"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



domingo, 29 de julho de 2012

* Temas da Apologética Cristã - II

COMO DEVE UM CRISTÃO ENCARAR A AUTOESTIMA?

Pergunta: "Como deve um cristão encarar a autoestima?"

Resposta: Muitas pessoas definem a autoestima como sentimentos de valor baseados em suas habilidades, realizações, posição social, recursos financeiros ou aparência. Esse tipo de autoestima pode levar uma pessoa a se sentir independente e arrogante, e acabar participando de louvor próprio, o qual atrapalha nosso desejo por Deus. Tiago 4:6 nos diz: "Antes, ele dá maior graça. Portanto diz: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes". 


 Se confiarmos apenas em nossos recursos terrenos, inevitavelmente acabaremos com um sentido de valor baseado em orgulho. Jesus nos disse: "Assim também vós, quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer" (Lucas 17:10).

Isso não significa que os cristãos devam ter baixa autoestima . Apenas significa que o nosso sentimento de ser uma boa pessoa não deve depender do que fazemos, mas de quem somos em Cristo. Devemos nos humilhar diante dEle, e Ele vai nos honrar. Salmo 16:2 nos relembra: "A minha alma disse ao SENHOR: Tu és o meu Senhor, a minha bondade não chega à tua presença". Os cristãos conseguem valor próprio e autoestima ao possuir um relacionamento correto com Deus. Podemos saber que temos valor porque Deus pagou um alto preço por nós através do sangue do Seu Filho, Jesus Cristo.

A Bíblia nos diz que Deus nos deu valor quando Ele nos comprou para ser o Seu povo (Efésios 1:14). Por causa disso, apenas Ele é digno de honra e louvor. Quando temos uma autoestima sadia, nós nos valorizaremos o suficiente para não participarmos do pecado que escraviza. Ao contrário, devemos agir com humildade, considerando outras pessoas superiores a nós mesmos (Filipenses 2:3). Romanos 12:3 nos adverte: “Porque pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um”.






O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE FANTASMAS / ASSOMBRAÇÕES?

Pergunta: "O que a Bíblia diz sobre fantasmas / assombrações?"

Resposta:Encontre a seguir algumas verdades bíblicas sobre assombrações, fantasmas e visitas dos espíritos de pessoas mortas. Há apenas alguns incidentes que lidam com os viventes tendo alguma forma de contato com uma pessoa "morta".

a) Em 1 Samuel 28:7-19, o Rei Saul procura por uma mulher com um espírito de um demônio para perguntar a Samuel o que fazer. O fato de que ela realmente consegue se comunicar com os mortos a choca (v.12), indicando que não tinha acontecido previamente.

b) Em Mateus 17:1-8, Pedro, Tiago e João vêem Moisés e Elias com Jesus por um curto período de tempo.

c) Em Lucas 16:19-31, Jesus conta a história de um homem rico e Lázaro. Nessa história aprendemos que há duas divisões para os mortos até o Julgamento do Grande Trono Branco (Apocalipse 20:11). Também nessa história, o homem rico pede que Lázaro seja mandado de volta para advertir os que ainda vivem. Abraão diz que de nada adiantaria porque se as pessoas se recusaram a acreditar na Palavra Escrita de Deus, eles não acreditariam em mais nada, mesmo se alguém se ressuscitasse dos mortos.

Das três passagens acima, podemos concluir que há divisões onde os espíritos dos mortos habitam por agora, e apesar de alguns incidentes onde Deus permitiu a interação entre os mortos e os viventes, essas situações foram raras e não tão comuns quanto o contato entre pessoas e seres angélicos. Lucas 16:27-31 também aparenta indicar que nenhum espírito humano pode retornar e visitar os viventes sem permissão, e se permissão não foi dada para advertir as pessoas para fugir da ira que está para vir, não seria dada por motivos insignificantes.

Apesar de só haver dois exemplos que lidam com a comunicação com as pessoas mortas, há várias ocasiões que envolvem contato com seres angélicos, tanto os anjos bons e os anjos ruins (demônios). Muitos dos exemplos que envolvem um bom anjo se referem ao "Anjo do Senhor", às vezes se referindo à aparição do Filho de Deus pré-incarnado (Cristofania). Mas muitos outros se referem aos bons anjos que Deus usa para ministrar a nosso favor (Hebreus 1:14). Para fazer isso, às vezes eles manipulam o ambiente físico, por exemplo: 1 Reis 19:5-7 (o anjo toca Elias e providencia comida e bebida para ele); 2 Reis 19:35 (o anjo mata 185000 Assírios); Daniel 6:22 (o anjo fecha as bocas dos leões); Atos 12:23 (o anjo mata o rei Herodes por aceitar louvor como se fosse um deus).

Dessa mesma maneira, há exemplos nos quais anjos ruins (demônios) são registrados interagindo com pessoas. Eles também podem manipular o ambiente físico. Em Jó 1:12-19, eles manipulam as pessoas para que façam maldade; eles usam fogo do céu para consumir rebanhos de ovelhas. Eles também fazem com que um vento derrube a casa de Jó onde seus filhos estavam. Nos evangelhos, vários exemplos são registrados de demônios possuindo pessoas (Mateus 8:16,28f.; 9:32-33; 12:24; 15:22; 17:18; etc.) Nesses exemplos, e em vários outros, a manifestação de ser possuído por um demônio envolvia algum elemento físico (ficar mudo, epilepsia, cegueira e, às vezes, força supernatural). Eles também possuíram o corpo de muitos porcos antes de pular na água e se afogarem (Mateus 8:28).

Podemos notar três coisas sobre os demônios: (1)Os demônios não têm nenhum poder sobre qualquer pessoa que vai além do que Deus permite; quer dizer, Satanás (e sua multidão de anjos) são como cachorros vadios com correias e é Deus quem os controla. Eles só podem fazer o que Deus permite (Jó 1:12; Jó 2:6; Mateus 8:31-32). (2) Os exemplos de envolvimento demoníaco registrados nas Escrituras são bem mais frequentes do que os exemplos de interação com pessoas mortas. (3)Cristo deu aos Seus discípulos autoridade sobre os demônios (Marcos 16:17; Lucas 9:1; 10:9).

Você pode até se perguntar por que Deus permite que os demônios lidem conosco. Se estão sob o Seu controle, por que Ele não proíbe a interação com humanos? Na incompreensível sabedoria de Deus, Ele pode usar os desejos e intenções malignos de Satanás para um bom propósito. Em Marcos 1:13, Deus usa as tentações de Satanás para provar que Jesus não tinha qualquer pecado. No livro de Jó, Deus usa Satanás para mostrar a integridade do caráter de Jó e depois o recompensa em dobro por tudo que passou. Em 2 Coríntios 12:7, Deus usa a aflição de Satanás sobre Paulo para não deixar com que Paulo ficasse orgulhoso. 


 No caso dos descrentes, Satanás e seus anjos servem como um tipo de estimulante, juntamente com a influência de um mundo ainda perdido e os desejos da natureza pecaminosa, para salientar a maldade que habita dentro deles, revelando então o estado de sua verdadeira natureza pecaminosa (Mateus 15:18-19; Efésios 2:1-3; Apocalipse 20:7-9).

Agora, à medida que examinamos as Escrituras, principalmente as epístolas que se focalizam nas nossas vidas na "era da igreja",encontramos muito pouco que descreve como devemos interagir com os demônios. Podemos achar, no entanto, instruções para não achar que podemos enfrentá-los com nossa habilidade e forças (Judas 1:9). Também não devemos nos perguntar continuamente se há demônios agora mesmo ao nosso redor (provavelmente sim... e às vezes eles se manifestam!). Mas se estão ou não, eles não devem ser o nosso foco). Por que não? Porque eles não têm nenhuma autoridade que vai além do que Deus os dá. Quem e o que então deve ser o nosso foco? Nosso foco deve ser em Deus e nos comandos claros que Ele nos deu na Bíblia; se Ele é o nosso foco, não temos mais nada a temer (Salmo 27:1).

Não devemos ficar muito fascinados com o mundo dos espíritos, mas apenas fascinados com o Deus Criador e Seu maravilhoso caráter e atributos (Salmo 27:4; Salmo 73:25). Se encontrarmos manifestações de posse e atividade demoníacas à medida que servimos a Cristo e dependemos dEle, precisamos apenas nos voltar a Ele com uma simples oração e depender da Sua Palavra e direção do Seu Santo Espírito. Na verdade, essa é a forma que devemos estar encarando a vida mesmo quando não há NENHUMA manifestação evidente de atividade demoníaca, pois Satanás frequentemente trabalha em secreto, nunca tornando evidente a sua presença ou a dos seus demônios (2 Coríntios 11:13-15).

Se os demônios manifestarem sua presença em algum lugar, devemos nos perguntar o motivo. Há algum ídolo pagão, um fetiche usado em louvor pagão, etc. (Deuteronômio 32:16-17; Salmo 106:37-38; 1 Coríntios 10:19-21)?Ou talvez seja o caso que alguém se deixou possuir por um demônio ou permitiu envolvimento demoníaco em sua vida através de um pecado que continua a se repetir (Efésios 4:27). Qualquer coisa que estiver em oculto deve ser queimado, assim como Paulo e outros Cristãos trataram os livros que foram queimados em Atos 19:18 e todo pecado deve ser confessado a Deus (1 João 1:9).

Em resumo, é bíblico acreditar em demônios e que muitas “assombrações” ou são ilusões de impostores, ou realmente envolvem uma atividade demoníaca atual e visitas de espíritos humanos. O uso de canais para procurar a ajuda de “espírito guia” ou “espírito ajudante”, ou para procurar cartões de Tarô, participar de sessões espíritas, escutar músicas pesadas de Rock – tudo isso é estar convidando o envolvimento de demônios em sua vida. É bíblico não ficar tão obcecado pela existência do mundo dos espíritos. 


 Em nenhum lugar das Escrituras podemos encontrar qualquer precedência para assim agir. Ao invés disso, devemos estar consumidos pela Palavra de Deus (Salmo 119) e nos dedicar a conhecer a Cristo (Filipenses 3:8-10), a oferecer nossas vidas como um sacrifício vivo (Romanos 12:1-2), e a fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28:18-20, etc.). A única liberdade que os incrédulos podem ter do pecado e do inimigo é através do que encontramos apenas em Cristo (João 8:32-36; Romanos 6:16-23; Efésios 2:1-10). Precisamos nos concentrar em compartilhar o Evangelho de Cristo com outras pessoas. O Evangelho é o poder de Deus para libertação do pecado e de Satanás (Romanos 1:16; 1 Coríntios 1:18).








AS MUTAÇÕES DO ATEÍSMO

O materialismo e a negação de Deus


Por Norma Braga


O filósofo francês Jean-Paul Sartre defendia o ateísmo, mas não escondia sua aridez. E reconheceu isso ao confessar (cremos que com algum orgulho) a dificuldade que sofre aqueles que desejam rejeitar todo sentimento do absoluto. Afirmava que o ateísmo é “a convicção de que o homem é um criador, mas está abandonado, sozinho no mundo” e “no seu sentido mais profundo, em desespero”.

O ateu, para o filósofo, era como o cavaleiro solitário a pregar a esperança, apesar de toda a ausência de garantias. Esse discurso ainda sobrevive e dá muito ibope entre os teóricos modernos. Mas perguntamos: “Quem é o ateu ‘puro’, principalmente no Brasil, terra das religiosidades várias e pululantes?”.

Hoje, em uma época de poucos aspirantes a heróis solitários e de certa obsessão pelo conforto, sobretudo espiritual, o ateísmo e sua negação de Deus parecem ser tendências menos populares do que aquelas que procuram diminuir Deus, sob vários aspectos, segundo cada corrente:


MUTAÇÕES DO ATEÍSMO

Processo de subversão

Grupo

Humanizar Deus para depois se declarar “seu inimigo”

satanistas

Retirar de Deus atributos inerentes à sua natureza, como, por exemplo, soberania e presciência

liberalismo teológico, teísmo aberto ou relacional

Reduzir Deus a uma “força” impessoal pronta para ser utilizada

esoterismo, paganismo, “paulocoelhismos” em geral


Diante dessa ampla gama de maneiras de negar indiretamente o Deus cristão, podemos pensar que o ateísmo puro funcionou menos como uma opção válida de explicação para a condição humana do que uma preparação da abertura de comportas para essa salada mística que caracterizará a era do anticristo – quando cada ingrediente, por mais distinto que seja do outro, contribuirá para um só objetivo comum: o deslocamento da religiosidade para a força do próprio homem.


Assim como a noção de Deus não desaparece, mas é desprezada pela vaidade do poder humano, também é fomentada, nas mais variadas áreas do pensamento, a ideia de uma “transcendência imanente”, quer dizer, a noção do “humano divino”. O roteiro desse fomento ecoa as sucessivas mutações da negação de Deus:

1º Nega-se toda a transcendência, sobretudo no meio científico;2º Depois, admite-se alguma, mas sempre pelas mãos humanas, sobretudo nas artes;
3º Aos poucos, um materialismo mutante se imiscui em todas as áreas – categórico nas ciências e travestido de “condição humana” na filosofia e nas artes;
4º As transcendências imanentes proliferam em idolatrias artísticas e falsos sistemas religiosos facilmente adaptáveis ao gosto do cliente.

Tudo isso nos mostra que onde o materialismo não pode anular por completo a sede humana de transcendência, ele a desloca para objetos finitos e fins imediatos, e nós, como igreja do Senhor, temos de ter sensibilidade para identificá-lo e combatê-lo, seja qual for a sua faceta.







Debate Calvinismo vs Arminianismo, no programa Vejam Só: a pergunta sem resposta!



No último dia 16/07/2013 (terça-feira), o programa Vejam Só promoveu um debate sobre Calvinismo vs Arminianismo, tendo como premissa o tema "O homem natural é totalmente depravado, ou restou algo da 'Imago Dei'?"

Os debatedores foram, representando o Calvinismo: Rev. Davi Charles Gomes, Chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie e pastor da Igreja Presbiteriana Paulistana em SP; representando o Arminianismo: Bispo José Ildo, Presidente Nacional da Igreja Metodista Livre.

