"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

* Resumos e Resenhas

ÍNDICE DOS LIVROS

* História da Evangelização do Brasil dos Jesuítas aos Neopentecostais / Elben M. Lenz 
* Os Atos dos Apóstatas / Luciano Silva 
* Super Crentes / Paulo Romeiro 
* Cristianismo e Liberalismo / John Gresham Machen 
* Escravo / John MacArthur 
* Uma Vida Voltada para Deus / John Piper 
* O Contrabandista de Deus / Irmão André
* O Perigo da Obsessão / Watchman Nee 
* O Evangelho Maltrapilho / Brennan Manning 
* O Plano Mestre de Evangelismo / Robert E. Coleman 
* Esgotamento Espiritual / Malcolm Smith 
* O Que Você Precisa Saber Sobre Batalha Espiritual / Augustus N. Lopes 
* Maravilhosa Bíblia / Eugene Peterson
* Evangélicos Em Crise / Paulo Romeiro 
* Introdução à Antropologia Missionária / Ronaldo Lidório 
* O Fator Melquisedeque / Don Richardson 



 
HISTÓRIA DA EVANGELIZAÇÃO DO BRASIL
DOS JESUÍTAS AOS NEOPENTECOSTAIS


O autor Elben M. Lenz Cesár, nos diz : A História da evangelização do Brasil não é adaptação de uma dissertação acadêmica. Quer dizer não é um trabalho científico. Estamos focalizando mais os instrumentos humanos dos quais Deus se serviu de uma maneira e outra do que as instituições que eles fundaram ou trouxeram para o Brasil ao correr dos 500 anos de história, a partir da ocupação portuguesa. Nem todos pensavam e agiam do mesmo modo, quase nunca trabalharam lado a lado, não foram unânimes na exegese bíblica, cometeram erros de estratégia missionária.

Todavia, ninguém pode negar que esses missionários e missionárias, europeus e americanos do norte, amavam a Deus acima de tudo, deram-lhe suas vidas e trouxeram para cá o evangelho de Jesus, promovendo e ampliando o reino de Deus.A História da evangelização do Brasil persegue dois notáveis desafios missionários, o primeiro é católico, o outro é protestante. Os missionários católicos esforçaram para batizar o maior número possível de indígenas, negros e crianças brasileiras, os missionários protestantes esforçaram-se para anunciar o sacrifício vicário de Jesus ao maior número possível de brasileiros.

Bispo abençoa a armada de Pedro Álvares Cabral, religiosidade é o que não faltava aos portugueses na época da “descoberta” do Brasil. O próprio capitão-mor da armada de dez naus e três caravelas, que transportava para Índia cerca de 1.350 homens, era cavaleiro da Ordem de Cristo. Ao depararem a costa brasileira, chamaram de Monte Pascoal a pequena elevação isolada (536 metros) que avistaram dos navios, situada a 50 quilômetros do mar, no litoral da Bahia. No quarto dia depois da “descoberta”, no domingo 26 de abril, Dom Henrique Soares de Coimbra celebrou a primeira missa em território brasileiro.

Cabral participou da cerimônia carregando a consigo a bandeira de Cristo. A religiosidade portuguesa da época incluía uma consciência missionária generalizada e bem arraigada. O rei Dom João III, filho de Dom Manuel I, lá pelo ano de 1549, confessou a Tomé de Sousa, primeiro governador do Brasil, que a principal coisa que o moveu a povoar as terras descobertas era “para que a gente delas se convertesse à nossa santa fé católica”. A aliança estreita e indissolúvel entre a cruz e a coroa, o trono e o altar, a fé e o império, era uma das principais comuns aos monarcas ibéricos, ministros e missionários em geral.

Embora tenha algum valor, a religiosidade precisa da companhia de frutos verdadeiros. Basta lembrar Israel em determinadas ocasiões, quando expressão litúrgica era mais visível do que a obediência aos mandamentos. Dom Emanuel I engaveta o desafio missionário de Pero Vaz de Caminha O primeiro desafio missionário em favor do Brasil tem a idade do país: 500 anos, trata-se de Pero Vaz de Caminha, nomeado escrivão da feitoria de Calicute, na Índia , em 1499. Depois de descrever a exuberância da terra com entusiasmo, o ex-vereador do Porto declara: “O melhor fruto que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente.

O entusiasmo de Caminha pela evangelização dos indígenas assenta-se, em parte, numa impressão demasiadamente otimista e simplista que teve dos nativos por ocasião da segunda missa campal: os índios ajudaram a carregar a cruz para o local designado e imitaram os portugueses durante o ofício religioso, ajoelhando-se, pondo-se em pé, levantando as mãos para o alto e olhando atentamente para o celebrante. Para o escrivão de Calicute, o peixe já estava quase na rede. Faltava apenas o clérigo para os batizar! Menos de dois meses depois, a carta de Pero Vaz de Caminha chegou a Portugal levada pela nau de Gaspar de Lemos o apelo missionário nela contido não causou impacto em Dom Emanuel I , o documento foi parar nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, permaneceu desconhecido por quase 300 anos.

Se a carta de Caminha tivesse sido publicada, certamente não seria necessário esperar 49 anos pela chegada da primeira leva de missionários estáveis, aqueles que vieram com Tomé de Sousa, o primeiro governador do Brasil, em março de 1549. Enquanto os indígenas do Brasil esperavam o clérigo solicitado em caráter de urgência na carta de Pero Vaz de Caminha, a Europa mudou muitíssimo, principalmente no que diz respeito à religião. No período de 50 anos, de 1500 a 1549, sete papas passaram pelo Vaticano. Em média, cada um deles reinou sete anos.

Com raras exceções, esses papas não honraram o nome de Deus nem o cargo que ocupavam. A começar com papa da “descoberta” do Brasil, Alexandre VI, que se relacionou com uma senhora da nobreza romana. Foi nesse ambiente de profunda decadência doutrinária e moral que surgiram, quase simultaneamente, alguns movimentos espontâneos de reforma religiosa em vários países da Europa. Na verdade, esses esforços de reforma da igreja começaram bem antes da expedição de Cabral, com João Wycliffe, na Inglaterra e João Huss, na Tchecoslováquia.

Trata-se da Reforma da Protestante, levada a cabo por homens como Martinho Lutero, Úlrico Zuínglio, Filipe Melâncton, João Calvino e João Knox. Para atender a demanda da reforma interna e, principalmente para fazer frente à Reforma Protestante, a Igreja Católica Romana provocou a sua própria reforma, conhecida pelo o nome de Contra-Reforma, também chamada de Reforma Católica ou Renascimento Católico. Os três grandes instrumentos da Contra-Reforma foram a Sociedade de Jesus (1540), inquisição Romana (1542) e o Concílio de Trento (a partir de 1545).

Os seis primeiros missionários a virem para o Brasil, em março de 1549, eram da Companhia de Jesus, fundada nove anos antes. A essa altura, já se fazia necessária a distinção entre missionários católicos romanos e missionários protestantes, pois seis anos depois (1555) chegariam ao Rio Janeiro os primeiros missionários reformados. Com a “descoberta” do Brasil, o clero europeu mais sintonizado com a ordem de evangelização mundial, dada por Jesus, foi obrigado a reconhecer que havia muito mais gente para ouvir o anúncio do evangelho do que eles pensavam.

Os indígenas não tinham deuses certos nem ídolos, mas eram religiosos, nada sabiam da unicidade de Deus, nem de sua santidade, soberania, amor e graça. Nunca ouviram falar sobre Jesus, sua concepção sobrenatural, seus ensinos seus milagres, sua morte e ressurreição, sua ascensão e volta. Eram, para todos os efeitos, povos não alcançados pelas boas novas da salvação em Cristo Jesus. O que mais chamou atenção dos portugueses foi a nudez dos indígenas. A nudez foi interpretada como ausência de pecado e aquela terra, como “um Éden não violado”.

Filho da nobreza basca e consagrado pelos pais ao ministério cristão, Inácio de Loyola só se converteu em 1521, aos 30 anos, depois de ler a vida de Jesus e dos santos, e enquanto se convalescia de ferimentos sofridos numa batalha. Em seguida, passou onze meses em oração e jejuns, aos 52 anos, publicou os seus Exercícios espirituais. Embora Loyola ressaltasse mais a qualidade do que a quantidade a Companhia de Jesus cresceu rapidamente. Eram contemporâneos de Loyola e a ele subordinados os seis jesuítas que desembarcaram na Bahia no dia 29 de março de 1549, os chefes dos jesuítas era Manoel da Nóbrega.

Muitos outros jesuítas vieram para o Brasil depois da primeira leva. Os mais notáveis são: José de Anchieta (1534-1597), Antônio Vieira (1608-1697), e Pedro Dias (1622-1700), Anchieta é “o apostolo do Brasil”, Vieira o notável pregador, e Pedro Dias, “o São Pedro Cláver do Brasil”. Ao chegar ao Brasil, na segunda metade do século XVII, o missionário europeu encontrava muitos desafios pela frente: Muito chão. A extensão territorial do novo campo missionário era enorme. Muitas migrações. As gentes para evangelizar provinham de três grandes migrações: da Ásia , da Europa, da África. Muitas etnias.

Haviam uma diversidade enorme de etnias indígenas. Muita distância. Os indígenas se encontravam totalmente dispersos, ocupando o litoral de norte a sul e o interior do país, de leste a oeste. Muitas línguas. A comunicação era um problema quase intransponíveis por causa da diversidade de línguas. Muita tentação. A dificuldade natural de conviver com respeito e castidade com a nudez das índias era uma situação absolutamente nova para os europeus. Muitos perigos. Em 1556, o navio em que viajava Pero Fernandes Sardinha, o primeiro bispo do Brasil, que também fora colega de Calvino na Universidade de Paris, naufragou no litoral de Alagoas.

Muito desconforto. Embora ensolarado e exuberante, o campo missionário não oferecia nenhum conforto, por causa do calor, das doenças tropicais, dos animais selvagens e dos insetos. Muito pecado. Os brancos que haviam fixado residência e os que passavam certo período de tempo aqui eram, com raras exceções, pessoas de baixo padrão moral. Muita injustiça. O sentimento de superioridade étnica do europeu aliado ao seu poder econômico e militar causou inomináveis barbáries, especialmente no Brasil colônia. Índios eram perseguidos escravizados e exterminados.

Muitas desvantagens. Os primeiros brasileiros eram todos mamelucos, filhos de pai branco e mãe índia. E como as crianças eram criadas pela mãe, meninos e meninas de sangue mestiço eram educados na cultura e crenças nativas, não na fé cristã. Para enfrentar tão grande e diversificado desafio da janela Brasileira, seria de bom alvitre o envio de missionários escolhidos. Todavia, nem todos os missionários e clérigos que vieram para o campo missionário brasileiro eram de “provada virtude”. No dia 9 de fevereiro, o homem forte da França Antártica mandou estrangular e lançar ao mar os quatros signatários de uma confissão de fé reformada.

Jean de Bourdel, Matthieu Verneuil, Pierre Bourdon e André La Fon. André La Fon na última hora foi poupado. Os outros três tornaram-se os primeiros mártires evangélicos do continente. Em 1538, onze anos da chegada dos primeiros jesuítas, o Brasil já era um dos maiores e mais difíceis campos missionários do mundo. Isso porque, além das várias centenas de etnias indígenas encontradas no país, naquele ano começaram a chegar levas e mais levas de africanos na qualidade de escravos. Uma vez aqui, os escravos eram automaticamente batizados e recebiam nomes portugueses, acompanhados do nome da nação de origem. O número de escravos e o número de missionários católicos cresceram na mesma época.

José de Anchieta é de fato um dos maiores nomes da evangelização do Brasil. Nascido na ilha de Tenerife, a maior das Canárias, Anchieta veio para cá como noviço em 1553, aos 19 anos, depois de ter iniciado seus estudos na Universidade de Coimbra. Meio parente de Inácio de Loyola, o fundador da ordem dos jesuítas. Anchieta tinha 12 anos quando Lutero morreu e 30 quando aconteceu o mesmo a Calvino. O jesuíta escreveu a Gramática da língua mais usada na costa do Brasil e o catecismo bilíngüe (tupi e português). Escrito para doutrinar os colonos portugueses e os indígenas, principalmente as crianças, o Diálogo da fé tem 616 perguntas e respostas. Das 616 perguntas, 168 ( mais de 25%) invocam os acontecimentos da sexta-feira santa, desde a saída de Jesus do cenáculo até o sepultamento.

Nas sete primeiras, Anchieta deixa claro que Jesus morreu por sua própria vontade para tomar possível o perdão de Deus. Depois fala sobre a agonia do Getsêmani e dos encontros de Jesus com Anás, Caifás, Pilatos e Herodes. Contra a traição e o suicídio de Judas até o lugar da Caveira e sua crucificação, não se esquecendo da conversão de um dos ladrões e dos fenômenos ocorridos ali. Não menciona o rompimento do véu do templo. Todavia, causa uma desagradabilíssima surpresa a omissão de Anchieta quanto à ressurreição de Jesus. É claro que Anchieta cria na ressurreição gloriosa de Jesus, mas de fato, não a mencionou em parte alguma de seu catecismo.

José de Anchieta morreu no dia 9 junho de 1597, aos 63 anos numa pequena colina na cidade hoje denominada Anchieta no Espírito Santo. No dia 20 de setembro de 1634 um brasileirinho foi batizado em uma igreja protestante de Recife. A criança chamava-se Domingos Fernandes Filho e os pais, Bárbara Cardosa e Domingos Fernandes Calabar. Ao redor da pia batismal encontravam-se o oficiante, os pais, o alto conselheiro, almirante e uma senhora da alta sociedade. Parecia um encontro internacional, pois entre eles havia holandeses, alemães, poloneses, portugueses e brasileiros.

Esse Calabar era membro da Igreja Cristã Reformada, muito estimado pelos estrangeiros na orla litorânea que ia a Pernambuco ao Rio Grande do Norte e muito odiado pelos luso-brasileiros que vivam mais no interior. Tão odiado que, em julho de 1635, dez meses depois do batismo do filho, Calabar foi apanhado, estrangulado pelas forças de Matias de Albuquerque. Como explicar essa estranha presença protestante no Nordeste brasileiro 130 anos depois da descoberta do Brasil e 63 anos depois da expulsão dos franceses do Rio de Janeiro?

Embora tenha desenvolvido um trabalho missionário principalmente entre os indígenas, a Igreja Reformada Holandesa se estabeleceu no Nordeste brasileiro não como resultado do anúncio do evangelho. Ela foi transplantada para cá por ocasião da ocupação holandesa, em 1630, e desapareceu em seguida à expulsão dos invasores, em 1654. Durou menos de um quarto de século. A ocupação do Nordeste brasileiro fazia parte de uma guerra contra a Espanha, uma guerra chamada então de guerra religiosa, guerra justa e guerra mundial. Mundial porque era contra o poderoso Felipe IV. “o rei do planeta” e porque envolvia tropas holandesas, francesas, inglesas, alemãs, polonesas e outras.

No período áureo do Brasil holandês, tanto para os holandeses como para os luso-brasileiros, durou oito anos e está compreendido entre janeiro de 1637 e maio de 1644. Coincide com o governo do Conde João Maurício de Nassau-Siegen, membro e freqüentador assíduo da Igreja Reformada. Quando Nassau se retirou, até os portugueses pediram a sua permanência. Em junho de 1645, um ano depois da retirada de Nassau, mais de 200 soldados holandeses e índios potiguares mataram o padre André de Soveral e outros setenta fiéis durante a missa dominical realizada na capela Nossa Senhora das Candeias, município de Canguaretama, no Rio Grande do Norte. No Brasil holandês, dava-se muita importância à fé e à conduta dos fieis.

Era o reflexo da Reforma Protestante de 100 anos atrás e um movimento mais recente conhecido como puritanismo holandês. A Bíblia era a norma credenti et agendi, isto é norma de fé e comportamento. Era preciso tratar os escravos com mais humanidade, era preciso cuidar das viúvas e dos órfãos, era preciso proteger o meio ambiente. Era preciso observar os domingo, era preciso conhecer de perto os dez mandamentos da lei de Deus, era preciso consolar os doentes, era preciso dar alguma liberdade de culto aos não-protestantes, era preciso controlar a taxa de juros, era preciso ter momentos de lazer (pois “trabalhar demais era roubar a si mesmo”).

Era preciso aproximar-se da Mesa de Senhor prévia e devidamente preparado etc. Com algumas exceções, a presença da Igreja Católica Romana nos três primeiros séculos da história do Brasil foi um desastre. Porque dominava sozinha o panorama religioso, a igreja não era forçada a enxergar e a corrigir os erros. Nos aspecto quantitativo, ela não tinha nada a perder porque ainda não havia outras opções religiosas dentro do cristianismo. O primeiro grande erro cometido pela igreja em Portugal foi demora em enviar missionários para evangelizar os 1,5 milhão de indígenas que haviam no Brasil na época da ocupação portuguesa e padres para pastorear os brancos que vieram para cá.

É verdade que diversos religiosos franciscanos estiveram aqui por algum tempo da chegada definitiva da primeira missão jesuítas, em 1549. Foram 50 anos jogados fora, por causa da preocupação de Roma com a Reforma Protestante na Europa e por causa dos interesses de Portugal nas Índias. A situação do clero no início do século XVI era dramática. O problema vinha dos dois últimos séculos. Foi uma das causas da Reforma Protestante e da Contra-Reforma Católica. Não havia vocação, não havia preparo e não havia moral. O sacerdócio era um meio de vida.

Não podendo se casar por causa da lei do celibato obrigatório, o sacerdote simplesmente se ajuntava com uma escrava. Às vezes não havia falta de padres – o que faltava era a santidade do ministro. Há uma grande diferença entre os batismos realizados por João Batista na circunvizinhança do rio Jordão e os batismos realizados pelos missionários católicos no Brasil colônia. O precursor de Jesus dificultava o batismo, exigindo arrependimento e mudança de comportamento (Lc 3.1-14). O missionário europeu aplicava o batismo com muita facilidade, não necessariamente porque o candidato se tornara cristão, mas para que ele se tornasse cristão.

O número de indígenas batizados logo no início é muito grande. No período de oito anos, entre 1558 e 1566, os jesuítas teriam batizado entre 12 e 15 mil índios. Havia uma distorção do significado do batismo, o que se vê nesta carta de Anchieta: “Os que em toda esta província foram este ano, pelo trabalho dos nossos, arrancados à impiedade e purificados pelo batismo chegam a 2 mil (tal é a bondade de Deus).” O que purifica o pecador de seus pecados é o sangue de Jesus Cristo, isto é o seu sacrifício expiatório (1 Pe 1.17-21; 1 Jo 1.7), e não o batismo em si.

Por incrível que pareça, não havia nem imprensa, nem universidade no Brasil nos três primeiros séculos de sua história, o que significa dizer que não havia livros. A Bíblia era propriedade dos padres e de mais alguns poucos privilegiados. A censura proibia a posse e a circulação de livros religiosos sem a aprovação de autoridades eclesiástica. A igreja não conseguiu manter separadas as crenças ameríndias e africanas de um lado e a fé cristã de outro. Elas se uniram e geraram um cristianismo diferente do cristianismo original. Por causa da ausência de missionários, por causa má qualidade moral e espiritual da maior parte dos padres.

Por causa do conúbio da evangelização com a colonização, por causa do triunfalismo dos batismos em massa, por causa da inexistência e escassez de Bíblias e literatura religiosa. Logo no início do século XIX, mais precisamente em 1805, 300 anos depois da descoberta do Brasil, um navio de bandeira inglesa que estava de viagem para a Índia pela mesma rota de Cabral. Um dos passageiros, de 24 anos, chamava-se Henry Martyn, ia para Índia na qualidade de missionário, onde em menos de sete anos, traduziria o Novo Testamento e o livro comum de oração para o hindustani.

Martyn ficou surpreso com a quantidade de cruzes em Salvador e registrou em seu apreciadíssimo diário. Até então a evangelização do Brasil estava nas mãos dos missionários e dos padres católicos romanos. O registro de Martyn é uma crítica velada ao cristianismo existente no Brasil e, ao mesmo tempo, um veemente desafio missionário. Ele fala, que mas a cruz sem a doutrina da cruz apenas cristianiza, não evangeliza. Daí o dramático apelo missionário: “Quando será aqui levantada a doutrina da cruz?” Henry Martyn morreu em 1812, antes de saber que o século XIX seria o grande século missionário protestante.

Assim como o século XVI havia sido o grande século missionário católico romano. Por que as missões evangélicas demoraram tanto a vir para o Brasil? Uma das razões era ausência total de visão missionária por parte das igrejas protestantes da Europa e da América do Norte nos séculos anteriores com exceções dos morávios e dos holandeses radicados no Extremo Oriente. Pensava-se que a América Latina, já cristianizada pelos espanhóis e portugueses, não deveria fazer parte do campo missionário protestante.

Na verdade, os olhos dos protestante só foram desvendados para enxergar o clamor dos campos missionários no século XIX, com 300 anos de atraso em relação aos católicos romanos. Nascido no ano de 1628, em Torre de Tavares, nas proximidades de Viseu, em Portugal João Ferreira de Almeida emigrou para os países baixo, dotado de grande capacidade na área de lingüística, Almeida tinha 16 anos quando traduziu o Novo Testamento para o português. Depois, a Bíblia começou a ser enviada para Portugal e para o Brasil. A introdução das Sagradas Escrituras no Brasil começou discretamente em 1814.

Naqueles primórdios exemplares de Novos Testamentos e Bíblias completas eram distribuídas a bordo de navios que deixavam Lisboa e portos ingleses com destino ao Brasil. Era um trabalho inteligente e de bons resultados. A partir de 1818, a distribuição de Bíblias na América Latina passou a ser feita por meio de agentes das duas sociedades bíblicas existentes, a Britânia e a Americana. O primeiro deles foi o pastor batista escocês James Thomson (1781-1854). Foi ele quem introduziu a Palavra de Deus em quase todos os países da América Latina.

Em 1820, solicitou a remessa de 100 Bíblias e 200 Novos Testamentos para distribuição no Brasil. O missionário metodista americano Daniel Parish Kidder (1815-1891) foi o primeiro correspondente da Sociedade Bíblica Americana a se fixar no Brasil. Com idade de 22 anos, já casado, ele percorreu o país de norte a sul. Kidder era destemido e criativo. Em uma de suas viagens a São Paulo, propôs à Assembléia Legislativa da Imperial Província de São Paulo o uso da Bíblia nas escolas primárias de toda a província e se comprometeu a doar doze exemplares para cada escola, caso a proposta fosse aprovada.

Ele fazia tudo para tornar a Bíblia conhecida. Entre a chegada dos primeiros exemplares da Bíblia (1814) e a chegada do primeiro missionário protestante, cujo ministério não foi interrompido (1855), há um espaço de 41 anos. Isso significa que as Escrituras Sagradas precedem a implantação das primeiras igrejas evangélicas brasileiras. A Bíblia de João Ferreira de Almeida, depois de várias e sucessivas revisões, ainda é a Bíblia preferida pelos evangélicos portugueses e brasileiros. Foi preciso esperar a independência do Brasil, em setembro de 1822, para o país deixar de ser cem por cento católico.

Mas a constituição de 25 de março de 1824 dizia: “A religião católica apostólica romana continuará a ser a religião do Império. Todas as outras religiões serão permitidas com seu culto doméstico ou particular, em casas para isso destinadas, sem forma alguma exterior de templo.” Portanto nada de torre, nada de sino e nada de cruz, peças que faziam parte das igrejas protestantes da Europa. Em caso de desobediência, os infratores seriam multados e dispersos. Além de não ter nenhuma consciência nem prática missionária quase todos os primeiros pastores deixaram muito a desejar, tanto no púlpito como na vida particular, porque eram totalmente despreparados e contra-indicados para o oficio.

Os registros históricos são chocantes. A situação começou a mudar entre os protestantes com a chegada do pastor Hermann Borchad, que veio para o Brasil em 1864, quarenta anos depois da primeira leva de colonos. No final século XIX, o Brasil tinha 18 milhões de habitantes, sabe em torno de 350 mil protestantes. Eles eram filhos da emigração, e não do cuidadoso trabalho missionário. Eram anglo-americanos os missionários protestantes que vieram para o Brasil na última metade do século XIX. Alguns deles eram missionários biocupacionais, isto é, missionários e educadores, missionários e médicos, missionários e agrônomos, missionários e escritores.

Fundaram igrejas, escolas, seminários, institutos bíblicos, universidades, clínicas, hospitais, jornais e editoras. Colocaram a Bíblia na mão do povo. Trabalharam em favor da liberdade religiosa no país. Obrigaram a Igreja Católica Romana a reconhecer e a respeitar a diversidade religiosa. Apresentaram a salvação pela graça mediante a fé. Ao mesmo tempo pregaram que a fé sem obras é morta. É verdade que os missionários cometeram erros, exageraram em algumas coisas e omitiram outras. Alguns trouxeram junto com o evangelho o espírito sectarista e denominacionalista, que perdura até hoje.

Falaram pouco sobre justiça social e muito sobre conduta sexual. Enfatizaram vida futura em detrimento da vida presente. Nos últimos 32 anos do século XIX, a junta de Missões Estrangeiras da Igreja do Sul nomeou e enviou 65 missionários para o Brasil. Na verdade não se tem feito justiça com o médico escocês Robert Reid Kalley o missionário que estabeleceu no Brasil. Kalley é responsável por um fato muito curioso: ele trouxe para o Brasil algumas de suas para ajudá-lo em seu ministério, especialmente no trabalho de colportagem (vendas de Bíblias).

Isso significa que o Brasil não foi evangelizado apenas por anglo-saxões, mas também por portugueses. Em 1859, no dia 12 de agosto, desembarcou no Rio de Janeiro o primeiro missionário presbiteriano. Era jovem de 26 anos, solteiro e recém-formado no famoso seminário de Princeton e recém-ordenado ao ministério. O que mudou por completo e para sempre o rumo de sua vida foi um avivamento espiritual ocorrido nas igrejas metodista, luterana e presbiteriana de Harrisburg, na Pensilvânia, onde morava, no primeiro semestre de 1855. Simonton se ofereceu para vir para o novo campo e foi aceito.

Em 1863 já casado, o ministério de Simonton no Brasil durou apenas sete anos. Neste curto período de tempo, o jovem missionário fundou a primeira igreja (hoje a Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro). Os primeiros evangélicos a tentar alguma coisa aqui foram os metodistas. A primeira medida tomada pela Conferência Geral da Igreja Metodista americana foi enviar o pastor Fountain Elliot Pitts para sondar o novo campo missionário. Essa viagem de exploração durou quase um ano, do terceiro trimestre de 1835 ao segundo trimestre no seguinte, e inclui, além do Brasil, o Uruguai e a Argentina.

Os metodistas enviaram ao Brasil os dois primeiros missionários: R. Justus Spauding, em 1836, e Daniel Parish Kidder, em 1837. Os dois vieram com as respectivas esposas e permaneceram pouco tempo no país. Com a morte da jovem esposa em 1840 e com um filho para criar, Kidder foi o primeiro a voltar, depois de realizar um notável derrame de Bíblias em quase todas as províncias do Brasil. Spauding regressou no final de 1841, deixando no Rio de Janeiro uma congregação de quarenta membros, todos estrangeiros, mais tarde transformada na Union Church, uma igreja para estrangeiros de diversas denominações, existente até hoje.

