terça-feira, 11 de junho de 2013

Acervo da Teologia

*Eutanásia / Matando os Doentes, os Deficientes e os Idosos em Nome da Compaixão

EUTANÁSIA / MATANDO OS DOENTES, OS DEFICIENTES E OS IDOSOS EM NOME DA COMPAIXÃO!

Júlio Severo

Eutanásia é um termo pouco conhecido e compreendido no Brasil, mas é uma prática bem real em alguns países ricos. Depois de ler e estudar livros, artigos e documentos de países que já estão enfrentando a questão, coletei as informações que achei mais relevantes para os leitores brasileiros. Dei sempre preferência às informações que são menos acessíveis ao público. Durante dois anos passei muitas horas diárias estudando e pesquisando o assunto em livros e na Internet. Além disso, tive contato pessoal com especialistas americanos no assunto, como o Dr. Jack Willke e o Dr. Brian Clowes.

Há tantos estudos, pesquisas e relatos pessoais 
registrados neste livro que o leitor terá condições de fazer sua própria avaliação. Procurei cobrir o assunto de forma breve, mas bem analisada. Com as informações aqui disponíveis, não será difícil compreender o que de fato está acontecendo no Hemisfério Norte. Vamos ver então o motivo por que a eutanásia está se tornando uma questão tão importante.

A diminuição da população jovem e a crescente longevidade dos idosos têm sido características do progresso econômico e tecnológico dos países avançados. Hoje, em todos esses países, os idosos são a parte da população que mais cresce. Treze por cento da população dos EUA têm 65 anos (em 1900 eram só 4% e em 1950 só 8%). Em 2040 haverá um idoso para cada americano. A Europa e o Japão estão enfrentando um maior aumento da população idosa. Atualmente, os idosos representam mais de 16% da população da Europa e Japão, e esse número poderá ultrapassar os 30% antes de 2040.


Os cientistas sociais calculam que em 2050 a população idosa com mais de 80 anos na Alemanha, Japão e Itália estará em número igual ou superior ao da população com menos de 20 anos, uma transformação social nunca antes vista em toda a História da humanidade. Ainda mais problemático é o fato de que a classe trabalhadora ficará cada vez menor em todo o mundo industrializado nos próximos anos. Nas próximas cinco décadas, as projeções mostram que a população trabalhadora da Alemanha cairá para 43%, a da França para 25%, a do Japão para 36% e a da Itália para 47%.


Em todos os países desenvolvidos, as populações idosas imporão pressões imensas no orçamento público. Muitos países europeus enfrentam a possibilidade de um futuro com uma economia decadente e padrões de vida mais baixos. Nos Estados Unidos, por exemplo, as projeções indicam que em breve o sistema de seguridade social começará a pagar mais aposentadorias do que arrecada dos trabalhadores em contribuições para a previdência social. De acordo com uma estimativa recente, os gastos em saúde em 2030 poderão consumir aproximadamente um terço de toda a produção econômica dos EUA. Isso não é saudável para a economia de nenhum país.


O debate sobre a questão da eutanásia está avançando exatamente no meio desse contexto social complicado. Os gastos públicos vão aumentar nos próximos anos, principalmente nas despesas com os idosos e outras pessoas vulneráveis, como os deficientes e os doentes. E então, o que realmente acontecerá? A questão do aborto pode dar uma importante pista para entendermos o futuro. O aborto está hoje legalizado nos países ricos, porque a única solução que viram para alguns problemas 
econômicos e sociais foi a eliminação de bebês indesejados. Matar, nesse caso, se tornou uma medida médica e legal para resolver problemas pessoais e sociais.

A vida é um processo que não pára: começa na concepção e continua até a morte natural. O processo de desvalorização da vida humana, quando começa, também vai até o fim. Geralmente, esse processo começa trazendo a aceitação social e legal do aborto, e termina trazendo a aceitação social e legal da eutanásia. Uma sociedade que assume o direito de eliminar bebês na barriga de suas mães — porque eles são indesejados, imperfeitos ou simplesmente inconvenientes — achará difícil eventualmente não justificar a eliminação de outros seres humanos, principalmente os idosos, os doentes e os deficientes. Não é de estranhar então que a eutanásia esteja avançando exatamente nos países ricos, onde há anos o 
aborto se tornou uma prática protegida por lei. Se a lei permite a eliminação da vida antes do nascimento, por que não permiti-la também, pelas mesmas razões, depois do nascimento?

Joseph Fletcher, que é um pastor liberal, escreveu:

 É ridículo aprovarmos eticamente a eliminação da vida subumana no útero que permitimos nos abortos terapêuticos por motivos de misericórdia e compaixão, mas não aprovarmos a eliminação da vida subumana das pessoas que estão morrendo. Se temos a obrigação moral de eliminar uma gravidez quando o exame pré-natal revela um feto muito deficiente, então temos também a obrigação moral de eliminar o sofrimento de um paciente quando um exame cerebral revela que o paciente tem câncer avançado.
 Num artigo no jornal Atlantic Monthly, o Dr. Fletcher chegou a defender o direito de os pais escolherem a eutanásia para um filho que nasce com a síndrome de Down.

 Contudo, todo esse assunto envolvendo a eliminação de doentes e idosos é relativamente estranho nos países menos avançados. Ainda que tenham graves problemas em seu sistema de saúde e ocorram muitas mortes por negligência e falta de recursos, esses países não estão preparados para aceitar a eutanásia. O Brasil, por exemplo, é bem menos aberto à idéia de apressar a morte dos idosos do que a 
Europa e os EUA porque não temos uma sociedade que valoriza o aborto legal, embora instituições americanas estejam financiando grupos brasileiros que promovem sua legalização. A realidade é que, onde não há leis permitindo matar bebês na barriga de suas mães, dificilmente haverá apoio para a idéia de apressar a morte de pessoas  deficientes, doentes crônicas ou idosas. Além disso, de modo geral, países como o Brasil sempre tiveram dificuldade de aceitar leis ou costumes sociais a favor da eutanásia. Ao que tudo indica, só a elite brasileira é que procura se igualar aos liberais radicais americanos e europeus em questões importantes como aborto, diretos homossexuais, eutanásia e liberação sexual das crianças.

ENTENDENDO A QUESTÃO


Se um repórter parasse dez pessoas na rua e perguntasse o que é eutanásia, provavelmente ele receberia dez respostas diferentes. As respostas poderiam incluir “boa morte” ou até mesmo algum tipo de comida chinesa!


Há muitas pessoas que não têm idéia alguma do que significa eutanásia, embora seja umas das questões mais polêmicas da nossa época. E para confundir o público, os defensores da eutanásia estão conseguindo de modo bem inteligente atrair o apoio dos meios de comunicação. Para os noticiários de TV, jornais e revistas, eutanásia nada mais é do que oferecer compaixão a quem está sofrendo.


No entanto, por trás dessa compaixão está a realidade: a eutanásia, na prática, significa uma ação ou falta de ação com o objetivo de acabar com o sofrimento e com a pessoa que está sofrendo.


É importante que se compreenda que o objetivo dessa nova tendência não é só eliminar o sofrimento físico e psicológico de um doente. O pretexto que está sendo cada vez mais usado para justificar essa tendência é a necessidade de eliminar a carga emocional e financeira que os membros da família e a sociedade em geral sofrem por causa de um doente.


Eutanásia não quer dizer deixar o doente renunciar a tratamentos médicos dolorosos ou aos atuais meios tecnológicos da medicina para atacar as doenças. Apesar disso, os que defendem a eutanásia quase sempre fazem referências a essas situações. Quando eles dizem que tudo o que querem é que os idosos, os deficientes e os doentes crônicos tenham a liberdade e o direito de escolherem o que 
quiserem, eles estão apenas tentando fazer com que o suicídio seja visto como uma opção natural para escapar dos problemas.

A História de Michael



Michael Martin tem 41 anos, é casado e pai de família. Ele sorri de gratidão quando seus parentes entram no seu quarto. Ele ri das piadas e reage às pessoas que estão a sua volta. Em 15 de janeiro de 1987, Michael sofreu danos cerebrais num acidente de carro. Mary, a esposa de Michael, quer que a sonda de alimentação seja removida para livrá-lo dessa situação. Por isso, ela levou o problema para os tribunais. O caso merece atenção porque ela está solicitando judicialmente a morte de um marido mentalmente incompetente, mas que tem consciência e não é doente terminal.

Mary Martin afirma que ela apenas quer honrar o que ela diz ser o desejo de seu marido antes do acidente: poder morrer com dignidade. Antes de recorrer aos tribunais para ganhar o direito de “deixar” seu marido morrer, ela consultou a Sociedade Hemlock, um grupo que promove a eutanásia. Os tribunais têm de decidir se ele tem ou não o direito de receber alimento e água para continuar vivendo. No entanto, a mãe e a irmã de Michael estão fazendo tudo para salvá-lo.


O irmão e a irmã de Mary, George e Sue, se uniram à mãe e à irmã de Michael para salvá-lo. Eles disseram que a decisão de “deixar” Michael morrer é o mesmo tipo de decisão que Salomão teve de tomar em 1 Reis 3:1628. Salomão conseguiu descobrir quem era a mãe verdadeira da criança porque ela demonstrou tanto amor pela criança que ela preferiu dá-la em vez de vê-la morrer. Eles disseram: “Recorrer a tratamentos que só adiam ou prolongam a vida de alguém que já está morrendo seria além do necessário. Não seria ético prolongar a morte de Michael. Mas o que estão querendo é remover a sonda de alimentação dele, e isso causará sua morte”.


Michael não tem problema de depressão, frustração nem ira. Ele sempre demonstra um espírito de cooperação e jamais tentou arrancar sua sonda.


Entretanto, Mary quer que ele “morra com dignidade”. “Contudo”, perguntam George e Sue, “haveria alguma dignidade no fato de Michael morrer de fome e sede, sozinho no seu quarto, sentindo falta de cuidados e consciente de como esse tipo de morte é horrível? O valor da vida de Michael é absoluto. Sua vida não perde o sentido só porque ele não pode estar em casa ou ser produtivo. Quando a hora chegar, ele merece morrer do jeito certo, cercado de amor e de cuidados.”


  O caso de Michael apareceu na edição de verão de 1995 da revista Living, publicada por Lutherans for Life, EUA.



Mas nem sempre uma pessoa no estado físico de Michael tem o apoio dos familiares. Muitas vezes, os parentes não aparecem ou simplesmente não existem. Em tal situação de abandono, muitas pessoas, mesmo sem terem nenhum tipo de doença, prefeririam morrer.
 Só mesmo os familiares é que têm condições de lutar por quem está sob a ameaça da eutanásia.

O que mais vem depois…


A ameaça da eutanásia pode parecer estar longe agora, principalmente para nós que vivemos no Brasil, pois os casos noticiados até o momento envolvem apenas doentes estrangeiros em circunstâncias raras. Mas esses exemplos isolados são de importância crucial, pois os grupos pró-eutanásia os usarão para estabelecer maior abertura para novos princípios sociais.


Os grupos pró-aborto, velhos aliados da causa da eutanásia, sempre agiram dessa maneira. Em seus argumentos a favor da legalização do aborto, eles usam os casos raros e excepcionais para ganhar a simpatia do público e dos legisladores. Foi assim que eles conseguiram tornar o aborto legal nos EUA e na Europa: se concentrando na questão das mulheres que engravidam como conseqüência de estupro ou incesto. Hoje mais de 1 milhão de crianças são abortadas anualmente só nos EUA, e a maioria absoluta desses abortos não tem nada a ver com estupro, com incesto ou com defeitos congênitos, etc. Tem a ver simplesmente com os desejos da mãe.


De modo semelhante, o movimento pró-eutanásia não está tentando persuadir a população a apoiar a morte de todos os mais idosos e dos doentes que dependem da medicina para sobreviver. Se eles ousassem começar suas atividades desse jeito, ninguém lhes daria atenção. O ponto inicial de suas estratégias é sempre usar os casos raros para criar um clima de aceitação para suas idéias.


Evangélicos pró-eutanásia



O movimento pró-eutanásia quer convencer as pessoas de que chega um momento em que o doente precisa dos médicos para ajudá-lo a morrer. É assim que muitos estão sendo enganados e levados a aceitar essa prática como um tratamento médico.

  Na Suíça, o Pr. Rolf Sigg confessa que matou mais de 300 pessoas que, assim ele alega, estavam sofrendo de maneira insuportável. O Pr. Sigg fundou a organização Saída, em 1982, cuja missão é “preparar” os doentes terminais para seu fim e lhes dar uma dosagem fatal de drogas. Nos EUA, alguns pastores e livros evangélicos apóiam a posição de que o suicídio pode ser uma forma aceitável e compassiva de “ajudar” alguém a morrer depressa. Até mesmo algumas denominações protestantes estão se abrindo cada vez mais para esse tipo de raciocínio.7

Veja o seguinte caso publicado num livro protestante americano:
  Alfred era um índio americano, nascido e criado numa reserva tribal. Quando se tornou adulto, ele foi viver numa cidade grande e se tornou um membro ativo de uma igreja na vizinhança onde morava. Depois de algum tempo, seus amigos começaram a notar que ele estava freqüentemente doente, até que um dia o encontraram desmaiado no chão de sua casa. Ao ser internado e recobrar a consciência, ele estava tão perturbado que tentou arrancar as sondas do próprio corpo. Sua doença era grave, mas havia possibilidade médica de tratá-la. Seus amigos disseram que Alfred havia recentemente falado de seus sonhos com a morte, e eles estavam apoiando sua decisão de não querer viver mais. Ele acabou arrancando todos as sondas e, como a equipe médica não quis intervir, ele morreu.
Acerca do caso de Alfred, o Pr. Bruce Hilton expressou a seguinte queixa:
   É triste que nenhum dos amigos de Alfred parecia estar em posição de ajudá-lo a achar curandeiros indígenas. É triste também que o hospital não conseguiu arranjar um jeito de trazer um curandeiro ou feiticeiro que Alfred pudesse aceitar…
 Todos os fatos indicam que o homem era solitário e espiritualmente necessitado. Evidentemente, sua igreja cristã (qualquer que fosse) não preencheu sua necessidade mais profunda de conhecer Jesus. Pelo contrário, ele parecia ainda estar aberto às práticas de feitiçaria indígena de seu passado.