Destacamos uma pergunta importante, feita pelo Rev. Davi ao final do debate (45 min.), que deixou o debatedor arminiano sem respostas:
"Se a graça preveniente ou uma graça irresistível é uma precondição para que qualquer ser humano receba o evangelho, e se o problema que dificulta e que motiva a necessidade de preservar o espaço de autonomia para uma decisão humana é a vontade de proteger Deus de ser injusto, ou de ser acusado de ser injusto ou de não ser amoroso.
E um Deus que pega e deixa uma pessoa incapaz de fazer a escolha certa, escolher para si mesmo aquilo que é pior de tudo, é menos injusto?
Se eu permitir que alguém faça a escolha de suicidar-se, e não tentar impedir, se preciso for até restringindo essa pessoa, tirando dela a liberdade, amarrando-a, eu vou estar sendo injusto também. Resolve o problema, ou da justiça, ou do amor de Deus? Seria amoroso um Deus que deixa um ser humano incapaz de tomar uma decisão dessas e escolher o inferno, escolher resistir a graça?"
Logo após, o Rev. Davi tenta responder a pergunta em sua tréplica.

A produção do programa ainda não disponibilizou o vídeo do debate, assim que estiver disponível, vamos postá-lo para todos assistirem. Por enquanto, você pode ouvir o debate completo através do áudio abaixo, gravado por um dos debatedores:


 http://bereianos.blogspot.com.br/







O Calvinismo e a Ética



Por Fábio Correia (Filósofo calvinista)

“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus” (I Cor 10:31).

1- Definindo termos:

Muitos não sabem, mas a Ética é um objeto de estudo específico da Filosofia. Não é da Psicologia, não é da Antropologia, não é da Sociologia, nem de qualquer outra área do saber. Esse é um tema indispensável dentro do estudo de qualquer cosmovisão.

Existe muita confusão acerca do que vem a ser Ética. Até mesmo os dicionários acabam por confundir Ética com Moral e Moral com Ética. De forma que não é raro você estar lendo um verbete sobre Ética, mas seu conteúdo trata sobre moral. Isso acontece exatamente por conta do distanciamento que temos com a Filosofia. Isso só não ocorre em dicionários técnicos de Filosofia ou ainda algum de renome e tradição mundial.

Mas, em síntese: o que Ética e o que é Moral?

A palavra ética vem do grego éthos. E a palavra moral? Também vem do grego éthos  É a mesma palavra, mesma grafia, porém com pronúncia e significados diferentes. Ou seja, ética não é a mesma coisa de moral, nem vice-versa, como muitos pensam. Não são palavras sinônimas.

Pronunciada com um som de “ê” fechado e curto (éthos), pode ser traduzida por costume, norma, hábito. Serviu de base para a tradução latina de “morales”, de onde vem nossa palavra Moral.

Pronunciada com um som de “é” aberto e mais longo (éthos), significa em sua origem mais remota, essência de um ser (aquilo que, de fato, é essencial ao ser), habitat, local onde o indivíduo se sente protegido. Metaforicamente indica que a Ética irá trabalhar para proteger a vida do ser humano.

A Moral, referindo-se aos costumes dos povos, conjunto de hábitos, de regras, normas, leis que regulam a conduta de um povo, nas diversas épocas, é mais abrangente e divergente e variante de cultura para cultura.

O livro “Costumes e Culturas” traz alguns exemplos interessantes de moral:  Na África do Sul as mulheres se cumprimentam beijando-se na boca. Na Rússia são os homens. Na Tailândia os amigos andam de mãos dadas. Note: nenhum desses preceitos possui status de universalidade. 

A Ética diz respeito a preceitos invariantes. Isto é, que não variam nem de cultura para cultura nem de tempo para tempo. Por exemplo: as necessidades elementares dos seres humanos. A necessidade de alimentação, de sobrevivência. Portanto, a Ética só diz respeito às necessidades elementares dos homens. Ela não se ocupa com questões periféricas e circunstanciais.

A Moral é normativa. Ética e Moral distinguem-se, essencialmente, pela especulação da Lei. É moral cumprir a “lei”. É ético questioná-la e não cumprir se seu fundamento não for justo. A Ética é especulativa, característica herdada da Filosofia.

Geralmente as pessoas classificam como alguém Ético aquele que cumpre as leis, que segue as normas estabelecidas em sua sociedade. Mas, em algumas situações, para ser Ético o indivíduo precisa quebrar as normas, descumprir a lei.

Por exemplo, o índio que vive numa aldeia cuja a convenção coletiva define como norma o infanticídio de gêmeos. Se ele resolve ser Moral (cumprir as normas e leis estabelecidas em sua comunidade) ele estará optando por matar seus próprios filhos. Se, do contrário ele resolve não matar as crianças, estará, necessariamente, em uma espécie de desobediência civil. Suponhamos que opte por não matar seus filhos gêmeos.

O índio, foi Ético ou Moral? Mais: É possível ser Ético e I-Moral ao mesmo tempo? Ele foi. Foi I-moral porque quebrou as Leis de sua sociedade. Foi Ético porque priorizou o que há de mais essencial no ser humano: a vida.

2 - A ética calvinista na visão de um ateu: análise da obra "Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Weber.

Depois dessa parte mais conceitual, vamos entrar na questão da chamada “Ética Calvinista”, propriamente dita. Essa particularização da Ética, que é por natureza universal, não segue o rigor terminológico exigido pela filosofia. Evidentemente que não existem vários tipos de Ética. Ela é única e universal. Não existe uma Ética especifica dos Calvinistas, nem dos médicos, nem dos advogados. Porém iremos continuar adotando essa terminologia para não contrapor a obra que trabalharemos e que citaremos mais adiante.

Para isso, iremos nos basear, quase que exclusivamente, nas pesquisas e nas observações de um ateu. Sim, de um ateu.

É claro que tem muito Calvinista que escreve e fala sobre a chamada “Ética Calvinista”. E, claro, também, sempre “puxando a brasa para a sardinha” dos Calvinistas.

Escolhi fazer essa abordagem a partir de um ateu por conta de sua análise desapaixonada e isenta.

O nome dele é Max Weber, um sociólogo ateu que intuiu que os problemas e os acertos econômicos poderiam ter uma causa completamente diferente daquelas apontadas por Karl Marx, que acreditava que o povo de um país vivia bem ou vivia mal dependendo da relação de fatores puramente econômicos, como a relação Patrão X Empregado.

Expressões do tipo “o povo sofre porque os burgueses só sabem explorar”, “somos pobres porque as elites dominantes não nos deixam crescer economicamente” dão o tom do pensamento de Karl Marx.

Interessante que nessa onda de protestos que tivemos recentemente essas expressões eram constantemente repetidas, inclusive por crentes. Crentes que são “comunistas” sem saber. Ou que, pelo menos, são simpatizantes dessa causa.

Marx Weber, então, começa a desconfiar que a causa da pobreza e da falta de desenvolvimento intelectual, social e até econômico de muitos países poderia ter outros fatores. É certo que alguns pensadores tiveram essa desconfiança, antes de Weber, mas nenhum deles conseguiu avançar nesse sentido.

Weber queria entender o que faz uma nação ser próspera e desenvolvida e outra subdesenvolvida e seu povo intelectualmente desprovido e limitado.

Pra saber isso só tinha um jeito: era preciso fazer uma análise comparativa entre as nações.

E foi o que ele fez. Tendo como pano de fundo a Europa Moderna, Weber avaliou e investigou diversos países, diversas nações para tentar trazer luz a essa problemática, utilizando, para isso, os métodos comparativos das ciências sociais. Ele chega, então, a uma descoberta surpreendente, jamais percebida antes.

Depois de uma vasta pesquisa, Weber começa a cruzar os dados colhidos de vários países. Ele constatou que nos países bem sucedidos, em todos os aspectos, havia uma característica muito interessante, que ele não conseguiu identificar nos países decadentes. Vejamos suas premissas:
a) Homens de negócios e grandes capitalistas[1]; b) Operários qualificados de alto nível e pessoal especializado (tecnologicamente e comercialmente); c) Premissas 1 e 2 têm em comum o fato de conter majoritariamente protestantes de linha Calvinista.
Diz Weber:
“Um simples olhar às estatísticas ocupacionais de qualquer país de composição mista mostrará, com notável freqüência, uma situação que muitas vezes provocou discussões na imprensa e literatura católicas. O fato de que os homens de negócios e donos do capital, assim como os trabalhadores mais especializados e o pessoal mais habilitado técnica e comercialmente das modernas empresas é predominantemente protestante’ (WEBER, 2002. p.37).
Essa constatação intrigou bastante Max Weber. Então ele passou a investigar o que havia de diferente nesses protestantes que produzia uma “ética” diferenciada; esse estilo de vida peculiar a ponto de mudar a realidade de um país.

E mais uma vez sua constatação foi surpreendente:

De forma bastante clara, Weber atribui ao Calvinismo a produção dessa ética particular, principalmente aos efeitos psicológicos causados pela doutrina da eleição ou da predestinação.

A antropologia bíblica enxergada por Calvino e tantos outros expoentes, como Agostinho de Hipona, que tira do homem o tão requerido e postulado “livre arbítrio”, é peça fundamental no entendimento da doutrina da predestinação ou eleição.

Segundo Calvino, o homem, em seu estado natural, está morto (Efésios 2:1), restando-lhe apenas a certeza do inferno eterno.

Para um homem nesse estado de morte espiritual e de “nulidade” total e absoluta, um verdadeiro agente passivo da condição espiritual pós-pecado, quando há a perda do livre-arbítrio - pois que vontade (espiritual) pode ter um morto? - só existe uma possibilidade de salvação: o favor não merecido de Deus para salvá-lo, a graça de Deus.

A crença nessa sistematização doutrinária calvinista leva o “eleito” a um imenso sentimento de gratidão a Deus, uma vez que, mesmo sem merecer, recebe esta graça extraordinária.

Como consequência e em gratidão, passa a viver e a dedicar todos os seus momentos, inclusive atividades seculares, para a “glória de Deus”.

Isso simplesmente acaba com o binômio Sagrado X Profano. Para o Calvinista tudo passa a ser sagrado; tudo deve ser servir para a glória de Deus

Veja o que Weber diz:
“Dessa forma, coube aos puritanos, que se consideravam eleitos, viver a santificação da vida cotidiana. Pois o caráter sectário – a consciência de ser minoria e a motivação de ser eleito de Deus – fazia de cada membro dessas comunidades não mero adepto do rebanho mas, mas um vocacionado que se dedicava simultaneamente ao aprimoramento ético, intelectual e profissional” (WEBER, 2002. p.21).
O importante Catecismo calvinista, Catecismo Maior de Westminster, dá o tom dos objetivos dessa nova vida outorgada pela graça, já na pergunta inicial:
“Qual é o Fim supremo e principal do homem? O fim supremo e principal do homem é glorificar a Deus” (CATECISMO MAIOR, 2007. p.31).
Esse novo modelo de vida, essa “ética” calvinista, segundo Weber, é a causa evidente do desenvolvimento dos países por ele pesquisado.

Diz Weber:
O Deus de Calvino exigia de seus crentes não boas ações isoladas, mas uma vida de boas ações combinadas em um sistema unificado (WEBER, 2002. p.91).
Isso é seguir a orientação Apostólica de Paulo, os Calvinistas procuram “fazer todas as coisas como se estivessem fazendo para Deus” (Col 3:23).

Para ler a continuação desse artigo, acesse o blog Filosofia Calvinista clicando aqui!
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Nota:
[1] De capitalismo não devemos entender, aqui, como a busca desregrada pelo Lucro, como diz o próprio Weber: “O impulso pelo ganho, a perseguição do lucro, do dinheiro, da maior quantidade possível de dinheiro, não tem, em si mesmo, nada que ver com o capitalismo. Tal impulso existe e sempre existiram entre garçons, médicos, cocheiros, artistas, prostitutas [...]. Pode-se dizer que tem sido comum a toda sorte de condições humanas em todos os tempos e em todos os países da terra [...]. A ganância ilimitada de ganho não se identifica nem de longe com o capitalismo, e menos ainda com o seu “espírito”(WEBER, 2002. p.26). Ao que concorda Biéler: “Não se trata mais, de modo algum, da paixão pelo ganho que caracterizava outrora alguns comerciantes à vida de riquezas” (BIÉLER, 1999. p.624). E ainda: Calvino, sabe-se, é o primeiro dos teólogos cristãos a exonerar o empréstimo a juros do opróbrio moral e teológico que a igreja havia feito sobre ele, até então; não é justo, entretanto, atribuir-lhe a justificação integral do capitalismo liberal (BIÉLER, 1999. p.20)

- Sobre o autor: Fabio Correia é mestre em Filosofia - UFPE, Licenciado em Filosofia - Unicap, Licenciado em Educação Religiosa - SPN, Professor de Introdução à Filosofia, Ética Profissional e Filosofia da Educação da Faculdade Decisão-FADE-PE e da Faculdade DAMAS.




É BÍBLICO FAZER A ORAÇÃO DO ROSÁRIO?

Pergunta: "É bíblico fazer a oração do rosário?"

Resposta:
Enquanto muito da oração do rosário é bíblico, toda a segunda metade do “Ave Maria” e porções do “Salve Rainha” são claramente não-bíblicas. Apesar de a primeira parte do Ave Maria ser quase uma citação direta de Lucas 1:28, não há base escritural para (1) orar a Maria agora, (2) se dirigir a ela como “santa” Maria, ou (3) chamá-la “nossa vida” e “nossa esperança”.

É certo chamar Maria de “santa”, com o significado que a Igreja Católica dá de que Maria nunca pecou nem teve sombra do pecado original? Os crentes da Bíblia eram chamados “santos”, o que pode ser interpretado como “escolhidos”, mas o entendimento das Escrituras é que a justiça que os crentes em Cristo têm é uma justiça transmitida de Cristo (2 Coríntios 5:21) e que enquanto nesta vida, eles ainda não foram santificados do pecado na prática (1 João 1:9-2:1). Jesus é chamado nosso Salvador repetidamente nas Escrituras porque Ele nos salvou do nosso pecado. Em Lucas 1:47, Maria chama Deus de seu “Salvador”. Salvador do quê? Uma pessoa sem pecado não necessita de um Salvador. O pecador precisa de um Salvador. Maria concordava que Deus era o seu Salvador. Portanto, Maria concordava que ela era uma pecadora.

