"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



segunda-feira, 1 de julho de 2013

*A Doutrina Trinitária / Deus

A EXISTÊNCIA DE DEUS

 COMO SABEMOS QUE DEUS EXISTE ! 

 Estudo abordado no livro Teologia Sistemática de Grudem 

 A resposta pode ser dada em duas partes: primeira, todas as pessoas têm uma intuição íntima de Deus. Segunda, cremos nas provas encontradas nas Escrituras e na natureza. 

 Paulo diz, que mesmo os gentios descrentes tinham conhecimento de Deus, mas não o honravam como Deus nem lhe eram gratos (Rm 1.21). Diz ele que os descrentes ímpios mudaram a verdade de Deus em mentira ( Rm 1.25), dando a entender que ativa ou obstinadamente rejeitaram alguma verdade sobre a existência e o caráter de Deus que já conheciam. Paulo diz que “o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles” e acrescenta que isso acontece “porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19). 

 Salmo 14.1; 53.1; Sl 10.3-4. Paulo reconhece que o pecado faz as pessoas negar seu conhecimento de Deus; ele fala daqueles que detém a verdade pela injustiça (Rm 1.18) e afirma que os que agem assim são “indesculpáveis” pela negação de Deus (Rm 1.20; 23;25;28;32). 

 Na vida do cristão essa íntima consciência de Deus se torna mais forte e mais distinta. Começamos a conhecer a Deus como nosso amoroso Pai celeste (Rm 8:15), o Espírito Santo nos dá testemunho de que somos filhos de Deus (Rm 8:16), e passamos a conhecer um Jesus Cristo vivo no nosso coração ( Ef 3.17; Fp 3.8,10; Cl 1.27; Jo 14.23). A intensidade dessa consciência num cristão é tal que, mesmo sem jamais termos visto nosso Senhor Jesus Cristo, de fato o amamos ( I Pe 1.8). 

 A EXISTÊNCIA DE DEUS 

O primeiro versículo de Gênesis não apresenta provas da existência de Deus, mas passa a narrar o que Ele fez. Testemunho da existência de Deus, percebidas por meio das coisas que foram criadas (Rm 1.20). ( As chuvas e estações frutíferas, bem como a fartura e a alegria que o povo desfrutam e se beneficiam) Atos 14.17. Só Deus pode superar nosso pecado e possibilitar que nos convençamos da sua existência II Co 4.4; I Co 1.21; I Co 2.4-5. 

 Dependemos de Deus para remover a cegueira e a irracionalidade provocada pelo pecado, possibilitando assim que avaliemos corretamente as evidências, creiamos no que dizem as Escrituras e venhamos a ter fé salvadora em Cristo.
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DEUS E SUA TRIUNIDADE / JOELSON GOMES



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Vivendo Para a Glória de Deus / Joel R. Beeke

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A Doutrina Trinitária.

  Nos últimos anos do segundo século e durante o terceiro e quarto século surgiram correntes teológicas que negaram o conceito trinitário, pois sustentavam que tal conceito se opunha à fé no Deus único. Essas correntes podem ser qualificadas em dois principais grupos: os subordinacionistas e os modalistas. Os subordinacionistas, como o próprio nome indica, subordinam ou a pessoa do Filho (arianismo, semi-arianismo, eunomianismo) ou a pessoa do Espírito Santo (pneumatômacos) à pessoa do Pai. O modalismo reduzia o Pai, o Filho e o Espírito Santo a meros nomes ou a aspectos de uma única pessoa divina que é Deus (sabelianismo, patripassianismo). Outra heresia acrescida a estes grupos era conhecida por monarquianismo dinâmico ou adocionismo que postulava ser Cristo mero homem.
Para entender esses conflitos entre aqueles que defendiam o conceito trinitário e os que o negavam, precisamos primeiramente entender qual era a base do pensamento teológico daquela época. Essa base era o pensamento grego ou mais especificamente o pensamento platônico sobre Deus. 

A ideia com a qual quase todos os teólogos cristãos tendiam a concordar naqueles primeiros séculos era que a deidade é ontologicamente perfeita, de tal modo que seria impossível para ela sofrer qualquer mudança. Por isso, Deus, sendo divino e, portanto, absolutamente perfeito, não poderia experimentar uma mudança, pois mudar implica sempre numa alteração para o melhor ou para o pior e, em qualquer dessas hipóteses, Deus não seria Deus. A perfeição absoluta e estática – inclusive apátheia, ou impassibilidade (não ser sujeito a paixões) – é a natureza de Deus segundo o pensamento grego. Os teólogos concordavam com tal ideia e naturalmente encontravam nas Escrituras várias passagens que negam a mutabilidade e a variabilidade de Deus. Portanto a imutabilidade e a impassibilidade tornaram-se os principais atributos de Deus na teologia cristã.
  A grande controvérsia é que teólogos como Ário (256-336 d.C.) e seus seguidores exploraram essa ideia e argumentaram que se Jesus Cristo é a encarnação do Logos e se o Logos é divino no mesmo sentido que Deus Pai é divino, a natureza de Deus teria sido alterada pela vida humana de Jesus no tempo e Deus teria sofrido através dele o que seria impossível. Portanto para o arianismo o Logos que encarnou em Jesus Cristo não era totalmente divino, mas uma criatura grandiosa de Deus.
Mas foi usando exatamente o mesmo argumento da imutabilidade que essas heresias foram combatidas. Atanásio (298-373 d.C.) argumentou que se o Pai é Deus, o Filho também o deve ser, pois de outra forma o Pai teria passado por uma mudança ao se tornar Pai, uma vez que houve um tempo em que o Filho não existia. Assim haveria um tempo em que o Pai não era pai. Se o Filho é a expressa imagem de Deus e o Filho e o Pai são Um como as escrituras assim declaram, então o Filho sempre existiu com o Pai, mesmo que tenha sido gerado Dele. Assim o credo niceno-constantinopolitano o declara: “ Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito, gerado do Pai antes de todas os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai”.
  Atanásio ainda usou mais duas linhas de raciocínio para defender a plena divindade de Cristo. Uma foi a soteriológica e a outra sobre a revelação divina. A linha soteriológica defendida por Atanásio estabelecia que somente Deus poderia desfazer o pecado e realizar a obra de redenção da humanidade. Como o Verbo teria poder sendo criatura para desfazer a sentença de Deus? As Escrituras já declaravam que tal obra é de Deus. A outra linha de raciocínio adotada por Atanásio definia que Jesus é a auto-revelação de Deus. Somente Deus pode realmente revelar Deus e se o Filho não é Deus da mesma forma que o Pai é Deus, então o Filho não pode revelar o Pai de modo verdadeiro. Até os arianos e semi-arianos concordavam com essa ideia  Atanásio lançou assim o alicerce do conceito trinitário, mas a fórmula plena da doutrina da Trindade, incluindo o papel do Espírito Santo foi desenvolvida pelos pais capadócios.
 Os três grandes pais capadócios eram Basílio de Cesareia, Gregório Nazianzeno e Gregório de Nissa e são conhecidos dessa forma porque vieram da região da Capadócia na Ásia Menor Central (Turquia). Basílio nasceu por volta de 330. Sua obra mais importante é “Do Espírito Santo”, considerado o primeiro tratado sobre a pessoa do Espírito Santo. A obra influenciou grandemente a posição eclesiástica em relação ao Espírito Santo para estabelecê-lo como a terceira pessoa da Trindade. Gregório Nazianzeno nasceu por volta de 329 ou 330 e Gregório de Nissa em 340. A teologia dos pais capadócios teve destaque em função da distinção que os mesmos fizeram entre as palavras gregas ousia (natureza, essência, substância) e hipóstase (subsistência, pessoa): A natureza divina (Um só Deus) subsiste em três hipóstases. Dizemos que cada uma das hipóstases possui inteligência, subsistem por si mesmas. 

Mas ao mesmo tempo essas subsistências não têm uma natureza divina separada, e sim, uma só e a mesma natureza. Gregório Nazianzeno explicou que não existem “três seres”, mas “três relacionamentos” e os relacionamentos não são nem substâncias (seres), nem ações (modos de atividade). Gregório atribui uma condição ontológica aos relacionamentos. Dessa forma, nessas relações a identidade única do Pai dentro do ser uno divino está na relação de não gerado. A identidade única do Filho é a de quem é eternamente gerado pelo Pai. A identidade única do Espírito Santo é a de que procede eternamente do Pai ( e posteriormente também ficou definido que procede do Filho).
Na Teologia Oriental a fórmula da doutrina da Trindade chegou ao seu formato final com a ideia das hipóstases dos pais capadócios. Entretanto a forma definitiva da posição ocidental somente foi alcançada com Agostinho (354-430 d.C) que acentuou, sobretudo, a unidade de Deus, reconhecendo que a fórmula dos capadócios destacava muito mais as hipóstases do que a ousia. Dessa forma, Agostinho tentou esclarecer que a unidade divina é constituída de tal modo que inclui as três pessoas e que o caráter “trino” de Deus está implícito nesta unidade. Além disso, evitou utilizar a expressão “pessoas” e preferia substituir pelo conceito de “relação”. As tais pessoas, portanto, não são diferentes uma da outra, mas são distintas somente pelas relações mútuas entre elas. Atributos divinos, tais como, perfeição, bondade e onipotência, por exemplo, pertencem à trindade, mas somente na unidade divina. Por outro lado, a triunidade aponta para a relação interna que ocorre entre as três facetas da única essência divina, o que para Agostinho era mistério inefável que o homem nesta vida jamais poderá compreender inteiramente.
Bibliografia
Olson, Roger. História da Teologia Cristã. Ed. Vida Acadêmica.
Hägglund, Bengt. História da Teologia. Editora Concórdia. 2003. 7ª Edição Chafer, Lewis Sperry. Teologia Sistemática Volume 1 e 2. Ed. Hagnos.



http://www.teocentrismo.com 
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 A Doutrina de Deus – p. 98 – 359 do livro Grudem

A Existência de Deus 5
A Cognoscibilidade (Conhecimento) de Deus 6
A. Introdução ao estudo do Caráter de Deus 8
1. Classificação dos atributos de Deus. 8
2. Os nomes de Deus nas Escrituras. 8
3. Definições equilibradas dos atributos incomunicáveis de Deus. 9
1. Independência. 9
2. Imutabilidade. 10
3. Eternidade. 11
4. Onipresença. 11
5. Unidade. 12
O Caráter de Deus: Atributos “Comunicáveis” 12
1. Espiritualidade. 13
2. Invisibilidade. 13
3. Conhecimento (onisciência). 13
4. Sabedoria. 13
5. Veracidade (e fidelidade). 13
6. Bondade. 14
7. Amor. 14
8. Misericórdia, graça, paciência. 14
9. Santidade. 15
10. Paz (ou ordem). 15
11. Retidão, justiça. 15
12. Zelo. 15
13. Ira. 15
14. Vontade. 16
15. Liberdade. 16
16. Onipotência (poder, soberania). 17
17. Perfeição. 17
18. Bem-aventurança. 17
19. Beleza. 17
20. Glória. 18
Deus em Três Pessoas: a Trindade 18
A - A Doutrina da Trindade Revela-se progressivamente nas Escrituras 18
1. A revelação parcial no Antigo Testamento. 18
2. A revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento. 18
B. Três Declarações que Resumem o Ensino Bíblico 19
1. Deus é três pessoas. 19
2. Cada pessoa é plenamente Deus. 19
3. Só há um Deus. 20
4. As soluções simplistas necessariamente negam um dos ensinamentos bíblicos. 20
5. Todas as analogias têm falhas. 20
6. Deus existe eterna e necessariamente como Trindade. 20
1. O modalismo 20
2. O arianismo 21
Quais as distinções entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo? 23
1. As pessoas da Trindade têm funções primordiais diferentes em relação ao mundo. 23
2. As pessoas da Trindade existem eternamente como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. 23
3. Qual a relação entre as três pessoas e o ser de Deus? 24
4. Será que podemos compreender a doutrina da Trindade? 24
A Criação 25
1. Provas bíblicas da criação a partir do nada. 25
2. A criação do universo espiritual. 25
3. A criação direta de Adão e Eva. 25
4. A criação do tempo. 25
5. O papel do Filho e do Espírito Santo na criação. 26
A Providência Divina 31
A. Preservação 31
B. Cooperação 32
1. A criação inanimada. 32
2. Os animais. 32
3. Acontecimentos aparentemente “aleatórios” ou “casuais”. 33
4. Eventos totalmente provocados por Deus e totalmente provocados também pelas criaturas. 33
5. As questões nacionais. 33
6. Todos os aspectos da nossa vida. 33
7. E o mal? 34
8. Análise dos versículos relacionados a Deus e o mal. 34
9. Somos “livres”? 35
C. Governo 35
1. Provas bíblicas. 35
2. Distinções acerca da vontade de Deus. 36
D. Os decretos de Deus 36
E. A importância das nossas ações 36
1. Somos, sim, responsáveis pelos nossos atos. 36
2. Nossos atos geram resultados reais e mudam, sim, o curso dos acontecimentos. 36
3. A oração é um tipo de ação que traz resultados definidos e que efetiva-mente muda o curso dos acontecimentos. 37
4. Concluindo, precisamos agir! 37
5. E se não pudermos compreender plenamente essa doutrina? 37
F. Outras aplicações práticas 37
1. Não tema, mas confie em Deus. 37
2. Sejamos gratos por todas as boas coisas que acontecem. 37
3. Não existe nada que se possa chamar “sorte” ou “acaso”. 38
G. Outra visão evangélica: a postura arminiana 38
H. Resposta à postura arminiana 39
1. Serão essas passagens bíblicas exemplos incomuns, ou descrevem elas o modo como Deus age normalmente? 39
3. Será que escolhas determinadas por Deus podem ser escolhas legítimas? 40
4. Será que uma concepção calvinista da providência incentiva um fatalismo perigoso ou uma tendência de “viver como os arminianos”? 40
5. Outras objeções à tese arminiana. 40
Milagres 41
A. Definição 41
B. Os milagres como característica da era da nova aliança 42
C. Os propósitos dos milagres 42
D. Estavam os milagres restritos aos apóstolos? 42
1. Uma concentração incomum de milagres no ministério dos apóstolos. 42
2. Quais são os “sinais de um apóstolo” em 2Coríntios 12.12? 43
3. A definição restritiva de milagres proposta por Norman Geisler. 43
4. Hebreus 2.3-4. 43
5. Conclusão: estavam os milagres restritos aos apóstolos? 43
E. Os falsos milagres 44
F. Será que os cristãos devem buscar milagres hoje? 44
A Oração 45
A. Por que Deus quer que oremos? 45
B. A Eficácia da Oração. 47
1. A Oração muda o modo como Deus age. 47
2. A oração eficaz é possível por intermédio de nosso mediador, Jesus Cristo. 47
3. O que é orar “em nome de Jesus”? 47
4. Devemos orar a Jesus e ao Espírito Santo? 47
5. O papel do Espírito Santo nas nossas orações 48
C. Algumas considerações importantes acerca da oração eficaz 48
1. Orar segundo a vontade de Deus. 48
2. Orar com fé. Diz Jesus: 48
3. Obediência. 49
4. Confissão dos pecados. 49
5. Perdoar aos outros. 49
6. Humildade. 50
7. Persistência na oração. 50
8. Orar com sinceridade. 50
9. Esperar no Senhor. 50
10. Orar a sós. 51
11. Orar com os outros. 51
12. Jejum. 51
13. Que dizer da oração não atendida? 51
D. Louvor e ação de graças 52
Anjos 52
A. Que são anjos? 52
1. Seres espirituais criados. 52
2. Outros nomes dos anjos. 52
3. Outros tipos de seres celestiais. 52
B. Quando os anjos foram criados? 54
C. O papel dos anjos nos desígnios divinos 54
1. Os anjos revelam a grandeza do amor e dos desígnios de Deus para nós. 54
2. Os anjos nos fazem lembrar que o mundo invisível é real. 55
3. Os anjos são exemplos para nós. 55
4. Os anjos executam alguns dos desígnios de Deus. 55
5. Os anjos glorificam diretamente a Deus. 55
D. Nossa relação com os anjos 56
1. Devemos ter consciência dos anjos no dia-a-dia. 56
2. Precauções a tomar na nossa relação com os anjos 56
Satanás e os Demônios 57
A. A origem dos demônios 57
B. Satanás como chefe dos demônios 57
C. A atividade de Satanás e dos demônios 58
1. Satanás originou o pecado. 58
2. Os demônios se opõem a toda obra de Deus, tentando destruí-la. 58
3. Contudo, os demônios estão limitados pelo controle de Deus e têm poder restrito. 58
4. Verificam-se diferentes estágios de atividade demoníaca na história da redenção. 58
D. Nossa relação com os demônios 59
1. Estariam os demônios ainda hoje ativos no mundo? 59
2. O mal e o pecado vêm, em parte (mas não totalmente), de Satanás e dos demônios. 60
3. Será que um cristão pode ser possuído por demônios? 60
4. Como reconhecer influências demoníacas? 60
5. Jesus dá a todos os crentes a autoridade de repreender demônios e de ordenar que saiam. 61
6. O uso correto da autoridade espiritual do cristão no ministério junto a outras pessoas. 61
7. Devemos crer que o evangelho vá triunfar poderosamente das obras do Diabo. 61

A Existência de Deus 

“Como sabemos que Deus existe? A resposta pode ser dada em duas partes: primeira, todas as pessoas têm uma intuição íntima de Deus. Segunda, cremos nas provas encontradas nas Escrituras e na natureza”.
Todas as pessoas de qualquer lugar têm uma profunda intuição íntima de que Deus existe, de que são criaturas de Deus e de que ele é seu Criador. Paulo diz que mesmo os gentios descrentes tinham “conhecimento de Deus”, mas não o honravam como Deus nem lhe eram gratos (Rm 1.21).

Na vida do cristão essa íntima consciência de Deus se torna mais forte e mais distinta. Além da consciência íntima de Deus, que dá claro testemunho do fato de que ele existe, encontramos claras evidências da sua existência nas Escrituras e na natureza.
As provas de que Deus existe se encontram, logicamente, disseminadas por toda a Bíblia. De fato, a Bíblia sempre pressupõe que Deus existe.

Além das provas encontradas na existência dos seres humanos, há outra excelente evidência na natureza. Quem olha para o céu, de dia ou de noite, vê o sol, a lua e as estrelas, o firmamento e as nuvens, todos declarando continuamente pela sua existência, beleza e grandeza que foi um Criador poderoso e sábio quem os fez e os sustém na sua ordem.

As “provas” tradicionais da existência de Deus, arquitetadas por filósofos cristãos (e alguns não cristãos) de várias épocas da história, são de fato tentativas de analisar as evidências, especialmente as evidências da natureza, de modos extremamente cuidadosos e logicamente precisos, a fim de convencer as pessoas de que não é racional rejeitar a idéia de que Deus existe.
A maior parte das provas tradicionais da existência de Deus pode ser classificada em quatro tipos importantes de argumento:

1. O argumento cosmológico considera o fato de que toda coisa conhecida do universo tem uma causa.
2. O argumento teleológico é na verdade uma subcategoria do argumento cosmológico. Como o universo parece ter sido planejado com um propósito, deve necessariamente existir um Deus inteligente e determinado que o criou para funcionar assim.
3. O argumento ontológico parte da idéia de Deus, definido como um ser “maior do que qualquer coisa que se possa imaginar”.
4. O argumento moral parte do senso humano do certo e do errado, e da necessidade da imposição da justiça, e raciocina que deve necessariamente existir um Deus que seja a fonte do certo e do errado e que vá algum dia impor a justiça a todas as pessoas. 

Como todos esses argumentos se baseiam em fatos sobre a criação que realmente são verdadeiros, podemos dizer que todas essas provas (quando cuidadosamente formuladas) são, num sentido objetivo, provas válidas porque avaliam corretamente as evidências e ponderam com acerto, chegando a uma conclusão verdadeira: de fato, o universo realmente tem Deus como causa, realmente dá provas de um planejamento deliberado, Deus realmente existe como ser maior do que qualquer coisa que se possa imaginar e ele realmente nos deu um senso do certo e do errado e um senso de que seu juízo virá algum dia.

Mas noutro sentido, se “válido” significa “capaz de conseguir que todos concordem, mesmo aqueles que partem de falsos pressupostos”, então é claro que nenhuma das provas é válida, pois nenhuma delas é capaz de fazer que todos aqueles que as ponderam acabem concordando.
Finalmente, é preciso lembrar que neste mundo pecador Deus precisa possibilitar que nos convençamos, senão jamais creríamos nele. Lemos que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4).

A Cognoscibilidade (Conhecimento) de Deus 


Se pretendemos conhecer a Deus, antes é necessário que ele se revele a nós. Paulo diz que o que podemos conhecer sobre Deus está claro às pessoas “porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19).
Quando falamos do conhecimento pessoal de Deus, que vem pela salvação, essa idéia fica ainda mais explícita. Disse Jesus: “Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar” (Mt 11.27).

A necessidade de Deus revelar-se a nós também se percebe no fato de que o pecador interpreta erroneamente a revelação de Deus encontrada na natureza. Portanto, precisamos das Escrituras para interpretar corretamente a revelação natural. Por conseguinte, dependemos da ativa comunicação divina nas Escrituras para alcançar verdadeiro conhecimento de Deus.

Como Deus é infinito, e nós, finitos e limitados, jamais poderemos compreender plenamente e exaustivamente a Deus. Diz o salmo 145: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza é insondável” (Sl 145.3). Jamais seremos capazes de medir ou conhecer plenamente o entendimento de Deus: é imenso demais para que o igualemos ou entendamos.

Assim, podemos conhecer algo do amor, do poder, da sabedoria, etc., de Deus. Mas jamais poderemos conhecer completa ou exaustivamente o seu amor. Jamais poderemos conhecer exaustivamente o seu poder. Jamais poderemos conhecer exaustivamente a sua sabedoria, etc.

Essa doutrina da incompreensibilidade de Deus tem muita aplicação positiva para nossa vida. Significa que jamais seremos capazes de conhecer “demais” sobre Deus, pois jamais nos faltarão coisas para aprender sobre ele, e assim nunca nos cansaremos de nos deleitar com a descoberta de mais e mais coisas da sua excelência e da grandeza das suas obras.

Se desejássemos um dia nos igualar a Deus em conhecimento, ou se desejássemos encontrar prazer no pecado do orgulho intelectual, o fato de que jamais cessaremos de crescer no conhecimento de Deus seria para nós fator desencorajador — poderíamos sentir-nos frustrados pelo fato de Deus se revelar um objeto de estudo que jamais poderemos dominar! Mas se nos deleitamos no fato de que só Deus é Deus, de que ele é sempre infinitamente maior do que nós, de que somos criaturas dele, que lhe devemos culto e adoração, então essa nos será uma idéia bastante encorajadora.

Embora não possamos conhecer exaustivamente a Deus, podemos conhecer coisas verdadeiras sobre ele. De fato, tudo o que as Escrituras nos falam sobre Deus é verdadeiro. É verdade dizer que Deus é amor (1Jo 4.8), que Deus é luz (1Jo 1.5), que Deus é espírito (Jo 4.24), que Deus é justo ou reto (Rm 3.26) e assim por diante. Podemos conhecer alguns pensamentos de Deus — até muitos deles — com base na Bíblia, e quando os conhecemos, como Davi, os consideramos “preciosos” (Sl 139.17).

Ainda mais significativo é perceber que conhecemos o próprio Deus, e não meramente fatos sobre ele ou atos que ele executa. Aqui Deus diz que a fonte da nossa alegria e da nossa noção de importância deve vir não das nossas capacidades ou posses, mas do fato de conhecê-lo.

O fato de conhecermos o próprio Deus é demonstrado ainda pela percepção de que a riqueza da vida cristã envolve um relacionamento pessoal com Deus. Falamos com Deus em oração, e ele fala conosco pela sua Palavra. Temos comunhão com ele na sua presença, entoamos seus louvores e temos consciência de que ele pessoalmente habita no meio de nós e dentro de nós para nos abençoar (Jo 14.23). De fato, pode-se dizer que esse relacionamento pessoal com Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo é a maior de todas as bênçãos da vida cristã.

O Caráter de Deus: Atributos “Incomunicáveis”

A. Introdução ao estudo do Caráter de Deus


1. Classificação dos atributos de Deus.

Quando falamos sobre o caráter de Deus, percebemos que não podemos dizer ao mesmo tempo tudo o que a Bíblia nos ensina sobre o caráter dele.
Os atributos chamados “incomunicáveis” têm sua melhor definição quando dizemos que são os atributos divinos de que menos participamos. Nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus deixa de ter alguma semelhança no caráter dos seres humanos.
Vamos usar então as duas categorias de atributos, “incomunicáveis” e “comunicáveis”, com plena consciência porém de que não são classificações absolutamente precisas e de que existe na realidade muita sobreposição entre elas.

2. Os nomes de Deus nas Escrituras.

Na Bíblia o nome de uma pessoa é uma descrição do seu caráter. Da mesma forma, os nomes bíblicos de Deus são diversas descrições do seu caráter. Em certo sentido, todas essas expressões do caráter de Deus em termos de coisas encontráveis no universo são “nomes” de Deus, pois nos dizem algo verdadeiro sobre ele.

Usando um termo mais técnico, podemos dizer que em tudo o que as Escrituras dizem a respeito de Deus usa-se linguagem antropomórfica — ou seja, linguagem que fala de Deus em termos humanos. Cada descrição de cada um dos atributos divinos deve ser compreendida à luz de tudo o mais que as Escrituras nos dizem sobre Deus. Se não nos lembrarmos disso, inevitavelmente compreenderemos erradamente o caráter de Deus.

Existe ainda uma terceira razão para destacar a grande diversidade de descrições de Deus tiradas da experiência humana e do mundo natural. Essa linguagem deve-nos lembrar de que Deus criou o universo para que este revelasse a excelência do caráter divino, ou seja, para que revelasse a glória divina.
A compreensão do caráter divino segundo as Escrituras deve abrir nossos olhos e nos permitir interpretar corretamente a criação.

É preciso lembrar que, embora tudo o que as Escrituras nos dizem sobre Deus seja verdadeiro, não é exaustivo. Deus tem muitos nomes porque conhecemos muitas descrições verdadeiras do seu caráter com base nas Escrituras; mas Deus não tem nome nenhum, pois jamais poderemos descrever ou compreender a plenitude do seu caráter.

3. Definições equilibradas dos atributos incomunicáveis de Deus.

Os atributos incomunicáveis de Deus são talvez os mais fáceis de compreender equivocadamente, talvez porque representam aspectos do caráter divino menos familiares à nossa experiência. A primeira parte define o atributo em discussão, e a segunda procura evitar a compreensão equivocada do atributo, expondo um aspecto de equilíbrio ou contrário associado a esse atributo. A imutabilidade de Deus, por exemplo, é definida assim: “Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age, e age de modos diversos diante de situações diferentes”. A segunda metade da definição procura evitar a idéia de que imutabilidade significa incapacidade total de ação. Alguns de fato entendem assim a imutabilidade, mas tal compreensão é incompatível com a apresentação bíblica da imutabilidade de Deus.

Quais são os atributos incomunicáveis de Deus:

1. Independência. 
Deus não precisa de nós nem do restante da criação para nada; porém, tanto nós quanto o restante da criação podemos glorificá-lo e dar-lhe alegria. Esse atributo de Deus é às vezes chamado existência autônoma ou aseidade (das palavras latinas a se, que significam “de si mesmo”).
Deus é absolutamente independente e auto-suficiente.

2. Imutabilidade.

Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age e sente emoções, e age e sente de modos diversos diante de situações diferentes. Esse atributo de Deus é também chamado inalterabilidade.

a. Evidências nas Escrituras: no salmo 102, encontramos um contraste entre coisas que podemos julgar permanentes, como a terra ou os céus, de um lado, e Deus, do outro. Deus existia antes da criação dos céus e da terra e existirá muito depois da destruição dessas coisas. Deus faz mudar o universo, mas, contrastando com essa mudança, ele é “o mesmo”.

b. Será que Deus às vezes muda de idéia? Se, porém, falamos que Deus é imutável nos seus propósitos, surpreendemo-nos intrigados diante de passagens bíblicas em que Deus diz que julgaria o seu povo, mas depois, por causa de orações ou do arrependimento do povo (ou ambas as coisas), acaba-se apiedando e não condena como dissera que o faria.

c. A questão da impassibilidade de Deus. Às vezes, discutindo os atributos divinos, os teólogos falam noutro atributo, a saber, a impassibilidade de Deus. Esse atributo, se verdadeiro, significaria que Deus não tem paixões nem emoções, mas é “impassível”, não sujeito a paixões.

d. O desafio da teologia do processo. A imutabilidade de Deus tem sido negada freqüentemente nos últimos anos pelos defensores da teologia do processo, uma posição teológica que afirma que o processo e a mudança são aspectos essenciais da existência genuína, e que portanto, Deus também deve necessariamente mudar com o tempo, como qualquer outra coisa que existe.

e. Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal. Nossa discussão da teologia do processo ilustra uma diferença comum entre o cristianismo bíblico e todos os outros sistemas teológicos. No ensinamento da Bíblia, Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal: ele é infinito porque não está sujeito a nenhuma das limitações da humanidade, ou da criação em geral. É bem maior do que qualquer coisa que tenha feito, bem maior do que qualquer coisa que exista.

f. A importância da imutabilidade de Deus. De início pode não parecer muito importante para nós afirmar a imutabilidade de Deus. A idéia é tão abstrata que talvez não percebamos imediatamente a sua importância. Mas a importância dessa doutrina ficaria mais clara se parássemos um instante para imaginar o que aconteceria se Deus pudesse mudar.

3. Eternidade.

A eternidade de Deus pode ser definida assim: Deus não tem princípio nem fim nem sucessão de momentos no seu próprio ser, e percebe todo o tempo com igual realismo; ele, porém, percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo.

Às vezes essa doutrina é chamada doutrina da infinitude de Deus com respeito ao tempo. Ser “infinito” é ser “ilimitado”, e a doutrina ensina que o tempo não impõe limites a Deus.

a. Deus é eterno no seu próprio ser. O fato de Deus não ter princípio nem fim está explícito em Salmos 90.2: “Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus”. Do mesmo modo, em Jó 36.26, Eliú diz sobre Deus: “... o número dos seus anos não se pode calcular”.
A eternidade de Deus é também afirmada por passagens que abordam o fato de que Deus sempre é ou existe. “Eu sou o Alfa e o Ômega, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que há de vir, o Todo-poderoso” (Ap 1.8; cf. 4.8).

b. Deus percebe todo o tempo com igual realismo. É em certo sentido mais fácil para nós compreender que Deus percebe todo o tempo com igual realismo. Lemos em Salmos 90.4: “Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem que se foi e como a vigília da noite”.

c. Deus percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo. Todavia, dito isso, para evitar uma compreensão equivocada é preciso completar a definição da eternidade de Deus: “... ele, porém, percebe os acontecimentos no tempo e age no tempo”. Paulo escreve: “... vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei” (Gl 4.4-5).

d. Sempre existiremos no tempo. Será que algum dia participaremos da eternidade de Deus? Especificamente, no novo céu e na nova terra que hão de vir, será que o tempo ainda existirá? Alguns supõem que não. E lemos nas Escrituras: “A cidade não precisa nem do sol, nem da lua, para lhe darem claridade, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada [...] porque, nela, não haverá noite” (Ap 21.23, 25; cf. 22.5).

4. Onipresença.

Assim como Deus é ilimitado ou infinito com respeito ao tempo, também é ilimitado com respeito ao espaço. Essa característica da natureza de Deus é chamada onipresença divina (o prefixo latino o[m]ni- significa “tudo”). A onipresença de Deus pode ser assim definida: Deus não tem tamanho nem dimensões espaciais e está presente em cada ponto do espaço com todo o seu ser; ele, porém, age de modos diversos em lugares diferentes.

a. Deus está presente em todo lugar. Há, porém, determinadas passagens que falam da presença de Deus em toda parte do espaço. Lemos em Jeremias: “Acaso, sou Deus apenas de perto, diz o Senhor, e não também de longe? Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o Senhor; porventura, não encho eu os céus e a terra? — diz o Senhor” (Jr 23.23-24). Deus aqui repreende os profetas que pensam que suas palavras ou pensamentos ficam ocultos de Deus. Ele está em todo lugar e enche o céu e a terra.

b. Deus não tem dimensões espaciais. Embora para nós pareça necessário dizer que todo o ser de Deus está presente em toda parte do espaço, ou em cada ponto do espaço, é também necessário dizer que Deus não pode ser contido por espaço nenhum, por maior que seja. Salomão diz na sua oração a Deus: “Mas, de fato, habitaria Deus na terra? Eis que os céus e até o céu dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei” (1Rs 8.27).

c. Deus pode estar presente para punir, sustentar ou abençoar. A idéia da onipresença de Deus às vezes perturba as pessoas, que se perguntam como Deus pode estar presente, por exemplo, no inferno. De fato, não é o inferno o oposto da presença de Deus, ou a ausência de Deus? A dificuldade pode ser resolvida pela percepção de que Deus está presente de modos diversos em lugares diferentes, ou de que Deus age diferentemente em locais distintos da sua criação.

5. Unidade.

A unidade de Deus pode ser definida desta forma: Deus não está dividido em partes; porém percebemos atributos diversos de Deus enfatizados em momentos diferentes. Esse atributo de Deus é também denominado simplicidade divina, empregando simples no sentido menos comum de “não complexo” ou “não composto de partes”. Mas como a palavra simples hoje tem o sentido mais comum de “fácil de compreender” e “simplório ou insensato”, é mais proveitoso agora falar da “unidade” de Deus em vez da sua “simplicidade”.

O Caráter de Deus: Atributos “Comunicáveis”
A lista de atributos dada aqui na categoria “comunicáveis” nada tem de incomum, mas compreender a definição de cada atributo é mais importante do que ser capaz de classificá-los exatamente da maneira apresentada neste livro.

Este capítulo divide os atributos “comunicáveis” de Deus em cinco categorias principais, sendo os atributos relacionados dentro de cada categoria.
Desta forma os atributos descrevem o ser de Deus são:

1. Espiritualidade. 


As pessoas muitas vezes se perguntam do que Deus é feito. A resposta das Escrituras é que “Deus é espírito” (Jo 4.24). Essa afirmação é feita por Jesus no contexto de uma discussão com a samaritana ao lado da fonte. Assim, não devemos pensar que Deus tem tamanho ou dimensões, mesmo que infinitas (ver a discussão sobre a onipresença de Deus no capítulo anterior).

2. Invisibilidade.

Ligado à espiritualidade de Deus está o fato de que Deus é invisível. Porém também precisamos falar das formas visíveis nas quais Deus se manifesta. A invisibilidade de Deus pode ser definida assim: dizer que Deus tem como atributo a invisibilidade é dizer que a essência integral de Deus, todo o seu ser espiritual, jamais poderá ser vista por nós, embora Deus se revele a nós por meio de coisas visíveis, criadas.

3. Conhecimento (onisciência).

O conhecimento de Deus pode ser definido assim: Deus conhece plenamente a si mesmo e todas as coisas reais e possíveis num ato simples e eterno.
A definição dada acima explica a onisciência com mais detalhes. Diz primeiro que Deus conhece plenamente a si mesmo. Trata-se de um fato espantoso, pois o próprio ser divino é infinito ou ilimitado.

4. Sabedoria.

Dizer que Deus tem sabedoria significa dizer que ele sempre escolhe as melhores metas e os melhores meios para alcançar essas metas. Essa definição vai além da idéia de que Deus conhece todas as coisas, e especifica que as decisões divinas quanto ao que fará são sempre sábias, ou seja, sempre trazem os melhores resultados (do ponto de vista absoluto de Deus), e trazem esses resultados pelos melhores meios possíveis.

5. Veracidade (e fidelidade).

A veracidade divina implica que ele é o Deus verdadeiro, e que todo o seu conhecimento e todas as suas palavras são ao mesmo tempo verdadeiros e o parâmetro definitivo da verdade.
O termo fidedignidade, que significa “veracidade” ou “confiabilidade”, é às vezes usado como sinônimo da veracidade divina.

6. Bondade.

A bondade de Deus implica que ele é o parâmetro definitivo do que é bom, e que tudo o que Deus é e faz é digno de aprovação.

Nessa definição, vemos uma situação semelhante à que encontramos na definição de Deus como o Deus verdadeiro. Aqui, “bom” pode ser interpretado como “digno de aprovação”, mas ainda falta responder à seguinte pergunta: aprovação de quem? Em certo sentido, podemos dizer que qualquer coisa que seja verdadeiramente boa deve ser digna da nossa aprovação. Mas num sentido mais absoluto, não somos livres para decidir por contra própria o que é digno de aprovação e o que não o é. Em última análise, portanto, o ser e os atos de Deus são perfeitamente dignos da sua própria aprovação.

7. Amor. 


Dizer que Deus tem o amor como atributo é dizer que ele se doa eternamente aos outros.
Essa definição interpreta o amor como uma doação de si mesmo em benefício dos outros. Esse atributo de Deus mostra que faz parte da sua natureza doar-se a fim de distribuir bênçãos ou o bem aos outros.

João nos diz que “Deus é amor” (1Jo 4.8). Temos sinais de que esse atributo de Deus já existia antes da criação entre os membros da Trindade. Jesus fala ao Pai da “glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo” (Jo 17.24), indicando assim que o Pai já amava e honrava o Filho desde a eternidade. E continua até hoje, pois lemos: “O Pai ama ao Filho, e todas as coisas tem confiado às suas mãos” (Jo 3.35).

8. Misericórdia, graça, paciência.

A misericórdia, a paciência e a graça divinas podem ser tidas como três atributos separados ou como aspectos particulares da bondade de Deus. As definições dadas aqui apresentam esses atributos como casos especiais da bondade de Deus quando empregada em benefício de categorias específicas de pessoas.

A misericórdia de Deus é a bondade divina para com os angustiados e aflitos.
A graça de Deus é a bondade divina para com os que só merecem castigo.
A paciência de Deus é a bondade divina no sustar a punição daqueles que persistem no pecado por determinado tempo.

9. Santidade.

Dizer que Deus tem como atributo a santidade é dizer que ele é separado do pecado e dedica-se a buscar a sua própria honra. Essa definição contém ao mesmo tempo uma qualidade relacional (separação de) e uma qualidade moral (a separação é do pecado ou do mal, e a dedicação é em prol da própria honra ou glória de Deus). A idéia de santidade, abarcando tanto a separação do mal quanto a dedicação de Deus à sua própria glória, encontra-se em várias passagens do Antigo Testamento.

10. Paz (ou ordem).

Em 1Coríntios 14.33, Paulo diz: “Deus não é de confusão, e sim de paz”. Embora “paz” e “ordem” não sejam tradicionalmente classificadas como atributos divinos, Paulo aqui sugere outra qualidade que poderíamos conceber como atributo distinto de Deus. Paulo diz que os atos de Deus se caracterizam pela “paz” e não pela “desordem” (gr. akatastasia, palavra que significa “desordem, confusão, inquietude”).

11. Retidão, justiça.

Em português as palavras retidão e justiça são duas palavras distintas, mas tanto no Antigo Testamento hebraico quanto no Novo Testamento grego, só há uma palavra por trás desses dois termos. (No Antigo Testamento, esses termos traduzem principalmente as várias formas da palavra tsedek e, no Novo Testamento, as várias formas da palavra dikaios). Portanto, consideraremos que esses dois termos designam um único atributo divino.

12. Zelo.

Tem o significado de estar alguém profundamente comprometido com a busca da honra ou do bem-estar de outrem ou de si mesmo. Diz Paulo aos coríntios: “Zelo por vós com zelo de Deus” (2Co 11.2). Aqui o sentido é “empenhado na proteção e na vigília”.

As Escrituras apresentam-nos um Deus zeloso, nesse sentido do termo. Ele contínua e sinceramente busca proteger a sua própria honra. Ordena que seu povo não se prostre perante ídolos, nem os sirva, dizendo: “... porque eu sou o Senhor, teu Deus, Deus zeloso” (Êx 20.5).

13. Ira.

Talvez nos surpreenda perceber que a Bíblia fala com muita freqüência da ira de Deus. Porém, se Deus ama tudo o que é certo e bom, e tudo o que se conforma ao seu caráter moral, então não deve admirar que ele odeie tudo o que se opõe ao seu caráter moral. A ira de Deus diante do pecado está portanto intimamente associada à santidade e à justiça de Deus. A ira de Deus pode ser definida assim: dizer que a ira é atributo de Deus é dizer que ele odeia intensamente todo o pecado.

14. Vontade.

A vontade de Deus é o atributo por meio do qual ele aprova e decide executar todo ato necessário para a existência e para a atividade de si mesmo e de toda a criação.
Essa definição indica que a vontade de Deus tem que ver com a decisão e com a aprovação das coisas que Deus é e faz. Envolve as escolhas divinas do que fazer e do que não fazer.

a. A vontade de Deus em geral. As Escrituras freqüentemente indicam a vontade de Deus como razão definitiva ou absoluta para qualquer coisa que acontece. Paulo se refere a Deus como aquele “que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade” (Ef 1.11).

b. Distinções nos aspectos da vontade de Deus:
(1)vontade necessária e vontade livre. Algumas distinções já traçadas no passado podem-nos ajudar a compreender diversos aspectos da vontade de Deus. Assim como podemos querer ou escolher algo com anseio ou relutância, com alegria ou arrependimento, em segredo ou publicamente, também Deus, na infinita grandeza da sua personalidade, é capaz de querer coisas diferentes de modos diversos.

(2)Vontade secreta e vontade revelada. Outra distinção proveitosa aplicada aos diferentes aspectos da vontade divina é a que se faz entre a vontade secreta e a vontade revelada de Deus. Mesmo na nossa experiência sabemos que somos capazes de desejar algumas coisas secretamente, e só mais tarde revelar essa vontade aos outros. Às vezes contamos aos outros antes que a coisa desejada surja ou aconteça; noutras vezes revelamos o segredo só quando o acontecimento desejado já ocorreu.

15. Liberdade.

A liberdade de Deus é o atributo por meio do qual ele faz o que lhe apraz. Essa definição implica que nada em toda a criação pode impedir que Deus execute a sua vontade. Esse atributo de Deus está portanto intimamente associado à sua vontade e ao seu poder. Mas esse aspecto da liberdade concentra-se no fato de Deus não se ver cerceado por nada que lhe seja exterior e de ser ele livre para fazer o que desejar. Não há pessoa ou força que possa ditar a Deus o que fazer. Ele não está debaixo de nenhuma autoridade nem de nenhuma limitação exterior.