 O Pr. Hilton achava que a presença de um curandeiro ou feiticeiro poderia tranquilizar o índio, tirar da cabeça dele a disposição de se matar e até dar-lhe esperança de cura. O estranho é que, sendo evangélico, ele apoiasse tal idéia, mesmo sabendo pela Bíblia que Jesus é o incomparável Médico. Jesus nunca ajudou ninguém a cometer suicídio. Ele não só curava os doentes mais graves, mas também até ressuscitava os mortos!


   A Bíblia diz que Jesus não mudou nada (cf. Hebreus 13.8). Sem dúvida alguma, ele deseja, através de seus servos, visitar os doentes e os aflitos. Se algum cristão fiel tivesse tido a oportunidade de visitar e orar por aquele índio, haveria um final diferente. Haveria bênção, não maldição. (Cf. Tiago 5.14.16).


  O fato mais importante por trás do suicídio de Alfred não foi sua doença em si, mas sua falta de esperança. Ele estava deprimido, e a depressão pode levar qualquer pessoa, doente ou saudável, ao suicídio. Além disso, a abertura de Alfred ao ocultismo indígena demonstra que provavelmente ele estava sendo oprimido por demônios de doença, depressão e morte.


  A tragédia maior é que os cristãos liberais ao seu redor não puderam oferecer nenhuma esperança para ele. A característica mais fascinante entre os liberais, evangélicos ou católicos, é que eles estão dispostos a aceitar as tendências “culturais” sem questionar (tais como a eutanásia, o aborto, o homossexualismo, a bruxaria, etc.), e ao mesmo tempo questionam o poder de Jesus de curar 
sobrenaturalmente hoje e os dons de cura e milagres que ele deu à sua igreja.

 O colunista social Cal Thomas escreveu:


 “É de grande importância cultural quando a Igreja Cristã perde seu poder moral e se torna prisioneira — em vez de líder e libertadora — das tendências culturais”. Os cristãos são chamados para liderar as tendências culturais positivas e libertar a sociedade das influências negativas. Quando não conseguem preencher essa função, eles acabam sendo arrastados pelas tendências negativas.


O QUE É EUTANÁSIA?


O Dr. J. C. Willke, em seu livro Assisted Suicide & Euthanasia, diz: “As palavras são importantes. É comum, quando abordam esse assunto, as pessoas procurarem o significado da palavra eutanásia e saber que sua tradução é‘boa morte’. Mas precisamos ignorar e rejeitar essa tradução, pois não tem nada a ver com o que está acontecendo em nossos dias. A eutanásia hoje ocorre quando o médico mata o paciente”.


No uso moderno, eutanásia quer dizer causar diretamente uma morte sem dor a fim de acabar com o sofrimento de vitimas de doenças incuráveis ou desgastantes. Em outras palavras, é matar sob a alegação de um sentimento de compaixão. A eutanásia, como o aborto legal, é um método em que matar representa uma solução.


O QUE NÃO É EUTANÁSIA 


Permitir que uma pessoa morra quando o curso da doença é irreversível e a morte é obviamente iminente por questão de horas ou dias não é eutanásia. Os pacientes têm a liberdade de recusar tratamentos médicos que não lhes trarão cura nem alívio para o sofrimento. Quando o doente não está em condições de falar por si mesmo, a família tem o direito de recusar tratamentos caros que não terão 
nenhum benefício para impedir o andamento da doença.

Quando um paciente está realmente morrendo, os médicos podem e devem usar o bom senso para avaliar a situação. Se os tratamentos não estão trazendo nenhuma cura e só estão ajudando a adiar a morte inevitável, os médicos podem descontinuar os tratamentos para permitir que o doente tenha uma morte natural. Nenhuma dessas ações é eutanásia. Mas eles têm a responsabilidade de dar conforto para o paciente e permitir que ele tenha uma morte pacifica.


O QUE É EUTANÁSIA 


Eutanásia é a ação deliberada de causar ou apressar a morte do doente. Essa ação pode ocorrer das seguintes maneiras:


• Decisão médica de administrar uma injeção letal no doente, com ou sem consentimento.

• Decisão médica de não dar a assistência médica básica ou o tratamento médico padrão. Por exemplo, não dar a uma criança deficiente a mesma assistência que é dada a uma criança normal.
• Decisão médica de dar ao doente uma droga ou outro meio que o ajude a cometer suicídio. Nessa situação específica, quem realiza o ato letal não é o médico, mas o próprio paciente. O médico apenas fornece os meios.

Há uma diferença


O ponto mais difícil nos debates sobre a eutanásia é que a grande maioria das pessoas não sabe a diferença entre assistência e tratamento. Como muitas vezes não se entende até onde a medicina deve intervir ou não na vida de um doente, é importante compreender a diferença entre assistência e tratamento.


O que é assistência?


A assistência supre as necessidades básicas de todas as pessoas, doentes ou saudáveis: nutrição, hidratação (água), calor humano, abrigo e apoio emocional e espiritual. O alimento e a água são necessidades básicas de todos os seres humanos, não tratamento, e sua retirada provoca ou apressa a morte. Isso é inaceitável na ética médica, já que a medicina tem a missão clara de destruir a doença, não o doente. O alvo é sempre dar assistência para o doente, nunca matá-lo. Enquanto o paciente está em condições de receber nutrição, essa necessidade tem de ser plenamente 
suprida. A retirada da nutrição só é possível quando o doente está perto da morte e seu corpo não consegue mais metabolizar o alimento. Nessas circunstâncias, a alimentação pode ser inútil e sobrecarregar excessivamente o organismo do doente. Em todos os outros casos, a assistência jamais deve ser negada.

Há pacientes que não têm condições de receber alimento pela boca normalmente. Dar comida e água para eles através de uma sonda de alimentação é considerado assistência normal. A ética médica tradicional estipula que as sondas de alimentação sejam usadas quando há necessidade, a não ser que o paciente esteja prestes a morrer ou não esteja em condições de metabolizar o alimento devido à sua doença (como câncer metastático pervasivo) ou haja uma patologia (por exemplo, aderências no estômago) que torne impossível ou perigoso introduzir uma sonda. Sondas de alimentação são simples e eficientes para fornecer alimentação e água, e não incomodam, não causam dor nem custam caro. Remover a sonda ou não aceitá-la para dar alimentação e água quando é necessário com certeza provocará a morte do paciente. Nesse caso, ele morrerá não de sua doença, mas de desidratação e fome. É uma morte extremamente desumana.


É muito difícil cuidar de alguém que está morrendo de desidratação e fome. A pessoa tem convulsões, a pele e as mucosas secam, causando feridas que apodrecem e sangram. O aparelho respiratório seca, causando grossas secreções que tapam os pulmões e provocam uma respiração angustiosa. Todos os órgãos acabam ficando fracos e a morte vem então, depois de um agonizante período de 5 a 21 dias.


A escritora Eileen Doyle disse:


Matar-se de fome é a mesma coisa que colocar uma arma na própria cabeça. A causa da morte é a intenção de acabar com a própria vida. Qualquer argumento que permita a remoção das sondas de alimentação poderia ser também aplicado para a recusa de alimento e água para pessoas em condições de ingeri-las.


Por que tantos doentes são alimentados por sonda e não pela boca? A alimentação por sonda diminui o tempo necessário para as enfermeiras alimentarem o paciente pela boca, economizando tempo e reduzindo os custos.


O que é tratamento?


O alvo do tratamento médico é curar ou controlar os problemas crônicos ou agudos de saúde. Na maior parte das situações os médicos usam o tratamento padrão, e em situações mais sérias eles têm de aplicar tratamentos mais fortes. O tratamento padrão envolve o uso de medicamentos e cirurgias para aliviar os problemas de saúde ou outros problemas provocados por acidentes ou doenças. Quando o tratamento se torna medicamente inútil ou quase não traz benefício, o caso deve ser avaliado levando se em consideração os melhores interesses do paciente. Nos casos terminais, o tratamento mais útil é trazer conforto ou aliviar as dores do paciente.


  É uma opção saudável, no caso de alguém que já está morrendo, a remoção de tratamentos muito fortes que só causam dor e prolongam desnecessariamente um tempo bem curto de vida. Morte natural significa permitir que o paciente morra em conforto e paz. Observe que se os mesmos tratamentos fossem removidos de uma pessoa que tem grande chance de viver por mais tempo, tal ação seria eutanásia. Exemplos desse tipo são os milhares de recém-nascidos que morrem anualmente nos EUA porque os médicos não permitem que eles recebam alimento e água. Se não fosse por esse ato médico, esses bebês poderiam viver anos.


Quem deve decidir?


 Quando um doente está impossibilitado de falar por si mesmo, a família tem a responsabilidade de tomar as decisões no lugar dele. A questão mais importante não é avaliar o que é melhor para nós ou se valerá a pena deixá-lo viver de uma maneira considerada improdutiva pelos padrões de um mundo que não teme nem obedece a Deus. Precisamos decidir o que é melhor para a pessoa que está doente.


Nessa situação, o cristão tem a responsabilidade de buscar a vontade e a presença de Deus em tudo o que faz, pois a decisão de dar ou não a vida pertence somente a ele (cf. Deuteronômio 32.39). Portanto, a base de qualquer decisão é se determinado tratamento trará benefício ou sobrecarregará a vida de um paciente, não se a vida de um paciente é inútil ou difícil de suportar.


Como muitas outras pessoas que estudam muito para aprender, Christine Skiffington está se esforçando e avançando muito em seu estudo da língua francesa. Não há nada de raro nisso, exceto que seis anos antes ela estava em coma, depois de sofrer hemorragia cerebral. Ela não mostrou absolutamente nenhum sinal de consciência e não conseguia se comunicar. Ninguém esperava que ela se recuperasse e os médicos queriam remover o alimento e os líquidos dela, a fim de lhe apressar a morte, mas seu 
marido não deu consentimento. Os médicos ainda não conseguem explicar como Christine, que tem 61 anos, saiu do coma. Ela teve uma recuperação total e já está tirando carteira de motorista. Esse caso mostra que as pessoas que trabalham na medicina não são infalíveis e que há sempre a possibilidade de uma recuperação. Mas a questão mais importante não é essa. O ponto chave é que ninguém deve ajudar a empurrar outro ser humano para a morte. Como ser humano, Christine Skiffington tinha o direito à vida — mesmo que ela não se recuperasse totalmente.

O APERTO DA MÃO DA ESPOSA


  Lorraine Lane tinha 42 anos quando desmaiou ao ir para casa depois do trabalho. Os médicos diagnosticaram que um derrame a tinha deixado com danos cerebrais graves. O marido Neil queria honrar o pacto de “direito de morrer” que o casal tinha feito antes do derrame. Depois de um ano, ele ficou tão desesperado para livrar a esposa do “inferno em vida” que ele lutou para ganhar uma ordem judicial que obrigaria os médicos a remover a alimentação e líquidos dela. Mas o Sr. Lane mudou 
de idéia depois que sua esposa apertou a mão dele quando ele estava na cama ao lado dela. Ele disse:

 “Eu não poderia viver com o pensamento de que Lorraine estava consciente do que 
estava acontecendo e consciente de que ela estava sendo
             praticamente abandonada para morrer de fome”. (Daily Mail
                     [Inglaterra], 18 de julho de 2000).

  A QUESTÃO DA DOR


Se não fosse pela existência da dor, provavelmente não haveria nenhum movimento pró-eutanásia no mundo. Na Holanda, o espectro de sofrer dores agonizantes e a solução misericordiosa da eutanásia são os grandes responsáveis pela aceitação da morte deliberada de pacientes em hospitais. Quando pensam em eutanásia, muitas pessoas pensam em fuga do sofrimento.

O Dr. Jack Willke diz:

  A questão central é que é possível controlar a dor. É possível

   aliviar as dores dos pacientes em todos os casos, com a exceção
    de uma fração muito pequena de situações. A chave de tudo é o
      médico. Se ele não sabe controlar a dor e não pode, ou não quer,
        tomar o tempo para aprender, então a “solução simples” do
           médico é matar o paciente quando ele não puder matar a dor.

 Vivemos numa época em que a medicina se desenvolveu a tal ponto que já é possível aliviar o sofrimento de pessoas que estão sofrendo as dores mais intensas. Anestesistas e outros especialistas afirmam que a medicina hoje pode dar adequado alívio paliativo em 99% dos casos. Mas muitos 
pacientes são impedidos de obter o alívio de suas dores porque alguns médicos acham que eles ficarão viciados aos medicamentos analgésicos e porque também muitos profissionais médicos não receberam um treinamento adequado na área de controle de dores e sintomas.