Jesus disse que Ele veio para nos salvar dos nossos pecados (Mateus 1:21). A Igreja Católica Romana afirma que Maria foi salva do pecado de forma diferente de todo mundo... que ela foi salva do pecado através da imaculada conceição (foi concebida livre de pecado). Mas este ensinamento é bíblico? A Igreja Católica Romana abertamente afirma que este ensinamento não é encontrado nas Escrituras. Quando um homem jovem se referiu a Jesus como “bom Mestre” (Mateus 19:16-17), Jesus perguntou por que ele O chamava de “bom”, visto que não há ninguém bom, senão um, que é Deus. Jesus não estava negando a Sua própria divindade, Ele estava tentando mostrar para o jovem que ele estava usando o termo descuidadamente, sem pensar no que estava dizendo. Mas o que Jesus quer dizer ainda é válido, ou Ele não haveria dito... não há ninguém bom senão Deus. Isso exclui todos exceto Deus, até mesmo Maria! Isto está de acordo com Romanos 3:10-23, Romanos 5:12, e incontáveis outras passagens que destacam o fato de que ninguém está no mesmo nível de Deus. Maria jamais é excluída destas afirmações! Se Maria tivesse sido preservada da mancha do pecado, ela não precisaria de um Salvador, como ela afirmou que precisava (Lucas 1:47).

E quanto à questão de orar para Maria ou qualquer outro além de Deus? Em lugar algum da Bíblia é dito se alguém no Céu pode sequer nos ouvir. O que nós sabemos é que Deus por si só é onisciente, onipotente e onipresente. Mesmo os anjos, com quaisquer grandes habilidades que eles possam ter, parecem ter as suas limitações e não podem sempre nos ajudar como gostariam (Daniel 10:10-14). Quando Jesus ensinou seus discípulos a orar, Ele ensinou o que é comumente chamado de “Pai Nosso”. Ele nos ensina a dirigir as nossas orações a Deus. Sempre que uma oração é dirigida a alguém, é dirigida a Deus! Você nunca encontra alguém dirigindo uma oração a qualquer “santo” ou anjo ou qualquer outro (com exceção de orações para falsos deuses) na Bíblia. Além disso, toda vez que alguém piedoso se prostra (em um contexto religioso) para honrar alguém além de Deus, ele é ordenado a se levantar e parar com isso (Atos 10:25-26; Atos 14:13-16; Mateus 4:10; Apocalipse 19:10; Apocalipse 22:8-9). A Igreja Católica Romana afirma que adora apenas a Deus, mas que “venera” Maria e os santos. Qual é a diferença? Uma pessoa que reza um rosário passa mais tempo chamando a Maria do que a Deus! Para cada louvor a Deus no rosário, há 10 louvores a Maria!

A Bíblia atesta que Jesus é o nosso redentor (Gálatas 3:13; 4:4-5; Tito 2:14; 1 Pedro 18-19; Apocalipse 5:9). O “Salve Rainha” chama Maria de “nossa mais graciosa advogada”, mas a Bíblia chama a Jesus de nosso Advogado perante o Pai (1 João 2:1) e de nosso único Mediador (1 Timóteo 2:5). A única ocorrência nas Escrituras do título “Rainha dos Céus” é num sentido negativo (Jeremias 7:17-19; 44:16-27). Toda a Escritura nos ensina a orar apenas a Deus. Nem sequer uma vez você pode encontrar um exemplo ou admoestação para orar a alguém mais! O único argumento para a idéia de se chegar a Deus através de Maria é baseado na história bíblica de Maria vindo a Jesus para pedir pela Sua ajuda em uma festa de casamento (João 2). Mas, à luz de todos os outros versículos, incluindo as instruções do próprio Jesus acerca de como devemos orar, é possível usar essa passagem para ensinar que nós devemos continuar nos achegando a Maria para chegarmos a Deus?

Da mesma forma, é apropriado chamar Maria de nossa “vida” e “esperança”? Mais uma vez, esses termos são usados apenas com relação a Deus na Escrituras, particularmente o Deus Filho, Jesus Cristo (João 1:1-14; Colossenses 3:4; 1 Timóteo 1:1; Efésios 2:12; Tito 2:13). Portanto, a prática da oração do rosário vai contra as Escrituras de diversas formas. Apenas Deus pode ouvir as nossas orações. A Bíblia em lugar algum instrui os cristãos a orar através de intermediários, ou fazer petições aos santos ou a Maria (no Céu) pelas suas orações.








É A ADORAÇÃO A SANTOS E A MARIA BÍBLICA?

Pergunta: "É a adoração a santos e a Maria bíblica?"

Resposta:A Bíblia é absolutamente clara ao dizer que devemos adorar somente a Deus. As únicas ocorrências na Bíblia de alguém, além de Deus, recebendo adoração, são em relação a falsos deuses, que são Satanás e seus demônios. Todos os seguidores do Senhor Deus rejeitam adoração a eles dirigida. Pedro e os apóstolos se recusaram a ser adorados (Atos 10:25-26; 14:13-14). Os santos anjos se recusaram a ser adorados (Apocalipse 19:10; 22-9). A resposta é sempre a mesma: “Adora a Deus!”

Os católicos romanos tentam “fazer vista grossa” a estes claros princípios escriturais dizendo que não “adoram” Maria ou santos, mas que, ao invés, somente “veneram” Maria e os santos. Usar uma palavra diferente não muda a essência do que está sendo feito. Uma definição de “venerar” é “olhar com respeito e reverência”. Em nenhum lugar da Bíblia a nós é dito para que reverenciemos qualquer um que não seja Deus, e apenas Deus. Não há nada de errado em respeitar estes cristãos cheios de fé que nos antecederam (veja Hebreus capítulo 11). Não há nada de errado em honrar Maria como a mãe terrena de Jesus. A Bíblia descreve Maria como “agraciada” do Senhor (Lucas 1:28). Ao mesmo tempo, não há qualquer instrução na Bíblia para que reverenciemos aqueles que já foram para o Céu. Devemos sim seguir o exemplo que deram, mas não adorá-los, reverenciá-los ou venerá-los, não isso!

Quando forçados a admitir o que eles fazem, ou seja, adorar Maria, os católicos dizem que eles adoram a Deus através dela, louvando a maravilhosa criação que Deus fez. Maria, em suas mentes, é a mais bela e maravilhosa criação de Deus, e louvando-a, eles estão louvando seu Criador. Para os católicos, isto é o mesmo que elogiar um artista por meio do elogio a sua escultura ou pintura. O problema com isto é que Deus explicitamente ordena contra a adoração a Ele através das coisas criadas. Não devemos nos curvar e adorar qualquer semelhança do que há em cima nos céus nem embaixo na terra (Êxodo 20:4-5). Romanos 1:25 não poderia ser mais claro: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.” Sim, Deus criou coisas maravilhosas e surpreendentes. Sim, Maria era mulher piedosa, que é digna de nosso respeito. Não, absolutamente não devemos adorar a Deus de forma “indireta” ao louvarmos outras coisas (ou pessoas) que Ele criou. Fazê-lo é óbvia idolatria.

A maioria dos católicos “venera” Maria e os santos orando a eles. Como demonstra o artigo seguinte, a oração a qualquer um que não seja apenas Deus é antibíblico - orar a santos e Maria. Se Maria e/ou os santos recebem orações, ou petições, isto é prática não-bíblica. A oração é um ato de adoração. Quando oramos a Deus, estamos admitindo que precisamos de Sua ajuda. Direcionar nossas orações a qualquer um que não seja Deus é roubar de Deus a glória que é somente Sua.

Outra forma que os católicos têm de “venerar” Maria e os santos é criando estátuas e imagens deles. Muitos católicos usam imagens de Maria e/ou dos santos como “amuletos de boa sorte”. Qualquer leitura superficial da Bíblia irá revelar que esta prática é evidente idolatria (Êxodo 20:4-6; I Coríntios 12:2; I João 5:21). Rezar passando os dedos nas contas do rosário é idolatria. Acender velas perante uma estátua ou retrato de santos é idolatria. Enterrar uma estátua de José na esperança de vender sua casa (e outras incontáveis práticas católicas) é idolatria.

A terminologia não é a questão. Se a prática é descrita como “adoração” ou “veneração”, ou qualquer outro termo, o problema é o mesmo. A qualquer momento que creditarmos algo que pertence a Deus a qualquer outro alguém, isto é idolatria. A Bíblia, em nenhum lugar, nos instrui para que reverenciemos, oremos, confiemos ou “idolatremos” qualquer um que não seja Deus. Devemos adorar somente a Deus. Glória, louvor e honra pertencem somente a Deus. Somente Deus é digno de “...receber glória, e honra, e poder...” (Apocalipse 4:11). Somente Deus é digno de receber nossa adoração, exaltação e louvor (Neemias 9:6; Apocalipse 15:4).





OS CRISTÃOS DEVEM CELEBRAR O HALLOWEEN (DIA DAS BRUXAS)?


Pergunta: "Os Cristãos devem celebrar o Halloween (Dia das Bruxas)?"

Resposta:Quer os Cristãos devam ou não celebrar o Dia das Bruxas pode ser um tema muito controverso. Alguns Cristãos celebram esse dia simplesmente ao vestir-se com uma fantasia por divertimento, enxergando isso como algo inocente e inofensivo. Outros Cristãos estão igualmente convencidos de que o Dia das Bruxas seja uma festa satânica criada para adorar os espíritos do mal e promover a escuridão e maldade. Então, quem está certo? É possível que os Cristãos comemorem o Dia das Bruxas sem comprometer a sua fé?

O Dia das Bruxas, independente do quão comercializado, tem uma origem quase que totalmente pagã. Por mais inocente que pareça a alguns, é algo a ser levado muito a sério. Os Cristãos geralmente têm várias formas de celebrar ou não celebrar o Dia das Bruxas. Para alguns, essa comemoração significa ter uma "alternativa" Festa da Colheita . Para outros, é ficar longe dos fantasmas, bruxas, duendes, etc, e vestir trajes inócuos como, por exemplo, de princesinhas, palhaços, cowboys, super-heróis, etc. Alguns escolhem não fazer nada, preferindo trancar-se em a casa com as luzes apagadas. Com a nossa liberdade como Cristãos, temos a liberdade para decidir como agir.

A Escritura não menciona o Halloween de forma direta, mas dá-nos alguns princípios para que possamos tomar uma decisão. No Israel do Antigo Testamento, a feitiçaria era um crime punível com a morte (Êxodo 22:18, Levítico 19:31, 20:6, 27). O ensinamento do Novo Testamento sobre o ocultismo é bem claro. Atos 8:9-24, a história de Simão, mostra que o ocultismo e Cristianismo não se misturam. A narrativa de Elimas, o feiticeiro, em Atos 13:6-11, revela que a bruxaria é completamente oposta ao Cristianismo. Paulo chamou Elimas de um filho do diabo, um inimigo da justiça e um corruptor dos caminhos de Deus. Em Atos 16, em Filipos, uma menina possessa de espírito adivinhador perdeu seus poderes demoníacos quando o espírito maligno foi expulso por Paulo. 

 A questão interessante aqui é que Paulo se recusou a permitir que até declarações boas fossem feitas por uma pessoa sob influência demoníaca. Atos 19 mostra os novos convertidos bruscamente quebrando os laços com suas prévias práticas do ocultismo ao confessar, mostrar suas más ações e ao trazer seus apetrechos de magia para queimá-los na frente de todos (Atos 19:19).

Assim, deve um Cristão comemorar o Halloween? Existe algo de mau em um Cristão se vestir como uma princesa ou cowboy e andar pela vizinhança pedindo por doces? Não, não existe. Existem coisas sobre o Halloween que são anti-Cristãs e que devem ser evitadas? Claro que sim! Se os pais vão dar aos seus filhos permissão de participar no Halloween, então eles devem certificar-se de que seus filhos não vão se envolver nos aspectos mais escuros do dia. Se os Cristãos vão participar no Halloween, então sua atitude, roupa e, mais importante, seu comportamento, ainda devem refletir uma vida redimida (Filipenses 1:27). 

 Há muitas igrejas que possuem "festivais da colheita" e incorporam fantasias, mas em um ambiente devoto. Há muitos Cristãos que distribuem, juntamente com os doces de Halloween, folhetos que compartilham o Evangelho. A decisão final é nossa. Entretanto, assim como com todas as outras coisas, devemos seguir os princípios de Romanos 14. Não podemos permitir que nossas próprias convicções sobre um feriado causem divisão no corpo de Cristo, nem podemos usar nossa liberdade para levar os outros a tropeçar em sua fé. Devemos fazer todas as coisas como ao Senhor.



QUAIS SÃO AS ORIGENS DO HALLOWEEN?

Pergunta: "Quais são as origens do Halloween (Dia das Bruxas)?"

Resposta:Qualquer que seja a origem ou história do Dia das Bruxas, ele é celebrado em muitas maneiras diferentes por vários tipos de pessoas ao redor do mundo. Tradicionalmente, era conhecido como a véspera do Dia de Todos os Santos, quando os mortos eram lembrados. Ao longo do tempo, tornou-se cultural. Para os americanos, tornou-se extremamente comercializado. Começamos a ver as decorações do Dia das Bruxas nas lojas já em agosto. Infelizmente, a ênfase neste feriado comercializado passou dos pequenos cowboys e índios a uma atração muito mais perversa que aponta a todas as coisas horríveis e pagãs. Satanás tem, sem dúvida, tornado este feriado tão comercializado em algo que tem sutilmente focado no feio e demoníaco.

Muitos acreditam que o festival de Samhain iniciou-se no ano céltico. No Samhain, os agricultores traziam gado das pastagens de verão e as pessoas se reuniam para construir abrigos para o inverno. O festival também tinha significado religioso e as pessoas queimavam frutas, legumes, grãos e possivelmente animais como oferenda aos deuses. Nas antigas histórias celtas, Samhain era uma época mágica de transição, quando importantes batalhas aconteciam e fadas faziam seus feitiços. Também era uma época quando se rompiam as barreiras entre o mundo natural e o sobrenatural. 

 Os celtas acreditavam que os mortos podiam caminhar entre os vivos naquele momento. Durante o Samhain, os vivos podiam conversar com os mortos, os quais supostamente possuíam segredos do futuro. Os estudiosos acreditam que a associação do Halloween com fantasmas, comida e adivinhação tenha começado com esses costumes pagãos mais de 2.000 anos atrás.