16. Onipotência (poder, soberania).

A onipotência é o atributo de Deus que lhe permite fazer tudo o que for da sua santa vontade. A palavra onipotência vem de dois termos latinos, omni, “todo”, e potens, “poderoso”, significando portanto “todo-poderoso”. Enquanto a liberdade de Deus se refere ao fato de não haver constrangimentos exteriores às decisões de Deus, a onipotência divina refere-se ao seu próprio poder de fazer o que decidir fazer.

17. Perfeição.

A perfeição é o atributo divino que permite que Deus possua com excelência absolutamente todas as qualidades e não careça de nenhum aspecto dessas qualidades que lhe seja desejável.
É difícil decidir se isso deve ser tido como atributo isolado ou simplesmente incluído na descrição dos outros. Algumas passagens dizem que Deus é “perfeito” ou “completo”. Diz-nos Jesus: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48).

18. Bem-aventurança.

Ser “bem-aventurado” ou “bendito” é ser feliz num sentido bastante pleno e magnífico. Freqüentemente as Escrituras falam da bem-aventurança das pessoas que andam nos caminhos de Deus. Em 1Timóteo, porém, Paulo denomina a Deus “bendito e único Soberano” (1Tm 6.15) e fala do “evangelho da glória do Deus bendito” (1Tm 1.11). Em ambos os casos a palavra não é eulogêtos (muitas vezes traduzida como “bendito”), mas makarios (que significa “feliz”).

19. Beleza. 


A beleza é o atributo divino por meio do qual Deus se revela a soma de todas as qualidades desejáveis. Esse atributo divino está implícito em vários dos atributos anteriores e é especialmente associado à perfeição de Deus. Porém, a perfeição de Deus foi definida de uma forma que mostra que ele não carece de nada que lhe seria desejável. Este atributo, a beleza, se define de uma maneira positiva, para mostrar que Deus de fato possui todas as qualidades desejáveis: “perfeição” significa que Deus não carece de nada desejável; “beleza” significa que Deus tem tudo o que é desejável. São duas formas diferentes de declarar a mesma verdade.

20. Glória.

Num dos seus sentidos a palavra glória significa simplesmente “honra” ou “reputação excelente”. Esse é o significado do termo em Isaías 43.7, em que Deus fala dos seus filhos, “que criei para minha glória”, ou em Romanos 3.23, que diz que “todos pecaram e carecem da glória de Deus”. Noutro sentido, a “glória” de Deus significa a clara luz que circunda a presença de Deus. Como Deus é espírito, e não energia nem matéria, essa luz visível não faz parte do ser divino, mas é algo criado. Podemos defini-la assim: a glória de Deus é o brilho criado que circunda a revelação do próprio Deus.

Deus em Três Pessoas: a Trindade

A - A Doutrina da Trindade Revela-se progressivamente nas Escrituras

É importante lembrar a doutrina da Trindade em relação com o estudo dos atributos de Deus. Quando concebemos a Deus como ser eterno, onipresente, onipotente e assim por diante, talvez tenhamos a tendência, em relação a esses atributos, de concebê-lo apenas como Deus Pai. Mas o ensinamento bíblico sobre a Trindade nos diz que todos os atributos de Deus valem para as três pessoas, pois cada uma delas é plenamente

Podemos definir a doutrina da Trindade do seguinte modo: Deus existe eternamente como três pessoas — Pai, Filho e Espírito Santo — e cada pessoa é plenamente Deus, e existe só um Deus.

1. A revelação parcial no Antigo Testamento.

A palavra trindade não se encontra na Bíblia, embora a idéia representada pela palavra seja ensinada em muitos trechos. Trindade significa “tri-unidade” ou “três-em-unidade”. É usada para resumir o ensinamento bíblico de que Deus é três pessoas, porém um só Deus.
Às vezes se pensa que a doutrina da Trindade se encontra somente no Novo Testamento, e não no Antigo. Se Deus existe eternamente como três pessoas, seria surpreendente não encontrar indicações disso no Antigo Testamento. Embora a doutrina da Trindade não se ache explicitamente no Antigo Testamento, várias passagens dão a entender ou até implicam que Deus existe como mais de uma pessoa.

2. A revelação mais completa da Trindade no Novo Testamento.

Quando começa o Novo Testamento, entramos na história da vinda do Filho de Deus à terra. Era de esperar que esse grande acontecimento se fizesse acompanhar de ensinamentos mais explícitos sobre a natureza trinitária de Deus, e de fato é isso que encontramos. Antes de analisar a questão com pormenores, podemos simplesmente listar várias passagens em que as três pessoas da Trindade são mencionadas juntas.

B. Três Declarações que Resumem o Ensino Bíblico 

Em certo sentido a doutrina da Trindade é um mistério que jamais seremos capazes de entender plenamente. Podemos, todavia, compreender parte da sua verdade resumindo o ensinamento das Escrituras em três declarações:

a. Deus é três pessoas.
b. Cada pessoa é plenamente Deus.

c. Há só um Deus.

1. Deus é três pessoas.

O fato de ser Deus três pessoas significa que o Pai não é o Filho; são pessoas distintas. Significa também que o Pai não é o Espírito Santo, mas são pessoas distintas. E significa que o Filho não é o Espírito Santo. Essas distinções se mostram em várias das passagens citadas na seção anterior, bem como em muitas outras passagens do Novo Testamento.

2. Cada pessoa é plenamente Deus.

Além do fato de serem as três pessoas distintas, as Escrituras também dão farto testemunho de que cada pessoa é plenamente Deus.
Primeiro, Deus Pai é claramente Deus. Isso se evidencia desde o primeiro versículo da Bíblia, no qual Deus cria o céu e a terra. É evidente em todo o Antigo e no Novo Testamento, nos quais Deus Pai é retratado nitidamente como Senhor soberano de tudo e onde Jesus ora ao seu Pai celeste.

Também, o Filho é plenamente Deus. Embora esse ponto seja desenvolvido com mais pormenores no capítulo 26 (“A Pessoa de Cristo”), podemos aqui mencionar de passagem vários trechos explícitos. João 1.1-4

Além disso, o Espírito Santo é também plenamente Deus. Uma vez que entendamos que Deus Pai e Deus Filho são plenamente Deus, então as expressões trinitárias em versículos como Mateus 28.19 (“batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”) se revestem de relevância para a doutrina do Espírito Santo, pois mostram que o Espírito Santo está classificado no mesmo nível do Pai e do Filho.

3. Só há um Deus.

As Escrituras deixam bem claro que só existe um único Deus. As três diferentes pessoas da Trindade são um não apenas em propósito e em concordância no que pensam, mas um em essência, um na sua natureza essencial. Em outras palavras, Deus é um só ser. Não existem três Deuses. Só existe um Deus.

4. As soluções simplistas necessariamente negam um dos ensinamentos bíblicos.

Agora temos três proposições, todas elas ensinadas nas Escrituras.
1. Deus é três pessoas.
2. Cada pessoa é plenamente Deus.
(1)Só há um Deus.

5. Todas as analogias têm falhas. 


Se não podemos adotar nenhuma dessas soluções simplistas, então como juntar as três verdades bíblicas para assim sustentar a doutrina da Trindade? As pessoas já usaram várias analogias retiradas da natureza ou da experiência humana para tentar explicar essa doutrina. Embora tais analogias sejam úteis num nível elementar de compreensão, todas elas se revelam inadequadas ou ilusórias numa reflexão mais aprofundada.

6. Deus existe eterna e necessariamente como Trindade. 


Quando o universo foi criado, Deus Pai proferiu as potentes palavras criadoras que o geraram; Deus Filho foi o agente divino que executou essas palavras (Jo 1.3; 1Co 8.6; Cl 1.16; Hb 1.2) e o Espírito de Deus “pairava por sobre as águas” (Gn 1.2). Então é como seria de esperar: se os três membros da Trindade são igual e plenamente divinos, então todos eles existiram desde a eternidade, e Deus sempre existiu eternamente como Trindade (cf. também Jo 17.5, 24).

c. A negação de qualquer uma dessas três proposições que resumem o ensino bíblico sempre gerou erros

1. O modalismo

Afirma que existe só uma única pessoa, que se revela a nós de três diferentes formas (ou “modos”). Em momentos distintos da história alguns pregaram que Deus não é de fato três pessoas diferentes, mas uma única pessoa que se revela às pessoas de “modos” diversos em momentos diferentes. Por exemplo, o Deus do Antigo Testamento se revelou como “Pai”. Nos evangelhos, essa mesma pessoa divina se revelou como “Filho”, na vida e no ministério de Jesus. Depois do Pentecostes, essa mesma pessoa então se revelou como o “Espírito” ativo na igreja.

2. O arianismo

Nega a plena divindade do Filho e do Espírito Santo.

a. A controvérsia ariana. O termo arianismo vem de Ário, bispo de Alexandria, cujas opiniões foram condenadas no Concílio de Nicéia em 325 d.C., e que morreu em 336 d.C. Ário pregava que Deus Filho foi em dado momento criado por Deus Pai e que antes desse momento o Filho não existia, nem o Espírito Santo, mas somente o Pai. Assim, embora o Filho seja um ser celeste anterior ao resto da criação e bem maior do que todo o resto da criação, ele não se iguala ao Pai em todos os seus atributos — pode-se até dizer que é “igual ao Pai” ou “semelhante ao Pai” na sua natureza, mas não se pode dizer que é “da mesma natureza” do Pai.

b. Subordinacionismo. Ao afirmar que o Filho era da mesma natureza do Pai, a igreja primitiva também excluiu outra falsa doutrina correlata: o subordinacionismo. Enquanto o arianismo sustentava que o Filho era criado e não divino, o subordinacionismo defendia que o Filho era eterno (não criado) e divino, mas ainda assim não igual ao Pai no seu ser e nos seus atributos — o Filho era inferior ou “subordinado” no seu ser a Deus Pai.2 7 Orígenes (c. 185 – c. 254 d.C.), um dos pais da igreja primitiva, advogava uma forma de subordinacionismo ao sustentar que o Filho é inferior ao Pai no seu ser e que deriva eternamente o seu ser do Pai. Orígenes tentava proteger a distinção de pessoas e escrevia antes da formulação clara da doutrina da Trindade na igreja. O restante da igreja não o seguiu, mas claramente rejeitou o seu ensinamento no Concílio de Nicéia.

c. Adocianismo. Antes de deixar para trás a discussão do arianismo, é preciso mencionar outra falsa doutrina correlata. O “adocianismo” é a concepção de que Jesus viveu como homem comum até seu batismo, quando Deus o “adotou” como “Filho”, conferindo-lhe poderes sobrenaturais. Os adocianistas não concordariam que Cristo existia antes de ter nascido como homem; portanto, não considerariam Cristo eterno, nem o enxergavam como o ser sublime e sobrenatural criado por Deus, que era a crença dos arianos. Mesmo depois da “adoção” de Jesus como “Filho” de Deus, eles não o julgavam detentor de uma natureza divina, mas apenas um homem sublime que Deus chamava de “Filho” num sentido único.

d. A expressão filioque. Ao lado do Credo de Nicéia, importa mencionar breve-mente outro capítulo infeliz da história da igreja, a saber, a controvérsia sobre a inserção da expressão filioque no Credo de Nicéia, inserção que acabou gerando o cisma entre o cristianismo ocidental (católico romano) e o cristianismo oriental (composto hoje por várias ramificações dos ortodoxos orientais, como a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja Ortodoxa Russa, etc.) em 1054 d.C. 

Filioque é uma expressão latina que significa “e do Filho”. Não foi incluída no Credo de Nicéia, nem na primeira versão de 325 d.C. nem na segunda, de 381 d.C. Essas versões diziam simplesmente que o Espírito Santo “procede do Pai”. Mas em 589 d.C., num concílio regional da igreja em Toledo (região que hoje faz parte da Espanha), acrescentou-se a frase “e do Filho”; assim, o credo então dizia que o Espírito Santo “procede do Pai e do Filho (filioque)”. À luz de João 15.26 e 16.7, onde Jesus disse que enviaria o Espírito Santo ao mundo, aparentemente não poderia haver objeção a tal frase se significasse que o Espírito Santo procedeu do Pai e do Filho num momento determinado (especialmente no Pentecostes). Mas trata-se de uma afirmação sobre a natureza da Trindade, e interpretou-se que a expressão falava de uma relação eterna entre o Espírito Santo e o Filho, algo que as Escrituras jamais abordam explicitamente. A forma do Credo de Nicéia que trazia essa expressão adicional gradualmente alcançou aceitação geral e recebeu endosso oficial em 1017 d.C. 

Toda a controvérsia complicou-se por conta da política eclesiástica e da luta pelo poder dentro da igreja, e essa questão doutrinária aparentemente bem insignificante tornou-se o pomo de discórdia no cisma entre o cristianismo oriental e o ocidental em 1054 d.C. (A questão política subjacente, porém, era a relação da igreja oriental com a autoridade do papa.) A controvérsia doutrinária e o cisma que gerou os dois ramos do cristianismo não foram solucionadas até hoje.

e. A importância da doutrina da Trindade. Por que a igreja tanto se ocupou da doutrina da Trindade? Será realmente essencial apegar-se à plena divindade do Filho e do Espírito Santo? Certamente sim, pois esse ensinamento traz implicações para o próprio cerne da fé cristã. Em primeiro lugar, está em jogo a expiação. Em segundo lugar, a justificação somente pela fé fica ameaçada se negamos a plena divindade do Filho. Em terceiro lugar, se Jesus não é o Deus infinito, será que devemos nos dirigir a ele em oração ou adorá-lo? Na verdade, se Jesus é meramente uma criatura, por maior que seja, seria idolatria adorá-lo — e no entanto o Novo Testamento nos ordena fazê-lo (Fp 2.9-11; Ap 5.12-14). Em quarto lugar, se alguém prega que Cristo foi um ser criado e, mesmo assim, nos salvou, então esse ensinamento atribui erroneamente o mérito da salvação a uma criatura, e não ao próprio Deus. Em quinto lugar, a independência e a natureza pessoal de Deus estão em jogo: se a Trindade não existe, então não houve relacionamentos interpessoais dentro do ser divino antes da criação, e, sem relacionamento pessoais, é difícil entender como Deus poderia ser genuinamente pessoal ou como não teria a necessidade da criação para com ela relacionar-se. Em sexto lugar, a unidade do universo está em jogo: se não há pluralidade perfeita e unidade perfeita no próprio Deus, então também não temos fundamento para pensar que possa existir alguma unidade última entre os diversos elementos do universo.

3. O triteísmo nega que só existe um único Deus. Uma última forma possível de tentar uma harmonização fácil do ensino bíblico sobre a Trindade seria negar que só existe um único Deus. O resultado é dizer que Deus são três pessoas, e cada pessoa, plenamente Deus. Portanto, existem três Deuses. Tecnicamente, essa concepção se denominaria “triteísmo”.

Quais as distinções entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo?

1. As pessoas da Trindade têm funções primordiais diferentes em relação ao mundo.


Quando as Escrituras abordam o modo como Deus se relaciona com o mundo, tanto na criação quanto na redenção, afirmam que as pessoas da Trindade têm funções ou atividades primordiais diferentes. Isso já foi chamado de “economia da Trindade”, sendo o termo economia usado no sentido obsoleto de “ordenamento de atividades”.

2. As pessoas da Trindade existem eternamente como o Pai, o Filho e o Espírito Santo.


Não, não parece possível que essas coisas pudessem ocorrer, pois o papel de comandar, dirigir e enviar é apropriado à posição do Pai, segundo a qual se molda toda paternidade humana (Ef 3.14-15). E o papel de obedecer, partindo quando o Pai o envia e revelando Deus a nós, é apropriado ao papel do Filho, que é chamado Verbo de Deus (cf. Jo 1.1-5, 14, 18; 17.4; Fp 2.5-11). Esses papéis não poderiam ter sido trocados, senão o Pai deixaria de ser o Pai, e o Filho deixaria de ser o Filho. E, por analogia com essa relação, podemos concluir que o papel do Espírito Santo é igualmente apropriado à relação que ele já tinha com o Pai e o Filho antes que o mundo fosse criado.Essas relações são eternas, e não algo que ocorreu somente no tempo. Podemos deduzir isso primeiramente da imutabilidade de Deus (ver capítulo 11): se Deus existe hoje como Pai, Filho e Espírito Santo, então ele sempre existiu como Pai, Filho e Espírito Santo.
3. Qual a relação entre as três pessoas e o ser de Deus? Primeiro,é importante afirmar que cada pessoa é completa e plenamente Deus; ou seja, que cada pessoa tem em si a absoluta plenitude do ser divino. Por outro lado, precisamos dizer que as pessoas são reais, que não são apenas modos diferentes de enxergar o ser único de Deus. (Isso seria modalismo ou sabelianismo, como já vimos acima.)

4. Será que podemos compreender a doutrina da Trindade?


Os erros cometidos no passado devem-nos servir de alerta. Todos eles surgiram de tentativas de simplificar a doutrina da Trindade para torná-la completamente inteligível, removendo dela todo o mistério. Isso jamais podemos fazer. Porém, não é correto dizer que não podemos compreender nada da doutrina da Trindade. Certamente podemos compreender e saber que Deus é três pessoas, e que cada pessoa é plenamente Deus, e que só há um Deus. Podemos saber essas coisas porque a Bíblia as ensina. Além disso, podemos saber algumas coisas acerca do modo como as pessoas se relacionam umas com as outras (ver a seção acima). Mas o que não podemos compreender plenamente é como encaixar esses diferentes ensinamentos bíblicos. Perguntamo-nos como pode haver três pessoas distintas, como cada pessoa pode conter em si a totalidade do ser divino, e como, apesar disso, Deus é um ser único e indiviso. Isso não somos capazes de compreender. De fato, nos é espiritualmente saudável reconhecer abertamente que o ser divino em si é tão imenso que jamais poderemos vir a compreendê-lo. Isso nos humilha diante de Deus e leva-nos a adorá-lo sem reservas.

Mas também é preciso dizer que as Escrituras não nos pedem que creiamos numa contradição. Contradição seria dizer: “só existe um único Deus e não existe um único Deus” ou “Deus é três pessoas e Deus não é três pessoas” ou mesmo (semelhante à afirmação precedente) “Deus é três pessoas e Deus é uma pessoa”.

Como Deus em si mesmo contém tanto a unidade quanto a diversidade, não é de admirar que unidade e diversidade também se reflitam nas relações humanas que ele firmou. Percebemos isso inicialmente no casamento. Quando Deus criou o homem à sua própria imagem, não criou meros indivíduos isolados, mas diz-nos a Bíblia: “homem e mulher os criou” (Gn 1.27). E na unidade do casamento (ver Gn 2.24) percebemos não uma triunidade como em Deus, mas pelo menos uma notável unidade de duas pessoas, pessoas que permanecem indivíduos distintos, porém se tornam um só em corpo, mente e espírito (cf. 1Co 6.16-20; Ef 5.31).

A Criação

Podemos definir assim a doutrina da criação: Deus criou todo o universo do nada; este era originariamente muito bom, e ele o criou para glorificar a si mesmo.

1. Provas bíblicas da criação a partir do nada.


A Bíblia claramente demanda que acreditemos que Deus criou o universo do nada. (Às vezes se usa a expressão latina ex nihilo, “do nada”; diz-se então que a Bíblia prega a criação ex nihilo.) Isso significa que antes de Deus principiar a criação do universo, nada existia além do próprio Deus.


2. A criação do universo espiritual. 

A criação de todo o universo abarca a criação de um reino de existência invisível e espiritual: Deus criou os anjos e outros tipos de seres celestiais, além dos animais e do homem. Também criou o céu como lugar onde a sua presença é especialmente evidente. A criação do reino espiritual está inequivocamente implícita em todos os versículos acima que afirmam que Deus criou não só a terra, mas também “o céu [...] e tudo quanto nele[s] existe” (Ap 10.6; cf. At 4.24), e está ainda explicitamente confirmada em vários outros versículos. No Novo Testamento, Paulo especifica que em Cristo “foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele” (Cl 1.16; cf. Sl 148.2-5). Aqui a criação dos seres celestes invisíveis é também afirmada explicitamente.

3. A criação direta de Adão e Eva. 

“Então, o Senhor Deus fez cair pesado sono sobre o homem, e este adormeceu; tomou uma das suas costelas e fechou o lugar com carne. E a costela que o Senhor Deus tomara ao homem, transformou-a numa mulher e lha trouxe” (Gn 2.21-22).

A criação especial de Adão e Eva mostra que, embora nos pareçamos com os animais em muitos aspectos do nosso corpo físico, somos no entanto muito diferentes deles. Fomos criados “à imagem de Deus”, o pináculo da criação divina, mais semelhantes a Deus do que qualquer outra criatura, nomeados para reger o resto da criação.

4. A criação do tempo.


Outro aspecto da criação divina é a criação do tempo (a sucessão de momentos consecutivos). Essa ideia já foi discutida juntamente com o atributo divino da eternidade no capítulo 11, e aqui nos basta resumi-la. Quando falamos da existência de Deus “antes” da criação do mundo, não devemos pensar que Deus existisse ao longo de uma infindável extensão de tempo.


5. O papel do Filho e do Espírito Santo na criação.

 Deus Pai foi o agente primordial, ao iniciar o ato da criação. Mas o Filho e o Espírito Santo também estiveram ativos. O Filho é muitas vezes descrito como aquele “por intermédio de” quem se deu a criação. O Espírito Santo também agiu na criação. Ele é geralmente retratado como aquele que conclui, preenche e dá vida à criação divina.

O ensino bíblico a respeito do relacionamento entre Deus e a criação é único entre as religiões do mundo. A Bíblia ensina que Deus é distinto da sua criação. Não faz parte dela, pois ele a fez e a governa. O termo muitas vezes usado para dizer que Deus é muito maior do que a criação é transcendente. Simplificando bastante, isso significa que Deus está bem “acima” da criação, no sentido de que é maior do que a criação e independente dela.

É evidente que Deus criou seu povo para a sua própria glória, pois ele fala dos seus filhos e filhas como aqueles “que criei para minha glória, e que formei, e fiz” (Is 43.7). Mas Deus não criou para seus desígnios somente os seres humanos. Toda a criação tem por meta revelar a glória de Deus. Mesmo a criação inanimada — as estrelas, o sol, a lua e o firmamento — dá testemunho da grandeza de Deus. “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.

Mesmo que hoje haja pecado no mundo, a criação material ainda é boa aos olhos de Deus e deve também por nós ser tida como “boa”. Esse conhecimento nos liberta de um falso ascetismo que considera errado o uso e o deleite da criação material.

Em vários momentos da história, os cristãos discordaram das descobertas reconhecidas da ciência da época. Na grande maioria dos casos, a sincera fé cristã e a firme confiança na Bíblia levaram os cientistas à descoberta de novas verdades sobre o universo de Deus, e essas descobertas mudaram a opinião científica em toda a história posterior.

Vejamos alguns princípios segundo os quais se pode abordar a relação entre a criação e as descobertas da ciência moderna. 


1. Corretamente compreendidos todos os fatos, não haverá “nenhum conflito definitivo” entre as Escrituras e a ciência natural. A expressão “nenhum conflito definitivo” foi extraída de um livro muito interessante de Francis Schaeffer, No Final Conflict. A respeito de questões da criação do universo, Schaeffer lista diversos pontos em que, segundo ele, há margem para discordância entre cristãos que acreditem na completa fidelidade das Escrituras:

a. Existe a possibilidade de Deus ter criado um universo “adulto”.
b. Existe a possibilidade de intervalo entre Gênesis 1.1 e 1.2, ou entre 1.2 e 1.3.
c. Existe a possibilidade de um dia longo em Gênesis 1.
d. O sentido da palavra “espécie” em Gênesis 1 pode ser bem amplo.
e. Existe a possibilidade da morte de animais antes da queda.
f. Nos trechos em que a palavra hebraica bªrª’ não é utilizada, existe a possibilidade de seqüência a partir de coisas previamente existentes.

2. Algumas teorias sobre a criação parecem nitidamente incompatíveis com os ensinamentos das Escrituras. Nesta seção examinaremos três tipos de explicação da origem do universo que parecem nitidamente incompatíveis com as Escrituras.

a. Teorias seculares


Teoria “secular” é qualquer teoria da origem do universo que não considera que um Deus pessoal e infinito é o responsável pela criação segundo desígnios inteligentes.

b. Evolução teísta


Essa teoria se chama evolução teísta porque advoga a crença em Deus (é “teísta”) e também na evolução. Muitos dos que defendem a evolução teísta sugerem que Deus interveio no processo em alguns pontos críticos, geralmente: (1) na criação da matéria no princípio, (2) na criação da forma mais simples de vida e (3) na criação do homem.

c. Comentários sobre a teoria darwiniana da evolução


O termo evolução é mais comumente usado para referir-se à “macroevolução” — ou seja, a “teoria geral da evolução”, ou a idéia de que “substâncias não vivas deram origem ao primeiro material vivo, que em seqüência se reproduziu e se diversificou, gerando todos os organismos extintos e existentes”.

(1) Contestações atuais à evolução

A atual teoria neodarwinista ainda é essencialmente semelhante à posição original de Darwin, mas com aperfeiçoamentos e modificações devidos a mais de cem anos de pesquisas. Na moderna teoria evolutiva darwinista, a história do desenvolvimento da vida começou quando uma combinação de substâncias químicas presentes na terra gerou espontaneamente uma forma de vida simples, provavelmente unicelular.

(2) As influências destrutivas da teoria da evolução no pensamento moderno

É importante compreender as influências incrivelmente destrutivas que a teoria da evolução exerceu sobre o pensamento moderno. Não passamos então de meros produtos de matéria, tempo e acaso, e portanto crer que temos alguma importância eterna, ou na verdade qualquer importância, por mínima que seja, diante de um universo imenso, é simplesmente ilusão. A reflexão sincera sobre essa ideia deve levar as pessoas a um profundo sentimento de desespero.

d. A teoria do “intervalo” entre Gênesis 1.1 e 1.2. Alguns evangélicos propõem que existe um intervalo de milhões de anos entre Gênesis 1.1 (“No princípio, criou Deus os céus e a terra”) e Gênesis 1.2 (“A terra, porém, estava sem forma e vazia; havia trevas sobre a face do abismo”). Segundo essa teoria, Deus teria feito uma criação anterior, mas acabou havendo uma rebelião contra ele (provavelmente ligada à própria rebelião de Satanás), e Deus julgou a terra, de modo que ela “ficou sem forma e vazia” (tradução alternativa, mas duvidosa, proposta para Gn 1.2).

3. A idade da terra: algumas considerações preliminares. Até aqui, as análises deste capítulo defenderam conclusões que esperamos encontrem ampla aceitação entre os cristãos evangélicos. Qual a idade da terra?

As duas opções a escolher sobre a idade da terra são a teoria da “terra antiga”, que se alinha com o consenso da ciência moderna, defendendo que a terra tem 4.500.000.000 de anos de idade; e a teoria da “terra jovem”, que diz que a terra tem entre 10.000 e 20.000 anos, e que os sistemas de datação científicos seculares estão incorretos. A diferença entre essas duas concepções é imensa: 4.499.980.000 anos!

4. Hoje tanto a tese da “terra antiga” quanto a da “terra jovem” são opções válidas para os cristãos que creem na Bíblia. Depois de discutir várias considerações preliminares a respeito da idade da terra, chegamos finalmente aos argumentos específicos a favor das teses da terra antiga e da terra jovem.

a. As teorias criacionistas da “terra antiga”. Nessa primeira categoria, relacionamos dois pontos de vista defendidos por aqueles que creem numa terra antiga, com cerca de 4,5 bilhões de anos, e num universo de cerca de 15 bilhões de anos.

(1) Tese do dia-era

Muitos se viram atraídos a essa tese em virtude das provas científicas a respeito da idade da terra. Uma investigação bastante proveitosa das opiniões dos teólogos e cientistas a respeito da idade da terra, desde a antiga Grécia até o século XX, se acha no livro de um geólogo profissional e também cristão evangélico, Davis A. Young, Christianity and the Age of the Earth. Young demonstra que, nos séculos XIX e XX, muitos geólogos cristãos, diante do peso das provas aparentemente esmagadoras, concluíram que a terra tem cerca de 4,5 bilhões de anos.

A concepção do dia-era é certamente possível, mas tem diversas dificuldades:

 
(1) a seqüência de acontecimentos de Gênesis 1 não corresponde exatamente à explicação científica atual do desenvolvimento da vida, que situa os seres marinhos
(5º dia) antes das árvores (3º dia), e os insetos e outros animais terrestres (6º dia), assim como também os peixes (5º dia), antes das aves (5º dia).
(2) A maior dificuldade dessa ideia é o fato de situar o sol, a lua e as estrelas (4º dia) milhões de anos depois da criação das plantas e das árvores (3º dia). Isso não faz absolutamente nenhum sentido segundo a opinião científica corrente, que afirma que as estrelas foram formadas bem antes da terra ou de qualquer ser vivo da terra. Também não faz sentido em face do modo como a terra hoje funciona, pois as plantas não crescem sem luz do sol, e muitas delas (3º dia) dependem de aves ou insetos voadores (5º dia) para o transporte do pólen; além disso, muitas aves (5º dia) vivem de insetos rastejantes (6º dia). Ademais, é de supor que as águas da terra permaneceriam congeladas por milhões de anos sem a luz do sol.

(2) Tese da estrutura literária

Outra forma de interpretar os dias de Gênesis 1 vem ganhando significativo apoio entre os evangélicos. Como argumenta que Gênesis não nos dá informações sobre a idade da terra, seria compatível com a atual concepção científica de que a terra é bastante antiga. Essa tese defende que os seis dias de Gênesis 1 não pretendem indicar uma seqüência cronológica de acontecimentos, nada mais sendo que uma “estrutura” literária que o autor usa para nos relatar a ação criadora de Deus. A estrutura está construída com destreza, de modo que os primeiros três dias e os três dias restantes correspondam um ao outro.

Dias de formação Dias de preenchimento

1º dia: separação de luz e trevas 4º dia: sol, lua e estrelas (luzes no céu)
2º dia: separação de firmamento e águas 5º dia: peixes e aves 3º dia: separação de terra seca e mares, 6º dia: animais e o homem ,plantas e árvores

b. As teorias criacionistas da “terra jovem”. Outro grupo de intérpretes evangélicos rejeita os sistemas de datação que atualmente atribuem uma idade de milhões de anos à terra, sustentando, em vez disso, que a terra é bem jovem, tendo talvez 10.000 ou 20.000 anos. Os defensores da terra jovem formularam vários argumentos científicos em favor da criação recente da terra. Aqueles que defendem a tese da terra jovem geralmente advogam uma das seguintes concepções, ou ambas:

(1) Criação com aparência de antiguidade (criacionismo maduro)

O surgimento de Adão e Eva como adultos maduros é um exemplo óbvio. Eles parecem já ter vivido talvez vinte ou vinte e cinco anos, tendo-se desenvolvido desde a infância como os seres humanos comuns, mas na verdade tinham menos de um dia de vida. Do mesmo modo, provavelmente já viram as estrelas na primeira noite de vida, mas a luz da maior parte das estrelas levaria milhares ou mesmo milhões de anos para alcançar a terra. Isso indica que Deus criou as estrelas com raios de luz já no lugar.

O verdadeiro problema da aparência de antiguidade é não poder explicar facilmente algumas coisas do universo. Todos concordarão que Adão e Eva foram criados já adultos, não crianças recém-nascidas, e portanto já tinham uma aparência madura. Assim, para os cristãos, parece que as únicas explicações plausíveis dos fósseis são:
(a) os atuais métodos de datação estão incorretos em proporções colossais, em virtude de pressupostos equivocados ou de modificações introduzidas pela queda ou pelo dilúvio; ou
(b) os atuais métodos de datação estão aproximadamente corretos e a terra tem muitos milhões ou mesmo bilhões de anos.

(2) A geologia do dilúvio

Outra tese comum entre os evangélicos é aquilo que podemos chamar de “geologia diluviana”. Propõe que as tremendas forças naturais desencadeadas pelo dilúvio no tempo de Noé (Gn 6-9) alteraram significativamente a face da terra, provocando a produção de carvão e diamantes, por exemplo, num intervalo de um ano somente, e não de centenas de milhões de anos, em função da pressão extremamente alta que a água exerceu sobre a terra.

5. Conclusões sobre a idade da terra. Os argumentos astronômicos de Newman e Eckelmann, que indicam um universo bastante antigo, dão peso ainda maior. É compreensível, por um lado, que Deus tenha criado um universo em que as estrelas já estavam aparentemente brilhando havia 15 bilhões de anos, em que Adão já parecia ter 25 anos de idade, em que algumas árvores aparentemente já estavam ali havia 50 anos e em que alguns animais pareciam já ter entre 1 e 10 anos. Mas, por outro lado, é difícil compreender por que Deus teria criado dezenas, talvez centenas, de diferentes tipos de rochas e minerais na terra, todos eles com apenas um dia de idade, mas ao mesmo tempo todos eles com uma aparência de exatamente 4,5 bilhões de anos, exatamente a idade aparente que ele também deu à lua e aos meteoritos, quando na verdade esses também só tinham um dia de vida.

6. A necessidade de uma melhor compreensão. Embora nossas conclusões sejam conjecturais, diante da nossa compreensão atual parece ser mais fácil interpretar que as Escrituras dão a entender (mas não exigem) uma terra jovem, apesar de os fatos observáveis da criação parecerem cada vez mais favoráveis à tese da terra antiga. Ambas as idéias são possíveis, mas nenhuma delas é segura.

A doutrina da criação tem muitas aplicações para os cristãos de hoje. Faz-nos perceber que o universo material é bom em si mesmo, pois Deus o criou bom e quer que o utilizemos de modos que lhe sejam agradáveis. Portanto devemos procurar ser como os primeiros cristãos, que “partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At 2.46), sempre dando graças a Deus e confiando nas suas provisões.

A Providência Divina.

Quando entendemos que Deus é o Criador todo-poderoso (ver capítulo 15), parece sensato concluir que ele também preserva e governa tudo no universo. Embora o termo providência não se encontre nas Escrituras, tem sido tradicionalmente usado para resumir a contínua relação de Deus com a sua criação.

Podemos definir assim a providência divina: Deus está continuamente envolvido com todas as coisas criadas de forma tal que (1) as preserva como elementos existentes, que conservam as propriedades com que ele os criou; (2) coopera com as coisas criadas em cada ato, dirigindo as suas propriedades características a fim de fazê-las agir como agem; e (3) as orienta no cumprimento dos seus propósitos.

Dentro da categoria geral da providência temos três subtópicos, segundo os três elementos da definição acima: (1) Preservação, (2) Cooperação e (3) Governo.

A. Preservação

Deus preserva todas as coisas criadas como elementos existentes, que conservam as propriedades com que ele os criou.

Hebreus 1.3 nos diz que Cristo está “sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder”. A palavra grega traduzida como “sustentando” é , “carregar, suportar”. É usada comumente no Novo Testamento com o sentido de carregar algo de um lugar para outro, como nos seguinte exemplos: Lucas 5.18 (levar um paralítico num leito até Jesus), João 2.8 (levar vinho ao encarregado do banquete) e 2 Timóteo 4.13 (levar uma capa e livros para Paulo). Não significa simplesmente “sustentar”, mas encerra a ideia de controle ativo e deliberado da coisa que se carrega de um lugar a outro. Em Hebreus 1.3, o uso do gerúndio indica que Jesus está “continuamente carregando consigo todas as coisas” no universo pela palavra do seu poder. Cristo está ativamente envolvido na obra da providência.

B. Cooperação

Deus coopera com as coisas criadas em cada ato, dirigindo as suas propriedades características a fim de fazê-las agir como agem.

Esse segundo aspecto da providência, a cooperação, é uma ampliação da ideia contida no primeiro aspecto, a preservação. De fato, alguns teólogos (como João Calvino) tratam o fato da cooperação dentro da categoria da preservação, mas vale a pena tratá-lo como categoria distinta.
Com o intuito de apresentar provas bíblicas da cooperação, começamos pela criação inanimada, depois passamos aos animais e finalmente abordamos os diferentes tipos de acontecimentos da vida dos homens.

1. A criação inanimada.

Há muitas coisas na criação que concebemos como ocorrências meramente “naturais”. Contudo, as Escrituras afirmam que Deus as faz acontecer. Lemos que “fogo e saraiva, neve e vapor e ventos procelosos [...] lhe executam a palavra” (Sl 148.8). Ainda, o salmista declara que “Tudo quanto aprouve ao Senhor, ele o fez, nos céus e na terra, no mar e em todos os abismos” (Sl 135.6), e depois, na frase seguinte, exemplifica como Deus impõe a sua vontade ao clima: “Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva, faz sair o vento dos seus reservatórios” (Sl 135.7; cf. 104.4).

2. Os animais.

As Escrituras afirmam que Deus alimenta os animais selvagens do campo, pois “todos esperam de ti que lhes dês de comer a seu tempo. Se lhes dás, eles o recolhem; se abres a mão, eles se fartam de bens. Se ocultas o rosto, eles se perturbam” (Sl 104.27-29; cf. Jó 38.39-41). Jesus também afirmou isso ao dizer: “Observai as aves do céu [...] vosso Pai celeste as sustenta” (Mt 6.26). E ele disse que nenhum pardal “cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai” (Mt 10.29).

3. Acontecimentos aparentemente “aleatórios” ou “casuais”.

De um ponto de vista humano, o ato de lançar sortes (ou seu equivalente moderno, jogar dados ou tirar cara ou coroa) é o mais típico dos eventos aleatórios que ocorrem no universo. Mas a Bíblia afirma que o resultado desse evento provém de Deus: “A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão” (Pv 16.33).

4. Eventos totalmente provocados por Deus e totalmente provocados também pelas criaturas.

Para todos os eventos anteriores (a chuva e a neve, o crescimento da relva, o sol e as estrelas, o sustento dos animais ou o lançar sortes), poderíamos (pelo menos em teoria) dar uma explicação “natural” absolutamente satisfatória. Um botânico pode detalhar os fatores que fazem a relva crescer, como o sol, a umidade, a temperatura, os nutrientes do solo, etc. Porém dizem as Escrituras que Deus faz a relva crescer. Essas passagens afirmam que tais eventos são integralmente provocados por Deus. Porém, sabemos que (noutro sentido) são também integralmente provocados pelos fatores da criação.

5. As questões nacionais.

As Escrituras também falam do controle providencial divino das questões humanas. Lemos que Deus “multiplica as nações e as faz perecer; dispersa-as e de novo as congrega” (Jó 12.23). “Pois do Senhor é o reino, é ele quem governa as nações” (Sl 22.28). Ele já determinou o tempo de existência e o lugar de cada nação na terra, pois Paulo diz: “[Deus] de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação” (At 17.26; cf. 14.16).

6. Todos os aspectos da nossa vida.

É surpreendente ver até que ponto as Escrituras atribuem a Deus os vários eventos da nossa vida. Por exemplo, nossa dependência de Deus para o alimento de cada dia é afirmada cada vez que oramos “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11), ainda que trabalhemos pelo nosso alimento e (até onde a mera observação humana pode alcançar) o obtenhamos por meio de causas totalmente “naturais”. Do mesmo modo, Paulo, mirando as coisas com os olhos da fé, afirma que “o meu Deus [...] há de suprir [...] cada uma de vossas necessidades” (Fp 4.19), mesmo que se usem meios “comuns” (como, por exemplo, outras pessoas) para fazê-lo.

7. E o mal?

Se Deus de fato causa, mediante a sua ação providencial, tudo o que vem a acontecer no mundo, então surge a pergunta: “Qual a relação entre Deus e o mal que existe no mundo?” Será que Deus realmente causa os atos maus das pessoas? Se o faz, então não seria Deus responsável pelo pecado?

Podemos começar pela análise de várias passagens que afirmam que Deus, de fato, provocou acontecimentos maus e fez que se cometessem atos maus. Mas é importante lembrar que em todas essas passagens fica bem claro que as Escrituras, em momento nenhum, retratam Deus fazendo diretamente algo mau; retratam, sim, Deus causando atos maus por meio das ações voluntárias das criaturas morais.

8. Análise dos versículos relacionados a Deus e o mal.

Depois de examinar tantos versículos que falam do uso divino providencial dos atos maus de homens e demônios, que podemos dizer à guisa de análise?

a. Deus usa todas as coisas para cumprir os seus desígnios e usa até o mal para a sua glória e para o nosso bem. Assim, quando o mal entra em nossa vida para nos perturbar, podemos encontrar na doutrina da providência uma certeza mais profunda de que “Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito” (Rm 8.28 nvi). Foi essa convicção que possibilitou que José dissesse aos seus irmãos: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem” (Gn 50.20).

b. Porém, Deus jamais faz o mal e jamais deve ser culpado pelo mal. Numa declaração semelhante àquelas citadas acima de Atos 2.23 e 4.27-28, Jesus também combina a predestinação divina da crucificação com a culpa moral daqueles que a executaram: “Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído!” (Lc 22.22; cf. Mt 26.24; Mc 14.21). E numa declaração mais geral sobre o mal no mundo, diz Jesus: “Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem pelo qual vem o escândalo!” (Mt 18.7).

c. Deus culpa e julga justamente as criaturas morais pelo mal que fazem. Muitas passagens das Escrituras afirmam isso. Uma delas se encontra em Isaías: “Estes escolheram os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações, assim eu lhes escolherei o infortúnio e farei vir sobre eles o que eles temem; porque clamei, e ninguém respondeu, falei, e não escutaram; mas fizeram o que era mau perante mim e escolheram aquilo em que eu não tinha prazer” (Is 66.3-4). Do mesmo modo, lemos: “Deus fez o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias” (Ec 7.29). A culpa pelo mal é sempre da criatura responsável que o comete, seja homem, seja demônio, e a criatura que comete o mal sempre merece castigo.

d. O mal é real, não ilusão, e jamais devemos fazer o mal, pois ele sempre prejudicará a nós mesmos e os outros. As Escrituras ensinam repetidamente que jamais temos o direito de fazer o mal e que persistentemente devemos nos opor a ele em nós mesmos e no mundo. Devemos orar: “Livra-nos do mal” (Mt 6.13). E quando virmos alguém se desviando da verdade e fazendo algo errado, devemos tentar trazê-lo de volta. Dizem as Escrituras: “Se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados” (Tg 5.19-20).

e. Apesar de todas as afirmações anteriores, chega um ponto em que nos vemos obrigados a confessar que não compreendemos como Deus pode ordenar que executemos atos maus e depois nos responsabilizar por eles, sem que o próprio Deus tenha culpa. Podemos afirmar que todas essas coisas são verdade, pois as Escrituras as ensinam. Mas a Bíblia não nos diz exatamente como Deus provoca essa situação, ou como Deus nos responsabiliza por aquilo que ordena que venha a acontecer. Nesse ponto a Bíblia se cala, e temos de concordar com Berkhof, considerando que em última análise “o problema da relação de Deus com o pecado permanece um mistério”.