* Kathleen Foley é responsável pela área de alívio às dores no Centro de Câncer Memorial SloanKettering em Nova Iorque. Ela declarou:


  Vemos freqüentemente pacientes encaminhados para nossa Clínica que, por causa de dores incontroláveis, pedem que os médicos os ajudem a se matar. Mas é comum vermos tais idéias e pedidos desaparecerem quando eles recebem um tratamento que lhes traz alívio de suas dores e outros sintomas, usando uma combinação de métodos farmacológicos, neurocirúrgicos, anestésicos e psicológicos.


Um escritor fala 


Se a medicina hoje tem tantos recursos disponíveis para aliviar o sofrimento físico dos doentes sem matá-los, então por que os médicos não os usam? O escritor Wesley Smith recentemente escreveu um livro chamado Cultura da Morte, onde ele mostra o que está acontecendo com a medicina nos Estados Unidos. Em entrevista ao noticiário eletrônico WorldNetDaily, ele explica que a maioria das pessoas não sabe que um pequeno mas influente grupo de filósofos e autoridades da área de saúde está trabalhando intensamente para transformar as leis e o sistema de saúde. Ele afirma que, sob a incitação de especialistas em bioética, a indústria da saúde está abandonando sua prática tradicional de não fazer mal aos pacientes e está agora adotando um sistema completamente utilitário que legitimaria a discriminação contra — e em alguns casos até o assassinato de — as pessoas mais fracas e mais indefesas da sociedade.


  A seguir os melhores trechos da entrevista:


Pergunta: Como é que a classe médica está mudando?


Resposta: O que está acontecendo é que há um movimento ideológico chamado o “movimento de bioética”, que está nos afastando da medicina cujo juramento profissional é “não fazer mal” (e a maioria das pessoas querem que seus médicos sigam essa medicina) e está nos levando para uma medicina baseada na tão chamada “qualidade de vida”.


P: Uma das coisas assustadoras que você menciona em seu livro é toda essa conversa sobre “direito de morrer”... não queremos ficar presos a máquinas de suporte de vida; temos o direito de morrer. Mas você escreve que a tendência mais recente não é só o “direito” de morrer, mas um “dever de morrer”.


 R: Sim. O movimento de bioética está nos levando em direção ao dever de morrer. O motivo por que logo de início já falo sobre filosofia é porque é a filosofia que fortalece as próprias políticas e planos que descreverei daqui a pouco. Você e eu pensaríamos, assim creio eu, que o fato de nós sermos seres humanos é algo exclusivo e especial no mundo. Mas de acordo com a ideologia da bioética, a coisa não é bem assim, pois somos mera vida biológica. Não há nada especial no fato de sermos seres humanos. Portanto, os especialistas em bioética — não todos, mas os que mais chamam a atenção no movimento — decidiram que temos de distinguir o que é que torna a vida humana — ou qualquer outro tipo de vida — especial. E eles chegaram a uma conclusão, que é realmente prejudicial e discriminatória.


  A questão deles não é se o fato de você ser humano é importante, mas se você é uma “pessoa”. Assim, para eles há alguns humanos que são pessoas, e todas as pessoas têm o que você e eu chamamos de direitos humanos. Mas as não pessoas humanas não têm direitos humanos.


 P: E quem é que está decidindo classificar certas pessoas assim?


R: Os especialistas em bioética estão criando essas decisões, e estão ensinando isso nas universidades mais importantes.


P: Quem lhes deu o direito de decidir o que é certo e errado?


R: É uma boa pergunta. Quem foi que decidiu que os filósofos

— pois é principalmente isso que eles são — devem decidir nossa ética médica e nossas políticas de saúde pública? Mas se der uma olhada na comissão presidencial de bioética, adivinhe quem é que está ocupando essas posições? Dê uma olhada na maioria das posições de bioética nas universidades. Ali estão pessoas como Peter Singer, da Universidade de Princeton.

P: Esse cara é louco.


R: Peter Singer exemplifica o movimento sobre o qual estou falando. Ele é um australiano, o que chamam de “filósofo moral”. Mas no caso dele, esse termo é contraditório. Ele é conhecido principalmente por duas coisas. Primeira, ele é o criador do moderno movimento dos direitos dos animais. Na década de 70 ele escreveu um livro chamado “A Liberação dos Animais”, e o livro oferece a suposição de que os seres humanos e os animais têm igual e inerente valor moral.


Portanto, não se pode usar animais em pesquisa de animais e coisas desse tipo... Ele também não gosta que as pessoas os comam. Segunda, ele é o mais famoso defensor mundial da legalização do assassinato de recém-nascidos. Ora, não estou falando sobre aborto. Singer e seu guia espiritual, Joseph Fletcher, poderiam chamar aborto. Aliás, eles chamam “aborto pós-nascimento”.


P: Se os pais deles praticassem o que eles agora ensinam...


R: No passado Peter Singer disse que os pais deveriam ter 28 dias para decidir ficar com seus filhos recém-nascidos ou matá-los. Agora ele expandiu esse prazo para um ano. Essa atitude é baseada em sua idéia de que a criança recém-nascida não é uma pessoa. Conforme crê Peter Singer, o recém-nascido não é um ser consciente... Outros especialistas em bioética discutem o assunto de modo diferente. Alguns acreditam que... uma pessoa é um ser que pode fazer decisões morais e dar 
prestações de contas moralmente, por exemplo, num crime. Mas a conclusão a que isso leva é à atitude de decidir quais seres humanos são melhores do que os outros.

P: Estou completamente aturdido com o fato de que as pessoas poderiam chegar a desperdiçar um minuto escutando esse imbecil do Singer.


R: Ele tem menos tato do que outros. Mas ele não pertence a uma minoria isolada. Ele exemplifica o movimento. Ele é o presidente da Associação Bioética Mundial. Talvez esse não seja o nome exato da organização, mas ele está na segunda universidade mais prestigiosa nos EUA e uma das mais conceituadas no mundo. Ele é um dos mais respeitados especialistas em bioética em posição de autoridade...


P: Devíamos simplesmente não dar nenhuma atenção aos esquerdistas radicais como Singer. Por que não fazemos isso? Que tipo de impacto esses especialistas em bioética podem ter em mim e em você?


R: Eles são os indivíduos que estão criando leis. Se você for a um tribunal para resolver uma questão de bioética, adivinhe quem é que dá testemunho no tribunal? Os especialistas em bioética! Quando o ex-presidente Clinton estava decidindo o que fazer acerca da pesquisa de células-troncos [retiradas de bebês], adivinhe que é que fez essas decisões com base nas recomendações dos especialistas de bioética? A pessoa que preside a comissão de bioética do presidente é o presidente da Universidade de Princeton, responsável pela presença de Peter Singer na universidade.


P: Então eles são uma panelinha?


R: É uma panelinha de elite. Eles estão nas universidades mais importantes: Harvard, Yale, Georgetown. A Universidade de Georgetown publica a Revista de Ética do Instituto Kennedy, que é uma das principais revistas para os especialistas em bioética no mundo inteiro.


P: Então esses caras ensinam os estudantes de hoje que estão se preparando para ser os médicos de amanhã?


R: Sim. Todos os médicos que se formam passam por um treinamento de bioética. E o motivo por que escrevi o livro “Cultura da Morte” é que a maioria das pessoas não concorda com a bioética. A [atual] ética médica e os valores de saúde pública não refletem... nossa convicção de que toda vida humana é sagrada e tem os mesmos direitos. Como disse Thomas Jefferson: “Afirmamos que essas verdades são 
evidentes para todos, que todas as pessoas são criadas iguais”. Os especialistas em bioética rejeitam essa idéia porque de acordo com a bioética a pessoa tem de provar merecer o direito de ser considerada uma “pessoa”. Se não acredita em mim, permita-me lhe ler algo de um especialista em bioética chamado John Harris. O artigo dele saiu publicado na Revista de Ética do Instituto Kennedy. É sobre isso basicamente que estamos falando. Então gostaria de levar você para as conseqüências, para onde esse tipo de pensamento conduz. O que quero dizer é que as pessoas entre nós que são mais vulneráveis, as mais fracas — são literalmente empurradas para a morte. Veja aqui o que Harris diz sobre o direito de ser uma pessoa: “Muitos, ainda que não todos, dos problemas da ética de assistência de saúde pressupõem que temos uma opinião sobre os tipos de seres que têm algo que poderíamos considerar como de valor moral máximo”. Ora, você e eu diríamos que todos os seres humanos têm valor, certo?... Veja o que mais ele diz: “Ou se isso parece apocalíptico demais, então com certeza precisamos identificar os tipos de indivíduos que têm o valor moral mais elevado”. Mas os especialistas em bioética estão dizendo isso, e as pessoas parecem pensar que tudo o que eles dizem está certo só porque eles são das universidades mais conhecidas... Dê uma olhada no modo como o jornal The New York Times e outros membros dos principais meios de comunicação fazem reportagem sobre Peter Singer. Eles fizeram pouco caso de suas declarações de que precisamos ganhar o direito de matar bebês e as tacharam como fora de contexto. Eles o exaltam como um homem com idéias novas e grandes.

P: Parece que há um grupo de acadêmicos arrogantes e pretensiosos que está agora ditando o modo como a medicina será praticada.


R: É porque esse país está sofrendo de uma horrível doença chamada “especialitis”. Achamos que as únicas pessoas que sabem tudo são os “especialistas”, e as pessoas de certo modo pararam de acreditar que seus próprios valores podem ser importantes e podem desempenhar uma parte nessas questões. Quando dizem que alguns de nós não são pessoas, então o que podemos fazer com as pessoas que não são consideradas “pessoas”? Será que poderemos tirar proveito delas como se fossem recursos naturais?


P: Isso é o que esses palhaços diriam. Aliás, basicamente eles vêem as não-pessoas como campo para o cultivo de órgãos e partes do corpo que podem e devem ser colhidos para serem usados sempre que as pessoas de maior valor moral precisem desses órgãos.


R: E aí está o ponto mais importante. Tom Beechum — um importante bioético que escreveu um dos principais livros escolares de bioética “Os Princípios da Ética Biomédica” — diz:

“O fato de que muitos seres humanos não são pessoas ou são menos do que pessoas plenas¼ os torna moralmente iguais ou inferiores a alguns seres não humanos [animais]. Se dá para defender essa conclusão, precisaremos repensar nossa opinião tradicional de que esses seres humanos infelizes não podem ser tratados do mesmo modo que tratamos semelhantes seres não humanos. Por exemplo, eles poderiam ser usados como matéria humana para pesquisas e fontes de órgãos”.

 P: Por favor conte-nos o caso, registrado em seu livro, de Christopher e seu pai.


 R: Christopher Campbell era um jovem de 17 anos que sofreu um acidente de carro. Ele ficou inconsciente por três semanas. De repente ele começou a ter uma febre alta e horrível, e seu pai John diz ao médico: “Trate a febre do meu filho. Ele está com 40 graus de temperatura, e está subindo para 41”. O médico respondeu ao pai: “De que vai adiantar? Seu filho não está consciente. Sua vida já terminou”. E quando o pai continuou a insistir, o médico chegou ao ponto de rir na cara dele.


P: Como você ficou sabendo desse caso?


R: Esse pai desesperado me ligou porque eu havia escrito um livro anterior, Forced Exit (Morte Forçada), sobre a eutanásia. Ele me sondou e disse: “Ei, o que posso fazer?” Então lhe dei algumas dicas, e adivinhe o que aconteceu? Ele conseguiu tratamento para seu filho... ele saiu do coma, está aprendendo a andar e é hoje um conselheiro para adolescentes em situação de risco.


P: E pode-se definir esses adolescentes em risco como qualquer infeliz que teve de ser tratado pelo homem que era o médico de Campbell.


R: Agora esse jovem está levando uma vida bem produtiva, e está trabalhando muito para se recuperar fisicamente, pois ele teve ferimentos bem graves na cabeça. Mas esse jovem estaria morto hoje porque o médico não se importava o bastante com sua vida para reduzir uma febre.


P: Lamentavelmente, o caso dele não é incomum. Diga-nos da senhora de 90 anos cujo médico não queria lhe dar antibióticos.


R: Uma mulher me telefonou para dizer: “Minha mãe tem 92 anos. Ela está com uma infecção terrível, e o médico não quer lhe dar antibióticos”. Então fiz a pergunta óbvia: “Por que?” Ela respondeu: “O médico me disse: ‘De todo jeito sua mãe vai morrer de infecção. Bem que poderia ser essa.’”


P: Conte-nos o caso do bebê Ryan do Estado de Washington.


R: O bebê Ryan nasceu prematuramente com problema nos rins. Ele precisava de diálise de rins. O pai era um imigrante vietnamita e, como não é de surpreender, ele não era visto como uma pessoa de influência. Como sabemos, não se faz essas coisas para um presidente. Inicialmente, se faz esse tipo de coisa para gente que não pode revidar. Mas esse pai revidou. Os médicos lhe disseram: “Chegou a hora de seu bebê morrer. Muito embora você não queira, estamos removendo dele a diálise de rins”. O pai conseguiu um advogado e obteve um mandado judicial.


P: Explique o que aconteceu com o pai.


R: Pelo fato de que o pai obteve o mandado, os médicos o entregaram às autoridades públicas, afirmando que o pai, não os médicos, estava prejudicando a criança impedindo-a de morrer.


P: E o que aconteceu?