Muitos dos costumes dos celtas pagãos sobreviveram mesmo depois das pessoas terem sido "cristianizadas". No século IX DC, a igreja estabeleceu o Dia de Todos os Santos em 1º de Novembro. Cerca de 200 anos mais tarde, ela acrescentou o Dia de Finados em 2º de Novembro. Este dia foi reservado para que as pessoas orassem por seus amigos e familiares que haviam morrido. As pessoas incorporaram muitos dos antigos costumes pagãos a este dia Cristão santo. Algumas pessoas serviam comida aos seus antepassados, ou então deixavam uma lanterna acesa na janela de modo que os fantasmas pudessem encontrar seu caminho de volta à casa para passar a noite. 

 Através dos anos, várias regiões da Europa desenvolveram seus próprios costumes de Halloween. No País de Gales, por exemplo, cada pessoa coloca uma pedra branca perto do fogo na noite de Halloween e, em seguida, verificava na manhã seguinte se a pedra ainda estava lá. Se estivesse, a pessoa iria viver mais um ano.

Nos Estados Unidos, muitos dos primeiros colonos americanos vieram da Inglaterra e trouxeram várias crenças sobre fantasmas e bruxas com eles. No século XIX, muitos imigrantes da Irlanda e Escócia foram aos Estados Unidos e introduziram as suas tradições de Halloween. Outros grupos acrescentaram suas próprias influências culturais aos costumes de Halloween. Os imigrantes alemães trouxeram uma vívida tradição de bruxaria, e os povos haitiano e Africano trouxeram suas crenças nativas do vodu sobre gatos pretos, fogo e bruxaria.








QUAL É A VISÃO CRISTÃ SOBRE OS MÉDIUNS?

Pergunta: "Qual é a visão cristã sobre os médiuns?"

Resposta:A Bíblia fortemente condena a prática do espiritismo, da mediunidade, do ocultismo, da percepção extra-sensorial, etc. (Levítico 20:27; Deuteronômio 18:10-13). Horóscopos, cartas de tarô, astrologia, cartomantes, leituras de mãos, comunicação com os mortos, etc. também estão incluídos nessas categorias. Essas práticas se baseiam no conceito de que existem deuses, espíritos, ou entes queridos que já morreram que podem lhe dar conselhos e orientação. Esses “deuses” ou “espíritos” são demônios (2 Coríntios 11:14-15). 

 A Bíblia não nos dá razão para acreditar que um ente querido que já morreu possa, ou mesmo irá querer contactar-nos. Se eles eram crentes, eles estão no Paraíso, aproveitando o lugar mais maravilhoso que se pode imaginar – em comunhão com um Deus de amor. Se eles não eram crentes, eles estão no inferno, sofrendo tormento incessante por terem rejeitado o amor de Deus e terem se rebelado contra Ele.

Então, se os nossos entes queridos não podem nos contactar, como os médiuns, etc. conseguem informações tão precisas? Diversos médiuns já foram “desmascarados”. Já foi mostrado como um médium pode obter imensas quantidades de informações sobre uma pessoa através dos meios mais comuns. Às vezes, usando apenas um número de telefone obtido através de um identificador de chamadas e depois através de uma busca na internet, um médium pode obter nomes, endereços, datas de nascimento, datas de casamento, membros da família, etc. 

 No entanto, é inegável que os médiuns algumas vezes sabem de coisas que deveriam ser impossíveis que eles soubessem. De onde eles tiram essas informações? A resposta é – Satanás e seus demônios. 2 Coríntios 11:14-15 nos diz: “E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras”. Atos 16:16-18 descreve uma adivinhadora que previa o futuro até que o apóstolo Paulo expeliu um demônio dela.

Satanás finge ser gentil e disposto a ajudá-lo. Ele tenta aparecer como algo bom. Satanás e seus demônios darão a um médium as informações sobre uma pessoa, para atrair essa pessoa para o espiritismo – algo que Deus proíbe. Parece inocente a princípio, mas logo a pessoa se encontra viciada na mediunidade – permitindo que Satanás controle e destrua a sua vida. 1 Pedro 5:8 diz: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar”. 

 Na maioria dos casos, os próprios médiuns é que são enganados, não conhecendo a verdadeira fonte da informação que eles recebem. Em qualquer caso, e qualquer que seja a fonte da informação – nada ligado ao espiritismo, à bruxaria, à astrologia, etc. é a intenção de Deus como meio para descobrirmos informações. Como Deus quer que nós possamos discernir a Sua vontade para as nossas vidas? Simples: (1) Estudando a Bíblia (2 Timóteo 3:16-17), (2) Orando por sabedoria (Tiago 1:5).






O QUE ACONTECEU COM A ARCA DA ALIANÇA?



Pergunta: "O que aconteceu com a Arca da Aliança?"

Resposta:O que aconteceu com a Arca da Aliança é uma pergunta que tem fascinado teólogos, estudantes da Bíblia e arqueologistas por vários séculos. No décimo oitavo ano do seu reino, o rei de Judá chamado Josias ordenou que aqueles que zelavam pela Arca da Aliança a retornassem ao templo em Jerusalém (2 Crônicas 35:1-6; veja também 2 Reis 23:21-23). Essa é a última vez que a Arca da Aliança é mencionada nas Escrituras. Quarenta anos depois, o Rei Nabucodonosor da Babilônia capturou Jerusalém e assaltou o templo. Menos de quarenta anos depois, ele retornou, levou o que ainda sobrava no templo, e queimou a cidade e o templo por completo. 

 Então o que aconteceu com a Arca? Foi pega por Nabucodonosor? Foi destruída com a cidade? Ou foi removida e escondida antes de tudo isso acontecer, assim como evidentemente foi o caso do Faraó Sisaque no Egito, o qual assaltou o templo durante o reino do filho de Salomão, o Rei Roboão? (Eu digo evidentemente porque se a Arca não tivesse sido escondida de Sisaque e ele tivesse tomado posse da arca, como alguns acham – veja o enredo do filme “Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida” - então por que Josias teria pedido que os Levitas devolvessem a Arca tantos anos depois, se eles não a tivessem em sua posse em primeiro lugar?)

O livro não canônico de 2 Macabeus registra que bem antes da invasão babilônica, Jeremias “pela fé da revelação, havia desejado fazer-se acompanhar pela arca e pelo tabernáculo, quando subisse a montanha que subiu Moisés para contemplar a herança de Deus[quer dizer, Monte Nebo; veja também Deuteronômio 31:1-4]. No momento em que chegou, descobriu uma vasta caverna, na qual mandou depositar a arca, o tabernáculo e o altar dos perfumes; em seguida, tapou a entrada” (2:4-5). No entanto, “Alguns daqueles que o haviam acompanhado voltaram para marcar o caminho com sinais, mas não puderam achá-lo. Quando Jeremias soube, repreendeu-os e disse-lhes que esse lugar ficaria desconhecido, até que Deus reunisse seu povo e usasse com ele de misericórdia. 

 Então revelará o Senhor o que ele encerra e aparecerá a glória do Senhor como uma densa nuvem, semelhante à que apareceu sobre Moisés e quando Salomão rezou para que o templo recebesse uma consagração magnífica” (2:6-8). Não se sabe se essa narrativa de segunda mão é correta, mas se for, não saberemos de certeza o que aconteceu até que o Senhor retorne, como a passagem fala no final.

Outras teorias sobre onde a Arca perdida pode estar são dadas pelo rabinos Shlomo Goren e Yehuda Getz, os quais acreditam que a Arca está escondida embaixo da Montanha do Templo e foi lá enterrada antes que Nabucodonosor pudesse roubá-la. Infelizmente, o Templo do Monte é onde se encontra a Cúpula da Rocha, mesquita sagrada de Jerusalém, e a comunidade muçulmana local se recusa a deixar que o território seja escavado para tentar achar a Arca. Por isso não podemos saber se os rabinos estão corretos ou não.

O explorador Vendyl Jones, entre outros, acredita que um artefato encontrado entre os Pergaminhos do Mar Morto, o enigmático Pergaminho de Cobre da Caverna 3, é na verdade um mapa de tesouro que detalha a localização de vários tesouros preciosos tirados to Templo antes da chegada dos Babilônicos, incluindo a Arca da Aliança. Se isso é verdade ou não, ainda não sabemos, pois ninguém pôde achar todos os marcos geográficos listados no pergaminho. É interessante que alguns estudiosos especulam que o Pergaminho de Cobre pode ser o registro ao qual 2 Macabeus 2:1 e 4 se refere e que descreve Jeremias escondendo a Arca. Enquanto essa pode ser uma especulação interessante, ainda permanece sem fundamento.

O antigo correspondente da África Oriental para “O Economista”, Graham Hancock, publicou um livro em 1992 chamado de O Sinal e o Selo: a busca da Arca da Aliança, no qual ele argumentou que a Arca tinha sido armazenada na Igreja de Santa Maria de Sião em Aksum, uma cidade primitiva da Etiópia. O explorador Robert Cornuke, do Instituto B.A.S.E. de Colorado, também acredita que a Arca pode estar em Aksum. No entanto, ela ainda não foi encontrada. Da mesma forma, arqueologista Michael Sanders acredita que a arca está escondida em um templo primitivo do Egito na vilagem Israelita de Djaharya, mas ele ainda não a encontrou.

Uma tradição irlandesa bem duvidável acredita que a Arca está enterrada sob o Monte de Tara na Irlanda. Alguns estudiosos acreditam que essa é a fonte da lenda irlandesa de “um pote de ouro no fim do arco-íris”. Lendas mais duvidosas ainda são as de Ron Wyatt e Crotser; Wyatt afirmando que já viu a Arca da Aliança enterrada sob o Monte Calvário, e Crotser afirmando que a viu no Monte Pisgah, perto do Monte Nebo. Esses dois homens não têm qualquer credibilidade com a comunidade arqueológica, pois nenhum deles pôde apresentar qualquer evidência para suas teorias.

No fim das contas, apenas Deus realmente sabe onde a Arca está. Teorias interessantes como as que descrevemos nesse artigo já foram apresentadas, mas ninguém pôde encontrá-la ainda. O escritor de 2 Macabeus talvez estava certo em dizer que talvez nunca saberemos o que aconteceu com a Arca da Aliança até que o Senhor retorne.






O QUE É O DIA DOS MORTOS?

Pergunta: "O que é o Dia dos Mortos? Esse dia é bíblico?"

Resposta:O Dia dos Mortos é um feriado comemorado no México e outros países da América Latina. Ele ocorre em conexão com os feriados católicos que caem em 1 e 2 de novembro, o Dia de Todos os Santos e Dia de Finados. No Dia dos Mortos, mais precisamente chamado de "culto dos mortos", amigos e familiares daqueles que morreram se reúnem para orar por eles e trazer para as sepulturas as comidas favoritas do falecido, muitas vezes incluindo as tradicionais "caveiras de açúcar" e o "pão da morte". Altares privados em honra do defunto são criados e homenagem é prestada. As origens do feriado têm sido rastreadas até milhares de anos atrás a um festival asteca dedicado a uma deusa chamada Mictecacihuatl.

Embora muitos dos que celebram o Dia dos Mortos chamam-se cristãos, não há nada Cristão sobre tais práticas. A celebração do Dia dos Mortos por pagãos é uma coisa, mas para os Cristãos participarem ou tolerarem tais práticas não é bíblico. Oferecemos esta resposta num espírito de mansidão e respeito, orando para que possamos alertar outras pessoas e equipar os Cristãos, para que possam então ser capazes de responder aos sem esperança e sem Cristo no mundo (Efésios 2:12), quando esses nos perguntam sobre o motivo da esperança que está dentro de nós (1 Pedro 3:15).

A força que leva as pessoas a participarem neste evento profano é a falsa ideia de que por meio de seus rituais e práticas podem conversar com seus queridos parentes falecidos, pois eles supostamente participam destas cerimônias. Isso simplesmente não é verdade. Biblicamente, há apenas mais um "dia" a que os mortos impenitentes podem certamente antecipar: o dia em que estaremos diante de Deus para o julgamento final (Apocalipse 20:11-15). 

 Quando uma alma passa para a eternidade, ou ela entra na presença bendita do Senhor, ou continua a aguardar o julgamento final antes de serem lançadas no inferno eterno. A Bíblia diz que "E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo" (Hebreus 9:27). Isto simplesmente e claramente significa que quando uma pessoa morre, o corpo se desintegra em pó, mas a alma permanece consciente no estado em que irá habitar por toda a eternidade, seja na condenação do inferno ou eterna glória com Deus.

No evangelho de Lucas, Jesus ensinou que Deus criou um abismo intransponível entre aqueles que estão no céu e aqueles que estão em tormento (Lucas 16:26). A palavra grega traduzida como "posto" significa estabelecer ou firmar. Cada alma que morre sem Cristo perdeu toda a esperança. A alma morta e impenitente tem que enfrentar uma eternidade de sofrimento indescritível, destruição eterna, longe da presença de Deus e da glória do Seu poder. 

 O próprio Jesus disse: "E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (Mateus 25:46). Antes de morrer, o impenitente desfruta da "graça comum" que Deus concede a todas as pessoas, tanto os maus como os justos. Essas experimentam os cheiros, sabores e sons da vida, podem até se apaixonar e experimentar de outras alegrias que fazem parte da vida. Mas no momento em que morrem sem Cristo, são cortadas de tais bênçãos para sempre.

Como a passagem citada acima ensina, após a morte vem o juízo. Além da decomposição do corpo que segue a morte (o corpo físico volta aos seus elementos físicos constituintes - " ... porque tu és pó e ao pó tornarás" [Gênesis 3:19]), qualquer tipo de negócio aqui na terra chega ao fim, e não pode haver qualquer outro envolvimento nas coisas da vida (Eclesiastes 9:10). Os mortos não têm sabedoria para oferecer àqueles que os consultam no Dia dos Mortos, nem são capazes de ouvir e responder às orações que lhes são oferecidas.

No Dia dos Mortos, cada celebrante que invoca as almas dos que já partiram estão participando de um pecado abominável e totalmente inútil (Deuteronômio 18:10-12). Apenas Um é digno e poderoso o suficiente para invocar os mortos, e Ele vai chamá-los à ressurreição da condenação (João 5: 28-29). Aqueles que morreram em Cristo não estão realmente mortos, uma vez que vão imediatamente à presença do Senhor; a Bíblia diz que esses "dormem". A morte é certamente dolorosa para aqueles que não têm esperança e estão sem Cristo (1 Tessalonicenses 4:13). 