9. Somos “livres”?

Temos “livre-arbítrio”? Se Deus exerce controle providencial sobre todos os eventos, será que em algum sentido somos livres? A resposta depende do que queremos dizer com a palavra livre. Em certos sentidos da palavra, todos concordam que somos livres na nossa vontade e nas nossas decisões.

C. Governo

1. Provas bíblicas.

Já discutimos os dois primeiros aspectos da providência: (1) preservação e (2) cooperação. Esse terceiro aspecto da providência divina sugere que Deus tem um propósito em tudo o que faz no mundo, e providencialmente governa ou dirige todas as coisas a fim de que cumpram esses propósitos divinos. Lemos em Salmos: “O seu reino domina sobre tudo” (Sl 103.19). Além disso, “segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” (Dn 4.35).

2. Distinções acerca da vontade de Deus.

Embora em Deus a sua vontade seja unificada, e não dividida nem contraditória, é-nos impossível compreender as profundezas da vontade divina, e só pequena parte dela nós é revelada. Por essa razão, como vimos no capítulo 13,2 2 percebemos dois aspectos da vontade de Deus. De um lado, existe a vontade moral de Deus (às vezes chamada vontade “revelada”).

D. Os decretos de Deus

Os decretos de Deus são os divinos desígnios eternos por meio dos quais, antes da criação do mundo, ele determinou realizar tudo o que acontece. Essa doutrina é semelhante à da providência, mas aqui estamos considerando as decisões divinas anteriores à criação do mundo, e não seus atos providenciais no tempo. Seus atos providenciais são a efetivação dos decretos eternos que ele baixou há muito tempo.

E. A importância das nossas ações

Às vezes esquecemos que Deus age por intermédio dos atos humanos na sua administração providencial do mundo. Esquecendo, pensamos que nossos atos e nossas decisões não fazem muita diferença ou não exercem muita influência no curso dos acontecimentos. Para evitar qualquer mal-entendido acerca da providência divina, enfatizamos os pontos abaixo.

1. Somos, sim, responsáveis pelos nossos atos.

Deus nos fez responsáveis pelos nossos atos, que têm resultados reais e eternamente significativos. Em todos os seus atos providenciais, Deus preserva essas características de responsabilidade e importância.

2. Nossos atos geram resultados reais e mudam, sim, o curso dos acontecimentos.

Segundo o funcionamento normal do mundo, se deixo de cuidar da minha saúde e cultivo hábitos alimentares ruins, ou se agrido o meu corpo abusando do álcool e do cigarro, é provável que morra mais cedo. Deus determinou que nossos atos produzam efeitos. Deus determinou que nós causaremos acontecimentos.

3. A oração é um tipo de ação que traz resultados definidos e que efetiva-mente muda o curso dos acontecimentos.

Deus também determinou que a oração fosse um meio bastante importante de gerar resultados no mundo. Quando sinceramente intercedemos por uma pessoa ou situação, muitas vezes descobrirmos que Deus determinara que nossa oração seria o meio que ele usaria para gerar as mudanças no mundo. As Escrituras nos lembram esse fato ao dizer: “Nada tendes, porque não pedis” (Tg 4.2). Jesus diz: “Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.24).

4. Concluindo, precisamos agir!

A doutrina da providência de modo nenhum nos incentiva a aguardar ociosos o resultado de determinados acontecimentos. É claro que Deus pode gravar em nós a necessidade de esperar nele antes de agir e de confiar nele e não nas nossas próprias capacidades — isso certamente não é errado. Mas simplesmente dizer que confiamos em Deus em vez de agir responsavelmente é pura ociosidade, e uma distorção da doutrina da providência.

5. E se não pudermos compreender plenamente essa doutrina?

Todo crente que medita na providência de Deus alcançará mais cedo ou mais tarde um ponto em que se verá obrigado a dizer: “Não consigo compreender plenamente essa doutrina”. Em certo sentido isso se deve dizer de toda doutrina, pois nossa compreensão é finita, e Deus é infinito.

F. Outras aplicações práticas

Embora já tenhamos começado a falar da aplicação prática dessa doutrina, é importante mencionar três outros tópicos.

1. Não tema, mas confie em Deus.
Jesus enfatiza o fato de que nosso soberano Senhor zela por nós e cuida de nós como seus filhos. Diz: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves?

2. Sejamos gratos por todas as boas coisas que acontecem.
Se genuinamente cremos que todas as boas coisas são causadas por Deus, então nosso coração de fato exultará quando dissermos: “Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e não te esqueças de nem um só de seus benefícios” (Sl 103.2). Agradecer-lhe-emos nosso alimento diário (cf. Mt 6.11; 1Tm 4.4-5) e, na verdade, “em tudo” daremos graças (1Ts 5.18).

3. Não existe nada que se possa chamar “sorte” ou “acaso”.
Todas as coisas acontecem pela sábia providência divina. Isso significa que devemos adotar uma compreensão muito mais “pessoal” do universo e dos eventos que nele ocorrem. O universo não é governado por destino ou sorte impessoal, mas por um Deus pessoal.

G. Outra visão evangélica: a postura arminiana

Existe uma importante postura alternativa defendida por muitos evangélicos, que por conveniência chamaremos de visão “arminiana”. Entre as denominações evangélicas contemporâneas, os metodistas e os nazarenos tendem a ser plenamente arminianos, enquanto os presbiterianos tendem a ser plenamente reformados (pelo menos segundo a afirmação denominacional de fé). Os que defendem a opinião arminiana sustentam que, para preservar a verdadeira liberdade humana e as verdadeiras escolhas humanas indispensáveis à genuína pessoalidade humana, Deus não pode causar nem planejar as nossas decisões voluntárias. Portanto, concluem que o envolvimento providencial de Deus na história, ou o controle divino da história, não pode incluir cada mínimo detalhe de tudo o que acontece; em vez disso, Deus simplesmente reage às escolhas e ações humanas quando essas se realizam, e o faz de maneira tal que seus desígnios acabam se cumprindo no mundo.

1. Os versículos citados como exemplos do controle providencial de Deus são exceções e não descrevem o modo como Deus normalmente opera na atividade humana.

Examinando as passagens do Antigo Testamento que tratam do envolvimento providencial de Deus no mundo, David J. A. Clines diz que as previsões e afirmações dos desígnios divinos se referem a acontecimentos limitados ou específicos: quase todas as referências específicas aos desígnios de Deus têm em vista um acontecimento particular, ou uma série limitada de acontecimentos; por exemplo, “os desígnios que ele formou contra a terra dos caldeus” (Jr 50.45).

2. A visão calvinista equivocadamente torna Deus responsável pelo pecado.

Aqueles que sustentam a concepção arminiana perguntam: “Como pode Deus ser santo se decreta que pequemos?” Afirmam eles que Deus não é o “autor do pecado”, que “Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta” (Tg 1.13), que “Deus é luz, e não há nele treva nenhuma” (1Jo 1.5) e que “o Senhor é reto [...] e nele não há injustiça” (Sl 92.15).

3. Escolhas causadas por Deus não podem ser escolhas legítimas.

Se o calvinista afirma que Deus nos faz escolher coisas voluntariamente, os defensores da concepção arminiana respondem que quaisquer escolhas em última análise causadas por Deus não podem ser escolhas legítimas, e que, se Deus realmente nos faz tomar as decisões que tomamos, então não somos pessoas reais.


Para esclarecer o seu argumento sobre a liberdade essencial da vontade humana, os defensores da posição arminiana chamam atenção para a freqüência da livre oferta do evangelho no Novo Testamento. Diriam eles que esses convites ao arrependimento e à salvação em Cristo, caso sinceros, implicam necessariamente a capacidade de aceitá-los. Assim, todas as pessoas, sem exceção, têm capacidade de aceitar, não só aqueles a quem Deus soberanamente deu essa capacidade de modo especial.

4. A tese arminiana incentiva a vida cristã responsável, enquanto a tese calvinista estimula um fatalismo perigoso.

Os cristãos que defendem a visão arminiana argumentam que a visão calvinista, quando compreendida na sua totalidade, destrói os motivos da conduta cristã responsável. Randall Basinger diz que a concepção calvinista “estabelece que o que é deve ser e exclui a hipótese de que as coisas poderiam e/ou deveriam ter sido diferentes”.

H. Resposta à postura arminiana

Muitos evangélicos julgarão convincentes esses quatro argumentos arminianos. Acharão eles que esses argumentos representam o que intuitivamente sabem sobre si mesmos, seus atos e o modo como o mundo opera, e que tais argumentos são a melhor explicação para a repetida ênfase bíblica na nossa responsabilidade e nas reais conseqüências das nossas decisões. Entretanto, pode-se dar algumas respostas à tese arminiana.

1. Serão essas passagens bíblicas exemplos incomuns, ou descrevem elas o modo como Deus age normalmente?

Em resposta à objeção de que os exemplos do controle providencial de Deus só se referem a casos limitados ou específicos, pode-se dizer primeiro que esses exemplos são tão numerosos que parecem ter como meta nos ensinar os modos como Deus age sempre. Deus não só faz crescer parte da relva; faz toda a relva crescer.

2. Será que a doutrina calvinista da providência divina torna Deus responsável pelo pecado?

Contra a tese calvinista da providência divina (que aceita que os decretos divinos autorizem o pecado e o mal), os arminianos diriam que Deus não é responsável pelo pecado e o mal, pois ele não os determinou nem os causou de modo nenhum.

3. Será que escolhas determinadas por Deus podem ser escolhas legítimas?

Em resposta ao argumento de que escolhas determinadas por Deus não podem ser escolhas legítimas, importa dizer que isso não passa de uma suposição baseada, novamente, na experiência e na intuição humanas, e não em textos bíblicos.

4. Será que uma concepção calvinista da providência incentiva um fatalismo perigoso ou uma tendência de “viver como os arminianos”?

A concepção de providência apresentada acima enfatiza a necessidade da obediência responsável, e por isso não é correto dizer que incentiva a espécie de fatalismo que diz que tudo o que é deve ser. Aqueles que acusam os autores reformados de acreditar nisso simplesmente compreenderam erroneamente a doutrina reformada da providência.

5. Outras objeções à tese arminiana.

Além de responder aos quatro argumentos arminianos mencionados acima, é preciso considerar algumas outras objeções a essa tese.

a. Segundo a concepção arminiana, como pode Deus conhecer o futuro? Segundo a visão arminiana, as escolhas humanas não são causadas por Deus. São totalmente livres. Mas as Escrituras nos dão muitos exemplos de que Deus prediz o futuro e de profecias cumpridas com precisão. Outros arminianos simplesmente afirmam que Deus conhece tudo o que acontecerá, mas isso não significa que ele planejou ou causou o que irá acontecer; significa simplesmente que ele tem a capacidade de enxergar o futuro. 


 O problema dessa posição é que, mesmo que Deus não tenha planejado nem causado o acontecimento das coisas, o fato de serem conhecidas de antemão significa que certamente acontecerão. E isso significa que nossas decisões estão predeterminadas por alguma coisa (seja o destino seja o inevitável mecanismo de causa-e-efeito do universo) e, portanto, continuam não sendo livres no sentido em que os arminianos as desejam livres.

b. Segundo a concepção arminiana, como pode o mal existir se Deus não o quer? Os arminianos dizem bem claramente que o surgimento do mal no mundo não aconteceu segundo a vontade de Deus. Pinnock declara: “A queda do homem é uma eloquente refutação da teoria de que a vontade de Deus é sempre realizada”. Mas como pode o mal existir se Deus não quis que existisse? Se o mal acontece apesar de Deus não o querer, isso parece negar a onipotência de Deus: ele quis evitar o mal, mas foi incapaz de fazê-lo.

c. Segundo a concepção arminiana, como podemos saber que Deus triunfará do mal? Se voltamos à afirmação arminiana de que o mal não está de acordo com a vontade de Deus, surge outro problema: se todo o mal que hoje existe no mundo surgiu à revelia da vontade de Deus, como podemos ter certeza de que Deus triunfará do mal no fim? É claro que Deus diz nas Escrituras que triunfará do mal.

d. A diferença nas perguntas sem resposta. Como temos compreensão finita, inevitavelmente nos veremos diante de algumas perguntas sem resposta para cada doutrina bíblica. Contudo, acerca desse ponto as perguntas que calvinistas e arminianos deixam sem resposta são bem diferentes. De um lado, os calvinistas se vêem obrigados a dizer que não sabem como responder às seguintes perguntas:

1. Como exatamente Deus pode determinar que pratiquemos voluntariamente o mal, sem ser ele mesmo culpado do mal?

2. Como exatamente pode Deus fazer-nos escolher algo por nossa vontade?
Diante disso, os calvinistas diriam que a resposta deve ser de algum modo encontrada na consciência da infinita grandeza de Deus, no conhecimento do fato de que ele pode fazer bem mais do que jamais conceberíamos possível. Assim, a conseqüência dessas perguntas sem resposta é um aumento de nossa apreciação da grandiosidade de Deus.

Milagres

A análise do tema dos milagres está intimamente ligada à providência divina, que examinamos no capítulo anterior. Ali argumentamos que Deus exerce um controle abrangente, contínuo e soberano sobre todos os aspectos da sua criação. Este capítulo supõe uma compreensão da discussão da providência e nela se baseará na abordagem da questão dos milagres.

A. Definição

Podemos dar a seguinte definição: milagre é um gênero menos comum da atividade divina, pela qual Deus desperta a admiração e o espanto das pessoas, dando testemunho de si mesmo. Essa definição leva em conta nossa compreensão prévia da providência divina, segundo a qual Deus preserva, controla e governa todas as coisas. Se compreendemos assim a providência, naturalmente evitaremos algumas outras explicações ou definições comuns de milagres.

B. Os milagres como característica da era da nova aliança

No Novo Testamento, os sinais miraculosos de Jesus atestavam que ele provinha de Deus; Nicodemos o reconheceu: “Ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2). A transformação de água em vinho, operada por Jesus, foi um “sinal” que “manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele” (Jo 2.11). Segundo Pedro, Jesus foi “aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós” (At 2.22).

De fato, aparentemente é característico da igreja do Novo Testamento a ocorrência de milagres. No Antigo Testamento, os milagres pareciam ocorrer primordialmente vinculados a um líder eminente por vez, como Moisés, Elias ou Eliseu. No Novo Testamento, ocorre uma explosão súbita e insólita dos milagres no início do ministério de Jesus (Lc 4.36-37, 40-41).

C. Os propósitos dos milagres

Um dos propósitos dos milagres é certamente autenticar a mensagem do evangelho. Isso ficou evidente no próprio ministério de Jesus, pois gente como Nicodemos reconheceu: “Sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele” (Jo 3.2). Isso também se mostrou claro à medida que o evangelho passou a ser proclamado pelos que ouviram Jesus, pois, quando pregavam, Deus dava “testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade” (Hb 2.4).

D. Estavam os milagres restritos aos apóstolos?

1. Uma concentração incomum de milagres no ministério dos apóstolos.


Alguns já argumentaram que os milagres estavam restritos aos apóstolos, ou aos apóstolos e às pessoas intimamente ligadas a eles. Antes de considerar seus argumentos, é importante observar que há algumas indicações de que uma admirável concentração de milagres caracterizava os apóstolos como representantes especiais de Cristo.

2. Quais são os “sinais de um apóstolo” em 2 Coríntios 12.12?


Por que então alguns argumentam que os milagres eram sinais exclusivos que distinguiam os apóstolos? Seu argumento se baseia principalmente em 2 Coríntios 12.12, onde Paulo diz: “As marcas de um apóstolo – sinais, maravilhas e milagres – foram demonstradas entre vocês, com grande perseverança” (2 Co 12.12). Ao ponderar essa questão, é importante lembrar que na passagem-chave usada para estabelecer esse argumento, na qual Paulo fala dos “sinais de um verdadeiro apóstolo” em 2 Coríntios 12.12 (rsv), ele não está tentando provar que é um apóstolo que se distingue de outros cristãos que não são apóstolos. Antes, tenta provar que é um verdadeiro representante de Cristo, ao contrário dos “falsos apóstolos” (2 Co 11.13), falsos representantes de Cristo, servos de Satanás que se disfarçam de “ministros de justiça” (2 Co 11.14-15).

3. A definição restritiva de milagres proposta por Norman Geisler.


Uma tentativa mais recente de negar que milagres ocorram hoje foi empreendida por Norman Geisler. Ele tem uma definição muito mais restritiva de milagre do que a apresentada neste capítulo e usa essa definição como argumento contrário à possibilidade da existência de milagres contemporâneos. Diz Geisler que “os milagres (1) são sempre bem-sucedidos, (2) são imediatos, (3) não têm recaídas e (4) confirmam o mensageiro de Deus” (pp. 28-30). Ele encontra sustentação para essa tese principalmente no ministério de Jesus, mas quando vai além da vida de Jesus e tenta demonstrar que outros que tinham o poder de operar milagres jamais falharam, sua tese torna-se muito menos convincente.

4. Hebreus 2.3-4.


Outra passagem que às vezes se usa para sustentar a ideia de que os milagres estavam limitados aos apóstolos e às pessoas intimamente ligadas a eles é Hebreus 2.3-4. Ali o autor diz que a mensagem da salvação, “tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram; dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade”.

5. Conclusão: estavam os milagres restritos aos apóstolos?
Se o ministério no poder e na glória do Espírito Santo é característico da era da nova aliança (2 Co 3.1-4.18), então nossa expectativa seria justamente o contrário: esperaríamos que a segunda, a terceira e a quarta gerações de cristãos, que também conheceram a Cristo e o poder da sua ressurreição (Fp 3.10), que estão continuamente se enchendo do Espírito Santo (Ef 5.18), que são participantes de uma luta que não é terrena, mas que se desenvolve com armas que têm o poder divino de destruir fortalezas (2 Co 10.3-4), que não receberam espírito de covardia, “mas de poder, de amor e de moderação” (2 Tm 1.7), que são fortes no Senhor e na força do seu poder e que vestiram toda a armadura de Deus a fim de poder fazer frente aos principados e potestades, às forças espirituais do mal nas regiões celestes (Ef 6.10-12), também teriam a capacidade de ministrar o evangelho não somente em verdade e amor, mas também com as respectivas demonstrações miraculosas do poder de Deus.

E. Os falsos milagres

Os mágicos do faraó foram capazes de operar alguns falsos milagres (Êx 7.11, 22; 8.7), embora logo depois tenham sido obrigados a admitir que o poder de Deus era maior (Êx 8.19). Simão, o mágico da cidade de Samaria, assombrava as pessoas com suas mágicas (At 8.9-11), ainda que os milagres realizados por intermédio de Filipe fossem muito maiores (At 8.13). Em Filipos, Paulo encontrou uma moça escrava “possessa de espírito adivinhador, a qual, adivinhando, dava grande lucro aos seus senhores” (At 16.16), mas Paulo repreendeu o espírito, que dela saiu (At 16.18). Além disso, Paulo diz que quando o iníquo vier, virá “com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem” (2 Ts 2.9-10), mas aqueles que os aceitarem e forem enganados o farão “porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2 Ts 2.10). Isso indica que aqueles que operarão falsos milagres no final dos tempos pelo poder de Satanás não falarão a verdade, mas pregarão um falso evangelho.

F. Será que os cristãos devem buscar milagres hoje?

Uma coisa é dizer que os milagres podem acontecer hoje. Outra bem diferente é pedir milagres a Deus. Será correto então que os cristãos peçam que Deus opere milagres?


A resposta depende do motivo pelo qual se buscam os milagres. Certamente é errado buscar poderes miraculosos para aumentar a fama ou o poder próprios, como o fez o mágico Simão; Pedro lhe disse: “... o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, da tua maldade e roga ao Senhor; talvez te seja perdoado o intento do coração” (At 8.21-22).

É também errado buscar milagres por mera diversão, como o fez Herodes: “Vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal” (Lc 23.8). Mas Jesus nem sequer quis responder às perguntas de Herodes.

É ainda errado que descrentes céticos busquem milagres simplesmente a fim de encontrar motivos para criticar os que pregam o evangelho.

A Oração

O caráter de Deus e seu relacionamento com o mundo, como já analisamos nos capítulos anteriores, levam naturalmente à ponderação da doutrina da oração. Podemos dar a seguinte definição: oração é comunicação pessoal com Deus.

A. Por que Deus quer que oremos?

Não oramos para que Deus descubra as nossas necessidades, pois diz-nos Jesus: “... Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais” (Mt 6.8). Deus quer que oremos porque a oração exprime a nossa confiança em Deus, e é um meio pelo qual nossa confiança nele pode crescer. De fato, talvez a principal ênfase da doutrina bíblica da oração é que devemos orar com fé, o que significa confiar em Deus ou dele depender. Deus, como nosso Criador, se deleita ao ver que nós, suas criaturas, nele confiamos, pois a atitude de dependência ou confiança é a mais apropriada numa relação Criador/criatura. 


 Orar com humilde confiança também indica que estamos genuinamente convencidos da sabedoria, do amor, da bondade e do poder de Deus — na verdade de todos os atributos que compõem o seu excelente caráter. Quando oramos sinceramente, nós, pessoas, na totalidade do nosso caráter, nos relacionamos com um Deus pessoal, na totalidade do seu caráter. Assim, tudo o que pensamos ou sentimos em relação a Deus se expressa na nossa oração. Nada mais natural que Deus se deleite com essa atividade, e assim a enfatize bastante no seu relacionamento conosco.

As primeiras palavras da Oração Dominical, “Pai nosso, que estás nos céus” (Mt 6.9), reconhecem nossa dependência de Deus, um Deus que é Pai amoroso e sábio, e também reconhecem que ele tudo governa do seu trono celeste. As Escrituras muitas vezes enfatizam a necessidade de confiarmos em Deus ao orar.
A oração eficaz é possível por intermédio de nosso Mediador, Jesus Cristo. Como somos pecadores, e Deus é santo, não temos direito nenhum, por nós mesmos, de comparecer perante ele. Precisamos de um mediador que aja entre nós e Deus e nos leve à presença de Deus. As Escrituras claramente ensinam: “Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem” (1Tm 2.5).

O que é orar “em nome de Jesus”?

Diz Jesus: “Tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14.13-14). Diz também que escolheu seus discípulos “a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15.16). Igualmente, diz: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.23-24; cf. Ef 5.20).

Devemos orar a Jesus e ao Espírito Santo? Uma investigação das orações do Novo Testamento indica que geralmente não são dirigidas nem a Deus Filho nem ao Espírito Santo, mas a Deus Pai. Porém, o mero cômputo dessas orações pode ser enganador, pois a maioria das orações que temos registradas no Novo Testamento são do próprio Jesus, que constantemente orava a Deus Pai, mas logicamente não orava a si mesmo, Deus Filho. Além disso, no Antigo Testamento, a natureza trinitária de Deus não estava tão nitidamente revelada, e não é surpreendente o fato de não encontrar muitas evidências de orações dirigidas diretamente a Deus Filho ou ao Espírito Santo de Deus antes do tempo de Cristo.

O papel do Espírito Santo nas nossas orações.

Em Romanos 8.26-27, diz Paulo:
Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobre-maneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.

Os intérpretes divergem sobre se os “gemidos inexprimíveis” são do próprio Espírito Santo ou nossos próprios gemidos e suspiros na oração, que o Espírito Santo transforma em oração eficaz perante Deus. Parece mais provável que os “gemidos” ou “suspiros” aqui sejam os nossos gemidos. Quando Paulo diz: “O Espírito [...] nos assiste em nossa fraqueza” (v. 26), a palavra traduzida por “assiste” (gr. sunantilambanomai) é a mesma usada em Lucas 10.40, onde Marta quer que Maria venha ajudá-la. A palavra não indica que o Espírito Santo ora em nosso lugar, mas que o Espírito Santo se une a nós e torna eficaz a nossa fraca oração. Assim, é melhor interpretar esse suspirar ou gemer na oração como suspiros e gemidos nossos, exprimindo os desejos do nosso coração e do nosso espírito, que o Espírito Santo então transforma em oração eficaz.

B. A Eficácia da Oração.

1. A Oração muda o modo como Deus age. 

Diz-nos Tiago: “Nada tendes, porque não pedis”. (Tg. 4:2). Ele sugere que o não pedir nos priva daquilo que Deus poderia nos dar. Oramos, e Deus atende. Jesus também diz: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abri-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate abrir-se-lhe-á”. (l. 11:9-10). Ele faz clara associação entre buscar as coisas de Deus e recebê-las. Quando pedimos, Deus atende.

2. A oração eficaz é possível por intermédio de nosso mediador, Jesus Cristo.

Como somos pecadores, e Deus é santo, não temos direito nenhum, por nós mesmos, de comparecer perante ele. Precisamos de um mediador que aja entre nós e Deus e nos leve à presença de Deus. As Escrituras claramente ensinam: “Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e o homem, Crsito Jesus, homem” (1 Tm. 2.5).

3. O que é orar “em nome de Jesus”?

Diz Jesus: “Tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jô. 14.13-14). Diz também que escolheu seus discípulos “a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda” (Jo 15:16). Igualmente diz: “Em verdade, em verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vol-a concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa” (Jo 16.23-24; cf Ef 5.20).

4. Devemos orar a Jesus e ao Espírito Santo?

Uma investigação das orações do Novo Testamento indica que geralmente não são dirigidas nem a Deus Filho nem ao Espírito Santo, ma a Deus Pai. Porém, o mero cômputo dessas orações pode ser enganador, pois a maioria das orações que temos registradas no Novo Testamento são do p´roprio Jesus, que constantemente orava ao Pai, mas logicamente não orava a si mesmo, Deus Filho. Além disso, no Antigo Testamento, a natureza trinitária de Deus não estava tão nitidamente revelada, e não é surpreendente o fato de não encontrar muitas evidências de orações dirigidas diretamente a Deus Filho ou ao Espírito Santo de Deus antes do tempo de Cristo.

5. O papel do Espírito Santo nas nossas orações

Em romanos 8.26-27, diz Paulo:

Também o Espírito, semelhantemente  nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.

Os intérpretes divergem sobre se os “gemidos inexprimíveis” são do próprio Espírito Santo ou são nossos próprios gemidos e suspiros na oração, que o Espírito Santo transforma em oração eficaz perante Deus. Parece mais provável que os “gemidos” ou “suspiros” aqui sejam os nossos gemidos.

C. Algumas considerações importantes acerca da oração eficaz

As Escrituras indicam várias considerações que precisam ser levadas em conta se pretendemos fazer a espécie de oração que Deus deseja de nós.

1. Orar segundo a vontade de Deus.
João nos diz: “Esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe temos feito” (1Jo 5.14-15). Jesus nos ensina a orar: “Faça-se a tua vontade” (Mt 6.10) e ele mesmo nos dá o exemplo, orando no jardim do Getsêmani: “Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres” (Mt 26.39).

2. Orar com fé. Diz Jesus:
“Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim convosco” (Mc 11.24). Algumas traduções variam, mas o texto grego diz realmente: “crede que recebestes”. Escribas posteriores que copiaram os manuscritos gregos, e também alguns comentaristas que vieram depois, entenderam que o texto significava: “creiam que vocês irão receber”. Porém, se aceitamos o texto como ele está nos melhores e mais antigos manuscritos (“crede que recebestes”), Jesus diz aparentemente que quando pedimos algo, a fé que traz resultados é a arraigada certeza de que depois de orar pedindo algo (ou talvez depois de já ter orado por algum tempo), Deus aceitou atender nosso pedido. Na comunhão pessoal com Deus que se verifica na oração genuína, essa fé da nossa parte só vem quando Deus nos dá um senso de certeza de que ele já aceitou atender nosso pedido.

3. Obediência.
Como a oração é um relacionamento com um Deus pessoal, qualquer coisa na nossa vida que lhe desagrade será um obstáculo à oração. Diz o salmista: “Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me teria ouvido” (Sl 66.18). Se “O sacrifício dos perversos é abominável ao Senhor”, por outro lado “a oração dos retos é o seu contentamento” (Pv 15.8). Lemos também que “O Senhor [...] atende à oração dos justos” (Pv 15.29). Mas Deus não se dispõe favoravelmente aos que rejeitam suas leis: “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável” (Pv 28.9).

4. Confissão dos pecados.
Como nossa obediência a Deus jamais é perfeita nesta vida, continuamente dependemos do seu perdão dos nossos pecados. A confissão dos pecados é necessária para que Deus “nos perdoe” para restaurar a sua relação cotidiana conosco (ver Mt 6.12; 1Jo 1.9). É bom orar confessando todos os pecados conhecidos ao Senhor e suplicar o seu perdão. Às vezes, quando nele esperamos, ele nos faz lembrar outros pecados que precisamos confessar. Com respeito aos pecados que não recordamos, ou dos quais não estamos cientes, é sempre bom fazer a oração genérica de Davi: “Absolve-me das [faltas] que me são ocultas” (Sl 19.12).

5. Perdoar aos outros.
Diz Jesus: “Se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas” (Mt 6.14-15). Igualmente diz Jesus: “Quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra alguém perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas” (Mc 11.25). Nosso Senhor não tem em mente a experiência inicial de perdão que vivemos quando somos justificados pela fé, pois isso não conviria a uma oração que se faz diariamente (ver Mt 6.12 com v. 14-15).

6. Humildade.
Tiago nos diz que “Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes” (Tg 4.6; também 1Pe 5.5). Portanto, recomenda: “Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará” (Tg 4.10). A humildade é assim a atitude correta na oração a Deus, enquanto o orgulho é absolutamente inadequado.
Deus é justamente zeloso da sua própria honra. Portanto não lhe apraz atender as orações dos orgulhosos que tomam a honra para si, em vez de dá-la a Deus. A verdadeira humildade diante de Deus, que também se reflete em genuína humildade diante dos outros, é imprescindível numa oração eficaz.

7. Persistência na oração.
Assim como Moisés por duas vezes permaneceu na montanha durante quarenta dias perante Deus por causa do povo de Israel (Dt 9.25-26; 10.10-11), e assim como Jacó disse a Deus: “Não te deixarei ir se me não abençoares” (Gn 32.26), também na vida de Jesus percebemos muita dedicação de tempo à oração. Quando grandes multidões o seguiam, “ele muitas vezes se retirava para regiões desertas e orava” (Lc 5.16, tradução do autor). Noutra ocasião, “passou a noite orando a Deus” (Lc 6.12).

8. Orar com sinceridade.
O próprio Jesus, nosso modelo de oração, orava constantemente. “Ele, Jesus, nos dias da sua carne, tendo oferecido, com forte clamor e lágrimas, orações e súplicas a quem o podia livrar da morte e tendo sido ouvido por causa da sua piedade” (Hb 5.7). Em algumas orações da Bíblia podemos quase ouvir a forte intensidade com que os santos derramavam seus corações diante de Deus. Daniel brada: “Ó Senhor, ouve! Ó Senhor, perdoa! Ó Senhor, atende-nos e age; não te retardes, por amor de ti mesmo, ó Deus meu; porque a tua cidade e o teu povo são chamados pelo teu nome” (Dn 9.19). Quando Deus mostra a Amós o juízo que fará descer sobre o seu povo, o profeta suplica: “Senhor Deus, perdoa, rogo-te; como subsistirá Jacó? Pois ele é pequeno” (Am 7.2).

9. Esperar no Senhor.
Depois de clamar a Deus em busca de auxílio na aflição, Davi diz: “Espera pelo senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor” (Sl 27.14). Igualmente, declara: “Pois em ti, Senhor, espero; tu me atenderás, Senhor, Deus meu” (Sl 38.15).

10. Orar a sós.
Daniel subiu até o seu quarto e “três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus” (Dn 6.10). Jesus freqüentemente saía a lugares solitários para ficar só e orar (Lc 5.16 et al.). E ele também nos ensina: “Quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.6). Essa exortação tem como meta evitar o erro dos hipócritas, que adoravam orar nos cantos das praças “para serem vistos dos homens” (Mt 6.5).

11. Orar com os outros.
Os crentes encontram força ao orar em grupo. De fato, Jesus nos ensina: “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.19-20).

12. Jejum.
Na Bíblia a oração está muitas vezes ligada ao jejum. Às vezes são ocasiões de intensa súplica diante de Deus, como quando Neemias, ao ouvir falar da ruína de Jerusalém, ficou “jejuando e orando perante o Deus dos céus” (Ne 1.4). Também, quando os judeus ficaram sabendo do decreto de Assuero, que determinava a morte de todos eles, houve “entre os judeus grande luto, com jejum, e choro, e lamentação” (Et 4.3); e Daniel buscou ao Senhor “com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinza” (Dn 9.3). Noutras ocasiões, o jejum está ligado ao arrependimento, pois Deus diz ao povo que pecou contra ele: “Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto” (Jl 2.12).

13. Que dizer da oração não atendida?
Precisamos começar reconhecendo que, como Deus é Deus e nós somos suas criaturas, necessariamente algumas orações não serão atendidas, porque Deus mantém ocultos seus sábios planos para o futuro, e ainda que as pessoas orem, muitos eventos só ocorrerão no tempo que Deus determinou. Os judeus oraram durante séculos pela vinda do Messias, e com razão, mas só na “plenitude do tempo” é que “Deus enviou seu Filho” (Gl 4.4). As almas dos mártires no céu, livres do pecado, clamam a Deus pelo julgamento da terra (Ap 6.10), mas Deus não atende imediatamente; antes, ordena que repousem ainda um pouco (Ap 6.11).

D. Louvor e ação de graças

O louvor e a ação de graças a Deus, temas que serão tratados com mais profundidade no capítulo 51, são um elemento essencial da oração. A oração modelar que Jesus nos legou começa com uma palavra de louvor: “Santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). E Paulo diz aos filipenses: “... em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (Fp 4.6); e aos colossenses: “Perseverai na oração, vigiando com ações de graças” (Cl 4.2). A ação de graças, como qualquer outro aspecto da oração, não deve ser um mecânico “obrigado” a Deus, mas a expressão de palavras que reflitam a gratidão do nosso coração.

Anjos

A. Que são anjos?

Podemos dar a anjos a seguinte definição: anjos são seres espirituais criados, dotados de juízo moral e alta inteligência, mas desprovidos de corpos físicos.

1. Seres espirituais criados.

Os anjos não existem desde sempre; fazem parte do universo que Deus criou. Numa passagem que se refere aos anjos como as “hostes” dos céus (ou o “exército dos céus”), diz Esdras: “Só tu és Senhor, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército [...] e o exército dos céus te adora” (Ne 9.6; cf. Sl 148.2, 5). Paulo nos diz que Deus criou todas as coisas, “as visíveis e as invisíveis”, por meio de Cristo e para ele, e depois inclui especificamente o mundo dos anjos com a expressão “sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades” (Cl 1.16).

2. Outros nomes dos anjos.

As Escrituras por vezes usam outros termos para denominar os anjos, como “filhos de Deus” (Jó 1.6; 2.1), “santos” (Sl 89.5, 7), “espíritos” (Hb 1.14), “vigilantes” (Dn 4.13, 17, 23), “tronos”, “soberanias”, “principados”, “potestades” (Cl 1.16) e “poderes” (Ef 1.21).

3. Outros tipos de seres celestiais.

As Escrituras dão nome a outros três tipos de seres celestiais. Quer os consideremos tipos especiais de “anjos” (num sentido mais amplo do termo), quer seres celestiais distintos dos anjos, são de qualquer modo criaturas espirituais que servem e adoram a Deus.

a. Os “querubins”. Os querubins receberam a tarefa de guardar a entrada do jardim do Éden (Gn 3.24), e diz-se freqüentemente que o próprio Deus está entronizado acima dos querubins, ou viaja com os querubins por carro (Sl 18.10; Ez 10.1-22).

b. Os “serafins”. Outro grupo de seres celestiais, os serafins, são mencionados somente em Isaías 6.2-7, onde continuamente adoram ao Senhor e clamam uns para os outros: “Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3).

c. Os seres viventes. Ezequiel e Apocalipse nos falam de ainda outro tipo de criaturas celestes, conhecidas como “seres viventes”, que circundam o trono de Deus (Ez 1.5-14; Ap 4.6-8). Com os seus semblantes de leão, boi, homem e águia, representam os seres mais poderosos de partes diversas de toda a criação divina (animais selvagens, animais domesticados, seres humanos e pássaros) e adoram a Deus continuamente como lemos em Apocalipse 4.8.

4. Hierarquia e ordem entre os anjos.

As Escrituras indicam que existe hierarquia e ordem entre os anjos. Um deles, Miguel, é dito “arcanjo” em Judas 9, título que indica soberania ou autoridade sobre outros anjos. É chamado “um dos primeiros príncipes” em Daniel 10.13.

5. Nomes de anjos específicos. Só dois anjos são denominados especificamente na Bíblia.

Miguel é mencionado em Judas 9 e Apocalipse 12.7-8, além de Daniel 10.13, 21, onde é chamado “Miguel, um dos primeiros príncipes” (v. 13). O anjo Gabriel é mencionado em Daniel 8.16 e 9.21 como mensageiro que vem de Deus para falar ao profeta. Gabriel também se identifica como mensageiro de Deus a Zacarias e a Maria em Lucas 1, em que o anjo responde a Zacarias: “Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus” (Lc 1.19).

6. Um só lugar de cada vez.

As Escrituras muitas vezes retratam os anjos deslocando-se de um lugar a outro, como no versículo mencionado acima, em que Gabriel foi “enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré” (Lc 1.26).

7. Quantos anjos existem?

Embora as Escrituras não nos deem o número de anjos que Deus criou, é aparentemente um grande número. Lemos que Deus no monte Sinai “veio das miríades de santos; à sua direita, havia para eles o fogo da lei” (Dt 33.2).

8. As pessoas têm anjos da guarda individuais?

As Escrituras claramente nos dizem que Deus envia anjos para nos proteger: “Aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra” (Sl 91.11-12).

9. Os anjos não se casam.

Jesus ensinou que na ressurreição as pessoas “nem casam, nem se dão em casamento; são, porém, como os anjos no céu” (Mt 22.30; cf. Lc 20.34-36). Isso sugeriria que os anjos não têm os elos familiares que existem entre os homens. As Escrituras tratam do assunto só nessa passagem; por isso não nos cabe nos enredar em especulações.

10. O poder dos anjos. Os anjos aparentemente têm grande poder.

São chamados “valorosos em poder, que executais as suas ordens” (Sl 103.20) e “poderes” (cf. Ef 1.21), “soberanias” e “potestades” (Cl 1.16). Os anjos são aparentemente “maiores em força e poder” do que os homens rebeldes (2Pe 2.11; cf. Mt 28.2). Pelo menos durante a sua existência terrena, o homem é “menor do que os anjos” (Hb 2.7).

11. Quem é o anjo do Senhor?

Várias passagens bíblicas, especialmente do Antigo Testamento, falam do anjo do Senhor de um modo que sugere que é o próprio Deus revestido de forma humana quem aparece rapidamente a várias pessoas do Antigo Testamento.

B. Quando os anjos foram criados?

Todos os anjos devem ter sido criados antes do sétimo dia da criação, pois lemos: “Assim, pois, foram acabados os céus e a terra e todo o seu exército” (Gn 2.1, interpretando “exército” como as criaturas celestes que habitam o universo de Deus). Ainda mais explícito que isso é a declaração: “Em seis dias, fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há e, ao sétimo dia, descansou” (Êx 20.11). Logo, todos os anjos foram criados no máximo até o sexto dia da criação.

C. O papel dos anjos nos desígnios divinos 

1. Os anjos revelam a grandeza do amor e dos desígnios de Deus para nós.

Os homens e os anjos (empregando o termo num sentido amplo) são as únicas criaturas morais e altamente inteligentes que Deus criou. Portanto é possível compreender muito sobre os desígnios e o amor de Deus por nós quando nos comparamos aos anjos.
A primeira distinção a reparar é que jamais se diz que os anjos foram criados “à imagem de Deus”, enquanto várias vezes se afirma que os homens foram feitos à imagem do Criador (Gn 1.26-27; 9.6). Como ser à imagem de Deus significa ser semelhante a Deus, parece certo concluir que somos ainda mais semelhantes a Deus do que os anjos.

2. Os anjos nos fazem lembrar que o mundo invisível é real.

Assim como os saduceus no tempo de Jesus diziam “não haver ressurreição, nem anjo, nem espírito” (At 23.8), também muitos nossos contemporâneos negam a realidade de qualquer coisa que não se possa ver. Mas o ensino bíblico sobre a existência dos anjos é para nós constante lembrança de que existe um mundo invisível bastante real. Só quando o Senhor abriu os olhos do servo de Eliseu à realidade desse mundo invisível é que o servo viu que “o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2Rs 6.17; um grande exército de anjos enviado a Dotã para proteger Eliseu dos siros). O salmista também demonstra consciência do mundo invisível ao encorajar os anjos: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes” (Sl 148.2).

3. Os anjos são exemplos para nós.

Tanto na sua obediência quanto na sua adoração, os anjos nos dão belos exemplos a imitar. Jesus nos ensina a orar, dizendo: “Faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). No céu a vontade de Deus é feita pelos anjos — imediata e alegremente, sem questionamentos. Devemos orar diariamente para que nossa obediência e a obediência dos outros seja como a dos anjos no céu. Seu prazer é viver como humildes servos de Deus, cada qual desempenhando fiel e alegremente as suas tarefas, grandes ou pequenas. Devemos desejar e orar para que nós e os outros façamos o mesmo na terra.

4. Os anjos executam alguns dos desígnios de Deus.

As Escrituras retratam os anjos como servos de Deus que executam alguns dos seus desígnios na terra. Eles levam as mensagens de Deus às pessoas (Lc 1.11-19; At 8.26; 10.3-8, 22; 27.23-24). Executam alguns dos juízos de Deus: semeiam uma peste em Israel (2Sm 24.16-17), castigam os líderes do exército assírio (2Co 32.21), ferem de morte o rei Herodes por não ter ele rendido glórias a Deus (At 12.23) e derramam as taças da ira de Deus sobre a terra (Ap 16.1). Quando Cristo voltar, os anjos o ladearão como um grande exército acompanhando seu Rei e Senhor (Mt 16.27; Lc 9.26; 2Ts 1.7).