R: Apareceu um médico diferente que tomou conta do caso. Ele colocou o bebê num hospital diferente, e ele ficou melhor. A verdade é que após várias semanas o bebê não mais precisou de diálise de rins. A criança acabou morrendo aos 4 anos, porém por razões que nada tinham a ver com os rins.

Aliás, ele teve uma infância bem feliz. Se tivessem deixado os médicos imporem seus valores e moralidade no bebê, ele teria morrido com a idade de duas semanas.

P: No seu livro há alguns casos horríveis de pacientes que foram forçados a morrer porque removeram a água deles.


R: Há mesmo. E é uma situação terrível — principalmente se o paciente está consciente. A desidratação mata em 14 dias, porém é um problema que dá para resolver facilmente. Antes era a família que decidia remover a água e o alimento. Mas agora a história é diferente. Há um caso na Califórnia envolvendo Robert Wendland. Robert consegue andar de cadeira de rodas pelos corredores do hospital. Ele consegue escrever a letra “R”. Ele consegue dizer sim ou não com a ajuda de botões. Ele sofreu um horrível acidente de carro e é hoje um deficiente físico cognitivo. Estão agora decidindo diante da Suprema Corte dos EUA se podem remover a água dele para ele morrer, o que levará 14 dias. A Corte de Apelos disse que os médicos têm o direito de remover a água dele...


 A HISTÓRIA DA EUTANÁSIA MODERNA


    Se o homem perder a vontade de respeitar algum aspecto

          da vida, ele perderá a vontade de respeitar a vida por completo.
                 Dr. Albert Schweitzer.

 A maioria das pessoas que apóia a idéia da “eutanásia voluntária” acha que o que se quer fazer é apenas acabar com as dores insuportáveis de alguém que já está morrendo. Aliás, algumas organizações de eutanásia parecem ter sido fundadas com esse objetivo. Mas se 
desejamos entender o moderno movimento pró-eutanásia, suas origens e conseqüências, precisamos conhecer um pouco de seu nascimento.



O movimento pró-eutanásia surgiu na Inglaterra, por volta de 1900, com base nas teorias de Charles Darwin de que os fracos devem morrer e de que só os mais fortes são dignos de viver. Darwin cria que o ser humano é apenas um animal evoluído que veio do macaco. A teoria da evolução foi o fator mais importante por trás das campanhas inglesas que mostravam que, para muitas pessoas, não valia a pena continuar vivendo ou que suas vidas eram apenas uma carga para si mesmas e para os familiares. Muitos ingleses que apoiaram a eutanásia no começo acreditavam que o objetivo era acabar com o sofrimento inútil. Mas logo ficou claro que o objetivo era acabar com as pessoas inúteis.


AS RAÍZES DO NAZISMO

Então em 1922 na Alemanha, muito antes de o nazismo começar seu avanço, o jurista Karl Binding e o psiquiatra Alfred Hoche escreveram Legalizando a Destruição da Vida Sem Valor. Esse livro tentava provar que o sustento das pessoas inúteis causava despesas pesadas para o governo e para as famílias e recomendava a eutanásia para os deficientes físicos e mentais.  


 Nessa época respeitados homens da classe médica, jurídica e psiquiátrica começaram a aceitar a idéia de que a eutanásia era uma opção compassiva de eliminar os que, de 
acordo com a ética deles, tinham uma vida que não produzia nada. Eles foram influenciados por opiniões que diziam que uma morte apressada seria de grande benefício para pacientes em certas categorias. Os médicos alemães, que eram considerados os mais avançados do mundo,começaram a promover a noção de que o médico deveria ajudar seus pacientes a morrer. A elite da classe médica defendia sterbehilfe, que em alemão significa “ajuda para morrer”, para os doentes incuráveis e isso era considerado wohltat, um ato misericordioso.



O começo da eutanásia nazista

Ao mesmo tempo, as leis alemãs passaram a permitir uma prática que decisivamente conduz à eutanásia: o aborto médico. Sob a ditadura nazista, a Alemanha foi o primeiro país europeu a legalizar o aborto. A nível mundial, a Rússia comunista foi o primeiro e a Alemanha o segundo. O Código Penal Alemão de 1933 diz:


  O médico pode interromper a gravidez quando ela ameaça a

  vida ou a saúde da mãe e ele pode matar um bebê (na barriga
  da mãe) que tem probabilidade de apresentar defeitos
  hereditários e transmissíveis. 

  O primeiro caso de prática da eutanásia na Alemanha foi o de um recém-nascido 
cego e deformado. O próprio pai pediu que seu filho deficiente fosse morto, pois ele achava que uma vida com graves deficiências físicas não tinha sentido. A triste condição física do bebê foi amplamente divulgada pela imprensa. E muitos, aproveitando a oportunidade, fizeram campanhas para ganhar o apoio do público para a eutanásia. Em resposta a essas campanhas, Adolf Hitler autorizou um médico a dar uma injeção letal no bebê. Esse caso passou a ser usado, com a colaboração de alguns pediatras, para matar todos os recém- nascidos que tinham algum defeito. Logo os doentes mentais de todas as idades foram colocados na categoria de pessoas com vida inútil, e assim 275 mil pacientes alemães com doenças mentais acabaram sendo cruelmente mortos.


Em 1935, o Dr. Arthur Guett, Ministro da Saúde no governo nazista, disse:

   Temos de acabar com o conceito enganoso de “amor ao

   próximo”, principalmente com relação às pessoas inferiores e
   aos que não têm uma vida social normal. É o supremo dever do
   governo dar vida e meios de sobreviver somente para os que
   são saudáveis…   

   Por longo tempo, as execuções foram mantidas em segredo do povo por um sofisticado sistema de acobertamento. Tudo ocorria de forma rotineira e profissional: os especialistas em psiquiatria aprovavam os que deveriam ser sentenciados à morte e o governo cuidava 
do resto. Basta mencionar que a única coisa que o povo sabia era que os pacientes eram transportados para a Fundação de Caridade para a Assistência Institucional, e não mais voltavam. Na verdade, eles eram levados para câmaras de gás. A primeira câmara desse tipo foi projetada por professores de psiquiatria de 12 importantes universidades alemãs. Os pacientes eram mortos com gás ou injeção letal na presença de especialistas médicos, enfermeiras e psiquiatras.


 O programa de eutanásia havia se tornado tão normal que os especialistas não viam mal algum em participar. O Prof. Julius Hallervordern, famoso neuropatologista (tão conhecido que determinada doença do cérebro leva seu nome: a doença de HallervordernSpatz) 
solicitou ao escritório central do programa o envio de cérebros de vítimas de eutanásia para seus estudos microscópicos. Enquanto as vitimas ainda estavam vivas, ele dava instruções sobre como os cérebros deveriam ser removidos, preservados e mandados para ele. Ao todo ele obteve das instituições psiquiátricas de eutanásia mais de 600 cérebros de adultos e crianças.


  As autoridades afirmavam manter o programa de eutanásia por puras motivações humanitárias e sociais. Inicialmente só os alemães tinham o “privilégio” de pedir ajuda médica para morrer, porque o governo alemão não queria conceder esse ato de “compaixão” para os judeus, que eram desprezados. É importante observar que os médicos alemães eram convidados, não forçados, a participar desse programa. Os médicos jamais recebiam ordens de matar pacientes psiquiátricos e crianças deficientes. Eles recebiam autoridade para fazer isso, e cumpriam sua tarefa sem protesto, muitas vezes por 
iniciativa própria.28 Sua classe e literatura os havia condicionado a ver tudo como normal.





Em setembro de 1939, entrou em vigor a Ordem de Eutanásia de Hitler para toda a sociedade alemã:

   A autoridade dos médicos é aumentada para incluir a responsabilidade de aplicar uma morte misericordiosa às pessoas que não têm cura. 


E em 1940 uma lei foi proposta que dizia:


   Qualquer paciente que esteja sofrendo de uma doença incurável que leve à forte debilitação de si mesmo ou de outros pode, mediante pedido explícito e com a permissão de um médico especificamente nomeado, receber ajuda para morrer (sterbehilfe) de um médico. 

  
  Pouco tempo depois foram considerados inúteis não só os doentes, os “indesejados sociais” e os opositores políticos, mas também pessoas de outras raças e religiões. E assim começou o Holocausto de 6 milhões de judeus, com suas tristes conseqüências até hoje.

  Logo que a 2 Guerra Mundial terminou, o programa de eutanásia legal da Alemanha nazista se tornou conhecido no mundo inteiro. Foram reveladas tantas atrocidades que os grupos pró-eutanásia no resto do mundo foram obrigados a parar suas campanhas e atividades.


A História se repete…



Contudo, anos depois, quando muitos dos horrores do nazismo foram esquecidos, esses grupos voltaram a trabalhar, com novas estratégias, para defender e legalizar o que eles chamam de “o direito de morrer”. Em 1972, o Dr. Philip Handler, presidente da Academia Nacional de Ciências dos EUA, declarou que já era hora de o governo elaborar uma política nacional para eliminar os recém-nascidos defeituosos.

Em 1973, os EUA legalizaram o aborto, cuja prática hoje é permitida, por qualquer mãe americana que quiser, até o momento do nascimento da criança. Anualmente, são realizados mais de 1 milhão de abortos nos hospitais e clínicas americanas. No mesmo ano em que o aborto foi legalizado, um famoso pediatra revelou que 14% das mortes de recém-nascidos 
no Hospital Yale-New Haven eram causadas deliberadamente.



Em 1977, a maioria dos cirurgiões pediátricos, respondendo a uma pesquisa, disseram que não fariam nada para salvar a vida de uma criança deficiente. E em 1982, num caso noticiado amplamente pela imprensa americana, um hospital de Bloomington permitiu deliberadamente, com a aprovação dos pais, médicos e juízes, que um menino recém-nascido com a síndrome de Down não recebesse alimento nem água.

  O bebê, que nasceu em 9 de abril de 1982, tinha dois problemas físicos: a síndrome de Down e um esôfago mal formado que impedia o alimento de chegar até o estômago. 
Embora não fosse possível corrigir medicamente o primeiro problema, poderia-se resolver facilmente o segundo com uma cirurgia de baixo risco que ligaria o esôfago ao estômago. Mas os pais não deram permissão para o bebê ser operado nem permitiram que ele recebesse alimentação intravenosa. Dezenas de casais se ofereceram para adotar e ajudar a criança, porém os pais rejeitaram essa assistência. No berço do bebê foi colocado um aviso para as enfermeiras: “Não o alimente”. Dois dias depois os ácidos de seu estômago começaram a lhe corroer os pulmões e a criança começou a cuspir sangue. Quando as enfermeiras ameaçaram abandonar o hospital em protesto contra essa situação, o bebê foi transferido. Levou seis dias para ele dar o último suspiro, e ele chorou incontrolavelmente durante seus últimos quatro dias de vida. A pediatra Dr.ª Anne Bannon diz o que aconteceu:


    O corpinho fino e encolhido do bebê Doe estava deitado passivamente nos lençóis do hospital. Extremamente desidratado e com a pele seca e cianótica, ele respirava de

modo fraco e irregular. De sua boca seca demais para fechar estava escorrendo sangue…

 Na mesma época em que os médicos estavam deixando o bebê Doe morrer de fome, em Maryland um veterinário foi multado em 3.000 dólares por deixar um cachorro morrer de fome. Sua licença foi suspensa por seis dias. 


  Um bebê não deveria merecer mais valor do que um cachorro? Margaret Mead declara:


    A sociedade está sempre tentando transformar os médicos em assassinos — matando a criança deficiente no nascimento, deixando comprimidos de dormir ao lado da cama do paciente de câncer... É o dever da sociedade proteger os médicos de tais pedidos.


  A idéia de que há tipos de vida que não são dignas de viver é a grande responsável pela propagação da moderna eutanásia, principalmente o ato de matar de fome e sede pacientes de hospitais. O menino com a síndrome de Down, por exemplo, teve de morrer porque os pais, o pediatra e o juiz achavam que ele precisava preencher as mínimas condições necessárias de qualidade de vida para ter o direito de continuar existindo.


  No passado, a permissão legal de matar um bebê cego e deformado abriu o caminho para a eutanásia se tornar uma prática comum na Alemanha nazista. Hoje nos EUA e em outros países avançados os cientistas médicos usam em suas experiências bebês que nascem vivos de abortos legais. Esses bebês não são considerados nem tratados como seres humanos. E agora há os casos de recém-nascidos deficientes que são deliberadamente assassinados. Tudo como conseqüência direta da legalização do aborto. Essa indiferença para com a vida humana está começando a inclinar os países desenvolvidos a ver com bons olhos o ato médico de apressar a morte de doentes em coma ou depressão.


  O Dr. Franklin E. Payne Jr, médico particular e professor universitário na área da medicina, diz:


    O aborto se tornou o procedimento cirúrgico mais comum nos Estados Unidos. A aceitação do aborto foi a primeira mudança importante na ética médica que levou às crueldades da Alemanha nazista. Mais tarde, “apelos em favor da eutanásia começaram a aparecer mais freqüentemente nos artigos e livros escritos por médicos”.