 No entanto, nós que conhecemos ao Senhor somos incentivados pelo conhecimento de que assim como Jesus morreu e ressuscitou, assim, através de Jesus, Deus trará com Ele aqueles que dormem. "Porquanto o Senhor mesmo, dada a sua palavra de ordem, ouvida a voz do arcanjo, e ressoada a trombeta de Deus, descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os vivos, os que ficarmos, seremos arrebatados juntamente com eles, entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e, assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras" (1 Tessalonicenses 4:16-18). Esta é a verdade!

A Palavra de Deus nos adverte em Isaías 8:19 a não consultar os espíritos e adivinhadores: "... não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos?" Deuteronômio 18:10-11 nos diz que aqueles que consultam os mortos são "detestáveis" ao Senhor. O fato de que a UNESCO oficializou a celebração do Dia do Morto como sendo uma "obra-prima do patrimônio oral e imaterial da humanidade" não altera o fato de que, de acordo com os padrões bíblicos, os Cristãos não devem ter nada a ver com esses mitos (1 Tim. 4 : 7; ver 1:4).

Segundo a UNESCO, as diversas manifestações do Dia dos Mortos são "representações importantes do patrimônio vivo da América e do mundo"; contudo, com todo o respeito devemos declarar as razões bíblicas por que esta comemoração tradicional é espiritualmente nociva e ofensiva. Quando qualquer tradição ou costume é contrária à vontade de Deus expressa na Sua Palavra, não pode haver nenhuma justificativa para honrar e preservá-la. 

 Na verdade, aqueles que a defendem estão estupidamente provocando a ira de Deus (2 Crônicas 33:6). Como já vimos, a Bíblia nos adverte a não consultar (ou fazer perguntas) aos mortos, como muitas vezes é feito no Dia dos Mortos. Em resumo, o povo de Deus deve separar-se das práticas pecaminosas exercitadas nesse ou qualquer outro dia e assim evitar a ira que virá sobre aqueles que as praticam (Apocalipse 18:4).

A missão primária da Igreja é alcançar a todas as culturas e grupos étnicos e fazer discípulos, batizando-os e ensinando-os a observar tudo o que Cristo ordenou (Mateus 28:19-20), até que cada membro do corpo de Cristo esteja de acordo com a imagem do Senhor Jesus (Gálatas 4:19). E enquanto seria bom seguir o exemplo do apóstolo ao tornar-se tudo para todas as pessoas, para que seja possível salvar alguns, isso não significa que seja permissível mudar a mensagem (o evangelho). Pelo contrário, devemos nos humilhar e confiar que Deus vai usar Sua Palavra não diluída para trazer a bênção de salvação para aqueles fora da fé (1 Coríntios 9:22-23). 

 Não devemos participar da alteração criativa do evangelho para remover os seus aspectos de confronto, mas apresentá-lo na sua pureza, embora saibamos que isso vai invariavelmente ofender algumas pessoas, e estas acabarão acusando o verdadeiro evangelista de ser intolerante. Isto não é uma surpresa, pois o evangelho sempre foi uma pedra de tropeço para muitos.

O Dia dos Mortos vai de encontro ao evangelho da verdade encontrado na Escritura. Como tal, deve ser evitado por ser mais uma manifestação das mentiras de Satanás que "anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar" (1 Pedro 5:8).









O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE A CREMAÇÃO? DEVEM OS CRISTÃOS SER CREMADOS?

Pergunta: "O que a Bíblia ensina sobre a cremação? Devem os Cristãos ser cremados?"

Resposta:A Bíblia na verdade não se dirige especificamente ao assunto de cremação. Há exemplos no Velho Testamento de pessoas sendo queimadas até a morte (1 Reis 16:18; 2 Reis 21:6), e de ossos humanos sendo queimados (2 Reis 23:16-20), mas esses não são exemplos de cremação. É interessante notar que em 2 Reis 23:16-20, queimar ossos humanos no altar profanava o altar. Ao mesmo tempo, a lei do Velho Testamento em nenhum lugar proíbe um corpo humano falecido de ser queimado, nem aplica qualquer maldição ou julgamento a uma pessoa que é cremada.

Cremação era praticada nos tempos bíblicos, mas não era geralmente praticada pelos israelitas ou pelos crentes no Novo Testamento. Nas culturas nas quais a Bíblia se focaliza, enterro em uma tumba, caverna ou na terra era a forma comum de se dispor do corpo humano (Gênesis 23:19; 35:4; 2 Crônicas 16:14; Mateus 27:60-66). Enquanto sepultamento era a prática comum, a Bíblia em nenhum lugar comanda o sepultamento como a única forma permitida para se dispor de um corpo.

É cremação algo que um Cristão pode considerar? Novamente afirmamos que não há nenhum comando bíblico explícito contra cremação. Alguns crentes são contra a prática de cremação porque acham que tal ação não reconhece o fato de que um dia Deus vai ressuscitar nossos corpos e reuni-los com nossas alma / espírito (1 Coríntios 15:35-58; 1 Tessalonicenses 4:16). Esse pode ser o caso com algumas pessoas. No entanto, o fato de que um corpo tem sido cremado não dificulta em nada a capacidade de Deus de ressuscitar tal corpo. Os corpos dos Cristãos que morreram milhares de anos atrás já se tornaram em pó completamente. 

 Isso não vai de forma alguma tornar mais difícil que Deus ressuscite seus corpos. Cremação não faz nada além de “apressar” o processo de tornar o corpo em pó. Deus é completamente capaz de ressuscitar os restos mortais de uma pessoa que foi cremada, assim como Ele é capaz de ressuscitar os restos mortais de uma pessoa que não foi cremada. A questão de enterro ou cremação faz parte da área da liberdade Cristã. Uma pessoa, ou família, que está considerando esse assunto deve orar por sabedoria (Tiago 1:5), e seguir a convicção que resulta de suas orações.









QUAL A DIFERENÇA ENTRE A ALMA E O ESPÍRITO DO HOMEM?

Pergunta: "Qual a diferença entre a alma e o espírito do homem?"

Resposta: Qual a diferença entre a alma e o espírito? A palavra “espírito” se refere somente à faceta imaterial do homem. A humanidade tem um espírito, mas nós não somos um espírito. Entretanto, segundo as Escrituras, somente os crentes, aqueles onde o Espírito Santo habita, são “espiritualmente vivos” (I Coríntios 2:11;Hebreus 4:12; Tiago 2:26). Os não-crentes são “espiritualmente mortos” (Efésios 2:1-5; Colossenses 2:13). Nos escritos de Paulo, o “espírito” era de central importância para a vida espiritual do crente (I Coríntios 2:14; 3:1,15:45; Efésios 1:3; 5:19; Colossenses 1:9; 3:16). O espírito é o elemento no homem que dá a ele a capacidade de ter um relacionamento íntimo com Deus. Sempre que a palavra “espírito” é usada, se refere à parte imaterial do homem, incluindo sua alma.

A palavra “alma” se refere não apenas à parte imaterial do homem, mas também à parte material. O homem tem um espírito, mas é uma alma. Em seu mais básico significado, a palavra “alma” significa “vida”. Entretanto, a Bíblia vai além de “vida”, estendendo-se a muitas áreas. Uma delas é o desejo do homem de pecar (Lucas 12:26). O homem é mau por natureza, e como resultado, tem a alma contaminada. O princípio da vida é removido no momento da morte física (Gênesis 35:18; Jeremias 15:2). A “alma”, como o “espírito”, é o centro de muitas experiências espirituais e emocionais (Jó 30:25; Salmos 43:5; Jeremias 13:17). Sempre que é usada a palavra “alma”, pode se referir à pessoa como um todo, viva ou após a morte.

A “alma” e o “espírito” são parecidos na maneira pela qual são usados na vida espiritual do crente. Eles são diferentes em sua identidade. A “alma” é a visão horizontal do homem com o mundo. O “espírito” é a visão vertical do homem com Deus. É importante compreender que ambos se referem à parte imaterial do homem, mas somente o “espírito” se refere à caminhada do homem com Deus. A “alma” se refere à caminhada do homem no mundo, tanto material quanto imaterial.



A ALMA HUMANA É MORTAL OU IMORTAL?

Pergunta: "A alma humana é mortal ou imortal?"

Resposta: Sem qualquer sombra de dúvidas a alma humana é imortal. Esse conceito é ensinado claramente em passagens do Velho e do Novo Testamento: Salmos 22:26; Salmos 23:6; Salmos 49:7-9; Eclesiastes 12:7; Daniel 12:2-3; Mateus 25:46; 1 Coríntios 15:12-19. Daniel 12:2 diz: “E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” Semelhantemente, Jesus disse que os perversos “irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna” (Mateus 25:46). Com a mesma palavra grega usada para se referir a “tormento” e “vida”, é bem claro que os perversos e os justos têm uma alma eterna / imortal.

O ensino claro da Bíblia é que todas as pessoas, quer sejam salvas ou perdidas, vão passar a eternidade ou no céu ou no inferno. Vida verdadeira ou vida espiritual não acaba quando os nossos corpos carnais morrem. Nossas almas viverão para sempre, ou na presença de Deus no céu se somos salvos, ou em punição no inferno se rejeitamos o presente de Deus para salvação. Na verdade, a promessa da Bíblia é que as nossas almas não só viverão para sempre, mas nossos corpos também serão ressuscitados. Essa esperança de uma ressurreição corporal é uma das crenças mais importantes da fé Cristã (1 Coríntios 15:12-19).

Enquanto nossas almas são imortais, é importante lembrar que não somos eternos da mesma forma que Deus é eterno. Deus é o único ser verdadeiramente eterno, pois só Ele não teve um começo nem vai ter um final. Deus sempre existiu e vai sempre continuar a existir. Todas as outras criaturas que têm consciência, quer sejam humanas ou angelicais, são finitas, pois todas elas tiveram um começo. 

 Enquanto nossas almas vão viver para sempre uma vez que passam a existir, a Bíblia não sustenta o conceito de que nossas almas sempre existiram. Nossas almas são imortais, pois assim foram criadas por Deus, mas tiveram um começo; houve um certo tempo em que elas não existiram.








QUAL É O PONTO DE VISTA CRISTÃO SOBRE A CLONAGEM HUMANA?

Pergunta: "Qual é o ponto de vista Cristão sobre a clonagem humana?"

Resposta:A Bíblia não se dirige diretamente ao assunto de clonagem humana, mas há princípios na Bíblia que podem esclarecer o assunto. Clonagem requer DNA e células embriônicas para poder acontecer. Primeiro, o DNA é removido do núcleo da célula da criatura. O material, o qual possui informação genética codificada, é então colocado no núcleo da célula embriônica. A célula que está recebendo a nova informação genética teve o seu próprio DNA removido para aceitar o novo DNA. Se a célula aceita o novo DNA, um embrião duplicado é formado. 

 No entanto, a célula embriônica pode rejeitar o novo DNA e morrer. Além disso, é possível que o embrião não sobreviva o processo de ter o seu material genético removido do seu núcleo. Em muitos casos, quando tenta-se fazer clonagem, vários embriões são usados ao mesmo tempo para poder aumentar as chances de uma implantação do novo material genético com sucesso. Enquanto é possível que um nova criatura seja criada dessa forma (por exemplo, a ovelha Dolly), as chances de sucesso ao duplicar uma criatura sem qualquer variação, e sem qualquer complicação, são bem pequenas.

O ponto de vista Cristão sobre o processo de clonagem humana deve ser examinado de acordo com vários princípios bíblicos. Primeiro, os seres humanos foram criados à imagem de Deus e, portanto, são únicos. Gênesis 1:26-27 afirma que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, e é único entre todas as outras criaturas. Claramente, isso é algo a ser valorizado e não tratado como uma mercadoria para comprar e vender. Algumas pessoas têm promovido a clonagem humana com o propósito de criar novos órgãos para substituir os órgãos de pessoas que precisam de transplantes, mas não conseguem achar um doador. Acham que tirar o próprio DNA e criar um outro órgão duplicado composto daquele DNA iria reduzir drasticamente as chances de rejeição do órgão. 

 Enquanto isso pode ser verdade, o problema é que esse procedimento barateia a vida humana. O processo de clonagem requer embriões humanos para serem usados; enquanto células podem ser formadas para criar novos órgãos, é necessário matar vários embriões para obter o DNA necessário. Em essência, a clonagem iria “jogar fora” muitos embriões humanos como “lixo”, eliminando a chance desses embriões crescerem à maturidade completa.

Quanto à pergunta se um clone humano teria uma alma, devemos examinar novamente a criação da vida. Gênesis 2:7 diz: “Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” Isso é uma descrição de Deus criando alma humana viva. As almas são o que somos, não o que temos (1 Coríntios 15:45). A pergunta é que tipo de alma vivente seria criada através da clonagem humana? Essa não é uma pergunta que podemos responder agora.

Muitas pessoas acreditam que a vida não começa na concepção com a formação do embrião e que, portanto, os embriões não são seres humanos. A Bíblia ensina o contrário. Salmos 139:13-16 diz: “Pois tu formaste o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra. 

 Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda.” O escritor, Davi, declara que Deus o conhecia pessoalmente antes dele nascer,quer dizer, durante a sua concepção ele já era um ser humano com um futuro e com um Deus que já o conhecia intimamente.

Além disso, Isaías 49:1-5 fala de Deus chamando Isaías ao ministério como um profeta quando ainda estava no ventre de sua mãe. João Batista também já estava cheio do Espírito Santo quando ainda estava no ventre (Lucas 1:15). Tudo isso aponta ao fato de que a Bíblia sustenta a idéia de que a vida começa na concepção. Por causa disso, clonagem humana, com sua destruição de embriões humanos, não seria consistente com o ponto de vista bíblico sobre a vida humana.

Mais adiante, se o homem é criado, então tem que existir um Criador, e o homem é sujeito a Ele e tem que prestar contas a esse Criador. Apesar de que o pensamento popular – psicologia secular e pensamento humanista – ensina que o homem tem que prestar contas a si mesmo, e que o homem é sua autoridade suprema, a Bíblia ensina diferente. A Bíblia ensina que Deus criou o homem e deu ao homem responsabilidade sobre toda a terra (Gênesis 1:28-29 e Gênesis 9:1-2). Com essa responsabilidade vem o dever de prestar contas a Deus. 

 O homem não é a sua autoridade suprema e, portanto, não ocupa uma posição que lhe permite fazer decisões sobre o valor da vida humana. Nem a ciência deve ser a autoridade pela qual a ética sobre clonagem humana, aborto ou eutanásia deve ser decidida. De acordo com a Bíblia, Deus é o único que exerce controle soberano sobre a vida humana. Tentar controlar tais coisas é se colocar na posição de Deus. Com certeza o homem não deve fazer isso.