5. Os anjos glorificam diretamente a Deus.

Os anjos também cumprem outra função: servem diretamente a Deus, glorificando-o. Assim, além dos seres humanos, há no universo outras criaturas inteligentes e morais que glorificam a Deus.

D. Nossa relação com os anjos

1. Devemos ter consciência dos anjos no dia-a-dia.

As Escrituras deixam claro que Deus quer que nos mantenhamos conscientes da existência dos anjos e da natureza da sua atividade. Não devemos, portanto, supor que a doutrina bíblica sobre os anjos não tem absolutamente nada que ver conosco hoje. Antes, a vida dos cristãos se enriquece em vários aspectos pela consciência da existência e do ministério dos anjos no mundo de hoje.

2. Precauções a tomar na nossa relação com os anjos

a. Recuse-se a receber falsas doutrinas de anjos. A Bíblia nos alerta para o perigo de receber falsas doutrinas de supostos anjos: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8). Paulo faz esse alerta porque sabe que existe a possibilidade da fraude. Diz: “O próprio Satanás se transforma em anjo de luz” (2 Co 11.14). Do mesmo modo, o profeta mentiroso que enganou o homem de Deus em 1 Reis 13 disse: “Um anjo me falou por ordem do Senhor, dizendo: Faze-o voltar contigo a tua casa, para que coma pão e beba água” (1 Rs 13.18). Contudo, o texto bíblico acrescenta imediatamente, no mesmo versículo: “Porém mentiu-lhe”.

b. Não adore os anjos, nem lhes dirija oração, nem os procure. O “culto de anjos” (Cl 2.18) era uma das falsas doutrinas ensinadas em Colossos. Além disso, o anjo que falou a João no livro do Apocalipse exorta o apóstolo a não adorá-lo: “Vê, não faças isso; sou conservo teu e dos teus irmãos que mantêm o testemunho de Jesus; adora a Deus” (Ap 19.10).

c. Será que os anjos ainda hoje aparecem às pessoas? No período inicial da história da igreja, os anjos se achavam ativos. Um anjo disse a Filipe que viajasse para o sul, tomando a estrada que ia de Jerusalém a Gaza (At 8.26), orientou Cornélio a enviar um mensageiro até Jope para mandar chamar Pedro (At 10.3-6), exortou Pedro a que se erguesse para sair da prisão (At 12.6-11) e prometeu a Paulo que ninguém do navio pereceria e que ele, assim, compareceria perante César (At 27.23-24). Além disso, o autor de Hebreus encoraja seus leitores, nenhum deles apóstolos nem mesmo crentes da primeira geração ligada aos apóstolos (ver Hb 2.3), a que eles continuem a demonstrar hospitalidade a estranhos, aparentemente com a expectativa de que também possam um dia receber anjos sem o perceber (Hb 13.2).

Satanás e os Demônios

O capítulo anterior nos leva naturalmente à consideração de Satanás e dos demônios, pois são anjos maus que um dia foram como os bons, mas pecaram e perderam o privilégio de servir a Deus. A exemplo dos anjos, também são seres espirituais criados, dotados de discernimento moral e elevada inteligência, mas desprovidos de corpos físicos. Podemos dar-lhes a seguinte definição: demônios são anjos maus que pecaram contra Deus e hoje continuamente praticam o mal no mundo.

A. A origem dos demônios

Quando criou o mundo, “Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (Gn 1.31). Isso significa que mesmo o mundo angélico que Deus criara não tinha ainda anjos maus ou demônios naquele momento. Mas já em Gênesis 3, vemos que Satanás, na forma de uma serpente, tentava Eva ao pecado (Gn 3.1-5). Portanto, em algum momento entre os eventos de Gênesis 1.31 e Gênesis 3.1 deve ter havido uma rebelião no mundo angélico, na qual muitos anjos se voltaram contra Deus e se tornaram maus.

B. Satanás como chefe dos demônios

“Satanás” é o nome do chefe dos demônios. Esse nome é mencionado em Jó 1.6, onde lemos: “... os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles” (ver também Jó 1.7-2.7). Aqui ele aparece como inimigo do Senhor, que impõe severas tentações a Jó. Do mesmo modo, perto do fim da vida de Davi, “Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel” (1Cr 21.1). Além disso, Zacarias teve uma visão e contemplou “o sumo sacerdote Josué, o qual estava diante do Anjo do Senhor, e Satanás [que] estava à mão direita dele, para se lhe opor” (Zc 3.1). O nome “Satanás” é uma palavra hebraica (sªtªn) que significa “adversário”.6 O Novo Testamento também usa o nome “Satanás”, simplesmente tomando-o emprestado ao Antigo Testamento. Assim Jesus, sendo tentado no deserto, fala a Satanás diretamente, dizendo: “Retira-te, Satanás” (Mt 4.10) ou “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10.18).

C. A atividade de Satanás e dos demônios

1. Satanás originou o pecado.

Satanás pecou antes que qualquer ser humano o fizesse, como se depreende do fato de ele (na forma de uma serpente) ter tentado Eva (Gn 3.1-6; 2Co 11.3). O Novo Testamento também nos informa que Satanás “foi homicida desde o princípio” e é “mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). Também diz que “o Diabo vive pecando desde o princípio” (1 Jo 3.8). Nos dois textos, a expressão “desde o princípio” não implica que Satanás é mau desde o início da criação do mundo (“desde o princípio do mundo”) nem desde o início da sua existência (“desde o princípio da sua vida”), mas sim desde a fase “inicial” da história do mundo (Gênesis 3 e mesmo antes). O Diabo se caracteriza por ter dado origem ao pecado e por tentar os outros ao pecado.

2. Os demônios se opõem a toda obra de Deus, tentando destruí-la.

Assim como Satanás levou Eva a pecar contra Deus (Gn 3.1-6), também tentou fazer Jesus pecar e assim falhar na sua missão de Messias (Mt 4.1-11). As táticas de Satanás e dos seus demônios são a mentira (Jo 8.44), o engano (Ap 12.9), o homicídio (Sl 106.37; Jo 8.44) e todo e qualquer tipo de ação destrutiva no intuito de fazer as pessoas se afastarem de Deus, rumo à destruição. Os demônios lançam mão de qualquer artifício para cegar as pessoas ao evangelho (2Co 4.4) e mantê-las presas a coisas que as impedem de aproximar-se de Deus (Gl 4.8). Também procuram usar a tentação, a dúvida, a culpa, o medo, a confusão, a doença, a inveja, o orgulho, a calúnia, ou qualquer outro meio para obstruir o testemunho e a utilidade do cristão.

3. Contudo, os demônios estão limitados pelo controle de Deus e têm poder restrito.

A história de Jó deixa claro que Satanás podia fazer só o que Deus lhe permitia, e nada mais (Jó 1.12; 2.6). Os demônios são mantidos em “algemas eternas” (Jd 6), e os cristãos podem muito bem resistir-lhes por intermédio da autoridade que Cristo nos legou (Tg 4.7). 

4. Verificam-se diferentes estágios de atividade demoníaca na história da redenção.

a. No Antigo Testamento. Como no Antigo Testamento a palavra demônio não é usada com freqüência, de início podemos ter a impressão de que há pouca indicação de atividade demoníaca. Todavia, o povo de Israel freqüentemente pecava servindo a falsos deuses, e quando nos damos conta de que esses falsos “deuses” eram na verdade forças demoníacas, compreendemos que muitas passagens do Antigo Testamento de fato se referem a demônios.

b. No ministério de Jesus. Após centenas de anos de incapacidade de alcançar um triunfo real sobre as forças demoníacas, é compreensível que quando Jesus surgiu expulsando demônios com absoluta autoridade, as pessoas tenham ficado assombradas: “Todos se admiravam, a ponto de perguntarem entre si: Que vem a ser isto? Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem!” (Mc 1.27). Jamais se vira na história do mundo tamanho poder sobre as forças demoníacas.

c. Na era da nova aliança. Essa autoridade sobre as forças demoníacas não se limitava apenas a Jesus, pois ele concedeu autoridade semelhante primeiro aos Doze (Mt 10.8; Mc 3.15) e em seguida aos setenta discípulos. Depois de um período de ministério, “regressaram os setenta, possuídos de alegria, dizendo: Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!” (Lc 10.17). Jesus respondeu: “Eu via Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10.18), indicando novamente um grande triunfo sobre o poder de Satanás (isso, repetimos, provavelmente ocorreu no momento da vitória de Jesus sobre a tentação no deserto, mas as Escrituras não indicam explicitamente quando isso aconteceu).

d. No milênio. Durante o milênio, o futuro reinado de mil anos de Cristo na terra, mencionado em Apocalipse 20, a atividade de Satanás e dos demônios ficará ainda mais restrita. Usando linguagem que sugere uma restrição muito maior da atividade satânica do que a que presenciamos hoje, João descreve assim a visão que teve do início do milênio em Apocalipse 20:1-3:

e. No juízo final. Ao final do milênio, Satanás é solto e reúne as nações para a batalha, mas é definitivamente derrotado e “lançado para dentro do lago de fogo e enxofre” e atormentado “de dia e de noite, pelos séculos dos séculos” (Ap 20.10). Então o juízo de Satanás e seus demônios estará completo.

D. Nossa relação com os demônios

1. Estariam os demônios ainda hoje ativos no mundo?

Algumas pessoas, influenciadas por uma cosmovisão naturalista, que só admite a realidade que se pode ver, tocar ou ouvir, negam que existem hoje demônios, argumentando que a crença nessa realidade reflete uma visão de mundo obsoleta ensinada na Bíblia e em outras culturas antigas. Por exemplo, o alemão Rudolf Bultmann, estudioso do Novo Testamento, negava enfaticamente a existência de um mundo sobrenatural de anjos e demônios. 

 Ele argumentava que essas coisas não passavam de “mitos” e que era necessário “demitizar” a mensagem do Novo Testamento, eliminando esses elementos mitológicos para que o evangelho pudesse ser recebido por pessoas modernas, doutrinadas pela ciência. Outros propuseram que o equivalente contemporâneo da (inaceitável) atividade demoníaca mencionada nas Escrituras é a influência poderosa e às vezes maligna de organizações e “estruturas” da sociedade atual — governos malignos e poderosas corporações maléficas que controlam milhares de pessoas são por vezes ditos “demoníacos”, especialmente nos escritos de teólogos mais liberais.

2. O mal e o pecado vêm, em parte (mas não totalmente), de Satanás e dos demônios.

Quando refletimos sobre a ênfase global das epístolas do Novo Testamento, percebemos que se dá bem pouco espaço à discussão da atividade demoníaca na vida dos crentes, ou aos métodos de resistir e fazer frente a essa atividade. A ênfase está em exortar os crentes a não pecar, levando uma vida de justiça. Por exemplo, em 1 Coríntios, diante do problema das “divisões”, Paulo não diz à igreja que repreenda o espírito da divisão, mas os aconselha simplesmente a falar “a mesma coisa” e a mostrar-se “unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer” (1 Co 1.10).

3. Será que um cristão pode ser possuído por demônios?

Possessão demoníaca é uma expressão infeliz que se insinuou em algumas traduções da Bíblia, mas que na verdade não espelha bem o texto grego. O Novo Testamento grego fala de gente que “tem demônio” (Mt 11.18; Lc 7.33; 8.27; Jo 7.20; 8.48, 49, 52; 10.20), ou de gente que sofre de influência demoníaca (gr. daimonizomai), mas jamais usa linguagem que sugira real-mente que um demônio “possui” alguém.

4. Como reconhecer influências demoníacas?

Em casos graves de influência demoníaca, como os relatados nos evangelhos, a pessoa afetada exibe atitudes bizarras e muitas vezes violentas, especialmente diante da pregação do evangelho. Quando Jesus entrou na sinagoga em Cafarnaum, “não tardou que aparecesse na sinagoga um homem possesso de espírito imundo, o qual bradou: Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: o Santo de Deus!” (Mc 1.23-24). O homem (ou, mais precisamente, o demônio que estava dentro do homem) pôs-se de pé e interrompeu o culto, berrando essas coisas.

5. Jesus dá a todos os crentes a autoridade de repreender demônios e de ordenar que saiam.

Quando Jesus enviou os doze discípulos à frente dele para pregar o reino de Deus, “deu-lhes poder e autoridade sobre todos os demônios” (Lc 9.1). Depois de pregar o reino de Deus em cidades e vilarejos, os setenta voltaram exultantes, dizendo: “Senhor, os próprios demônios se nos submetem pelo teu nome!” (Lc 10.17). Jesus então lhes falou: “Eis aí vos dei autoridade [...] sobre todo o poder do inimigo” (Lc 10.19). Quando Filipe, o evangelista, desceu até Samaria para pregar o evangelho de Cristo, “espíritos imundos saíram de muitos que os tinham” (At 8.7, tradução do autor), e Paulo usou a sua autoridade espiritual sobre os demônios para dizer a um espírito de adivinhação que entrara numa moça: “Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela” (At 16.18).

6. O uso correto da autoridade espiritual do cristão no ministério junto a outras pessoas.

Deixando a discussão da batalha espiritual particular, na nossa vida como na vida dos familiares mais próximos, passamos à questão do ministério pessoal direto junto a outras pessoas que sejam vítimas de ataques espirituais. Por exemplo, podemos aconselhar outra pessoa, ou talvez orar por ela, quando desconfiamos que a atividade demoníaca é um dos fatores que provocaram o seu problema. Nesses casos, é bom ter em mente algumas outras considerações.

7. Devemos crer que o evangelho vá triunfar poderosamente das obras do Diabo.

Quando Jesus surgiu pregando o evangelho na Galiléia, “também de muitos saíam demônios” (Lc 4.41). Quando Filipe foi a Samaria pregar o evangelho, “os espíritos imundos de muitos [...] saíam gritando em alta voz” (At 8.7). Jesus incumbiu Paulo de pregar entre os gentios para convertê-los “das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.18). Sua obra de proclamação do evangelho, disse Paulo, não consistiu “em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus” (1Co 2.4-5; cf. 2Co 10.3-4).

Se realmente cremos no testemunho bíblico da existência e da atividade dos demônios e se acreditamos que “para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do Diabo” (1 Jo 3.8), então é de esperar que mesmo hoje, quando se proclama o evangelho aos incrédulos e quando se ora pelos crentes que talvez se achem ainda despercebidos dessa dimensão de conflito espiritual, haja um triunfo verdadeiro e muitas vezes imediatamente reconhecível sobre o poder do inimigo. Devemos esperar que isso aconteça, considerá-lo parte normal da obra de Cristo na edificação do seu reino e nos alegrar com a vitória que ele nisso alcança.

Extraído do livro de Teologia Sistemática de Wayne Grudem
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A Imagem e Semelhança de Deus / Philip Yancey
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O QUE SIGNIFICA QUE DEUS É ONIPRESENTE?

Pergunta: "O que significa que Deus é onipresente?"

Resposta:O prefixo omni procede da palavra latina que significa “todo”. Assim, dizer que Deus é onipresente é dizer que Ele está presente em todos os lugares. Em muitas religiões, Deus é considerado onipresente, enquanto que no judaísmo e cristianismo, esta visão é adicionalmente subdividida na transcendência e imanência de Deus. Embora Deus não seja totalmente imerso no tecido da criação (panteísmo), Ele está presente em todos os lugares e em todos os momentos.

A presença de Deus é contínua ao longo de toda a criação, embora não seja revelada da mesma maneira e ao mesmo tempo para as pessoas em toda parte. Às vezes Ele pode estar ativamente presente em uma situação, embora escolha não revelar a Sua presença em uma outra circunstância, em alguma outra área. A Bíblia revela que Deus tanto pode estar presente a uma pessoa de uma forma manifesta (Salmo 46:1, Isaías 57:15) quanto estar presente em todas as situações em toda a criação em qualquer momento (Salmo 33:13-14). A onipresença é o método de Deus de estar presente em todos os intervalos de tempo e espaço. Embora Deus esteja presente em todo tempo e espaço, Ele não é localmente limitado a qualquer tempo ou espaço. Deus está em toda parte e em cada momento. Nenhuma partícula ou molécula atômica é tão pequena para escapar da presença de Deus, e nenhuma galáxia é tão grande que Ele não a possa conter. Entretanto, se tentássemos remover a criação, Deus ainda a conheceria, pois Ele sabe de todas as possibilidades, sejam elas reais ou não.

Deus está naturalmente presente em todos os aspectos da ordem natural das coisas, em todo tempo, maneira e lugar (Isaías 40:12, Naum 1:3). Deus está ativamente presente de uma maneira diferente em cada acontecimento na história como um guia providente dos assuntos humanos (Salmo 48:7, 2 Crônicas 20:37, Daniel 5:5-6). Deus está presente e atento de uma maneira especial àqueles que invocam o Seu nome, intercedem por outros, adoram a Deus, fazem petições e oram fervorosamente por perdão (Salmo 46:1). Ele está supremamente presente na pessoa do Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo (Colossenses 2:19), e misticamente presente na igreja universal que cobre a terra e contra a qual as portas do inferno não prevalecerão.

Assim como a onisciência de Deus apresenta aparentes paradoxos devido às limitações da mente humana, o mesmo ocorre com a onipresença de Deus. Um desses paradoxos é importante: a presença de Deus no inferno, o lugar ao qual os ímpios são enviados e sofrem a fúria ilimitada e incessante de Deus por causa do seu pecado. Muitos argumentam que o inferno seja um lugar de separação de Deus (Mateus 25:41) e se assim for, não se pode dizer então que Deus esteja em um lugar separado dEle. No entanto, os ímpios no inferno suportam a Sua ira eterna, pois Apocalipse 14:10 fala do seu tormento na presença do Cordeiro. Pensar que Deus esteja presente em um lugar aonde os maus são supostamente enviados causa certa consternação. No entanto, este paradoxo pode ser explicado pelo fato de que Deus pode estar presente -- porque Ele enche todas as coisas com a Sua presença (Colossenses 1:17) e sustenta tudo pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:3) – mesmo assim, Ele não necessariamente está em todos os lugares para abençoar.

Assim como Deus é muitas vezes separado de Seus filhos por causa do pecado (Isaías 52:9), está longe dos ímpios (Provérbios 15:29) e ordena que os incrédulos escravos da escuridão no final dos tempos se afastem a um lugar de castigo eterno, Deus ainda está lá no meio. Ele sabe como as almas no inferno estão agora sofrendo; Ele conhece suas angústias, seus gritos por alívio, suas lágrimas e tristeza pelo estado eterno no qual suas almas se encontram. Ele está presente em todos os sentidos como um lembrete perpétuo do seu pecado que criou uma separação de todas as bênçãos que de outra forma poderiam ter recebido. Ele está presente em todos os sentidos, mas não exibe nenhum outro atributo além da Sua ira.

Da mesma forma, Ele também estará no céu, manifestando todas as bênçãos que nem podemos começar a compreender aqui. Ele estará lá exibindo Sua múltiplas bênçãos, Seu múltiplo amor e Sua múltipla bondade --de fato, todos os seus atributos, com a exceção da Sua ira. A onipresença de Deus deve servir como um lembrete de que não podemos nos esconder de Deus quando pecamos (Salmo 139:11-12), mas podemos voltar-nos para Deus em arrependimento e fé sem termos que nos deslocar (Isaías 57:16).



DEUS É MASCULINO OU FEMININO?

Pergunta: "Deus é masculino ou feminino?"

Resposta:Ao examinar as Escrituras, dois fatos ficam bem claros: primeiro, Deus é Espírito e não possui características humanas ou limitações; segundo, todas as evidências encontradas nas Escrituras concordam com o fato de que Deus Se revelou à humanidade na forma masculina. Antes de tudo, a verdadeira natureza de Deus precisa ser entendida. Deus é uma pessoa, obviamente, porque Deus demonstra todas as características de uma pessoa: Deus tem uma mente, vontade, intelecto e emoções. Deus se comunica, tem relacionamentos, e as ações pessoais de Deus são evidenciadas por toda a Bíblia.

Como João 4:24 diz: “Deus é espírito; e importa que os seus adoradores o adorem em espírito e em verdade.” Já que Deus é um ser espiritual, Deus não possui características humanas físicas. No entanto, às vezes a linguagem figurativa é usada nas Escrituras para descrever Deus com características humanas – isso é chamado “antropomorfismo”. Antropomorfismo é apenas uma forma que Deus (um ser espiritual) usa para comunicar certas verdades sobre Sua natureza à humanidade, seres físicos. Já que o homem é um ser físico, o homem é limitado na sua capacidade de compreender as coisas que vão além do reino físico, e antropomorfismo na Bíblia ajuda o homem a entender quem Deus é.

Parte da dificuldade vem ao se examinar o fato de que o homem é criado à imagem de Deus. Gênesis 1:26-27 diz: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

O que isso significa é que tanto o homem quanto a mulher foram criados à imagem de Deus, pois eles são mais magnificentes do que o resto da criação; eles, como Deus, têm uma mente, vontade, intelecto, emoções e capacidade moral. Animais não possuem essa capacidade moral e também não possuem um componente imaterial como o resto da humanidade possui. Gênesis nos diz que quando o homem foi criado por Deus, Deus o criou à Sua imagem. A imagem de Deus é o fator espiritual que apenas o homem possui. Deus criou o homem para ter um relacionamento com Deus; o homem é a única parte da criação projetada para esse propósito.

Tendo dito isso, o homem e a mulher são os únicos projetados à imagem de Deus – eles não são “cópias exatas” de Deus, e o fato de que há homens e mulheres não indica que Deus tenha características masculinas e femininas. Lembre-se: ser criado à imagem de Deus não tem nada a ver com características físicas.

Sabemos que Deus é um ser espiritual e não possui características físicas. No entanto, isso não limita como Deus pode escolher Se revelar para a humanidade. As Sagradas Escrituras contêm toda a revelação que Deus deu ao homem sobre Si mesmo, e por isso devem ser a única fonte objetiva de informação sobre Deus. Ao olhar o que a Bíblia nos diz, há várias observações das evidências sobre a forma na qual Deus Se revela à humanidade:

Para começar, as Escrituras contêm quase 170 referências a Deus como “Pai”. Isso implica que uma pessoa não pode ser um pai a menos que seja masculino. Se o objetivo de Deus tivesse sido o de Se revelar ao homem na forma feminina, então a palavra “mãe” teria sido usada nessas passagens, não “pai”. Tanto no Velho como no Novo Testamento, pronomes masculinos são usados frequentemente em referência a Deus.

Jesus Cristo se referiu a Deus como Pai várias vezes, e em outros casos usou pronomes masculinos em referência a Deus. Só nos Evangelhos, por exemplo, Cristo usa o termo “Pai” em direta referência a Deus quase 160 vezes. De interesse particular é o que Cristo anunciou em João 10:30. Ele diz aqui: “Eu e o Pai somos um”. Certamente, Jesus Cristo veio à terra na forma de um homem humano para morrer na cruz como pagamento pelos pecados do mundo e, como Deus Pai, foi revelado à humanidade na forma masculina. As Escrituras registram vários outros exemplos onde Cristo utilizou substantivos e pronomes masculinos em referência a Deus.

As Epístolas do Novo Testamento (de Atos a Apocalipse) também contêm quase 900 versos onde a palavra “theos” – um substantivo masculino no grego – é usada em direta referência a Deus. Na maioria dos casos, essa palavra é traduzida como “Deus” nas versões em inglês.

Nas inúmeras referências a Deus na Bíblia, há um padrão claro e consistente de passagens sobre Deus com títulos, substantivos e pronomes masculinos. Embora Deus não seja homem, mas sim Espírito, Ele escolheu a forma masculina para Se revelar à humanidade. Do mesmo modo, Jesus Cristo, a quem a Bíblia também se refere com títulos, substantivos e pronomes masculinos, andou na terra de forma masculina. Os profetas do Velho Testamento e os Apóstolos do Novo Testamento referem-se a Deus e a Jesus Cristo com nomes e títulos masculinos. Deus escolheu Se revelar nessa forma para que o homem pudesse mais facilmente entender quem Deus realmente é. Fazer a afirmação de que Deus escolheu a forma feminina para se revelar ao homem não é consistente com o padrão estabelecido pela Bíblia. Novamente, se Deus tivesse escolhido a forma feminina, acharíamos mais evidência para tal nas Escrituras. Essa evidência simplesmente não existe. Embora Deus leve certas coisas em consideração para ajudar a humanidade a melhor entendê-lO, é importante não tentar “forçar e colocar Deus numa caixa”, por assim dizer, ao impor-Lhe limitações que não são apropriadas à Sua verdadeira natureza.



SE DEUS SABIA QUE SATANÁS SE REBELARIA E ADÃO E EVA PECARIAM, POR QUE ELE OS CRIOU?

Pergunta: "Se Deus sabia que Satanás se rebelaria e Adão e Eva pecariam, por que Ele os criou?"

Resposta:Esta é uma pergunta de duas partes. A primeira parte é “Deus sabia que Satanás se rebelaria e Adão e Eva pecariam?” A resposta se encontra no que a Bíblia ensina sobre o conhecimento de Deus. Sabemos pelas Escrituras que Deus é onisciente, o que literalmente significa que Ele "sabe tudo". Jó 37:16, Salmos 139:2-4, 147:5; Provérbios 5:21; Isaías 46:9-10 e 1 João 3:19-20 não deixam dúvida de que o conhecimento de Deus é infinito e que Ele sabe tudo o que aconteceu no passado, está acontecendo agora e acontecerá no futuro.

Ao olhar alguns dos superlativos nestes versículos -- "perfeito conhecimento", "todos os meus caminhos te são bem conhecidos", "sabe tudo" -- é evidente que o conhecimento de Deus não é apenas maior que o nosso, mas é infinitamente maior. Ele conhece todas as coisas em sua totalidade. Isaías 46:10 declara que Ele não só sabe tudo, mas controla tudo também. De que outra maneira poderia ele "fazer conhecido" a nós o que iria acontecer no futuro e afirmar sem qualquer equívoco que os Seus planos acontecerão? Então, Deus sabia que Adão e Eva pecariam? Ele sabia que Lúcifer iria se rebelar contra Ele e tornar-se Satanás? Sim! Claro que sim! Eles estavam fora de Seu controle a qualquer momento? Absolutamente não. Se o conhecimento de Deus não fosse perfeito, então haveria uma deficiência em Sua natureza. Qualquer deficiência na natureza de Deus significa que Ele não pode ser Deus, pois a própria essência de Deus exige a perfeição de todos os Seus atributos. Portanto, a resposta à primeira pergunta necessariamente tem que ser "sim".

Seguindo adiante à segunda parte da pergunta: "Por que Deus criou Satanás e Adão e Eva sabendo de antemão que eles pecariam?" Esta pergunta é um pouco mais complicada porque estamos pedindo um "porquê" a uma pergunta para a qual a Bíblia geralmente não dá respostas abrangentes. Apesar disso, devemos ser capazes de chegar a um entendimento limitado se examinarmos algumas passagens bíblicas. Para começar, já vimos que Deus é onisciente e que nada pode acontecer fora do seu conhecimento. Então, se Deus sabia que Satanás se rebelaria e cairia do céu e que Adão e Eva pecariam, mas mesmo assim Ele os criou, isso deve significar que a queda da humanidade foi uma parte do plano soberano de Deus desde o início. Nenhuma outra resposta faz sentido ao levarmos em consideração o que temos dito até agora.

Agora temos de ter cuidado em notar que a queda de Adão e Eva em pecado não significa que Deus é o autor do pecado, nem que Ele os tentou a pecar (Tiago 1:13). A queda serve um propósito no plano geral de Deus para a criação e humanidade. Novamente, isso deve ser o caso, ou então a queda da humanidade nunca teria acontecido.

Se considerarmos o que alguns teólogos chamam de "metanarrativa" (ou enredo global) das Escrituras, vemos que a história bíblica pode ser dividida em três seções principais: 1) paraíso (Gênesis 1-2); 2) o paraíso perdido (Gênesis 3 - Apocalipse 20) e 3) o paraíso recuperado (Apocalipse 21-22). De longe, a maior parte da narrativa é dedicada a deixar o paraíso perdido e alcançar o paraíso recuperado. A cruz está no centro da metanarrativa. A cruz foi planejada desde o início (Atos 2:23). Era conhecido e preordenado que Cristo iria para a cruz para dar a Sua vida em resgate por muitos (Mateus 20:28) -- aqueles escolhidos pela presciência de Deus e predestinados para serem o Seu povo (Efésios 1:4-5).

Ao ler as Escrituras com muito cuidado e levando em consideração o que foi dito até agora, somos levados às seguintes conclusões:

1. A rebelião de Satanás e a queda da humanidade foram conhecidas e predestinadas por Deus.
2. Aqueles que se tornariam o povo de Deus, os eleitos, foram conhecidos e predestinados por Deus.
3. A crucificação de Cristo, como uma expiação pelo povo de Deus, foi conhecida e predestinada por Deus.

Assim, ficamos com as seguintes perguntas: Por que criar a humanidade com o conhecimento da queda? Por que criar a humanidade sabendo que apenas alguns seriam "salvos"? Por que intencionalmente enviar Jesus para morrer por um povo que intencionalmente caiu em pecado? Do ponto de vista do homem, não faz sentido. Se a metanarrativa se move do paraíso, ao paraíso perdido, ao paraíso recuperado, por que não ir direto ao paraíso recuperado e evitar o período do paraíso perdido?

A única conclusão à qual podemos chegar, tendo em conta as afirmações acima, é que o propósito de Deus era criar um mundo no qual a Sua glória poderia se manifestar em toda a sua plenitude. A glória de Deus é o objetivo principal da criação. Na verdade, é o objetivo principal de tudo o que Ele faz. O universo foi criado para mostrar a glória de Deus (Salmo 19:1), e a ira de Deus se revela contra aqueles que não glorificam a Deus (Romanos 1:23). Nosso pecado nos leva a carecer da glória de Deus (Romanos 3:23) e no novo céu e nova terra, a glória de Deus é o que vai fornecer a luz (Apocalipse 21:23). A glória de Deus se manifesta quando os Seus atributos estão em exibição perfeita e a história da redenção é uma parte disso.

O melhor lugar para ver isso nas Escrituras é Romanos 9:19-24. A ira e misericórdia mostram as riquezas da glória de Deus e não se pode ter nenhuma delas sem a queda da humanidade. Portanto, todas estas ações -- queda, eleição, redenção, expiação -- servem o propósito de glorificar a Deus. Quando o homem caiu no pecado, a misericórdia de Deus foi exibida imediatamente em não matá-lo no local. A paciência e tolerância de Deus foram expostas quando a humanidade caiu mais profundamente em pecado antes do dilúvio. A justiça e ira de Deus estavam em exposição quando Ele executou julgamento durante o dilúvio, e a misericórdia e graça de Deus foram demonstradas quando Ele salvou Noé e sua família. A ira e a justiça de Deus serão reveladas no futuro quando Ele cuidar de Satanás de uma vez por todas (Apocalipse 20:7-10).

A maior exposição da glória de Deus foi na cruz, onde a Sua ira, justiça e misericórdia se reuniram. O justo julgamento de todo o pecado foi executado na cruz e a graça de Deus foi exibida ao derramar a Sua ira contra o pecado em Seu Filho, Jesus, em vez de em nós. O amor e a graça de Deus são manifestados naqueles a quem Ele salva (João 3:16, Efésios 2:8-9). No fim, Deus será glorificado quando o Seu povo escolhido O adorar por toda a eternidade com os anjos, e os ímpios também glorificarão a Deus quando a Sua justiça e retidão forem finalmente vindicadas pela punição eterna dos pecadores impenitentes (Filipenses 2:11 ). Nada disto poderia ter acontecido sem a rebelião de Satanás e a queda de Adão e Eva.

A objeção clássica a esta posição é que a presciência e predestinação de Deus a respeito da queda limitam a liberdade do homem. Em outras palavras, se Deus criou o homem com pleno conhecimento da iminente queda no pecado, como o homem pode ser responsável pelo seu pecado? A melhor resposta a esta pergunta pode ser encontrada na Confissão de Fé de Westminster capítulo III:

“Desde toda a eternidade, Deus, pelo muito sábio e santo conselho da sua própria vontade, ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece, porém de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas.” (WFC, III.1)

O que isto quer dizer é que Deus ordena os eventos futuros de tal forma que a nossa própria liberdade e a função das causas secundárias (por exemplo, as leis da natureza) sejam preservadas. Os teólogos chamam isso de "concorrência". A vontade soberana de Deus flui simultaneamente com o nosso livre-arbítrio de modo que o nosso livre-arbítrio sempre resulta na realização da vontade de Deus (por "livre-arbítrio" queremos dizer que nossas escolhas não são coagidas por influências externas).

Para resumir, Deus sabia que Satanás se rebelaria e que Adão e Eva pecariam no Jardim do Éden. Com esse conhecimento, Deus ainda criou Lúcifer e Adão e Eva porque a sua criação e queda faziam parte do Seu plano soberano de manifestar a Sua glória em toda a sua plenitude. Embora a queda tenha sido conhecida e preordenada de antemão, a nossa liberdade de fazer escolhas não é violada porque as nossas escolhas livres são o meio pelo qual a vontade de Deus é realizada.



QUEM É DEUS? O QUE É DEUS? COMO PODEMOS CONHECÊ-LO?

Pergunta: "Quem é Deus? O que é Deus? Como podemos conhecê-lo?"

Resposta:
Quem é Deus? - O fato
O fato da existência de Deus é tão visível, tanto através da criação quanto através da consciência do homem, que a Bíblia chama o ateu de "tolo" (Salmo 14:1). Assim, a Bíblia nunca tenta provar a existência de Deus, antes, ela supõe a Sua existência desde o início (Gênesis 1:1). O que a Bíblia faz é revelar a natureza, o caráter e a obra de Deus.

Quem é Deus? – A Definição
Pensar corretamente sobre Deus é de extrema importância porque uma falsa ideia sobre Deus é idolatria. Em Salmo 50:21, Deus reprova o ímpio com esta acusação: "Você pensa que eu sou como você?" Para começar, uma boa e resumida definição de Deus é "o Ser Supremo, o Criador e Regente de tudo o que existe; o Ser auto-existente que é perfeito em poder, bondade e sabedoria."

Quem é Deus? - Sua Natureza
Sabemos que certas coisas acerca de Deus são verdadeiras por uma razão: em Sua misericórdia Ele condescendeu a revelar algumas de Suas qualidades para nós. Deus é espírito, intangível por natureza (João 4:24). Deus é Um, mas existe como três pessoas: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo (Mateus 3:16-17). Deus é infinito (1 Timóteo 1:17), incomparável (2 Samuel 7:22) e imutável (Malaquias 3:6). Deus existe em todos os lugares (Salmos 139:7-12), sabe tudo (Mateus 11:21) e tem todo o poder e autoridade (Efésios 1; Apocalipse 19:6).

Quem é Deus? – Seu Caráter
Aqui estão algumas das características de Deus como reveladas na Bíblia: Deus é justo (Atos 17:31), amoroso (Efésios 2:4-5), verdadeiro (João 14:6) e santo (1 João 1:5). Deus mostra compaixão (2 Coríntios 1:3), misericórdia (Romanos 9:15) e graça (Romanos 5:17). Deus julga o pecado (Salmos 5:5), mas também oferece o perdão (Salmos 130:4).

Quem é Deus? - Sua Obra
Não podemos compreender Deus longe de suas obras porque o que Deus faz flui de quem Ele é. Aqui está uma lista resumida das obras de Deus, passadas, presentes e futuras: Deus criou o mundo (Gênesis 1:1, Isaías 42:5); Ele ativamente sustenta o mundo (Colossenses 1:17); Ele está executando o Seu plano eterno (Efésios 1:11) que envolve a redenção do homem da maldição do pecado e da morte (Gálatas 3:13-14); Ele atrai as pessoas para Cristo (João 6:44); Ele disciplina os Seus filhos (Hebreus 12:6) e Ele julgará o mundo (Apocalipse 20:11-15).

Quem é Deus? - Um Relacionamento com Ele
Na pessoa do Filho, Deus se encarnou (João 1:14). O Filho de Deus se tornou o Filho do homem e é, portanto, a "ponte" entre Deus e o homem (João 14:6, 1 Timóteo 2:5). É somente através do Filho que podemos ter o perdão dos pecados (Efésios 1:7), a reconciliação com Deus (João 15:15, Romanos 5:10) e a salvação eterna (2 Timóteo 2:10). Em Jesus Cristo, "habita corporalmente toda a plenitude da divindade" (Colossenses 2:9). Assim, para saber realmente quem é Deus, tudo que temos que fazer é olhar para Jesus.



DEUS EXISTE? EXISTEM EVIDÊNCIAS DA EXISTÊNCIA DE DEUS?

Resposta:Deus existe? Eu acho interessante o fato de se dar tanta atenção a este debate. As últimas pesquisas nos informam de que mais de 90% das pessoas no mundo de hoje acreditam na existência de Deus ou de algum poder superior. Mesmo assim, de alguma forma, a responsabilidade de provar que Deus realmente existe é posta sobre aqueles que acreditam que Deus existe. Para mim, deveria ser o contrário.

No entanto, não se pode provar ou deixar de provar a existência de Deus. A Bíblia até mesmo diz que nós devemos aceitar por fé o fato de que Deus existe: “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Se Deus assim o desejasse, Ele poderia simplesmente aparecer e provar para o mundo inteiro que Ele existe. Mas se Ele fizesse isso, não haveria mais necessidade de existir fé. “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram” (João 20:29).

Isso não significa, no entanto, que não existam evidências da existência de Deus. A Bíblia declara: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (Salmos 19:1-4). Olhando para as estrelas, compreendendo a vastidão do universo, observando as maravilhas da natureza, vendo a beleza de um pôr-do-sol – todas estas coisas apontam para um Deus Criador. Se estas coisas não fossem suficientes, também há evidência de Deus em nossos próprios corações. Eclesiastes 3:11 nos diz: “...[Ele] pôs a eternidade no coração do homem...”. Há alguma coisa no fundo do nosso ser que reconhece que há algo além desta vida e alguém além deste mundo. Nós podemos negar este conhecimento intelectualmente, mas a presença de Deus em nós e através de nós ainda estará lá. Apesar disso tudo, a Bíblia nos adverte que alguns, mesmo assim, irão negar a existência de Deus: “Diz o insensato no seu coração: Não há Deus.” (Salmos 14:1). Visto que 98% das pessoas através da história, em todas as culturas, em todas as civilizações, em todos os continentes acreditam na existência de algum tipo de Deus – deve haver algo (ou alguém) causando esta crença.

Além dos argumentos Bíblicos para a existência de Deus, existem argumentos lógicos. Em primeiro lugar, existe o argumento ontológico. A forma mais popular do argumento ontológico basicamente usa o conceito de Deus para provar a existência de Deus. Ele começa com a definição de Deus como “do que este não pode ser concebido alguém maior”. Argumenta-se então que existir é maior do que não existir, logo o maior ser que pode ser concebido tem que existir. Se Deus não existisse então Deus não seria o maior ser que pode ser concebido – mas isso iria contradizer a própria definição de Deus. Em segundo lugar está o argumento teleológico. O argumento teleológico é aquele que diz que como o universo apresenta um projeto tão incrível, deve ter havido um projetista Divino. Por exemplo, se a terra estivesse apenas algumas centenas de quilômetros mais afastada ou mais próxima do sol, ela não seria capaz de sustentar grande parte da vida que sustenta no momento. Se os elementos na nossa atmosfera tivessem apenas alguns pontos percentuais de diferença, tudo o que vive na terra morreria. A chance de uma única molécula de proteína se formar ao acaso é de 1 em 10243 (isto é, 10 seguido de 243 zeros). Uma única célula possui milhões de moléculas de proteínas.

Um terceiro argumento lógico para a existência de Deus é chamado de argumento cosmológico. Todo efeito deve ter uma causa. Este universo e tudo o que há nele é um efeito. Tem que existir algo que causou a existência de tudo. Finalmente, deve existir alguma coisa “não-causada” que fez com que tudo viesse à existência. Este “não-causado” é Deus. Um quarto argumento é conhecido como o argumento moral. Todas as culturas através da história têm alguma forma de lei. Todo mundo tem um senso de certo e errado. Assassinar, mentir, roubar e agir de forma imoral são coisas quase universalmente rejeitadas. De onde veio este senso de certo e errado se não de um Deus santo?

Apesar de todas estas coisas, a Bíblia nos diz que as pessoas irão rejeitar o conhecimento claro e inegável de Deus e irão acreditar em uma mentira. Romanos 1:25 declara: “...eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém”. A Bíblia também proclama que as pessoas não têm desculpa para não acreditar em Deus: “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis” (Romanos 1:20).

As pessoas afirmam não acreditar em Deus porque “não é científico” ou “porque não há prova”. A verdadeira razão é que, uma vez que as pessoas admitam que há um Deus, elas também precisarão se dar conta de que devem ter responsabilidade para com Deus e que precisam do Seu perdão (Romanos 3:23; Romanos 6:23). Se Deus existe, então nós devemos prestar contas das nossas ações a Ele. Se Deus não existe, então nós podemos fazer o que quisermos sem termos de nos preocupar com o Seu julgamento sobre nós. Eu acredito que esta é a razão pela qual a evolução é tão fortemente aceita por muitos na nossa sociedade – para que as pessoas tenham uma alternativa a acreditar em um Deus Criador. Deus existe e todo mundo sabe que Ele existe. O fato de que alguns tentam tão agressivamente provar que Ele não existe é de fato um argumento para a Sua existência.

Permita-me expor um último argumento para a existência de Deus. Como eu sei que Deus existe? Eu sei que Deus existe porque eu falo com Ele todos os dias. Eu não O ouço falar comigo “de uma forma audível”, mas sinto a Sua presença, sinto a Sua liderança, conheço o Seu amor, desejo a Sua graça. As coisas aconteceram na minha vida de forma que não há outra explicação senão Deus. Deus me salvou e mudou a minha vida de forma tão milagrosa que eu só posso aceitar e louvar a Sua existência. Nenhum destes argumentos pode persuadir alguém que se recusa a aceitar o que é tão claro. No fim das contas, a existência de Deus deve ser aceita pela fé (Hebreus 11:6). A fé em Deus não é um salto cego no escuro, mas um passo seguro em um quarto bem iluminado onde 90% das pessoas já estão presentes.


QUAIS SÃO OS ATRIBUTOS DE DEUS? COMO É DEUS?

Pergunta: "Quais são os atributos de Deus? Como é Deus?"