Por causa de problemas internos, quase todos relacionados com a escravatura, a Igreja Metodista Episcopal dos Estados Unidos sofreu uma ruptura em 1844 e suspendeu por 25 anos o seu trabalho no Brasil. Os mesmos problemas provocaram divisões também nas igrejas presbiterianas, em 1837, e batistas, em 1845.O recomeço só se deu em 1867, quando os congregacionais (desde 1855) e os presbiterianos (desde 1859) já estavam definitivamente instalados no país.

Por mais de 300 anos, desde a chegada dos jesuítas, em 1549 até o início da imigração dos americanos do sul dos Estados Unidos, em 1866, o batismo cristão que se aplicava no Brasil era sempre por aspersão, tanto no meio católico como no meio protestante. Com a organização de uma igreja batista na colônia americana de Santa Bárbara, nas proximidades de Campinas, São Paulo, em setembro de 1871, o batismo por imersão começou a ser aplicado aos fiéis dessa denominação.

Em 1883, Zachary Clay Taylor, menos de dois anos depois de ter vindo para o Brasil na qualidade de missionário pioneiro, publicou na Bahia o livro A bíblia sobre o batismo. “Eu vim ao Brasil para proclamar a lei de Deus e não legislar sobre ela”. Em 1908, esse mesmo missionário foi a Portugal e rebatizou quinze membros da Igreja Batista do Porto,cujo batismo anterior considerou irregular.

Os batistas foram a quarta denominação evangélica a implantar igrejas no Brasil. Ex-alunos do Seminário Teológico de Virginia vêm para o Brasil. Filho, irmão e pai de ministros episcopais, Kinsolving, como Helen, ficou órfão de mãe com poucos dias de vida.

Passou quarenta anos no Brasil e foi o primeiro bispo episcopal em território brasileiro. Poucas missões cresceram tão depressa em sua fase inaugural como a missão episcopal. Em oito anos de trabalho, a jovem igreja já tinha 301 eclesianos e quatro pastores brasileiros, tudo concentrado até então no Rio Grande do Sul. O seminário foi aberto em junho de 1903, já com oito alunos e quatro professores. Uma das razões pelas quais o Seminário de Virgínia tornou-se um celeiro de missionários foi a atuação de uma curiosa organização chamada Aliança Missionária de Seminários, cujo objetivo era criar e desenvolver consciência missionária entre os estudantes de teologia das diferentes denominações evangélicas dos Estados Unidos.

Alguém deveria ter escrito no epitáfio de Kinsolving: “Ele deu 40 anos ao campo missionário”. Ex-padre troca o púlpito pela evangelização pessoal, chamava-se José Manuel da Conceição em 23 de outubro, o salão voltou a se encher. Desta vez todo mundo queria assistir à profissão de fé e ao batismo do ex-padre. Os acontecimentos do dia 23 de outubro de 1864 (profissão de fé de Conceição) e do dia 24 (dedicação da Imprensa Evangélica) foram tão significativos, que é difícil dizer qual dos dois é mais importante.

Graças ao ministério de Conceição, o evangelho se espalhou por várias dezenas de cidades das províncias de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro e, em Brotas, São Paulo, organizou-se a maior igreja evangélica do país por alguns anos. Graças ao ministério da Imprensa Evangélica, o evangelho se espalhou no meio das autoridades civis e religiosas. Ele era um evangelista itinerante. Conceição “só se dedicava a anunciar a mensagem nuclear da reforma, a salvação pela fé em Jesus Cristo, e isso de sítio em sítio, de casa em casa, de cidade em cidade, viajando incansavelmente, quase sempre a pé e até exaustão.

Morreu com a idade de 51 anos. Operário italiano organiza em São Paulo a mais fechada igreja evangélica brasileira. A igreja fundada por Francescon é tremendamente sectária, às vezes se considera a única igreja certa, não tem o menor relacionamento com qualquer outra igreja, nem mesmo com as igrejas pentecostais. Não publica jornais, revistas de estudos bíblicos nem livros. Não se serve do rádio nem da televisão. Não se reúne em lugares públicos. A evangelização é feita por meio do evangelismo pessoal e por meio dos cultos, geralmente longos.


Os que salvam e se batizam foram ganhos porque eram predestinados e chamados por Deus para a salvação. Não ministros ordenados nem burocracia eclesiástica. O pregador é suscitado na hora da pregação, por revelação de Deus. Os anciões não são assalariados e dirigem aparte espiritual da congregação. A Ceia do Senhor é celebrada anualmente. Não há rol de membros, mas registra-se o número de batismos. A princípio, era tudo em italiano, mais tarde em italiano e português e, agora, só em português. Missionários suecos fundam a maior denominação evangélica brasileira.

A primeira igreja pentecostal foi organizada em 18 de junho de 1911, seis meses depois da chegada dos dois suecos ao Pará, com o nome de Missão da Fé Apostólica, o mesmo nome dado por William Seymour à igreja da rua Azusa, em Chicago, cinco anos antes. O nome Assembléia de Deus foi adotado seis anos e meio depois, em janeiro de 1918. Nenhuma denominação evangélica experimentou um crescimento tão rápido e tão grande como as Assembléias de Deus. Na primeira metade do século XX, Assembléia de Deus e a Congregação Cristã foram as únicas igrejas pentecostais de grande porte no Brasil.

Foram necessários pouco mais de 40 anos pra surgirem, quase ao mesmo tempo, mais três grandes grupos pentecostais no país: a Igreja do Evangelho Quadrangular (1951), a Igreja Pentecostal O Brasil para Cristo(1955) e a Igreja Pentecostal Deus é Amor (1961). A Igreja do Evangelho Quadrangular (International Church of The Four-Square Gospel) foi fundada em Los Angeles, nos Estados Unidos, na década de 20, por uma jovem senhora canadense de trinta e poucos anos.

Um dos convertidos, o ex-ator de filmes de faroeste Harold Willians, onze anos depois, no dia em que se comemorava o 60 aniversário da Proclamação da Republica (15 de novembro de 1951), instalou a Igreja do Evangelho Quadrangular aqui. Pedreiro pernambucano funda em São Paulo a mais aberta igreja pentecostal brasileira, Fundou em São Paulo, em 1955, a Igreja Evangélica Pentecostal O Brasil para Cristo, aos 26 anos, na certeza de que Deus o chamava para uma grande obra de avivamento. Na década de 60, a igreja chegou a alcançar 2 milhões de adeptos.

O Brasil para Cristo cresceu mais como movimento do que como denominação. Jovem de 26 anos converte-se em São Paulo e funda a igreja pentecostal mais rígida do Brasil. Novembro de 1961, aos 25 anos, depois de uma noite de oração entendeu que Deus o chamava para “uma grande obra”, mas não sabia em que igreja, em que denominação. A revelação veio em seguida: a igreja chama-se Deus é Amor. Chamado pomposamente de “o maior pregador de curas divinas da época”. É a mais legalista e exigentes de todas as igrejas pentecostais.

Em 1991, a Deus é Amor 5.458 igrejas, 15.755 obreiros e missionários em dezessete países. Nascida nos Estados Unidos em 1967, a Renovação Carismática Católica chega ao Brasil três anos depois. Despertar religioso, nos moldes pentecostais, está diretamente ligado à Universal do Espírito Santo de Duquesne, em Pittsburg, administrada pela ordem missionária Padres do Espírito Santo. Em 1971, havia um padre de 34 anos que trabalhava com jovens e lecionava na Faculdade de Ciências e Letras de Lorena, no Vale do Paraíba em São Paulo. Ele abraçou de corpo e alma a Renovação Carismática.

Em 1978, sete anos depois, esse padre, Jonas Abib, fundou a Comunidade Canção Nova.


## CONCLUSÃO ##


É uma morte para a fé cristã e para o caminhar da igreja quando a história da sua formação é ignorada. Não considerar o que os pais da igreja fizeram para toda a construção da teologia cristã é um ato de violação contra as principais doutrinas. Podemos presenciar nos dias de hoje, que os teólogos liberais vivem de tradição.Ora,os seus discursos estão respaldados por aqueles que os antecederam. Abrem mão de uma tradição para adaptarem-se a outra.

Com todo respeito aos irmãos pentecostais , mas as principais doutrinas teológicas são por eles desconhecidas. É a supervalorização do iluminismo. Este iluminismo é a ideia de que o Espírito Santo fará toda a obra do conhecimento. Não precisam ler, pesquisar e estudar. Porém, isso se torna um contra-senso. Deus não pode ignorar aquilo que ele mesmo implantou no homem – intelecto. Quando se estuda a história do povo de Deus, a leitura que é feita é sobre a ação de Deus. Ele age e valoriza a história da humanidade. Não é alheio ao que se passa com o povo.


A riqueza do estudo nos traz a compreensão de que a igreja não está circunscrita a este tempo. Este é o problema de muitas igrejas que surgem. Alguns se intitulam a igreja do momento. Outros pastores se sentem os homens de Deus que irão realizar feitos notórios. São mais de dois mil anos de história. A igreja não nasceu hoje. A formação pastoral não é de agora. Os pastores de hoje não produziram nada em comparação aos do passado. Para ser relevante é preciso considerar os alicerces que já existem.


Eu entendo que; A dificuldade que os cristãos têm em relação às crises da fé, da igreja e de contextos sociais reside justamente em não compreender o que houve no passado. De suma importância é a leitura desse livro, para o contexto do surgimento cristão no Brasil e da evangelização




Os Atos dos Apostatas
 “Surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de quase todos esfriará.” Mateus 24:11-12 
 Estamos em 2012 e diante de todos os sinais que temos visto por todo o planeta é certo que a maior parte da cristandade moderna concorda que estamos presenciando os últimos dias, no entanto suas atitudes e conduta de fé revelam o quanto estão despercebidos se tratando da ordem dos cumprimentos proféticos que diz que aquele dia não chegará sem que antes se levante grande apostasia. “Ninguém de maneira alguma vos engane, pois isto(a volta de Jesus) não acontecerá sem que antes venha a apostasia(abandono da causa de Cristo), e se manifeste o homem do pecado(o anticristo).” Tessalonicenses 2: 3 

 Se cremos que realmente estamos nos últimos dias não há como ignorarmos o fato de que este tempo será acompanhado de uma apostasia crescente. Talvez você se pergunte, mas como pode ser? O evangelho está por toda a parte, em cada esquina tem uma igreja, no radio e na TV há pregações de dia e de noite? 


  Bem, vou responder seus questionamentos com algumas outras perguntas. Jesus disse que o caminho é estreito e poucos são os que seguem por ele, certo? Então me diga como pode a cada dia surgir mais e mais templos e em pouco tempo estarem lotados? Não é estranho este evangelho que estão pregando estar caindo na graça de povo? A bíblia diz(2Tm 4:3-4) que neste tempo, nos últimos dias, as pessoas não suportarão a sã doutrina, logo se olharmos as estatísticas atuais notaremos que a cada dia aumenta o número dos evangélicos no mundo. Isso não lhe parece estranho? Alguma coisa está fora do lugar e não é a bíblia. 


 Neste mesmo texto a bíblia diz que estas pessoas que não estariam interessadas na verdade, na sã doutrina, elas apresentariam um certo comportamento o qual a bíblia descreve como alguém, que como se tivesse coceira nos ouvidos, se aproximará de falsos mestres tendo no coração um único objetivo, saciar a sua cobiça. Ter cobiça, significa ter um desejo incontrolável para possuir algo. 


 É por causa deste desejo que o Senhor diz através da Sua Palavra que não darão ouvidos a verdade. Por esta atitude estas pessoas estarão perecendo porque rejeitam o amor da verdade que pode salvá-las, por isso Deus envia a operação do erro, (permite que elas recebam o que tanto desejam no coração)para que creiam na mentira e para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade.(2Ts 2:10-12) 


 A operação do erro é o juízo de Deus sobre estas pessoas e os falsos mestres a bandeira deste juízo. O fato é que estes falsos mestres, em sua maioria não imaginam que são falsos, pelo contrário, muitos deles pensam realmente estar fazendo a vontade de Deus. O problema é que estes homens estão ensinando e pregando segundo aquilo que aprenderam de outros homens do seu tempo e não segundo Cristo. 


 É por isso que Jesus diz que naquele dia não são poucos os que chegarão diante dEle dizendo que fizeram muitas obras e maravilhas em Seu nome, mas no final Jesus dirá “Eu não os conheço” e então todos eles serão expulsos de diante da Sua face.(Mt 7:21) Como já mencionei anteriormente, desde o tempo de Jesus se passaram mais de dois mil anos, durante todos estes séculos a verdade vem sendo sufocada por tradições e pela religiosidade inventada por homens que utilizam-se da fé alheia para se autopromover, adquirir status, poder e muito dinheiro. 


É exatamente estas coisas que encontramos no coração de alguém que sustenta a cobiça, então quando estes mestres falam do que os seus corações estão cheios, ou seja, prosperidade, sucesso, e bençãos sem medida, eles vão facilmente atrair outros milhares que também apresentam este desejo em seus corações carnais, ainda mais num mundo materialista como o nosso. 


 Mas sabe porque é difícil estes mestres se libertarem deste engano? Porque sustentam um ensino mentiroso que diz que se tudo vai bem, Deus está no negócio, ou seja, se as pessoas estão lotando os templos, se estão abrindo outros templos em vários lugares, se curas e milagres acontecem, se estão prosperando, então, para eles, isso significa que Deus está aprovando os seus ministérios, quando, segundo Jesus, a realidade é bem outra. 


  Como assim bem outra? Simples, a mensagem do reino de Deus é pura e simplesmente focada em arrependimento e isso é o que menos ouvimos nestes dias, de contra partida há pregações de todos os temas imagináveis, mas que passam longe da realidade que aponta para um caminho estreito, um abandono desta vida para encontrar a verdadeira vida. Além do mais o evangelho de ponta a ponta é claro quando nos diz que por causa de Cristo seriamos odiados, pois se fossemos do mundo, o mundo amaria o que é seu. Mas ao contrário desta verdade parece que o “gospel” esta caindo na graça do mundão e é exatamente por isso que precisamos estar atentos. 


 Em meus outros livros, ainda que em todo o momento minha intenção tem sido demonstrar amor para que mais e mais irmãos e irmãs saiam do engano, confesso que dei bastante ênfase a minha indignação em relação a esta triste realidade cristã e por vezes isso soou agressivo para alguns, afinal sou homem e também estou me esforçando para ser moldado segundo nosso bom Mestre. 


 De qualquer forma posso lhe assegurar que o que segue neste livro é bastante diferente, não na forma como estou amando aqueles que realmente querem conhecer a verdade, pois por estes meu amor aumenta a cada dia, porém desta vez não vou expressar o meu parecer nos temas abordados, salvo algumas explicações necessárias, mas de uma maneira em geral vou deixar que as próprias palavras de Jesus e dos seus enviados(apóstolos)constranja ao arrependimento aqueles que realmente estão buscando servi-Lo, desejosos pela sã doutrina. 


 Bem vindo aos Atos dos Apóstatas.



1ª Dissertação
MATEUS 4:17
JESUS DIZ:

“Arrependei-vos pois está próximo o reino dos céus.”

Neste momento, ao liberar estas palavras, podemos entender
que ali se deu o inicio do ministério de Jesus na terra. Podemos
dizer que foi o marco inicial do cumprimento das palavras dos
profetas relatadas no antigo testamento referente ao teor da
mensagem que o Messias traria ao mundo.

Jesus, o Messias esperado e desejado de todas as nações(Ageu
2:7), anuncia que o reino de Deus está próximo, e por tanto, todo
aquele que deseja estar com Ele para sempre, no Seu Reino,
necessita arrepender-se.

De fato o povo de Israel a séculos aguardava a chegada do
seu Salvador, no entanto quando estavam diante dEle, não se
agradaram da Sua mensagem e O rejeitaram. Nisto o discípulo João
escreve: “Ele veio para o que era seu, mas os seus não O receberam.”
( João1:11)

A lição que aprendemos aqui é de que muitos até querem
Jesus, mas desde que não tenham que ouvir o que Ele tem a dizer.
De fato estar ciente disso é muito importante.

A razão do ser cristão está diretamente ligada ao ouvir a 


mensagem de Jesus e obedecê-lo. Qualquer outra mensagem, ainda 
que dita em nome dEle, não pode de forma alguma nos fazer 



participantes da salvação que nos é dada única e exclusivamente por 



meio do Cristo.


Jesus é o único caminho para a redenção das nossas almas, e 


como vamos ver a seguir, este caminho é estreito e poucos são os 
que seguem por ele.





Agora pare e reflita.


– É a mensagem de Jesus que estão pregando nos dias de hoje?
– As multidões que estão se achegando as milhares de 


denominações católicas e evangélicas estão sendo informadas que o caminho para a redenção é o arrependimento de pecados?

– Estão sendo avisados de que há uma cruz pessoal a ser 


carregada durante toda a nova vida que receberam enquanto estiverem aqui nesta terra?


Se você não está vendo esta mensagem sendo pregada, então é certo que não é a mensagem de Jesus, pelo menos não na ordem de prioridades dEle.


2ª Dissertação
MATEUS 7:13-14
JESUS DIZ:
“Entrai pela porta estreita. Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz a perdição, e muitos são os que entram por ela. Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que a encontram”.
Neste texto Jesus está apontando o caminho que as pessoas
devem seguir imediatamente após se apresentarem verdadeiramente
arrependidas dos seus pecados. 



Entenda que “a porta”( João 10:9) e “a vida”( João 14:6) mencionadas no texto representam o próprio Jesus. Assim, Ele diz que não somente a porta é estreita, mas que também o caminho para se chegar até a porta é apertado.Para um melhor entendimento vamos ler um texto adicional 



que está em Mateus, no capítulo três, versos do um ao três:

“Naqueles dias apareceu João, o batista, pregando no deserto da Judeia  e dizendo: Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus. Este João é aquele de quem o profeta Isaías falou, ao dizer: Voz do que clama no deserto, preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas”.
O que temos aqui é tudo o que precisamos para entender as
palavras de Jesus nesta dissertação.

Jesus declarou que poucos são os que encontram a porta e
consequentemente a vida, isto porque o caminho que pode nos
levar até ela é apertado. Mas que caminho é este? É o caminho que
João, o batista, foi levantado por Deus para preparar e endireitar
para a chegada do Salvador. Ele fez isso através da pregação e a sua
mensagem era esta: Arrependam-se!

Há um caminho tortuoso no coração da humanidade e precisa ser endireitado para que possam receber o Salvador, logo isso só pode ser feito por meio de um arrependimento genuíno.


Agora, você percebeu como João estava preparando este caminho? Sim, ele dizia: Arrependei-vos pois está próximo o reino dos céus. Fica claro então que para sermos filhos e filhas no reino de Deus precisamos passar pela porta estreita e o caminho que nos leva até esta porta é nos arrependermos dos nossos pecados.

Com um pouco de dedicação no estudo da bíblia você perceberá que todo o seu conteúdo aponta para isso, o arrependimento de pecados. Desta forma é evidente que uma vez que esta mensagem é omitida, jamais alguém pode entender de fato o sacrifício de Jesus, no máximo a pessoa vai se comover com a Sua história, mas arrependimento não se alcança por intermédio de emoções, mas sim de uma consciência alcançada quando olhamos para nós mesmos e reconhecemos o quanto somos falhos e miseráveis diante do nosso Deus Santo.

Agora pare e reflita.

– Está, a igreja moderna, preparando o caminho para Jesus no
coração das pessoas, conscientizando-as da sua natureza
pecaminosa?
– As famílias que se achegam aos cultos denominacionais estão realmente sendo atraídas por esta mensagem, ou estão simplesmente procurando alimentar suas emoções através de sermões que tragam exatamente a mensagem que querem ouvir?
– Quando as pessoas declaram que aceitaram Jesus como
Salvador, que parte do Salvador de fato elas aceitaram? O que cura? Que liberta? Que prospera? Que salva? Ou o Salvador que morreu no lugar delas, levando sobre si todos os seus pecados e que agora espera que elas reconhecem o Seu sacrifício e abandonem suas vidas de pecado?
– De que forma as pessoas estão sendo levadas a aceitarem a 






mensagem de Jesus? Através do marketing sobre as coisas que Ele pode fazer? Através de uma oração de um minuto onde repetem uma reza decorada orientadas por um padre ou pastor?

 "Não se engane, a evidência para aquele que em verdade trilha o caminho do arrependimento é uma vida transformada, que a partir de então produz frutos dignos de arrependimento".
3ª Dissertação
MATEUS 6:1-4
JESUS DIZ:
“Guardai-vos de praticar vossos atos de justiça diante dos homens, para serdes vistos por eles... Portanto quando deres esmola não façais tocar trombeta diante de ti, como os hipócritas nas sinagogas(lugar de culto) e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa.Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua esquerda o que faz atua direita, para que a tua esmola seja dada secretamente. Então teu Pai, que vê em secreto, te recompensará".
Eu posso afirmar que infelizmente a natureza caída do  homem aflora numa área principal, a qual chamamos de orgulho. 
Há muitos níveis de orgulho. Do mais sutil ao mais descarado, este último já com total domínio sobre as mentes cauterizadas pela soberba.
Um tipo de orgulho sútil e que quase sempre é alimentado no coração do homem é identificado quando aquilo que deveria ser um ato natural se torna um meio de massagear o seu ego. No texto que você leu Jesus está tratando exatamente deste tipo de orgulho e para exemplificar isso ele usou os hipócritas nas ruas e sinagogas. Estes homens eram os religiosos da época, que em sua ignorância e astúcia forjavam uma imagem de si mesmos diante do povo.


Voluntariamente estes homens cuidavam para que fossem vistos  quando  dessem esmolas aos menos favorecidos, para com isso serem achados por caridosos e justos cumpridores da lei de Deus.












Agora pare e reflita:


– Será que hoje este quadro de hipocrisia é diferente?
– Quando você vê um líder religioso tocando trombeta diante 






da sua obra caridosa e pedindo dinheiro sob a justificativa de que tal obra não pode parar, você acredita que ele é diferente dos hipócritas que Jesus estava censurando?


– Tal obra não deveria estar sendo realizada em secreto, segundo as condições de cada um?

– Acaso quando Jesus e os discípulos estiveram na terra eles ficaram diariamente inventando histórias emocionantes para arrancar dinheiro do povo como um meio de justificar o que concebem por “fazer a obra de Deus”?




Quanto a este assunto veja como a igreja bíblica agia e tire suas próprias conclusões:

“Naqueles dias desceram profetas de Jerusalém para Antioquia. Levantando-se um deles, chamado Ágabo, dava a entender, pelo Espírito, que haveria uma grande fome em todo o mundo, a qual aconteceu no tempo de Cláudio. Os DISCÍPULOS, determinaram mandar, CADA UM CONFORME O QUE PUDESSE, socorro aos irmãos que moravam na Judeia. Com efeito, isto eles fizeram enviando-o aos anciãos por mão de Barnabé 

e de Saulo(Paulo). Atos 11:27-30

A igreja bíblica estava pronta para ajudar quando a necessidade aparecia, e isso estava diretamente ligado a vidas e não as demandas volumosas de gastos que os religiosos modernos sustentam.



4ª Dissertação
MATEUS 6:5-8
JESUS DIZ:

“E, quando orares, não sejas como os hipócritas, pois gostam de orar em pé nas sinagogas(lugar de culto) e nas esquinas das ruas para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento, e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto. E teu Pai, que vê secretamente, te recompensará. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falar serão ouvidos. Não vos assemelheis a eles...”
Quanto a este texto creio que não há o que dizer, pois qualquer um pode entender o que Jesus esta dizendo aqui, então agora pare e reflita:




– Quando você vê homens religiosos declarando que estarão jejuando e orando em determinado dia a favor daqueles que, mediante contribuição financeira, participarem de determinada campanha, não consegues perceber a semelhança destes com os hipócritas que Jesus declarou para não imitarmos?
– Quando você vê um líder religioso, por meio de sensacionalismo, fazer um vídeo auto promocional onde ele está subindo uma montanha com um galão de água nas costas, sob promessa de que estará orando para Deus ungir aquela água, a qual posteriormente estará sendo produto de
uma nova campanha onde só se beneficiará aquele que novamente rechear com dinheiro um envelope, você acredita que Deus estará ouvindo e respondendo tal oração?

5ª Dissertação
MATEUS 6:16-18
JESUS DIZ:
“Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas, pois desfiguram o rosto para parecer aos homens que estão jejuando. Em verdade vos digo que já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, unge a cabeça, e lava o rosto, para não parecerem aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai que vê em secreto, te recompensará”.
Perceba que aqueles religiosos hipócritas do tempo de Jesus 




mudavam o seu semblante para parecer aos homens que estavam  jejuando e assim serem tidos por “santos homens” de Deus.



Agora pare e reflita:

– E hoje, que os religiosos tem prazer em declarar abertamente que jejuam em favor do povo, quer dizer..., em favor daqueles que pagam por tais orações e estes só fazem isso induzidos a acreditarem que estão exercendo a fé, não é esta atitude pura hipocrisia?




Livro / Super Crentes






Cristianismo e liberalismo / John Gresham Machen
Josaías Jr.
Josaías Jr.
Liberais são aqueles caras que negam o sobrenatural e a inspiração da Bíblia, não? Eles não estão por perto, certo? Nós, conservadores e fundamentalistas, nada temos com eles, não é? Hoje a maioria está confinada a suas igrejas pequenas e seus escritórios empoeirados nos seminários. Correto?
Não é bem assim. Um dos possíveis títulos para esse post seria “você também é um liberal”. Mas, para evitar generalizações e injustiças, melhor ficar apenas na possibilidade. Você pode ser um liberal. E é por isso que a obra de Gresham Machen, Cristianismo e Liberalismo, que completa 90 anos em 2013, merece ser lançada, lida, relida, discutida e relançada. Mesmo que o movimento liberal não pareça ter a força de outrora, seus slogans e defensores ainda existem entre nós, conscientes ou não, coerentes ou não.
cristianismo_liberalismo_alta

Um pouco de história

É possível afirmar que o movimento liberal tem suas origens em diversos movimentos humanistas que surgem no século XVII. Cientificismo, naturalismo, iluminismo, empirismo, racionalismo, romantismo e por aí vai – todos dão sua colaboração na formação do que passamos a chamar de pensamento moderno, ou modernismo. Quem assistiu um pouco de história no ensino médio sabe que, aos poucos, uma cosmovisão fundamentada no sobrenatural e/ou na revelação (ainda que o catolicismo medieval tenha seu pezinho no homem, também) deu lugar a uma mentalidade que tinha o homem como medida de todas as coisas.
A partir daí, alguns pensadores e teólogos perceberam que a mensagem da igreja deveria mudar ou, pelo menos, ela deveria tentar adaptar-se a esses novos tempos. Outros, menos conscientes do sincretismo que defendiam e em que nasceram, simplesmente misturam a mensagem anti-revelação ao pensamento anti-intelectual  também popular e negam a necessidade de verdades proposicionais. (Nem sempre modernismo = racionalismo. O homem é o centro, e as emoções dele podem ser mais confiáveis que a razão, para alguns). Alguns, empolgados com a iluminação e evolução alcançadas pela humanidade, entendem que chegamos a uma nova era, em que o homem alcançará paz e harmonia não por doutrinas, mas pela ética, do qual Cristo é o maior representante. Em outro texto, tentei resumir desta forma:
Assim, a conclusão dos liberais era a seguinte: percebemos que o homem não é mau como os cristãos tradicionais afirmaram. Ele é bom, está um pouco desorientado, é verdade, mas é bom. E está evoluindo! Ele não precisa do sacrifício sangrento de um Messias para salvá-lo (uma ideia repugnante e bárbara!), pois Deus (não necessariamente aquele dogmatizado pelos cristãos antigos) não deseja sequer condená-lo. A humanidade precisa de orientação. E para isso a Bíblia e os ensinamentos de Jesus servem – para orientar-nos a uma vida melhor.
No início do século XX, com o liberalismo ganhando força na grandes denominações e seminários dos EUA, John Gresham Machen se destacou por suas convicções conservadoras dentro da igreja presbiteriana. Machen combateu o movimento moderno a ponto de fundar o Westminster Theological Seminary, na Filadélfia (deixando, assim, o outrora reformado Seminário de Princeton) e a Orthodox Presbyterian Church (abandonando a crescentemente liberal PCUSA). Entre tantos escritos famosos do autor, a pequena obra Cristianismo e Liberalismo ganha destaque por ser uma defesa firme da fé cristã e por expressar de maneira mais concisa e didática as diferenças entre duas mensagens completamente distintas.