Se vemos o homem apenas como uma outra criatura e não como o ser especial que ele é, não é difícil de entender por que os seres humanos são vistos apenas como mecanismos que precisam de manutenção e conserto. Mas não somos apenas uma coleção de moléculas e substâncias químicas. A Bíblia ensina claramente que Deus criou a cada um de nós e tem um plano específico para cada um de nós. Além disso, Ele quer ter um relacionamento pessoal com cada um de nós através de Seu Filho, Jesus Cristo. 

 Enquanto há aspectos da clonagem humana que podem parecer benéficos, a humanidade não tem nenhum controle sobre até onde a tecnologia de clonagem deve ir. É tolice achar que boas intenções vão direcionar a utilização da clonagem. O homem não está na posição de exercer a responsabilidade ou o julgamento que seriam necessários para governar a clonagem de seres humanos.





O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE O ABORTO?

Pergunta: "O que a Bíblia diz sobre o aborto?"

Resposta:A Bíblia nunca trata especificamente sobre a questão do aborto. No entanto, há inúmeros ensinamentos nas Escrituras que deixam muitíssimo clara qual é a visão de Deus sobre o aborto. Jeremias 1:5 nos diz que Deus nos conhece antes de nos formar no útero. Êxodo 21:22-25 dá a mesma pena a alguém que comete um homicídio e para quem causa a morte de um bebê no útero. Isto indica claramente que Deus considera um bebê no útero como um ser humano tanto quanto um adulto. Para o cristão, o aborto não é uma questão sobre a qual a mulher tem o direito de escolher. É uma questão de vida ou morte de um ser humano feito à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27; 9:6).

O primeiro argumento que sempre surge contra a opinião cristã sobre o aborto é: “E no caso de estupro e/ou incesto?”. Por mais horrível que fosse ficar grávida como resultado de um estupro e/ou incesto, isto torna o assassinato de um bebê a resposta? Dois erros não fazem um acerto. A criança resultante de estupro/incesto pode ser dada para adoção por uma família amável incapaz de ter filhos por conta própria – ou a criança pode ser criada pela mãe. Mais uma vez, o bebê não deve ser punido pelos atos malignos do seu pai.

O segundo argumento que surge contra a opinião cristã sobre o aborto é: “E quando a vida da mãe está em risco?”. Honestamente, esta é a pergunta mais difícil de ser respondida quanto ao aborto. Primeiro, vamos lembrar que esta situação é a razão por trás de menos de um décimo dos abortos realizados hoje em dia. Muito mais mulheres realizam um aborto porque elas não querem “arruinar o seu corpo” do que aquelas que realizam um aborto para salvar as suas próprias vidas. Segundo, devemos lembrar que Deus é um Deus de milagres. Ele pode preservar as vidas de uma mãe e da sua criança, apesar de todos os indícios médicos contra isso. Porém, no fim das contas, esta questão só pode ser resolvida entre o marido, a mulher e Deus. Qualquer casal encarando esta situação extremamente difícil deve orar ao Senhor pedindo sabedoria (Tiago 1:5) para saber o que Ele quer que eles façam.

94% dos abortos realizados hoje em dia são por razões diferentes da vida da mãe estar em risco. A vasta maioria das situações pode ser qualificada como “Uma mulher e/ou seu parceiro decidindo que não querem o bebê que eles conceberam”. Isto é um terrível mal. Mesmo nos outros 6%, onde há situações mais difíceis, o aborto jamais deve ser a primeira opção. A vida de um ser humano no útero é digna de todo o esforço necessário para permitir um processo de concepção completo.

Para aquelas que fizeram um aborto – o pecado do aborto não é menos perdoável do que qualquer outro pecado. Através da fé em Cristo, todos e quaisquer pecados podem ser perdoados (João 3:16; Romanos 8:1; Colossenses 1:14). Uma mulher que fez um aborto, ou um homem que encorajou um aborto, ou mesmo um médico que realizou um – todos podem ser perdoados pela fé em Cristo.






HERNANDES D. LOPES SOBRE O ABORTO




Pensando Biblicamente sobre o Aborto
Randy Alcorn
Alguns defensores do aborto afirmam que suas crenças têm a Bíblia como base. Eles afirmam que a Bíblia não proíbe o aborto. Eles estão errados. A Bíblia, de fato, proíbe enfaticamente a morte de pessoas inocentes (Êxodo 20:13) e considera claramente o nascituro como sendo um ser humano digno de proteção (21:22-25).
Jó descreveu graficamente a forma como Deus o criou antes de ele nascer (Jó 10:8-12). O que estava no ventre de sua mãe não era algoque poderia tornar-se Jó, mas alguém que era Jó—o mesmo homem, só que mais jovem. Para o profeta Isaías, Deus diz: “Assim diz o SENHOR, que te criou, e te formou desde o ventre, e que te ajuda” (Isaías 44:2). O que cada pessoa é, e não apenas o que ela pode se tornar, esteve presente no ventre de sua mãe.
Salmo 139:13-16 pinta um retrato vívido do envolvimento íntimo de Deus com uma pessoa antes de seu nascimento. Deus criou o “interior” de Davi, não no nascimento, mas antes do nascimento. Davi diz ao seu Criador, “tu me teceste no ventre de minha mãe” (versículo 13). Cada pessoa, independentemente de sua filiação ou deficiência, não foi fabricada em uma linha de montagem cósmica, mas criada pessoalmente por Deus. Todos os dias de nossas vidas são planejados por Deus antes de virmos a ser (versículo 16).
Meredith Kline observa: “O que há de mais importante a respeito da legislação do aborto na lei bíblica é que não há legislação nenhuma. Era tão inconcebível que uma mulher israelita pudesse desejar um aborto que não havia necessidade de mencionar esse crime no código penal”. Tudo o que se precisava para proibir o aborto era o mandamento “Não matarás” (Êxodo 20:13). Todo israelita sabia que o nascituro era uma criança. Assim como nós sabemos, se formos honestos. Nós todos sabemos que uma mulher grávida está “carregando uma criança”.
Toda criança no ventre é obra de Deus e faz parte do seu plano. Cristo ama essa criança e provou isso, tornando-se semelhante a ela - ele mesmo passou nove meses no ventre de sua mãe.
Assim como os termos criança e adolescenteembrião e feto não se referem a seres não humanos, mas a seres humanos em diferentes estágios de desenvolvimento. É cientificamente incorreto dizer que um embrião humano ou um feto não é um ser simplesmente porque ele está em uma fase mais prematura do que uma criança. Isso é a mesma coisa que dizer que uma criança não é um ser humano, porque ele ainda não é um adolescente. Será que alguém se torna mais humano quando cresce? Se assim for, então os adultos são mais humanos do que as crianças, e os jogadores de futebol são mais humanos do que os jóqueis. Algo que não é humano não se torna humano ou mais humano ao ficar mais velho ou maior; tudo o que for humano é humano desde o início, ou não é humano de jeito nenhum. O direito à vida não aumenta com a idade e o tamanho; caso contrário, as crianças e os adolescentes teriam menos direito de viver do que os adultos.
Uma vez que reconhecemos que os nascituros são seres humanos, a questão sobre o seu direito de viver deve ser resolvida, independente da forma como foram concebidos. É desigual a comparação entre os direitos das mães e os direitos dos bebês. O que está em jogo na grande maioria dos abortos é o estilo de vida da mãe, em oposição à vida do bebê. Nesses casos, é justo que a sociedade espere que um adulto viva temporariamente com um inconveniente, se a única alternativa é matar uma criança.
Os defensores do aborto desviam a atenção da grande maioria dos abortos (99%) ao colocarem o foco sobre o estupro e o incesto por causa do fator simpatia. Eles dão a falsa impressão de que a gravidez é comum nesses casos. No entanto, nenhuma criança é um “produto desprezível de um estupro ou incesto”, mas sim uma criação de Deus única e maravilhosa feita à sua imagem. Para uma mulher vitimizada, pode ser muito mais benéfico ter e carregar uma criança do que saber que uma criança morreu em uma tentativa de reduzir o seu trauma.
Quando Alan Keyes se dirigiu aos alunos do ensino médio em uma escola em Detroit, uma menina de treze anos de idade perguntou se ele faria uma exceção para o estupro em sua posição pró-vida. Ele respondeu com esta pergunta: “Se o seu pai estuprasse alguém, e nós o condenássemos por esse estupro, vocês acham que seria certo se, em seguida, nós disséssemos: ‘OK, pelo fato de seu pai ter sido culpado do estupro, nós mataremos você?” A classe respondeu: “Não”. Quando lhe perguntaram por que uma garota teria que passar por uma gravidez, quando algo tão horrível aconteceu com ela, com sabedoria, ele fez a seguinte analogia:
Vamos supor que os Estados Unidos se envolvessem em uma guerra quando você tivesse 19 anos. E, sabemos que, em guerras no passado, tivemos um recrutamento e as pessoas de sua idade eram recrutadas e enviadas para a guerra, certo? Então você teria que ser enviada. Você teria que viver em um campo de batalha. Você teria que arriscar a sua vida. E muitas pessoas, de fato, arriscam suas vidas, vivem em dificuldades todos os dias e, no final, elas morrem. Por quê? Elas estavam defendendo o quê? Nosso país e a sua liberdade. Elas tiveram que passar por dificuldades pela causa da liberdade, não é mesmo.
O princípio da liberdade é que nossos direitos vêm de Deus. Você acha que é errado pedir que as pessoas façam sacrifícios para manter o nosso respeito por esse princípio? ... Só que eu não acredito que seja certo pegar essa dor e torná-la pior... você sabe o que eu acrescento se eu permitir que se faça um aborto? Estou acrescentando o peso daquele aborto. E, em algum momento, a verdade de Deus que está escrita em seu coração retorna a você. E você é ferido por essa verdade.
Portanto, eu não acho justo, nem para a criança e nem para a mulher, deixar que esta tragédia tire a vida de ambos, a vida física da criança e a vida moral e espiritual da mãe. E nesta sociedade, eu acho que fazemos um mal terrível a ambos, porque não temos a coragem de nos posicionarmos a favor do que é verdadeiro. (ProLife Info Digest, 2 de fevereiro de 2000)
Em seu livro, Victims and Victors [Vítimas e Vencedores], David Reardon e associados trazem a experiência de 192 mulheres que ficaram grávidas como resultado de estupro ou incesto. Acontece que quando as vítimas da violência falam por si, a opinião delas sobre o aborto é quase unânime e exatamente o oposto do que a maioria poderia prever: quase todas as mulheres entrevistadas disseram que se arrependeram de abortar seus bebês concebidos através de estupro ou incesto. Dentre as mulheres que deram uma opinião, mais de 90 % disseram que desencorajariam outras vítimas de violência sexual a fazerem abortos. Nenhuma das que deram à luz uma criança expressou arrependimento.
A imposição de pena de morte ao filho inocente de um agressor sexual não traz nenhuma punição ao estuprador e nenhum benefício para a mulher. Criar uma segunda vítima nunca desfaz o dano causado à primeira. O aborto não traz a cura para uma vítima de estupro.
Os discípulos de Cristo não conseguiram entender como as crianças eram valiosas para ele, então eles repreendiam aquelas pessoas que tentavam trazê-las para perto dele (Lucas 18:15-17). Porém Jesus disse: “Deixai vir a mim os pequeninos e não os embaraceis, porque dos tais é o reino de Deus”. Ele considerou as crianças como parte do seu reino, e não uma distração.
A visão bíblica sobre os filhos é que eles são uma bênção e uma dádiva do Senhor (Salmo 127:3-5). No entanto, a cultura ocidental trata as crianças como obrigações. Temos de aprender a ver todas as crianças como Deus as vê, e devemos agir em relação a elas conforme ele nos manda agir. Devemos defender a causa do fraco e do órfão; manter os direitos dos pobres e dos oprimidos, salvar os fracos e os necessitados e libertá-los dos ímpios (Salmo 82:3-4).

Cristo afirmou que tudo o que fazemos, ou deixamos de fazer, aos filhos de Deus que são mais fracos e vulneráveis, nós fazemos, ou deixamos de fazer, a ele. No julgamento, “O Rei, respondendo, lhes dirá: Em verdade vos afirmo que, sempre que o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.” (Mateus 25:40).







TEMOS DUAS OU TRÊS PARTES? SOMOS CORPO, ALMA E ESPÍRITO OU CORPO, ALMA-ESPÍRITO?




Pergunta: "Temos duas ou três partes? Somos corpo, alma e espírito ou corpo, alma-espírito?"

Resposta:Gênesis 1:26-27 declara: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.”

Estes versos indicam que há algo que difere a humanidade de todo o resto da criação. Os seres humanos foram criados para ter um relacionamento com Deus e, por isto, Deus nos criou com aspectos materiais e imateriais. Os aspectos materiais são, obviamente, aqueles que são tangíveis: o corpo físico, órgãos, etc. e somente existem enquanto a pessoa estiver viva. Os aspectos imateriais são aqueles intangíveis: alma, espírito, intelecto, vontade, consciência, etc. Estas características existem além da duração da vida da pessoa.

Todos os seres humanos possuem as características materiais e imateriais em sua existência. É claro que todos têm um corpo, com carne, sangue, ossos, órgãos e células. Entretanto, são as qualidades intangíveis aquelas que são freqüentemente objeto de debate. O que dizem as Escrituras sobre elas? Gênesis 2:7 afirma que o Homem foi feito alma vivente. Números 16:22: “Mas eles se prostraram sobre os seus rostos, e disseram: Ó Deus, Deus dos espíritos de toda a carne, pecará um só homem, e indignar-te-ás tu contra toda esta congregação?” Este verso nomeia Deus como o Deus dos espíritos de toda a Humanidade. Provérbios 4:23: “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” 


 Este verso indica que o coração é central para as emoções e desejos da Humanidade. Atos 23:1: “E, pondo Paulo os olhos no conselho, disse: Homens irmãos, até ao dia de hoje tenho andado diante de Deus com toda a boa consciência.” Romanos 12:1-2: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.” Podemos ver que há vários aspectos da parte imaterial da humanidade, e que todos os seres humanos compartilham qualidades tanto materiais quanto imateriais. Esta lista de referências é apenas superficial.