Resposta:A boa notícia, quando tentamos responder a esta pergunta, é que há muito que pode ser encontrado sobre Deus! Aqueles que examinarem esta explicação podem achar melhor ler o texto inteiramente; depois voltar e procurar pelas passagens Bíblicas selecionadas para elucidação. As referências às Escrituras são completamente necessárias, porque sem a autoridade da Bíblia, este monte de palavras não seria nem um pouco melhor do que a opinião dos homens, a qual por si só é quase sempre incorreta para entender Deus (Jó 42:7). Nem precisamos dizer o quanto é importante para nós tentarmos entender a natureza de Deus! Se não o fizermos, provavelmente vamos nos levantar, procurar e adorar falsos deuses contrários a Sua vontade (Êxodo 20:3-5).

Apenas o que o próprio Deus escolheu de Si mesmo para ser revelado pode ser conhecido. Um dos atributos ou qualidades de Deus é “luz”, o que significa que Ele próprio Se revela (Isaías 60:19, Tiago 1:17). A realidade de que Deus revelou conhecimento sobre Si próprio não deve ser negligenciada, a fim de que nenhum de nós perca a oportunidade de entrar em Seu descanso (Hebreus 4:1). A Criação, a Bíblia e o Verbo feito carne (Jesus Cristo) irão nos ajudar a entender como é Deus.

Vamos começar por entender que Deus é nosso Criador e que nós somos parte da Sua criação (Gênesis 1:1; Salmos 24:1). Deus disse que o homem é criado a Sua imagem. O homem está acima do resto da criação e recebeu domínio sobre ela (Gênesis 1:26-28). A criação se deteriorou pela 'queda', mas ainda assim nos dá um flash, uma rápida ideia da obra de Deus (Gênesis 3:17-18; Romanos 1:19-20). Considerando a vastidão, complexidade, beleza e ordem da criação, nós podemos ter uma ideia da grandiosidade e magnificência de Deus.

A leitura de alguns dos nomes de Deus pode nos ajudar em nossa busca por como é Deus. Eles são os seguintes:

Elohim – O Forte, divino (Gênesis 1:1)
Adonai – Senhor, indicando uma relação de Mestre para servo (Êxodo 4:10, 13)
El Elyon – O mais Alto, o mais Forte (Gênesis 14:20)
El Roi – o Forte que enxerga (Gênesis 16:13)
El Shaddai – Deus Todo-Poderoso (Gênesis 17:1)
El Olam – eterno Deus (Isaías 40:28)
Yahweh – SENHOR “Eu Sou”, significando o Deus eterno auto-existente (Êxodo 3:13,14).

Vamos agora continuar examinando mais dos atributos de Deus; Deus é eterno, o que significa que Ele não teve início e que a Sua existência jamais irá cessar. Ele é imortal, infinito (Deuteronômio 33:27; Salmos 90:2; 1 Timóteo 1:17). Deus é imutável, o que quer dizer que Ele não muda; isto significa que Ele é absolutamente confiável (Malaquias 3:6; Números 23:19; Salmos 102:26,27). Deus é incomparável, o que quer dizer que não há ninguém como Ele em obras ou ser; Ele é inigualável e perfeito (2 Samuel 7:22; Salmos 86:8; Isaías 40:25; Mateus 5:48). Deus é inescrutável, o que significa que Ele é imensurável, inencontrável, impossível de ser inteiramente entendido (Isaías 40:28; Salmos 145:3; Romanos 11:33,34).

Deus é justo, o que quer dizer que Ele não demonstra favoritismo por algumas pessoas (Deuteronômio 32:4; Salmos 18:30). Deus é onipotente, o que significa que Ele é todo-poderoso; Ele pode fazer qualquer coisa que Lhe agrada, mas as Suas ações estarão sempre de acordo com o resto de Seu caráter (Apocalipse 19:6; Jeremias 32:17, 27). Deus é onipresente, o que significa que Ele está sempre presente, em todos os lugares; isto não significa que Deus seja tudo (Salmos 139:7-13; Jeremias 23:23). 


 Deus é onisciente, o que significa que Ele conhece o passado, o presente e futuro, até mesmo aquilo que nós estamos pensando em qualquer dado momento; como Ele sabe tudo, Sua justiça será sempre administrada de forma justa (Salmos 139:1-5; Provérbios 5:21).

Deus é um, o que significa não apenas que não haja outro, mas também que Ele é único em ser capaz de conhecer as mais profundas necessidades e anseios dos nossos corações, e somente Ele é digno da nossa adoração e devoção (Deuteronômio 6:4). Deus é reto, o que significa que Deus não pode e não irá ignorar o erro; é por causa da Sua retidão e justiça, para que nossos pecados fossem perdoados, que Jesus teve que experimentar o julgamento de Deus quando nossos pecados foram postos sobre Ele (Êxodo 9:27; Mateus 27:45,46; Romanos 3:21-26).

Deus é soberano, o que significa que Ele é supremo; toda a Sua criação posta junta, conhecedora ou não-conhecedora, não pode impedir os Seus propósitos (Salmos 93:1; 95:3; Jeremias 23: 20). Deus é espírito, o que significa que Ele é invisível (João 1:18; 4:24). Deus é uma Trindade, o que quer dizer que Ele é três em um, de mesma substância, com poderes e glória iguais. Note na primeira passagem da Escritura citada que o 'nome' é singular, apesar de se referir a três Pessoas distintas - “Pai, Filho e Espírito Santo” (Mateus 28:19; Marcos 1:9-11). Deus é verdade, o que significa que Ele está de acordo com tudo o que Ele é. Ele irá permanecer incorruptível e não pode mentir (Salmos 117:2; 1 Samuel 15:29).

Deus é santo, o que significa que Ele está separado de toda poluição moral e a ela é hostil. Deus vê tudo o que é mal, e o mal O deixa enfurecido; o fogo é usualmente mencionado nas Escrituras junto com a santidade. Refere-se a Deus como um fogo que consome (Isaías 6:3; Habacuque 1:13; Êxodo 3:2,4,5; Hebreus 12:29). Deus é gracioso – isto incluiria Sua bondade, benevolência, misericórdia e amor, que são palavras que apenas de longe descrevem Sua bondade. Se não fosse pela graça de Deus, teríamos a impressão de que todos os Seus outros atributos nos excluiriam Dele. Felizmente, este não é o caso, pois Ele deseja conhecer a cada um de nós pessoalmente (Êxodo 34:6; Salmos 31:19; 1 Pedro 1:3; João 3:16; João 17:3).

Esta foi apenas uma tentativa modesta de responder a uma pergunta tão grande quanto Deus. Por favor, sinta-se fortemente encorajado a continuar procurando por Ele (Jeremias 29:13).



DEUS É REAL? COMO POSSO SABER COM CERTEZA QUE DEUS É REAL?

Pergunta: "Deus é real? Como posso saber com certeza que Deus é real?"

Resposta:
Sabemos que Deus é real porque Ele Se revelou a nós de três formas: na criação, na Sua Palavra e em Seu Filho, Jesus Cristo.

A prova mais básica da existência de Deus é simplesmente o que Ele fez. “Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles (incrédulos) fiquem inescusáveis” (Romanos 1:20). “Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Salmos 19:1).

Se eu encontrasse um relógio de pulso no meio de um campo, eu não iria pensar que ele simplesmente “apareceu” do nada ou que sempre existiu. Baseado em seu design, eu iria pressupor que alguém projetou suas formas. Mas eu vejo um design tão mais grandioso e preciso no mundo que nos cerca. Nossa medida de tempo não é baseada em relógios de pulso, mas na obra das mãos de Deus: na rotação regular da terra (e nas propriedades radioativas do átomo do césio-133). O universo exibe grandioso design, e isto exige um Grandioso Projetista.

Se eu encontrasse uma mensagem cifrada, eu buscaria um especialista que me auxiliasse na decodificação. Eu presumiria que há um emissor inteligente, alguém que criou o código. Quão complexo é o “código” do DNA que carregamos em cada célula de nossos corpos? Não é verdade que a complexidade e propósito do DNA exigem que haja um Escritor Inteligente para este código?

Deus não apenas fez o mundo físico de modo complexo, elaborado e detalhadamente ajustado, mas Ele também fez penetrar um senso de eternidade no coração de cada pessoa (Eclesiastes 3:11). A espécie humana tem uma percepção inata de que há mais entre o céu e a terra do que meramente aquilo que se vê, que há uma existência maior de que esta rotina secular. Nosso senso de eternidade se manifesta de pelo menos duas formas: na criação das leis e na adoração.

Através da história, todas as civilizações valorizam certas leis morais, que são surpreendentemente parecidas em cada cultura. Por exemplo, o ideal de amor é universalmente valorizado, enquanto a mentira é universalmente condenada. Este aspecto moral em comum, ou seja, esta compreensão global entre o certo e o errado, aponta para o Supremo Ser Moral que em nós imprimiu estes princípios.

Da mesma forma, independentemente da cultura, os povos de todo o mundo sempre cultivaram um sistema de adoração. O objeto da adoração pode variar, mas o sentido de haver um “poder maior” é uma parte inegável da condição humana. Somos propensos a adorar, o que está em harmonia com o fato de Deus ter nos criado “à Sua própria imagem” (Gênesis 1:27).

Deus também Se revelou a nós através de Sua Palavra, a Bíblia. Através das escrituras, a existência de Deus é tratada como um fato evidente por si só (Gênesis 1:1; Êxodo 3:14). Quando Benjamin Franklin escreveu sua autobiografia, ele não perdeu tempo tentando provar sua própria existência. Da mesma forma, Deus não gasta muito tempo provando Sua própria existência em Seu livro. A Bíblia, com sua natureza transformadora de vidas, sua integridade e milagres ocorridos durante o período em que foi escrita poderiam ser suficientes para justificar um olhar mais atento.

A terceira forma pela qual Deus Se revelou é através de Seu Filho, Jesus Cristo (João 14:6-11). “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós.” (João 1:1, 14). Em Jesus Cristo “habita corporalmente toda a plenitude de divindade” (Colossenses 2:9).

Na surpreendente vida de Jesus, Ele guardou perfeitamente toda a lei do Velho Testamento e cumpriu as profecias a respeito do Messias (Mateus 5:17). Ele agiu inúmeras vezes demonstrando compaixão e fez inúmeros milagres públicos, tudo para validar Sua mensagem e testemunhar a favor de sua divindade (João 21:24-25). Então, três dias após Sua crucificação, Ele ressuscitou dentre os mortos, um fato afirmado por centenas de testemunhas oculares (I Coríntios 15:6). Os registros da história estão cheios de “provas” de quem é Jesus. Como disse o Apóstolo Paulo: “... porque isto não se fez em qualquer canto” (Atos 26:26).

Sabemos que sempre haverá céticos com suas próprias idéias a respeito de Deus, e que de acordo com estas idéias, interpretarão estas provas. E haverá alguns que nenhuma quantidade de provas será capaz de convencer (Salmos 14:1). No final, o mais importante aspecto é a fé (Hebreus 11:6).



DEUS CRIOU O MAL ?

Pergunta: "Deus criou o mal?"

Resposta:À primeira vista pode parecer que, se Deus criou todas as coisas, então deve também ter criado o mal. Entretanto, há aqui um pressuposto que deve ser esclarecido. O mal não é uma “coisa”, como uma pedra ou a eletricidade. Você não pode ter um pote de mal! Mas o mal é algo que acontece, como o ato de correr. O mal não tem uma existência própria, mas na verdade, é a ausência do bem. Por exemplo, os buracos são reais, mas somente existem em outra coisa. À ausência de terra, damos o nome de buraco, mas o buraco não pode ser separado da terra. Quando Deus criou todas as coisas, é verdade que tudo o que existia era bom. Uma das boas coisas criadas por Deus foram criaturas que tinham a liberdade em escolher o bem. Para que tivessem uma real escolha, Deus deveria permitir a existência de algo além do bem para escolher. Então Deus permitiu que esses anjos livres e humanos escolhessem o bem ou o não-bem (mal). Quando um mau relacionamento existe entre duas coisas boas, a isso chamamos de mal, mas não se torna uma “coisa” que exige ter sido criada por Deus.

Examine o exemplo de Jó em Jó capítulos 1 e 2. Satanás quis destruir Jó, e Deus permitiu que Satanás fizesse tudo, exceto matá-lo. Deus permitiu que isto acontecesse para provar a Satanás que Jó era reto porque amava a Deus, e não porque Deus o tinha tão ricamente abençoado. Deus é soberano, e no controle máximo de tudo o que acontece. Satanás nada pode fazer a não ser que tenha a “permissão” de Deus. Deus não criou o mal, mas Ele permite o mal. Se Deus não houvesse permitido a possibilidade do mal, tanto a espécie humana quanto os anjos estariam servindo a Deus por obrigação, não por escolha. Ele não quis “robôs” que simplesmente fizessem o que Ele gostaria que fizessem por causa de sua “programação”.

A resposta que a Bíblia nos dá é: Deus tem um propósito perfeitamente bom para a existência do mal. Vejamos a seguir. A Bíblia não só ensina que Deus sabe de todas as coisas, mas que Ele determinou, com precisão, o Seu plano para toda a história do universo. Deus detalhadamente determinou a existência e história para cada criatura desde antes da criação. Ele escreveu a história do mundo para a Sua glória, de sorte que tudo ocorre de acordo com o Seu perfeito plano e nada acontece sem ser previamente decretado por Deus. Em Isaías 46:9-10, Deus apresenta como evidência de Sua divindade o fato de que Ele tem determinado e declarado o fim desde o início. Ele diz: “...Eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim... o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Isaías 46:10).

Não existe um átomo sequer em todo o universo que não esteja a cada momento sendo sustentado e guiado por Deus. Em Colossenses 1:16-17, Paulo diz: “...Tudo foi criado por meio dele e para Ele... Nele, tudo subsiste.” Hebreus 1:3 explicitamente diz que Ele “sustenta todas as coisas pela palavra do Seu poder.” Vimos então que Deus tem planejado e determinado o percurso de toda a criação (incluindo Satanás e todas as suas ações, como sua queda e as tentações que ele apresenta a nós, seres humanos). O mal que existe hoje não ocorre por acidente, mas porque Deus tem determinado em Seu perfeito plano que deveria ser assim. Isto pode ser surpreendente ou até vergonhoso para muitos, mas para Deus, não. Ele diz: “Eu formo a luz e crio as trevas; faço a paz e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas cousas (Isaías 45:7). É notável que neste versículo Ele até usa o verbo mais forte (bara no Hebraico é a mesma palavra usada em Gênesis 1:1) para referir-se ao Seu envolvimento intencional com o mal. De fato, Ele até apresenta isto como evidência de Sua divindade, em contraste com os ídolos que são incapazes de fazer bem ou mal (Isaías 41:23). O inspirado profeta Jeremias apresenta a pergunta retórica: “Quem é aquele que diz, e assim acontece, quando o Senhor o não mande? Acaso, não procede do Altíssimo tanto o mal como o bem?” (Lamentações 3:37-38). É claro que a resposta esperada é que nada de bom ou mau ocorre sem que proceda de Deus. Semelhantemente, o profeta Amós pergunta: “Sucederá algum mal à cidade, sem que o SENHOR o tenha feito?” (Amós 3:6).

Basicamente, não há uma resposta a estas perguntas que possamos compreender totalmente. Como seres humanos limitados, jamais podemos compreender inteiramente um Deus infinito (Romanos 11:33-34). Às vezes pensamos que compreendemos por que Deus faz determinada coisa, e mais tarde descobrimos que era para um propósito diferente daquele que havíamos pensado. Deus vê as coisas sob uma perspectiva eterna. Nós vemos as coisas sob uma perspectiva terrena. Infelizmente, por natureza, preferimos a nossa própria concepção de Deus àquela do Deus verdadeiro.

Concluindo, a Bíblia ensina claramente que tudo que Deus criou era “muito bom” (Gênesis 1:31). Semelhantemente, a Bíblia termina descrevendo em Apocalipse 21 e 22 um período futuro quando tudo voltará a ser muito bom. Apocalipse 21:4 diz: “E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras cousas passaram.” Isto significa que quase toda a Bíblia, de Gênesis 3 a Apocalipse 20, trata do tempo quando o mal existe. Este é o tempo em que nós vivemos. Entretanto, é confortador, mesmo quando entendemos pouco do propósito de Deus para o mal, saber que tudo começou “muito bom” e há de terminar assim também!



O QUE A BÍBLIA ENSINA A RESPEITO DA TRINDADE?

Pergunta: "O que a Bíblia ensina a respeito da Trindade?"

Resposta:A coisa mais difícil a respeito do conceito cristão da Trindade é que não há maneira de explicá-lo adequadamente. A Trindade é um conceito impossível de ser totalmente compreendido por qualquer ser humano, quanto mais explicado. Deus é infinitamente maior do que nós, por isso não devemos esperar que sejamos capazes de compreendê-Lo totalmente. A Bíblia ensina que o Pai é Deus, que Jesus é Deus e que o Espírito Santo é Deus. A Bíblia também ensina que há um só Deus. Mesmo podendo compreender alguns fatos sobre a relação das diferentes pessoas da Trindade umas com as outras, no geral, a Trindade é incompreensível à mente humana. Entretanto, não significa que não seja verdade ou fora dos ensinamentos da Bíblia.

Ao estudar este assunto, lembre-se de que a palavra “Trindade” não é usada nas Escrituras. Este é um termo usado em uma tentativa de descrever o Deus triúno, e o fato de haver 3 pessoas co-existentes e co-eternas perfazendo um só Deus. Compreenda que DE JEITO ALGUM se sugere aqui que haja 3 Deuses. A Trindade é 1 Deus feito de 3 pessoas. Não há nada errado em usar o termo “Trindade”, mesmo que esta palavra não se encontre na Bíblia. É mais prático dizer a palavra “Trindade” do que dizer “3 pessoas co-existentes e co-eternas perfazendo um só Deus”. Se isto for problema para você, considere isto: a palavra avô também não é usada na Bíblia. Mesmo assim, sabemos que havia avôs na Bíblia. Abraão foi avô de Jacó. Então, não fique obcecado com termo “Trindade”. O que realmente importa é que o conceito REPRESENTADO pela palavra “Trindade” existe nas Escrituras. Terminada esta introdução, mostraremos versículos bíblicos na discussão sobre a Trindade.

1) Há um só Deus: Deuteronômio 6:4; I Coríntios 8:4; Gálatas 3:20; I Timóteo 2:5.

2) A Trindade consiste de três Pessoas: Gênesis 1:1; 1:26; 3:22; 11:7; Isaías 6:8; 48:16; 61:1; Mateus 3:16-17; 28:19; II Coríntios 13:14. Nas passagens do Velho Testamento, algum conhecimento de hebraico é de grande ajuda. Em Gênesis 1:1, é usado o substantivo plural “Elohim”. Em Gênesis 1:26; 3:22; 11:7 e Isaías 6:8, o pronome plural equivalente a “nós” é usado. “Elohim” e “nós” se referem a mais de duas pessoas, NÃO há dúvidas. Em português, temos apenas duas variações quanto ao número, singular e plural. Em hebraico, temos três formas: singular, dual e plural. Dual é para dois, APENAS. Em hebraico, a forma dual é usada para coisas que vêm em pares, como olhos, orelhas e mãos. A palavra “Elohim” e o pronome “nós” são formas de plural – definitivamente mais de dois, e devem estar se referindo a três ou mais (Pai, Filho, Espírito Santo).

Em Isaías 48:16 e 61:1, o Filho está falando enquanto faz referência ao Pai e ao Espírito Santo. Compare Isaías 61:1 com Lucas 4:14-19 para ver que é o Filho falando. Mateus 3:16-17 descreve o acontecimento do batismo de Jesus. Nele se vê o Deus Espírito Santo descendo sobre o Deus Filho enquanto o Deus Pai proclama Seu prazer no Filho. Mateus 28:19 e II Coríntios 13:14 são exemplos de 3 pessoas distintas na Trindade.

3) Os membros da Trindade são distintos uns dos outros em várias passagens: No Velho Testamento, “SENHOR” é diferenciado de “Senhor” (Gênesis 19:24; Oseias 1:4). O “SENHOR” tem um “Filho” (Salmos 2:7, 12; Provérbios 30:2-4). Espírito é distinto de “SENHOR” (Números 27:18) e de “Deus” (Salmos 51:10-12). Deus o Filho é diferenciado de Deus o Pai (Salmos 45:6-7; Hebreus 1:8-9). No Novo Testamento, João 14:16-17 é onde Jesus fala ao Pai sobre enviar um Ajudador, o Espírito Santo. Isto demonstra que Jesus não considerava a Si mesmo como sendo o Pai ou o Espírito Santo. Considere também todas as outras vezes, nos Evangelhos, onde Jesus fala ao Pai. Estava Ele falando consigo mesmo? Não. Ele falava com uma outra pessoa na Trindade, o Pai.

4) Cada membro da Trindade é Deus: O Pai é Deus: João 6:27; Romanos 1:7; I Pedro 1:2. O Filho é Deus: João 1:1, 14; Romanos 9:5, Colossenses 2:9; Hebreus 1:8; I João 5:20. O Espírito Santo é Deus: Atos 5:3-4; I Coríntios 3:16 (Aquele que habita é o Espírito Santo: Romanos 8:9; João 14:16-17; Atos 2:1-4).

5) A subordinação dentro da Trindade: As Escrituras mostram que o Espírito Santo é subordinado ao Pai e ao Filho, e o Filho é subordinado ao Pai. Esta é uma relação interna, e não nega a divindade de nenhuma das pessoas da Trindade. Esta é simplesmente uma área que nossas mentes finitas não conseguem compreender, em vista do Deus infinito. Em relação ao Filho, veja: Lucas 22:42; João 5:36; João 20:21; I João 4:14. Em relação ao Espírito Santo veja: João 14:16; 14:26; 15:26;16:7 e principalmente João 16:13-14.

6) As tarefas dos membros individuais da Trindade: O Pai é a fonte máxima ou causa de: 1) o universo (I Coríntios 8:6; Apocalipse 4:11); 2) revelação divina (Apocalipse 1:1); 3) salvação (João 3:16-17); e 4) as obras humanas de Jesus (João 5:17;14:10). O Pai PRINCIPIA todas estas coisas.

O Filho é o agente através do qual o Pai faz as seguintes obras: 1) A criação e manutenção do universo (I Coríntios 8:6; João 1:3; Colossenses 1:16-17); 2) divina revelação (João 1:1; Mateus 11:27; João 16:12-15; Apocalipse 1:1); e 3) salvação (II Coríntios 5:19; Mateus 1:21; João 4:42). O Pai faz todas estas coisas através do Filho, que funciona como Seu agente.

O Espírito Santo é o meio pelo qual o Pai faz as seguintes obras: 1) criação e manutenção do universo (Gênesis 1:2; Jó 26:13; Salmos 104:30); 2) divina revelação (João 16:12-15; Efésios 3:5; II Pedro 1:21); 3) salvação (João 3:6; Tito 3:5; I Pedro 1:2); e 4) feitos de Jesus (Isaías 61:1; Atos 10:38). Então faz assim o Pai todas estas coisas pelo poder do Espírito Santo.

Nenhuma das ilustrações populares são descrições completamente apuradas da Trindade. O ovo (ou maçã) falha porque a casca, a clara e a gema são partes do ovo, e não são o ovo, cada qual separadamente. O Pai, Filho e Espírito Santo não são partes de Deus, cada um Deles é Deus. A ilustração da água é de alguma forma melhor, mas ainda falha em adequadamente descrever a Trindade. Líquido, vapor e gelo são estados da água. O Pai, Filho e Espírito Santo não são formas ou estados de Deus, mas cada qual separadamente é Deus. Então, enquanto estas ilustrações podem nos dar uma ideia da Trindade, esta não se faz totalmente precisa. 


 Um Deus infinito não poderá ser totalmente descrito por uma ilustração finita. Em vez de focalizar na Trindade, tente focalizar na grandeza de Deus e Sua natureza infinitamente maior que a nossa. “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? ou quem foi seu conselheiro?” (Romanos 11:33-34).


POR QUE HÁ TANTA DIFERENÇA ENTRE DEUS NO VELHO TESTAMENTO E NO NOVO TESTAMENTO?

Pergunta: "Por que há tanta diferença entre Deus no Velho Testamento e no Novo Testamento?"

Resposta:Creio que no coração desta pergunta se encontra um engano fundamental a respeito das revelações feitas sobre a natureza de Deus no Velho e no Novo Testamento. Outra maneira de expressar este mesmo pensamento básico é quando as pessoas dizem: “O Deus do Velho Testamento é um Deus de ira, enquanto o Deus do Novo Testamento é um Deus de amor.” A Bíblia é a progressiva revelação de Deus a respeito de Si mesmo a nós através de eventos históricos e através de Seu relacionamento com as pessoas através da história. Este fato poderia contribuir para a interpretação errônea sobre como é Deus no velho Testamento, se comparado com o Novo Testamento. Entretanto, quando se lê tanto o Velho quanto o Novo Testamento, rapidamente se torna evidente que Deus não é diferente de um Testamento para o outro e que tanto a ira de Deus como também Seu amor são revelados nos dois Testamentos.

Por exemplo, através de todo o Velho Testamento, declara-se que Deus é “misericordioso e piedoso, tardio em irar-se e grande em beneficência e verdade” (Êxodo 34:6; Números 14:18; Deuteronômio 4:31; Neemias 9:17; Salmos 86:5; Salmos 86:15; Salmos 108:4; Salmos 145:8; Joel 2:13). No Novo Testamento, a bondade, amor e misericórdia se manifestam de maneira ainda mais abundante pelo fato de que “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Ao longo do Velho Testamento, também observamos que Deus lida com Israel de um jeito bem parecido com o que um pai amoroso lida com um filho. Quando eles deliberadamente pecaram contra Ele e começaram a adorar ídolos, Deus os disciplinou, mas mesmo assim os livrava cada uma das vezes, quando se arrependiam de sua idolatria. É desta forma que vemos Deus lidando com os cristãos no Novo Testamento. Por exemplo, Hebreus 12:6 nos diz que “porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho.”

De forma parecida, através do Velho Testamento vemos o julgamento e ira de Deus derramados sobre pecadores que não se arrependeram. Sobre a ira de Deus, vemos também no Novo Testamento: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça” (Romanos 1:18). Mesmo em uma leitura rápida do Novo Testamento, fica logo evidente que Jesus fala mais no inferno do que no céu. Então, claramente, Deus não é diferente no Velho e no Novo Testamento. Deus, por Sua própria natureza, é imutável (Ele não muda). Mesmo que possamos ver um aspecto de Sua natureza, mais do que outros, revelado em certas passagens das Escrituras, Ele mesmo não muda.

Quando se começa a ler e estudar a Bíblia, se torna evidente que Deus não é diferente no Velho e no Novo Testamento. Apesar de ser a Bíblia um livro composto de sessenta e seis livros individuais, escritos em dois (ou possivelmente três) continentes, em três línguas diferentes, através de um período de aproximadamente 1500 anos, por mais de 40 autores (vindos de diferentes atividades e ofícios), continua a Bíblia, mesmo assim, um livro consistente em sua unidade, do começo ao fim, sem contradições. Nisto vemos quão amoroso, misericordioso e justo é Deus ao lidar com os homens pecadores, em todos os tipos de situação. 


 Verdadeiramente, a Bíblia é a carta de amor de Deus para a humanidade. O amor de Deus por sua criação, especialmente pela humanidade, é evidente por todas as Escrituras. Por toda a Bíblia podemos ver Deus chamando a todos, com amor e misericórdia, para terem com Ele um relacionamento especial, não porque mereçam, mas porque Ele é um Deus de graça e misericórdia, tardio em irar-se e cheio de amor, bondade e verdade. Mas mesmo assim, vemos um Deus justo e santo, que é juiz de todos aqueles que desobedecem a Sua palavra e se recusam a adorá-lo, e ao invés disso, se voltam para a adoração de deuses feitos por suas próprias mãos, adorando ídolos e outros deuses ao invés de adorar o único Deus Verdadeiro (Romanos 1).

Por causa do caráter justo e santo de Deus, todos os pecados, presente, passado e futuro, devem ser julgados. Mesmo assim, em Seu infinito amor, Ele providenciou um pagamento pelo pecado e um caminho de reconciliação para que o homem pecador possa escapar de Sua ira. Vemos esta maravilhosa verdade em versos como I João 4:10: “Nisto está o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou a nós, e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados.” No Velho Testamento, Deus providenciou um sistema sacrificial pelo qual se fizesse expiação pelo pecado, mas este sistema sacrificial era apenas temporário e meramente enquanto se aguardava a vinda de Jesus Cristo, que morreria na cruz para fazer a expiação substituta e definitiva pelo pecado. 


 O Salvador que fora prometido no Velho Testamento é revelado de maneira mais completa no Novo Testamento, e a máxima expressão do amor de Deus, que foi enviar Seu filho Jesus Cristo, é revelada em toda a sua glória. Tanto o Velho quanto o Novo Testamento foram dados para fazer o homem “sábio para a salvação” (II Timóteo 3:15). Quando os estudamos mais de perto, o Velho e o Novo Testamento, torna-se mais evidente que Deus não é diferente entre um e outro.


DEUS É AMOR: O QUE ISTO SIGNIFICA

Pergunta: "Deus é amor: o que isto significa?"

Resposta:Deus é amor: o que isto significa? Primeiramente vamos observar como a Palavra de Deus, a Bíblia, descreve “amor”, e então veremos algumas maneiras de como isto se aplica a Deus. “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha...” (I Coríntios 13:4-8a).

Esta é a descrição de Deus para o amor. Isto é como Ele é, e os cristãos devem fazer disto sua meta (mesmo que sempre em processo). A maior expressão do amor de Deus é a nós comunicada em João 3:16 e Romanos 5:8: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê (em Jesus Cristo) não pereça, mas tenha a vida eterna.” “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.” Nestes versos podemos ver que o maior desejo de Deus é que nos juntemos a Ele em Seu lar eterno, o céu. Ele tornou isto possível pagando o preço por nossos pecados. Ele nos ama por sua própria escolha, um ato de Sua própria vontade. “Está comovido em mim o meu coração, as minhas compaixões a uma se acendem” (Oséias 11:8b). O amor perdoa. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (I João 1:9).

O amor (Deus) não Se impõe a ninguém. Os que vêm a Ele o fazem em resposta a Seu amor. O amor (Deus) demonstra bondade a todos. O amor (Jesus) andou espalhando o bem a todos, sem favoritismos. O amor (Jesus) não desejou o que pertencia a outros, vivendo uma vida humilde, sem reclamações. O amor (Jesus) não se vangloriou de quem Ele era em carne, mas poderia ter demonstrado força a qualquer um com quem teve contato. O amor (Deus) não impõe a obediência. Deus não exigiu a obediência de Seu Filho, mas ao invés disso, Jesus voluntariamente obedeceu a Seu Pai nos céus. “mas, assim como o Pai me ordenou, assim mesmo faço, para que o mundo saiba que eu amo o Pai.” (João 14:31). O amor (Jesus) sempre esteve e está cuidando dos interesses de outros.

Esta pequena descrição do amor revela uma vida sem interesses centrados em si mesmo, em contraste com a vida egoísta do homem natural. Surpreendentemente, através do Espírito Santo, Deus deu a capacidade de amar, como Ele ama, àqueles que recebem Seu Filho Jesus como seu Salvador pessoal de pecados (veja João 1:12; I João 3:1, 23,24). Que desafio e privilégio!



DEUS AINDA FALA A NÓS HOJE?

Pergunta: "Deus ainda fala a nós hoje?"

Resposta:Na Bíblia há muitos registros de Deus falando audivelmente às pessoas (Êxodo 3:14; Josué 1:1; Juízes 6:18; I Samuel 3:11; II Samuel 2:1, Jó 40:1; Isaías 7:3; Jeremias 1:7; Atos 8:26; 9:15 – só como um pequeno exemplo). Não há razão bíblica para que Deus não possa ou não vá falar audivelmente com alguém nos dias de hoje. Contudo não podemos esquecer que estas centenas de registros bíblicos de Deus falando refletem ocorrências espalhadas por 4000 anos da história da humanidade. Deus falando audivelmente a alguém é exceção, não regra. E mesmo nestes exemplos bíblicos registrados, nem sempre fica claro se realmente se tratava de uma voz audível, uma voz interior ou uma impressão mental.

Deus sim fala às pessoas nos dias de hoje. Primeiramente, Deus nos fala através de Sua Palavra (II Timóteo 3:16-17). Isaías 55:11 nos diz: “Assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” A Bíblia registra as palavras de Deus a nós em tudo o que precisamos saber para que sejamos salvos e vivamos a vida cristã. II Pedro 1:3-4 diz: “Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude; pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo”.

Em segundo lugar, Deus fala través de impressões, acontecimentos e pensamentos. Deus nos ajuda a discernir o certo do errado através de nossas consciências (I Timóteo 1:5; I Pedro 3:16). Deus usa o processo de moldar nossas mentes para pensarmos Seus pensamentos (Romanos 12:2). Deus permite que aconteçam coisas em nossas vidas com o objetivo de nos direcionar, transformar e ajudar, para que cresçamos espiritualmente (Tiago 1:2-5; Hebreus 12:5-11). I Pedro 1:6-7 nos lembra que: “Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo.”

Para finalizar, Deus pode às vezes falar audivelmente às pessoas. É altamente questionável, entretanto, que isto ocorra com tanta freqüência como dizem alguns. Mais uma vez digo: mesmo na Bíblia, Deus falando audivelmente é exceção, não o comum. Se alguém diz que Deus falou com ele, sempre compare isto com o que a Bíblia diz. Se Deus fosse falar hoje, suas palavras seriam totalmente de acordo com o que Ele disse na Bíblia. Deus não se contradiz. II Timóteo 3:16-17 diz: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.”



QUEM CRIOU DEUS? DE ONDE VEIO DEUS?

Pergunta: "Quem criou Deus? De onde veio Deus?"

Resposta:O ateísta Bertrand Russel escreveu em seu livro “Por que não sou um Cristão” que, se é verdade que todas as coisas precisam de uma causa, então Deus também precisa de uma causa. A partir daí ele concluiu que se Deus precisava de uma causa, então Deus não era Deus (e se Deus não é Deus, então, logicamente, não há Deus). Esta foi simplesmente uma forma um pouco mais sofisticada da pergunta infantil: “Quem criou Deus?” Até uma criança sabe que as coisas não surgem do nada, então se Deus é uma “coisa”, então Ele deve também deve ter uma causa, certo?

A pergunta é ardilosa porque escorrega na falsa suposição de que Deus vem de algum lugar e depois pergunta que lugar seria este. A resposta é que nem a própria pergunta tem sentido. É como se perguntássemos: “Como é o cheiro do azul?” Azul não está na categoria de coisas que têm cheiro, então a pergunta é, em si, errônea. Da mesma forma, Deus não se encontra na categoria de coisas que são criadas ou que vêm a existir, ou são causadas. Deus é “não-causado” e “não-criado”: Ele simplesmente existe.

Como sabemos disso? Bem, sabemos que do nada, nada pode surgir. Então, se alguma vez já houve um tempo em que não existia absolutamente nada, então nada jamais viria a existir. Mas as coisas existem. Por isso, uma vez que nunca pode ter havido o nada absoluto, alguma coisa deve ter sempre existido. Esta coisa que sempre existiu (Isaías 57:15) é o que chamamos Deus. Salmo 90:1-2 diz: "Senhor, tu tens sido o nosso refúgio, de geração em geração. Antes que os montes nascessem e se formassem a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus."



DEUS SE ARREPENDE?

Pergunta: "Deus se arrepende?"

Resposta:Malaquias 3:6 declara: "Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos." Semelhantemente, Tiago 1:17 noz diz: "Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança." O significado de Números 23:19 não podia ser mais claro: "Deus não é homem, para que minta, nem filho do homem, para que se arrependa. Porventura, tendo ele prometido, não o fará? ou tendo falado, não o cumprirá?" Não, Deus não se arrepende. Esses versículos ensinam que Deus não muda, ou seja, Ele é imutável.

No entanto, ao estudar essas passagens de perto, podemos ver que não são indicações de que Deus seja capaz de se arrepender. Na linguagem original, a palavra traduzida como “arrepender” é a expressão hebraica para “entristecer”. Estar triste com alguma coisa não significa que uma mudança ocorreu, significa apenas que há tristeza por causa de algo que aconteceu.

Por que Deus estava “triste” com o que tinha planejado para o ninivitas? Porque eles tiveram uma mudança de coração e, como resultado, mudaram a forma em que estavam vivendo de desobediência à obediência. Deus é sempre consistente. Ele ia julgar Nínive por causa de sua maldade. No entanto, Nínive se arrependeu e mudou seus caminhos. Como resultado, Deus teve misericórdia com a cidade de Nínive, e isso é totalmente consistente com o Seu caráter.

No entanto, o povo de Nínive passou a obedecer, e por causa disso o Senhor escolheu não castigá-los como tinha originalmente planejado. A mudança por parte dos ninivitas obrigou a Deus a fazer o que fez? Claro que não! Deus não pode ser colocado em uma posição na qual tenha qualquer obrigação para com o homem. Deus é bom e justo, e escolheu não punir os ninivitas como resultado da mudança do coração desse povo. Qualquer coisa, o que essa passagem realmente ensina é que Deus não muda, porque se Deus não tivesse preservado os ninivitas, isso teria sido contra o Seu caráter.

As Escrituras que aparentam ensinar que Deus se “arrependeu” são tentativas humanas de explicar as ações de Deus. Deus ia fazer algo, mas ao invés, fez outra coisa. Para nós, isso pode parecer uma mudança. Entretanto, para Deus, o qual é onisciente e soberano, não é uma mudança. Deus sempre soube de antemão o que iria fazer. Deus também sabia o que precisava fazer para que a humanidade agisse do jeito que Ele queria. Deus ameaçou Nínive com destruição, sabendo que isso traria arrependimento a esse povo. Deus ameaçou Israel com destruição, sabendo que Moisés iria interceder. Deus não lamenta as Suas decisões, mas é entristecido por como a humanidade reage a elas. Deus não se arrepende, mas ao invés, age consistentemente com Sua palavra em resposta a nossas ações.



DEUS AMA A TODOS OU SÓ AOS CRISTÃOS?

Pergunta: "Deus ama a todos ou só aos Cristãos?"

Resposta:De uma certa forma, Deus ama todos do mundo inteiro (João 3:16; 1 João 2:2; Romanos 5:8). Esse amor não é condicional – é baseado apenas no fato de que Deus é um Deus de amor (1 João 4:8,16). O amor de Deus por toda a humanidade resulta no fato de que Deus demonstra a Sua misericórdia por não punir as pessoas por seus pecados imediatamente (Romanos 3:23; 6:23). Se Deus não amasse todos, estaríamos no inferno agora mesmo. O amor de Deus pelo mundo é manifestado em que Ele dá às pessoas a oportunidade de arrependimento (2 Pedro 3:9). No entanto, o amor de Deus pelo mundo não significa que Ele vai ignorar o pecado. Deus também é um Deus de justiça (2 Tessalonicenses 1:6). O pecado não pode deixar de ser punido eternamente (Romanos 3:25-26).

O ato mais amoroso da eternidade é descrito em Romanos 5:8: "Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores." Aquele que ignora o amor de Deus, que rejeita Cristo como Salvador e que nega o Salvador que o comprou (2 Pedro 2:1) vai estar sujeito à ira de Deus por toda a eternidade (Romanos 1:18), não ao Seu amor (Romanos 6:23). Deus ama todos incondicionalmente, pois Ele demonstra-lhes misericórdia por não destruí-los imediatamente por causa do seu pecado. Ao mesmo tempo, Deus tem um “amor de aliança” pelos que colocam a sua fé em Jesus Cristo para obter a salvação (João 3:36). Apenas aqueles que acreditam em Jesus Cristo como Senhor e Salvador experimentarão do amor de Deus por toda a eternidade.

Deus ama todos? Sim. Deus ama os Cristãos mais do que os descrentes? Não. Deus ama os crentes de uma forma diferente dos descrentes? Sim. Deus ama todos igualmente por ser misericordioso com todo mundo. Deus ama apenas os Cristãos no sentido de que apenas os Cristãos têm a Sua graça e misericórdia eternas, assim como a promessa do Seu amor eterno no Céu. O amor incondicional que Deus tem por cada um deve levar-nos à fé nEle, recebendo com gratidão o grande amor condicional concedido aos que receberem Jesus Cristo como Salvador.



DEUS AINDA EXECUTA MILAGRES? POR QUE DEUS NÃO EXECUTA MAIS MILAGRES COMO NOS TEMPOS DA BÍBLIA?

Pergunta: "Deus ainda executa milagres? Por que Deus não executa mais milagres como nos tempos da Bíblia?"

Resposta:Quando Deus executou milagres poderosos e impressionantes para os Israelitas, será que foi suficiente para eles O obedecerem? Não, os Israelitas constantemente desobedeceram e se rebelaram contra Deus, apesar de todos os milagres que tinham visto. O mesmo povo que viu Deus partir o Mar Vermelho veio a duvidar da capacidade de Deus de conquistar os habitantes da Terra Prometida. Leia a parábola em Lucas 16:19-31. Nessa passagem, o homem no inferno pede a Abraão para mandar Lázaro dentre os mortos para admoestar os seus cinco irmãos. Abraão disse ao homem: "Se não ouvem a Moisés e aos Profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos" (Lucas 16:31).

Jesus executou inúmeros milagres, mesmo assim a grande maioria das pessoas não acreditaram nEle. Se Deus fizesse milagres hoje como fez no passado, o mesmo resultado aconteceria. As pessoas estariam impressionadas e acreditariam em Deus por um curto período de tempo. Aquela fé seria superficial e desapareceria no instante em que alguma coisa inesperada ou assustadora acontecesse. Uma fé baseada em milagres não é uma fé madura. Deus fez o maior milagre de todos os tempos quando veio ao mundo como o Homem Jesus Cristo, para morrer por nossos pecados (Romanos 5:8) e para que assim pudéssemos ser salvos (João 3:16). Deus ainda executa milagres – muitos dos quais passam por despercebidos ou são negados. No entanto, não precisamos de mais milagres. O que precisamos é acreditar no milagre da salvação através de fé em Jesus Cristo.

Um outro ponto importante para entendermos é o fato de que o propósito de milagres foi para autenticar aquele que estavam fazendo o milagre. Atos 2:22 declara: "Varões israelitas, atendei a estas palavras: Jesus, o Nazareno, varão aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dele entre vós, como vós mesmos sabeis." O mesmo é dito dos apóstolos: "Pois as credenciais do apostolado foram apresentadas no meio de vós, com toda a persistência, por sinais, prodígios e poderes miraculosos" (2 Coríntios 12:12). 