Duas religiões

Gresham Machen
Gresham Machen
Machen não gasta muito tempo buscando explicar as origens do movimento. Seu foco é comparar o que os liberais propõem com aquilo que o Cristianismo bíblico e histórico pregou. Não há ponto de contato. Para ele, a divisão é óbvia: o liberalismo não é cristianismo. São duas religiões completamente diferentes, sem qualquer ligação. Enquanto o Catolicismo Romano é uma distorção do cristianismo e pode até (de modo geral) ser considerado um movimento cristão, este não é o caso com o movimento liberal.
As propostas são terrivelmente diferentes. Um é uma religião de redenção. O outro é uma religião de auto-aperfeiçoamento. Um é a religião de Deus. Outro é a religião do homem. “Liberalismo é totalmente imperativo, enquanto o Cristianismo começa com um indicativo; o Liberalismo apela ao arbítrio do homem, enquanto o Cristianismo, em primeiro lugar, anuncia o ato gracioso de Deus”. O Cristianismo apresenta uma história, uma narrativa, uma notícia sobre um Deus que salva pecadores por meio de seu Filho. O liberalismo cita princípios éticos, morais, e um Jesus desassociado de sua divindade, uma cruz que não expia pecados e um Deus que não tem justiça. Parece familiar? Se não, continue acompanhando.
Nos sete capítulos que compõem o livro, Machen destrincha a mensagem do liberalismo em sete temas: Doutrina, Deus e o homem, a Bíblia, Cristo, Salvação e Igreja. Não há como expor todas as diferenças que o autor apresenta num espaço limitado desse texto, apenas destacar alguns pontos que me chamaram mais a atenção. E daí vem aquela afirmação mencionada no início do artigo: Você também pode ser um liberal. E o livro de Machen lhe ajudará a livrar-se da falsa doutrina que se disfarça de verdade bíblica.

Gentileza gera gentileza. Doutrina gera divisão.

Tudo isso me lembra da moda atual de citar os conselhos que He-Man dava no final de cada episódio. Para aqueles que são jovens demais (ou velhos demais) para saber do que falo: após cada aventura, o personagem He-Man ensinava uma lição de moral a seus telespectadores mirins. O curioso é que muitas vezes a mensagem do musculoso personagem lembra os sermões pregados em igrejas.¹ Por quê? He-man era convertido? Não. A mensagem de aperfeiçoamento pessoal, de moralidade rasa e de lição de vida é o que resta como religião quando o homem abandona Deus, a Bíblia e a mensagem de salvação em Cristo.
Assim, diante da possibilidade sempre presente de cairmos em uma religião humanista (mesmo que não a chamemos de “liberalismo teológico”), uma série de perguntas pode ajudar a identificar essa tendência em sua vida ou em sua igreja.
  1. A igreja deveria abandonar ao máximo tudo o que a liga ao passado – credos, práticas, doutrinas?
  2. Ou você ama a tradição e expressões teológicas históricas da igreja, ainda que as utilize com significados ligeiramente diferentes? Ex.: Deus é a experiência religiosa do homem.
  3. Você concorda com a frase “cristianismo é estilo de vida, não doutrina”?
  4. Doutrina não é importante e cada um pode crer no que quiser? Os fatos históricos ensinados no Evangelho são irrelevantes se comparados à ética de Cristo?
  5. Você acha que a religião simples de Jesus Cristo foi a) esquecida pela igreja; b) alterada por Paulo; ou c) distorcida pelos credos ecumênicos/reformadores/fundamentalistas?
  6. Essa religião simples foi redescoberta hoje e envolve livrar-se de instituições históricas e antigas?
  7. Sentir a presença de Deus é mais importante e tem mais peso que conhecê-lo por meio da Bíblia e as proposições que ela apresenta?
  8. Você crê que Deus é o pai universal de todos e que a humanidade é uma grande e única família?
  9. Você teme ou evita mencionar o pecado ao anunciar a mensagem bíblica?
  10. Um chamado à ação é mais eficaz e importante que um chamado ao arrependimento?
  11. Você critica aqueles que “amam a Bíblia acima de Deus” por defenderem a autoridade, suficiência e inspiração plena da Escritura?
  12. Você considera as palavras de Jesus ou o Novo Testamento como mais autoritativos que o Antigo Testamento? Em outras palavras, para você o A.T é apenas um registro judaico dos atos de Deus ou das experiências religiosas do povo judeu?
Em caso de muitas respostas positivas, há o que se questionar. Essa não é uma lista exaustiva nem propõe uma caça às bruxas. O objetivo dela é lhe levar a observar o poder que um movimento supostamente morto ainda tem sobre a igreja de hoje. Vale a pena conseguir o pequeno livro de Machen e distribuir por aí.
Para finalizar, recentemente foi noticiada a existência de uma “igreja ateísta” na Inglaterra. As pessoas reúnem-se semanalmente para ouvir mensagens, cantar e divertir-se. O enfoque dessa comunidade é humanista, e as mensagens envolvem o crescimento pessoal e testemunhos de jornadas espirituais. As pessoas são ensinadas a ajudar mais, viver melhor e por aí vai. Poderíamos falar sobre a necessidade do ser humano em transformar tudo em religião, mesmo o ateísmo. Mas, parece-me que há outro ponto aqui: a igreja que se esquece de Deus entroniza o homem. Foi isso que aconteceu com a igreja liberal. É isso que acontece com igrejas antropocêntricas. Que as palavras finais de Machen nos lembrem qual deveria ser nossa mensagem e quem é o nosso foco.
“Sou mui grato pela obediência ativa de Cristo. Sem ela, não há esperança.”
Fonte: iPródigo 



ESCRAVO, NOVO LIVRO DE MacArthur. 

O curso do evangelicalismo predominante é direcionado por preocupações pragmáticas, não por teológicas. Os gurus do movimento de crescimento da igreja se preocupam com o que atrai a multidão, e não com aquilo que a Bíblia diz. 

Devido ao bem sucedido apelo à carne não redimida, os pregadores da prosperidade fazem do homem o mestre, como se Cristo fosse um tipo de gênio da lâmpada – obrigado a conceder saúde, prosperidade e felicidade àqueles que enviam dinheiro o suficiente. Mesmo em alguns círculos conservadores, métodos mundanos pragmáticos (incluindo humor crasso e discurso grosseiro), e adaptações quase ilimitadas do que há de pior na música mundana são defendidos calorosamente, contanto que obtenham resultados visíveis. 


A triste realidade é que a popularidade, não a fidelidade a Cristo e à sua Palavra, tem se tornado o novo padrão de medida e a atual marca da ideologia do não-senhorio. Como resultado, as Escrituras têm sido sistematicamente substituídas por qualquer outra coisa considerada mais relevante ou interessante. 


O empreendedorismo do movimento independente da igreja a tem tornado popular, ao ponto de milhares de pretensiosos “cristos” edificarem seus próprios impérios de mídia, rotulando a si mesmos como apóstolos e dando nome de igrejas a suas organizações. Mas estes ministérios magnatas não estão interessados em edificar a igreja verdadeira, que é um fato evidenciado por sua indiferença para com a verdade proposicional, somado à sua ganância em ganhar a simpatia do povo, tanto por minimizarem a Palavra de Deus quanto o senhorio de Cristo. Eles diluem o evangelho, encurtam ainda mais seus ralos sermões e adaptam uma estratégia de marketing para seu ministério. 


Ao fazerem isto, rebelam-se contra Cristo! O Senhor expressa seu governo em sua igreja, à medida que a Escritura é pregada, explanada, aplicada e obedecida. Diminuir o papel dominante da Escritura na vida da igreja significa tratar o Senhor da igreja como se sua revelação fosse opcional. É nada menos que um motim. E a gravidade de tal revolta não se pode medir. Um ministério não bíblico, uma pregação não expositiva e um ensino não doutrinal usurpam a autoridade de Cristo como cabeça, silenciando sua voz para com suas ovelhas. 


Este tipo de abordagem devastadora afasta do corpo de Cristo a mente de Cristo, produz indiferença para com sua Palavra e extingue a obra do seu Espírito. E, ainda, remove a proteção contra o erro e o pecado, elimina a preeminência e a clareza, desfigura a adoração, semeia a transigência, desvia a honra devida ao verdadeiro cabeça da igreja, e o Senhor não toma com agrado aqueles que roubam a sua glória.


http://www.blogfiel.com.br  




UMA VIDA VOLTADA PARA DEUS / JOHN PIPER



A paz de Cristo meus amados irmãos em Cristo. Diante de 14 anos servindo a Deus, passei por alguns problemas que me deixaram muito desgastado, cansado e desanimado, tanto físico, financeiro e espiritual. Mas nesse tempo de deserto, o Senhor tem falado muito ao meu coração, me tem fornecido força e perseverança para continuar, e também tem falado comigo através da Palavra de Deus e de seus servos que ele usa aqui na terra para nos abençoar, nos direcionar. 

 Agradeço a Deus pela vida do Pr. John Piper que Deus tem usado de forma íntegra para pregar o Evangelho, sem atalhos, um evangelho puro, verdadeiro, que tem falado diretamente ao meu coração, sendo ele um instrumento de Deus para com a minha vida, família, ministério e demais áreas das nossas vidas. Agradeço a Deus pelos os meus olhos e ouvidos perfeitos que tenho, para desfrutar da Sua Palavra através dos vídeos e livros desse homem de Deus, um exemplo para nossas vidas.

Deus nos leva a viver na sua dependência, através das provas e desertos espirituais, para aprendermos a confiar e a crescer mais nele e assim o conhecermos melhor.

Muitas vezes não estamos preparados para enfrentar o deserto, porque pensam que os problemas acabam no dia que aceitam Jesus, e por isso quando são testados não entendem que precisam aprender a lição da dependência de Deus, para poderem crescer espiritualmente. Tenho passado por muitos desertos, aí para e penso, será que eu estou desagradando a Deus ? E faço uma análise em minha vida e pergunto para Jesus e muitas vezes Ele fica calado, e continuo a passar pelo deserto novamente, em muitos momentos você não terá força para falar muitas coisas para Deus, mas o que acho mais importante orarmos nesse momento, é o que devo fazer para passar do outro lado do deserto e cantar o hino da vitoria ? Eu sei que o Senhor vai me dar vitória, Ele me ama e também te ama, e vai te ajudar nessa caminhada de sequidão. Não podemos desistir do que Deus tem para nossas vidas, independente de qualquer dificuldade que seja, Deus tem planos para que possamos cumprir aqui na terra, para que o Seu nome seja Glorificado, e a promessa aqui na terra que seja cumprida em nossas vidas, e estarmos preparados para uma nova morada com o Senhor, "Aleluia a Ti Senhor".


Agradeço a Deus também pela vida do Rev. Hernandes Dias Lopes, pela vida dos Pastores e professores do Seminário Teologico Batista Central de Anapolis, Daniel Braga e Heliel gomes, entre outros, pelos incentivos através da Palavra de Deus, estudos, livros, vídeos, aulas. Temos que olhar para nossa direita e esquerda, e desfrutarmos das bençãos de Deus por meio desses homens do Senhor, é nesses momentos de tanta angústia que Deus usa meios para que Ele venha alcançar nossos corações que se encontram tão duros e infrutíferos, pelo menos foi assim comigo.

Que Deus abençoe as nossas vidas.

Trechos desse livro falou muito ao meu coração, uma perfeita indicação para seu crescimento espiritual e ministério.


Servo de Jesus Cristo

Michael Rossane

Quando Palavras são Vento

 John Piper

Quando estão em tristeza, dor e desespero, as pessoas dizem coisas que não diriam em outras circunstâncias. Elas pintam a realidade com tons mais escuros do que a pintarão amanhã, quando o sol despontar. Tais pessoas cantam em notas menores e falam como se aquela fosse a única melodia. Elas vêem apenas nuvens e falam como se não houvesse céu.

Tais pessoas dizem: “Onde está Deus?” Ou: “Não há proveito em continuar vivendo”. Ou: “Nada faz sentido”. Ou: “Não há esperança para mim”. Ou: “Se Deus fosse bom, isto não teria acontecido”.

O que faremos com estas palavras?

Jó disse que não precisamos reprovar tais palavras. Elas são vento ou, literalmente, para o vento. Tais palavras desaparecerão rapidamente. Haverá uma mudança nas circunstâncias, e a pessoa desesperada acordará das trevas noturnas e se arrependerá das palavras precipitadas.

Portanto, não desperdicemos nosso tempo e energia reprovando tais palavras. Elas desaparecerão por si mesmas, ao vento. Uma pessoa não precisa podar folhas no outono; é um esforço inútil. Elas logo se espalharão aos quatros ventos.

Quão rapidamente nos dispomos a defender a Deus — ou, às vezes, a verdade — contra palavras que são ditas apenas ao vento. Existem muitas palavras, premeditadas e ponderadas, que precisam de nossa reprovação, mas nem toda heresia desesperadora, dita irrefletidamente em horas de agonia, precisa ser respondida. Se tivéssemos discernimento, poderíamos ver a diferença entre palavras profundas e palavras ditas ao vento.

Existem palavras que têm raízes em erros e males profundos. Mas nem todas as palavras cinzentas obtêm sua cor de corações pretos. Algumas são coloridas principalmente pela dor, pelo desespero. O que você ouve não são as coisas mais profundas do coração. Existe algo real em nosso íntimo, de onde procedem as palavras, mas é temporário — como uma infecção passageira — real, doloroso; mas não é a verdadeira pessoa.

Aprendamos a discernir se as palavras faladas contra nós, contra Deus e contra a verdade são apenas ditas ao vento — proferidas não da alma, mas do sofrimento. Se são palavras ditas ao vento, esperemos em silêncio e não reprovemos. Restaurar a alma, e não reprovar o sofrimento, é o alvo de nosso amor.

Extraído do livro: Uma Vida Voltada para Deus, de John Piper.


Fonte: Voltemos Ao Evangelho



O Contrabandista de Deus / Livro

O Contrabandista De Deus - Irmão André - John e Elizabeth Sherrill by Thales Bedim






O Perigo da obsessão


Extraído do livro "Em que você baseia sua vida cristã: Realidade espiritual ou obsessão?" Watchman Nee. Editora dos Clássicos .

Realidade espiritual é veracidade, é a verdade que nos liberta. Frequentemente, o cristão falha em trocar a veracidade e cai na falsidade.


Ele é enganado e preso pela falsidade; ele não vê claramente o verdadeiro caráter de certo fato, mas mesmo assim se considera esclarecido; o que pensa e faz é errado, mas ele entende que está muitíssimo certo. A essa condição chamamos de obsessão. A pessoa obcecada precisa da luz de Deus; caso contrário, não poderá sair da sua obsessão.


A obsessão é evidente quando alguém peca e ainda pensa tão bem de si mesmo a ponto de crer ser sem pecado. O mentiroso conhece seu pecado, mas procura enganar os outros; o obsessionado, embora em pecado, crê e diz aos outros que não tem pecado. Em outras palavras, enganar os outros é mentira e enganar a si mesmo é obsessão.


Estar obsessionado é muito trágico e triste. O obsessionado cai num estado bastante anormal.


Alguém pode mentir e enganar um cinco ou mesmo dez irmãos. Essas pessoas, sem dúvida, sofrem perda, mas o preço pago pelo que mente é muitíssimo mais alto, pois suas trevas conduzirão à obsessão. Ele mente até isso se tornar um hábito. Por fim, ele acreditará que sua mentira é verdade. As mentiras começam enganando os outros e terminam em obsesso para o que mente.


O mentiroso é duro por fora, mas seco por dentro; quanto mais confiante exteriormente, mas vazio se torna interiormente. O obsessionado é duro por fora e por dentro, sendo confiante no interior e no exterior, pois até mesmo sua consciência é usada para justificá-lo.


Algumas vezes, cristãos admiram certa coisa e secretamente almejam consegui-la. No início sentem-se um pouco incomodados sobre seu desejo, mas à medida em que continuam pensando naquela direção, pouco a pouco e de forma crescente, ficam convencidos da legitimidade e realidade de sua cobiça. Finalmente recebem-na como verdade e passam a propagá-las como verdade. Nessa altura, é muito difícil alguém convencê-las do seu erro, mesmo que seja pela Palavra de Deus.


Alguém pode ficar tão obsessionado a ponto de chamar o mal de bem e o bem de mal, de fazer da escuridade luz e da luz, escuridade e pôr o amargo por doce e o doce por amargo (Is. 5:20). Ele está totalmente errado, mas tem confiança que está certo. Quão lamentável é tal condição.


A condição para sermos iluminados é genuinamente querer a vontade de Deus. Cuidemos para não decidir, de maneira rápida e confiante, sobre qualquer assunto que chegue a nós. Pelo contrário, peçamos a Deus para nos dar um coração perfeito para fazer Sua vontade.


Se não quisermos ficar obsessionados devemos viver na luz de Deus. Nossa maior tentação é acender nossas próprias tochas. Sempre que enfrentamos um problema, imediatamente procuramos as respostas em nós mesmos. Passamos a decidir o que é certo e o que é errado. Isto não é o caminho que Deus quer que sigamos.


Com isto corremos um sério perigo de confundir a luz com as trevas e as trevas com a luz. Substituir a direção de Deus pela direção maligna e de nossa carne.


Peçamos a Deus para nos libertar, a fim de que diariamente vivamos em Sua luz e, assim, sejamos capacitados a conhecer o que é veracidade e realidade. Devemos corrigir palavras inexatas pronunciadas de forma incorreta. Se usarmos palavras inexatas visando a enganar as pessoas, estaremos nós mesmo nos enganando.


Pg 16. Vocês percebem, irmãos e irmãs, que ninguém jamais poderá entender as coisas espirituais com os olhos fixados no que é material, que ninguém jamais poderá pensar seriamente no que é espiritual com o cérebro? Todos os assuntos espirituais tem sua realidade.


Pg 27. Conhecer a Cristo:


Os discípulos conheciam o Senhor mais do que os Judeus; mesmo assim, precisavam aprender que Senhor Ele era. Depois de terem estado com Ele por um longo período, eles falharam em reconhecê-lo como Ele realmente era. Os discípulos viram-No com seus próprios olhos, ouviram-No com seus próprios ouvidos, tocaram-No com suas próprias mãos e, ainda assim, não O conheciam. Isso indica que conhecer o Senhor exige um órgão mais aguçado do que o do sentido da visão, mais perspicaz do que o do sentido da audição e mais sensível do que o do sentido do tato. Em Cristo, existe uma realidade que não pode ser conhecida na carne.


Cap. 2: Realidade Espiritual; seus relacionamentos

Devemos aprender a viver diante de Deus de acordo com o que realmente somos. Devemos pedir a Ele que nos leve a contatar o que é espiritualmente real. Algumas vezes, chegamos perto de ser falsos, simplesmente porque sabemos muito e agimos conforme as doutrinas, em vez de seguirmos a liderança do Espírito Santo. Sempre que agimos sobre a base da doutrina, não estamos tocando a realidade.


Quando chegamos a conhecer a nós mesmos é que começamos a conhecer os outros. Os que não conhecem a si mesmos não podem conhecer os outros.

"Consequentemente, a pregação sem realidade é vazia e inútil, pois não pode suprir o Corpo de Cristo".
" No exato momento em que recebemos vida do Senhor, a Igreja já está sendo suprida com vida".

Algumas passagens da Bíblia parecem ser facilmente mal-entendidas. Mas se o Espírito Santo estiver presente, qualquer pessoa será capaz de contatar a realidade espiritual da passagem. Desse modo, não pode haver entendimento errado.


Cap. 3:Realidade Espiritual / Como Entrar Nela.


. Qual é a causa da pobreza espiritual do indivíduo e da Igreja? E a falta da disciplina e do controle do Espírito Santo. Reconheçamos que todos os que são alargados e ricos diante de Deus são os que passaram por muitas situações e têm uma história com Deus. A experiência e a história deles tornam a Igreja rica. Muitas doenças são para a riqueza da Igreja; muitas dificuldades são para a riqueza da Igreja e muitas frustrações são para a riqueza da Igreja.


. Contemple o número de cristãos que passam seus dias na tranquilidade e na facilidade. O resultado é pobreza espiritual. Quando outros irmãos e irmãs estão em dificuldade, aqueles não entendem nem são capazes de oferecer assistência espiritual. Não tem história diante de Deus. O Espírito Santo não tem oportunidade de manifestar a realidade de Cristo neles porque não tem chance de incorporar Cristo neles. Não obstante quanto possam ter ouvido a Palavra, o ouvir não pode substituir a obra do Espírito Santo. Aqueles que carecem da obra do Espírito em sua vida não podem ter como sua a riqueza de Cristo; por isso, nada têm com que suprir outras pessoas.


Cap. 4: Obsessão / O que É?


O Fenômeno da Obsessão

Estar obsessionado é muito trágico e triste. O obsessionado cai num estado bastante anormal. Vamos dar algumas ilustrações. Alguns cristãos são obsessionados em sua forma de falar. Tendo dito coisas, são capazes de acreditar que nunca as disseram; ou não tendo dito coisas, ainda assim acreditam que as disseram. O que os outros nunca disseram eles imaginam e insistem que foi dito. Tais crentes não apenas mentem, mas também estão obsessionados. Na verdade, existem cristãos que estão obsessionados num nível tal que chegam a aceitar a mentira como verdade, o errado como certo e o falso como fato.

" O que o cristão mais deve temer é ter pecado e não ver tal pecado".


Cap.5 : Obsessão / Causas E Livramento


Por cobiçarem a glória dos homens, os judeus rejeitaram o Senhor e perderam a vida eterna. Quão lamentável! Esse amor desordenado pela glória dos homens inclinou o coração deles para a mentira. Como resultado, eles acreditaram na falsidade. Eles se tornaram cada vez mais confiantes em si mesmos. Eram nada mais que obsessionados.


" O cristão que não tem luz em si tende para a obsessão".


A vida cristã não deve ser cheia de problemas, dúvidas e hesitações. Devemos ser capazes de ver se algo é certo ou errado. Se pudermos ver, evitaremos cair em obsessão.


# Leia esse livro com seriedade. Sua saúde espiritual- e mesmo física e emocional- está em jogo.


Que Deus nos livre da falsidade e da obsessão.



Brennan Manning - O Evangelho Maltrapilho


O evangelho maltrapilho foi escrito com um público leitor específico em mente. Este livro não é para os super espirituais. Não é para os cristãos musculosos que têm John Wayne como herói, e não a Jesus. Não é para acadêmicos que aprisionam Jesus na torre de marfim da exegese. Não é para gente barulhenta e bonachona que manipula o cristianismo a ponto de torná-lo um simples apelo ao emocionalismo. Não é para os místicos de capuz que querem mágica na sua religião.

Não é para os cristãos "aleluia", que vivem apenas no alto da montanha e nunca visitaram o vale da desolação. Não é para os destemidos que nunca derramaram lágrimas. Não é para os zelotes ardentes que se gabam com o jovem rico dos Evangelhos: "Guardo todos esses mandamentos desde a minha juventude". Não é para os complacentes, que ostentam sobre os ombros um sacolão de honras, diplomas e boas obras, crendo que efetivamente chegaram lá. Não é para os legalistas, que preferem entregar o controle da alma a regras a viver em união com Jesus. O evangelho maltrapilho foi escrito para os dilapidados, os derrotados e os exauridos.





O Plano Mestre de Evangelismo

O PLANO MESTRE DE EVANGELISMO 

Este resumo elaborado do livro O Plano Mestre de Evangelismo é uma tentativa de esboçar a estratégia evangelista básica do Senhor Jesus. Ele fornece-nos a direção correta, dentro dos métodos que Jesus usou para com as vidas para seguirmos dentro da Palavra, com os exemplos mostrados por Cristo. Este livro apresenta uma série de princípios e tem esboçado um esquema que se for cuidadosamente estudado muito contribuirá para livrar o conceito de evangelismo do âmbito “especial” e do ocasional e o ancorará firmemente na vida e nos testemunhos essenciais e permanentes da congregação evangélica.

1º Passo de Jesus – “Escolheu doze dentre eles” Lc 6:13.

 João e André foram os primeiros a serem convidados, ao deixar Jesus a cena do grande reavivamento encabeçado por João Batista em Betânia, do outro lado do Rio Jordão.  André por sua vez trouxe seu irmão Pedro (João 1: 41,42). No dia Seguinte Jesus encontrou Felipe quando estava a caminho da Galileia e Felipe encontrou Natanael (João 1:43-51).

Tiago irmão de João, não é mencionado como participante do grupo, enquanto os quatro pescadores não foram novamente chamados diversos meses mais tarde a beira do mar da Galileia (MC 1:19; MT 4:21), pouco mais adiante viu Tiago, filho de Zebedeu e João seu irmão que estavam no barco consertando as redes e logo os chamou, deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus. Pouco depois Mateus foi convidado a seguir ao mestre quando Jesus passava pela cidade de Cafarnaum (MC 2:13,14; MT 9:9 e LC 5:27).

De novo saiu Jesus para junto ao mar e toda multidão vinha ao seu encontro e Ele os ensinava. Quando passava viu  a Levi filho de Alfeu sentado na coletaria e  disse-lhe  segue-me! Ele se levantou e o seguiu.

Em LC 5, entendemos que foi André que levou Pedro a Jesus.O milagre da pesca influenciou a chamada de Pedro, pois Jesus chama Pedro.

Os setenta discípulos (LC 10:1) os reveladores do evangelho, como Marcos e Lucas, Tiago o Próprio irmão de Jesus (1 COR 15:7; GL 2.9,12; JO 2:12) dentro do grupo apostólico  selecionado Pedro, Tiago  e João pareciam desfrutar  de uma relação mais  especial com o mestre  que os outros nove apóstolos. Somente esses três privilegiados foram convidados a entrar na sala mortuária da filha de Jairo (MC 5.37 e LC 8.51). Somente esses três estiveram sozinhos no Monte com o mestre onde contemplaram a sua glória no momento, chamado: da transfiguração. (MC 9.2 ; MT 17.1 ;LC 9.28).

E em meio as oliveiras do Jardim do Getsêmani, que lançaram sombras ameaçadoras, a luz plena da manhã da Páscoa, esses três membros do círculo mais chegado, foram os que estiveram mais perto do seu Senhor, enquanto ele orava (MC 14.33 e MT 26.37).