  No Canadá, o mesmo médico pioneiro na legalização do aborto agora luta para legalizar a eutanásia. Ativistas homossexuais também entraram nessa luta. O Dr. Brian Clowes, autor da famosa Pro-Life Activist’s Encyclopedia nos EUA, diz: “A eutanásia segue o aborto tão certamente quanto a noite segue o dia”. Seria de estranhar o fato de que todos os líderes pró-eutanásia nos EUA e na Europa trabalharam ativamente para a legalização do aborto em seus países? Nick Thimmesch escreveu na revista Newsweek que os mesmos indivíduos que lutaram para legalizar o aborto agora fazem campanhas para permitir a eliminação de 
pessoas adultas. Ele disse: “Incomoda-me o fato de que os eugenicistas na Alemanha organizaram a destruição em massa de pacientes mentais, e nos Estados Unidos os indivíduos a favor do aborto agora também trabalham em organizações que promovem a eutanásia”.  

  O médico que hoje aceita matar uma criança inocente na barriga da mãe, amanhã aceitará matar adultos idosos ou doentes. 


    COMO OS ADEPTOS DA EUTANÁSIA AGEM


Os nazistas queriam eliminar os indivíduos inúteis da sociedade, mas havia um problema: a Alemanha tinha uma forte e antiga tradição evangélica luterana de tratamento compassivo para com os idosos, os enfermos e os doentes mentais. A fim de mudarem o modo como o povo via essa questão, os nazistas contrataram os melhores especialistas da indústria do cinema na Alemanha.



Tudo foi feito com o máximo que os recursos cinematográficos permitiam na época: efeitos sonoros e visuais, e uma voz de narrador profissional. O objetivo era simples. Convencer o público de que os seres humanos pertencem ao mundo natural, onde até mesmo os animais fracos e doentes são mortos para dar espaço para os animais mais fortes. Os filmes nazistas fascinaram multidões de alemães mostrando um quadro frio e triste da vida “vegetativa” e improdutiva de pacientes em instituições de doenças mentais. Num dos filmes, um especialista explica que o governo tinha gastos enormes para manter esses deficientes vivos, enquanto outras áreas do país estavam desesperadamente precisando de recursos. Assim, o público era levado a concluir que o melhor que podemos fazer pelos fracos é deixar a natureza seguir seu curso,trazendo doenças e morte para eles.
Nas escolas alemãs, os livros de matemática apresentavam, em termos exagerados, as despesas médicas dos doentes crônicos. Os estudantes eram ensinados a calcular os custos que esses doentes davam para o país e descobrir propósitos mais produtivos em que esse dinheiro poderia ser investido com maior eficiência. Os jornais se referiam aos doentes crônicos como indivíduos inúteis que só serviam para comer. Foi assim que Hitler conseguiu fazer com que a Alemanha aceitasse sem remorsos a morte de 275 mil pacientes alemães, antes de começar a assassinar em massa a população judaica.
A HISTÓRIA REALMENTE MUDOU?

Contudo,será que a história mudou? Nas escolas americanas de hoje alguns pais já estão percebendo como a educação pública quer preparar os alunos para aceitar 
novas maneiras de tratar a vida humana. O Sr. Larry Johnson conta como sua filha foi obrigada na escola a assistir, com outros estudantes, a um filme “educacional” com o tema “Quem Deve Decidir Quem Tem o Direito de Viver?” O filme mostrava um bote salva-vidas prestes a afundar, porque havia pessoas demais. Para que o bote não afunde e a fim de que algumas pessoas possam sobreviver, alguém terá de ser atirado ao mar. Os alunos têm de escolher quem terá de ser sacrificado: o médico, o deficiente, o jovem, o idoso ou o advogado.

O bote salva-vidas representa nosso planeta, que os especialistas acham que tem habitantes demais e poucos recursos. A solução é eliminar as pessoas improdutivas que 
só consomem esses poucos recursos. É desse jeito que a eutanásia e o aborto legal estão sendo sutilmente ensinados às crianças como meios de salvar nosso planeta do excesso de velhos e bebês.


Essas idéias contam hoje com ampla aceitação no meio das elites sociais e têm o apoio financeiro de grandes organizações. Os grupos pró-eutanásia mais visíveis são a Federação Internacional de Planejamento Familiar e a Sociedade Hemlock. Derek Humphrey, cofundador da Hemlock, expressa um ponto de vista comum: “A liberdade individual exige que todos as pessoas tenham o direito de controlar o próprio destino… Essa é a liberdade civil máxima… Se não pudermos morrer por nossa própria escolha, então não somos um povo livre…” A morte não é mais uma inevitabilidade ou tragédia. Agora querem que a tragédia se transforme em direito civil.


A estratégia do movimento pró-eutanásia é fazer, através de propagandas, com que as pessoas se acostumem com o assunto da eutanásia. Essa estratégia também tem 
sido usada em outras questões sociais como o aborto, os direitos homossexuais e a liberação sexual das crianças. Os que estão interessados em promover essas práticas têm primeiramente de bombardear constantemente o público com seus termos peculiares, e assim as pessoas se acostumam. E o que acontece então?

No Canadá, uma médica aplicou uma injeção letal num paciente com câncer terminal. A enfermeira a denunciou, ela foi julgada e acabou sendo apenas repreendida pelo juiz. Alguém é morto, mas ninguém é condenado. Nem mesmo a imprensa tentou desaprovar tal ato. Que tipo de mensagem essa atitude transmite para o público?


 Um estudo cientifico mostra que os casos de morte de pacientes com ajuda de médicos que recebem muita publicidade acabam estimulando outros a imitarem. Nesse estudo, um médico aplicou uma injeção letal numa paciente com leucemia. Depois que esse caso foi 
extensivamente noticiado pelos meios de comunicação, houve um grande aumento no número de pacientes de leucemia que “morreram”. Outro caso envolvia uma paciente em coma cujos médicos removeram os aparelhos de sustentação da vida. Logo depois da notícia dessa morte, houve um aumento de quase 60% de pacientes em coma “morrendo”. Os sociólogos há muito tempo têm observado que as pessoas gostam de copiar os outros, e o exemplo público de certas condutas leva a atos semelhantes. É o efeito imitação.


Num mundo em que os seres humanos não temem a Deus e não respeitam a vida humana desde o momento da concepção, não é de admirar que alguns queiram acreditar 
na mentira de que existe o direito de morrer ou o direito de decidir quem tem de morrer. E toda essa confusão começou por causa da legalização do aborto nos países chamados “avançados” — avançados materialmente, mas moralmente deficientes.


Um ativista pró-eutanásia comentou o seguinte caso:

Um aidético em estado terminal da doença ligou para nós aqui na Sociedade Hemlock do Norte do Texas. Ele estava sofrendo muito… ele acabou revelando em nossa conversa por telefone que ele cria que provavelmente iria para o inferno, e isso o estava deixando angustiado… Mencionei para ele uma pesquisa recente que mostra que quase 50% dos americanos crêem na existência do inferno, mas que só 4% acham que acabarão indopara lá. Com a ajuda da biblioteca local, consegui uma cópia dessa pesquisa para mandar para ele, juntamente com uma tabela de dosagem de drogas [para cometer suicídio]. Esta deve ser a primeira vez que a Sociedade Hemlock ajudou alguém a experimentar uma “dupla libertação”: libertação de uma intolerável doença terminal e de uma intolerável crença teológica.
“Não os mate. Convença-os a se matar!”
  Por razões óbvias, os ativistas pró-eutanásia não podem dizer que estão reivindicando o direito de matar os doentes, os deficientes e os idosos. Pelo contrário, eles lutam para convencer a todos de que os doentes, os deficientes e os idosos precisam ganhar o direito legal de morrer. A estratégia deles é: “Não os mate. Convença-os a se matar!”
Não é sem motivo, pois, que a propaganda pró-eutanásia frise slogans como o direito de morrer com dignidade.
Quem é que não é a favor de uma morte com dignidade? Mas esses slogans adquirem um sentido diferente quando são usados pelos liberais ou quando são interpretados por juízes sem princípios morais. O direito de morrer pode parecer um termo maravilhoso — até percebermos que legalmente significa que podemos nos matar ou que alguém pode nos matar, mesmo que não queiramos morrer.

 A verdade é que ninguém precisa de um direito para morrer, pois a morte é inevitável. Todos, sem exceção,acabarão morrendo. Mas o movimento pró-eutanásia, buscando uma intervenção humana mais direta no processo da morte, procura manipular nossas emoções e 
mentes para que aceitemos o ato de matar ou apressar a morte de certas pessoas. Então por que eles escondem suas verdadeiras intenções? Porque percebem que o público não está preparado para aceitar tudo o que eles querem. Por isso, eles são obrigados a usar só termos que apelam para os nossos sentimentos.


O escritor cristão C. S. Lewis inventou o termo “verbicídio” para denotar o assassinato de uma palavra. É isso o que os defensores da eutanásia têm feito com a linguagem da “compaixão” e “misericórdia”. Eles encobrem o homicídio deliberado que alguns médicos estão cometendo. Eles o encobrem com frases positivas como: alívio da dor, preservar a qualidade de vida, morte com dignidade, eutanásia voluntária, o direito de morrer. Na 
questão do aborto, eles defendem a “interrupção voluntária da gravidez”


Pode-se dizer que enquanto de um lado o diabo oferece suicídio sob o rótulo de “morte com dignidade”, do outro lado o Senhor Jesus nos oferece a oportunidade de viver uma vida em abundância e com dignidade até a morte, e muito mais depois! Jesus disse: “O [diabo] só vem para roubar, matar e destruir; mas eu vim para que [as pessoas] tenham vida e vida completa”. (João 10.10 BLH).


Além disso, a Bíblia diz que o diabo é mentiroso (João 8.44). Sendo mentiroso, ele traz morte com o pretexto de promover vida, compaixão, etc. Sua especialidade é o uso de palavras inteligentes para propósitos ocultos. Mas seus alvos são diretos. Na 3ª Conferência sobre Eutanásia, o Dr. Marvin Kohl disse: “Em alguns casos, principalmente em certos casos de eutanásia, a moralidade exige o assassinato dos inocentes”.


 O Dr. Morte


O mais popular defensor da eutanásia nos EUA é o Dr.Jack Kevorkian, mais conhecido como Dr. Morte. Ninguém tem feito mais para legalizar a eutanásia nos EUA do que 
ele. E ele sempre fez tudo alegando que estava apenas ajudando doentes terminais a escapar de algum sofrimento físico insuportável. Entretanto, numa análise realizada de 69 suicídios cometidos sob a supervisão do Dr. Morte, chegou-se à conclusão de que 75 por cento desses pacientes não eram doentes terminais quando o Dr. Morte os ajudou a morrer.


Além disso, em cinco casos a autópsia não conseguiu confirmar nenhuma doença física. Muitos desses pacientes que cometeram suicídio eram mulheres divorciadas ou pessoas que nunca casaram. A autópsia revelou que só 17, entre os 69 pacientes, eram doentes terminais, com uma probabilidade de viver menos de seis meses.


Palavras que desvalorizam


É claro que, sendo seguidores daquele que veio para matar, roubar e destruir, os defensores da eutanásia tomam muito cuidado. Em público, eles só dizem o que as pessoas gostam de ouvir. Como não tem nada de bonito em suas práticas, o movimento pró-eutanásia sabe que precisa escolher muito bem seus slogans. O diabo mais feio pode se 
esconder por trás da aparência do anjo mais lindo! O objetivo é nos convencer da falta de sentido de continuar vivendo doente sem desfrutar os prazeres da vida. É fazermos ver com verdadeira repugnância o estado de doença e fraqueza dos deficientes e idosos. Eles se referem ao estado dos doentes nos piores termos possíveis.


Contudo, existe uma ligação muito íntima entre as palavras empregadas para designar negativamente as pessoas vulneráveis de hoje e do passado. Quando os que defendem o aborto e a eutanásia comparam suas vítimas aos animais, eles estão apenas repetindo o mesmo vocabulário de desprezo que os opressores nazistas e comunistas do passado empregavam contra suas vítimas.


 Os defensores da eutanásia costumam frisar motivações humanitárias (livrar o doente da agonia prolongada de uma morte dolorosa) para sustentar suas propostas. Mas, de vez 
em quando, eles não conseguem esconder suas reais motivações e empregam designações que descrevem os pacientes crônicos dependentes como “parasitas”. Um eticista escreveu que “o único modo eficiente de garantir que muitos pacientes biologicamente resistentes realmente morram é não lhes dando nutrição”. Sua maneira de falar mostra o paciente como alguma espécie que teima em respirar e ficar agarrada à vida com a ajuda de equipamentos médicos.



O Dr. William Brennan revela a atitude que já está tomando conta dos que cuidam de doentes crônicos:
   Uma enfermeira que estava colocando um homem em coma numa cadeira disse: “Este parasita está me esgotando”.Quando um paciente idoso com grave debilitação é colocado no setor de emergência, é comum o pessoal do hospital dizer: “Aí está um parasita de verdade”.
  Muitos na classe médica que não têm consciência do valor absoluto da vida como presente de Deus simplesmente preferem ver os vulneráveis doentes crônicos como “vegetais” ou indivíduos em “persistente estado vegetativo”. O filósofo John Lachs afirma: “Não consigo me convencer de que os vegetais inconscientes nos hospitais sejam de algum modo seres humanos”. Pessoas em grave estado de saúde são consideradas parasitas e vegetais porque o uso desses nomes nos permite desprezá-las com mais facilidade e não vê-las como criaturas humanas. Assim fica mais fácil aprovar medidas “médicas” para eliminá-las.

  Veja as designações empregadas contra as pessoas mais fracas:


 “Nenhuma criança recém-nascida deve ser declarada humana até passar certos testes”. (Dr. Francis Crick, 1978).


“Vejo os pacientes como objetos de trabalho”. (Declaração de uma enfermeira que cuidava de idosos, 1977).


