Muitas igrejas perderam a noção de que Deus as chama, antes de tudo, para que sejam "sacerdócio real" - para orar. Há uma chamada singular que Jesus faz às igrejas e a mais ninguém: que seus discípulos aprendam a orar unidos. Para acontecer isso, o pastor deve ter a visão e orar para que isso torne real em sua congregação. A congregação deve aprender a discernir qual a direção que está sendo dada pelo espírito Santo e o pastor deve estar desejoso de entregar o controle ao Espírito Santo. Frequentemente, as igrejas não experimentam a libertação de problemas crônicos até que aprendam a fazer isso. 

ORANDO com PODER & AUTORIDADE 
  Do sonho à visão, da visão à realidade. Brad Long & Doug McMurry  

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