É chegado o tempo de a igreja enfrentar de maneira realista essa situação. Nossos dias de superficialidade estão chegando ao término. O programa evangelístico da Igreja tem fracassado em quase todas as frentes. O que é pior, é que o grande esforço missionário das igrejas evangélicas em novas fronteiras tem perdido consideravelmente o seu ímpeto. Na maioria dos países a debilitada igreja nem ao menos está acompanhando o ritmo da explosão populacional durante todo o tempo, todavia as forças satânicas do mundo vão-se tornando mais incansáveis e abrasadas em seus ataques. 

É uma autêntica ironia, quando paramos para refletir a respeito da situação em uma época em que a igreja dispõe de facilidade para comunicação rápida como nunca antes aconteceu, na realidade estamos realizando menos na conquista do mundo para Deus, do que na conquista antes da invenção da carroça puxada a cavalos.
Outros setenta também foram enviados igualmente de dois em dois, a fim de darem testemunho sobre o seu Senhor (Ver LC 10.1). Não se sabe com certeza quem eram esses outros setenta discípulos; mas todas as indicações parecem mostrar que esse grupo incluía os doze discípulos originais. As dimensões do grupo também indicam que até certo ponto esse número aumentado se devia as atividades crescentes dos doze,  em seu testemunho em favor de Cristo.

O evangelismo, por conseguinte não é um acessório opcional em nossas vidas de crentes, mas é o próprio pulsar de tudo aquilo para o que fomos chamados a ser e fazer.

O plano de ensino traçado pelo Senhor Jesus mediante exemplo, incumbência e verificação constante, era calculado para extrair o que havia de melhor nos discípulos. O plano de Jesus nunca deixou de estar em vigor tão somente tem sido ignorado. Tem sido reputado como algo a ser lembrado, pertencente a um passado venerado, mas não como algo a ser levado a sério, como regra de conduta para o presente.

CONCLUSÃO

A leitura deste livro foi de muita significância para mim, já tive a oportunidade de ler alguns livros sobre evangelismo, mas os conteúdos abordados neste livro me ajudaram a entender e compreender o verdadeiro evangelismo, o método usou no seu testemunho a melhor forma de falar de Deus para as pessoas provando Biblicamente a sua autenticidade provando para as pessoas que a Bíblia é a palavra de Deus, e ensinou-me a evangelizar de uma forma simples como Jesus evangelizava. Não necessitamos de abordagens engenhosas para que as pessoas sejam salvas. 

Hoje sem dúvidas, existe uma maior facilidade dentro das igrejas para poder alcançar as vidas, e mesmo assim existem poucos resultados, as pessoas não saem do conforto que há dentro das igrejas, não se relacionam mais com as pessoas, apenas fazem grandes congressos avivamentos, louvores (etc...) para chamar e atrair pessoas para participarem dos cultos sem se aproximar das pessoas, sem querer se comprometer muito, sem querer cuidar delas ou acompanhá-las de fato como Jesus fazia.

Jesus esteve o tempo todo ao lado de seus discípulos, pouco tempo atrás eu meditei em um versículo bíblico que no tempo de Jesus, o relacionamento com Deus e com as pessoas era o que mais lhes importavam. Este livro esclareceu melhor os meus conceitos também teológicos e me deixou com a mente aberta para que haja sempre em mim dedicação total ao meu Senhor, e que sempre haja dependência total de sua graça, e para isso preciso constantemente de oração, jejum e leitura bíblica.

Aprendi alguns métodos a serem aplicados no meu evangelismo diário, pois hoje em dia por onde vamos sempre nos deparamos com pessoas necessitando de uma palavra, um abraço. Hoje o mundo está carente do amor de Deus, e por esse motivo precisamos ajudar as pessoas a compreender o amor de Deus para com elas e essa compreensão precisa começar por mim, pois a medida que entendo o sacrifico do Senhor Jesus e seu amor, não posso mais ficar de braços cruzados sem compartilhá-lo com outras pessoas.
O testemunho, a paciência e a oração, são os elementos mais abordados neste livro e que eu não posso deixar de lado de maneira alguma.

Uma grande lição: Quando os discípulos de Jesus tentaram curar o menino possesso por um demônio que fora trazido pelo seu próprio pai, eles falharam nesta missão, então veio a frustração, a situação fora grande demais para a fé deles; naturalmente Jesus passou a cuidar do menino mas não deixou em branco a oportunidade de dar aos frustrados discípulos, uma lição muito necessária: Através do jejum e da Oração, podemos aumentar a nossa fé e depender exclusivamente de Deus. (MC 9:17-29; MT 17:14-20).
Michael Rossane

BIBLIOGRAFIA 

Colemam, Robert e o plano mestre de evangelismo traduzido por João Marques Bentes. -São Paulo: Mundo Cristão, 1969.

Leia mais sobre EVANGELISMO/ MISSÕES



ESGOTAMENTO ESPIRITUAL

Concluí a leitura minuciosa do livro de Malcolm Smith, do qual me levou à algumas compreensões durante esses meses do momento delicado em que estava sendo testado (vivendo), e isso se deu por 14 anos ininterrupto de dedicação e fidelidade ao Reino de Deus na igreja em que servi. 

 Foram anos de muitas conquistas, crescimento em todos os aspectos, mas também não faltou as dificuldades, perseguições, acusações, cansaços, resultando em uma grande queima espiritual e esgotamento total, esgotamento esse vivido também pelos profetas da Bíblia Sagrada, estando todos nós sujeitos a essa queima espiritual, depressão entre outras.

 No meu caso, como vejo muitos afirmando por aí, não teve nada de demônios e macumbas atuando na minha vida, mas de fato por pessoas malígnas e desocupadas mesmo. Infelizmente hoje escuto muitos líderes e pastores com suas teologias errôneas, afirmando ser a depressão, desanimo, cansaço e tristezas, sentimentos ou comportamentos não vindos da parte de Deus, sendo uma ação do Diabo, e que cristãos de verdade não passam por isso, quanta ignorância e cegueira espiritual.

 Não vou expor aqui a minha opinião a respeito desses camaradas porque não convém. Mas diante de tudo, quero dizer que, aos longos meses de esgotamento espiritual, pessoal e financeira, adquiri muitas e muitas experiências e milagres marcantes em minha vida e uma aproximação maior de Deus e dependência total dEle nesse tempo de escuridão, choros, tribulações, desesperos, solidão e angústias. E também quero ressaltar a ajuda de algumas pessoas que confiaram em nós, que ouviram a voz de Deus para nos socorrer, estando ao nosso lado, minha amada esposa maravilhosa, uma grande companheira, pessoas que amo muito e para sempre, um laço eterno entre nós, e também por pastores e escritores como um canal de Deus nos momentos mais cruciais da minha vida, assim como foi essa obra maravilhosa. 

 Estou a cada dia caminhando para essa restauração total no qual preciso ainda. Mas a misericórdia e a graça de Deus vem me sustentando até chegar aonde Ele desejar.

 Muitas experiências adquiri nesse tempo e amadurecimento. E também durante toda a minha caminhada cristã, e posso te ajudar de alguma forma se caso esteja sofrendo o mesmo e sem compreensão do que esteja vivendo, passando. Abaixo estarei disponibilizando o meu E-mail e também uma exposição da vida de Asafe juntamente com um resumo dos pontos essenciais do livro de Malcolm Smith, para você chegar a conclusão de que não está só nesse mundo, e que não está sendo obra da ação demoníaca ou porque pecou. Mas, simplesmente um momento temporário na sua vida de adaptação e crescimento, e um momento precisando de ajuda de profissionais no qual também recorri alguns meses atrás, e não tem nada de errado e pecaminoso em relação à isso, e também de uma dependência por parte total de sua pessoa a Deus e de sua confissão também a Ele.

Fica nítido que Asafe obteve suas experiências, assim como Elias e Ezequiel, um pouco diferente das nossas, das minhas, mas homens imperfeitos de Deus que se queimaram espiritualmente. Que Deus abençoe a vida de todos.

Michael Rossane

Michael_rossane@hotmail.com

Trechos do livro Esgotamento Espiritual

  “A solução para o problema da queima espiritual é reagir a Deus com novo frescor, redescobrir novo relacionamento com ele”. 
  “Um dos maiores problemas da pessoa esgotada espiritualmente é a falta de perdão. Em geral, essa incapacidade de perdoar degenera em ressentimento e amargura de raízes profundas”.
Viver mediante regras e ritos não é ser cristão; é ser religioso. O Cristianismo não é uma religião que dependa de fórmulas para obter o favor divino, mas é, antes, um relacionamento dinâmico com Deus mediante Jesus Cristo.

  O cristão esgotado espiritualmente deve reagir com renovado frescor ao amor, à misericórdia e à graça de Deus, e viver cheio de paz e de alegria.
 “Alguns ministérios”, diz Malcolm, “foram convocados para colher o trigo numa obra evangelística. Eu fui chamado para pegar esse trigo e transformá-lo em pão que alimente o mundo”. 

  Muitos pastores acham muito difícil estudar a Bíblia. Em consequência, enfrentam dificuldade imensa no preparo de um sermão dominical que contenha alimento espiritual. Estão constantemente procurando, apanhando  qualquer coisa com que alimentar suas ovelhas. Chega o Domingo - lá vêm eles com seus sermões. Será que não estão carregando nos braços montes e montes de colocíntidas?


 Porém, os circunstantes não notarão que aquilo que está sendo dito vai envenenar os ouvintes. Por que deveriam notar? Confiam em seu pastor e muito corretamente presumem que ele vai aplicar a si mesmo aquilo que está ensinando.


  Quando as pessoas estão exaustas e espiritualmente doentes, é preciso que primeiramente lhes pesquisemos a dieta espiritual. Em geral a morte principia no prato onde comem, no alimento que usualmente é preparado por um pastor ou evangelista sincero que come, ele próprio, dessa comida envenenada. No fim estarão todos queimados espiritualmente, juntos. 


   Os problemas da igreja, hoje, não são primordialmente falta de oração, de estudo bíblico, de fé ou de dedicação. O problema é mais profundo do que estas coisas. alguma coisa nos tornou tão fracos que não queremos orar nem ler a Bíblia... eliminou-se de nós todo o entusiasmo pelas coisas de Deus.


  Que é que está fazendo com que o exercício da fé se transforme numa verdadeira batalha, quando sabemos que, na verdade, ali está o portal do descanso eterno de Deus? Por que é que nosso culto entusiástico veio a tornar-se tão frio a tal ponto que ficamos cansados de cultuar? Por que é que tantos crentes acabaram cansando-se de estudar a Bíblia? Por que é que nossas grandes palavras de vitória falham quando mais precisamos delas?


Os crentes estão queimando-se e caindo de exaustão porque o alimento espiritual que estão ingerindo é venenoso. Há morte na panela! Estamos vivendo em dias de fome espiritual; e o alimento não se encontra prontamente disponível onde esperaríamos que estivesse. Os famintos espirituais têm de sair e providenciar provisões, quaisquer mantimentos, onde quer que os encontrem.

 Enquanto a pessoa estiver vivendo segundo as verdades que nos foram trazidas por Cristo, não pode queimar-se espiritualmente! Aquele que cai exausto, só cai porque acreditou numa distorção das Boas Novas (que não é, portanto, evangelho!), ou porque se esqueceu do cerne do evangelho em que creu, numa ocasião, e se deixou extraviar.
Se é esse o caso, podemos afirmar que a melhor coisa que tal pessoa pode fazer é tombar exausta à beira da estrada da vida. Se aquilo em que ela está crendo não é o evangelho da verdade, quanto mais cedo determinar que suas crenças não é o evangelho da verdade, quanto mais cedo determinar que suas crenças são incapazes de fornecer-lhe vida espiritual e saúde, melhor será. 

 Quando estudamos o ministério de Jesus, é significativo ver que ele não apenas ensinou a verdade, mas também atacou o erro... e fê-lo em todas as oportunidades. Lucas 4.18,19.


  A religião leva a pessoa a unir-se fortemente a um voto de guardar as regras que governam a conduta, os ritos e fórmulas pelos quais pode aproximar-se de Deus. Isto exige o constante exercício de sua vontade, e a completa obediência aos preceitos. A finalidade principal de tudo isto é Deus ser agradado e a pessoa ser aceita por ele.


 A religião começou no jardim do Éden, quando o homem caiu. A primeira reação do homem em sua condição decaída foi fugir da presença de Deus e esconder-se atrás de algumas árvores. Desde esse dia o homem sem Cristo sente medo de Deus. E expressa esse medo mediante o ateísmo, que é a esperança de que Deus não está mais lá, ou nunca esteve; e o materialismo, através do qual o homem se esconde nas coisas materiais desta vida, na esperança de que Deus vá embora ou jamais se interesse por ele!

  "Vendo ele as multidões, tinha grande compaixão delas, porque andavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor". Mateus 9.36.
 A palavra "cansado" significa: "exausto, ter trabalhado até que não resta força alguma". Hoje, no contexto em que Jesus estava falando, poderíamos traduzir o texto assim: "queimados espiritualmente, esgotados de toda força espiritual, exaustos na tentativa de agradar a Deus". Aquelas pessoas estavam sobrecarregadas, esmagadas pelo peso de todas as Leis e preceitos que a religião jogara em cima delas. 

  Queimar-se espiritualmente é alternativa que só pode ocorrer quando há má compreensão fundamental do cerne do evangelho, ou quando a pessoa falha em aplicá-lo em sua vida e ministério. Um crente espiritualmente exausto está exibindo sintomas de um problema muito mais grave.

 "O amor-ágape não traça círculos, não exclui ninguém". Mt 5.44,45.
 E em Lucas 6.35:
 "A religião mais pura e a única verdadeira neste mundo, a que nasceu no monte Sinai, mediante Moisés, dizia: ... amarás o teu próximo como a ti mesmo... Lv 19:18.  Jesus não fez assim: ele amou o próximo mais do que a si mesmo".
A HISTÓRIA DE OSEIAS / UM EXEMPLO DE AMOR

 Este tipo de amor não pode, realmente, ser expresso em palavras, em linguagem humana; por isso Deus, no Antigo Testamento, usou um de seus profetas, Oseias, para demonstrar através dele o amor Ágape. Em sua função de representante de Deus, o nome de Oseias tornou-se bem conhecido em todos os lares de Israel. Ele e sua família eram vigiados por todos.

  Deus convocou Oseias para que este se casasse com Gomer, mulher que tinham a infidelidade no coração. Casaram-se, e não demorou muito para a infidelidade de Gômer tornar-se manifesta. Ela era vista com diferentes homens nas festas da sociedade samaritana, e a nação inteira de Israel começou a acompanhar o desenrolar daquela novela que acontecia diante de seus olhos.


 Por fim, ela abandonou Oseias e tornou-se prostituta. Aos olhos das pessoas decentes, ela era depravada e fazia o marido de tolo. Todas as ações dessa mulher deixavam bem claro que ela desprezava Oseias e desejava embaraçá-lo diante do vigilante povo de Israel.


  Em seguida, os muitos amantes cansaram-se de Gômer. Ela se viu obrigada a vender o próprio corpo nas ruas, escravizada por um alcoviteiro. Finalmente, este a colocou num palanque onde se vendiam escravos - ela deveria ser vendida pela oferta mais alta.


  Oseias sentiu-se profundamente ferido... em sua solidão, as lágrimas corriam livremente, lágrimas provenientes da grande vergonha de um escândalo público. Agora sua esposa está à venda numa barraca de escravos; Deus lhe ordena que vá comprá-la e que a reconsidere como sua esposa: "Ame a mulher que o envergonhou e o desprezou, procure o maior bem dessa mulher, leve-a para casa, proteja-a e tome conta dela".


 Enquanto Oseias abria caminho pelas ruas de má fama de Samaria até chegar ao mercado de escravos, cada passo do profeta demarcava na mente do povo de Israel a natureza do amor de Deus para conosco.

 Eros rejeita aos que o ferem, como também ao feio; Ágape abraça seus inimigos e procura seu mais elevado bem. Diz Eros:
  "Eu te amo, porque preciso de ti!" Diz Ágape: "Preciso de ti porque eu te amo!"

  O amor incessante de Oseias por sua esposa tornou-se a mensagem de Deus para Israel, um retrato composto de sombras de seu amor à humanidade. Foi este mesmo amor que fez com que Jesus chorasse publicamente, sobre Jerusalém (Lucas 19:41-44), não porque o povo iria insultá-lo, envergonhá-lo e crucificá-lo, mas porque, procedendo assim, o povo estaria prejudicando-se eternamente. Ele chorou por causa do sofrimento de seus inimigos.


 Deus ama as piores pessoas, aquelas carregadas de problemas, que já não têm mais esperança. Deus não condena as pessoas pelos seus pecados, acusando-os sem piedade; em vez disso, ele abraça essas pessoas que ainda cheiram a porcos, ele as perdoa e as beija.


 A RELIGIÃO

 Visto que religião é modificação do comportamento, ela subtrai da vida da pessoa muitas coisas que esta antes vinha fazendo, e acrescenta muitas outras que nunca antes fizeram parte de seu modo de viver. A ênfase da religião é no exterior: nas roupas que a pessoa não pude usar; nos lugares que precisam ser evitados; nos livros, revistas, e filmes proibidos; nos alimentos e bebidas que não podem ser tocados.

 A religião também acrescenta um novo comportamento: frequência assídua à igreja ou às reuniões religiosas, separação de momentos especiais para a leitura da Bíblia e oração; obras sociais entre os pobres. Há mudanças nas amizades: só se incluem os amigos que adotam o mesmo estilo de vida religiosa e que, juntos, estão engajados em todas as atividades sociais aceitáveis segundo o código daquele tipo particular de religião.


 A pessoa poderá tornar-se ainda mais devotada a Deus se se tornar presbítero, membro do coro, líder da mocidade, ministro do evangelho ou mesmo missionário!


 É óbvio que o sistema doutrinário dos fariseus, o qual procura a aceitação de Deus mediante a modificação do comportamento, reduz o Cristianismo a uma fórmula, em vez de mostrá-lo como realmente é: um relacionamento dinâmico com Deus, trazido por Cristo.


Mas a coisa é ainda pior, porque viver segundo regras e códigos produz o inverso dos objetivos de Jesus. Deus é Ágape, e Jesus afirmou que seus discípulos seriam conhecidos por uma vida marcada pelo amor divino. É trágico que a religião só consiga produzir orgulho no coração da pessoa, e desprezo por todos quantos não acatam os preceitos específicos da seita.


 A religião  mira-se no espelho de seus mandamentos e, em seguida, espreita os que não pertencem  ao mesmo círculo de presunçosos, e orgulha-se: ... ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros... (Lucas 18:11). Descreve, em seguida, seu modo de vida superior!


  Ao longo da história, o Espírito de Deus tem-se manifestado continuamente entre os homens, e aberto seus olhos para que vejam o grandioso e incondicional  amor revelado por Deus em Jesus Cristo.


  Quando o homem recebe a dádiva do Ágape, há alegria, há festa. Entretanto , dali a pouco os guias farisaicos aparecem, à semelhança de erva daninha em canteiro de flores, a fim de minimizar a vida espontânea do Espírito, reduzindo-a a um código rígido. O relacionamento com Deus transforma-se assim numa fórmula morta para reger a vida.


  Já não se conhece mais o crente pelo fato de Cristo ser a fonte de sua vida; ele é conhecido, em vez disso, pelas peculiaridades dos preceitos pelos quais vive. Testemunhar deixou de ser um compartilhamento do próprio Jesus na vida do crente, e transformou-se num convite para ele viver sob o jugo de uma forma particular de religião.


 Quanto mais religiosa se torna a pessoa, mais longe fica de Deus. Quanto maior a dedicação religiosa, maior a sensação de vazio. A observância de todos os preceitos não satisfaz a fome interior; e assim, uma dedicação segue-se a outras dedicações, enquanto a pessoa vai nutrindo a esperança de que aquela será a última oferenda capaz de agradar a Deus, e trazer satisfação ao seu coração.


 A religião muda o comportamento, mas não muda o coração, a fonte dos desejos humanos. Ao acatar todos os preceitos, o crente evita o que lhe é proibido... mas seu coração ainda deseja regalar-se. Na verdade, o coração almeja ainda mais fazer aquelas coisas, agora que elas se tornaram proibidas. A pessoa sincera se entristece com sua incapacidade para obedecer, mas sempre se esforça para retornar às dedicações e promessas a Deus.


  FALSOS PASTORES

  Milhares de crentes queimados espiritualmente, cheios de confusão, deixaram a igreja porque um pastor sincero os alimentou, servindo-lhes da panela farisaica do legalismo.

   Nos dias bíblicos o pastor significava muito mais do que hoje. Ele se entregava a seu rebanho; era totalmente responsável pela proteção e sustento das ovelhas. Sempre que o termo pastor era usado simbolicamente, descrevia líderes; tanto podia referir-se ao rei quanto aos líderes espirituais da nação. Todos esses eram vistos como responsáveis pelo cuidado, alimentação e orientação das pessoas em suas áreas específicas.


   Entretanto, a imagem do pastor desenvolveu-se na realidade entre os profetas. Muitos deles sentiram o pesado fardo de enfatizar que o povo da aliança de Deus havia sido desviado por falsos pastores.

  Que é que os pastores ensinaram ao povo que causou sua dispersão, e os deixou à mercê de todos os inimigos que procuravam sua morte? O profeta Zacarias referiu-se a isso:
   ... Porque os ídolos têm falado vaidade, e os adivinhos têm visto mentira, e contam sonhos falsos; com vaidade consolam, por isso seguem o seu caminho como ovelhas; estão aflitos, porque não há pastor. Zacarias 10:2
   ... Porque, eis que suscitarei um pastor na terra, que não cuidará das que estão perecendo, não buscará a pequena, e não curará a ferida, nem apascentará a sã; mas comerá a carne da gorda, e lhe despedaçará as unhas. Zacarias 11:16
   Ezequiel falou disso mais claramente que qualquer outro profeta :
  "As fracas não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza. 34:5 Assim se espalharam, por não haver pastor, e tornaram-se pasto para todas as feras do campo, porquanto se espalharam. 34:6 As minhas ovelhas andaram desgarradas por todos os montes, e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andaram espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem perguntasse por elas, nem quem as buscasse. 34:7 Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR: 34:8 Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que, porquanto as minhas ovelhas foram entregues à rapina, e as minhas ovelhas vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuraram as minhas ovelhas; e os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas...". (Ezequiel 34:4-8)
   Quando Deus viu seu rebanho hostilizado  e perseguido pelos pastores, cuja principal missão é garantir a saúde das ovelhas, dando-lhes proteção e orientação, disse o Senhor que ele próprio viria e pastorearia seu rebanho:
   Porque assim diz o Senhor DEUS: Eis que eu, eu mesmo, procurarei pelas minhas ovelhas, e as buscarei. 34:12 Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e livrá-las-ei de todos os lugares por onde andam espalhadas, no dia nublado e de escuridão. 34:13 E tirá-las-ei dos povos, e as congregarei dos países, e as trarei à sua própria terra, e as apascentarei nos montes de Israel, junto aos rios, e em todas as habitações da terra. 34:14 Em bons pastos as apascentarei, e nos altos montes de Israel será o seu aprisco; ali se deitarão num bom redil, e pastarão em pastos gordos nos montes de Israel. 34:15 Eu mesmo apascentarei as minhas ovelhas, e eu as farei repousar, diz o Senhor DEUS. 34:16 A perdida buscarei, e a desgarrada tornarei a trazer, e a quebrada ligarei, e a enferma fortalecerei; mas a gorda e a forte destruirei; apascentá-las-ei com juízo. (Ezequiel 34:11-16)
   Como pastor divino da aliança, Jesus falou  que tinha vindo com o propósito  de ajuntar seu rebanho, curá-lo e dar-lhe repouso e segurança. Usou a linguagem de Ezequiel a fim de descrever sua missão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido. Lc 19:10.

  Jesus viu o povo como as ovelhas feridas de que os profetas haviam falado:... E Jesus, saindo, viu uma grande multidão, e teve compaixão deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor; e começou a ensinar-lhes muitas coisas. (Mc 6.34). E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor (Mt 9.36). 


  Duas palavras neste texto descrevem as condições das ovelhas. A palavra traduzida por "aflitas" é usada na língua grega para descrever pessoas que foram atacadas e roubadas, perdendo seus bens. Elas jazem agora amedrontadas, confusas, fracas demais para caminhar e sair da margem da estrada aonde foram atiradas e abandonadas. "Exaustas" - a segunda palavra - também tem sido usada para descrever pessoas que caíram e não têm condições de erguer-se.


  Se alguém olhasse para a multidão, veria um grupo de camponeses decentes, respeitáveis, da Galileia, que iam ao culto todos os Sábados, e enviavam seus filhos à escola em que o principal livro-texto eram os cinco primeiros livros da Bíblia. A maior parte das famílias lia e memorizava grandes porções das Escrituras, e ordenava suas vidas numa tentativa de obedecer aos preceitos escriturísticos. 


  Jesus as via com os olhos de Pastor da aliança. Ele descreve essas pessoas respeitáveis como ovelhas perdidas, aflitas, de quem tinham roubado a verdade, ovelhas perseguidas, dispostas a desistir. Seus líderes espirituais distorceram a verdade da Palavra de Deus a tal ponto, que esta se lhes tornara fonte de morte e exaustão espiritual.



 Em João 10, Jesus descreveu os falsos pastores como ladrões, assaltantes e assassinos. Na melhor das hipóteses, eram servos contratados que só trabalhavam mediante salário, empregados que não demonstravam qualquer interesse pelo bem estar do rebanho. Na pior das hipóteses, eram semelhantes a ladrões que assaltavam o rebanho, para roubar-lhes tudo quanto o Pai lhes havia concedido graciosamente, em seu amor. 

  Eram assassinos que traziam a morte espiritual com suas palavras. "O ladrão só vem para roubar, matar e destruir... o mercenário... não tem cuidado com as ovelhas" (João 10:10,13).


   Muitos tem sugerido que o ladrão é o diabo, mas o contexto não permite tal interpretação. O ladrão, nesta passagem, é a pessoa que está ensinando às ovelhas uma doutrina que destrói sua vida espiritual. No contexto de João 10, tratava-se dos fariseus.


  Jesus nada tinha em comum com a religião, da mesma forma que um pastor nada tem em comum com o caçador desonesto. Ele não veio para dar-nos forças para cumprirmos os dez mandamentos, e tampouco deu-nos Cristo uma versão atualizada do decálogo no sermão do monte.


  Jesus opôs-se a todo e qualquer sistema que ensinava que a pessoa precisa antes mudar seu comportamento a fim de  tornar-se aceitável diante de Deus. Ele não veio fundar nova religião. A igreja pela qual ele morreu e ressuscitou a fim de trazê-la à existência, de modo nenhum é uma religião.

   Ei-lo descrevendo a si próprio e à sua religião:

   "...eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância. Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas". (João 10.10,11)

  Viver a vida cristã não é viver mediante as próprias forças e recursos, mas mediante o Cristo infinito que vive dentro de quantos crêem nele. Toda a força humana chegará ao fim, mais cedo ou mais tarde, deixando cada um de nós transformando em cinzas. Mas o poder de Cristo não tem fim!
   VIVER A VIDA DE CRISTO

   Jesus diz que o crente não possui existência independente, que de vez em quando precisa receber ajuda especial, uma injeção de ânimo espiritual, a fim de prosseguir na vida cristã. Não se pode pensar num ramo como vivendo à parte da seiva vital que flui nele, como não se pode pensar num crente senão como expressão de Jesus Cristo.

  Semelhantemente, Jesus só pode ser conhecido hoje através dos crentes - ramos de videira. A vida de Cristo precisa de um canal pelo qual possa fluir para o mundo.