“Há um monte de lixo [pacientes] esta manhã”. (Declaração de um médico do setor de emergência, 1979).


“Os seres humanos recém-nascidos não são pessoas”. (Filósofo Michael Tooley, 1983).


“A maioria dos defeitos de nascença só são descobertos depois do nascimento. Se uma criança não fosse declarada viva até três dias após o nascimento, o médico poderia permitir que a criança morresse se os pais assim decidissem e evitar muita infelicidade e sofrimento.

Creio que essa é a única atitude racional e compassiva que se deve ter”. (Dr. James Watson, eticista americano, 1973).

O Dr. Robert Williams, da Faculdade Médica do Estado de Washington, afirmou que os bebês não deveriam ser considerados pessoas no primeiro ano de vida. 


O Profº John Lachs, da Universidade Vanderbilt, disse que alguns recém-nascidos deficientes só têm aparência humana. Ele aconselhou que se pode matá-los como animais.


“Um recém-nascido é apenas um organismo com um potencial para adquirir qualidades humanas. (Dr. Milton Heifitz, chefe de neurocirurgia, Centro Médico de Los Angeles, em testemunho diante do Congresso americano em 23 de março de 1976).


“Há pouca evidência de que acabar com a vida de um bebê nos primeiros meses depois de sua extração do útero poderia ser vista como assassinato. Pareceria mais ‘desumano’ matar um chimpanzé do que um bebê recém-nascido, já que o chimpanzé tem maior capacidade mental. Não se pode considerar assassinato a destruição de uma forma de vida que tem menos capacidade mental que um macaco” (Winston L. Duke, físico nuclear, 1972).


“Se os médicos conseguirem fixar na mente das pessoas que é um crime trazer crianças doentes ao mundo, então as leis eugênicas que são vistas agora como intromissões sinistras na liberdade das pessoas viriam a ser aceitas com naturalidade” (Declaração do Dr. H. Pall na Alemanha pré-nazista de 1921).


OS NAZISTAS TAMBÉM AGIAM ASSIM



Entretanto, a maneira como os atuais defensores da eutanásia vêem os doentes não é novidade. Em 1936 a palavra “vegetal” apareceu numa propaganda nazista promovendo a eutanásia para uma mulher que sofria de esclerose múltipla. Na propaganda havia a pergunta: “Se fosse aleijado, você ia querer vegetar para sempre?”.

Essas pequenas atitudes de desprezo médico e social contra as pessoas vulneráveis acabaram levando ao ato de desprezo máximo: a aceitação legal da morte desses seres humanos infelizes. E uma atrocidade foi conduzindo a atrocidades maiores. O Dr. Leo Alexander, especialista médico americano, participou como membro do Tribunal de Crimes de Guerra em Nurembergue, Alemanha, em 1949. A missão desse tribunal internacional era investigar e condenar as atrocidades dos nazistas. O Dr. Leo disse:

 Ficou claro para todos nós que os crimes de grandes proporções que estávamos investigando tinham começado com pequenas proporções. No início houve apenas uma mudança na atitude dos médicos. Eles começaram a aceitar a idéia do movimento pró-eutanásia de que há tipos de vida que não são dignas de viver. No começo os médicos colocaram nessa categoria apenas os doentes crônicos e graves. Mas aos poucos essa categoria foi ampliada para incluir os que não produziam nada na sociedade, os que tinham alguma ideologia indesejada, os que pertenciam a raças indesejadas e, no final, todos os que não eram alemães.
 William L. Shirer entrevistou um juiz nazista condenado à morte no Tribunal de Nurembergue. O juiz começou a chorar e disse: “Como foi que tudo isso chegou a esse ponto?” O Sr. Shirer respondeu: “Chegou a esse ponto a primeira vez em que o senhor autorizou a morte de uma vida inocente”.

 Telford Taylor, principal advogado de acusação em Nurembergue, descreveu os importantes médicos que foram julgados e condenados por assassinato:

  [Esses médicos]…são acusados de assassinato, torturas e outras atrocidades cometidas no nome da ciência médica…Eles não fizeram isso por sede de sangue ou por dinheiro.… Eles não são homens ignorantes. A maioria deles são médicos treinados e alguns deles são famosos cientistas. As idéias pervertidas e os conceitos distorcidos que causaram essas selvagerias não morreram. Não se pode destruí-los pela força das armas. Para que possamos impedir esse câncer de se espalhar no meio da humanidade, temos de arrancar essas idéias e conceitos pelas raízes, desmascarando-os completamente.
 A condenação desses criminosos foi aprovada por toda a classe médica mundial e fez com que todos tomassem medidas para garantir que os atos dos médicos nazistas nunca mais fossem repetidos. Como um passo importante, eles reafirmaram o princípio ético básico de sua profissão: o médico não deve matar seus pacientes.

 Em junho de 1947, a Associação Médica Mundial declarou sua posição com relação aos crimes dos médicos nazistas:


  As provas apresentadas nos julgamentos dos médicos criminosos de guerra chocaram a classe médica. Esses julgamentos mostraram que os médicos culpados desses crimes contra a humanidade não tinham a consciência moral e profissional que se espera dos membros da honrosa profissão médica. Eles abandonaram a ética médica tradicional que sustenta o valor e a santidade de todo ser humano individual.


A Comissão de Crimes de Guerra classificou da seguinte forma os crimes que os médicos cometeram:


• Experimentos sem consentimento em pessoas, com a autorização de autoridades elevadas com o pretexto de realizar pesquisas científicas…

• Experiências sem consentimento realizadas por autoridades médicas…
• Seleção e assassinato deliberado de prisioneiros…
• Assassinato deliberado de pacientes enfermos ou doentes mentais e de crianças em hospitais…

Pelo que foi dito acima, é evidente que os médicos realizaram experimentos desumanos… para pesquisas de doenças. No curso dos experimentos e na aplicação de suas descobertas, eles deliberadamente mataram pessoas… Eles usaram mal seu conhecimento médico e prostituíram as pesquisas científicas. Eles desprezaram a santidade e a importância da vida humana…


 No entanto, é triste ver que depois de todas essas medidas e esforços para proteger a dignidade da vida humana, cientistas americanos e europeus de hoje não sentem a menor compaixão em suas experiências com seres humanos vivos, principalmente bebês que nascem vivos de abortos legais. O Dr. Brian Clowes escreve: “Bebês viáveis que são abortados depois de seis meses de gestação são, é 
claro, os mais valiosos para pesquisa porque são os mais desenvolvidos. Num experimento, vários bebês viáveis de mais de 6 meses de gestação foram removidos vivos do útero por aborto de histerectomia…”E imaginar que tudo isso ocorreu como conseqüência direta da legalização do aborto! As raízes sempre produzem árvores, sejam boas ou más.

  Crimes de grandes proporções não nascem do nada. É por isso que é preciso sempre cortar o mal pela raiz, bem no seu começo. Vale a pena lembrar que bem antes de o nazismo dominar a Alemanha e legalizar a eutanásia, muitos médicos alemães já alertavam que ajudar doentes em situação grave a ter uma morte mais apressada seria apenas o primeiro passo para a classe médica passar a aceitar uma ética que valoriza a morte como solução para certos pacientes. Em 1914, o médico alemão M. Beer escreveu o livro Ein Schoner Tod: Ein Wort zur Euthanasiefrage (Uma Morte Bela: Uma Palavra de Alerta sobre a Questão da Eutanásia). O Dr. M. Beer avisou que ajudar os pacientes a morrer seria só o primeiro passo para algo pior:


    A aceitação de leis que permitem uma morte misericordiosa voluntária para os casos de doentes incuráveis… diminuirá o respeito pela santidade da vida humana, e quem é que vai garantir que essas leis não serão ampliadas para incluir outros casos?


Tendências atuais que desvalorizam a vida humana


Parece que em cada geração há uma tendência diferente para desvalorizar a vida humana. Em nossa época, por exemplo, há um movimento que promove na ONU a Carta da Terra, um tipo de documento constitucional internacional cujo propósito é preservar o meio ambiente e respeitar todas as formas de vida. O documento Earth Charter Status Report faz referência não só ao valor da vida 
humana, mas também ao “valor intrínseco de todas as outras formas de vida”. Isto é, todos têm o mesmo valor: homens, animais, plantas, etc. Colocar os seres humanos, criados conforme a imagem de Deus, no mesmo nível das outras criaturas sem espírito é abrir as portas para a desvalorização da vida humana.


 Não é de estranhar, pois, que o documento Carta da Terra recomende “que todas as pessoas tenham acesso a uma assistência de saúde que promova a saúde sexual e a reprodução responsável”. O documento Green Agenda (Agenda Verde), do movimento ecológico, define basicamente essa assistência de saúde como “planejamento familiar acessível para homens e mulheres, inclusive… educação sexual, anticoncepcionais e aborto legal”. Saúde sexual ou reprodutiva é um jargão muito usado pela ONU e pelas entidades de planejamento familiar. Significa, entre outras coisas, a prestação de planejamento familiar, anticoncepcionais e aborto legal, inclusive aos adolescentes. A Carta da Terra também menciona a necessidade da “igualdade de gênero”, um termo que abrange não só o sexo masculino e feminino, mas também o homossexualismo.


Fazem parte desse movimento em defesa da ecologia a entidade budista Soka Gakkai, o Instituto Paulo Freire, Mikhail Gorbachev, o exfrei Leonardo Boff e uma variedade de outros socialistas. Sua missão também é promover o respeito às religiões dos índios (que é uma maneira sutil e encoberta de protegêlos do evangelismo cristão e impedilos de serem libertos de sua idolatria demoníaca). Os índios adoram o planeta Terra como um ser espiritual vivo, sem 
saberem realmente que sua adoração é dirigida a espíritos de escuridão. Em vez de permitir que os índios sejam libertos de sua idolatria, os ambientalistas querem que a escuridão espiritual deles influencie a sociedade. O Earth Charter Status Report contém um hino de louvor à Terra, e menciona um encontro para a educação ecológica onde crianças de escolas públicas ofereceram hinos hindus, cristãos e muçulmanos de adoração à Terra.


O que pensam realmente os ecologistas? Vamos dar uma olhada num ambientalista bem conhecido. O maior defensor dos direitos dos animais hoje é o Professor Peter Singer, que é tão radical que nem come carne. Ele disse: “Matar um recém nascido deficiente não é a mesma coisa que matar uma pessoa. Muitas vezes não é, de forma alguma, errado”. Ao observarmos a diferença que ele faz entre recém nascido e pessoa, dá para perceber que na opinião dele a criança indefesa e inocente não é uma pessoa. Já na opinião de Troy McClure, defensor dos direitos dos deficientes físicos, o Professor Singer é “o homem mais perigoso do mundo hoje”


Assim, para “salvar” a Terra, ecologistas como o Sr. Singer estão dispostos a promover até o aborto legal e o assassinato de crianças recém-nascidas! Que dificuldade alguém assim teria para apoiar a eutanásia? Para eles, o mais importante é defender o meio ambiente e a vida dos animais. Eles realmente chegam ver o crescimento da população humana como um câncer destruindo tudo.


Contradições difíceis de entender


Há um paradoxo que muitos consideram irracional e até bizarro nas atitudes sociais de hoje com relação ao valor da vida humana. Os mesmos países ricos que são contra a pena capital para os criminosos culpados de assassinato são, inexplicavelmente, a favor dessa mesma pena para bebês inocentes que se encontram na barriga de suas mães. E agora lutam para estender essa pena aos doentes, aos deficientes e aos idosos. Querem livrar os culpados dessa pena, sob a alegação de que é um meio cruel de a sociedade castigar indivíduos perigosos. Ao mesmo tempo, não querem livrar os idosos, sob a alegação de que a eutanásia é um meio “misericordioso” de livrá-los do sofrimento. Querem, além disso, que as autoridades civis se envolvam nessa área, quando a Bíblia deixa bem claro que o papel do governo e das leis civis não é castigar os bons, mas os maus.

Na Europa, onde a execução de criminosos assassinos foi há muito tempo abolida, a execução de bebês na barriga de suas mães é legalmente mantida como um direito sagrado das mulheres. Nos EUA, os mesmos líderes sociais e meios de comunicação que lutam para salvar da pena capital o pequeno número de indivíduos condenados por assassinatos brutais também lutam incansavelmente para proteger a execução brutal dos mais que 1 milhão de crianças que são legalmente abortadas todos os anos! Isso sem mencionar que nada é feito contra a crescente prática de assassinar bebês recém-nascidos nos hospitais.
 Na França mais da metade dos médicos que cuidam de recém-nascidos afirmou, numa pesquisa, que freqüentemente administram drogas para acabar com a vida de recém-nascidos que têm algum problema médico incurável. Parece que salvar a vida dos culpados é a preocupação mais importante dos ativistas sociais de hoje.

As mesmas sociedades que, por motivo de compaixão, se opõem à pena de morte para assassinos desumanos agora a estão aplicando, por motivo de “compaixão”, em bebês indefesos. Tudo indica que os idosos serão os próximos na fila.


A tendência de combater a pena de morte para os culpados e defendê-la para os inocentes é não só um mistério, mas talvez também o maior desafio e contradição da nossa geração. E é estranho também que cientistas que estão tão ansiosos para encontrar vida em outras planetas não sintam o mínimo remorso de fazer experiências em bebês vivos. Estão com tanta vontade de descobrir e preservar formas de “vidas” que não conhecem quando não se preocupam em preservar e proteger a vida mais importante que já conhecem.