 Ao falar do Evangelho, Hebreus 2:4 proclama: "dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres e por distribuições do Espírito Santo, segundo a sua vontade". Agora temos a verdade de Jesus gravada nas Sagradas Escrituras. Agora temos os escritos dos Apóstolos gravados na Bíblia. Jesus e Seus apóstolos, como dizem as Escrituras, são a pedra angular e a fundação da nossa fé (Efésios 2:20). Nesse sentido, milagres não são mais necessários, já que a mensagem de Jesus e Seus apóstolos já foi confirmada e perfeitamente gravada nas Escrituras. Sim, Deus ainda executa milagres. Ao mesmo tempo, não devemos esperar que milagres aconteçam hoje da mesma forma que aconteceram nos tempos Bíblicos.


POR QUE DEUS PERMITE DESASTRES NATURAIS, TAIS COMO TERREMOTOS, CICLONES E TSUNAMIS? 

Pergunta: "Por que Deus permite desastres naturais, tais como terremotos, ciclones e tsunamis?"

Resposta:Por que Deus permite terremotos, tornados, ciclones, tsunamis, furacões, deslizamentos e outros desastres naturais? O tsunami no final de 2004 foi uma tragédia na Ásia, o furacão Katrina em 2005 na região sudeste dos EUA e os deslizamentos de 2006 nas Filipinas fizeram com que muitas pessoas questionassem a bondade de Deus. É agoniante quando pessoas se referem a desastres naturais como "atos de Deus" quando nenhum "crédito" é dado a Deus por anos, décadas e até mesmo séculos de clima pacífico. Deus criou o universo e as leis da natureza (Gênesis 1:1). A maioria dos desastres naturais são o resultado dessas leis funcionando. Ciclones, furacões e tornados são resultados de leis do estado atmosférico que são divergentes e colidem. Terremotos são o resultado da estrutura da base da terra se deslocando. Um tsunami é causado por um terremoto debaixo d’água.

A Bíblia proclama que tudo subsiste em Jesus Cristo (Colossenses 1:16-17). Deus pode prevenir desastres naturais? Com certeza! Deus às vezes influencia o clima? Sim, veja Deuteronômio 11:17 e Tiago 5:17. Será que Deus às vezes causa desastres naturais como julgamento contra o pecado? Sim, veja Números 16:30-34. O livro de Apocalipse descreve muitos eventos que com certeza poderiam ser descritos como desastres naturais (Apocalipse capítulos 6,8 e 16). Será que todo desastre natural é uma punição de Deus? Absolutamente não!

Da mesma forma que Deus permite que pessoas más cometam atos de maldade, Deus permite que a terra demonstre as consequências do pecado sobre a Criação. Romanos 8:19-21 diz: “A ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus. Pois a criação está sujeita à vaidade, não voluntariamente, mas por causa daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria criação será redimida do cativeiro da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus.” A Queda da humanidade em pecado afetou tudo, incluindo o universo onde habitamos. Tudo na criação está sujeito à “vaidade” e “corrupção”. O pecado é a causa principal para os desastres naturais, da mesma forma que é a causa principal para a morte, doenças e sofrimento.

Podemos entender por que as catástrofes naturais ocorrem. O que não entendemos é por que Deus permite que ocorram. Por que Deus permitiu que o tsunami matasse mais de 225.000 pessoas na Ásia? Por que Deus permitiu que o furacão Katrina destruísse as casas de centenas de milhares de pessoas? Por um lado, esses eventos abalam a nossa confiança na vida e nos obrigam a pensar sobre a eternidade. As igrejas são normalmente preenchidas depois de desastres quando as pessoas percebem quão frágeis suas vidas realmente são e como a vida pode ser tirada em um instante. O que podemos saber é que... Deus é bom! Há tantos milagres surpreendentes que acontecem ao mesmo tempo dos desastres naturais – prevenindo uma quantidade ainda maior de mortes. Desastres naturais causam milhares de pessoas a reavaliarem as suas prioridades na vida. Centenas de milhões de dólares em ajuda são enviados para as pessoas que estão sofrendo. Os ministérios Cristãos têm a oportunidade de ajudar, ministrar, aconselhar, orar – e levar pessoas a terem fé em Cristo! Deus pode trazer – e assim o faz – coisas boas dessas terríveis tragédias (Romanos 8:28).



SÃO DEUS E A BÍBLIA SEXISTAS?

Pergunta: "São Deus e a Bíblia sexistas?"

Resposta:Sexismo é quando um gênero, geralmente o masculino, tem domínio sobre o outro gênero, geralmente o feminino. A Bíblia contém muitas referências a mulheres que, na mente moderna, podem parecer discriminatórias contra as mulheres. Será que isso significa que Deus, e consequentemente a Bíblia, é sexista? Precisamos lembrar que quando a Bíblia descreve uma ação não significa necessariamente que esteja apoiando essa mesma ação. A Bíblia descreve homens tratando mulheres como propriedade, mas isso não significa que a Bíblia esteja indicando aprovação dessa ação. Mesmo nos exemplos quando a Bíblia está dando um comando em relação ao tratamento das mulheres, não é necessariamente uma indicação do padrão ideal de Deus. A Bíblia se focaliza muito mais em transformar almas do que com a nossa sociedade. Deus sabe que um coração transformado resulta em comportamento transformado.

Durante o Velho Testamento, o mundo inteiro tinha uma sociedade patriarcal. Esse fato durante a história é muito claro – não só nas Escrituras, mas também nas regras sociais que governavam a maioria das sociedades no mundo. De acordo com o sistema de valores moderno e com o ponto de vista humano secular, isso é chamado "sexista". Deus, e não o homem, foi quem ordenou a ordem na sociedade e Ele é o autor da instituição dos princípios de autoridade. No entanto, como tudo mais, o homem pecador tem corrompido essa ordem. Isso tem resultado na desigualdade de comportamento dos homens sobre as mulheres durante toda a história. A exclusão e a discriminação que achamos no nosso mundo não são novas. 


É o resultado da Queda do homem e da entrada do pecado na humanidade. Portanto, podemos dizer com certeza que o termo e a prática de “sexismo” são resultado – e um produto – do pecado. A revelação progressiva da Bíblia nos leva à cura do sexismo, assim como à cura de todas as práticas pecaminosas da raça humana.

Para achar e manter um equilíbrio espiritual entre as posições de autoridade dadas por Deus, precisamos estudar as Escrituras. O Novo Testamento é o cumprimento do Velho, e nele achamos os princípios que nos mostram a linha de autoridade correta e a cura para o pecado, o mal de toda a humanidade, e isso inclui discriminação por causa de gênero.

A cruz de Cristo é o melhor equilibrador que já existiu. João 3:16 diz: "todo o que nele" e esse é um relato que inclui a todos, não deixando ninguém de fora por causa de sua posição na sociedade, de sua capacidade mental ou gênero. Também achamos uma passagem no livro de Gálatas que garante oportunidade igual para salvação tanto do homem como da mulher. "Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (Gálatas 3:26-28). Não há sexismo na cruz.

A Bíblia não é sexista. Por quê? Porque retrata os resultados do pecado com exatidão. A Bíblia recorda todos os tipos de pecado: escravidão e cativeiro e as falhas de seus maiores heróis. Ao mesmo tempo, a Bíblia nos dá a resposta e a cura para esses pecados contra Deus e a ordem que Ele estabeleceu. Qual a resposta? Um relacionamento com Deus. O Velho Testamento aguardava ansiosamente o sacrifício supremo e cada sacrifício feito por causa do pecado mostrava a necessidade de reconciliação com Deus. No Novo Testamento, o "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" nasceu, morreu, foi enterrado, ressuscitou e depois subiu ao Céu, e lá intercede por nós. É através de fé nEle que a cura para o pecado é encontrada, incluindo o pecado de sexismo.

A acusação de sexismo na Bíblia é baseada na falta de entendimento das Sagradas Escrituras. Quando homens e mulheres de todas as idades aceitaram os papéis que Deus designou e viveram suas vidas de acordo com "Assim diz o SENHOR", havia um maravilhoso equilíbrio entre os gêneros. Foi com esse equilíbrio que Deus começou, e é com esse equilíbrio que Ele vai terminar. Muitas pessoas prestam atenção de forma exagerada aos vários produtos do pecado e não à raiz de onde o pecado se origina. Apenas quando há uma reconciliação pessoal com Deus através do SENHOR Jesus Cristo é que achamos verdadeira igualdade. "e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará" (João 8:32).

Também é muito importante entender que não é sexismo quando a Bíblia descreve os diferentes papéis dos homens e das mulheres. A Bíblia deixa bastante claro que Ele espera que os homens assumam o cargo de liderança na igreja e no lar. Isso faz da mulher inferior? Claro que não! Isso significa que as mulheres são menos inteligentes, menos capazes ou inferiores aos olhos de Deus? Claro que não! O que significa é que no nosso mundo manchado pelo pecado, precisa haver estrutura e autoridade. Deus instituiu o cargo de autoridade para o nosso bem. Sexismo é o abuso desse cargo.... não a existência do mesmo.



DEUS ESCUTA / RESPONDE ÀS ORAÇÕES DE UM PECADOR / DESCRENTE?

Pergunta: "Deus escuta/responde às orações de um pecador/descrente?"

Resposta:João 9:31 declara: "Sabemos que Deus não atende a pecadores; mas, pelo contrário, se alguém teme a Deus e pratica a sua vontade, a este atende." Também tem sido dito que "a única oração que Deus escuta de um pecador é a oração para salvação". Como resultado dessa passagem, alguns acreditam que Deus não escuta e/ou nunca vai responder às orações de um descrente. No entanto, no contexto, esse verso está dizendo que Deus não executa milagres através de um descrente. As passagens a seguir descrevem Deus escutando e respondendo às orações de um descrente. 1 João 5:14-15 nos diz que Deus responde a orações quando forem feitas de acordo com a Sua vontade. Esse princípio talvez se aplique a descrentes. Se um descrente fizer uma oração de acordo com a vontade Deus, nada impede que Deus responda a tal oração – de acordo com a Sua vontade.

Ao examinar as passagens a seguir, podemos ver que na maioria dos casos oração estava envolvida. Em um ou dois casos, Deus respondeu ao clamor do coração (não é claro se esse clamor foi direcionado a Deus). Em outros casos, a oração aparentava ser relacionada a arrependimento. Já em outros casos, a oração era simplesmente por uma necessidade ou benção terrena; e Deus respondeu ou por compaixão, ou em resposta à procura genuína ou fé da pessoa. Aqui são algumas passagens que lidam com a oração de um descrente:

O povo de Nínive orou para que fosse poupada (Jonas 3:5-10). Deus respondeu a esta oração e não destruiu a cidade de Nínive como tinha ameaçado.

Agar pediu a Deus que protegesse o seu filho Ismael (Gênesis 21:14-19). Deus não apenas protegeu Ismael, mas o abençoou muito.

Em 1 Reis 21:17-29, especialmente os versículos 27-29, Acabe jejua e lamenta pela profecia de Elias sobre a sua posteridade. Deus responde por não ter trazido a calamidade durante o tempo de Acabe.

A mulher gentia da região de Tiro e Sidom orou para que Jesus livrasse a sua filha de um demônio (Marcos 7:24-30). Jesus de fato expulsou o demônio dela.

O Apóstolo Pedro foi enviado em resposta a Cornélio, o centurião romano em Atos 10, ser um homem justo. Atos 10:2 diz-nos que Cornélio "orava continuamente a Deus".

Deus faz promessas que são aplicáveis a todos (crentes e descrentes), como Jeremias 29:13: "Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração." Esse foi o caso de Cornélio em Atos 10:1-6. No entanto, há várias promessas que, de acordo com o contexto, são apenas para os crentes. Porque os Cristãos têm recebido a Cristo, somos encorajados a nos achegar confiadamente junto ao trono da graça, a fim de recebermos graça para socorro em ocasião oportuna (Hebreus 4:14-16). A Bíblia nos diz que quando pedimos a Deus por qualquer coisa de acordo com a Sua vontade, Ele nos escuta e nos dá o que pedimos (1 João 5:14-15). Há várias outras promessas para os crentes em relação à oração também (Mateus 21:22; João 14:13; João 15:7). Então, sim, há casos quando Deus não responde às orações de um descrente. Ao mesmo tempo, por Sua graça e misericórdia, Deus pode intervir nas vidas dos descrentes em resposta a suas orações.



O MONOTEÍSMO PODE SER PROVADO?

Pergunta: "O monoteísmo pode ser provado?"

Resposta:A palavra “monoteísmo” vem de duas palavras: “mono” (um) e “theism” (crença em Deus). Especificamente, é a crença que apenas um só Deus é o criador, sustentador e juiz de toda a criação. O monoteísmo difere do henoteísmo, o qual é a crença em vários deuses com um Deus supremo acima deles. Também se opõe ao politeísmo, o qual é a crença na existência de mais de um deus.

Há vários argumentos para o monoteísmo, incluindo a revelação especial (Sagradas Escrituras), a revelação natural (filosofia) e a antropologia histórica. Esses tipos de revelação serão explicados brevemente na lista abaixo, mas essa lista não deve ser considerada completa de forma alguma.

Argumentos Bíblicos para o Monoteísmo - Deuteronômio 4:35: "A ti te foi mostrado para que soubesses que o SENHOR é Deus; nenhum outro há senão ele." Deuteronômio 6:4: "Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR." Malaquias 2:10 a: "Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus?" 1 Coríntios 8:6: "Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele." Efésios 4:6: "Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós." 1 Timóteo 2:5: "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." Tiago 2:19: "Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem."

Obviamente, para muitas pessoas, não seria suficiente afirmar que exista apenas um Deus porque é o que a Bíblia ensina. Isso se dá ao fato de que sem Deus não há como provar que a Bíblia seja a Sua Palavra! No entanto, alguém pode argumentar que, já que a Bíblia tem a mais confiável evidência supernatural que confirma o que ensina, o monoteísmo pode ser provado baseado neste fato. As crenças e ensinamentos de Jesus Cristo seriam um argumento parecido, pois Jesus provou ser Deus (ou pelo menos aprovado por Deus) através do Seu nascimento e vida milagrosos, assim como através do milagre da Sua ressurreição. Deus não pode mentir ou estar enganado; portanto, aquilo em que Jesus acreditava e o que Ele ensinava era verdade. Sendo assim, podemos concluir que o monoteísmo, o qual era uma doutrina ensinada por Jesus, seja verdade. Esse argumento talvez não seja muito impressionante às pessoas que não têm conhecimento das confirmações supernaturais da Escritura e Cristo, mas pode ser um bom começo aos que conhecem a sua veracidade.

Argumentos Históricos para o Monoteísmo - Os argumentos baseados na popularidade são notoriamente suspeitos, mas é interessante observar como o monoteísmo tem afetado outras religiões mundiais. A teoria popular evolutiva do desenvolvimento religioso é um resultado da opinião evolutiva da realidade em geral e da pressuposição antropológica evolucionária que enxerga culturas “primitivas” como representantes de estágios anteriores de desenvolvimento religioso. Entretanto, os problemas com essa teoria evolucionária são vários: (1) O tipo de desenvolvimento que supostamente descreve nunca foi observado – na verdade, não aparenta existir em nenhuma cultura qualquer tipo de desenvolvimento ascendente ao monoteísmo – o contrário é o que aparenta ser o caso. (2) A definição do método antropológico de “primitivo” se iguala ao desenvolvimento tecnológico, e isso dificilmente seria um critério satisfatório, já que há tantos componentes em qualquer determinada cultura. (3) Os supostos estágios estão faltando com frequência ou são completamente ignorados. (4) Finalmente, a maioria das culturas politeístas mostram vestígios de monoteísmo nos primeiros estágios do seu desenvolvimento.

O que encontramos é um Deus monoteísta pessoal e masculino que mora no céu, tem grande poder e conhecimento, criou o mundo, é o autor da moralidade à qual prestaremos contas; vemos também que temos na verdade desobedecido a Ele e que somos, como resultado, dEle alienados, mas também recebedores de uma uma forma de reconciliação. Quase toda religião apresenta uma certa variação desse Deus em algum ponto do seu passado antes de se desenvolver no grande caos do politeísmo. 


 Portanto, parece ser o caso que a maioria das religiões começou com monoteísmo e se “desenvolveu” até o politeísmo, animismo e mágica – não o contrário (O Islamismo é um caso muito raro, havendo regressado ao ponto de partida de uma crença monoteísta). Até com esse movimento, o politeísmo é muitas vezes funcionalmente monoteísta ou henoteísta. É raro encontrar uma religião politeísta que não tenha um de seus deuses exercendo soberania sobre todos os outros, com os deuses inferiores apenas agindo como intermediários.

Argumentos Filosóficos e Teológicos para o Monoteísmo – Há vários argumentos filosóficos para a impossibilidade da existência de mais de um Deus. Muitos desses argumentos dependem bastante da posição metafísica de alguém em relação à natureza da realidade. Infelizmente, em um artigo tão curto como este, seria impossível defender essas posições metafísicas básicas para então mostrar o que elas ensinam em relação ao monoteísmo, mas fique certo de que há fortes bases teológicas e filosóficas para essas verdades que datam de milênios atrás (e a maioria é bem evidente). Em resumo, então, temos três argumentos que alguém pode escolher investigar (listados em certa ordem de dificuldade):

1. Se mais de um Deus existisse, então o universo estaria em total desordem por causa de múltiplos criadores e autoridades, mas não está em desordem; portanto, há apenas um Deus.

2. Já que Deus é um ser completamente perfeito, então não pode existir um segundo Deus, pois eles teriam que ser diferentes de alguma forma, e ser diferente de perfeição completa é ser menos que perfeito e não Deus.

3. Já que Deus é infinito em Sua existência, então Ele não pode ter partes (pois partes não podem ser adicionadas para alcançar o infinito). Se a existência de Deus não for apenas uma parte dEle (com é o caso de todas as coisas, quer existam ou não), então Ele tem que ter uma existência infinita. Portanto, não pode haver dois seres infinitos, pois um teria que ser diferente do outro, e ser diferente da existência infinita é não existir de forma alguma.

Alguém pode querer argumentar que muitos desses argumentos não excluiriam uma sub-classe de “deuses”, e isso é aceitável. Apesar de sabermos que isso não é verdade biblicamente falando, não há nada de errado com esse pensamento em teoria. Em outras palavras, Deus poderia ter criado uma sub-classe de “deuses”, mas a verdade é que Ele não fez assim. Se tivesse, esses “deuses” seriam seres criados e com limites, provavelmente como os anjos (veja Salmo 82). Isso não é um argumento contra o monoteísmo - o qual não defende que não possa haver outros seres espirituais – apenas que não pode existir mais de um Deus.



É ERRADO QUESTIONAR A DEUS?

Pergunta: "É errado questionar a Deus?"

Resposta:O problema aqui não é se devemos questionar a Deus ou não, mas sim como – e por qual razão – nós O questionamos. Questionar a Deus não é errado em si mesmo. O profeta Habacuque fez perguntas a Deus sobre o momento e a ação do Seu plano. Habacuque, ao invés de ser repreendido por suas perguntas, recebeu respostas de um Senhor paciente e o profeta termina o seu livro com uma canção de louvor a Deus. Muitas perguntas são feitas a Deus na forma de Salmos (Salmos 10, 44, 74, 77). Esses são o clamor dos perseguidos, os que estão desesperados pela intervenção e salvação divinas. Embora Deus nem sempre responda às nossas orações do jeito que queremos, podemos concluir dessas passagens que uma pergunta sincera de um coração sério e cuidadoso é bem-vinda diante de Deus.

Perguntas não sinceras, ou perguntas feitas de um coração hipócrita, já são um outro assunto. “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Depois do Rei Saul desobedecer a Deus, suas perguntas ficaram sem respostas (1 Samuel 28:6). É completamente diferente desejar saber por que Deus permitiu um certo evento e duvidar da bondade de Deus. Ter perguntas é diferente de questionar a soberania de Deus e atacar o Seu caráter. Em resumo, uma pergunta honesta não é pecado, mas um coração amargo, desconfiado e rebelde sim. Deus não se intimida com nossas perguntas. Deus nos convida a participar de comunhão íntima com Ele. Quando "questionamos a Deus", devemos fazê-lo com um espírito humilde e mente aberta. Podemos questionar a Deus, mas não devemos esperar uma resposta a menos que estejamos realmente interessados em Sua resposta. Deus conhece nossos corações e sabe se estamos genuinamente buscando dEle algum esclarecimento ou não. A atitude do nosso coração é o que determina se é certo ou errado questionar a Deus.



ALGUÉM JÁ VIU A DEUS?

Pergunta: "Alguém já viu a Deus?"

Resposta:A Bíblia nos diz que ninguém jamais viu a Deus (João 1:18), exceto o Senhor Jesus Cristo. Em Êxodo 33:20, Deus declara: "Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá." Essas passagens aparentam contradizer outras passagens que descrevem várias pessoas "vendo" a Deus. Por exemplo, Êxodo 33:19-23 descreve Moisés falando com Deus "face a face". Como Moisés pôde falar com Deus "face a face" se ninguém pode ver a face de Deus e viver? Nesse exemplo, a frase "face a face" é uma figura de linguagem que indica que eles tiveram comunhão bem próxima. Deus e Moisés estavam falando um com o outro como se fossem dois seres humanos tendo uma conversa íntima.

Em Gênesis 32:30, Jacó viu a Deus aparecendo como um anjo – Ele não viu a Deus realmente. Os pais de Sansão ficaram atemorizados quando perceberam que tinham visto a Deus (Juízes 13:22), mas na verdade O tinham visto apenas como um anjo. Jesus era Deus em carne (João 1:1,14); quando as pessoas O viram, estavam vendo a Deus. Então, sim, Deus pode ser "visto" e muitas pessoas têm "visto" a Deus. Ao mesmo tempo, ninguém tem visto a Deus revelado em toda a Sua glória. Na nossa condição humana de pecado, se Deus fosse totalmente se revelar para nós, seríamos consumidos. Portanto, Deus se transforma e aparece em formas nas quais possamos "vê-lo". No entanto, isso é diferente de ver a Deus com toda a Sua glória e santidade exibidas. Pessoas têm visto visões de Deus, imagens de Deus e aparecimentos de Deus – mas ninguém tem visto a Deus em toda a sua plenitude (Êxodo 33:20).



COMO DEVO ENTENDER O CONCEITO DE DEUS PAI?

Pergunta: "Como devo entender o conceito de Deus Pai?"

Resposta:“Vejam como é grande o amor que o Pai nos concedeu: que fôssemos chamados filhos de Deus, o que de fato somos! Por isso o mundo não nos conhece, porque não o conheceu” (1 João 3:1). Esta passagem começa com um comando: "Vejam". João quer que observemos as manifestações do amor do Pai. Ele introduziu o tema do amor de Deus no capítulo anterior (1 João 2:5, 15), discute-o brevemente aqui e explica-o detalhadamente no quarto capítulo. O propósito de João é descrever o tipo de amor que o Pai dá aos Seus filhos: "como é grande o amor." A palavra grega traduzida em "como é grande" é encontrada somente seis vezes no Novo Testamento e sempre implica espanto e admiração.

O que é interessante notar aqui é que João não diz: "O Pai nos ama". Ao fazer isso, ele estaria descrevendo uma condição. Em vez disso, ele nos diz que o Pai "derramou" o Seu amor em nós e isso, por sua vez, retrata uma ação e a medida do amor de Deus. Também é interessante notar que João escolheu a palavra "Pai" de propósito. Essa palavra implica a relação pai-filho. No entanto, Deus não se tornou pai ao adotar-nos como filhos. A paternidade de Deus é eterna. Ele é eternamente o Pai de Jesus Cristo, e através de Jesus é o nosso Pai. Através de Jesus recebemos o amor do Pai e somos chamados de "filhos de Deus".

Que honra saber que Deus nos chama de Seus filhos e nos dá a certeza de que, como Seus filhos, somos herdeiros e co-herdeiros com Cristo (Romanos 8:17). Em seu Evangelho, João também nos diz que Deus dá o direito de se tornarem filhos de Deus a todos os que em fé recebem Cristo como o Senhor e Salvador (João 1:12). Deus estende Seu amor ao Seu Filho Jesus Cristo e, através dele, a todos os Seus filhos adotivos.

Então, quando João nos diz: "isso é o que somos!", ele declara a realidade da nossa posição em Cristo. Agora, neste exato momento, somos Seus filhos. Em outras palavras, esta não é uma promessa que Deus cumprirá no futuro. Não, a verdade é que já somos filhos de Deus. Desfrutamos de todos os direitos e privilégios acarretados pelo nosso conhecimento de Deus como o nosso Pai. Por sermos Seus filhos, experimentamos do Seu amor. Por sermos Seus filhos, reconhecemo-lo como o nosso Pai, pois temos um conhecimento experiencial de Deus. Colocamos a nossa confiança e fé naquele que nos ama, cuida de nossas necessidades e nos protege assim como nossos pais terrenos devem fazer. Assim também como os pais terrenos devem fazer, Deus disciplina os Seus filhos quando desobedecem ou ignoram os Seus mandamentos. Ele faz isso para o nosso bem, "para que participemos da sua santidade" (Hebreus 12:10).

As Escrituras descrevem de muitas maneiras aqueles que amam e obedecem a Deus. Somos herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Romanos 8:17), somos sacerdotes santos (1 Pedro 2:5), somos novas criaturas (2 Coríntios 5:17) e somos participantes da natureza divina (2 Pedro 1:4). Entretanto, mais do que qualquer uma das descrições acima - mais importante do que qualquer título ou cargo - é o simples fato de que somos filhos de Deus e que Ele é o nosso Pai celestial.



O QUE É A GLÓRIA DE DEUS?

Pergunta: "O que é a glória de Deus?"

Resposta:A glória de Deus é a beleza do Seu espírito. Não é uma beleza estética ou material, mas é a beleza que emana do Seu caráter, de tudo o que Ele é. Tiago 1:10 convida um homem rico a "orgulhar-se se passar a viver em condição humilde", indicando uma glória que não significa riqueza, poder ou beleza material. Esta glória pode coroar o homem ou encher a terra. É vista dentro do homem e na terra, mas não pertence a eles, só a Deus. A glória do homem é a beleza do espírito do homem, a qual é falível e passageira, sendo assim humilhante, como nos diz o versículo. Entretanto, a glória de Deus, manifesta através do conjunto dos Seus atributos, nunca passa. É eterna.

Isaías 43:7 diz que Deus nos criou para a Sua glória. Em contexto com os outros versículos, pode-se dizer que o homem "glorifica" a Deus porque através do homem a glória de Deus pode ser vista em coisas como o amor, música, heroísmo e assim por diante -- coisas pertencentes a Deus que carregamos em "vasos de barro" (2 Coríntios 4:7). Somos os vasos que "contêm" a Sua glória. Todas as coisas que somos capazes de fazer e ser encontram a sua fonte nEle. Deus interage com a natureza da mesma maneira. A natureza exibe a Sua glória. Sua glória é revelada à mente do homem através do mundo material de muitas formas, e muitas vezes de formas diferentes para pessoas diferentes. Uma pessoa pode maravilhar-se com a visão das montanhas, enquanto outra talvez ame a beleza do mar. Entretanto, aquilo que está por trás de ambas (a glória de Deus) fala com as pessoas e as conecta com Deus. Desta forma, Deus é capaz de Se revelar a todos os homens, independente de sua raça, patrimônio ou localização. Como o Salmo 19:1-4 diz: "Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das suas mãos. Um dia fala disso a outro dia; uma noite o revela a outra noite. Sem discurso nem palavras, não se ouve a sua voz. Mas a sua voz ressoa por toda a terra, e as suas palavras, até os confins do mundo."

Salmo 73:24 chama o próprio céu de "glória". Costumava ser comum ouvir os Cristãos falarem da morte como sendo "recebido na glória", a qual é uma frase tirada deste Salmo. Quando o Cristão morre, ele será levado à presença de Deus e na Sua presença será naturalmente cercado pela glória de Deus. Seremos levados ao lugar onde a beleza de Deus literalmente habita - a beleza de Seu Espírito estará lá porque Ele estará lá. Novamente, a beleza de Seu Espírito (ou a essência de quem Ele é) é a Sua "glória". Naquele lugar, a Sua glória não precisará vir através do homem ou da natureza, ao invés, será vista claramente, assim como 1 Coríntios 13:12 diz: "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido."

No sentido humano/terreno, a glória é uma beleza ou vibração que repousa sobre o material da terra (Salmo 37:20, Salmo 49:17) e, nesse sentido, é passageira. Entretanto, a razão do seu desvanecimento é que as coisas materiais não são duradouras. Elas morrem e secam, mas a glória que se encontra nelas pertence a Deus e retorna a Ele quando a morte ou deterioração leva o material. Pense no homem rico mencionado anteriormente. O verso diz: "E o rico deve orgulhar-se se passar a viver em condição humilde, porque passará como a flor do campo." O que isso significa? O versículo está advertindo o homem rico a perceber que a sua riqueza, poder e beleza vêm de Deus, e a humilhar-se ao dar-se conta de que Deus é quem faz dele o que é e quem dá-lhe tudo o que tem. Além disso, estar consciente de que perecerá como a erva é o que vai levá-lo a perceber que a glória vem de Deus. A glória de Deus é a fonte, o manancial de onde emanam todas as pequenas glórias.

Já que a glória procede de Deus, Ele não permitirá a afirmação de que a glória seja proveniente do homem, dos ídolos do homem ou da natureza. Em Isaías 42:8, vemos um exemplo do ciúme de Deus por Sua glória. Este ciúme por Sua própria glória é o que Paulo menciona em Romanos 1:21-25 quando fala de formas em que as pessoas adoram a criatura ao invés do Criador. Em outras palavras, observam o objeto através do qual a glória de Deus procede e, em vez de dar a Deus o crédito por isso, adoram aquele animal, árvore ou homem como se a beleza que possuem tivesse se originado de dentro deles. Este é o coração da idolatria e é uma ocorrência muito comum. Todo aquele que tem vivido já cometeu esse erro em um momento ou outro. Todos já "trocamos" a glória de Deus em favor da "glória do homem".

Esse é o erro que muitas pessoas continuam a cometer: confiar nas coisas terrenas, relacionamentos terrenos, em seus próprios poderes, talentos ou beleza, ou na bondade que vêem em outras pessoas. Entretanto, quando estas coisas desaparecem e falham, como inevitavelmente acontecerá (sendo apenas portadores temporários da maior glória), essas pessoas entram em desespero. O que precisamos compreender é que a glória de Deus é constante e, ao viajarmos através da vida, poderemos vê-la manifestada aqui e ali, nessa pessoa ou naquela floresta, ou em uma história de amor ou de heroísmo, fictícia ou não, ou em nossas próprias vidas pessoais. Entretanto, tudo isso volta a Deus no final. E o único caminho para Deus é através de Seu Filho, Jesus Cristo. Encontraremos a fonte de toda a beleza nEle, no céu, se estivermos em Cristo. Nada será perdido para nós. Todas essas coisas que desvaneceram na vida encontraremos novamente nEle.



SERÁ QUE DEUS É JUSTO?

Pergunta: "Será que Deus é justo?"

Resposta:Felizmente para nós, Deus não é justo. Justiça significa que todos recebem exatamente o que merecem. Na mente de muitas pessoas, ser justo é tratar a todos da mesma forma. Se Deus fosse completamente justo, todos passaríamos a eternidade no inferno pagando por nossos pecados, o que é exatamente o que merecemos. Todos temos pecado contra Deus (Romanos 3:23) e somos, portanto, dignos de morte eterna (Romanos 6:23). Se recebêssemos o que merecemos, acabaríamos no lago de fogo (Apocalipse 20:14-15). Entretanto, Deus não é justo; ao contrário, Ele é misericordioso e bom, por isso enviou Jesus Cristo para morrer na cruz em nosso lugar, carregando sobre Si a punição que merecemos (2 Coríntios 5:21). Tudo o que temos que fazer é crer em Deus e seremos salvos, perdoados e recebedores de um lar eterno no céu (João 3:16).

No entanto, apesar de graça amorosa de Deus, ninguém acreditaria nEle por conta própria (Romanos 3:10-18). Deus tem que nos aproximar dEle para que acreditemos (João 6:44). Deus não chama todos, apenas algumas pessoas soberanamente escolhidas (Romanos 8:29-30, Efésios 1:5, 11). Isto não é "justo" aos nossos olhos porque parece que Deus não está tratando as pessoas igualmente. No entanto, Deus não tem que escolher ninguém. Novamente, seria inteiramente justo que todos passassem a eternidade no inferno. Deus salvando alguns não é injusto para aqueles que permanecem sem salvação, pois estão recebendo exatamente o que merecem.

Os escolhidos por Deus estão recebendo o amor e a graça de Deus. Entretanto, quando Deus atrai nossos corações e abre nossas mentes, todos temos a oportunidade de responder à revelação da criação (Salmo 19:1-3), assim como à consciência que Deus colocou em nós (Romanos 2:15), e voltar-nos para Deus. Aqueles que não o fazem receberão o que realmente merecem por causa de Sua rejeição dEle. Aqueles que rejeitam-no recebem a punição justa (João 3:18, 36). Os que acreditam estão recebendo muito mais, e muito melhor, do que merecem. Ninguém, porém, está sendo punido além do que merece. Será que Deus é justo? Não. Felizmente, Deus é muito mais do que justo! Deus é um Deus de graça, misericórdia e perdão - mas também santo, justo e íntegro.



QUE APARÊNCIA TEM DEUS?

Pergunta: "Que aparência tem Deus?"

Resposta:Deus é espírito (João 4:24), portanto, Sua aparência não se parece com nada que possamos descrever. Êxodo 33:20 nos diz: "Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum verá a minha face, e viverá." Como seres humanos pecadores, somos incapazes de ver Deus em toda a Sua glória. Sua aparência é totalmente inimaginável e muito gloriosa para ser seguramente percebida pelo homem pecador.

Em várias ocasiões, a Bíblia descreve a aparência de Deus como sendo semelhante a de um homem. Estes casos não devem ser entendidos como descrevendo exatamente a aparência de Deus, mas sim como Deus se revelando a nós de uma forma que possamos compreender. A aparência de Deus vai além da nossa capacidade de compreender e descrever. Deus nos dá vislumbres de Sua aparência para nos ensinar verdades sobre Si próprio, não necessariamente para que possamos ter uma imagem dEle em nossas mentes. Duas passagens que poderosamente descrevem a aparência surpreendente de Deus são Ezequiel 1:26-28 e Apocalipse 1:14-16.

Ezequiel 1:26-28 declara: “E por cima do firmamento, que estava por cima das suas cabeças, havia algo semelhante a um trono que parecia de pedra de safira; e sobre esta espécie de trono havia uma figura semelhante à de um homem, na parte de cima, sobre ele. E vi-a como a cor de âmbar, como a aparência do fogo pelo interior dele ao redor, desde o aspecto dos seus lombos, e daí para cima; e, desde o aspecto dos seus lombos e daí para baixo, vi como a semelhança de fogo, e um resplendor ao redor dele. Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor.” Apocalipse 1:14-16 proclama: “E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os seus olhos como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivessem sido refinados numa fornalha, e a sua voz como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece.”

Essas passagens representam as melhores tentativas de Ezequiel e João para descrever a aparência de Deus. Eles tiveram que usar uma linguagem simbólica para descrever aquilo para o qual a linguagem humana não tem palavras, ou seja, "semelhante","como a aparência", "como o aspecto", etc. Sabemos que quando estivermos no céu "assim como é o veremos" (1 João 3:2). O pecado não mais existirá, e seremos capazes de perceber Deus em toda a Sua glória.



O QUE SIGNIFICA QUE DEUS É ONIPOTENTE?

Pergunta: "O que significa que Deus é onipotente?"

Resposta:A palavra onipotente vem de omni – que significa "todo" e potente que significa "poder". Tal como os atributos da onisciência e onipresença, segue-se que, se Deus é infinito, e se é soberano, o que sabemos que Ele é, então Ele também deve ser onipotente. Ele tem todo o poder sobre todas as coisas em todos os momentos e em todos os sentidos.

Jó falou do poder de Deus em Jó 42:2: "Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido." Jó estava reconhecendo a onipotência de Deus na realização de Seus planos. Moisés também foi relembrado por Deus de que Ele tinha todo o poder para levar a cabo Seus propósitos em relação aos israelitas: “Porém, o SENHOR disse a Moisés: Teria sido encurtada a mão do SENHOR? Agora verás se a minha palavra se há de cumprir ou não” (Números 11:23).

Em nenhum lugar a onipotência de Deus é vista mais claramente do que na criação. Deus disse: "Haja..." e assim foi (Gênesis 1:3, 6, 9, etc.) O homem necessita de ferramentas e materiais para criar, Deus simplesmente falou e pelo poder de Sua palavra tudo foi criado do nada. "Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca" (Salmo 33:6).

O poder de Deus também é visto na preservação da Sua criação. Toda a vida na terra pereceria se não fosse pela Sua provisão contínua de tudo o que precisamos para comer, vestir e habitar, todos feitos com recursos renováveis sustentados pelo Seu poder como o preservador do homem e animal (Salmo 36:6). Os mares que cobrem a maior parte da terra, e sobre os quais somos impotentes, oprimiriam-nos se Deus não os limitasse (Jó 38:8-11).

A onipotência de Deus se estende aos governos e líderes (Daniel 2:21) porque Ele os restringe ou deixa seguir o seu caminho de acordo com os Seus planos e propósitos. Seu poder é ilimitado em relação a Satanás e seus demônios. O ataque de Satanás em Jó foi limitado a apenas algumas ações por ter sido contido pelo poder ilimitado de Deus (Jó 1:12, 2:6). Jesus relembrou Pilatos de que ele não teria poder sobre Ele se não lhe tivesse sido concedido pelo Deus de todo o poder (João 19:11).

Sendo onipotente, Deus pode fazer qualquer coisa. No entanto, isso não significa que Deus tenha perdido a Sua onipotência quando a Bíblia diz que Ele não pode fazer certas coisas. Por exemplo, Hebreus 6:18 diz que Ele não pode mentir. Isso não significa que Ele não tem o poder de mentir, mas que Deus escolhe não mentir de acordo com a Sua própria perfeição moral. Da mesma forma, apesar dEle ser todo-poderoso e odiar o mal, Ele permite que o mal aconteça de acordo com o Seu bom propósito. Ele usa certos acontecimentos perversos para levar a cabo os Seus propósitos, tal como quando o maior mal de todos ocorreu -- o assassinato do perfeito, santo e inocente Cordeiro de Deus para a redenção da humanidade.

Como o Deus encarnado, Jesus Cristo é onipotente. Seu poder é visto nos milagres que realizou – em Suas numerosas curas, na alimentação dos cinco mil (Marcos 6:30-44), em acalmar a tempestade (Marcos 4:37-41) e na exibição definitiva de poder ao ressuscitar Lázaro e a filha de Jairo dos mortos (João 11:38-44, Marcos 5:35-43), um exemplo de Seu controle sobre a vida e a morte. A morte foi a principal razão pela qual Jesus veio -- para destruí-la (1 Coríntios 15:22, Hebreus 2:14) e para restaurar os pecadores a um relacionamento correto com Deus. O Senhor Jesus disse claramente que Ele tinha o poder para dar a Sua vida e para retomá-la, um fato que alegorizou ao falar sobre o templo (João 2:19). Ele tinha o poder de invocar doze legiões de anjos para salvá-lo durante seu julgamento, se necessário (Mateus 26:53), mas escolheu oferecer-se em humildade no nosso lugar (Filipenses 2:1-11).

O grande mistério é que este poder pode ser compartilhado por crentes que estão unidos a Deus em Jesus Cristo. Paulo diz: "De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo" (2 Coríntios 12:9 b). O poder de Deus é mais exaltado em nós quanto maiores forem as nossas fraquezas porque Ele "é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera" (Efésios 3:20). É o poder de Deus que continua mantendo-nos em um estado de graça apesar do nosso pecado (2 Timóteo 1:12), e pelo Seu poder somos guardados de cair (Judas 24). Seu poder será proclamado por todos os seres celestiais por toda a eternidade (Apocalipse 19:1). Que essa seja a nossa oração interminável!



O QUE SIGNIFICA QUE DEUS É ONIPRESENTE?

 Pergunta: "O que significa que Deus é onipresente?"

Resposta:O prefixo omni procede da palavra latina que significa “todo”. Assim, dizer que Deus é onipresente é dizer que Ele está presente em todos os lugares. Em muitas religiões, Deus é considerado onipresente, enquanto que no judaísmo e cristianismo, esta visão é adicionalmente subdividida na transcendência e imanência de Deus. Embora Deus não seja totalmente imerso no tecido da criação (panteísmo), Ele está presente em todos os lugares e em todos os momentos.

A presença de Deus é contínua ao longo de toda a criação, embora não seja revelada da mesma maneira e ao mesmo tempo para as pessoas em toda parte. Às vezes Ele pode estar ativamente presente em uma situação, embora escolha não revelar a Sua presença em uma outra circunstância, em alguma outra área. A Bíblia revela que Deus tanto pode estar presente a uma pessoa de uma forma manifesta (Salmo 46:1, Isaías 57:15) quanto estar presente em todas as situações em toda a criação em qualquer momento (Salmo 33:13-14). A onipresença é o método de Deus de estar presente em todos os intervalos de tempo e espaço. Embora Deus esteja presente em todo tempo e espaço, Ele não é localmente limitado a qualquer tempo ou espaço. Deus está em toda parte e em cada momento. Nenhuma partícula ou molécula atômica é tão pequena para escapar da presença de Deus, e nenhuma galáxia é tão grande que Ele não a possa conter. Entretanto, se tentássemos remover a criação, Deus ainda a conheceria, pois Ele sabe de todas as possibilidades, sejam elas reais ou não.

Deus está naturalmente presente em todos os aspectos da ordem natural das coisas, em todo tempo, maneira e lugar (Isaías 40:12, Naum 1:3). Deus está ativamente presente de uma maneira diferente em cada acontecimento na história como um guia providente dos assuntos humanos (Salmo 48:7, 2 Crônicas 20:37, Daniel 5:5-6). Deus está presente e atento de uma maneira especial àqueles que invocam o Seu nome, intercedem por outros, adoram a Deus, fazem petições e oram fervorosamente por perdão (Salmo 46:1). Ele está supremamente presente na pessoa do Seu Filho, o Senhor Jesus Cristo (Colossenses 2:19), e misticamente presente na igreja universal que cobre a terra e contra a qual as portas do inferno não prevalecerão.