  A fé não pode nascer em nós com base naquilo que Deus realizou em prol de outra pessoa. Ele deve proferir sua Palavra em nosso coração, o que deixará, não um fato verdadeiro em nossa mente, mas um conhecimento absoluto em nosso coração.
  UM CASO CLÁSSICO DE ESGOTAMENTO ESPIRITUAL

  Milhares de crentes se esgotam diariamente porque esperavam coisas da parte de Deus que o Evangelho não promete.

  Asafe era homem de Deus, nos dias do rei Davi. Era autor de vários salmos, e pioneiro, sob a orientação de Davi, na condução de Israel num culto alegre no monte Sião.


   Asafe havia nascido na tribo sacerdotal de Levi, o que significava que estava destinado a ministrar na presença de Deus durante toda sua vida. Na época do seu nascimento, o interesse nacional pelas coisas espirituais estava num ponto baixíssimo devido à apostasia de Saul, que reinava em Israel.

   Quando Davi tornou-se rei, conduziu o povo a um reavivamento espiritual, levando a arca da aliança de volta a Jerusalém. Ela tinha sido colocada dentro dos muros de Sião; na tenda que a abrigava, erguia-se um louvor desinibido, um culto espontâneo a Deus.

 Sem dúvida, Asafe era homem dotado de grandes dons espirituais, e de grande potencial, ungido pelo Espírito a fim de conduzir o povo no louvor. Com o passar dos anos, ele haveria de escrever alguns salmos, e, muitos anos após sua morte, seria lembrado pelo título profético de "vidente" (2 Cr 29.30). Contudo, naqueles primeiros dias, logo após ser guindado da obscuridade, Asafe estava numa posição perigosa. Recebera a magnífica honra de ter seu nome ligado ao de Davi como o salmista de Israel.  Por razão de sua posição, o moço gozava de reputação que excedia sua experiência.


 Asafe, companheiro de Davi, homem que conduzia a nação no louvor, no ápice de sua vida espiritual esgotou-se espiritualmente . Exauriu-se. Ocupadíssimo todos os dias na organização do culto a Deus, as bases de Asafe começaram a desmoronar.

   É significativo que o Espírito Santo registre o testemunho que ele deu no Salmo 73, descrevendo como falhou e se recuperou. Asafe é prova de que ninguém está isento de queimar-se espiritualmente... e ele também é a esperança de que podemos mover-nos, saindo da exaustão espiritual para a verdadeira alegria da fé.

  Devido o fato de ele ter documentado cuidadosamente as causas que o conduziram a seus dias de crise na fé, o salmo é preciosa chave para a compreensão do esgotamento espiritual. Asafe também nos diz o que foi que o trouxe de volta - e deu-lhe o rico ministério pelo qual o conhecemos.


  Ele relacionou o início de seus problemas com o dia em que começou a observar os ricos vizinhos incrédulos, cuja vida era opulenta. Eram prósperos materialmente, e pareciam não ter qualquer preocupação neste mundo. Asafe fora criado sob a lei de Moisés, e embora, sob a influência de Davi, tivesse sido tocado pela graça de Deus e se movido na dimensão do Espírito, ele ainda se cingia aos velhos princípios da Lei. Acreditava que sua fé, sua dedicação a Deus e suas obras o tornaram merecedor das bênçãos materiais do Senhor. A aliança seria uma fórmula de prosperidade para uma vida tranquila.


  Tal perspectiva é sempre perigosa, porque iguala a espiritualidade com as posses e livramento das oposições, nesta vida. Era o fermento dos fariseus antecipando-se, e dizendo: "Visto que eu fiz isto e aquilo, Deus deveria conceder-me bênçãos materiais". É o mesmo espírito que vemos no irmão mais velho da parábola do filho pródigo: "É claro que eu deveria ser recompensado por todo o trabalho que fiz para o senhor!


 O problema aqui não é se Deus abençoa seu povo com coisas materiais. Ele abençoa. Contudo, as coisas materiais são o pós-escrito da aliança que nos trouxe a um relacionamento dinâmico com Deus.  Esse relacionamento significa que o crente assume atitude completamente diferente da do incrédulo no que tange a posses e riquezas. O incrédulo junta riquezas e amontoa posses como segurança contra o futuro, a fim de adquirir poder sobre os outros e manter a áurea de importância que o ouro lhe confere.


  Ms o cristão sabe que Deus se tornou para ele a segurança que o dinheiro jamais compra, que Deus lhe conferiu nova auto-imagem em Cristo... auto-imagem de plena honra e glória a que o espírito humano mais aspira. Mais do que isso, quando estamos ligados a Deus, que é amor, conhecemos a alegria de dar, da mesma forma que recebemos, de tal modo que nossa vida se torna rio caudaloso que segue dando, recebendo e dando de novo.


  Para Asafe, a questão mais importante era a posse de bens materiais e a vida livre de dificuldades. O pós-escrito se tinha transformado na própria carta! Os resultados do relacionamento da aliança obscureceram o próprio relacionamento. Foi quando Asafe começou a contemplar os vizinhos nababescos, a observar-lhes a vida impiedosa e a compará-la com a sua própria dedicação e serviço a Deus. "Certamente eu mereço ser abençoado com uma vida sem problemas, com bastante riqueza e grande abundância de bens. Por que é que eles têm mais do que eu?


  Ele gastou horas pensando nestes termos, observando como esses vizinhos viviam, suas atitudes para com Deus e sua maléfica influência sobre as pessoas ao redor. Quando, finalmente, começou a expressar seus sentimentos, estava cheio de inveja; a visão daqueles perversos era suficiente para deixá-lo mortificado. Asafe fez uma descrição deles, cheia de minúcias e ódio:

  Por isso a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de adorno. 73:7 Os olhos deles estão inchados de gordura; eles têm mais do que o coração podia desejar. 73:8 São corrompidos e tratam maliciosamente de opressão; falam arrogantemente. 73:9 Põem as suas bocas contra os céus, e as suas línguas andam pela terra. 73:10 Por isso o povo dele volta aqui, e águas de copo cheio se lhes espremem. 73:11 E eles dizem: Como o sabe Deus? Há conhecimento no Altíssimo? 73:12 Eis que estes são ímpios, e prosperam no mundo; aumentam em riquezas. (Sl 73.6-12)
Ao meditar sobre os malvados, e na crescente convicção de que Deus o tratara injustamente, Asafe começou a exagerar a vida agradável do incrédulo. Ao acreditar na mentira, fez com que suas queixas ressoassem como se fossem corretas a seus próprios ouvidos.
  "Pois eu tive inveja dos soberbos, ao ver a prosperidade dos ímpios. Não há apertos na sua morte; o seu corpo é forte e sadio. São livres das tribulações dos mortais... São assim os ímpios; sempre em segurança, e as suas riquezas aumentam". (Salmo 72.2-5,12).
Fazendo declarações genéricas, universais, a respeito da vida descuidada dos perversos. "Para eles não há preocupações... não partilham das canseiras dos mortais... nem são afligidos" - Asafe evita enfrentar a tolice da mentira que decidiu acatar.

 Sua experiência prática ficou aquém daquilo que ele podia crer, e que o evangelho teria prometido. Todos os dias, no monte Sião, ele conduzira o povo no cântico de que Deus era grande e bondoso, o Senhor sobre toda a terra.



 Considerando todas aquelas coisas que ele entendia serem os fatos reais, Asafe achou que a injustiça e a parcialidade reinavam... que Deus abdicara seu trono. Descreve-se a si mesmo, dizendo: ... quando o meu coração se azedou, e senti picadas nos meus rins, estava embrutecido e nada sabia (Salmo 73:21-22).

  As palavras “se azedou” descrevem um estado raivoso de espírito, um ressentimento contra Deus por ele deixar que as coisas sejam como são. Este sentimento se faz acompanhar de amnésia, a pessoa se esquece de todas as bênçãos que Deus lhe derramou no passado. A amargura é destilada em palavras raivosas, em má vontade para com as pessoas em geral.

 Asafe começou a demonstrar os sintomas clássicos do crente queimado espiritualmente. Seu ódio contra Deus – ele tem certeza agora de que Deus o abandonou e falhou em suas responsabilidades com relação à aliança – expressa-se em observações cínicas:
   “Na verdade que em vão purifiquei o meu coração; em vão lavei as minhas mãos na inocência. O dia todo sou afligido; sou castigado cada manhã”. Salmo 73.13-14).
  Com amargura, ele revê sua dedicação a Deus, sua caminhada na fé; pergunta se houve vantagem nisso. Ponderou em tudo quanto fizera... conduzira uma nação no louvor, escrevera salmos que haveriam de ser entoados durante gerações... a recompensa que teve foi viver dias cheios de problemas.

 A memória do homem se filtrava através da autopiedade, de modo que só se lembrava das más coisas, das partes negativas de sua vida. Usou o termo “afligido”, que nas Escrituras é empregado para descrever a ação de Deus. Diz ele: “Tu olhas para os que se riem à tua face, tu os deixas prosperar; quanto a mim, que sou filho da aliança, tu me bates todos os dias”!
Suas perguntas, misturadas com amargura e ciúmes, iam e vinham em sua mente, e sempre voltavam ao seu problema com Deus.

 Ele era membro do povo da aliança! “Julguei que tu podias tratar melhor um dos teus filhos da aliança. Como é que Deus pode permanecer verdadeiro à sua própria palavra, à luz de tudo quanto estou vendo? Por que é que eu não tenho as riquezas todas que desejo? Por que é que eles podem tê-las? Sou crente, eu deveria viver sem dores e mágoas. Deus não manteve sua aliança comigo”.

 Ele descreveu sua experiência nesse ponto com estas palavras: ... os meus pés quase se desviaram; pouco faltou para que se desviassem os meus passos (Salmo 73.2). Desde que começou a acreditar nas distorções da verdade, sentiu que os pés escorregavam, como se estivesse caminhando sobre gelo. Estava perto do desastre.

 Tendo aparentemente um motivo honroso, Asafe viu-se fugindo dos amigos. Disse ele: “Se eu tivesse dito: Falarei assim; teria traído a geração de teus filhos” (Salmo 73.15). 

Na verdade, ele estava dizendo o seguinte: “Creio que vou desistir de tudo quanto tenho crido, mas não quero influenciar outras pessoas, e levá-las a partilhar de minhas dúvidas. Em face de minha posição, exerço enorme influência sempre que o povo se reúne para cultuar a Deus... por isso, vou guardar meus sentimentos para mim mesmo, e me demitirei tão discretamente quanto me for possível”. 

 Asafe se julgava hipócrita se permanecesse diante do povo regendo o cântico de louvor. Louvor de que ele não partilhava. Quando alguém o saudava, ele respondia da maneira usual: "Louvado seja Deus". Por Dentro, porém, ele dizia: "Que adianta prosseguir?" Assim que seu trabalho como regente dos corais e das orquestras terminava, ela escapulia pela porta dos fundos, não querendo falar com ninguém.


 Conquanto fosse excelente ideia não falar com crentes imaturos, Asafe poderia ter discutido a questão com Hemã e Etã, seus colegas de ministério, e certamente teria recebido conselhos e oração. Todavia, um sintoma clássico da queima espiritual é a pessoa fugir dos outros, e querer ficar a sós.


  Asafe afundou-se em areias movediças de tal maneira que  não conseguiu meditar em particular, ou escapulir do lodaçal. Quando tentei compreender isto, fiquei sobremodo perturbado (Salmo 73.16). As palavras no original dão a ideia de que "a tentativa de compreender o que estava acontecendo era esforço grande demais para mim". À semelhança de alguém que estivesse se congelando, perdido, tudo o que ele desejava fazer se resumia em se deitar e abandonar-se a um sono sem fim. 


   Ao resumir o que acontecera, Asafe disse que seu coração e sua carne haviam falhado. Queimara-se espiritualmente. Agora, desalentado e exausto, nada sobrara; não tinha nada com que contar. 


  Mas finalmente ele teve o discernimento de que sua atitude negativa representava muito mais do que um mau dia. Ele se descreveu como estando "afligido" - fez uso de uma palavra que, com frequência, é utilizada no hebraico para descrever a pessoa picada por serpente. Reconheceu que se expusera de modo a ser picado pelo pai da mentira. 

  Em seguida, Asafe relembrou-se como saiu da terrível cova que o sugava para baixo. Tinha chegado ao ponto em que nem se incomodava de tentar fugir, e permaneceu no buraco até que  entrei no santuário de Deus... (Salmo 73.17). 

  Ao mencionar "entrei no santuário", Asafe não se referia à estrutura física. Rogar ao crente espiritualmente esgotado que vá à igreja não vai ajudá-lo muito... ele acha que foi a igreja que lhe sugou a vida! Asafe estivera dentro da estrutura física do santuário todos os dias de sua vida, e nos últimos meses aquele havia sido o lugar onde sofrera os mais terríveis frustrações... e onde se sentira um grande hipócrita. 


  O santuário no Antigo Testamento era o lugar que Deus escolhera para tornar conhecida a sua presença. A expressão Monte Sião, a colina de Jerusalém em que a arca de Deus se instalara, veio a ser sinônimo do conceito de Deus morando entre os homens. 


  Quando Asafe entrava naquele lugar (como o fez todos os dias de sua vida, no desempenho de suas obrigações sacerdotais), tornava-se consciente da Pessoa que morava no santuário. Ele não se aproximava de um edifício, mas da Pessoa que dava importância ao edifício. Vinha diretamente à resposta, em vez de buscar um livro de fórmulas e respostas.


    A presença de Deus dava-lhe compreensão e perspectiva da vida que ele jamais tivera antes. Se a houvesse tido, não se teria queimado. 


  Primariamente, não foram as emoções que receberam ajuda; foi sua mente, sua compreensão do que se passava. A pessoa espiritualmente exaurida precisa mais do que o cântico de alguns hinos inspirativos de louvor; estes simplesmente a farão sentir-se bem no momento. A pessoa precisa é de uma perspectiva completamente nova de como encarar a vida. Quando isto ocorre, a fé retorna.


  Asafe não veio a aprender algo realmente novo, ele compreendeu  a palavra de que já dispunha, agora tornada viva e aplicada pelo Espírito. Abandonou a posição de procurar fórmulas, respostas e chaves para tornar-se tão bem-sucedido e feliz quanto os perversos, e entrou num relacionamento com o Pai, que constituiu o cerne da fé.


 Foi nesse momento que Asafe olhou para trás e descreveu-se a si mesmo da maneira que já analisamos. Suas palavras expressam arrependimento e mudança de pensamento a respeito das conclusões a que chegara, cheias de amargura e autopiedade. Lembrou-se de que agira mais como animal irracional  do que como filho de Deus. Estava embrutecido, e nada sabia; era como um animal perante ti ( Salmo 73.22). Qualquer animal reage de acordo com os fatos apreendidos pelos seus sentidos. 


 Asafe estava na realidade reagindo diante da vida, em vez de agir nela à luz de tudo quanto sabia a respeito de Deus. Ao ponderar bem sobre onde estivera e em que havia começado a crer, ele caiu em si e percebeu  de repente: Todavia, estou de contínuo contigo; tu me seguras pela minha mão direita (Salmos 73.23). Asafe percebeu que, apesar de ter perambulado como errante, Deus nunca o abandonara, mas continuava a amá-lo... Ele o sustentara em todo o trajeto. Entretanto, Deus não nos abandona quando, exaustos de tanto tentar explicar a vida segundo nossa própria sabedoria limitada, desfalecemos. 


 Deus nunca pega caronas! Ele não nos abandona quando saímos da estrada principal, apanhamos um atalho e nos atolamos estupidamente na lama. O compromisso de Deus é de jamais nos abandonar. O pai continuara a amar seu filho pródigo enquanto este andava pelo país distante, ilustrando um amor que não depende do desempenho da pessoa amada.


  É espantos o que muitas pessoas acreditem que Deus nos ama incondicionalmente enquanto somos pecadores, e contudo, a partir do momento em que passamos a fazer parte da família dele, seu amor fique condicionado ao nosso desempenho. Podemos aceitar o fato de que ele ama as pessoas indignas até que estas venham a Cristo; porém, a partir daí precisamos merecer as bênçãos, ser dignos de recebê-las. 


  Asafe descobriu em seu encontro com Deus no santuário que a verdadeira prosperidade inicia-se com um relacionamento  com Deus. As coisas que ele invejara e cobiçara em seus vizinhos logo desapareceriam nesta vida e, com toda certeza, na vindoura. Entretanto, a alegria que Deus nos concede não pode desaparecer porque flui dele, e não das coisas.


   Olhando para o futuro, Asafe percebeu que haveria de chegar muitas ocasiões em que ele enfrentaria outra vez problemas que poderiam exauri-lo... mas agora ele possuía a resposta. Seu relacionamento com Deus e seu conhecimento sobre como viver em comunhão com ele o levariam em triunfo por quaisquer circunstâncias que o futuro desconhecido lhe trouxesse.  

  Quem tenho eu no céu senão a ti? e na terra não há quem eu deseje além de ti; A minha carne e o meu coração desfalecem; mas Deus é a fortaleza do meu coração, e a minha porção para sempre. (Samos 73.25,26). 
O verdadeiro problema de Asafe estava em suas expectativas de Deus. Há coisas que o Senhor nunca prometeu, e que jamais fará. Se estivermos esperando que ele faça coisas que não prometeu , mais cedo ou mais tarde estaremos esgotados espiritualmente. Asafe procurava a felicidade. Deus não dá a seus filhos a felicidade no sentido de circunstâncias perfeitas. Na verdade, ele nos livra tanto da felicidade quanto da infelicidade!

  Os acontecimentos da vida às vezes não são como o crente gostaria que fossem; às vezes as pessoas o ferem, e o diabo o ataca com suas piores armas; contudo, em tudo isso, o crente se regozija. 

  A fé não fica contemplando os eventos da vida. Ela enxerga mais longe, e constata que Deus é bom, e que cada minúcia da vida está cooperando de modo triunfal para a execução do plano perfeito e sábio de Deus - não importando as aparências. (Habacuque 3.17,18). 

 Após Habacuque haver clamado em alegria sua fé no Senhor mesmo diante do desastre que se aproximava, percebeu em seguida sua comunhão com Deus. Agora Deus poderia realizar seus propósitos através de Habacuque, e derrotar o inimigo. O profeta encerrou sua afirmação de fé em Deus com estas palavras: "O Senhor é a minha força; torna os meus pés como os das corças, e me faz andar sobre os lugares altos" (Habacuque 3.19). A Bíblia Amplificada traduz assim esta passagem: "O Senhor Deus é a minha fortaleza, minha bravura pessoal, meu exército invencível..."


  O profeta podia enfrentar agora todos os problemas com ousadia vinda de Deus. O Senhor venceria em seu lugar. A fé podia, agora, falar com autoridade, resistir ao diabo e ser a manifestação da vida ressurreta de Jesus entre os homens. 

  É o regozijo do louvor que prepara o caminho para a vontade de Deus cumprir-se por nosso intermédio. A fé que oferece louvor a Deus compreende com exatidão o que é necessário ser dito e feito para que a vontade de Deus seja cumprida em qualquer situação. 
  "Jamais a fé esmorece ante a aproximação das pedras da vida. É quando elas estão caindo que a fé mostra o que tem de melhor". 
 "A fé não nega a presença do problema, mas calmamente coloca o assunto nas mãos de Deus".  
   Fim...  




O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE BATALHA ESPIRITUAL 

O texto de Efésios 6.10-20, o Apóstolo Paulo não transmite o conceito , hoje tão popular, da Igreja como um hospital onde se vai receber terapia. Ao contrário, ela é descrita como um grande campo militar. Tampouco estou dizendo que não existam soldados feridos precisando de tratamento e cura. O problema é que existem, muitos cristãos que passam todo o tempo na "enfermaria" como se a igreja fosse um grande pavilhão para tratamento permanente de doentes. Na realidade, a Igreja é mais como um exército no campo de batalha e cada um de nós é chamado a estar pronto para resistir aos ataques de Satanás.
 Cristianismo não é brincadeira, é questão de vida ou morte; é muito sério e lida com realidades eternas que determinam o estado futuro das pessoas.
 A Igreja não é um "piquenique", não é um clube, mas um exército . É dessa maneira que devemos entender a vida cristã.

QUEBRA DE MALDIÇÃO?


A verdade é que não existe qualquer mandamento dado pelo Senhor aos seus apóstolos para que quebrem maldições e anulem pactos demoníacos dos novos convertidos vindos do paganismo. Escrevendo cartas às igrejas, os apóstolos não as instruíram a fazer nada parecido. E o que é mais significativo não há qualquer registro de coisa semelhante no livro de Atos, que narra o trabalho missionário de Pedro e de Paulo. O mundo em que os apóstolos pregaram o Evangelho era infestado  pelo ocultismo e pela idolatria, possivelmente de maneira tão intensa quanto o Brasil de hoje. Muitos dos convertidos pelos apóstolos vieram de um passado de ocultismo, artes mágicas e feitiçaria. Entretanto, em nenhum momento os apóstolos consideraram necessário acrescentar ao arrependimento e à fé coisas como quebra de maldição ou anulação de pactos com espíritos.


 Nada portanto de: Rosas ungidas, Sal ungido e grosso, Óleos milagrosos, Lenços ungidos, copo com água, transferência de riquezas entre outras fantasias. Nós não necessitamos de tais ações e movimentos inventados por homens para uma grande transformação, libertação. O método que Jesus nos deu, nos deixou foi a Palavra de Deus, a oração, o jejum e o arrependimento, o que passar disso é acréscimo do homem e não da Bíblia e de Deus. Alargue a sua visão. Pois nem eu, e nem ninguém, sabe o que realmente se passa no misterioso mundo angelical, além do que as Escrituras nos revelam.


O CONTEXTO DE EFÉSIOS 6.10-20.


  Primeiramente, ao estudar uma passagem como esta, temos de nos lembrar do contexto, da situação e do propósito com o qual foi escrita. Esta é uma regra muito importante. O que a passagem significou para seus primeiros leitores? Qual o propósito do seu autor? Paulo não a escreveu para deixar à Igreja um tratado acadêmico sobre "batalha espiritual". Ele e os demais apóstolos eram homens muito ocupados, envolvidos continuamente com o trabalho missionário e pastoral. Não tinham tempo para "fazer teologia" só pelo prazer de fazê-lo. Não escreviam cartas apenas para manter a correspondência em dia, e sim para atender às necessidades das congregações recém-formadas, quando não podiam estar lá em pessoa para resolver os seus problemas. 


Alguns estudiosos modernos têm questionado a autoria paulina da carta aos Efésios. Existe também alguma dúvida se ela foi escrita somente para os efésios ou se era uma carta circular, endereçada às várias igrejas da região onde se encontrava a cidade de Éfeso. Creio que não há evidências suficientes para abandonarmos a posição que a Igreja tem adotado por quase dois mil anos de que Paulo é seu autor. Quanto aos destinatários, reconheço que a questão é mais difícil de ser esclarecida. Sabemos que Paulo pelo menos uma vez escreveu uma carta aberta, circular (Cl 4.16). De qualquer maneira, mesmo que Efésios não tenha sido destinada exclusivamente aos efésios, eles certamente receberam uma cópia da carta, ainda nos primórdios da Igreja apostólica. Assim, assumimos neste livro que Paulo é seu autor e que sua audiência primária era a Igreja de Éfeso.


Paulo escreveu aquela carta quando estava na prisão. A causa do encarceramento foi seu ministério apostólico de anunciar o Evangelho de Cristo (Ef 3.1; 4.1; 6.20). A maioria dos estudiosos acredita que ele estava preso em Roma, por instigação dos judeus de Jerusalém, após haver apelado para o julgamento  de César (At 25.11-12; 27.1). É possível que a visita de Tíquico a Roma, trazendo notícias de Éfeso, tenha motivado Paulo a lhes escrever esta carta para encorajá-los diante das notícias da sua prisão (Ef 3.13). Paulo escreve com o propósito de mostrar aos seus leitores todas as bênçãos espirituais que a Igreja desfruta na pessoa de Cristo. Nela o apóstolo explica, de maneira mais elaborada do que em suas outras cartas, o que pensa a respeito da Igreja. 


 No capítulo primeiro descreve todas as bênçãos espirituais que ela possui em Cristo Jesus. Entre essas bênçãos enumera o perdão dos pecados, a adoção de filhos, a predestinação, a redenção, a conversão e o selo do Espírito Santo. Ele fala da Igreja como a consumação do plano de Deus, de fazer todas as coisas convergirem em Cristo Jesus, sendo ela o ápice do propósito divino redentivo na História. Nela Deus realiza o seu propósito de reconciliar consigo mesmo todas as coisas.


 No capítulo dois o apóstolo descreve os cristãos em sua posição de vitória, havendo sido para lá transportados de sua posição de escravidão, de miséria, de pecado, de subjugados à ira de Deus. Agora, em Cristo, a Igreja está assentada à direita de Deus. E tudo isso pela graça! Na Igreja, judeus e gentios, servos e senhores, homens e mulheres, enfim toda a diversidade da raça humana encontra sua unidade. Através do Espírito Santo todos temos acesso a Deus num só Espírito.


 No capítulo três Paulo fala do ministério dos apóstolos. A eles Deus revelou o mistério do Evangelho, o fundamento da Igreja. Paulo se diz o menor entre os apóstolos e considera o sofrimento na prisão romana, por anunciar o mistério de Cristo, um privilégio e não um motivo para desfalecimento e desânimo dos seus leitores. E ora para que eles possam compreender o amor de Cristo em profundidade. 


  No capítulo quatro Paulo menciona a unidade da Igreja no Espírito Santo, no vínculo da paz. À luz de todas essas bênçãos maravilhosas, continua Paulo, o cristão agora deve andar em novidade de Vida. Deve se despir das coisas antigas e tomar sobre si toda a "novidade" que foi trazida por Cristo ao mundo, o "novo" no sentido bíblico. Deve assim se revestir do novo homem criado segundo Deus em justiça, santidade, andando de forma digna de sua vocação. Essas implicações práticas são desenvolvidas nos capítulos quatro, cinco e seis. 


  Ao fim da carta, o apóstolo adverte a Igreja de que ela encontrará oposição para viver neste mundo a plenitude das bênçãos espirituais. O fato de que a Igreja está em posição de vitória em Cristo Jesus, o fato de estarmos ressurretos e assentados com ele nas regiões celestes, não quer dizer que os nossos problemas aqui neste mundo tenham acabado. Não quer dizer que o conflito cessou. Não quer dizer que tudo aqui e agora vai ser um "mar de rosas". "Não", diz Paulo, "vocês devem se lembrar de que a Igreja ainda está inserida num mundo tenebroso, onde habitam hostes malignas poderosas. Nele, a Igreja vai encontrar tremenda oposição desses principados e potestades, as forças espirituais do mal, que vão atacá-la continuamente, tentando evitar que os cristãos desfrutem dos seus privilégios em Cristo, e fazendo com que se desviem da sua direção e propósito". 


  Aqui, então, se vê como é equivocado aquele tipo de evangelismo, bastante popular em nossos dias, que oferece às pessoas a completa solução de todos os seus problemas se somente aceitarem a Cristo Jesus. Em certo sentido, essa não é uma forma muito honesta de evangelizar. Os nossos amigos terão a impressão de que, se aceitarem a Cristo, todos os seus problemas atuais serão resolvidos de maneira miraculosa e instantânea. Creio que o oposto é que é a verdade. Quando alguém crê e se converte genuinamente a Cristo, aí é que os problemas surgem mesmo, e alguns dos anteriores até se agravam. 