Idéias nazistas: antes e depois



Quando os soldados de Hitler invadiram a Holanda em 1940, os médicos holandeses receberam aviso de que eles seriam obrigados a participar do programa de eutanásia para eliminar os gastos das crianças deficientes, os doentes crônicos e incuráveis, etc., nos hospitais e instituições mentais. A maioria deles se recusou a colaborar com esse programa, e alguns foram presos e ameaçados de morte.
Mas todos os médicos se uniram e o programa foi fechado. O aborto e a eutanásia eram questões repugnantes para eles. Parece que o fator mais importante que deu sucesso à resistência dos médicos e da população holandesa em geral aos nazistas foi que naquela época o povo holandês, que na maior parte era evangélico, tinha alicerces éticos sólidos na Palavra de Deus.

Entretanto, hoje a história é diferente. Embora ainda sejam em grande parte evangélicos, os holandeses agora não vão à igreja nem colocam a Palavra de Deus acima de tudo em suas vidas. Pode-se dizer que quando um povo perde o respeito e a obediência aos mandamentos de Deus, então perde-se o respeito pelo valor da vida humana. O resultado? Os médicos holandeses estão matando deficientes, recém-nascidos, pacientes em coma e até mesmo pessoas deprimidas (mas completamente saudáveis) sem que haja nenhum tipo de intervenção da polícia ou dos tribunais para castigar os responsáveis.


 Embora a sociedade holandesa seja vista como uma sociedade avançada sem abusos dos direitos humanos, os holandeses foram condicionados a ver de modo negligente e despreocupado a questão da eutanásia. O Dr. Hank Jochemsen, famoso eticista médico holandês, disse: “A justiça não percebe nem enxerga a maioria dos casos em que os médicos intencionalmente abreviam a vida dos pacientes, por ato ou por omissão”. O que a eutanásia legal fez na Holanda não foi simplesmente dar aos doentes terminais a liberdade de se matar, mas aumentar vastamente o poder dos médicos sobre a vida e a morte de seus pacientes terminais ou não. As próprias leis que foram criadas para proteger o direito à vida dos seres humanos agora são sutilmente usadas para a eliminação das pessoas que são consideradas indignas de viver. E no nome da compaixão, médicos treinados para curar e prolongar a vida estão abreviando e até matando as vidas que eles deveriam proteger. Matar o paciente como meio de cura está se tornando um procedimento médico aceitável em alguns países chamados avançados.


O que aconteceu com muitos médicos holandeses é que, ao aplicarem a eutanásia num paciente, eles liberaram uma incontrolável força invisível que inevitavelmente leva à morte de suas próprias consciências e integridade ética e moral: o pecado. O pecado sempre produz morte, de todos os tipos e em todas as áreas, para aqueles que o praticam (cf. Romanos 6.23a). E o ato de matar, que está incluído nos Dez Mandamentos, é um dos piores pecados (cf. Êxodo 20.13). Um médico ou enfermeira que tolera a eutanásia terá dificuldade de lutar para salvar a vida de todos os pacientes necessitados sob sua responsabilidade.


Depois de tantos anos de convivência com a eutanásia, a sociedade holandesa agora tende a aceitar o que no passado seria impensável: eutanásia para crianças. Todos os anos são registrados pelo menos 50 casos de recém-nascidos deficientes que ficam, deliberadamente, sem tratamento médico. A maioria dos médicos que trabalham nessa área está chamando essa prática de um modo compassivo de acabar com a vida desses bebês.


 A mentalidade pró-eutanásia é tão forte que um defensor dos direitos humanos afirmou que ele não tinha liberdade de falar contra a eutanásia mesmo numa universidade fundada por evangélicos. Como membro da Igreja Cristã Reformada, ele disse: “Esta é uma universidade nominalmente cristã, mas os meus colegas são bem contrários às minhas idéias… A idéia de que essas crianças [deficientes] são um peso é imposta a nós por opiniões que valorizam o desenvolvimento pessoal e o direito de escolher. Os pais ficam apavorados [com a perspectiva de gastar sua vida em favor de um filho deficiente] e eles procurarão um médico que lhes dê uma ‘saída’”. Pais holandeses fiéis a Deus, que têm filhos deficientes, não os estão colocando em instituições, onde suas vidas correm perigo. Eles os estão criando com o valor que Deus lhes dá. Esses pais são um exemplo de luz e esperança no meio da escuridão moral de seu país.


De todos os países na Europa, é incrível que seja justamente na Holanda que a prática da eutanásia tenha sido aceita a tal ponto que a classe médica, o governo, as igrejas e o povo mal lastimem o que está acontecendo. A Holanda foi o único país a tomar uma posição contra o programa nazista de eutanásia, quando todos os médicos holandeses entregaram suas licenças em protesto. Agora são os médicos holandeses que estão fazendo as próprias coisas que eles tanto abominaram na 2 Guerra Mundial. O que aconteceu?


A eliminação de vidas está ocorrendo hoje em grande escala na Holanda, onde a eutanásia e o suicídio com assistência médica são praticados pelos médicos. Embora as normas médicas e legais estabeleçam que o paciente é que tem de escolher a morte, mais de 40 por cento dos médicos holandeses aplicam a eutanásia em pacientes que não desejam morrer. O que está acontecendo na Holanda mostra que não é possível permitir o assassinato e o suicídio só em determinadas circunstâncias. O mal, quando é liberado, tende a se descontrolar, principalmente quando ocorre na privacidade do médico com o paciente.

 A Holanda moderna se orgulha de suas idéias liberais. Se a Holanda não existisse, os liberais teriam de inventá-la. Esse país tem sido visto como um modelo por sua aceitação das drogas, da prostituição, do homossexualismo e do suicídio com ajuda médica. O governo holandês até financiou o barco do aborto, cuja missão é navegar em águas internacionais, perto de países em desenvolvimento, para oferecer aborto.
Mas nem todos os holandeses concordam com a eutanásia. Herman van der Kolk, advogado holandês,
comenta:
A eutanásia e o suicídio são meios de terminar a vida humana sem levar em consideração que a vida humana na terra é só parte da vida total, pois toda vida humana tem um destino eterno. A vida na terra é uma preparação para a eternidade. Ninguém pode decidir quando é que deve ocorrer o momento adequado para a transição, nem a própria pessoa nem ninguém mais. Só Deus pode decidir o momento adequado. Embora seja errado dar um fim numa vida, ajudar alguém a morrer é igualmente errado pois rouba a decisão das mãos de Deus.
  O Dr. Karel F. Gunning é presidente da Federação Mundial dos Médicos que Respeitam a Vida Humana, cuja sede fica na cidade de Roterdã, Holanda. Ele diz:
É claro, precisamos ajudar os pacientes que estão morrendo, mas temos de ajudar a acabar com o sofrimento, não com a vida. Se aceitarmos o assassinato de um paciente como solução num caso específico, encontraremos centenas de outros casos em que o assassinato também poderá ser considerado como solução aceitável, a partir do momento em que o médico tiver permissão de matar o primeiro paciente, será uma questão de pouco tempo antes que ele mate o segundo ou terceiro.
 EUTANÁSIA PARA O MUNDO INTEIRO? 

A questão da eutanásia na Holanda é um problema que ameaça se expandir para toda a Europa e o mundo. A cidade de Haia, na Holanda, é hoje a sede da Corte Criminal Internacional (CCI), cuja função é julgar tudo o que a ONU interpreta como violação dos direitos humanos. É uma ironia bizarra que um tribunal internacional se localize num país com o mais agressivo programa de genocídio contra os idosos e deficientes. Nenhuma outra nação “democrática” permite a eutanásia e o suicídio com assistência médica na medida em que a Holanda aceita. E essa prática está se tornando tão comum que os médicos holandeses testemunham publicamente que participam de casos em que crianças deficientes são mortas.


 É possível entender a despreocupação da CCI com a eutanásia holandesa como um dos sinais mais claros de que há uma tendência cada vez maior a favor da eutanásia nos países ricos. No Canadá, por exemplo, há casos em que enfermeiras perderam o emprego porque escolheram não participar de procedimentos de aborto ou atos de eutanásia.


 Pouco antes do estabelecimento da CCI, Concerned Women for America, organização evangélica presidida por Beverly LaHaye110, avisou:


 A ONU planeja estabelecer um tribunal criminal mundial com implicações de longo alcance para os cidadãos. Pela primeira vez, um tribunal da ONU terá autoridade e poder para julgar indivíduos de países membros da ONU. O tribunal internacional terá jurisdição sobre casos de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade. Embora essa meta pareça logicamente aceitável, recentes conferências mundiais da ONU revelam que as definições que a ONU emprega são sempre vagas e muitas vezes enganadoras. Por exemplo, muitos grupos estão trabalhando para definir o aborto e a

conduta homossexual como “direitos humanos fundamentais”. De acordo com essa definição, a Corte Criminal Internacional poderá condenar indivíduos por cometer “crimes contra a humanidade”. Portanto, dá para imaginar que uma pessoa que proteste contra o aborto legal ou um pastor que fale contra a homossexualidade poderá ser julgado por “crimes contra a humanidade”, por “intolerância” e por “violações dos direitos humanos fundamentais”.

 As feministas e outros grupos radicais estão lutando para que a CCI coloque a oposição ao aborto legal como violação dos direitos humanos. Como esse tribunal tem jurisdição sobre todas as pessoas dos países que assinaram seu documento de compromisso, inclusive o Brasil, há o perigo de que, se for aprovada uma lei protegendo o aborto legal, os cristãos e outras pessoas que defendem a vida humana desde a concepção até a morte natural poderiam perder sua proteção legal e serem levados a julgamento internacional. Ativistas gays holandeses tentaram recentemente levar o papa a esse tribunal, apenas porque ele reconheceu corretamente que o homossexualismo é pecado. Não se sabe com certeza de que maneira a CCI usará sua autoridade futuramente.

Os frutos da medicina socializada

A profissão médica de hoje se preocupa mais com a questão econômica do que os médicos do passado. A disponibilidade do suicídio com ajuda médica é mais rápida e barata do que qualquer outra forma de tratamento médico. Por isso, os pacientes holandeses pobres ou cujos tratamentos são muitos caros são pressionados a “escolher” o suicídio com ajuda médica ou então são simplesmente 
“despachados” para a eternidade sem aviso prévio.

Ser idoso e doente na Holanda é uma experiência de dar medo, pois os idosos sabem que são oficialmente “descartáveis”. Eles são descartáveis porque a motivação principal do sistema de saúde holandês não é a assistência de saúde em si, mas a redução dos custos. Esse é o legado mais desumano da ameaça chamada medicina socializada. Pare para pensar na situação delicada de um idoso holandês de 60 anos que simplesmente não pode deixar de buscar assistência médica num hospital. Ele está bem ciente dos seguintes fatos:


 Todo médico holandês recebe treinamento formal em eutanásia nas faculdades de medicina. O custo exato de cada tipo de tratamento para todas as doenças ou ferimentos comuns é conhecido de antemão e registrado para fácil referência e análise em cada caso individual. Portanto, com base nas informações desses registros, o médico clínico geral já tem a orientação do hospital para aplicar, sem consentimento, injeções letais em pacientes idosos cujo tratamento é considerado “caro demais”.


O número de asilos para doentes e velhos na Holanda diminuiu mais que 80 por cento nos últimos 20 anos, e a expectativa de vida dos poucos idosos que permanecem em tais asilos está se tornando cada vez mais curta. A eutanásia involuntária é administrada até mesmo em pacientes que não estão em fase terminal. A eutanásia involuntária também é administrada para vítimas de acidente e pessoas com reumatismo, diabetes, AIDS e bronquite.


Problema tipo exportação?


Contudo, se tudo isso está ocorrendo nos países ricos, por que os países em desenvolvimento deveriam se preocupar? Porque a Europa e os EUA costumam sempre exportar suas idéias e soluções para os outros países. Pode-se dizer que a eutanásia é um problema tipo exportação, pois sendo um país economicamente avançado, a Holanda tem sido vista como modelo para o mundo imitar. Maurice De Wachter, diretor do Instituto de Bioética em Maastricht, declarou de forma preocupante que “A Holanda é o que eu chamaria de um experimento de ética médica que servirá de precedente. Há uma prática crescendo [na Holanda] em que os médicos se sentem à vontade ajudando os pacientes a morrer — em outras palavras, eles se sentem à vontade matando os pacientes”


Nos EUA, o Estado do Oregon foi o primeiro a legalizar a eutanásia. Ali, os pobres e os vulneráveis têm acesso à assistência médica para cometer suicídio, mas ao mesmo tempo não têm acesso a muitos outros serviços médicos necessários. O Plano de Saúde do Oregon dá cobertura total ao suicídio com assistência médica, mas não dá cobertura adequada para o alívio de dores, etc. Em vez de ganharem mais opções durante uma fraqueza física, os pobres descobrem que têm opções mais limitadas, porque cuidar de sua saúde, nessas circunstâncias, custaria muito para a família e para o governo. Eles acabam sentindo, e com razão, que a vida deles é uma carga para os familiares. Eles procuram então sair do caminho dos outros da forma mais barata.