Assim como a onisciência de Deus apresenta aparentes paradoxos devido às limitações da mente humana, o mesmo ocorre com a onipresença de Deus. Um desses paradoxos é importante: a presença de Deus no inferno, o lugar ao qual os ímpios são enviados e sofrem a fúria ilimitada e incessante de Deus por causa do seu pecado. Muitos argumentam que o inferno seja um lugar de separação de Deus (Mateus 25:41) e se assim for, não se pode dizer então que Deus esteja em um lugar separado dEle. No entanto, os ímpios no inferno suportam a Sua ira eterna, pois Apocalipse 14:10 fala do seu tormento na presença do Cordeiro. Pensar que Deus esteja presente em um lugar aonde os maus são supostamente enviados causa certa consternação. No entanto, este paradoxo pode ser explicado pelo fato de que Deus pode estar presente -- porque Ele enche todas as coisas com a Sua presença (Colossenses 1:17) e sustenta tudo pela palavra do Seu poder (Hebreus 1:3) – mesmo assim, Ele não necessariamente está em todos os lugares para abençoar.

Assim como Deus é muitas vezes separado de Seus filhos por causa do pecado (Isaías 52:9), está longe dos ímpios (Provérbios 15:29) e ordena que os incrédulos escravos da escuridão no final dos tempos se afastem a um lugar de castigo eterno, Deus ainda está lá no meio. Ele sabe como as almas no inferno estão agora sofrendo; Ele conhece suas angústias, seus gritos por alívio, suas lágrimas e tristeza pelo estado eterno no qual suas almas se encontram. Ele está presente em todos os sentidos como um lembrete perpétuo do seu pecado que criou uma separação de todas as bênçãos que de outra forma poderiam ter recebido. Ele está presente em todos os sentidos, mas não exibe nenhum outro atributo além da Sua ira.

Da mesma forma, Ele também estará no céu, manifestando todas as bênçãos que nem podemos começar a compreender aqui. Ele estará lá exibindo Sua múltiplas bênçãos, Seu múltiplo amor e Sua múltipla bondade --de fato, todos os seus atributos, com a exceção da Sua ira. A onipresença de Deus deve servir como um lembrete de que não podemos nos esconder de Deus quando pecamos (Salmo 139:11-12), mas podemos voltar-nos para Deus em arrependimento e fé sem termos que nos deslocar (Isaías 57:16).


O QUE SIGNIFICA QUE DEUS É ONISCIENTE?

Pergunta: "O que significa que Deus é onisciente?"

Resposta:A onisciência é definida como "o estado de ter conhecimento total, a qualidade de saber tudo." Para que Deus seja soberano sobre a Sua criação de todas as coisas, visíveis ou invisíveis, Ele tem que ser onisciente. Sua onisciência não é restrita a uma única pessoa da Trindade – o Pai, Filho e Espírito Santo são todos por natureza oniscientes.

Deus sabe de tudo (1 João 3:20). Ele não só conhece os mínimos detalhes da nossa vida, mas também de tudo ao nosso redor, pois menciona que sabe até quando um pardal cai ou quando perdemos um único fio de cabelo (Mateus 10:29-30). Deus não só sabe de tudo o que ocorrerá até o fim da história em si (Isaías 46:9-10), mas também conhece nossos pensamentos antes mesmo de falarmos (Salmo 139:4). Ele conhece os nossos corações de longe e até nos viu quando ainda estávamos no ventre materno (Salmo 139:1-3, 15-16). Salomão expressa essa verdade perfeitamente quando diz: "porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens" (1 Reis 8:39).

Apesar da condescendência do Filho de Deus despojar-se de Si mesmo e assumir a forma de servo (Filipenses 2:7), a Sua onisciência é claramente vista nos escritos do Novo Testamento. A primeira oração dos apóstolos, encontrada em Atos 1:24: "Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos", implica a onisciência de Jesus, a qual é necessária para que seja capaz de receber petições e interceder na mão direita de Deus. Na Terra, a onisciência de Jesus é igualmente clara. Em muitos relatos do Evangelho, Ele conhecia os pensamentos do Seu público (Mateus 9:4, 12:25, Marcos 2:6-8; Lucas 6:8). Ele sabia de detalhes das vidas das pessoas antes mesmo de conhecê-las. Quando conheceu a mulher samaritana que estava tirando água do poço de Sicar, Ele disse-lhe: "Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade" (João 4:18). Jesus também diz aos Seus discípulos que o Seu amigo Lázaro estava morto, embora estivesse mais de 40 km de distância da casa de Lázaro (João 11:11-15). Ele aconselhou os discípulos a irem preparar-se para a Ceia do Senhor, descrevendo a pessoa que iriam encontrar e acompanhar (Marcos 14:13-15). Talvez o melhor exemplo: Ele conhecia Natanael antes mesmo de encontrá-lo, pois já conhecia o seu coração (João 1:47-48).

Claramente observamos a onisciência de Jesus na Terra, mas aqui é onde começa o paradoxo também. Jesus faz perguntas, o que talvez implique a ausência de conhecimento, embora o Senhor faça perguntas mais para o benefício de Sua audiência do que para Si mesmo. No entanto, existe uma outra faceta acerca de Sua onisciência que surge das limitações da natureza humana que Ele, como o Filho de Deus, assumiu. Lemos que, como um homem, "crescia Jesus em sabedoria, e em estatura" (Lucas 2:52) e que Ele "aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu" (Hebreus 5:8). Também lemos que Ele não sabia quando seria o fim do mundo (Mateus 24:34-36). Nós, portanto, temos que perguntar: por que o Filho não sabe disso quando já sabia de tudo mais? Ao invés de encarar isto como uma limitação humana, devemos considerá-lo um controlado limite de conhecimento. Aqui vemos um ato voluntário de humildade a fim de de participar plenamente da nossa natureza (Filipenses 2:6-11, Hebreus 2:17) e ser o segundo Adão.

Finalmente, não há nada difícil demais para um Deus onisciente, e é com base na nossa fé em tal Deus que podemos descansar seguros, sabendo que promete nunca desamparar-nos enquanto continuarmos nEle. Ele conhece-nos desde a eternidade, mesmo antes da criação. Deus já conhecia eu e você, já sabia quando apareceríamos no decorrer do tempo e com quem iríamos interagir. Ele até previu o nosso pecado em toda a sua feiura e depravação, mas ainda, em amor, escolheu colocar o Seu selo sobre nós e nos atraiu a esse amor em Jesus Cristo (Efésios 1:3-6). Um dia o veremos face a face, mas o nosso conhecimento de Deus nunca será completo. Nossa admiração, amor e louvor a Ele continuarão por todos os milênios enquanto nos aquecemos nos raios do Seu amor celestial, aprendendo e apreciando cada vez mais o nosso Deus onisciente.


O QUE É A VONTADE DE DEUS?

Pergunta: "O que é a vontade de Deus?"

Resposta:Quando se fala da vontade de Deus, muitas pessoas veem três aspectos diferentes a seu respeito na Bíblia. O primeiro aspecto é conhecido como a vontade decretiva, soberana ou oculta de Deus. Esta é a "final" vontade de Deus. Esta faceta da vontade de Deus vem do reconhecimento da soberania de Deus e dos outros aspectos da Sua natureza. Esta expressão da vontade de Deus se concentra no fato de que Ele soberanamente ordena tudo o que chega a acontecer. Em outras palavras, não há nada que aconteça que seja fora da vontade soberana de Deus. Este aspecto da vontade de Deus é visto em versículos como Efésios 1:11, onde aprendemos que Deus é aquele "que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade", e Jó 42:2: "Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado". Este ponto de vista da vontade de Deus é baseado no fato de que, porque Deus é soberano, sua vontade nunca pode ser frustrada. Nada acontece que esteja além de seu controle.

Esta compreensão da Sua vontade soberana não implica que Deus faça tudo acontecer. Pelo contrário, ela reconhece que, por causa da Sua soberania, Ele deve pelo menos permitir que as coisas aconteçam. Este aspecto da vontade de Deus reconhece que, mesmo quando Deus permite passivamente que as coisas aconteçam, Ele tem que optar por permiti-las, uma vez que sempre tem o poder e o direito de intervir. Deus pode sempre optar por permitir ou interromper as ações e eventos deste mundo. Portanto, assim como Ele permite que as coisas aconteçam, elas fazem parte da Sua "vontade" neste sentido da palavra.

Embora a vontade soberana de Deus seja muitas vezes escondida de nós até que chegue a acontecer, há um outro aspecto da Sua vontade que é claro para nós: Sua vontade perceptiva ou revelada. Como o nome indica, esta faceta da vontade de Deus significa que Deus escolheu revelar parte da Sua vontade na Bíblia. A vontade perceptiva de Deus é a Sua vontade declarada a respeito do que devamos ou não fazer. Por exemplo, por causa da vontade revelada de Deus, podemos saber que é a Sua vontade que não roubemos, que amemos nossos inimigos, que nos arrependamos de nossos pecados e que sejamos santos como Ele é santo. Esta expressão da vontade de Deus é revelada tanto em Sua Palavra quanto na nossa consciência, através da qual Deus escreveu Sua lei moral nos corações de todos os homens. As leis de Deus, quer encontradas na Escritura ou em nossos corações, são vinculativas para nós. Teremos que prestar contas por desobedecê-las.

Compreender esse aspecto da vontade de Deus reconhece que, embora tenhamos o poder e a capacidade para desobedecer os mandamentos de Deus, não temos o direito de fazê-lo. Portanto, não há desculpa para o nosso pecado e não podemos afirmar que ao escolher pecar estamos simplesmente cumprindo o decreto ou vontade soberana de Deus. Judas estava cumprindo a vontade soberana de Deus ao trair Cristo, assim como os romanos que O crucificaram estavam. Isso não justifica os seus pecados. Eles não eram menos perversos ou traiçoeiros, e tiveram que prestar contas pela sua rejeição de Cristo (Atos 4:27-28). Mesmo que em Sua soberana vontade Deus permita, ou permita que aconteça, o pecado, ainda teremos que prestar contas a Ele.

O terceiro aspecto da vontade de Deus que vemos na Bíblia é a permissiva ou perfeita vontade de Deus. Esta faceta da vontade de Deus descreve a Sua atitude e define o que é agradável a Ele. Por exemplo, embora seja claro que Deus não tem prazer na morte do ímpio, é igualmente claro que ele permite ou decreta a sua morte. Esta expressão da vontade de Deus é revelada em muitos versículos da Bíblia que indicam o que alegra a Deus ou não. Por exemplo, em 1 Timóteo 2:4, vemos que Deus deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade, mas sabemos que a vontade soberana de Deus é que "Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia" (João 6:44).

Se não tivermos cuidado, podemos facilmente ficar preocupados ou até mesmo obcecados em encontrar a "vontade" de Deus para as nossas vidas. No entanto, se a vontade que estivermos buscando for a Sua vontade secreta, oculta ou decretiva, estamos em uma busca tola. Deus não escolheu revelar esse aspecto de Sua vontade para nós. O que devemos procurar conhecer é a vontade perceptiva ou revelada de Deus. O verdadeiro sinal de espiritualidade é quando desejamos conhecer e viver segundo a vontade de Deus assim como revelada nas Escrituras, e ela pode ser resumida como "Sejam santos, porque eu sou santo" (1 Pedro 1:15-16). Nossa responsabilidade é obedecer a Sua vontade revelada e não especular sobre o que a Sua vontade oculta talvez seja.


  Embora devamos buscar ser "guiados pelo Espírito Santo", nunca devemos esquecer que o Espírito Santo está principalmente nos guiando à justiça e a nos conformarmos à imagem de Cristo para que a nossa vida glorifique a Deus. Deus nos chama a viver nossas vidas de toda palavra que proceda da Sua boca.

Viver de acordo com a Sua vontade revelada deve ser o principal objetivo ou propósito de nossas vidas. Romanos 12:1-2 resume esta verdade, pois somos chamados a nos oferecer "em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." Para conhecermos a vontade de Deus, devemos nos aprofundar na escrita Palavra de Deus, saturando as nossas mentes com ela e orando para que o Espírito Santo nos transforme através da renovação de nossas mentes, de modo que o resultado seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.



O QUE SIGNIFICA QUE DEUS É SANTO, SANTO, SANTO?

Pergunta: "O que significa que Deus é santo, santo, santo?"

Resposta:A expressão "santo, santo, santo" aparece duas vezes na Bíblia, uma vez no Antigo Testamento (Isaías 6:3) e uma no Novo (Apocalipse 4:8). Em ambos os casos, a frase é falada ou cantada por criaturas celestiais e ambas as vezes ela ocorre na visão de um homem que foi transportado para o trono de Deus: em primeiro lugar pelo profeta Isaías e em seguida pelo apóstolo João. Antes de abordarmos as três repetições da santidade de Deus, é importante compreender exatamente o que ela significa.

A santidade de Deus é a mais difícil de explicar de todos os atributos de Deus, em parte porque é um dos Seus atributos essenciais que não é compartilhado pelo homem. Fomos criados à imagem de Deus e compartilhamos muitos dos seus atributos, obviamente em um grau muito menor –amor, misericórdia, fidelidade, etc. Entretanto, alguns dos atributos de Deus nunca serão compartilhados por seres criados -- onipresença, onisciência, onipotência e santidade. A santidade de Deus é o que o separa e distingue de todos os outros seres. A santidade de Deus é mais do que Sua perfeição ou pureza sem pecado; é a essência de Sua “alteridade” -- Sua transcendência. A santidade de Deus encarna o mistério da Sua grandiosidade e nos faz olhar para Ele com assombro quando começamos a compreender um pouco da Sua majestade.

Isaías foi testemunha de primeira mão da santidade de Deus em Sua visão descrita em Isaías 6. Apesar de Isaías ser um profeta de Deus e um homem justo, sua reação à visão da santidade de Deus foi estar consciente dos seus próprios pecados e desesperar-se por sua vida (Isaías 6:5). Até mesmo os anjos na presença de Deus, aqueles que estavam clamando "Santo, Santo, Santo é o Senhor Todo-Poderoso", cobriram seus rostos e pés com quatro de suas seis asas. Cobrir o rosto e os pés sem dúvida denota a reverência e temor inspirados pela presença imediata de Deus (Êxodo 3:4-5). Os serafins estavam cobertos, como se tentando ocultar-se o tanto quanto possível, em reconhecimento da sua indignidade na presença do Santo. E se o serafim santo e puro exibe tanta reverência na presença do Senhor, quanto maior o respeito que devemos ter, criaturas poluídas e pecaminosas como nós, ao tentarmos aproximarmo-nos dEle! A reverência mostrada a Deus pelos anjos deve nos lembrar de nossa própria presunção quando nos apressamos em Sua presença irreverentemente e impensadamente, como frequentemente fazemos porque não entendemos a Sua santidade.

A visão de João do trono de Deus em Apocalipse 4 foi semelhante à de Isaías. Novamente, havia criaturas viventes ao redor do trono proclamando: "Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus Todo-Poderoso" (Apocalipse 4:8), em reverência e temor ao Santo. João prossegue descrevendo estas criaturas dando glória, honra e reverência a Deus continuamente em torno do Seu trono. 


Curiosamente, a reação de João à visão de Deus em Seu trono é diferente da de Isaías. Não há registro de João caindo em terror e consciência do seu próprio estado pecaminoso, talvez porque João já tinha encontrado o Cristo Ressurreto no começo da sua visão (Apocalipse 1:17). Cristo tinha colocado a Sua mão sobre João e dito a ele para não ter medo. Da mesma forma, podemos nos aproximar do trono da graça se tivermos a mão de Cristo sobre nós na forma da sua justiça, a qual foi trocada pelo nosso pecado na cruz (2 Coríntios 5:21).

Então por que repetir três vezes "santo, santo, santo" (o triságio)? A repetição de um nome ou uma expressão três vezes era bastante comum entre os judeus. Em Jeremias 7:4, os judeus são representados pelo profeta como dizendo: "O templo do Senhor" três vezes, expressando sua intensa confiança em sua própria adoração, apesar de ter sido hipócrita e corrupta. Jeremias 22:29, Ezequiel 21:27 e 1 Samuel 18:23 contêm expressões semelhantes em intensidade que foram repetidas três vezes. Portanto, quando os anjos ao redor do trono chamam ou clamam um ao outro: "Santo, santo, santo", eles estão expressando com força e paixão a verdade da santidade suprema de Deus, uma característica essencial que expressa Sua impressionante e majestosa natureza.

Além disso, o triságio expressa a natureza trina de Deus, as três Pessoas da Divindade, cada uma igual em santidade e majestade. Jesus Cristo é o Santo que não sofreria "decadência" no túmulo, mas seria ressuscitado para ser exaltado à mão direita de Deus (Atos 2:26, 13:33-35). Jesus é "o Santo e o Justo" (Atos 3:14) cuja morte na cruz dá-nos acesso ao trono do nosso Deus santo desavergonhadamente. A terceira Pessoa da Trindade - o Espírito Santo - pelo Seu próprio nome denota a importância da santidade na essência da divindade.

Por último, as duas visões de anjos ao redor do trono proclamando: "Santo, santo, santo" indica claramente que Deus é o mesmo em ambos os Testamentos. Muitas vezes enxergamos o Deus do Antigo Testamento como um Deus de ira e o do Novo Testamento como um Deus de amor. Entretanto, Isaías e João apresentam um retrato unificado do nosso Deus santo, majestoso, impressionante e imutável (Malaquias 3:6), o qual é o mesmo ontem, hoje e eternamente (Hebreus 13:8) e de onde vem "Toda boa dádiva e todo dom perfeito.... descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstantes" (Tiago 1:17). A santidade de Deus é eterna, assim como Ele é eterno.


QUAL É A CHAVE PARA VERDADEIRAMENTE CONHECER DEUS?

Pergunta: "Qual é a chave para verdadeiramente conhecer Deus?"

Resposta:Dentro de todos nós existe um forte desejo de ser conhecido e conhecer a outros. Mais importante ainda, todas as pessoas têm o desejo de conhecer o seu Criador, mesmo as que não professam crer em Deus. Hoje em dia somos bombardeados com propagandas que prometem muitas maneiras de satisfazer os nossos desejos de saber mais, ter mais, ser mais. No entanto, as promessas vazias que vêm do mundo nunca satisfarão como conhecer a Deus satisfaz. Jesus disse: "Esta é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (João 17:3).

Assim, "qual é a chave para verdadeiramente conhecer Deus?" Primeiro, é imperativo entender que o homem, por si só, é incapaz de verdadeiramente conhecer Deus por causa do seu pecado. As Escrituras nos revelam que somos todos pecadores (Romanos 3) e que ninguém alcança o padrão de santidade necessário para ter comunhão com Deus. Também aprendemos que a consequência do nosso pecado é a morte (Romanos 6:23) e que pereceremos eternamente sem Deus a menos que aceitemos e recebamos a promessa do sacrifício de Jesus na cruz. Assim, a fim de verdadeiramente conhecer Deus, devemos primeiramente recebê-lo em nossas vidas. "Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus" (João 1:12). Nada é mais importante do que entender esta verdade quando se trata de conhecer a Deus. Jesus deixa claro que somente Ele é o caminho ao céu e a um conhecimento pessoal de Deus: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim" (João 14: 6).

Não há nenhum requisito para começar esta jornada além de aceitar e receber as promessas mencionadas acima. Jesus veio nos dar vida ao Se oferecer como um sacrifício para que os nossos pecados não nos impedíssemos de conhecer Deus. Quando recebemos esta verdade , podemos começar a jornada de conhecer Deus de uma forma pessoal. Um dos ingredientes fundamentais nesta jornada é entender que a Bíblia é a Palavra de Deus e a Sua revelação de Si mesmo, de Suas promessas e de Sua vontade. A Bíblia é essencialmente uma carta de amor escrita para nós de um Deus amoroso que nos criou para conhecê-lo intimamente. Que melhor maneira de aprender sobre o nosso Criador que nos imergir na Sua Palavra, revelada a nós para esse fim? Além disso, é importante continuar esse processo durante toda a jornada. Paulo escreve a Timóteo: "Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. 


 Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça" (2 Timóteo 3:14 -16).

Finalmente, verdadeiramente conhecer Deus envolve o nosso compromisso de obedecer ao que lemos nas Escrituras. Afinal, fomos criados para fazer boas obras (Efésios 2:10) e assim fazer parte do plano de Deus de continuar a Se revelar para o mundo. Temos a responsabilidade de viver a própria fé que é necessária para conhecer Deus. Somos sal e luz nesta terra (Mateus 5:13-14), criados para trazer o sabor de Deus para o mundo e para servir como uma luz brilhando no meio da escuridão. Não somente devemos ler e compreender a Palavra de Deus, mas devemos aplicá-la obedientemente e permanecer fiéis (Hebreus 12). O próprio Jesus deu a maior importância a amar a Deus com tudo o que somos e a amar ao próximo como a nós mesmos (Mateus 22). É impossível obedecer este comando sem o compromisso de continuar lendo e aplicando a Sua verdade revelada em Sua Palavra.

Estas são as chaves para verdadeiramente conhecer Deus. É claro que as nossas vidas envolverão muito mais, tal como o compromisso com a oração, a devoção, adoração e companheirismo. Entretanto, isso só surge depois que fizermos uma decisão de seguir Jesus e as suas promessas em nossas vidas, aceitando que nós, por conta própria, não podemos verdadeiramente conhecer Deus. Só então as nossas vidas podem ser cheias de Deus e podemos ter a experiência de conhecê-lo pessoalmente e intimamente.



QUAIS SÃO OS DIFERENTES NOMES DE DEUS E O QUE SIGNIFICAM?

Pergunta: "Quais são os diferentes nomes de Deus e o que significam?"

Resposta:Cada um dos muitos nomes de Deus descreve um aspecto diferente do seu caráter multifacetado. Aqui estão alguns dos nomes mais conhecidos de Deus na Bíblia:

EL, ELOAH:Deus "poderoso, forte, proeminente" (Gênesis 7:1, Isaías 9:6) - etimologicamente, El parece significar "poder", como em "Tenho o poder para prejudicá-los" (Gênesis 31:29). El é associado com outras qualidades, tais como integridade (Números 23:19), zelo (Deuteronômio 5:9) e compaixão (Neemias 9:31), mas a raiz original de ‘poder’ continua.

ELOHIM:Deus "Criador, Poderoso e Forte" (Gênesis 17:7; Jeremias 31:33) - a forma plural de Eloah, a qual acomoda a doutrina da Trindade. Da primeira frase da Bíblia, a natureza superlativa do poder de Deus é evidente quando Deus (Elohim) fala para que o mundo exista (Gênesis 1:1).

EL SHADDAI:"Deus Todo-Poderoso", "O Poderoso de Jacó" (Gênesis 49:24; Salmo 132:2,5) - fala do poder supremo de Deus sobre todos.

ADONAI:"Senhor" (Gênesis 15:2; Juízes 6:15) - usado no lugar de YHWH, o qual os judeus achavam ser sagrado demais para ser pronunciado por homens pecadores. No Antigo Testamento, YHWH é mais utilizado em tratamentos de Deus com o Seu povo, enquanto que Adonai é mais utilizado quando Ele lida com os gentios.

YHWH / YAHWEH / JEOVÁ:"SENHOR" (Deuteronômio 6:4, Daniel 9:14) - a rigor, o único nome próprio para Deus. Traduzido nas bíblias em português como "SENHOR" (com letras maiúsculas) para distingui-lo de Adonai, "Senhor". A revelação do nome é primeiramente dada a Moisés "Eu sou quem eu sou" (Êxodo 3:14). Este nome especifica um imediatismo, uma presença. Yahweh está presente, acessível, perto dos que o invocam por livramento (Salmo 107:13), perdão (Salmo 25:11) e orientação (Salmo 31:3).

JEOVÁ-JIRÉ:"O Senhor proverá" (Gênesis 22:14) - o nome utilizado por Abraão quando Deus proveu o carneiro para ser sacrificado no lugar de Isaque.

JEOVÁ-RAFA:"O Senhor que sara" (Êxodo 15:26) - "Eu sou o Senhor que te sara", tanto em corpo e alma. No corpo, através da preservação e da cura de doenças, e na alma, pelo perdão de iniquidades.

JEOVÁ-NISSI:"O Senhor é minha bandeira" (Êxodo 17:15), onde por bandeira entende-se um lugar de reunião antes de uma batalha. Esse nome comemora a vitória sobre os amalequitas no deserto em Êxodo 17.

JEOVÁ-MAKADESH:"O Senhor que santifica, torna santo" (Levítico 20:8, Ezequiel 37:28) - Deus deixa claro que apenas Ele, e não a lei, pode purificar o Seu povo e fazê-los santos.

JEOVÁ-SHALOM:"O Senhor nossa paz" (Juízes 6:24) - o nome dado por Gideão ao altar que ele construiu após o Anjo do Senhor ter-lhe assegurado de que não morreria como achava que morreria depois de vê-lO.

JEOVÁ-ELOIM:"Senhor Deus" (Gênesis 2:4, Salmo 59:5) - uma combinação do singular nome YHWH e o nome genérico "Senhor", significando que Ele é o Senhor dos senhores.

JEOVÁ-TSIDIKENU:"O Senhor nossa justiça" (Jeremias 33:16) - Tal como acontece com Jeová-Makadesh, só Deus proporciona a justiça para o homem, em última instância, na pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, o qual tornou-se pecado por nós "para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Coríntios 5:21).

JEOVÁ-ROHI:"O Senhor nosso Pastor" (Salmo 23:1) - Depois de Davi ponderar sobre seu relacionamento como um pastor de ovelhas, ele percebeu que era exatamente a mesma relação de Deus com ele, e assim declara: "Yahweh-Rohi é o meu Pastor. Nada me faltará" (Salmo 23:1).

JEOVÁ-SHAMMAH:"O Senhor está ali" (Ezequiel 48:35) - o nome atribuído a Jerusalém e ao templo lá, indicando que o outrora partida glória do Senhor (Ezequiel 8-11) havia retornado (Ezequiel 44:1-4).

JEOVÁ-SABAOTH:"O Senhor dos Exércitos" (Isaías 1:24, Salmos 46:7) - Exércitos significa "hordas", tanto dos anjos quanto dos homens. Ele é o Senhor dos exércitos dos céus e dos habitantes da terra, dos judeus e gentios, dos ricos e pobres, mestres e escravos. O nome expressa a majestade, poder e autoridade de Deus e mostra que Ele é capaz de realizar o que determina a fazer.

EL ELIOM:"Altíssimo" (Deuteronômio 26:19) - derivado da raiz hebraica para "subir" ou "ascender", então a implicação refere-se a algo que é muito alto. El Elyon denota a exaltação e fala de um direito absoluto ao senhorio.

EL ROI:"Deus que vê" (Gênesis 16:13) - o nome atribuído a Deus por Agar, sozinha e desesperada no deserto depois de ter sido expulsa por Sara (Gênesis 16:1-14). Quando Agar encontrou o Anjo do Senhor, ela percebeu que tinha visto o próprio Deus numa teofania. Ela também percebeu que El Roi a viu em sua angústia e testemunhou ser um Deus que vive e vê tudo.

EL-OLAM:"Deus eterno" (Salmo 90:1-3) - A natureza de Deus não tem princípio, fim e nem quaisquer limitações de tempo. Deus contém dentro de Si mesmo a causa do próprio tempo. "De eternidade a eternidade, tu és Deus."

EL-GIBOR:"Deus Poderoso" (Isaías 9:6) - o nome que descreve o Messias, Jesus Cristo, nesta porção profética de Isaías. Como um guerreiro forte e poderoso, o Messias, o Deus Forte, vai realizar a destruição dos inimigos de Deus e governar com cetro de ferro (Apocalipse 19:15).


Fonte confiável:
http://www.gotquestions.org 

É A FÉ EM DEUS UMA MULETA?

Pergunta: "É a fé em Deus uma muleta?"

Resposta: 
Jesse Ventura, ex-governador de Minnesota, disse uma vez: "A religião organizada é uma farsa e uma muleta para pessoas de mentes fracas que precisam de força em grupos." Concordando com ele, o pornógrafo Larry Flynt comentou: "Não há nada de bom que eu possa dizer sobre isso [a religião]. As pessoas a usam como uma muleta." Ted Turner uma vez simplesmente disse: "O Cristianismo é uma religião para perdedores!" Ventura, Flynt, Turner e outros que pensam como eles enxergam os cristãos como sendo emocionalmente frágeis e carentes de apoio imaginário para tocar a vida. Insinuam que eles próprios são fortes e não necessitam de um suposto Deus para ajudá-los com suas vidas.

Tais declarações trazem uma série de perguntas: Onde é que esse tipo de pensamento começou? Há alguma verdade nele? Como a Bíblia responde a tais afirmações?

É a fé em Deus uma muleta? - O Impacto de Freud Sigmund Freud (1856-1939) foi um neurologista austríaco que fundou a prática da psicanálise, um sistema que defende a teoria de que motivos inconscientes ditam muito do comportamento humano. Apesar de defender o ateísmo, Freud admitiu que a verdade da religião não poderia ser refutada e que a fé religiosa tem proporcionado conforto para um número incontável de pessoas através da história. No entanto, Freud achava que o conceito de Deus era ilusório. Em uma de suas obras religiosas, O Futuro de uma Ilusão, ele escreveu: "Eles [os crentes] dão o nome de 'Deus' a uma vaga abstração que criaram para si mesmos."

Quanto à motivação para a criação de tais ilusões, Freud acreditava em duas coisas básicas: (1) as pessoas de fé creem em um deus por terem desejos fortes e esperanças dentro de si mesmas que atuam como conforto contra a dureza da vida; (2) a ideia de Deus vem da necessidade de uma figura paterna idílica que eclipsa ou um pai inexistente ou um pai imperfeito e real na vida de uma pessoa religiosa. Falando do suposto fator de realização de desejo na religião, Freud escreveu: "Elas [crenças religiosas] são ilusões, realizações dos mais antigos, mais fortes e mais urgentes desejos da humanidade. Chamamos a crença de uma ilusão quando uma realização de desejo é um fator proeminente em sua motivação e ao fazer isso, desconsideramos a sua relação com a realidade, assim como a própria ilusão não oferece verificação."

Para Freud, Deus não era nada mais do que uma projeção psicológica que servia para proteger um indivíduo de uma realidade que ele não queria enfrentar e com a qual não podia lidar sozinho. Depois de Freud, outros cientistas e filósofos vieram e afirmaram a mesma coisa - que a religião é apenas uma ilusão da mente. Robert Pirsig, um escritor e filósofo americano que tipifica os seguidores de Freud, disse: "Quando uma pessoa sofre de um delírio, isso é chamado de loucura. Quando muitas pessoas sofrem de um delírio, isso se chama de religião. "

O que dizer das acusações acima? Há alguma verdade nas afirmações feitas por Freud e outros?

Examinando as Reivindicações da "Multidão da Muleta"
Ao fazer um exame honesto destas reivindicações, a primeira coisa a reconhecer é o que aqueles que fazem tais afirmações estão reivindicando sobre si mesmos. Os zombadores de religião estão dizendo que os cristãos são propensos a fatores e desejos psicológicos aos quais eles, os céticos, não são. Mas como sabem disso? Por exemplo, Freud enxergava a necessidade de um Deus Pai como um sintoma de pessoas emocionalmente carentes que desejam uma figura paterna, mas será que o próprio Freud tinha uma necessidade emocional de que nenhuma figura paterna existisse? E talvez Freud tivesse o desejo de que um Deus Santo e julgamento após a morte não existissem; um desejo de que o inferno não fosse real. Demonstrando a plausibilidade de tal pensamento é a citação do próprio Freud, que uma vez disse: "A parte ruim disso, especialmente para mim, reside no fato de que a ciência, de todas as coisas, parece exigir a existência de um Deus."

Parece razoável concluir, como Freud e seus seguidores têm argumentado em sua posição, que a única maneira de uma pessoa superar "a exigência" de provas em preto-e-branco de alguma coisa é através da criação de uma esperança ilusória que domina as verificações da existência de Deus. Mesmo assim, ainda não consideram esta uma possibilidade para eles. 


 Alguns ateus, no entanto, têm de forma honesta e aberta admitido essa probabilidade. Servindo como um exemplo, o ateu professor/filósofo Thomas Nagel disse uma vez: "Quero que o ateísmo seja verdade e fico inquieto pelo fato de que algumas das pessoas mais inteligentes e bem informadas que conheço são crentes religiosos. Não se trata apenas do fato de não acredito em Deus e, naturalmente, espero estar certo em minha crença. É que espero que Deus não exista! Não quero que haja um Deus; não quero que o universo seja assim."

Uma outra consideração a ter em mente é que nem todos os aspectos do Cristianismo são reconfortantes. Por exemplo, a doutrina do inferno, o reconhecimento da humanidade como pecadores incapazes de agradar a Deus por conta própria e outros ensinamentos semelhantes não são tão agradáveis. Como é que Freud explica a criação dessas doutrinas?

Um pensamento adicional que brota da pergunta acima é por que, se a humanidade simplesmente inventa o conceito de Deus para se sentir melhor, as pessoas fabricam um Deus que é santo? Tal Deus parece estar em desacordo com os seus desejos e práticas naturais. Na verdade, um Deus assim parece ser o último tipo de deus a ser inventado. Em vez disso, seria de se esperar que criassem um deus que concordasse com as coisas que querem fazer naturalmente, em vez de se opor às práticas que elas mesmas (por algum motivo ainda não explicado) rotulam como "pecaminosas".

Uma última questão é como é que as reivindicações de "muleta" explicam as pessoas que inicialmente eram hostis à religião e não queriam acreditar? Essas pessoas aparentemente não tinham nenhum desejo de que o Cristianismo fosse verdade, mas depois de um exame honesto da prova e um reconhecimento da sua "veracidade", elas se tornaram crentes. O estudioso inglês C. S. Lewis é uma dessas pessoas. Lewis é famoso por dizer que não havia convertido mais relutante em toda a Inglaterra do que ele, que foi literalmente arrastado chutando e gritando à fé – isso pouco é uma declaração de se esperar de uma pessoa envolvida em uma fantasia.

Esses problemas e perguntas parecem estar em desacordo com as reivindicações do grupo da "muleta" e são convenientemente ignorados por eles. Entretanto, o que a Bíblia tem a dizer sobre as suas reivindicações? Como ela responde às suas acusações?

É a Fé em Deus uma Muleta? - Como a Bíblia Responde?
Há três respostas fundamentais que a Bíblia dá à alegação de que as pessoas inventaram a ideia de Deus como uma muleta para si. Primeiro, a Bíblia diz que Deus criou a humanidade para si mesmo e para naturalmente desejar um relacionamento com Ele. Sobre este fato, Agostinho escreveu: "Tu nos fizeste para ti, Senhor, e o nosso coração permanece inquieto até encontrar o seu descanso em Ti." A Bíblia diz que o homem é feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26). Sendo isto verdade, não é razoável acreditar que sentimos um desejo por Deus porque fomos criados com esse desejo? Não devem uma impressão digital divina e a possibilidade de relacionamento entre a criatura e o Criador existir?

Segundo, a Bíblia diz que as pessoas realmente agem da forma inversa à que Freud e seus seguidores afirmam. A Bíblia afirma que a humanidade está em rebelião contra Deus e, naturalmente, se afasta em vez de desejá-lo, e que tal rejeição é a razão pela qual a ira de Deus vem sobre eles. A realidade é que as pessoas naturalmente fazem tudo o que podem para suprimir a verdade sobre Deus, e Paulo escreveu sobre isso: "Pois do céu é revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Porquanto, o que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta, porque Deus lho manifestou. 


 Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a Deus, contudo não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes nas suas especulações se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se estultos" (Romanos 1:18-22). O fato de que Deus é claramente evidente a todos através da criação, como indicado nas palavras de Paulo, é bem resumido por CS Lewis, que escreveu: "Podemos ignorar, mas de forma alguma escapar, a presença de Deus. O mundo está cheio dEle."

O próprio Freud admitiu que a religião era "o inimigo", e é exatamente assim que Deus descreve a humanidade antes de ser espiritualmente iluminada - como inimiga de Deus. Isso é algo que Paulo também reconheceu: "Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Romanos 5:10, ênfase adicionada) .

Terceiro, a própria Bíblia afirma que a vida é difícil, que tribulações são comuns e que um medo da morte é sentido por todos. Essas são verdades facilmente vistas no mundo ao nosso redor. A Bíblia também diz que Deus está presente para nos ajudar a superar os tempos difíceis e assegura-nos que Jesus venceu o medo da morte. Jesus mesmo disse: "No mundo tereis tribulações ", o que confirma o fato de que as dificuldades da vida existem, mas Ele também disse: "tende bom ânimo" e que os Seus seguidores devem se voltar a Ele para a vitória final (João 16:33).

A Bíblia diz que Deus cuida e ajuda o Seu povo e que Ele comanda os Seus seguidores a ajudar uns aos outros e levar as cargas uns dos outros (cf. Gálatas 6:2). Falando da preocupação de Deus com as pessoas, Pedro escreveu: "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte; lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós" (1 Pedro 5:6 -7, ênfase adicionada). A famosa afirmação de Jesus também fala deste fato: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve" (Mateus 11:28-30).

Além da ajuda diária, o medo da morte também foi superado por Cristo. Através de Sua ressurreição, Jesus provou que a morte não tem poder sobre Ele. A Palavra de Deus diz que a ressurreição de Cristo foi a prova da ressurreição e da vida eterna de todos os que confiam nEle (cf. 1 Coríntios 15:20). Ser livre do medo da morte é uma verdade proclamada pelo escritor de Hebreus, que disse: "Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele, igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo, e livrasse todos que, pelo pavor da morte, estavam sujeitos à escravidão por toda a vida" (Hebreus 2:14-15, ênfase adicionada).

Então, de fato, a Bíblia fala sobre o cuidado, preocupação e ajuda de Deus para a Sua criação. Tal verdade realmente traz conforto, mas é um conforto baseado em realidade e não em um simples desejo.

É a fé em Deus de uma muleta? – Conclusão
Jesse Ventura estava errado quando disse que a religião é nada mais do que uma muleta. Tal declaração fala da natureza arrogante do homem e simboliza o tipo de pessoas repreendido por Jesus no livro de Apocalipse: "pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu" (Apocalipse 3:17).

As reivindicações de mero desejo por parte de Freud, Ventura e outros apenas agem como uma acusação contra si mesmos e mostram o seu desejo de rejeitar a Deus e Sua reivindicação de suas vidas, o que é exatamente o que a Bíblia diz que a humanidade caída faz. Entretanto, para essas mesmas pessoas, Deus pede que reconheçam os seus verdadeiros desejos e Se oferece no lugar da falsa esperança do humanismo à qual se agarram.

As declarações bíblicas quanto ao fato e evidências da ressurreição de Cristo trazem conforto e esperança verdadeira - esperança que não desilude - e instruem-nos a andar de uma forma que confia em Deus e reconhece a nossa verdadeira posição "fraca" diante dEle. Quando isso é feito, tornamo-nos fortes, assim como Paulo disse: "Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte" (2 Coríntios 12:10).


POR QUE DEUS NÃO CURA OS AMPUTADOS?

Pergunta: "Por que Deus não cura os amputados?"

Resposta:Alguns usam essa questão em uma tentativa de "negar" a existência de Deus. Na verdade, há um popular site anti-cristão (em inglês) dedicado ao argumento "Por que Deus não cura os amputados?": http://www.whywontgodhealamputees.com. Se Deus é todo-poderoso e se Jesus prometeu fazer tudo o que pedirmos (ou assim se raciocina), então por que Deus não cura os amputados sempre que orarmos por eles? Por que Deus cura vítimas de câncer e diabetes, por exemplo, mas nunca faz com que um membro amputado seja regenerado? O fato de que um amputado permanece amputado é "prova" para alguns de que Deus não existe, que a oração é inútil, que as “curas” são coincidência, e que a religião é um mito.

O argumento acima é normalmente apresentado de uma forma consciente e bem fundamentado, com uma pitada liberal das Escrituras para fazê-lo parecer mais legítimo. No entanto, é um argumento baseado em uma visão errada de Deus e uma deturpação das Escrituras. A linha de raciocínio empregada no argumento "por que Deus não cura amputados" faz pelo menos sete falsas suposições:

Suposição 1: Deus nunca curou um amputado.Quem pode dizer que, na história do mundo, Deus nunca causou um membro a se regenerar? Dizer: "Eu não tenho nenhuma evidência empírica de que os membros possam se regenerar e, portanto, nenhum amputado jamais foi curado na história mundial" é o mesmo que dizer "eu não tenho nenhuma evidência empírica de que os coelhos vivem em meu quintal e, portanto, nenhum coelho jamais viveu aqui." É uma conclusão que simplesmente não pode ser tirada. Além disso, temos o registro histórico de Jesus curando os leprosos, alguns dos quais podemos assumir tinham perdido dígitos ou características faciais. Em cada caso, os leprosos foram restaurados por completo (Marcos 1:40-42, Lucas 17:12-14). Além disso, há o caso de um homem com a mão atrofiada (Mateus 12:9-13) e a restauração da orelha decepada de Malco (Lucas 22:50-51), sem mencionar o fato de que Jesus ressuscitou os mortos (Mateus 11:5; João 11), o que, inegavelmente, seria ainda mais difícil do que a cura de um amputado.

Suposição 2: A bondade e o amor de Deus requerem que Ele cure todos.Doença, sofrimento e dor são o resultado de vivermos em um mundo amaldiçoado - amaldiçoado por causa do nosso pecado (Gênesis 3:16-19, Romanos 8:20-22). A bondade e o amor de Deus o levaram a fornecer um Salvador para nos redimir da maldição (1 João 4:9-10), mas a nossa redenção final não será realizada até que Deus tenha dado um fim ao pecado no mundo. Até aquele momento, ainda estamos sujeitos à morte física.

Se o amor de Deus exigisse que Ele curasse todas as doenças e enfermidades, então ninguém jamais iria morrer - porque o "amor" manteria todos em perfeita saúde. A definição bíblica do amor é "uma busca sacrificial do que é melhor para o ser amado." O que é melhor para nós nem sempre é a integridade física. O apóstolo Paulo orou para que seu "espinho na carne" fosse removido, mas Deus disse "Não" porque Ele queria que Paulo entendesse que ele não precisava ter boa saúde para experimentar a graça sustentadora de Deus. Através dessa experiência, Paulo cresceu em humildade e na compreensão da misericórdia e do poder de Deus (2 Coríntios 12:7-10).