  Li certa feita a história de um escravo cristão cujo patrão costumava zombar da sua fé em Cristo, dizendo: "Não vejo qual a vantagem de ser cristão. Eu não creio em Cristo e detesto o Cristianismo. Entretanto, sou um homem rico, sem problemas, e tenho tudo na vida. E você, que professa servir a esse Cristo, não passa de meu escravo, nada tem neste mundo e passa por muitos sofrimentos. Como explica isto?" E o pobre escravo ficava sem resposta. Um dia, saiu acompanhando seu patrão numa caçada a patos selvagens. O homem era excelente atirador, e com poucos tiros conseguiu derrubar vários patos que passavam em revoada sobre a lagoa. "Depressa", disse ele ao escravo, "vá logo buscar aqueles feridos que ainda estão vivos, pois ainda podem escapar. Deixe os mortos para depois, eles não vão mesmo a lugar nenhum". Enquanto o escravo obedecia, a luz brilhou em seu coração. Ao voltar com as aves abatidas, disse ao seu senhor: "Mestre, agora tenho a resposta à sua pergunta. Os meus sofrimentos neste mundo  se explicam da mesma forma como o senhor me orientou a buscar os patos. O diabo vai no encalço dos que ainda estão vivos e deixa em paz os que já estão mortos. Ele procura tornar a minha vida o mais miserável que possa, pois estou vivo em Cristo, e posso escapar de suas garras. Enquanto isto, ele o deixa em paz, pois, morto em suas ofensas e pecados, o senhor já lhe pertence". 


  Essa história ilustra bem o que quero dizer. Em muitos casos, alguém que se converte verdadeiramente ao Cristianismo bíblico passa a ter mais problemas do que antes. O diabo e seus anjos passarão a persegui-lo e a tentá-lo muito mais intensamente que antes. Não somente isso, mas a sua própria consciência passará a ter uma nova sensibilidade quanto ao pecado. Por exemplo, se ele antes conseguia trair a esposa sem qualquer preocupação, agora sua consciência o apertará e ele não conseguirá mais fazer isso em paz. Antes ele não tinha problemas de consciência, mas agora tem. Se antes ele "colava" na prova da escola, agora, após haver crido em Cristo, terá conflitos sérios com a sua consciência. Tudo ficou mais difícil! Se era desonesto, agora terá de andar em honestidade, terá de pagar seus impostos corretamente, não passará mais cheques sem fundos. Ele vai passar por conflitos tremendos, conflitos que antes lhe eram absolutamente desconhecidos. Descobrirá que algumas das coisas que fazia antes com perfeita tranquilidade agora lhe trazem lutas íntimas tremendas. A vida em certo sentido ficou muito mais complicada. 



 Não estou negando que Jesus seja a solução para nossos problemas. Estou plenamente convencido de que ele é a única solução. O que estou dizendo é que esta solução não atinge a sua plenitude agora, enquanto ainda estamos neste mundo decaído. Nós ainda aguardamos a redenção, a ressurreição dos mortos, um novo céu e uma nova terra onde habita a justiça. O que Paulo diz no fim da carta aos Efésios, ao abordar o embate da Igreja com as hostes malignas das trevas, é que não devemos pensar que a miséria e os efeitos situacionais do pecado acabaram quando nos tornamos seguidores fiéis de Cristo. Na verdade, o que ocorreu quando nos curvamos diante de Cristo pela fé foi termos nos alistado em seu exército, tornamo-nos soldados e fomos convocados para resistir aos inimigos mais poderosos que jamais alguém ou alguma entidade neste mundo poderia encarar. É nesse contexto e nesse ambiente que devemos entender a passagem de Efésios 6. Ela é dirigida a crentes que estão numa posição de vitória, à Igreja vitoriosa, alertando-a, porém, de que esta vitória não está totalmente consumada e que, enquanto ela viver neste mundo, haverá de enfrentar oposição ferrenha dos inimigos descritos pelo apóstolo Paulo. Isso é o que devemos ver primeiro ao estudar esta passagem e o contexto em que Paulo escreveu. 

A CONVOCAÇÃO PARA O COMBATE


 O que temos em Efésios 6.10-13 portanto é uma convocação à batalha. É como se Paulo tomasse a Igreja pelos ombros, sacudindo-a, e dissesse: "Acorda, nós estamos envolvidos num combate, existe uma luta sendo travada neste momento e precisamos estar alertas". Essa exortação de Paulo pode ser dividida em duas partes, como sugeriu Martyn Lloyd-Jones em seu comentário sobre Efésios 6.10-20. Do versículo 10 até o 13, temos a convocação em termos gerais. Paulo exorta os seus leitores a que tomem toda a armadura de Deus e que se preparem para resistir. Do versículo 14 até o 20, faz uma descrição detalhada da armadura completa do cristão, como ele deve se preparar para esse embate, e quais as peças da armadura que ele tem de ter sobre si. 

  Muitos querem resolver os problemas de temperamento, de hábitos pecaminosos, da opressão econômica, da língua maliciosa ou dos pensamentos impuros simplesmente repreendendo e amarrando os demônios que supostamente produzem esses desvios morais. O caminho apresentado pela Bíblia, porém, é o da santificação, da autodisciplina, do estudo persistente da Escritura, de aprender e prosseguir fielmente. Esse é o caminho. Não encontramos nas Escrituras exemplos de expulsão de demônios considerados responsáveis por problemas morais. Acredito que, se em vez de amarrar a Satanás, muitos amarrassem a sua língua, a Igreja seria tremendamente beneficiada. O casamento de muitos melhoraria, o relacionamento de outros seria transformado para melhor, e a vida de muitos na Igreja também experimentaria um grande progresso. Mas, o que está querendo é um caminho fácil. Por isso tantos estão buscando cura, prosperidade, saúde, conforto, bem-estar. 
 Efésios 6 nos mostra que a única solução para os problemas do mundo é o Cristianismo  Bíblico. Não há outra solução. A ONU não consegue resolver os conflitos entre as nações. Palestinos e judeus continuam se matando no Oriente Médio e a paz não chega. O homem não consegue resolver o problema da fome, da violência, da miséria, da corrupção e da desonestidade, males que afligem a humanidade desde seu aparecimento neste planeta. O homem está totalmente à mercê de sua própria degradação espiritual e moral, da sua miséria e desgraça. A razão é que existe um poder maior do que o homem, que está por trás dele, que o influencia, escraviza, domina, controla. Este poder cega os olhos do homem, transforma-o numa besta selvagem capaz dos mais terríveis atos de crueldade. 

  No mundo inteiro pessoas enfrentam o fracasso ao tentar resolver seus próprios problemas morais. Quem sabe você já tentou fazer uma reforma moral em sua vida, deixar certos hábitos e costumes, certos comportamentos que o têm prejudicado e a outros, mas não consegue! Você está lutando contra forças e influências superiores à sua capacidade. Saiba que um poder muito acima da sua vontade de fazer o bem está contra você. Embora seja você mesmo o responsável diante de Deus pelos seus pecados, existe um poder maligno e tenebroso que o mantém cativo. Somente Cristo Jesus pode libertá-lo da influência dessas forças tenebrosas. Só ele pode lhe dar a armadura de Deus para enfrentar e resistir a esse poder. 


OS APÓSTOLOS E SEUS CONVERTIDOS DO PAGANISMO 


  A verdade é que não existe qualquer mandamento dado pelo Senhor aos seus apóstolos para que quebrem maldições  e anulem pactos demoníacos dos novos convertidos vindos do paganismo. Escrevendo cartas às igrejas, os apóstolos não as instruíram a fazer nada parecido. E o que é mais significativo, não há qualquer registro de coisa semelhante no livro de Atos, que narra o trabalho missionário de Pedro e de Paulo. O mundo em que os apóstolos pregaram o Evangelho era infestado pelo ocultismo e pela idolatria, possivelmente de maneira tão intensa quanto o Brasil de hoje. Muitos dos convertidos pelos apóstolos vieram de um passado de ocultismo, artes mágicas e feitiçaria. Entretanto, em nenhum momento os apóstolos consideraram necessário acrescentar ao arrependimento e à fé coisas como quebra de maldições ou anulação de pactos com espíritos.


 Um dos locais mais infestados era Éfeso. A cidade era conhecida como um centro de artes mágicas e pelo culto à deusa Artemis (Diana). Essa deusa da mitologia grega era tida como a deusa do submundo, que controlava os espíritos da natureza e dos animais selvagens. Sua imagem era coberta com os símbolos do Zodíaco, para lembrar aos adoradores de Éfeso que ela era uma divindade cósmica, com controle sobre os espíritos determinantes do destino. Quando Paulo ali pregou o Evangelho muitos efésios se converteram a Cristo, boa parte dos quais havia se envolvido com artes mágica, e certamente com o culto a Diana (At 19.18-20, 26-27).  Como testemunho público de que já haviam sido libertos e resgatados pelo poder do Espírito Santo, vieram a público queimar seus livros de magia negra. Não foi pelo atear fogo naqueles livros que ganharam sua plena libertação. Eles já haviam sido libertados, quando creram (At 19.18). 


   Mais tarde, quando lhes escreveu a carta que conhecemos como Efésios, o apóstolo Paulo não sentiu nenhuma necessidade de instruí-los a quebrar maldições que fossem resultado de pactos ainda pendentes com o antigo culto aos demônios com que se haviam envolvido no passado. 


 Antes, em sua primeira viagem missionária, Paulo havia levado a Cristo o procônsul Sérgio Paulo, na ilha de Chipre (At 13.4-12). Sérgio Paulo havia se envolvido com artes mágicas, pois tinha ao seu lado um judeu mágico, um bruxo, chamado Barjesus. Possivelmente era seu conselheiro espiritual, conforme a prática antiga - e bem moderna! - de oficiais e governadores consultar videntes antes de tomarem resoluções. Após a conversão de Sérgio Paulo, o apóstolo nada lhe recomendou em termos de quebrar os pactos antigos feitos com os espíritos malignos através dos serviços do bruxo. 


  Outro exemplo de como os apóstolos tratavam convertidos que vinham do ocultismo é o relato da conversão dos samaritanos em Atos 8. Lemos ali que os samaritanos em peso seguiam a Simão Mago, um bruxo que praticava artes mágicas e que era o líder espiritual da cidade ou da região (At 8.9-11). Certamente a maioria dos moradores da cidade já havia, uma vez ou outra, se envolvido com Simão através de consultas, "trabalhos", invocação de mortos e outras práticas ocultas populares naquela época. Quando Felipe ali chegou pregando o Evangelho no poder do Espírito, muitos deles lhe deram crédito e foram convertidos a Cristo. Felipe os batizou (At 8.12). O próprio bruxo foi batizado (8.13). Mais tarde, os apóstolos vieram de Jerusalém examinar esses convertidos. Nada acrescentaram ao que Felipe já havia feito, a não ser orar para que os convertidos recebessem o Espírito Santo - procedimento necessário para que ficasse claro que, à semelhança dos judeus no dia de Pentecostes, outros povos podiam também ser aceitos na Igreja de cristo (At 8.16-17). Nenhuma palavra sobre o passado deles na feitiçaria! Nenhuma instrução a Felipe para que anulasse os pactos demoníacos daquela gente! Os apóstolos consideraram que a obra de Cristo entre os Samaritanos, convertendo-os, era suficiente para romper os antigos laços de pecado, ignorância, superstição e incredulidade. 


  E mesmo quando o bruxo deu sinais de que ainda estava "amarrado" ao seu passado, a orientação de Pedro foi: "arrepende-te... e roga ao Senhor" (At 8.22). Pedro viu que Simão estava ainda "em fel de amargura e laço de iniquidade" (At 8.23), mas não julgou que a solução seria "anular" os compromissos do bruxo com o mundo dos espíritos. A solução era um arrependimento verdadeiro e oração ao Senhor. 


  A tendência dessas ênfases da "batalha espiritual", portanto, acaba sendo a de diminuir o poder e a eficácia da suficiência de Cristo na vida do Crente, ao introduzir a necessidade da quebra de maldições hereditárias como condição para que o crente verdadeiro usufrua plenamente das bênçãos que Deus lhe tem reservado em Cristo. 

  "A tendência da "batalha espiritual" de criar em seus adeptos uma obsessão doentia pelos espíritos malignos é outra preocupação. Muitos estão fascinados pelo mal. Felizmente isso não acontece com todos os adeptos do movimento. Entretanto, pessoas menos preparadas que se envolvem com a visão de um mundo povoado de demônios e anjos maus à procura das mínimas brechas para se apossarem de suas vidas, acabam ficando obcecadas por Satanás e os demônios. Vêem Satanás em qualquer coisa, como em resfriados, dores de cabeça, no microfone do preletor que deixa de funcionar, no copo de leite que cai, no comportamento anormal dos filhos. 
 É claro que Satanás nos ronda como leão faminto e que seus demônios procuram, sempre que possível, nos assaltar, tentar, afligir e nos levar ao pecado. Mas, como veremos mais adiante, espíritos malignos não são a única explicação bíblica para os males que ocorrem no mundo. Aviões podem cair, furacões podem destruir, pessoas podem ficar doentes, tomar decisões erradas em suas vidas, estragar seus casamentos, sem que necessariamente haja demônios diretamente responsáveis por essas coisas. Vivemos num mundo decaído, que geme e suporta dores debaixo do cativeiro da corrupção por causa do pecado do homem (Rm 8.18-25). Além disso, Deus também intervém na existência humana em julgamento trazendo por vezes desastres, sofrimento e dor, com o objetivo de levar os homens ao arrependimento (Jr 5.3; Ap 9.20-21; 16.8-11). É uma distorção do ensino bíblico atribuir exclusivamente aos demônios os males que acometem a humanidade.
O modo pelo qual o movimento de "batalha espiritual" encara os males do mundo tende a produzir ministérios de "libertação" onde Satanás tem se tornado o centro. Não que o estejam adorando - certamente que não. Mas há tanta ênfase aos demônios, ao exorcismo, à libertação de males supostamente produzidos por demônios que, se aprouvesse a Deus eliminar agora o diabo e seus anjos, retirando-os do mundo, o ministério de muitos pastores e obreiros das igrejas evangélicas também se acabaria, pois quase só falam, pregam e escrevem sobre isso. As grandes e principais doutrinas das Escrituras são deixadas em plano secundário. O pior de tudo é que ministérios assim têm uma tendência de formar crentes receosos, que não desfrutam da plenitude da alegria, da liberdade em Cristo Jesus, pelo receio que têm de serem invadidos por espíritos malignos.

............................................................................................................................

Maravilhosa Bíblia / Eugene H. Peterson


O Pastor Eugene H. Peterson, está certo de que o modo como lemos a Bíblia é tão importante quanto o que lemos nela. Em grande medida, nossa leitura da Palavra é motivada pela busca de informação sobre Deus e salvação, de princípios e da "verdade" que nos levem a viver melhor. Dificilmente lemos a Bíblia a fim de ouvir Deus e responder-lhe em oração e obediência.
Peterson nos desafia a ler as Escrituras segundo o que elas realmente São - a revelação de Deus - e a vivê-las, à medida que as lemos. 

 Karl Barth defendeu a opinião de que nossa leitura da Bíblia, assim como dos escritos moldados por ela, não é orientada pelo desejo de descobrir como incluir Deus em nossa vida e fazê-lo participar de nossa existência. Nada disso. Abrimos o livro e percebemos que, a cada página, ele nos tira da defensiva, nos surpreende e atrai para uma realidade própria, induzindo-nos a um envolvimento  com Deus nos termos divinos. 

Eles propôs uma ilustração que se tornou famosa. Uso aqui a base de seu relato, mas, com uma pequena ajuda de Walker Percy, tomei a liberdade de incluir detalhes por conta própria. Imagine um grupo de homens e mulheres em um enorme galpão. Eles nasceram nesse galpão, cresceram nele e têm ali tudo de que precisam para suprir as necessidades e viver com conforto. Não há saídas no galpão, mas há janelas. Elas estão grossas de tanto pó; nunca são limpas e ninguém jamais se preocupa em olhar para fora. Para que olhar? O depósito é tudo o que conhecem. Ali eles têm tudo de que precisam.

 Certo dia, porém, uma das crianças arrasta um banquinho para junto de uma janela, raspa a sujeira e olha para fora. Ela vê pessoas caminhando nas ruas; chama seus amigos para apreciarem também. Eles se espremem ao redor da janela - não tinham ideia de que havia um mundo do lado de fora do galpão. Notam, então, uma pessoa na rua olhando e apontando para cima; não demora muito e várias pessoas se juntam, levantando os olhos e falando animadamente. 

As Crianças olham para cima, mas não há nada para ver além do telhado do galpão. Elas finalmente se cansam de espiar as pessoas na rua agindo de uma maneira esquisita, apontando para o nada e se entusiasmando com isso. Qual o sentido de ficar parado à toa, apontando para o vazio e falando com entusiasmo sobre o nada?

O que aquelas pessoas da rua olhavam era um avião (ou um bando de gansos voando, ou um acúmulo gigantesco de nuvens). Quem passa na rua levanta os olhos e vê o céu e tudo o que há nele. As pessoas no galpão não tem um céu acima delas, apenas um teto.

O que aconteceria, porém, se um dia uma daquelas crianças abrisse uma porta na parede do galpão, insistisse com seus amigos para sair e descobrisse com eles o céu imenso por sobre sua cabeça e o grandioso horizonte adiante? É isso o que acontece, escreve Barth, quando abrimos a Bíblia: entramos em um mundo totalmente desconhecido, o mundo de Deus, de criação e da salvação, que se estende infinitamente sobre e além de nós. A vida no galpão nunca nos preparou para algo assim.

 Como era de esperar, os adultos no depósito zombaram das histórias das crianças. Afinal de contas, eles têm o controle completo do mundo do galpão, como nunca seriam capazes de fazer do lado de fora. E desejam manter as coisas desse jeito. 

* * *
Paulo foi a primeira criança que raspou a sujeira da janela para Barth, abriu uma porta no galpão e insistiu que ele saísse para o grande e estranho mundo do qual os escritores bíblicos dão testemunhos. 
Em contato com essa escola de escritores, partindo de Paulo, mas logo incluindo toda a faculdade do Espírito Santo, Barth tornou-se um leitor cristão, lendo palavras a fim de ser formado pela Palavra. Só então ele passou a ser um escritor cristão. 

A narrativa de Barth sobre o que lhe aconteceu foi publicada posteriormente em The Word of God and the Word of Man ( A Palavra de Deus e a palavra do homem). O romancista John Updike afirmou  que o livro "apresentou-me uma filosofia para viver e trabalhar e mudou desse modo a minha vida". Ao receber a medalha Campion em 1997, Updike deu crédito à fé cristã revelada na Bíblia recém-descoberta de Barth, por ensinar-lhe, como escritor, "que a verdade é sagrada, e falar a verdade é uma nobre e útil profissão; que a realidade que nos rodeia é criada e vale a pena ser observada; que homens e mulheres são radicalmente imperfeitos e radicalmente valiosos". 

* * * 
A maioria de nós leva consigo um punhado de mandamentos essenciais que nos mantêm nos trilhos: "Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração"... "Ame o seu próximo"... Honre seu pai e sua mãe... Arrependa-se e creia... Lembre-se do Sábado... Não ande ansioso... Dê graças por tudo... Ore sem cessar... Siga-me... Vá e proclame... Carregue a sua cruz... Acrescente este ao seu repertório: "Coma esse livro". Ap 10:9-10 

As Escrituras não só nos revelam Deus, mas também nos inserem nessa revelação e nos aceitam como participantes dela. Meu desejo é chamar atenção para o fato de que é possível viver a Bíblia, toda a Bíblia; trata-se de um texto que constitui fundamento para a nossa vida. A Bíblia revela um mundo criado, ordenado, abençoado por Deus, no qual nos encontramos inteiros e à vontade.
  Os cristãos se alimentam das Escrituras Sagradas. Elas nutrem a comunidade de santos como o alimento nutre o corpo humano. Não se trata apenas de aprender, estudar ou usar as Escrituras; nós, cristãos, as assimilamos, introduzindo a Palavra em nossa vida para que seja metabolizada e transformada em atos de amor, copos de água fresca, missões pelo mundo inteiro, cura, evangelismo e justiça em nome de Jesus, mãos levantadas em adoração ao Pai, pés lavados na companhia do Filho. 
 O imperativo metafórico nos chega apoiado pela autoridade de João, o teólogo;
  10:8 E a voz que eu do céu tinha ouvido tornou a falar comigo, e disse: Vai, e toma o livrinho aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e sobre a terra. 10:9 E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel. 10:10 E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo.                                                              Apocalipse 10:9-10
Isso cativa a sua atenção? João é uma figura de autoridade. Ele era pastor de cristãos marginalizados, política e economicamente fracos, em uma sociedade em que o compromisso de seguir a Cristo os rotulava como criminosos do Estado. A tarefa dele era ajudar aquelas pessoas a não perder o foco em relação à identidade cristã e manter a vida cheia do Espírito, o discipulado vigoroso, a esperança viva contra os enormes obstáculos que enfrentavam; sobretudo, era garantir que o Jesus vivo, que fala e age, continuasse a ser o centro da existência. João não queria que eles se limitassem à mera sobrevivência, como se estivessem apenas se segurando a um salva-vidas em plena tempestade. Queria que as pessoas vivessem, e vivessem de verdade, vencendo a oposição de todos os que as cercavam. É isso que os profetas, pastores e escritores fazem, e nunca é fácil. Não é mais fácil hoje do que foi para João. 

  João é mais conhecido até hoje por suas extravagâncias apocalípticas - aquelas visões impetuosas, turbulentas e marcantes que vieram a ele em uma manhã de Domingo, enquanto adorava na ilha-cárcere de Patmos. Em meio às mensagens visionárias, ele vislumbrou um anjo gigantesco, com um pé plantado no oceano e o outro no continente, segurando um livro. Desse púlpito abrangendo terra e mar, o anjo pregava, a partir do livro, um sermão explosivo como se acompanhando de trovões. Esse sermão não faria ninguém dormir!

  João começou a escrever o que escutava - ele nunca ouvira um sermão como aquele, mas lhe disseram para não continuar. Uma voz disse a ele que pegasse o livro com o enorme anjo, aquele mensageiro de Deus que pregava de seu púlpito singular que abarcava o mundo. Foi o que João fez; aproximou-se do anjo e pediu: "Dê-me o livro". O anjo lhe entregou o livro, mas respondeu: "Ei-lo aqui; coma-o. Como este livro. Não tome apenas notas do Sermão. Coma o livro". João obedeceu. Pôs de lado o caderno de notas e o lápis. Pegou a faca e o garfo. Comeu o livro. 
  As imagens são complexas, como todas as visões do Apocalipse de João - uma fusão de imagens de Moisés, dos profetas e de Jesus. Essa visão do anjo-pregador está repleta de reverberações. Mas o que parece mais imediato e óbvio é que o poderoso anjo está pregando a Bíblia, as Escrituras Sagradas. O livro que João comeu era a Bíblia, ou a parte da Bíblia já escrita na época.

  A palavra "livro" (biblion em grego, que chegou ao nosso idioma como "Bíblia") sugere que a mensagem dada por Deus a nós tem significado, plano e propósito. Escrever um livro requer ordenação de palavras de maneira deliberada. Essas palavras fazem sentido. Não chegamos a Deus por meio de adivinhação: ele se revela. Essas palavras bíblicas revelam a Palavra que criou o céu e a terra; elas revelam o Verbo que se tornou carne em Jesus para a nossa salvação. A Palavra de Deus é escrita, entregue e traduzida para nós a fim de que possamos participar do plano. Seguramos essa Bíblia e a lemos para que possamos ouvir e reagir diante dessas palavras criadoras e salvadoras, tornando-nos, com isso, imediatamente parte da criação e da salvação. 

 O ato de comer o livro significa que ler não se reduz a um ato objetivo de olhar as palavras e determinar-lhes o significado. Comer o livro está em oposição direta ao ensinamento que quase todos nós recebemos sobre a leitura, qual seja, desenvolver no leitor uma objetividade fria que tenta preservar a verdade científica ou teológica, eliminando ao máximo qualquer participação pessoal que venha a contaminar o sentido. 

 Mas nenhum de nós começa a ler dessa maneira. Tenho uma neta que come livros. Quando estou lendo uma história para o irmão dela, a menina pega outra em uma pilha e a mastiga. Está tentando colocar o livro dentro de si da maneira mais rápida que conhece: não por meio dos ouvidos, mas pela boca. Ela não faz muita distinção entre ouvidos e boca - qualquer abertura serve, contanto que o engula. Em breve, porém, ela irá à escola e verá que essa não é a maneira correta de ler livros. Aprenderá que precisa buscar respostas neles; que o objetivo da leitura é passar nas provas. Sendo aprovada, colocará o livro na prateleira e comprará outro. 

  A leitura que João está experimentando, no entanto, não é do tipo que nos prepara para uma prova. Comer um livro implica engolir tudo, assimilando-o nos tecidos de nossa vida. Os leitores se tornam aquilo que leem. Se as Escrituras Sagradas são bem mais que um simples falatório sobre Deus, elas precisam ser internalizadas. A maioria de nós tem opiniões sobre Deus que não hesita em verbalizar. Mas só porque uma conversa (ou um sermão, ou uma palestra) inclui a palavra "Deus", isso não a qualifica como verdadeira. O anjo não instrui João a passar informações sobre Deus; ele ordena que assimile a Palavra de Deus para que, ao falar, ela se expresse naturalmente em sua sintaxe, assim como o alimento que comemos, quando somos saudáveis, é inconscientemente assimilado em nossos nervos e músculos e atua quando falamos e agimos.

  As palavras - ditas e ouvidas, escritas e lidas - têm por objetivo produzir algo em nós, gerar saúde e integridade, vitalidade e santidade, sabedoria e esperança. Sim, coma esse livro. 

 Como mencionado anteriormente, João não foi o primeiro profeta bíblico a comer um livro como se fosse um sanduíche. Seiscentos anos antes, Ezequiel recebeu um livro e a mesma ordem para comê-lo (Ez 2.8-3.3). Jeremias, contemporâneo de Ezequiel, também comeu a revelação de Deus, sua versão da Bíblia Sagrada (Jr 15.16). Ezequiel e Jeremias, como João, viveram em uma época na qual havia muita pressão para viver de acordo com um texto diferente daquele revelado por Deus nas Escrituras Sagradas. A dieta das Escrituras para os três resultou em frases consistentes, metáforas de uma clareza impressionante e uma vida profética de sofrimento corajoso. 

 Se estivermos correndo o risco (e certamente estamos) de sucumbir à tendência, tão disseminada em nossa cultura, de afastamento das Escrituras Sagradas, substituindo-as pelo texto da própria experiência (necessidades, desejos e sentimentos) como autoridade em nossa vida, os três impetuosos profetas, João, Ezequiel e Jeremias, responsáveis pela formação do povo de Deus nos piores períodos (exílio na Babilônia e perseguição romana), podem nos convencer da necessidade mais básica: sim, coma esse livro. 

   A comunidade cristã gastou enorme quantidade de energia, inteligência e oração para aprender a "comer esse livro", como fez João em Patmos, Jeremias em Jerusalém e Ezequiel na Babilônia. Não precisamos saber tudo dele para ir à mesa, mas conhecê-lo, mesmo que em parte, ajuda muito, especialmente em uma época na qual tantos de nossos contemporâneos o tratam como simples aperitivo. A ordem incisiva do anjo é também um convite. Venha à mesa e coma esse livro, pois cada palavra pretende fazer algo em nós, como proporcionar saúde e inteireza, vitalidade e santidade ao corpo e à alma. 