 Um fator bastante revelador sobre o Oregon é que as pesquisas religiosas mostram que esse é o Estado americano em que a população vai menos à igreja. Na opinião dos defensores da eutanásia, é muito difícil uma pessoa que não crê em Deus aceitar a idéia de que a vida é sagrada. Mas o problema maior hoje não é exatamente um ateísmo declarado, porém um humanismo bem camuflado. Humanismo é a idéia de que o próprio ser humano pode tomar suas decisões, até mesmo decisões de vida ou morte,sem ter de consultar ou se submeter a Deus. Ele pode até crer vagamente em Deus, mas obedece principalmente a seus desejos e vontades humanas.


Em que os humanistas acreditam? É o que vamos ver a seguir nos seguintes trechos extraídos diretamente do documento Manifesto Humanista: 


 Manifesto Humanista II:


• Os humanistas crêem que o deísmo tradicional, principalmente fé num Deus que as pessoas acham que as ama e cuida delas, um Deus que as ouve e entende suas orações, é algo fora de moda que não

pode ser provado.
• Promessas de salvação eterna ou medo de um inferno eterno são ilusões prejudiciais que apenas distraem nossa atenção das coisas importantes do presente, da nossa auto-realização…
• Para aumentar a liberdade e a dignidade humana, os indivíduos têm o direito de experimentar plena liberdade civil em todas as sociedades. Isso inclui reconhecer que os indivíduos têm o direito de morrer com dignidade e o direito à eutanásia e ao suicídio.
• O direito ao controle da natalidade, ao aborto e ao divórcio devem ser reconhecidos.

 Os humanistas acham que cada pessoa tem o direito de decidir moralmente o que é certo e errado para si, sem nenhuma interferência, até mesmo em questões de vida ou morte. Assim, o controle da natalidade, o aborto e a eutanásia se tornam direitos. Embora Deus tenha a sabedoria e a autoridade de decidir aspectos importantes da vida melhor do que limitados seres humanos, eles não vêem razão por que as pessoas não podem decidir livremente nessas áreas. Eles também não reconhecem o valor bíblico e social de um casamento que dura até a morte dos cônjuges. Aliás, eles não vêem nada de errado em casais se divorciando, casais vivendo juntos sem se casar, mulheres fazendo aborto e homossexuais “se casando”…


A noção de que cada pessoa tem a liberdade pessoal de decidir seus próprios valores morais é um conceito basicamente socialista e é evidente na maior parte das tentativas de legalizar certas práticas como se fossem “direitos”: aborto, homossexualismo, pornografia, eutanásia, drogas… Para a mente humanista ou socialista, não há dificuldade de aprovar o suicídio para os idosos doentes, pois não faria sentido o governo gastar dinheiro com pessoas que nunca poderão contribuir economicamente para a sociedade.


NOVA ERA


Embora os humanistas (que afirmam não crer em Deus) pareçam ser a principal força por trás das propagandas pró-eutanásia, há muitos “religiosos” envolvidos, principalmente os seguidores da Nova Era. De acordo com a jurista americana Constance Cumbey, os ecologistas e os adeptos da Nova Era, para acabar com o que eles chamam de explosão demográfica, defendem o aborto legal, o “controle da mortalidade” e a limitação forçada do tamanho das famílias através do controle da natalidade. A Dr.ª Constance mostra como eles entendem o “controle da mortalidade”:


Os adeptos da Nova Era apoiam as medidas legais e médicas para aplicar a eutanásia, matar os pacientes de fome e retirar dos doentes os aparelhos que os mantêm vivos.


Um aspecto desumano e cruel da sociedade moderna é que o meio ambiente se tornou mais importante do que as próprias pessoas que foram criadas para dominar e usar a natureza. Isso tudo é conseqüência das idéias da Nova Era. Há mais preocupação com os derramamentos de petróleo, que ameaçam matar peixes, do que com a eutanásia, que ameaça matar seres humanos vulneráveis. Há mais preocupação com um ovo de águia do que com um bebê que sofre ameaça do aborto legal. Para “salvar” o que chamam de animais em extinção, alguns ecologistas estão dispostos a extinguir seres humanos inocentes.


Randall Baer, que foi um dos líderes mais destacados da Nova Era e hoje viaja extensivamente desmascarando esse movimento, diz:


      Pelo fato de justificar vários tipos de assassinato, a filosofia da Nova Era abre as portas para o fanatismo nazista. Com base na filosofia da reencarnação e karma, a Nova Era consegue facilmente justificar o aborto, a eutanásia, a esterilização racial e até mesmo assassinatos. Essa filosofia diz que a alma é imortal. Portanto, a morte realmente não existe. O que acontece é que a alma passa por uma reciclagem antes de entrar num corpo em cada reencarnação. Metade da população mundial hoje acredita nessa filosofia.


No infame livro Out on a Limb, de Shirley MacLaine, o mestre dela, David, analisa o caso dos ônibus que sofreram um terrível acidente numa estrada nas montanhas do Peru e o possível sentido desses desastres. Ele responde: “Não há morte de verdade. Por isso, não há nenhuma vítima”. De acordo com essa filosofia, o sofrimento é uma ilusão, a morte é uma ilusão e as vítimas são uma ilusão. De acordo com essa definição, seja qual for a situação pela qual as pessoas passem, tudo é bom para elas.


Com relação ao aborto, por exemplo, a Nova Era dá várias desculpas para justificar esse ato de matar inocentes… Entre outras, essas desculpas incluem:


• Depois do aborto, a alma da criança poderá, através da reencarnação, ser reciclada e colocada no corpo de outro feto algum tempo mais tarde…


O que é mais perigoso e pervertido na Nova Era é que sua filosofia dá desculpas totalmente lógicas para matar os inocentes e cometer todos os tipos de injustiça… A lógica dessa filosofia é que, por ser imortal e nunca morrer, a alma simplesmente fica se reencarnando…


 A Bíblia mostra bem claramente que depois da morte as pessoas terão de prestar contas a Deus: “Cada pessoa tem de morrer uma vez só e depois ser julgada por Deus”. (Hebreus 9.27 BLH) Isso deveria ser suficiente para desanimar qualquer pecador de querer apressar para si mesmo ou para outros a ida para a eternidade. Contudo, os ensinos da Nova Era livram seus seguidores desse grave 
incomodo na consciência: “O seguidor da Nova Era… antecipando mais reencarnações, tem menos dificuldade de aceitar a eutanásia ativa quando uma existência terrena específica se torna incomoda demais…”

O moderno movimento Nova Era, que hoje possui uma vasta rede de organizações, começou em 1875 com a fundação da Sociedade Teosófica da Sra. Helena Petrovna Blavatsky. Seus seguidores criam na teoria da evolução e em espíritos guias. “Antes de morrer em 1891, a Sra. Blavatsky escolheu sua discípula britânica Annie Besant como sua sucessora. Besant, que havia sido uma cristã devota antes de se encontrar com Blavatsky, se tornou uma espírita dedicada depois. James Webb escreve: ‘A Sra. Besant passou por uma transformação extraordinária. Antes ela era esposa de um pastor anglicano, depois virou uma propagandista de controle da natalidade e teosofia. Arthur Nethercot, que escreveu a biografia dela, disse que o modo rápido como a Sra. Blavatsky dominou a Sra. Besant indica algum elemento de lesbianismo no relacionamento’”. De acordo com a Enciclopédia Britânica, Besant se destacava por seu trabalho socialista.


O famoso escritor inglês Gilbert K. Chesterton comentou: “A Sra. Besant, num artigo interessante, anunciou que havia só uma religião no mundo, que todas as religiões eram somente versões ou deturpações dela e que ela estava bem preparada para dizer qual era. De acordo com a Sra. Besant, essa Igreja universal era simplesmente o eu”. O pensamento de Besant, uma das pioneiras da Nova Era, revela um tipo de humanismo religioso. Enquanto os humanistas afirmam que Deus não existe, os adeptos da Nova Era acreditam que o eu, isto é, nós mesmos somos Deus! Tanto o humanismo quanto a Nova Era acabam levando ao mesmo fim: o ser humano passa a ser o centro de tudo. Assim sendo, ele tem autoridade própria para controlar e decidir tudo. 


   Besant elogiava todas as religiões, como se todas fossem iguais. Assim ela elogiou Maomé: “É impossível para alguém que estuda a vida e o caráter do grande Profeta da Arábia, que sabe como ele ensinou e como ele viveu, não sentir reverência por esse Profeta poderoso, um dos grandes mensageiros do Supremo”.


Besant escolheu trabalhar especialmente na Índia para daí promover a Nova Era para o mundo. Foi também na Índia, em 1953, que Margaret Sanger escolheu lançar a Federação Internacional de Planejamento Familiar, cuja diretoria incluía pessoas com fortes ligações com o trabalho de Besant. Por que a escolha da Índia? Conforme a Sra. Blavatsky escreveu: “Os cristãos e os cientistas têm de ser obrigados a respeitar seus superiores da Índia”. Na verdade, ela muito respeitava o profundo espiritismo da religião hindu.


Margaret Sanger nunca deixou de elogiar o trabalho teosófico de Besant. Ela disse:


Quando foi julgada na Inglaterra em 1877 por publicar informações sobre contraceptivos, a Sra. Annie Besant disse sem rodeios: “Não tenho dúvida alguma de que se permitíssemos que a natureza agisse entre os seres humanos do mesmo modo como age no mundo animal, haveria resultados melhores. Entre os animais selvagens, os mais fracos ficam em situação difícil e os doentes perdem na corrida da vida. Os animais velhos, quando ficam fracos ou doentes, são mortos. Se as pessoas exigissem leis permitindo que os doentes morressem sem a ajuda da medicina ou da ciência, se os fracos fossem eliminados, se os velhos e inúteis fossem mortos, se deixássemos morrer de fome os incapazes de obter alimento para si mesmos, se tudo isso fosse feito, a luta pela existência entre as pessoas seria tão real quanto é entre os animais selvagens e sem dúvida alguma como conseqüência produziria uma raça mais elevada de seres humanos. Mas estamos dispostos a fazer isso ou a permitir que isso seja feito?”


 A pergunta mais importante que devemos fazer com relação à eutanásia é: Quem é dono do nosso corpo? Somos nós? “Será que vocês não sabem que o corpo é o templo do Espírito Santo, que vive em vocês e foi dado por Deus? Vocês não pertencem a vocês mesmos, pois Deus os comprou e pagou o preço. Portanto, usem os seus corpos para a glória dele”. (1 Coríntios 6.1920 BLH).


Agostinho, grande líder cristão do quarto século, escreveu:

Os cristãos não têm autoridade de cometer suicídio em circunstância alguma. É importante observarmos que em nenhuma parte da Bíblia Sagrada há mandamento ou permissão para cometer suicídio com a finalidade de garantir a imortalidade ou para evitar ou escapar de algum mal. Aliás, temos de compreender que o mandamento “Não matarás” (Êxodo 20.13) proíbe matar a nós mesmos…
Todos os suicídios que a Bíblia registra são casos de indivíduos que de alguma forma se afastaram de Deus: Abimeleque (Juízes 9.50,55), Saul (1 Samuel 31.4; 1 Crônicas 10.4), Aquitofel (2 Samuel 17.23), Zimri (1 Reis 16.15-20) e Judas (Mateus 27.5; Atos 1.18). Não é possível incluir aqui o caso de Sansão, pois o plano principal dele não era tirar a própria vida, mas matar seus inimigos, ainda que isso significasse morrer junto com eles. 

Tudo indica que Abimeleque, Saul, Aquitofel, Zimri e Judas cometeram suicídio para escapar do sofrimento e, no final, foram para um lugar de sofrimento muito maior: o inferno.


Compromisso com Deus diminui risco de suicídio e morte O suicídio é uma decisão que, depois de cumprida, não deixa espaço algum para volta e arrependimento. É importante lembrar que, por maior que sejam os problemas pessoais, por maior que seja o sofrimento físico, enquanto a pessoa está viva ela pode clamar a Deus e receber uma resposta. Deus promete que quando o chamarmos com sinceridade e persistência, ele nos responderá e estará conosco nas horas de aflição (cf. Salmo 91.15). Ele quer trazer a cura miraculosa de que precisamos, mas ainda que não consigamos tomar posse dela aqui, Jesus promete estar com seus seguidores fiéis até o fim, até mesmo nos piores sofrimentos (cf. Mateus 28:20). É melhor se entregar a ele em fé, do que se entregar às idéias de suicídio.


Uma pesquisa americana afirma:

Não só é verdade que a família que ora unida permanece unida, mas a família, ou pessoa, que ora vive mais — ponto final. Ouvir o Evangelho na igreja pode significar boas notícias, de um modo diferente, para quem freqüenta uma igreja: um novo estudo constatou que quem vai a igreja tem menos risco de morrer. Escrevendo no boletim Demography, Robert A. Hummer, Richard G. Rogers, Charles B. Nam e Christopher G. Ellison observam que uma longa linha de estudos associa a vida religiosa à saúde mental e física. Tal caso é realidade mesmo quando se leva em consideração fatores como diferenças de comportamento entre quem vai e não vai a igreja (por exemplo, quem vai a igreja tem menos inclinação de se envolver com drogas, álcool ou em conduta sexual de alto risco). Um dos estudos observou a ligação entre a mortalidade e os feriados religiosos: os idosos têm menos chance de morrer quando se aproxima a data de seus mais importantes feriados religiosos. O estudo em questão usou dados do arquivo National Health Institute Survey and the Multiple Cause of Death para examinar a conexão entre freqüência a uma igreja e mortalidade numa amostra de 21.204 adultos.
Continue a leitura na página 12 / DEPRESSÃO: A ORIGEM DO DESEJO DE MORRER


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