Desta forma, enquanto muito desta discussão a respeito do aspecto imaterial da humanidade tem como foco a alma e o espírito, as Escrituras esboçam muito mais do que estes dois. De alguma forma, os aspectos mencionados acima (alma, espírito, coração, consciência e entendimento) são conectados e inter-relacionados. A alma e o espírito, entretanto, definitivamente são os aspectos imateriais principais da humanidade. 


 Eles provavelmente incluem os outros aspectos. Com isto em mente, a humanidade é formada por uma dicotomia (cortada em dois, corpo, alma/espírito) ou por uma tricotomia (cortada em três, corpo/alma/espírito). É impossível ser dogmático. 


 Há bons argumentos para ambas as visões. Um verso-chave é Hebreus 4:12: “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” Esta Escritura nos diz, pelo menos, duas coisas sobre este debate: (1) A alma e o espírito podem ser divididos. (2) A divisão da alma e espírito é algo que somente a Palavra de Deus pode discernir. Podemos ter certeza de que, como seres humanos, possuímos um corpo, uma alma, um espírito e muito mais! Entretanto, mais do que focalizar nesses aspectos, é melhor focalizar no Criador, porque por ele, “de um modo assombroso, e tão maravilhoso” fomos feitos (Salmos 139:14).








INTRODUZIR DANÇAS NOS CULTOS / CERTO OU ERRADO? 











Pergunta: "Bichos de estimação e animais vão para o Céu? Os bichos de estimação e animais têm alma?"

Resposta: 
A Bíblia não ensina especificamente se bichinhos de estimação ou animais têm ou não “alma” ou se vão ou não para o Céu. Entretanto, podemos aplicar alguns princípios gerais das Escrituras e sugerir uma explicação para o assunto. A Bíblia afirma que tanto homens (Gênesis 2:7) quanto animais (Gênesis 1:30; 6:17; 7:15,22) têm o sopro da vida. A diferença fundamental entre seres humanos e animais é que o homem é feito à imagem e semelhança da Deus (Gênesis 1: 26-27). Os animais não são feitos à imagem e semelhança de Deus. Isto significa que o ser humano é como Deus, apto a uma espiritualidade, com mente, emoção, vontade e uma qualidade em seu ser que continua após a morte. Se os bichos de estimação e os animais têm mesmo uma “alma” ou um aspecto imaterial, deve ser este, portanto, de uma “qualidade” diferente e inferior. Esta diferença provavelmente significa que a alma dos bichos de estimação e dos animais não permanece depois da morte.

Outro fator a considerar nesta questão é que Deus criou os animais como parte de Seu processo criativo no Gênesis. Deus criou os animais e disse que eram bons (Gênesis 1: 25). Por isso, não há razão para não haver a possibilidade de animais na nova terra (Apocalipse 21:1). Certamente haverá animais durante o reino milenar (Isaías 11:6; 65:25). É impossível afirmar categoricamente se alguns desses animais poderão ser os animais de estimação que tivemos aqui na terra. Nós sabemos que Deus é justo e que quando chegarmos ao Céu estaremos de completo acordo com Sua decisão sobre este assunto, qualquer que seja.