 DESPERSONALIZANDO O TEXTO

 Nem todos, entretanto, leem a Bíblia desse modo ou querem fazê-lo dessa maneira. Muitos a consideram interessante por outras razões; são atraídos a ela por conta de outras finalidades. A Bíblia adquiriu muita autoridade no decorrer dos séculos e é julgada útil ou interessante de outras maneiras, além de envolver-nos na revelação de Deus. 

  Sempre existiu muita gente fascinada pelos desafios intelectuais apresentados pela Bíblia. Se você tem uma mente curiosa e gosta de exigir o máximo de seu potencial, dificilmente poderá fazer melhor escolha do que se tornar especialista das Sagradas Escrituras. Entre em qualquer biblioteca teológica e percorra os corredores de obras cuidadosamente catalogadas sobre a Bíblia, de maneira geral, e sobre cada um dos livros que a compõem. Você ficará impressionado (ou impressionada). Pegue um livro ao acaso na prateleira e terá a certeza quase absoluta de estar diante da evidência de um intelecto de primeira linha que esteve investigando aquelas páginas para descobrir a verdade e chegou a resultados muito impressionantes e interessantes. Linguagem, história, cultura, ideias, geografia e poesia. A Bíblia contém tudo isso e muito mais. A pessoa pode passar a vida inteira diante da Bíblia lendo-a, estudando-a, pregando-a e escrevendo sobre ela, sem jamais esgotá-la. 

Há outros que se aproximam da Bíblia com um propósito mais prático: querem viver bem e ajudar seus filhos e vizinhos a fazer o mesmo. Eles sabem que a Bíblia oferece conselhos sadios e orientações confiáveis para ter sucesso neste mundo, o que costuma ser confundido pelas pessoas com a conquista de riquezas, saúde e sabedoria. A Bíblia tem a reputação de fornecer um roteiro sólido para o comportamento pessoal e social, e todos querem se beneficiar dela. As pessoas costumam ter a terrível tendência de criar problemas. A Bíblia pode manter-nos fora do fosso e no caminho reto e estreito.

 Além disso, é claro, há sempre um número considerável de pessoas que lêem a Bíblia pelo que costuma ser chamado de "inspiração". Há muitas passagens lindas e confortadoras nas Escrituras. Quando estamos solitários, sofrendo ou ansiosos por palavras que nos tirem da monotonia, o que há de melhor do que a Bíblia? As histórias emocionantes de Elias, os ritmos majestosos dos salmos, a pregação retumbante e engenhosa de Isaías, as parábolas encantadoras de Jesus, a energia dinâmica dos ensinos de Paulo. Se estiver em busca de uma leitura bíblica devocional e aconchegante, terá de escolher com muito critério: há grandes porções que podem fazer você relaxar até dormir ou continuar de olhos abertos a noite toda. Mas há pouca literatura disponível na maioria das livrarias bíblicas que lhe diga quais partes da Bíblia ler quando deseja receber conforto ou consolo - ou qualquer outra coisa que seu estado de espírito exigir. 

  Não quero ser severo demais com qualquer desses grupos de leitores da Bíblia, especialmente considerando que eu mesmo pertenci, durante um bom tempo, a cada um deles. No entanto, desejo chamar a sua atenção para o fato evidente de que, seja qual for o grupo com o qual você se identifique, a Bíblia será usada para seus propósitos, e esses propósitos não exigirão necessariamente nada em termos de relacionamento. É possível se aproximar da Bíblia com toda a sinceridade, respondendo ao desafio intelectual que ela faz, pela orientação moral que oferece ou pela edificação espiritual que promove, sem tratar de modo algum com um Deus pessoal e revelador e tem desígnios pessoais a seu respeito. 

 Vamos usar os mesmos termos com os quais começamos: é possível ler a Bíblia de vários ângulos diferentes e com vários propósitos sem lidar com Deus tal como ele se revelou; sem se colocar sob a autoridade do Pai, do Filho, do Espírito Santo, que está vivo e presente em tudo quanto somos e fazemos. 

 Sejamos bem claros: nem todos que se interessam pela Bíblia e até se entusiasmam com ela querem se envolver com Deus. Deus, porém, é o livro em si. No último livro que escreveu, C.S. Lewis falou  de dois tipos de leitura: a que usamos ao ler um livro para propósito pessoal e aquela em que assimilamos o propósito do autor. A primeira só assegura leitura negativa; a segunda abre a possibilidade para uma boa leitura:
    Quando a recebemos, empregamos nossos sentidos e nossa imaginação, assim como vários outros poderes, segundo um padrão inventado pelo artista. Quando a usamos, nós a consideramos como ajuda para as nossas atividades [...] Usar é inferior a receber porque a arte, se for usada em vez de recebida, simplesmente facilita, alegra, alivia ou suaviza a nossa vida, mas não acrescenta nada a ela. 
 É por isso que a noção formulada pela Igreja como Santíssima Trindade é tão importante quando nos aproximamos desse livro, a Bíblia. Lemos com o objetivo de penetrar na revelação de Deus, tão fortemente pessoal; lemos a Bíblia da maneira pela qual chega a nós, e não como nos achegamos a ela. Nós nos submetemos às variadas e complementares operações de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo; recebemos essas palavras para que possamos ser formados agora, e por toda a eternidade, para a glória de Deus. 
Muitos leitores da Bíblia supõem que exegese é o que você faz depois de ter aprendido grego e hebraico. Isso não é verdade. Exegese é apenas uma leitura cuidadosa do texto em nossa língua materna, feita com amor. É de grande valia ler grego e hebraico, mas, se você não teve esse privilégio, permaneça em seu idioma. Se aprendermos a amar esse texto e a vê-lo com inteligência e disciplina, não estaremos muito distantes dos melhores eruditos gregos e hebraicos. Aprecie os especialistas nas Escrituras, mas não se deixe intimidar por eles. 
  Exegese é algo muito diferente de presunção; exegese é um ato de amor - amor por aquele que fala o suficiente para desejar a compreensão correta de cada palavra. Exegese é amar a Deus o bastante para parar e ouvir cuidadosamente o que ele diz. Por conseguinte, damos a esse texto atenção e tempo, apreciando cada vírgula e ponto-e-vírgula, admirando a estranheza de determinada preposição, deliciando-se na colocação surpreendente de um ou outro substantivo. Quem ama não se limita a dar uma olhadinha rápida no objeto amado para captar uma mensagem ou sentido e, depois, sair correndo para conversar com os amigos sobre seus sentimentos; não é esse o comportamento de quem ama. 

No entanto, sem exegese, a espiritualidade se torna tola, aguada. Espiritualidade sem exegese acaba auto-indulgente. Sem uma exegese disciplinada, a espiritualidade se transforma em um dialeto próprio, a partir do qual defino todos os verbos e substantivos-chave de minha própria experiência. A oração termina coxeando, entre suspiros e gaguejos.
 Século após século, as técnicas exegéticas na comunidade cristã foram polidas, e nossas metodologias, aprimoradas. É uma imensa ironia que uma geração com acesso à melhor exegese bíblica, mesmo no chamado "clero instruído", permaneça, em grande parte, indiferente a ela. 

 Todo leitor cuidadoso da Bíblia é afetado pela maneira dela de ser "estranha e inflexível o tempo todo", em comparação ao que estamos acostumados e esperamos. A Bíblia não é "uma leitura fácil". 

  Algo muito comum entre nós é o desenvolvimento de certo hábito de solucionar os problemas bíblicos, calculando o que não parece se ajustar e depois aparando as arestas a fim de que se encaixe mais facilmente em nosso modo de pensar. Queremos usá-la de uma maneira confortável, e se isso não acontece, tentamos reconfigurá-la. Um bom amigo adverte seus alunos do risco de se tornarem especialistas em texto. Os especialistas aprendem esse texto e o dominam inteiramente a fim de poder consertá-lo quando sentem que está um pouco "fora dos eixos", para que nos leve suavemente aonde queremos ir com nossas necessidades, desejos e sentimentos.

  No entanto, nada em nossas Bíblias é unidimensional, sistematizado ou teologizado. Tudo no texto é íntima e organicamente ligado à realidade em que vivemos. Não podemos diagramar e fazer gráficos da Bíblia, dividindo-a em assuntos ou progressões perfeitamente rotulados, assim como não poderíamos fazer isso com nossos jardins. Um jardim está constantemente mudando com o crescimento de flores e ervas daninhas. Ou, para fazer uma comparação mais complexa, pense em uma feira rural onde haja um parque de diversões, barracas chamativas, crianças segurando o dinheiro da mesada, animais da fazenda e cavalos de corrida em exibição, homens e mulheres de todas as classes sociais. O lugar está cheio de vida, humana e animal, boa e má, gananciosa e generosa, indolente e determinada. Essas coisas, estejam elas no jardim ou na feira rural, só podem ser penetradas. A Bíblia é uma revelação dessa realidade vivida, e Deus é a forma de vida dominante. 

  Gostamos de dizer que a Bíblia tem todas as respostas, e isso, com certeza, é verdade. O texto bíblico nos posiciona dentro de uma realidade coerente com nossa condição de seres criados à imagem de Deus e com o destino que nos está reservado, de acordo com os propósitos de Cristo. Contudo, a Bíblia também propõe várias perguntas, algumas das quais passaremos o resto da vida fazendo o máximo para evitar. 

 A Bíblia é um livro confortador, mas também tem a capacidade de nos confundir. Como esse livro; ele será doce como o mel em sua boca, mas amargo em seu estômago. Não é possível reduzir esse livro a ponto de manipulá-lo. Você não pode domesticá-lo, para que seja usado de acordo com a sua conveniência, nem pode fazer dele uma espécie de bichinho de estimação, treinando para obedecer a seus comandos. 

  Esse livro nos torna participantes no mundo da existência e da ação de Deus; nós não participamos dele em nossos próprios termos. Não elaboramos a trama nem decidimos qual será o nosso personagem. Esse livro tem poder gerador: coisas acontecem conosco quando permitimos que o texto nos inspire, estimule, repreenda, apare as arestas. Ao chegar ao fim desse processo, não somos mais a mesma pessoa. 
  "O que nunca devemos ser encorados a fazer (embora todos incorramos nesse erro com frequência) é forçar as Escrituras a se ajustar à nossa experiência. Nossa experiência é restrita demais; seria como tentar fazer o oceano caber dentro de um dedal. O que desejamos é nos ajustar ao mundo revelado pelas Escrituras, nadar nesse vasto oceano". 
  "Se não for feita da maneira adequada, a leitura da Bíblia pode gerar muitos problemas. A comunidade cristã está tão preocupada com a ideia de como ler a Bíblia quanto com a necessidade de que ela seja lida. Não basta colocar uma Bíblia na mão de uma pessoa e ordenar que ela comece a leitura. Isso é tão insensato e perigoso quanto entregar a chave de um carro para um adolescente e dizer a ele que dirija. O perigo reside na possibilidade de, tendo em mãos uma peça com tal tecnologia, a usarmos sem o devido conhecimento, colocando em perigo nossa vida e a das pessoas à nossa volta. Outro risco é o de usarmos essa tecnologia de maneira inconsequente e violenta, intoxicados com o poder que ela nos confere. Lucas 10:26"
   Recebemos o alerta: não basta compreender a Bíblia ou admirá-la. Deus falou; agora é a nossa parte. Oramos a partir do que lemos, participamos ativamente do que Deus revela na Palavra. Deus não espera que adotemos essa nova realidade deitados numa rede. Seria melhor não fazer isso, pois o objetivo de Deus é que essa Palavra nos coloque de pé, em condições de andar, correr, cantar.

   Deus não nos obriga a nada disso; a Palavra de Deus é um convite pessoal, uma ordem pessoal, um desafio pessoal, uma repreensão pessoal, um juízo pessoal, um consolo pessoal, uma direção pessoal. Tudo, porém, sem forçar ou coagir. Temos espaço e liberdade para responder, para entrar na conversa. Desde o início até o fim, a Palavra de Deus é dialógica, uma palavra que convida à participação. A oração é a nossa participação na criação, na salvação e na comunidade que Deus revela a nós nas Escrituras Sagradas. 

  TRADUÇÃO PARA O GREGO 

   A tradução da Bíblia hebraica para o grego é a nossa primeira tradução completa. Enquanto, na tradução em aramaico, temos apenas pedaços, fragmentos espalhados aqui e ali - e, como na história de Esdras e os treze levitas, algo que oferece apenas uma ideia do conteúdo, a tradução das Escrituras em grego é completa, toda a Bíblia hebraica bem antes do tempo de Jesus e da descida do Espírito Santo no Pentecostes. 

  Com o tempo, essa tradução grega foi a Bíblia por excelência da primeira igreja cristã, sua versão "autorizada". Quando Paulo escrevia suas cartas à recém-formada comunidade cristã e citava a Bíblia para legitimar e confirmar o relacionamento comum daqueles primeiros cristãos com o povo de Deus que havia sido remido da escravidão no Egito, treinado em uma vida de amor e obediência no deserto e na Terra Prometida, instruído e desafiado pelos grandes profetas pregadores de Israel, ele quase sempre citava essa tradução grega.

  Quando Marcos escreveu seu Evangelho, ele fez 68 referências distintas ao Antigo Testamento, das quais 25 são citações exatas ou quase exatas da tradução grega. Ao chegarem à cidade grega de Beréia, Paulo e Silas fizeram um estudo bíblico com alguns judeus na sinagoga deles, "examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo [o evangelho] era assim mesmo". Tratava-se, sem dúvida, da tradução grega oficial das "Escrituras" que eles estudavam (At 17:10-12). Muitos séculos depois, Walter Bauer escreveu sua introdução para o que se tornou o léxico-padrão do Novo Testamento grego, afirmando: "Quanto à influência da LXX [a tradução grega], cada página desse léxico mostra que ela supera todas as demais influências em nossa literatura". 

 Assim como a tradução para o aramaico se tornara necessária nos anos que se seguiram ao decreto de Ciro, segundo o qual o aramaico deveria ser a linguagem oficial do imenso e multilinguístico império persa, duzentos anos mais tarde tornou-se necessária a tradução em grego quando Alexandre, o Grande conquistou tudo o que era persa, transformando, quase da noite para o dia (conforme a história relata), todos em gregos ou, pelo menos, em pessoas que falavam grego. (Pg 137-145). 


    EVANGÉLICOS EM CRISE


 EVANGÉLICOS EM CRISE

DECADÊNCIA DOUTRINÁRIA NA IGREJA BRASILEIRA.
AUTOR: PAULO ROMEIRO

Abaixo alguns trechos do livro. Uma saudável e rica leitura.

 O envolvimento de muitos evangélicos na política brasileira tem trazido mais prejuízos do que benefícios para a imagem da Igreja.

  A minissérie Decadência, produzida e transmitida pela Rede Globo, em Setembro de 1995, despertou a fúria de muitos crentes, mesmo antes de ser levada ao ar. Embora ela não retratasse a maioria da Igreja brasileira, não deixou, porém, de denunciar o aspecto doentio e mercenário de alguns grupos evangélicos.

  Paulo alertou os de Mileto sobre falsos ensinos. Atos 20:29

•  Antigamente muitos católicos e padres, tinham a ideia dos evangélicos era que eles só acreditavam na Bíblia, obedeciam a Bíblia e nada mais. Isso foi no início da década de 70. Hoje, infelizmente, as coisas mudaram bastante. Muitos evangélicos se comportam exatamente como adeptos de seitas.

   A IMPORTÂNCIA DO DISCERNIMENTO

. A crise aumenta à medida que diminui o discernimento ou há falta dele por parte de igrejas e líderes cristãos.

. Há evangélicos que enviam seus dízimos para a LBV (Legião da Boa Vontade), pensando tratar-se de uma organização evangélica. É uma seita espírita.

. Muitos pastores usam as revistas despertai e A Sentinela das testemunhas de Jeová para ministrar à Escola Dominical.

. O pior é que fica cada vez mais difícil defender a fé cristã à medida que tantas seitas passam a encontrar mais e mais aliados nas próprias fileiras evangélicas. Muitos pastores por aí precisam tomar cuidado.

. Temos hoje uma necessidade urgente de mais líderes que nos sirvam como modelos de oração, piedade e integridade.

  A ÉTICA

 Creio que uma das falhas do pentecostalismo (de onde também venho) no Brasil através das décadas foi enfatizar mais o carisma do que o caráter. O importante era ter o poder de Deus, poder para expulsar demônios, operar milagres, pregar e sacudir as massas. Tudo isso é bom, mas apenas isso não basta, pois carisma sem caráter leva à destruição.
  “VIVER A ÉTICA CRISTÃ DE ACORDO COM A PALAVRA DE DEUS É O CAMINHO A SER PERCORRIDO POR NÓS SE QUISERMOS SER O SAL DA TERRA E A LUZ DO MUNDO”. Mt 5;13-16.
   “SEM DÚVIDA, UMA DAS MAIORES ARMAS DE SATANÁS CONTRA O CORPO DE CRISTO É A DESUNIÃO”.
 “A crise doutrinária que assola a igreja hodierna no brasil é séria demais para ser ignorada e colocada de lado, pois heresias e ensinos aberrantes tendem a se espalhar muito rapidamente”. Não podemos esquecer também que cada crente é chamado para ser um atalaia no exército do Senhor e soar o alarme toda vez que se fizer necessário ( Ez 3 e 33). Embora desagrade a muitos, os erros devem ser denunciados e a verdade da Palavra de Deus proclamada com amor e obedecida sem distorções.

“A TEOLOGIA DA PROSPERIDADE TRAZ EM SEU BOJO SÉRIOS DESVIOS CRISTOLÓGICOS”.

 Quando se tornou necessário corrigir ensinos distorcidos, Paulo não hesitou em mencionar as pessoas, e hoje também é o nosso papel em defesa do Evangelho. ( II Tm 2:16-18)
 “TODAS AS NOSSAS REGRAS DE FÉ E PRÁTICA DEVEM ESTAR BASEADAS NAS ESCRITURAS. ONDE E QUANDO A BÍBLIA SE CALA, DEVEMOS NOS CALAR TAMBÉM”.

  “QUANDO O SER HUMANO NÃO ADORA EM ESPÍRITO E EM VERDADE, ELE CORRE O RISCO DE PROCURAR SER ADORADO”.
  A pessoa dotada de um forte carisma é conhecida por seu magnetismo irresistível, sua aparência de vencedor e pelo entusiasmo com que defende uma causa, ou apresenta um produto.

    Sem dúvida, todo cristão deve se envolver em obras sociais a fim de promover o bem – estar do seu próximo. Por outro lado, foge completamente aos ensinos da Bíblia quando um grupo desenvolve uma obra social, como distribuição de cestas básicas ou qualquer outro tipo de socorro humanitário, e fica o tempo todo mostrando isso no seu próprio canal de Tv. É o comportamento dos escribas e fariseus, condenado por Jesus, repetindo-se atualmente. Mt 6:1-18

   Um grupo chamado Ramo Davidiano, de David Koresh, Abril de 1993, 85 pessoas morreram queimadas com ele, e também Jim Jones (que no fim de 1978 levou mais de 900 pessoas ao suicídio coletivo, na Guiana).

  Não é o ser humano que tem que ser cultuado e nem adorado.

  Ex: Quando Naamã comandante do exército do rei da Síria foi a Israel em busca de Eliseu para ser curado de sua lepra, esperava ser bajulado pelo profeta de Deus. Para garantir uma recepção honrosa pelo homem de Deus, Naamã levou consigo dinheiro e presentes. O plano falhou. Eliseu nem saiu de casa para cumprimentá-lo. Enviou-lhe um mensageiro dizendo: “Vai, lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será restaurada, e ficarás limpo (II Rs 5:10). Contrariado, Naamã foi, lavou-se no Jordão e foi curado de sua lepra. Em gratidão, voltou à casa do profeta e com insistência, ofereceu-lhe presentes. Eliseu recusou, mostrando assim que um verdadeiro homem de Deus não busca a glória humana e não faz comércio com o poder e a Palavra do Senhor ( II Reis 5).

•  Muitos pregadores partiram para o Sensacionalista”.

  O FENÔMENO DE CAIR 

   Sempre que acontecia de uma pessoa caindo diante de Deus, era o próprio Deus provocando o Fenômeno ou causando-o através de um anjo ( Mt 28:2-4). Um outro fato que não deve ser esquecido é que toda vez que a Bíblia relata de homens que passaram por tal experiência, ela foi acompanhada de reverência, temor e adoração.

 Infelizmente em muitas igrejas faz-se em seus cultos ainda o uso de enxofre, óleo ungido, rosa ungida, fogueira santa, sal ungido, copo d´água em cima do rádio ou da Tv e uma variedade enorme de símbolos e objetos para estimular o fiel a adorar ou a contribuir financeiramente. Tudo isso é bem o contrário do que o Senhor Jesus disse à mulher samaritana (Jo 4:23-24). Assim, a adoração bíblica, pura e simples, não deve estar atrelada a um rosário de símbolos ou objetos.

Milagre não é diploma de bom comportamento e nem prova da aprovação de Deus quanto ao ministério de alguém.

  Atitude do cristão diante do sobrenatural não deve ser de incredulidade, mas de cautela, e alguns critérios devem ser levados em consideração. Primeiro, além de proporcionar o bem-estar, o alívio e fortalecer a fé dos envolvidos na benção, o milagre deve servir principalmente para a exaltação do nome do Senhor, e para expandir o seu reino na terra, e não para promover o homem.

       O EVANGELHO DA MALDIÇÃO!

  O ensino da maldição de família mais escraviza do que liberta. Até crentes que há vários anos viviam alegres, evangelizando, servindo ao Senhor e dando frutos, agora estão preocupados, deprimidos, pensando que talvez as tentações, as dificuldades e lutas pelas quais estão passando, sejam de fato reflexo de pecados ou do comportamento dos seus ancestrais. Não faz muito tempo, numa grande igreja pentecostal, um diácono, que havia participado de um desses seminários para quebra de maldições hereditárias, me procurou para aconselhamento. Tal irmão encontrava-se confuso e deprimido com as informações que recebera e queria saber o que a Bíblia tinha a dizer sobre tudo isso. Depois de uns dez minutos de conversa, ele respirou aliviado.

  O Senhor Jesus nunca ensinou tal doutrina. Quando perguntado sobre o cego de nascença: “Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego! Ele respondeu: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus (Jo 9:2-3).
   Jesus destruiu qualquer superstição ou crença que os discípulos pudessem ter de que a cegueira fora provocada pelos pecados de seus antepassados, e o próprio Jesus nunca ensinou tal doutrina.

  Os pregadores da maldição afirmam que se alguém tem algum problema relacionado com alcoolismo, pornografia, depressão, adultério, nervosismo, divórcio, diabete, câncer e muitos outros, é porque algum antepassado viveu aquela situação ou praticou aquele pecado e transmitiu
Tal pecado ou maldição a um descendente.

  Um dos textos bíblicos mais usados pelos pregadores da maldição hereditária é Êxodo 20:4-6. É preciso que se leve em consideração o assunto do texto aqui citado. De que trata afinal, tal passagem! Será Alcoolismo, pornografia, depressão etc... É obvio que não. O texto fala de idolatria e não oferece qualquer base para alguém afirmar que herdamos maldições espirituais de nossos antepassados em qualquer área das dificuldades humanas.

  Ler Números 23:7,8- Balaque pediu a Balaão que amaldiçoasse a Israel.

  Ezequiel 18:1-4: O capítulo 18 de Ezequiel dá a entender que havia se tornado um costume em Israel colocar a culpa dos fracassos pessoais nos antepassados ou em outros. Um exemplo no Jardim do Éden, De ser culpa de Adão.

•  Paulo não se deixou prender ao passado. Quando escreveu aos crentes de Filipos, declarou: Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado; mas uma cousa faço: esquecendo-me das cousas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo (Fp 3:13-14).

•  É importante observar a sugestão do apóstolo Paulo a Timóteo: As enfermidades de Timóteo (I Tm 5:23). Paulo nunca ensinou que a enfermidade de Timóteo fosse uma maldição de seus antepassados ( Rm 8:19-23).

•  Ensinar que um cristão tem que romper com maldições ou pactos dos antepassados pedindo perdão por eles é minimizar o poder de Deus na conversão. Isso está mais para o espiritismo ou mormonismo (com sua doutrina antibíblica do batismo pelos mortos) do que para o cristianismo. Jesus não salva em prestações, mas de uma vez todas.

•  Observe o que aconteceu com os filhos de Samuel, um profeta de Deus e um homem íntegro, como pode ser observado em I Samuel 3:19 e 12:3. Apesar da integridade do pai, a Bíblia diz que seus filhos não andaram pelos caminhos dele ( I Sm 8:3). Ler também I Co 6:9-11.

  “A maior das maldições sem dúvida é estar fora de Cristo. A maior das bênçãos, certamente é o estar em Cristo”.

  Exemplo: Paulo foi um homem violento. A Bíblia diz que Saulo, porém assolava a Igreja, entrando pelas casas, e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere (At 8:3). O apóstolo João, antes de se tornar o discípulo do amor, não hesitava em dar vazão à sua ira (Lc 9:52-54).

   Como abandonou Paulo sua violência e João deixou de ter um espírito ou temperamento vingativo! Sem dúvida, através da conversão e do viver com Cristo foi que eles foram transformados e libertos, e não através da quebra de maldição de família. Ler Hebreus 9: 27.

   É preciso lembrar ainda que, à luz da Bíblia, ninguém pode se arrepender por outra pessoa. O arrependimento é algo pessoal, que se faz diante de Deus. A ideia de que temos que até interceder, pedir perdão por pecados que aqueles antepassados cometeram, e quebrar os pactos que fizeram, contradiz a Palavra de Deus, que afirma: “Assim, pois, cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus ( Rm 14:12).


  Muitos cristãos estão apegados aos nomes, se é maldição ou benção. O nome não faz a pessoa. Se fizesse, as prisões no Brasil não estariam cheias de presidiários chamados de Abel, Moisés, Isaías, Daniel, Pedro, Lucas, Paulo etc. Superstição apenas.
   “A BÍBLIA, PORÉM, ENSINA QUE O CRISTÃO NÃO DEVE AMALDIÇOAR, MAS, SIM, ABENÇOAR ( Rm 12:14).
Ora, não importa quão maravilhosa tenha sido a experiência; se ela contradiz as Escrituras e não tem base na Palavra de Deus, deve ser rejeitada prevalecendo somente a Bíblia Sagrada, única regra de fé.

  Em 22 de Março de 1993, o jornal O Globo informou que Brasília, conhecida como a cidade mística, abriga 2.563 casas de candomblé e umbanda.

  O inimigo não vai recuar só porque alguém prega bonito, tem profundo conhecimento bíblico, sabe as línguas originais da Bíblia ou porque faz muito sucesso na vida. De modo algum. O   inimigo vai recuar, sim, diante de um crente que vive uma vida de submissão a Deus.

   O QUE É A CONVERSÃO!

 A conversão consiste na entrega própria àquela união com Cristo que é simbolizada pelo batismo: união com ele em sua morte, o que concede libertação da penalidade e do domínio do pecado; e união com ele na sua ressurreição dentre a morte, para que o crente viva para Deus por intermédio de Cristo e com ele ande em novidade de vida, por intermédio do poder do Espírito Santo que lhe vem habitar no íntimo.
   “O FATO DE UMA PESSOA ESTAR NA IGREJA NÃO A TRANSFORMA NUM CRISTÃO, COMO O FATO DE ESTAR NUMA GARAGEM NÃO A TRANSFORMA NUM CARRO. É PRECISO NASCER DE NOVO E VIVER EM CRISTO”.