O testemunho de Joni Eareckson Tada fornece um exemplo moderno do que Deus pode fazer através da tragédia física. Como uma adolescente, Joni sofreu um acidente de mergulho que a deixou tetraplégica. Em seu livro Joni, ela relata como visitou curandeiros muitas vezes e orou desesperadamente, mas a cura nunca veio. Finalmente, ela aceitou a sua condição como a vontade de Deus, e escreve: "Quanto mais penso nisso, mais estou convencida de que Deus não quer que todo mundo seja sadio. Ele usa os nossos problemas para a Sua glória e nosso bem" (p 190).

Suposição 3: Deus ainda faz milagres hoje assim como fez no passado.Nos milhares de anos de história cobertos pela Bíblia, encontramos apenas quatro curtos períodos de tempo em que os milagres foram amplamente executados (o período do Êxodo, o tempo dos profetas Elias e Eliseu, o ministério de Jesus e o tempo da apóstolos). Embora milagres tenham ocorrido em toda a Bíblia, foi apenas durante estes quatro períodos que os milagres eram "comuns".

O tempo dos apóstolos terminou com a escrita do Apocalipse e a morte de João. Isso significa que agora, mais uma vez, os milagres são raros. Qualquer ministério que afirme ser liderado por uma nova raça de apóstolos ou alegue possuir a capacidade de curar está enganando as pessoas. Os "curandeiros" se utilizam das emoções e do poder da sugestão para produzir inverificáveis "curas". Isso não quer dizer que Deus não cure as pessoas hoje em dia - acreditamos que Ele o faça- mas não nos números ou na maneira em que algumas pessoas afirmam.

Voltamo-nos novamente para a história de Joni Eareckson Tada, a qual em certo tempo procurou a ajuda de curandeiros. Sobre a questão dos milagres modernos, ela diz: "O lidar do homem com Deus em nossos dias e cultura é baseado em Sua Palavra, em vez de 'sinais e maravilhas'" (op cit., p. 190). Sua graça é suficiente, e Sua Palavra é certa.

Suposição 4: Deus é obrigado a dizer "sim" a qualquer oração feita em fé.Jesus disse: "Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai. E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei" (João 14:12-14). Alguns tentaram interpretar esta passagem como Jesus concordando com tudo o que pedirmos. No entanto, isso é uma má interpretação da intenção de Jesus. Observe, em primeiro lugar, que Jesus está falando com seus apóstolos e a promessa é para eles. Após a ascensão de Jesus, os apóstolos receberam o poder de fazer milagres ao espalharem o evangelho (Atos 5:12). Em segundo lugar, Jesus usa duas vezes a frase "em Meu nome". Isso indica a base para as orações dos apóstolos, mas também implica que tudo pelo que eles oraram deveria estar em consonância com a vontade de Jesus. Não se pode dizer que uma oração egoísta, por exemplo, ou uma motivada pela ganância possa ser feita no nome de Jesus.

Oramos com fé, mas a fé significa que confiamos em Deus. Confiamos que Ele fará o que é melhor e sabe o que é melhor. Quando consideramos todos os ensinamentos da Bíblia sobre a oração (e não apenas a promessa dada aos Apóstolos), aprendemos que Deus pode exercer seu poder em resposta à nossa oração, ou Ele pode surpreender-nos com um curso de ação diferente. Em Sua sabedoria, Ele sempre faz o que é melhor (Romanos 8:28).

Suposição 5: A cura futura de Deus (na ressurreição) não pode compensar pelo sofrimento terreno.A verdade é que "os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós" (Romanos 8:18). Quando um crente perde uma perna ou um braço, ele tem a promessa de Deus da cura futura e a fé é "a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem" (Hebreus 11:1). Jesus disse: "Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno" (Mateus 18:8). Suas palavras confirmam a importância relativa da nossa condição física neste mundo, em comparação com o nosso estado eterno. Entrar na vida mutilado (e, em seguida, ser curado) é infinitamente melhor do que entrar inteiro no inferno (para sofrer por toda a eternidade).

Suposição 6: O plano de Deus está sujeito à aprovação do homem.Uma das alegações do argumento sobre "por que Deus não cura amputados" é que Deus simplesmente não é "justo" com os amputados. No entanto, a Bíblia deixa claro que Deus é perfeitamente justo (Salmo 11:7, 2 Tessalonicenses 1:5-6) e na Sua soberania Ele não responde a ninguém (Romanos 9:20-21). Um crente tem fé na bondade de Deus, mesmo quando as circunstâncias tornam isso difícil e a razão parece hesitar.

Suposição 7: Deus não existe.Este é o pressuposto subjacente sobre o qual todo o argumento "por que Deus não cura amputados" se baseia. Aqueles que defendem essa posição começa com a suposição de que Deus não existe e, em seguida, procede a reforçar a sua ideia da melhor forma possível. Para eles, "a religião é um mito" é uma conclusão antecedente, apresentada como uma dedução lógica, mas que é, na realidade, fundamental para o argumento.

Em certo sentido, a questão de por que Deus não cura os amputados é uma pergunta capciosa, comparável a "Pode Deus fazer uma pedra grande demais para Ele levantar?" e é projetada não para procurar a verdade, mas para desacreditar a fé. Em outro sentido, pode ser uma pergunta válida com uma resposta bíblica. Essa resposta, em suma, seria mais ou menos assim: "Deus pode curar os amputados e curará cada um dos que confiarem em Cristo como Salvador. A cura virá, não como resultado de exigirmos agora, mas no próprio tempo de Deus , possivelmente nesta vida, mas definitivamente no céu. Até esse momento, andamos por fé, confiando no Deus que nos redimiu em Cristo e promete a ressurreição do corpo".

Um testemunho pessoal:


Nosso primeiro filho nasceu com alguns ossos faltando nas suas pernas e seus pés e ele só tinha dois dedos. Dois dias depois do seu primeiro aniversário, ele teve os dois pés amputados. Estamos agora pensando em adotar uma criança da China que precisaria de uma cirurgia semelhante por ter problemas semelhantes. Sinto que Deus me escolheu para ser uma mãe muito especial para estas crianças especiais, e eu não tinha a menor ideia, até ler sobre esse tópico (de por que Deus não cura os amputados), de que as pessoas usavam isso como uma razão para duvidar da existência de Deus. Como a mãe de uma criança sem pés e a mãe potencial de outra criança que também não terá alguns de seus membros inferiores, eu nunca tinha enxergado isso com essa luz.

Em vez disso, vi a Sua chamada em minha vida para ser uma mãe especial como uma forma de ensinar a outros das bênçãos de Deus. Ele também está me chamando para dar a essas crianças a oportunidade de serem adicionadas a uma família cristã que vai ensiná-las a amar o Senhor em sua maneira especial e entender que podemos superar todas as coisas através de Cristo. Alguns podem achar isso uma pedra de tropeço; achamos uma experiência de aprendizagem e desafio. Também agradecemos a Ele por dar a alguém o conhecimento para realizar as cirurgias necessárias e fazer as próteses necessárias que permitem que o meu filho, e espero que nosso próximo filho, sejam capazes de andar, correr, pular e viver para glorificar a Deus em todas as coisas. "Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito" (Romanos 8:28).



AS APARIÇÕES DE MARIA, COMO NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, SÃO MENSAGENS VERDADEIRAS DE DEUS?

Pergunta: "As aparições de Maria, como Nossa Senhora de Fátima, são mensagens verdadeiras de Deus?"

Resposta:Na tradição católica, há muitas ocorrências registradas de Maria, anjos e/ou santos em aparições e trazendo a mensagem de Deus. É provável que em pelo menos alguns destes casos, as pessoas estivessem verdadeiramente vendo algo sobrenatural. Apesar de algumas aparições em vários lugares serem, talvez, obra de charlatanismo, outras foram aparentemente autênticas. Contudo, com o que foi dito, uma aparição ser autêntica não significa que seja uma mensagem de Deus ou uma aparição genuína de Maria, um anjo ou um santo. As Escrituras declaram que Satanás e seus demônios se transfiguram em anjos de luz (II Coríntios 11:14-15). Uma fraude de satanás é uma explicação razoável para as aparições.

A única forma para se determinar se uma aparição é um “falso sinal ou prodígio” ou uma genuína mensagem de Deus é comparar a aparição com as Escrituras. Se os ensinamentos ligados a estas aparições forem contrários à Palavra de Deus, estas aparições são então de natureza satânica. Um estudo dos ensinamentos de Nossa Senhora de Fátima com seu “Milagre do Sol” são um bom exemplo.

Uma página da internet que contém descrições detalhadas do “Milagre do Sol” (página disponível em inglês) pode ser localizada em: www.religion-cults.com/fatima/sun.htm. Poderia parecer que algo espetacular ocorreu em 13 de outubro de 1917... que algo, de fato, surgiu e trouxe uma mensagem. A presença de sincronia com o que teria sido dito pelos pequenos pastores três meses antes poderia parecer unir este evento com as aparições que teriam visto nos meses anteriores, primeiro o anjo e depois, “Nossa Senhora de Fátima”.

Quando comparamos a mensagem de Fátima com o que ensina a Bíblia, fica evidente que a mensagem de Fátima combina algumas verdades bíblicas com várias práticas e ensinamentos sem respaldo bíblico. Os parágrafos seguintes são tirados diretamente de uma página da internet dedicada a “Nossa Senhora de Fátima”, www.fatima.org. Palavras ou frases específicas estão sublinhadas para indicá-las como não-bíblicas (não ensinadas na Bíblia), ou antibíblicas (contrárias à Bíblia). Seguindo as citações longas, mais informações serão dadas, com razões específicas para classificar estas aparições como “falsos sinais e prodígios”. Segue-se um resumo tirado da mensagem geral dada por Nossa Senhora de Fátima:

A Mensagem, em Termos Gerais

“A Mensagem de Fátima, em termos gerais, não é complicada. Pede por orações, reparação, arrependimento e sacrifício, e o abandono do pecado. Antes que Nossa Senhora aparecesse aos três pequenos pastores, Lúcia, Francisco e Jacinta, O Anjo da Paz os visitou. O Anjo preparou as crianças para que recebessem a Abençoada Virgem Maria, e as instruções do anjo são aspecto importante da Mensagem, aspecto que é freqüentemente ignorado.

O Anjo demonstrou às crianças a maneira fervente, atenciosa e calma na qual devemos todos orar, e a reverência que devemos mostrar a Deus em oração. Ele também explicou a eles sobre a grande importância de orar e fazer sacrifícios em reparação pelas ofensas cometidas contra Deus. Ele disse às crianças: ‘Façam de tudo o que puderem um sacrifício e ofereçam a Deus como ato de reparação pelos pecados, pelos quais Ele se ofende, e em súplica pela conversão dos pecadores’. Em sua terceira e última aparição às crianças, o Anjo deu a elas a Santa Comunhão, e demonstrou a maneira correta de receber Nosso Senhor na Eucaristia: todas as três crianças se ajoelharam para receber a Comunhão, e Lúcia recebeu a Sagrada Hóstia em sua língua e o Anjo dividiu o Sangue do Cálice entre Francisco e Jacinta.

Nossa Senhora enfatizou a importância de oração do Rosário em cada uma de Suas aparições, pedindo às crianças que a fizessem a cada dia, pedindo por paz. Outra parte principal da Mensagem de Fátima é devoção ao Imaculado Coração de Nossa Senhora, que está terrivelmente ultrajado e ofendido pelos pecados da humanidade, e em amor, somos fortemente compelidos a consolá-La, fazendo reparação. Ela mostrou às crianças seu Coração, cercado de espinhos que o penetravam (que representavam os pecados contra Seu Imaculado Coração), e elas compreenderam que seus sacrifícios poderiam ajudar a consolá-La.

As crianças também viram que Deus está terrivelmente ofendido pelos pecados da humanidade, e que Ele deseja que cada um de nós e toda a humanidade abandone o pecado e faça reparação por seus crimes através da oração e sacrifício. Nossa Senhora, com tristeza, suplicou: ‘Não mais ofendam ao Senhor nosso Deus, pois Ele já está muitíssimo ofendido!’

Às crianças foi dito também que orassem e se sacrificassem pelos pecadores, para salvá-los do inferno. Às crianças foi rapidamente mostrada uma visão do inferno, depois da qual Nossa Senhora disse a eles: ‘Vocês viram o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores. Para salvá-los, Deus deseja estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se o que vos digo for feito, muitas almas serão salvas e haverá paz’.

Nossa senhora nos mostrou a específica raiz de todos os problemas no mundo, aquela que causa as guerras mundiais e tão grande sofrimento: o pecado. Então ela deu uma solução, primeiro para as pessoas, individualmente, e depois para os líderes da Igreja. Deus pede que cada um de nós pare de ofendê-Lo. Devemos rezar, principalmente o Rosário. Fazendo freqüentemente a oração do Rosário, alcançaremos as graças das quais necessitamos para vencermos o pecado. Deus quer que nós tenhamos devoção ao Imaculado Coração de Maria e que trabalhemos para espalhar esta devoção através do mundo. Nossa Senhora disse: ‘Meu Imaculado Coração será seu refúgio e o caminho que o conduzirá a Deus.’ Se desejamos ir a Deus, temos um caminho certo até Ele através da devoção ao Imaculado Coração de Sua Mãe.

Para nos chegarmos mais perto Dela, e desta forma a Seu Filho, Nossa Senhora enfatizou a importância de rezarmos pelo menos cinco grupos de dez, do Rosário, diariamente. Ela pediu para que usássemos o Escapulário Marrom. E devemos fazer sacrifícios, especialmente o sacrifício da nossa tarefa diária, em reparação pelos pecados cometidos contra Nosso Senhor e Nossa Senhora. Ela também enfatizou a necessidade de orações e sacrifícios para salvar os pobres pecadores do inferno. A Mensagem de Fátima, às almas individuais, se resume nestas coisas.”

Na mesma página da internet, há uma entrevista gravada entre a Irmã Lúcia (a pastora de dez anos que estava entre as três crianças que viram as aparições em 1917) e Padre Fluentes  A entrevista aconteceu em 1957. Nesta entrevista, que enfatiza Fátima e sua mensagem, a Irmã Lúcia diz o seguinte:

“Senhor Padre, o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira deixa também o campo das almas desamparado e mais facilmente se apodera delas.

Senhor Padre, a Santíssima Virgem não me disse que nos encontramos nos últimos tempos do mundo, mas deu-mo a entender por três motivos: O primeiro, porque me disse que o demônio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria – e uma batalha decisiva é uma batalha final, onde se vai saber de que lado será a vitória e de que lado será a derrota. Por isso, agora, ou somos de Deus ou somos do demônio: não há meio termo.

O segundo, porque me disse, tanto aos meus primos como a mim, que eram dois os últimos remédios que Deus dava ao mundo: o Santo Rosário e a devoção ao Coração Imaculado de Maria; e, se são os últimos remédios, quer dizer que são mesmo os últimos, que já não vai haver outros.

E o terceiro porque – sempre – nos planos da Divina Providência, quando Deus vai castigar o mundo, esgota primeiro todos os outros meios; depois, ao ver que o mundo não fez caso de nenhum deles, só então (como diríamos no nosso modo imperfeito de falar) é que Sua Mãe Santíssima nos apresenta, envolto num certo temor, o último meio de salvação, Sua Mãe Santíssima. Porque se desprezarmos e repelirmos este último meio, já não obteremos o perdão do Céu: porque cometemos um pecado a que no Evangelho é costume chamar ‘pecado contra o Espírito Santo’ e que consiste em repelir abertamente, com todo o conhecimento e vontade, a salvação que nos é entregue em mãos; e também porque Nosso Senhor é muito bom Filho, e não permite que ofendamos e desprezemos Sua Mãe Santíssima – tendo como testemunho patente a história de vários séculos da Igreja que, com exemplos terríveis, nos mostra como Nosso Senhor saiu sempre em defesa da Honra de Sua Mãe Santíssima.

São dois os meios para salvar o mundo: a oração e o sacrifício. [Em relação ao Santo Rosário, Disse a Irmã Lúcia:] Olhe, Senhor Padre, a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à oração do Santo Rosário. De tal maneira que agora não há problema, por mais difícil que seja, seja temporal ou, sobretudo, espiritual – que se refira à vida pessoal de cada um de nós; ou à vida das nossas famílias, sejam as famílias do mundo sejam as Comunidades Religiosas; ou à vida dos povos e das nações –, não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário. Com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas. E depois, a devoção ao Imaculado Coração de Maria, Mãe Santíssima, vendo nós Nela a sede da clemência, da bondade e do perdão, e a porta segura para entrar no Céu.”

Nos parágrafos acima, com referência à mensagem que a Irmã Lúcia sentiu que a aparição a ela concedida desejava comunicar ao mundo, você encontrará muitas coisas que, não apenas não encontramos nas Escrituras, mas que são contrárias às Escrituras.

1) Maria é citada como a “Mãe Santíssima” e como tendo um “Imaculado Coração”. Com isto, não se está dizendo que ela possui retidão e santidade dadas aos santos através da retidão imputada de Cristo, mas ao invés disso, que ela foi salva do pecado em todas as formas por ter sido concebida no útero de sua mãe já sem a mácula do pecado original. Jamais a Bíblia se refere a Maria como sendo sem pecado. Nunca a Bíblia se refere a ela como tendo um imaculado coração. Entretanto, ela mesma se refere a Deus como seu Salvador (Lucas 1:47). Isto parece colocá-la no mesmo lugar do restante da humanidade, mas a Igreja Católica afirma que Maria foi salva do pecado através dos méritos de Cristo sendo concebida sem pecado e então vivendo uma vida sem pecado. Mais uma vez, nunca isto é ensinado nas Escrituras. Ao contrário, o que as Escrituras ensinam é que há apenas uma exceção à verdade de que todos somos pecadores (Romanos 3:10; 3:23), etc. Esta única exceção é Jesus Cristo (II Coríntios 5:21; I Pedro 2:22; I João 3:5).

2) A Irmã Lúcia fala da devoção do “Imaculado Coração” de Maria citando o rosário como “os dois últimos remédios para o mundo”. Ela também afirma que não há problema que não possa ser resolvido se fizermos a oração do Rosário. É o ensinamento de Fátima que através da mesma coisa haverá salvação de muitas almas. Mais uma vez, nunca tal ensinamento poderá ser encontrado nas Escrituras. A oração principal do Rosário é “Ave, Maria”, que é repetida cinqüenta vezes. 


 A primeira metade é uma citação das Escrituras do cumprimento do anjo a Maria: “Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”, mas a segunda metade diz: “...Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora da nossa morte, amém.” Além de dar a Maria um título que as Escrituras a ela não dão, roga-se a Maria que ore por nós. Mais uma vez, os católicos não apenas vêem a Maria como aquela através da qual flui TODA a graça de Deus, e aquela que intercede junto a seu Filho em nosso favor, mas os católicos também direcionam orações a ela para que livre as pessoas do pecado, da guerra, etc. A oração do Papa João Paulo II a Maria, dos primeiros anos da década de 1980, é um exemplo disto. Nesta oração, ele repetidamente roga a Maria que “nos livre” da guerra nuclear, fome, autodestruição, injustiça, etc.

Mais uma vez, nunca encontraremos uma pessoa piedosa nas Escrituras orando a ninguém a não ser a Deus, ou pedindo para que alguém interceda, a não ser aqueles ainda vivos nesta terra. Ao invés disso, as Escrituras nos direcionam para que oremos a Deus (Lucas 11:1-2; Mateus 6:6-9; Filipenses 4:6; Atos 8:22; Lucas 10:2, etc.)! Ele nos pede para que venhamos com confiança ao trono da graça (Seu trono) para que achemos graça e socorro nos tempos de necessidade (Hebreus 4:14-16). Deus nos prometeu que o Espírito Santo faz por nós intercessão de acordo com a vontade de Deus e com gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26). Por que precisamos ir através de um santo, anjo ou Maria, ainda mais se considerarmos o fato de que nem o exemplo para que o façamos ou mandamento para que o façamos é jamais ensinado nas Escrituras? Nas Escrituras, há apenas dois exemplos que se repetem:

a) A oração é feita somente a Deus (I Coríntios 11:5; Romanos 10:1; Romanos 15:30; Atos 12:5; Atos 10:2; Atos 8:24; Atos 1:24; Zacarias 8:21-22; Jonas 2:7; 4:2, etc.)

b) Pedidos de orações são feitos somente aos vivos (I Tessalonicenses 5:25; II Tessalonicenses 3:1; Hebreus 13:18, etc.)

Além disto, em nenhum lugar se ensina que Maria tudo vê, tudo ouve e é onisciente (ou algo parecido), como teria que ser para que pudesse ouvir e responder à grande quantidade de orações que são a ela direcionadas pelos muitos católicos que oram, ao mesmo tempo, através do mundo. Ao invés disto, as Escrituras ensinam que tanto os anjos e os espíritos dos mortos são seres limitados, capazes de estarem apenas em um lugar em um determinado momento (Daniel 9:20-23; Lucas 16:19 em diante).

3) Uma das mensagens que se repetem em Fátima é a chamada para “reparação” pessoal ou “penitência”. Este conceito católico ensina que devemos indenizar a Deus ou a Maria pelos pecados que contra eles cometemos. Repetindo uma das frases de “A Mensagem, em Termos Gerais”, o anjo disse às crianças: “Façam de tudo o que puderem um sacrifício e ofereçam a Deus como ato de reparação pelos pecados, pelos quais Ele se ofende...” Reparação significa expiação... algo feito ou pago, como indenização; compensação. Isto combina com o ensinamento Católico Romano de pena temporal, na qual a pessoa pode por si mesma, cuidar de seu perdão, através de penitência agora ou através de um tempo passado no purgatório, mais tarde. A Bíblia NUNCA fala da necessidade de fazer “reparação” por nossos pecados ou fazer “penitências” para pagar por nossos pecados. 


 Ao contrário, o que ela ensina é que devemos oferecer nossas vidas como sacrifícios vivos a Deus em resposta e em gratidão por toda a misericórdia que Ele nos demonstrou na salvação (Romanos 12:1-2). Quando a pessoa se torna cristã, seus pecados são perdoados e totalmente pagos por Cristo. Não resta qualquer outro pagamento que possa ser por eles feito, nenhuma penitência adicional é devida.

4) Um aspecto fundamental de Nossa Senhora de Fátima é curvar-se ante às imagens associadas com a aparição, em veneração. Através de toda a Bíblia, vemos que todas as vezes que alguém se curva diante de um dos “santos” ou anjos, a ele é dito que se levante e pare. Apenas quando feito ao “Anjo do Senhor” (uma aparição pré-incarnada de Cristo), ou perante Jesus ou Deus o Pai, tal veneração é aceita. 


 Os católicos fazem uma distinção entre “adoração” a Deus e “veneração” a Maria e aos santos; mas quando o Apóstolo João prostra-se perante um anjo, o anjo não pergunta: “Você está me adorando ou venerando?” O anjo simplesmente diz que pare e exclama: “Adora a Deus” (Apocalipse 19:10). Da mesma forma, quando Pedro estava sendo “venerado” (prokuneo – a palavra grega que a Igreja Católica usa para “veneração”, opostamente a “adoração”, que somente Deus merece) por Cornélio em Atos 10:25-26, Pedro diz a Cornélio: “Levanta-te, que eu também sou homem”. Devo notar que esta mesma palavra é usada na passagem de Apocalipse também mencionada. Desta forma, o exemplo repetido que temos de um anjo ou “santo” sendo “honrado” está acompanhada por uma ordem de “pare”!

Desta forma, orar a Maria é contrário à admoestação das escrituras para que se ore a Deus e ao exemplo das Escrituras para que assim se faça. Também é ilógico que se substitua a oração ao um Deus todo amor, onisciente e onipotente (Salmos 139; Hebreus 4:14-16) para que se ore a algum santo ou Maria, pois não há qualquer evidência nas Escrituras de que possam sequer ouvir as orações. Orar a Santos e a Maria, mundialmente, é atribuir a eles qualidades de onipresença e onisciência que somente Deus possui... e isto, verdadeiramente, é idolatria!

5) Por último, em referência ao “Milagre do Sol”, há casos repetidos nos quais os “falsos sinais e prodígios” são mencionados nas Escrituras (Êxodo 7:22; 8:7; 8:18; Mateus 24:24; Marcos 13:22; Apocalipse 13:13-14). Deus até nos diz em Deuteronômio 13:1 em diante, que quando alguém faz uma profecia que se cumpre ou um “sinal” que parece miraculoso, mas se junto for ensinada a adoração a outros deuses, não devemos dar a ele crédito, mas ao invés disso, devemos tratá-lo como falso profeta.

Para um cristão, o “conteúdo da fé” deve ser a Bíblia e o que ela ensina (Isaías 8:20; II Timóteo 3:16). E enquanto os católicos poderão argumentar que “Nossa Senhora de Fátima” não nos chama a adorar “deuses estranhos”, mas ao Deus verdadeiro, a idéia de venerar a Maria a ponto de seu “Coração Imaculado” ser colocado no mesmo nível de devoção que o “Sagrado coração” de Jesus é inegavelmente uma exaltação a uma mulher piedosa até uma posição nunca dada a ela nas Escrituras... a de igualdade com Deus: pois honrá-la como se honraria a Cristo, é fazer isto. 


 Da mesma forma, concentrar-se em Maria a ponto de gastar mais tempo orando a ela do que a Deus também se constitui idolatria, especialmente à luz das ordens diretas das Escrituras para que oremos a Deus e o completo silêncio nas Escrituras em relação à exaltação a Maria.

O “Milagre do Sol” foi um falso sinal e prodígio? Com base nos ensinamentos bíblicos, parece claro que sim. É fácil para Satanás misturar verdade suficiente para fazer um ensinamento parecer verdadeiro, com erro o suficiente para condenar almas ao inferno. Em que lugar é mencionado, através de toda a mensagem de Fátima, o Evangelho de salvação pela graça através da fé em Cristo... a mensagem que é repetida através de todo o Novo Testamento?

Onde está mencionado que a salvação é através da obra consumada de Jesus Cristo no Calvário e que nossas obras não têm méritos longe Dele? Penitências e ofertas para reparação por nossos pecados são totalmente contrárias à obra consumada de Cristo no Calvário e contrárias a nossa necessidade de salvação somente pela graça através da fé somente em Jesus. O chamado de Maria e seu Imaculado Coração e a oração do Rosário como último e final recurso para salvar as almas está em completa oposição às verdades bíblicas de Atos 4:12 e I Timóteo 2:5. “À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20).



PODE O HOMEM VIVER SEM DEUS?

Pergunta: "Pode o homem viver sem Deus?"

Resposta:Contrário às afirmações de ateístas, estetas e epicuristas através dos séculos, o homem não pode viver sem Deus. O homem pode ter uma existência mortal sem confessar que Deus existe, mas não sem o fato de Deus.

Como o Criador, Deus deu início à vida humana.Dizer que o homem pode existir sem Deus é dizer que um relógio pode existir sem o relojoeiro, ou que uma história pode existir sem um contador de histórias. Devemos todo o nosso ser a Deus, em Cuja imagem somos feitos (Gênesis 1:27). Nossa existência depende de Deus, quer queiramos aceitar a Sua existência ou não.

Como o Sustentador, Deus continuamente concede a vida (Salmos 104:10-32).Ele é a vida (João 14:6), e toda a criação subsiste pelo poder de Cristo (Colossenses 1:17). Até mesmo aqueles que rejeitam a Deus recebem seu sustento dEle: “Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mateus 5:45). Pensar que o homem pode viver sem Deus é achar que um girassol pode viver sem luz ou uma rosa sem água.

Como o Salvador, Deus dá vida eterna àqueles que acreditam no Seu Filho.Vida se encontra em Cristo, o qual é a Luz dos homens (João 1:4). Jesus veio para que possamos ter vida “em abundância” (João 10:10). Todos aqueles que colocam sua confiança nEle são prometidos eternidade com Ele (João 3:15-16). Para o homem viver – realmente viver – ele precisa conhecer a Cristo (João 17:3).

Sem Deus, o homem tem vida física apenas.Deus advertiu a Adão e Eva que no dia que rejeitassem a Deus, eles certamente morreriam (Gênesis 2:17). Como sabemos, eles desobedeceram, mas não morreram fisicamente naquele dia; eles morreram espiritualmente. Algo dentro deles morreu – a vida espiritual que tinham conhecido, a comunhão com Deus, a liberdade de poder gozar da Sua presença, a inocência e pureza de suas almas – tudo isso tinha acabado.

Adão, o qual tinha sido criado para viver em comunhão com Deus, foi amaldiçoado com uma existência completamente carnal. O que Deus queria que fosse de pó à glória, agora iria de pó a pó. Assim como Adão, o homem sem Deus ainda hoje vive em uma existência terrena. Ele pode até parecer muito feliz; já que há muito divertimento e prazer que podem ser desfrutados nessa vida.

Alguns rejeitam a Deus mas ainda vivem vidas de diversão e alegria. Suas ambições carnais aparentam render-lhes uma existência gratificante e tranquila. A Bíblia diz que há um certo gozo que pode ser desfrutado do pecado (Hebreus 11:25). O problema é que tudo isso é temporário; a vida nesse mundo é curta (Salmos 90:3-12). Mais cedo ou mais tarde, o hedonista, assim como o filho pródigo da parábola, percebe que os prazeres desse mundo não sustentam sua alma (Lucas 15:13-15).

No entanto,nem todo mundo que rejeita a Deus é um desperdiçador como o filho pródigo. Há várias pessoas que não são salvas, mas vivem uma vida sóbria e disciplinada – até mesmo vidas gratificantes e felizes. A Bíblia apresenta certos princípios morais que vão beneficiar qualquer um desse mundo – fidelidade, modéstia, auto-controle,etc. Provérbios 22:3 é um exemplo de uma dessas verdades gerais. No entanto, o problema é que, sem Deus, o homem tem apenas esse mundo. Viver uma vida sem problemas não é nenhuma garantia de que estamos prontos para a próxima vida. Veja a parábola do fazendeiro rico em Lucas 12:16-21, e a conversa de Jesus com o jovem homem rico (e muito moral) em Mateus 19:16-23.

Sem Deus, o homem não encontra realização verdadeira, nem mesmo nessa vida mortal.Thomas Merton observou que o homem não tem paz com outros homens porque não está em paz consigo mesmo, e ele não tem paz consigo mesmo porque ele não tem paz com Deus.

A busca dos prazeres só por ter prazer é um sinal de tumulto interior, uma ilusão de felicidade do epicurista. Aqueles que procuram por prazer têm descoberto várias vezes, durante o curso da história, que as diversões temporárias da vida trazem desespero mais profundo. Aquele sentimento irritante de “algo está errado” é difícil de combater. O Rei Salomão se entregou a uma busca de tudo que esse mundo tem a oferecer, e registrou seus descobrimentos no livro de Eclesiastes.

Salomão descobriu que conhecimento, por si só, é fútil (Eclesiastes 1:12-18). Ele descobriu que prazer e riquezas são fúteis (2:1-11), que materialismo é uma tolice (2:12-23), e que riquezas são passageiras (capítulo 6).

Salomão conclui que a vida é um presente de Deus (3:12-13) e que a única forma sábia de viver é temendo a Deus: “De tudo o que se tem ouvido, a suma é: Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem. Porque Deus há de trazer a juízo todas as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más” (12:13-14).

Em outras palavras, há mais para essa vida do que a dimensão física. Jesus enfatiza isso quando diz: “Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4:4). Não o pão (o físico), mas a Palavra de Deus (o espiritual) é o que nos mantém vivos. Blaise Pascal disse: “É em vão, oh homens, que procurais dentro de si mesmos a cura para todas as suas misérias.” O homem só pode achar vida e realização quando Ele reconhece a existência de Deus.

Sem Deus, o destino do homem é a morte.O homem sem Deus é espiritualmente morto; quando sua vida física acabar, ele tem que encarar morte espiritual – separação eterna de Deus. Na narrativa de Jesus sobre o homem rico e Lázaro (Lucas 16:19-31), o homem rico vive uma suntuosa vida de tranquilidade sem um pensamento de Deus, enquanto Lázaro sofre por sua vida mas conhece a Deus. É após suas mortes que os dois homens realmente compreendem a gravidade das escolhas que fizeram durante a vida. O homem rico “ergueu os olhos”, estando no tormento do inferno. Ele percebeu, já tarde, que há mais nessa vida dos que olhos podem enxergar. Enquanto isso, Lázaro é confortado no paraíso. Para ambos os homens, a duração curta da sua existência terrena não foi nada em comparação ao estado permanente de suas almas.

O homem é uma criação especial. Deus tem colocado uma consciência de eternidade nos nossos corações (Eclesiastes 3:11), e esse sentido de destino eterno pode achar sua realização apenas em Deus.



COMO DEUS DISTRIBUI DONS ESPIRITUAIS? SERÁ QUE DEUS VAI ME DAR O DOM ESPIRITUAL PELO QUAL EU PEDIR?

Pergunta: "Como Deus distribui dons espirituais? Será que Deus vai me dar o dom espiritual pelo qual eu pedir?"

Resposta:Romanos 12:3-8 e 1 Coríntios 12 deixam bem claro que cada Cristão recebe dons espirituais de acordo com a escolha de Deus. Dons espirituais são distribuídos com o propósito de edificar o corpo de Cristo (1 Coríntios 12:7; 14:12). O tempo exato de quando essa distribuição acontece na vida do crente não é especificamente mencionado. Muitos acreditam que os dons espirituais sejam distribuídos no momento do nascimento espiritual (no momento da salvação). No entanto, há alguns versículos que aparentam indicar que Deus às vezes distribua esses dons espirituais mais tarde. 


 Tanto 1 Timóteo 4:14 como 2 Timóteo 1:6 mencionam um “dom” que Timóteo tinha recebido no momento de sua ordenação “por profecia”. Isso provavelmente indica que um dos presbíteros durante a ordenação de Timóteo falou sob a influência de Deus sobre um dom espiritual que Timóteo receberia para melhor equipá-lo para o seu ministério futuro.

1 Coríntios 12:28-31 e 1 Coríntios 14:12-13 também nos dizem que Deus (não nós mesmos) é quem escolhe os dons. Essas passagens também indicam que nem todo mundo vai ter um dom em particular. Paulo diz aos crentes da igreja de Coríntios que se vão desejar ou cobiçar certos dons espirituais, então devem deixar de lado sua fascinação com os dons “espetaculares” ou “ostentosos”, mas ao invés devem procurar os dons que sejam melhores para edificar, tais como o dom de profecia (falando a palavra de Deus para a edificação de outras pessoas). 


 Agora, por que Paulo diria-lhes com tanta veemência que desejassem os “melhores” dons, se eles já tivessem recebido tudo que iriam receber e não tivessem mais oportunidade nenhuma de ganhar esses “melhores” dons? Essa passagem pode levar alguém a acreditar que como até mesmo Salomão procurou ganhar sabedoria de Deus para poder ser um bom governante de seu povo, que Deus vai nos conceder esses dons dos quais precisamos para podermos trazer grande proveito à Sua igreja.

Tendo dito isso, ainda é verdade que esses dons são distribuídos de acordo com a escolha de Deus, não a nossa. Se todo crente de Coríntios desejasse fortemente um dom em particular, tal como o dom de profecia, Deus não iria dar esse mesmo dom a todo mundo só porque assim era o seu desejo. Por quê? Onde estariam todos os outros que são necessários para servir as outras funções do corpo de Cristo?

Há uma coisa que é extremamente clara: o comando de Deus é o que Deus usa para capacitar alguém a seguir tal comando. Se Deus nos comanda a fazer algo (tal como testificar, amar os que não são amáveis, discipular as nações, etc.), então Ele vai nos capacitar para seguir Seu chamado. Alguns talvez não sejam tão “dotados” em evangelismo como outros, mas Deus comanda todos os crentes a testificar e discipular (Mateus 28:18-20; Atos 1:8). Todos nós somos chamados a evangelizar, quer tenhamos o dom de evangelização ou não. Um Cristão determinado que deseja aprender da Palavra de Deus e desenvolver sua habilidade de ensinar vai se tornar um professor melhor do que aquele que talvez tenha o dom espiritual de ensinar, mas não o usa.

Em resumo, os dons espirituais nos são dados quando recebemos a Cristo, ou são cultivados através da nossa caminhada com Deus? A resposta é os dois. Normalmente, os dons espirituais são dados no momento de salvação, mas também precisam ser cultivados através de crescimento espiritual. 


 Será que você pode ir atrás de um desejo do seu coração e desenvolvê-lo em um dom espiritual? Você pode ir atrás de certos dons espirituais? 1 Coríntios 12:31 aparenta indicar que seja possível procurar, “com zelo, os melhores dons”. Você pode pedir a Deus por um dom espiritual e ser zeloso com ele através de sua procura de tentar desenvolver essa área. Ao mesmo tempo, se não for da vontade de Deus, você não vai receber certo dom espiritual, não importa quão ardentemente você o procure. Deus é infinitamente sábio e sabe em quais dons você vai ser o mais produtivo para o Seu reino.

Não importa quão dotados sejamos em um dom ou outro, todos nós somos chamados a desenvolver certas áreas mencionadas na lista de dons espirituais.... somos chamados a ser hospitaleiros, mostrar atos de misericórdia, servir uns aos outros, evangelizar, etc.... À medida que procuramos servir a Deus com amor, com o propósito de encorajar uns aos outros para a Sua glória, Ele vai trazer glória ao Seu nome, edificar Sua igreja e nos retribuir (1 Coríntios 3:5-8; 12:31-14:1). Deus promete que quando nos deleitamos nEle, Ele vai nos dar os desejos de nosso coração (Salmo 37:4-5). Isso com certeza incluiria nos preparar para servi-lO de uma forma que nos traga propósito e gratificação.



COMO POSSO RECEBER PERDÃO DE DEUS? 

Pergunta: "Como posso receber perdão de Deus?"

Resposta:Atos 13:38 declara: “Tomai, pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia remissão de pecados por intermédio deste [Jesus].”

O que é perdão e por que preciso?

A palavra “perdão” significa limpar a conta, perdoar ou cancelar a dívida. Quando ofendemos alguém, buscamos seu perdão para que o relacionamento seja restaurado. Perdão não é dado porque alguém merece ser perdoado. Ninguém merece ser perdoado. Perdão é um ato de amor, misericórdia e graça. Perdão é uma decisão de não manter algo contra outra pessoa, apesar do que tenha lhe feito.

A Bíblia nos diz que todos nós precisamos do perdão de Deus. Todos nós temos cometido pecado. Eclesiastes 7:20 proclama: “Não há homem justo sobre a face da terra que faça o bem e que não peque.” 1 João 1:8 diz: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós.” No final das contas todo pecado é contra Deus (Salmos 51:4). Por isso, precisamos desesperadamente do perdão de Deus. Se nossos pecados não forem perdoados, passaremos a eternidade sofrendo as conseqüências de nossos pecados (Mateus 25:46; João 3:36).

Perdão – Como posso obter?

Graças a Deus, Ele é bondoso e misericordioso — pronto para nos perdoar dos nossos pecados! 2 Pedro 3:9 nos diz: “...Ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento.” Deus deseja nos perdoar, então ele providenciou nosso perdão.

O único castigo justo pelos nossos pecados é a morte. A primeira parte de Romanos 6:23 declara: “Porque o salário do pecado é a morte...” Morte eterna é o salário que merecemos por nossos pecados. Deus, em Seu plano perfeito, tornou-se um ser humano — Jesus Cristo (João 1:1,14). Jesus morreu na cruz, pagando o preço que nós merecíamos pagar— morte. 2 Coríntios 5:21 nos ensina que: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” Jesus morreu na cruz, levando sobre si o castigo que nós merecemos! Sendo Deus, a morte de Jesus providenciou perdão pelos pecados do mundo inteiro. 1 João 2:2 proclama: “E Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos próprios, mas ainda pelos do mundo inteiro.” Jesus ressuscitou dos mortos, proclamando Sua vitória sobre o pecado e a morte (1 Coríntios 15:1-28). Graças a Deus pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. A segunda parte de Romanos 6:23 também é verdade: “...mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.”

Você quer ter seus pecados perdoados? Você tem sentido o peso da culpa que simplesmente não desaparece? Perdão de seus pecados é disponível a você se apenas colocar sua fé em Jesus Cristo como seu Salvador. Efésios 1:7 diz: “No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça.” Jesus pagou nossa dívida por nós para que pudéssemos ser perdoados — e Ele te perdoará! João 3:16-17 contém esta maravilhosa mensagem: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porquanto Deus enviou o Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele.”

Perdão – É mesmo tão fácil assim?

Sim, realmente é! Você não pode conquistar o perdão de Deus. Você não pode pagar pelo perdão de seus pecados contra Deus. Você só pode recebê-lo, por fé, através da graça e misericórdia de Deus. Se você quiser aceitar Jesus Cristo como seu Salvador e receber perdão de Deus, aqui está uma oração que você pode fazer. Fazer esta oração ou qualquer outra oração não é capaz de lhe salvar. Apenas confiar em Jesus Cristo pode providenciar perdão de seus pecados. “Deus, Eu sei que tenho pecado contra Ti e mereço castigo. Mas Jesus Cristo tomou o castigo que eu mereço para que por fé nele eu possa ser perdoado. Eu abandono meu pecado e coloco minha confiança em Ti para minha salvação. Graças Te dou por Sua maravilhosa graça e perdão! Amém!”


Fonte confiável de pesquisas:
http://www.gotquestions.org 

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Você deseja honrar o corpo de Cristo? Não o ignore quando ele está nu. Não o homenageie no templo vestido com seda quando o negligencia do lado de fora, onde ele está malvestido e passando frio. Ele que disse "Este é o meu corpo" é o mesmo que diz "Tu me vistes faminto e não me destes comida" e «quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mateus 25:40)... Que importa se a mesa eucarística está lotada de cálices de ouro quando seu irmão está morrendo de fome? Comeces satisfazendo a fome dele e, depois, com o que sobrar, poderás adornar também o altar.

João Crisóstomo, Comentário sobre Mateus

♛ Uma das características mais recorrentes das homilias de João Crisóstomo (347-407) é sua ênfase no cuidado com os necessitados. Ecoando temas do Evangelho de Mateus, ele exorta os ricos a abandonarem o materialismo para ajudar os pobres, empregando todas as suas habilidades retóricas para envergonhar os ricos e obrigá-los a abandonar o consumismo mais conspícuo:


“Honras de tal forma teus excrementos a ponto de recebê-los em vasilhas de prata quando outro homem criado à imagem de Deus está morrendo de frio?”


— João Crisóstomo