Há um mito que circula no meio evangélico que diz que os calvinistas não se preocupam em fazer evangelismo pessoal ou missões. Segundo os expoentes dessa lenda, isso ocorre porque os calvinistas creem na doutrina da predestinação e, uma vez que, segundo sua visão dessa doutrina, Deus já tem os seus eleitos a quem fatalmente irá salvar, não há nenhuma necessidade de evangelizar as pessoas, nem mesmo de orar para que alguém se converta.
Realmente, a soteriologia calvinista defende com unhas e dentes a santa doutrina da predestinação. E isso por uma razão muito simples: poucas doutrinas bíblicas são tão claras como essa. De fato, mesmo representando um atentado contra a orgulhosa lógica humana (Rm 9.19-21), a Bíblia é pródiga em suas afirmações referentes à soberania absoluta de Deus na salvação, que alcança graciosamente quem quer e endurece a quem lhe apraz (Jo 1.13Rm 8.29-30;9.18Ef 1.5). É somente por isso que os calvinistas não abrem mão desse ensino tão controvertido que os torna alvo de constantes acusações falsas.
A questão, então, permanece: essa aceitação da doutrina da predestinação não inibe o trabalho de evangelismo dos calvinistas? Surpreendentemente, a resposta é um enfático não. Aliás, é até o oposto o que acontece! Com efeito, tanto a Bíblia como a história do cristianismo mostram que a doutrina da predestinação tem se constituído num dos maiores incentivos à evangelização do mundo!
Considere-se, em primeiro lugar, o ensino bíblico. De que forma a Escritura destaca a eleição divina como um estímulo ao trabalho de pregação do evangelho? Basicamente, o texto sagrado faz isso de duas maneiras: afirmando que os eleitos de Deus estão espalhados pelas diversas comunidades ao redor do mundo; e ensinando que eles fatalmente atenderão à mensagem das Boas Novas em Cristo.
Jesus foi o primeiro a mostrar essas duas maravilhosas realidades. A certa altura do Evangelho de João, o evangelista conta que o Mestre fez uma intrigante afirmação: “Tenho outras ovelhas que não são deste aprisco[isto é, não são de Israel]. É necessário que eu as conduza também. Elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10.16). Em seguida, para mostrar que havia grande distinção entre esse grupo espalhado pelo mundo e as demais pessoas não escolhidas, ele dirigiu-se aos seus oponentes dizendo: “... vocês não creem, porque não são minhas ovelhas” (Jo 10.26). O Senhor ensinou, assim, que ele tem um povo espalhado pelo mundo, que as pessoas que compõem esse povo ainda estão por ser alcançadas, e que elas fatalmente atenderão ao convite da fé. Como um evangelista pode ser desencorajado diante disso?
Evangelho de João insiste nessas verdades também em seu Capítulo 11. Ali, o evangelista comenta algumas palavras pronunciadas pelo sumo sacerdote, dizendo: “Ele não disse isso de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação judaica, e não somente por aquela nação, mas também pelos filhos de Deus que estão espalhados, para reuni-los num povo” (Jo 11.51-52). É mais do que claro aqui que Deus tem “filhos” dispersos pelo mundo. Esses “filhos” ouvirão a mensagem da cruz e serão, afinal, reunidos num povo.
Ora, com essas concepções em mente, seria possível um evangelista desanimar? É claro que não! Na verdade, sabendo disso, o missionário trabalhará ainda mais confiante, ciente de que as ovelhas de Jesus, os “filhos de Deus que estão espalhados”, cedo ou tarde, seguirão o Bom Pastor; sim, amanhã ou depois, serão reunidos pelo Pai. Além disso, o obreiro que aceita essas verdades não se sentirá fracassado ou frustrado no ministério quando não crerem na sua pregação. Antes, entenderá que os que a rejeitaram fizeram-no por não serem ovelhas do Senhor e seguirá avante, certo de que as ovelhas com certeza ouvirão e o alvo do Pai de reunir seus filhos num só povo será finalmente alcançado. Poderia haver estímulo maior para o trabalho evangelístico?
Na história de missões, quem primeiro se sentiu estimulado por essas verdades foi o apóstolo Paulo. Isso aconteceu quando ele esteve pregando em Corinto, um foco tenebroso da multiforme religião pagã, centro cosmopolita marcado por excessos de imoralidade e por todo tipo de devassidão. Corinto, talvez fosse, ao mesmo tempo, o maior desafio e o mais terrível pesadelo de qualquer missionário cristão; uma boa desculpa para o abandono do trabalho evangelístico.
Paulo esteve ali em cerca de 50 a.D., por ocasião da sua Segunda Viagem Missionária (At 18.1-18). Logo de início, sua presença e mensagem despertaram a oposição da comunidade judaica local que trabalhou intensamente para dificultar ainda mais a obra missionária em Corinto (At 18.6,12-13). Paulo, porém, não desistiu. Onde o apóstolo encontrou estímulo para continuar sua obra num ambiente tão difícil? A resposta é surpreendente: ele foi incentivado pela doutrina da eleição! O texto bíblico diz que, certa noite, o Senhor apareceu a Paulo numa visão e disse: “Não tenha medo, continue falando e não fique calado, pois estou com você, e ninguém vai lhe fazer mal ou feri-lo, porque tenho muita gente nesta cidade” (At 18.9-10).
Durante os dias do seu ministério terreno, o Senhor havia dito que tinha outras ovelhas que viviam em vários apriscos fora de Israel. Agora, o mesmo Senhor se manifesta a Paulo revelando que muitas dessas ovelhas estavam em Corinto. O apóstolo não devia, portanto, recuar. A realidade de que as ovelhas já estavam ali, somente esperando ouvir a voz do Supremo Pastor, devia incentivá-lo. Elas atenderiam a pregação e seriam salvas. Paulo ouviu isso tudo e permaneceu firme. Foi assim que a santa doutrina da eleição fez o apóstolo perseverar por mais um ano e seis meses no trabalho missionário em Corinto (1Co 18.11).
Cerca de dez anos mais tarde, Lucas escreveu essa e outras histórias de Paulo na obra que recebeu o título de Atos do Apóstolos. Foi, talvez, por perceber que a doutrina da eleição servia como estímulo para a evangelização que Lucas fez questão de frisar, justamente numa obra de história de missões, que os que acolhiam a pregação de Paulo eram somente os que faziam parte do rebanho de Cristo espalhado pelo mundo. “... E creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna” (At 13.48), escreveu ele. Vê-se, assim, que o primeiro historiador da igreja aprendeu, por meio de suas pesquisas, que a eleição não somente estimula o trabalho do pregador, mas também garante o seu sucesso.
Conclui-se, assim, que, à luz da Bíblia, a doutrina da predestinação não desencoraja a obra missionária, fazendo exatamente o oposto. Deve-se, agora, observar como, em 2 mil anos de cristianismo, essa doutrina serviu como fonte de ânimo para os sucessivos propagadores da santa fé.
Se o argumento que diz que a doutrina da eleição desestimula a pregação do evangelho não se sustenta à luz da Bíblia, tampouco esse mito pode se manter de pé diante da análise histórica. Com efeito, se o ensino bíblico acerca da predestinação gerasse desmazelo no evangelismo, seus expoentes nada teriam feito em prol da expansão da fé e ficariam fechados dentro de suas igrejas, aguardando sua fatal extinção. No entanto, não é isso que se vê na história. Antes, um zelo ardente por missões moveu os expoentes da doutrina da eleição, conduzindo-os como pioneiros e mártires aos rincões mais distantes do mundo, sempre à procura das ovelhas dispersas que fatalmente ouviriam a voz do Pastor Divino.
O primeiro exemplo vem do próprio Calvino. Em suas Institutas da Religião Cristã, o grande reformador citou Agostinho de Hipona, dizendo:
“Porque não sabemos quem pertença ao número dos predestinados, ou não pertença, assim nos convém tratar que a todos queiramos venham a ser salvos. Assim acontecerá que, quem quer que seja que se nos haverá de deparar, esforcemo-nos por fazê-lo participante de nossa paz. Mas, nossa paz repousará somente sobre os filhos da paz (Mt 10.13Lc 10.6). Portanto, quanto a nós concerne, deverá ser a todos aplicada, à semelhança de um remédio... A Deus, porém, pertencerá fazê-la eficaz a quem preconheceu e predestinou” (AGOSTINHO DE HIPONA. De correptione et gratia, XIV-XVI. In CALVINO João. As Institutas ou tratado da religião cristã, III:XXIII, 14. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1989. Volume III, p. 426).
Calvino, contudo, não somente ensinou essas coisas. Ele também as pôs em prática. Uma prova disso está no fato de que, em Genebra, cidade onde atuou como pastor e estadista, foi criado, após 1545, o Fundo Francês,uma instituição que tinha como propósito central dar apoio material aos franceses pobres ali refugiados por causa da perseguição em sua terra natal. Calvino contribuía prodigamente para esse fundo e é provável que tenha sido um dos seus criadores. Ainda que os objetivos principais da instituição fossem no campo humanitário, é sabido que o Fundo Francês era também usado para fins missionários, sustentando pastores em Genebra que deveriam ser enviados à França.
É também preciso destacar que, em meados do século 16, havia em Genebra 38 tipografias, com cerca de 2 mil empregados, cujo trabalho dominante era imprimir literatura evangélica destinada aos países vizinhos, especialmente a França. Por conta disso, na década de 1540, Paris foi inundada pela literatura produzida em Genebra e as conversões começaram a ocorrer. Isso despertou a atenção e o desagrado do parlamento parisiense, o qual emitiu sucessivas listas de livros proibidos, nas quais eram incluídas quaisquer obras que expusessem ideias calvinistas. As gráficas de Genebra, porém, não paravam de lançar novos títulos, numa velocidade que o parlamento não podia acompanhar. Assim, as listas de livros censurados estavam sempre desatualizadas e as obras de Calvino continuavam a ser vendidas e lidas pelo povo francês.
Além disso, sendo impossível um controle absoluto sobre o comércio de literatura por parte das autoridades de Paris, os livros proibidos procedentes de Genebra eram vendidos no mercado negro. O resultado era que as conversões à fé evangélica não paravam de ocorrer na França. Os registros históricos apontam que, em 1562, dois anos antes de Calvino morrer, existiam pelo menos 1.250 congregações calvinistas naquele país, abrangendo mais de 2 milhões de membros! Foi, certamente, por causa desses extraordinários avanços que aVenerável Companhia de Pastores, outra instituição da Genebra de Calvino, enviou 151 missionários à França só no ano de 1561! (para mais detalhes, veja-se McGRATH, Alister. A vida de João Calvino. São Paulo: Cultura Cristã, 2004. p. 203-222).
A obra missionária de Calvino também abrangeu a fundação da Academia de Genebra (1559) criada para treinar pastores e suprir a demanda que o crescimento do número de igrejas impunha aos reformadores. Muitos alunos dessa academia eram estrangeiros refugiados (franceses, ingleses, holandeses, italianos e alemães) que, depois de formados, voltavam para seus países de origem ensinando o que ali haviam aprendido. Entre esses alunos esteve John Knox, o grande reformador escocês. Foi assim que a escola fundada por Calvino tornou-se um grande centro missionário, irradiando a fé evangélica para o mundo inteiro.
É preciso ainda lembrar que os primeiros missionários protestantes que chegaram ao Brasil foram enviados precisamente por João Calvino. Eles vieram, a pedido de Nicolas Durand de Villegaignon (1510-1571), com o objetivo de ensinar a fé reformada aos colonizadores franceses do Rio de Janeiro e evangelizar os indígenas. O grupo chegou em março de 1557, mas, menos de um ano depois, foi expulso devido a conflitos doutrinários com Villegaignon. Esses conflitos resultaram na produção da Confissão de Fé da Guanabara (1558), um documento de orientação reformada escrito por cinco calvinistas leigos aprisionados por Villegaignon. Desses cinco, quatro foram estrangulados, pondo fim ao trabalho missionário de Calvino no Brasil (mais informações sobre os calvinistas enviados de Genebra ao Brasil, bem como acerca do conteúdo da Confissão de Fé da Guanabara, veja-se NASCIMENTO, Adão Carlos e MATOS, Alderi Souza de. O que todo presbiteriano inteligente deve saber. Santa Bárbara d’Oeste: SOCEP, 2007. p. 39-48).
No século 17, o Brasil, mais uma vez, foi cenário da atividade missionária calvinista. Isso aconteceu como resultado indireto dos conflitos políticos entre Espanha e Holanda. Movido por esses conflitos, Filipe II, da Espanha, proibiu as relações comerciais entre os holandeses e todas as áreas de dominação espanhola, o que abrangia a América do Sul. Nessa época, a Holanda dominava a distribuição de açúcar na Europa e não podia abrir mão do comércio com a empresa açucareira nordestina. Por isso, em 1621, foi criada a Companhia das Índias Ocidentais, com sede em Amsterdã, cujo objetivo era a exploração mercantil na América.
A companhia promoveu duas invasões holandesas ao Brasil: uma na Bahia (1624-1625) e outra em Pernambuco (1630-1654). Esta última foi a mais bem sucedida e, para garantir a paz e os seus interesses no Brasil, a companhia enviou um representante, o conde João Maurício de Nassau, que governou o Brasil Holandês de 1637 a 1644.
Maurício de Nassau era crente, membro zeloso e assíduo frequentador da Igreja Cristã Reformada. Seu governo foi brilhante, cobrindo uma área que ia do Sergipe até o Maranhão. Ocorreu, porém, que a Companhia das Índias passou a adotar políticas que desagradavam os senhores de engenho, exigindo o pagamento imediato de empréstimos e impondo certos limites à liberdade religiosa. Quando, então, Nassau pediu demissão de seu cargo, iniciou-se a luta contra os holandeses. A chamada Insurreição Pernambucana (1645-1654) resultou na expulsão dos invasores que passaram a produzir açúcar nas Antilhas.
Foram os holandeses que trouxeram para o Brasil a igreja calvinista. Seu nome oficial era Igreja Cristã Reformada e contava com 22 congregações locais espalhadas pelo Brasil Holandês. Ela adotava confissões de fé calvinistas, além de outros credos ortodoxos antigos, e realizou uma intensa obra missionária, especialmente entre os índios. O primeiro pastor dessa igreja a se envolver com a evangelização dos nativos foi Vincentius Joaquimus Soler. A princípio, ele pregou na aldeia Nassau, no Recife (atual Bairro das Graças) e somente mais tarde, a pedido dos nativos da capitania da Paraíba, dedicou-se à evangelização dos índios. Cabe, porém, a David Doreslaer, cujo trabalho iniciou-se em 1638, o título de primeiro pastor missionário de tempo integral entre os nativos do Brasil.
O trabalho missionário dos calvinistas holandeses cresceu muito, a ponto de, em 1641, ser celebrada a primeira Ceia do Senhor na aldeia do cacique Pedro Poti. Várias tribos pediam que a Igreja Cristã Reformada lhes enviasse pregadores e congregações indígenas foram abertas. Até os antropófagos tapuias pediram o envio de missionários. Infelizmente, nem sempre essas solicitações podiam ser atendidas, até mesmo em virtude da instabilidade decorrente dos conflitos entre Holanda, Espanha e Portugal. Apesar disso, 17% do trabalho pastoral era dedicado aos índios, graças, inclusive, à iniciativa pessoal de vários ministros que viam a pregação aos nativos como parte obrigatória do seu ministério.
Em seu trabalho, os pastores calvinistas ganhavam a confiança dos nativos dando-lhes assistência social (remédios, alimentos, proteção, etc.), traduziam partes da Escritura para o tupi, produziam literatura reformada em português e em tupi, primavam pela educação e formação de professores índios (alguns se tornaram “consoladores” ou evangelistas) e zelavam não somente pelo ensino doutrinário, mas também pelo ideal de santidade que deve acompanhar a fé. De fato, o puritanismo holandês via a Bíblia como norma de fé e prática (norma credendi et agendi) e isso foi transmitido aos índios.
Infelizmente, com a expulsão dos holandeses do Brasil, em 1654, a Igreja Cristã Reformada também partiu. Os índios convertidos foram incluídos no “Perdão Geral” promulgado pelos portugueses. Contudo, sem acreditar nesse perdão, os índios membros da primeira igreja evangélica verdadeiramente brasileira fugiram para a Serra de Ibiapaba, no Ceará, a 750 km do Recife. O local tornou-se, então, o que o padre jesuíta Antonio Vieira chamou de “Genebra de todos os sertões do Brasil”, repleta de índios calvinistas que consideravam o catolicismo uma fé falsa.
No mesmo ano da expulsão dos holandeses, os índios da Serra de Ibiapaba enviaram uma pequena delegação a Holanda, suplicando socorro em prol do povo que havia abraçado a fé calvinista. Porém, a Igreja Cristã Reformada viu-se atada pelas negociações de paz entre Portugal e Holanda e não enviou auxílio. Por isso, a igreja indígena morreu. Aos poucos, seus membros foram novamente submetidos a Roma ou massacrados como hereges. Foi assim que terminou um dos capítulos mais belos da história da igreja reformada no Brasil; e esse capítulo prova quão falaciosa é a acusação de que os calvinistas não se importam com a evangelização dos povos sem Deus. (A obra mais completa sobre o tema, escrita em português, é, sem dúvida, a de Franz Leonard Schalkwijk: Igreja e Estado no Brasil Holandês: 1630-1654. São Paulo: Vida Nova, 1989. O autor é pastor reformado holandês e ministrou muitos anos no Brasil, tendo realizado profundas pesquisas tanto aqui como em sua terra natal).
As provas históricas do empenho evangelístico dos calvinistas são inumeráveis. Porém, para concluir esse assunto, é suficiente apontar somente mais dois personagens: George Whitefield e Charles Haddon Spurgeon, sem dúvida os maiores pregadores de todos os tempos, ambos fervorosos expoentes da fé reformada, com sua ênfase na doutrina da predestinação dos santos (Informações mais completas sobre George Whitefield podem ser obtidas em LLOYD-JONES, D.MOs Puritanos: suas origens e sucessores. São Paulo: PES, 1993).
George Whitefield nasceu em Gloucester, na Inglaterra, em 1714, e morreu em Newbury Port, nos Estados Unidos, em 1770. Ele viveu menos de sessenta anos, mas dificilmente a história poderá mostrar um homem mais zeloso no trabalho de proclamação das Boas Novas aos perdidos. De fato, Whitefield foi o maior pregador da Inglaterra no século 18 e, certamente, um dos mais notáveis evangelistas de todos os tempos. Com certeza, ele foi o principal líder do Grande Avivamento evangélico que varreu a Inglaterra há mais de duzentos anos.
Whitefield começou a pregar em 1736 e, já no ano seguinte, era capaz de reunir grandes multidões em Londres dispostas a ouvi-lo. A ele cabe a honra de ter sido o primeiro evangelista da igreja moderna a pregar ao ar livre, rompendo antigas tradições eclesiásticas em prol da expansão da fé. Whitefield usou essa estratégia pela primeira vez em 1739, motivado pelas terríveis informações que lhe chegaram acerca da vida depravada dos trabalhadores das minas de carvão que viviam numa vila perto de Bristol. A princípio ele pregou ao ar livre para um grupo de cem homens daquela vila, mas seu impacto foi tão grande que logo o número passou para 5 mil, superando mais tarde os 20 mil ouvintes. Aquelas pessoas nunca tinham entrado numa igreja e, mesmo cansadas e sujas em virtude do trabalho nas minas de carvão, não iam para casa, preferindo ficar de pé ouvindo a pregação de Whitefield.
A partir de então e até o fim da vida, Whitefield se dedicou à pregação em lugares abertos, alcançando dezenas de milhares de pessoas tanto na sua terra natal como na Escócia, onde esteve catorze vezes. A partir de 1738, Whitefield fez também diversas viagens aos Estados Unidos a fim de pregar o evangelho ali.  Ele morreu durante sua sétima visita àquele país. Sua coragem em atravessar o oceano treze vezes em suas idas e vindas à América, enfrentando todos os perigos que essa viagem representava no século 18, mostra o zelo missionário desse pastor calvinista que, em 34 anos de ministério, pregou cerca de 18 mil sermões!
Proclamando suas mensagens ao ar livre ao longo de toda a vida, Whitefield enfrentava qualquer situação, mesmo as mais difíceis. Frio, calor, chuva e neve, nada disso o impedia de anunciar a Palavra às multidões que, também sob essas condições se ajuntavam para ouvi-lo. Ele pregava cerca de seis vezes por dia e fez isso por mais de três décadas! Não tinha descanso no trabalho, submetendo seu corpo a severas tensões. Foi por isso que, extremamente exausto, após árduos esforços para pregar uma última vez, faleceu em Newbury Port, Massachusetts, com apenas 56 anos de idade.
Ninguém mais do que George Whitefield provou como a fé calvinista move o crente ao evangelismo. Sendo árduo defensor da doutrina da eleição soberana de Deus, ele foi um evangelista incomparável, superando todos do seu tempo no nobre trabalho de alcançar os escolhidos do Senhor. Whitefield pregou para a aristocracia inglesa, para os homens humildes do campo e das minas e para as crianças dos orfanatos, tanto em sua terra natal como em regiões distantes dali. A fé reformada não o desencorajava. Muito pelo contrário. Foi essa fé que se constituiu na base de todo o seu empenho, por décadas a fio, até a morte. Hoje, os que dizem que calvinistas não evangelizam, devem estudar a vida de George Whitefield. Isso, certamente, os fará mudar de opinião!
Uma dramática mudança de opinião acerca do zelo evangelístico calvinista também ocorrerá no crítico da fé reformada que estudar a vida de Charles Haddon Spurgeon (1834-1892), notável pastor batista inglês conhecido como o “Príncipe dos Pregadores” (sobre a vida de Spurgeon, leia Gigantes da fé, de Franklin Ferreira, publicado pela Editora Vida, páginas 270 a 278).
Mesmo pertencendo a uma família de tradição protestante e sendo criado sob a forte influência de seu avô, um pastor congregacional, Spurgeon só se converteu realmente aos dezesseis anos de idade. Logo no início de sua vida cristã, ele mostrou grande preocupação pelas almas, dedicando-se à distribuição de folhetos, ao ensino na escola dominical e, eventualmente, à pregação. Aos poucos, porém, suas habilidades como comunicador da Palavra de Deus começaram a aflorar e Spurgeon viu sua fama de pregador crescer quando ainda era bem jovem.
Em 1852, ele se tornou pastor e, dois anos depois, assumiu o ministério na Capela Batista de New Park Street, em Londres. Seu desempenho ali como pregador e evangelista atraiu tantas pessoas que as ruas ao redor da igreja logo se tornaram intransitáveis por conta da multidão que afluía para ouvir o jovem pastor. Em pouco tempo, a igreja teve de se mudar para Newington, onde, em 1861, foi construído o Tabernáculo Metropolitano, que abrigava cerca de 12 mil pessoas. O local ficava repleto de homens e mulheres desejosos de ouvir os sermões ardentes de Spurgeon que anunciava o Evangelho com uma paixão e clareza nunca vistas em nenhum outro pregador daqueles dias.
Charles Spurgeon era calvinista convicto e seus sermões são prova cabal desse fato (no Brasil, os sermões de Spurgeon têm sido publicados especialmente pela Editora Fiel e pela PES: Publicações Evangélicas Selecionadas). Defendendo vigorosamente a doutrina da predestinação dos santos e a eleição incondicional, ele foi, ao mesmo tempo, um zeloso evangelista de renome mundial, pregando em diversos países da Europa, tanto em igrejas ou em amplos salões como ao ar livre. Ele pregava de oito a doze vezes por semana e chegou a falar para um público de mais de 23 mil pessoas, no Crystal Palace, em Londres.
Tantas foram as pregações de Spurgeon que, quando seus sermões passaram a ser publicados, a partir de 1855, a obra abrangeu 63 volumes, com mais de 3.500 homilias. Desejoso de que a mensagem de Cristo alcançasse o maior número possível de pessoas, Spurgeon se esforçava para que as publicações dos sermões fossem semanais, revisando ele próprio os textos antes que chegassem ao público. Como resultado dessa imensa obra evangelizadora, Spurgeon batizou cerca de 15 mil pessoas ao longo de quarenta anos de ministério pastoral. Mais tarde, seus sermões foram traduzidos para diversos idiomas, transformando vidas em todo o mundo.
Sempre preocupado com a divulgação da mensagem cristã, Spurgeon também começou um trabalho de treinamento de evangelistas e pastores, o que deu origem ao posteriormente chamado Spurgeon’s College. Essa instituição existe até hoje, adotando a mesma visão do seu fundador e formando evangelistas, missionários e pastores.
Charles Spurgeon adotava uma concepção ortodoxa das Sagradas Escrituras e, por isso, passou a ser fortemente criticado pelos membros liberais da União das Igrejas Batistas da Inglaterra da qual sua igreja fazia parte. Por causa disso, em 1887, ele se desligou da união e, sob severa oposição, viu sua saúde minguar. Spurgeon tinha gota, reumatismo e uma enfermidade crônica degenerativa incurável chamada Doença deBright. Ele morreu aos 57 anos. Grandes cortejos foram realizados em Londres por ocasião de seu sepultamento no cemitério de Norwood. Naquele dia, 31 de janeiro de 1892, o Senhor tomou para si um dos maiores evangelistas de todos os tempos.
Quem conhece a vida e os sermões de Spurgeon vê quão grande é o impulso que a doutrina da eleição incondicional dá ao evangelismo. Nota-se que, encorajado pelo precioso ensino acerca da predestinação dos santos, os homens de Deus se lançam com maior empenho na busca daqueles que o Senhor escolheu e trazem para o seio da igreja os convertidos verdadeiros em quem a graça de Deus realmente atuou.
Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria












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— João Crisóstomo