  “PREGAR O EVANGELHO, PURO COMO ELE É, SEM ACRÉSCIMOS, FOI E SEMPRE SERÁ O MÉTODO PARA SE EXPANDIR O REINO DE DEUS E TRAZER HOMENS E MULHERES AO PÉ DA CRUZ DE CRISTO”.
  O culto cristão deve ser centralizado no Senhor. O objetivo principal do povo de Deus ao se reunir é adorar a Deus em espírito e em verdade. Todo esforço deve ser feito para que haja crescimento no conhecimento do Senhor e da sua Palavra, e na comunhão do corpo de Cristo. Sem dúvida, num ambiente cristão saudável deve-se dar atenção a todas as necessidades do ser humano, sejam elas espirituais, emocionais ou físicas, desde que dentro dos limites estabelecidos pela Palavra de Deus.

  Outra questão importante nesse livro:

 O Cristão não tem que sair dominando os poderes políticos. Muitos usam passagens bíblicas de acordo com a teologia do domínio. Jesus se recusou ser um líder político ( Jo 6.9-15). Satanás lhes ofereceu o mundo e Jesus não aceitou. Leia João 18:35-36.

  O último parágrafo nos dá uma boa conotação da importância do discernimento.
  “O CRESCIMENTO ESPIRITUAL SAUDÁVEL DEPENDE DO EXERCÍCIO CONSTANTE DO DISCERNIMENTO. DISCERNIR NÃO É UMA OPÇÃO, MAS UM MANDAMENTO BÍBLICO”. (I Ts5.21; I Jo 4:1).
   CUIDADOS A TOMAR

  Nas livrarias evangélicas.

   O crente que entrasse numa livraria evangélica antigamente não precisava tomar cuidado. Na maioria das vezes, ele tinha à sua disposição apenas material equilibrado, refletindo, portanto, sólidos ensinamentos bíblicos. Mas essa tranquilidade acabou. Para nossa surpresa, muitas livrarias evangélicas de hoje parecem um terreno minado. O crente cuidadoso tem que entrar com muita atenção para não comprar livros prejudiciais à vida cristã (é claro que não são todas que fazem isso).

     AO ESCOLHER UMA IGREJA

  Devido ao grande número de igrejas e denominações hoje, os crentes devem discernir no momento de escolher o seu local de cultuar a Deus. Aqui vai algumas sugestões:

•  Verifique se a igreja em perspectiva tem compromisso em ensinar a Bíblia de forma séria e equilibrada. Algumas são muito fracas, oferecendo apenas o “leite” da Palavra de Deus, isto é, apenas ensinos para novos convertidos. A igreja deve estar estruturada para fornecer aos seus membros o alimento sólido da Palavra a fim de levá-los ao crescimento espiritual.

•  Verifique a que grupo ou denominação a igreja em questão está afiliada.

•  É importante pedir uma declaração de fé ou doutrinária da igreja em vista. Examine com cuidado as posições da igreja sobre as doutrinas fundamentais da fé cristã.

•  Seja um crente bereano (At 17.11,12).
  Está na hora de deixar de lado toda a ingenuidade e passar a desenvolver um ceticismo positivo e saudável. Tem pessoas disposta a crer em qualquer coisa, qualquer história ou testemunho, sem qualquer questionamento.

•  Verifique se a igreja ou o ministério são moralmente confiáveis.

•  Não apoie uma igreja ou ministério centralizados no dinheiro.

•  Não procure uma igreja perfeita, porque ela não existe.
  A igreja, no seu organismo visível, não é perfeita, já que é constituída de seres humanos, que,por natureza, são imperfeitos.
   
       MANDAMENTOS DO DISCERNIMENTO

. Desenvolva uma compreensão completa e saudável das Escrituras.
. Quanto mais o cristão compreender a Palavra de Deus, mais facilmente ele poderá distinguir a verdade do erro.
. Nem todo crente é chamado para ser um erudito da Bíblia, mas todo crente pode e deve estudar a Bíblia em profundidade e adquirir um entendimento adequado dos seus ensinos.



INTRODUÇÃO À ANTROPOLOGIA MISSIONÁRIA / RONALDO LIDÓRIO 


LIDÓRIO, Ronaldo. Introdução à Antropologia Missionária. São Paulo: Vida Nova, 2011. 208 p.

Mineiro de Nanuque, Ronaldo Lidório nasceu em 1966 em uma família evangélica e engajada no trabalho missionário brasileiro. Aos 18 anos iniciou sua vida acadêmica, teve contato com diversas culturas e se dedicou ao estudo teológico e antropológico aplicado à sua responsabilidade missional. 

É bacharel em Teologia, habilitado em Missiologia e pós-graduado em Antropologia cultural e intercultural. Durante nove anos, ele e sua esposa Rossana trabalharam entre o povo Konkomba em Gana, desenvolvendo projetos sociais e evangelísticos, como a grafia da língua Limonkpeln e tradução do Novo Testamento, a organização de uma clínica, estabelecimento de escolas e perfuração de poços, além do plantio de várias igrejas. Hoje, trabalham com a equipe Amanajé entre os indígenas do Brasil, coordenam o Instituto Antropos e prestam consultoria a diversas organizações missionárias nas áreas de Missões e Antropologia. Ronaldo Lidório é membro da APMT (Agência Presbiteriana de Missões Transculturais) e também da Missão AMEM (A Missão de Evangelização Mundial). É consultor do CONPLEI (Conselho Nacional de Pastores e Líderes Evangélicos Indígenas), da WEC International e da World Evangelical Alliance. Também coordena a área de pesquisa do Departamento de Assuntos Indígenas da AMTB (Associação de Missões Transculturais Brasileiras). É membro da American Anthropological Association desde 2001.

Com um livro que transita por uma área pouco explorada na literatura brasileira, o autor trata dos encontros e desencontros que acontecem há anos entre antropólogos e missionários e, consequentemente, suas respectivas áreas. Sua proposta é abordar a Antropologia aplicada às ações missionárias de forma histórica, conceitual e prática, oferecendo uma base para os desdobramentos que envolvam encontro de culturas e evangelização.

O primeiro capítulo introduz o livro no enfoque histórico da Antropologia, afunilando um pouco sobre os conceitos teóricos da Antropologia Cultural aplicada às atividades missionárias. No segundo capítulo, o autor começa a trabalhar, também historicamente, as interações já ocorridas entre antropólogos e missionários, esclarecendo que por meio da coleta, organização e distribuição dos dados etnográficos obtidos através da convivência, o missionário pode (e o fez durante anos) contribuir de forma relevante para a pesquisa antropológica.

As considerações sobre o ambiente de animosidade entre antropólogos e missionários aparecem no capítulo três. Os pontos de vista de cada um são explicados, bem como os desencontros a partir de suas funções e visões na sociedade. Enquanto antropólogos primam por processos que promovem a pesquisa, missionários se debruçam no desenvolvimento de relações diretas com a sociedade. Assim, não raras vezes, antropólogos taxam missionários de nocivos intervencionistas e missionários classificam antropólogos como socialmente estéreis. Apesar disso, Lidório diz que a quebra de preconceitos e um ajuntamento desses segmentos seria bastante proveitoso tanto cientificamente quanto socialmente, pois a metodologia da pesquisa científica de um lado complementaria a aproximação social mais integral do outro.

O quarto capítulo traz nomes dos missionários-antropólogos que têm tido expressiva relevância nas diversas ações de treinamento, conscientização e formação missionária, bem como na sólida produção literária. Em breve revisão bibliográfica, o quinto capítulo aponta teóricos que influenciaram em maior escala a formação da Antropologia Missionária e segue com a apresentação do roteiro de análise de sistemas culturais desenvolvido pelo próprio autor e denominado Método Antropos, o qual tem por pressuposto servir como guia na observação e estudo em situação de encontro cultural, além de aproveitar os dados coletados na viabilização de ações missionárias.

Os conceitos de intervenção e mudança que tanto produzem tensão entre antropólogos e missionários voltam no capítulo seis para uma visão mais detalhada. O autor defende uma abordagem equilibrada tendo como crivo os princípios de autonomia liberdade para assegurar que as mudanças (que ocorrem por diversos fatores) aconteçam por iniciativa interna, não imposta, além de serem cônscias e almejáveis pelo grupo que as experimentam.

Lidório expõe no capítulo sete sobre catequese e evangelização, mostrando especialmente as diferenças (metodológicas e conceituais) entre as ações. A catequese – cristã ou não cristã, católica ou evangélica – tem por base a comunicação dos conceitos por meio dos códigos de quem transmite, sem a devida atenção ao receptor. É, assim, uma ação imposicionista. Já a evangelização é dialógica e relacional, utiliza os códigos e processos do ouvinte para conversa e exposição, baseando-se nos critérios de sensibilidade e compreensão cultural.

No capítulo oito, o autor começa a tratar do uso da Antropologia nos campos missionários com ênfase etnográfica. A comunidade missionária tem como pontos fortes a vivência de campo e a coleta de dados, mas ainda lhe falta a metodologia etnológica. E esta é, possivelmente, uma das maiores necessidades: transpor-se da etnografia para a etnologia, da coleta de dados culturais para o exame e compreensão do seu significado. Lidório avalia que, no Brasil, a formação missionária tem deixado a desejar no preparo antropológico ao dar pouca ênfase às disciplinas da área, bem como à sua aplicação nas ações missionárias.

A importância dos processos de comunicação que intencionam inteligibilidade, aplicação e contextualização da mensagem é abordada no nono capítulo. Considerando a comunicação como um fato social que inclui as partes, o autor afirma que ela deve ser dialógica, relacional, inteligível, ética e aplicável, e se concentra em tratar da metodologia de transmissão de uma mensagem. Ele deixa claro que uma comunicação fiel e relevante só será possível se houver, da parte do comunicador, o compromisso com a análise cultural e ampla compreensão da cosmovisão do grupo com quem se trabalha, para isso pontua dicas práticas para o bom relacionamento e aprendizado (da língua e cultura) com o grupo.

O capítulo dez é conceitual, uma introdução aos termos: Antropologia – como consequência histórica das notas, acontecimentos e conceitos reunidos em torno da identidade humana em seus diversos agrupamentos sociais -, cultura – baseando-se na observação de Paul Hiebert como os princípios um tanto agregados em conceitos, emoções, importâncias e padrões que são vivenciados por pessoas organizadas em torno do que raciocinam, sentem e fazem - e homem – como um ser em cultura, determinado por sua história, seus conceitos e sua inclusão na sociedade.

Três padrões de observação cultural são expostos no capítulo 11: o ético – com a aproximação, análise e conceituação de um fato antropológico a partir da interpretação e perspectiva cultural do observador –, o êmico – com a análise de um fato antropológico a partir da interpretação de quem vivencia a cultura experimentadora do acontecimento – e o êmico-teológico – com o padrão de observação cultural êmico, a partir de quem o vivencia, somado à aplicação dos princípios bíblicos supraculturais.

A análise sociocultural é apontada por Lidório como uma das mais importantes contribuições da Antropologia à comunidade missionária, por isso, no capítulo 12, apresenta as bases de estudo que utilizou na elaboração do Método Antropos, denominando-as dimensões: históricaéticaétnica e fenomenológica. Há também o método de desenvolvimento de pesquisa em contexto urbano, o Urbanos. Porém, o autor ressalta que, independente do método utilizado, é muito importante que o pesquisador/missionário atente para o modo pelo qual desenvolverá a pesquisa, priorizando o contato, aprendendo a partir de relações e observação, registrando, organizando e refletindo sobre tudo o que for coletado e aplicando o que foi avaliado nos processos de comunicação.

Seguindo a perspectiva antropológica, nos capítulos 13 a 16, Lidório começa a tratar dos quatro temas que considera indispensáveis na construção do pensamento religioso de uma sociedade, quais sejam:magiaritosmitos e totemismo. O autor conceitua, descreve utilidade, identifica elementos de formação e as categoriza.

O capítulo 17 é proposto para discutir o processo da evangelização de forma contextualizada. O autor lembra que dois limitadores desse processo são a insuficiência de compreensão do outro e do próprio Evangelho (mensagem). Sobre isso, há o perigo da imposição – com a tendência humana de aplicar ao outro seu próprio padrão cultural -, o perigo do pragmatismo – com a postura simplesmente prática, baseada em resultados – e o perigo sociológico – com a postura simplesmente humanista, baseada em solucionamentos. O autor esclarece que a contextualização não possui valor por si só, mas pelo conteúdo a ser contextualizado, por isso ele propõe alguns princípios bíblicos para uma boa contextualização da mensagem do Evangelho e segue com exemplos bíblicos do modelo paulino de exposição do Evangelho.

Em suas últimas considerações, Lidório faz alguns apontamentos sobre os interesses e finalidades da Antropologia Missionária, recapitula o que tratou no desenvolvimento do livro e expõe que o maior desafio ao tratar dessa área é a efetiva comunicação da mensagem, ou seja, ser fiel ao conteúdo e, ao mesmo tempo, inteligível e relevante ao ouvinte.

A obra traz ainda cinco apêndices: (1) O Manifesto do DAI/AMTB – 2009, sobre a presença e atuação missionárias entre os povos indígenas do Brasil; (2) A Declaração de Manaus, um manifesto assinado pelos alunos da primeira turma do curso de pós-graduação em Antropologia Intercultural da UniEvangelica e Instituto Antropos, reconhecendo a relevância da área estudada, a importância da aproximação do científico antropológico e das ações missionárias e se comprometendo com a produção reflexiva das ciências propostas, visando a defesa dos interesses dos povos entre os quais trabalham; (3) Uma breve descrição sociocultural da sociedade brasileira e a apresentação do Método Urbanos; (4) Uma compilação de estudos de caso e algumas sugestões de como utilizá-los; (5) O questionário direcionador do roteiro de análise de sistemas culturais, denominado Método Antropos.

Fazendo jus ao aspecto introdutório, o autor trabalha muito bem a historicidade da Antropologia Cultural, seus expoentes e influência na Missiologia, dando base à aplicabilidade científica no campo missionário. Os capítulos são curtos, mas cheios de informações e bem divididos. Lidório não se esquece de conceituar, classificar, exemplificar e aplicar o que propõe. Cada nova informação traz um estudo de caso aplicável que contribui para a fixação.

Além de uma excelente introdução e direcionamento para o estudo acadêmico e consolidação da perspectiva antropológica-missionária, o livro também é um importante meio de estímulo para a quebra de preconceitos entre os representantes das áreas abordadas, sabendo que uma posição equilibrada é benéfica a todos, especialmente às necessidades dos grupos que são alvo de estudo e atuação de antropólogos e missionários.

A obra em questão recebeu o prêmio Areté 2012, promovido pela ASEC (Associação de Editores Cristãos), na categoria missão / nacional. Lidório, na mesma cerimônia, recebeu o prêmio de autor / nacional.  



Resenha do Livro O Fator Melquisedeque



O livro O fator Melquisedeque: o testemunho de Deus nas culturas através do mundo (Mundo Cristão, 1995, tradução de Nedy Siqueira), de autoria de Don Richardson e publicado originalmente com o título Inglês Eternit in their hearts (1981) é uma obra de caráter cristão-missiológico que se tem projetado como sempre atual, amiúde lida e relida por muitos leitores do seguimento cristão.
Na obra em pauta, Don Richardson objetiva mostrar que a revelação de Deus à humanidade acontece em dois níveis, que ele vai chamar de Fator Abraão e Fator Melquisedeque, sendo o primeiro fator uma referência às implicações missionárias das revelações especiais de Deus nas Escrituras Sagradas, tendo como veículo principal a nação de Israel, cujo progenitor é Abraão; enquanto que o segundo fator diz respeito à revelação geral-original de Deus a todos os povos, de todas as culturas, muitos dos quais, em sua forma primitiva de viver, ainda deixam transparecer alguns resquícios alojados em suas consciências acerca do projeto de Deus para o mundo, e cujo referencial maior é o cananeu Melquisedeque, o qual, apesar de fazer parte de um povo alheio à aliança de Deus com Abraão, demonstrou um conhecimento considerável a respeito da mesma, quando se encontrou com este.
O livro se estrutura em duas partes: 1) O mundo preparado para o evangelho – o fator Melquisedeque e 2) O evangelho preparado para o mundo – o fator Abraão. Através destes dois títulos, se distribuem sete capítulos sucintos. Nos quatro primeiros capítulos (parte 1), Richardson desenvolve a ideia que ele denominou de Fator Melquisedeque, primeiramente trazendo ao conhecimento do leitor fatos interessantes ocorridos entre povos primitivos, que denunciam um conhecimento, ainda que remoto, do verdadeiro Deus entre eles. Assim sendo, no primeiro capítulo, denominado Povos do Deus remoto, são apresentados seis povos, alguns muito primitivos, como os cananeus, os santal, o povo gedeo da Etiópia e os mbaka da República Centro-Africana; outros relativamente civilizados, como os atenienses, chineses, coreanos e incas. A cada um desses povos, o autor refere um acontecimento que aponta para a revelação original de Deus, a qual foi perdendo a tonalidade nas consciências com o passar do tempo, mas que não se perdeu de todo. Por exemplo, Richardson refere-se aos atenienses e ao seu altar ao Deus desconhecido, atribuindo a origem deste conceito a um certo Epimênides, cuja orientação sobre um deus desconhecido teria salvado a cidade de Atenas de uma grande peste. Tendo os atenienses já oferecido ofertas a todos os seus deuses e não tendo cessado a mortandade, Epimênides orientado que precisavam oferecer sacrifícios a um deus cujo nome era desconhecido, orientação que, seguida a risca, pôs fim à peste.
As outras narrativas, atinentes aos outros povos, também se mostram bem convincentes, as quais o leitor poderá ver no próprio livro.
No capitulo dois – Povos do livro perdido – o autor fala de uma crença muito comum entre alguns povos da região da Birmânia e adjacências. Segundo aqueles povos, os seus antepassados serviam a um único Deus – cada um cita um nome, de acordo com o idioma falado, não obstante os significados serem bem parecidos – o qual lhes deu um livro que continha as leis da divindade, mas de alguma maneira, o livro se perdeu – cada um cita um motivo –, trazendo maldição sobre eles. Segundo este sistema de crenças, há uma promessa antiga, propalada pelos profetas – há também profetas entre eles – segundo a qual, um dia aparecerá um homem branco trazendo de volta o livro que os libertará da servidão e lhes mostrará o caminho da felicidade.
Vale salientar que, embora alguns destes povos ofereçam sacrifícios a outras divindades – deuses maus, segundo eles –, a fim de apaziguar sua ira, reconhecem que há somente um Deus, criador de todas as coisas, sendo que a visão que estes povos têm da divindade é bem parecida com a cosmovisão judaico-cristã, como é o caso dos Karen da Birmânia, cuja composição de hinos anunciam e exaltam um único Deus verdadeiro, que eles chamam de Y’wa. Para os kachin, povo do norte da Birmânia, Karai Kassang é o glorioso que cria e tudo sabe. Crença bem semelhante permeia a vida religiosa dos Lahu e os Wa, povos da adjacência da Birmânia, bem como dos Mizo da índia.
Richardson quer mostrar a evidência de um monoteísmo nativo nas crenças destes povos, bem como alguns paralelos entre essas crenças e algumas doutrinas das Escrituras, por exemplo, o conceito de um Deus único, Criador do Universo, a noção de desobediência original contra a Divindade, a promessa de um Salvador enviado para trazer a verdade e iluminar aqueles que estão em trevas espirituais.
Na sequência nos são apresentados alguns povos de costumes muito exóticos, cujas tradições serviam de empecilho à propagação do evangelho; também nos são apresentadas algumas estratégias usadas por missionários para remover os empecilhos, inspiradas na percepção de uma correlação entre aqueles costumes exóticos e alguns pontos doutrinários das Escrituras. Um exemplo é o caso dos Sawi da Nova Guiné, os quais, além de canibais, praticam a “caça cabeça”, um costume que consiste em selecionar pessoas da própria comunidade e, num ato de traição, cortar as suas cabeças para estacá-las em suas plantações, a fim de atrair fecundidade como favores dos deuses. Outrossim: eles tinham uma admiração especial pelos traidores, pessoas que eram incumbidas de iludir suas vítimas com uma falsa amizade, literalmente engordando-as para, por fim, matarem-nas. Sendo os traidores decantados nesta cultura, quando a mensagem do evangelho anunciou um Jesus traído por um Judas, este ganhou um lugar de honra e aquele ganhou um lugar de desprezo. 
Segundo esta mesma tradição, somente um ato poderia livrar uma família ou pessoa de qualquer traição deste tipo: quando um pai sawi oferecia seu filho para outro grupo como uma “criança da paz”, tanto as diferenças antigas eram canceladas, como eram prevenidas futuras ocasiões de perfídias. Neste caso, como uma forma de remover o empecilho à propagação do evangelho, o autor, ele mesmo no campo missionário, apresenta Jesus como a última criança da paz, fazendo um paralelo entre este costume sawi e o ato de Deus ter oferecido seu Filho como meio de desfazer a inimizade entre Ele e a humanidade perdida.
O que Richardson parece querer mostrar com este exemplo e com outros afins, é que, mesmo em povos com costumes tão selvagens, parece haver resquícios de uma revelação geral de Deus que se externam em similitudes apreendidas entre alguns de seus atos e a revelação especial de Deus na Bíblia Sagrada.
No capítulo que encera a primeira parte do livro em apreço, o autor trata de teorias estranhas (sic), ou mais precisamente, eruditos com teorias estranhas, que se levantaram na esteira da Teoria da Evolução de Charles Darwin, para explicar, de forma científica, a origem da religião, bem como a evolução, entre os povos, do politeísmo para o monoteísmo, ganhando destaque a teoria do inglês Eduard B. Tylor. Tylor defendia que a ideia de alma humana, desenvolvida pelos primitivos, poderia ter sido o embrião natural do pensamento do qual se desenvolveram todos os demais conceitos religiosos, e que, portanto, as religiões devem ter nascido da compreensão de gente primitiva que atribuía não só aos humanos, mas também a outras entidades, a existência de uma alma. Para Tylor, a evolução que se deu do politeísmo para o monoteísmo inspirou-se no fenômeno de certas sociedades humanas: a estratificação das classes, que foi pouco-a-pouco elevando a aristocracia como governo das massas, até que um único aristocrata assumiu o governo soberano, o que teria inspirado mentes religiosas fecundas a, paralelamente, elevar um membro do panteão de deuses locais acima das outras divindades, culminando no monoteísmo. Por se chocar frontalmente com as ideias defendidas por Richardson em O Fator Melquisedeque, mormente a ideia de um fenômeno universal de um monoteísmo nativo, é que o autor aborda a teoria de Tylor, mostrando, com sólida argumentação, que ela já foi refutada pela ciência e apontando quais foram suas consequências deletérias no decorrer da história.
Na segunda parte de seu livro, Richardson aborda o que ele mesmo chama de revelação especial, a qual fora dada por Deus a Abraão, a partir do capítulo 12 de Gênesis, o que é conhecido pelos estudiosos da Bíblia como “aliança abrâmica”. Após recapitular alguns aspectos da revelação geral, a qual abrange doutrinas importantes da Bíblia, como por exemplo: o fato da existência de Deus, a criação, a rebelião e queda do homem, a necessidade de um sacrifício para aplacar a Divindade, o grande Dilúvio – fatos dos quais os mais diversos povos tinham ciência – , o autor propõe que a aliança abrâmica se levanta como uma ilha em meio ao mar da revelação geral.
Richardson se reporta para o capítulo 12 de Gênesis, a fim de classificar as promessas feitas a Abrão em duas categorias: as promessas da linha de cima (De ti farei uma grande nação e te abençoarei, e engrandecerei o teu nome. Sê tu uma bênção; abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem), e as promessas da linha de baixo (Em ti serão benditas todas as famílias da terra). A compreensão que se deriva dessa classificação feita por Richardson é que o plano de Deus era abençoar Abraão e os seus descentes (promessas da linha de cima) para, por meio dele, abençoar todos os povos da terra (promessas da linha de baixo).
Como exemplo prático do propósito de Deus de abençoar os gentios por meio da nação eleita, são apresentados ao leitor vários casos, no antigo Testamento, em que os filhos de Abraão foram uma bênção para os povos não-judeus, como os casos de: José, que foi um canal de bênçãos para os egípcios; os espias de Josué em Jericó, que foram uma bênção para Raabe e sua família; Noemi, que foi uma bênção para duas mulheres moabitas; o profeta Elias, que foi uma bênção para uma viúva de Sarepta; o profeta Eliseu, que foi uma bênção para Naamã; o rei Salomão, que foi uma bênção para a rainha de Sabá; Daniel e seus três amigos, que foram uma bênção para os babilônios. Estes fatos e outros, exarados no Antigo Testamento (são mais de 300) evidenciam que Deus estava trabalhando para fazer cumprir as suas promessas de abençoar os gentios desde tempos remotos.
Na sequência, são apresentadas abundantes referências no Novo Testamento que mostram Deus ainda apegado ao seu antigo compromisso de abençoar os gentios por meio de Abraão, principalmente nas cartas paulinas e na epístola aos hebreus.
No capítulo 6, Richardson apresenta o cumprimento da promessa com o título Um Messias Para Todos. Ele começa fazendo um paralelo entre Isaque e Jesus, bem como entre o monte Moriá, local onde teria acontecido o sacrifício de Isaque, e o Calvário, local onde Jesus foi sacrificado. Com isso, Richardson objetiva salientar que toda a vida de Jesus, sua morte e ressurreição estavam intimamente ligadas à promessa secular de Deus, no sentido de repartir as bênçãos de Abraão entre todos os povos da terra. Esta afirmativa se encontra apoiada em abundantes referências citadas pelo autor do livro em apreço, muitas das quais mostram Jesus estendendo as bênçãos de Abraão a vários gentios que se aproximaram dele pedindo ajuda, como por exemplo, o centurião de Cafarnaum (Mt 8.5-13) e a mulher cananeia (Mt 15.21-28).
Portanto, todas as ações de Jesus em direção a pessoas que não faziam parte da comunidade de Israel – a mulher e o leproso samaritanos (Lc 17.11-19; Jo 4.5-28), por exemplo – denunciavam o seu compromisso com a promessa de Deus a Abraão, de que abençoaria os gentios, missão que, após encerrar o seu ministério terreno, outorgou aos seus discípulos e que convencionou-se chamar de Grande Comissão (ver Mt 28.18-20).
Por fim, no último capítulo, o autor relata o plano de Deus de alcançar todos os povos evidenciado no livro de Atos, e expresso na grande comissão delegada por Jesus aos seus discípulos, quando ordenou a estes que não se ausentassem de Jerusalém até que recebessem poder para evangelizar o mundo (ver At 1.8).
Segundo Richardson, o plano de Deus de abençoar os gentios estava evidente no fato de a efusão do Espírito Santo acontecer no dia de Pentecostes, quando judeus do mundo inteiro, que falavam não só o idioma hebraico e/ou aramaico, mas também vários idiomas gentios, estavam reunidos em Jerusalém. E se a intenção de Deus fosse só abençoar os judeus, não haveria a necessidade de o Espírito Santo conceder aos discípulos que falassem milagrosamente dezenas de línguas que se fizessem entender de todos, apenas o hebraico seria o suficiente. Este fato estaria mostrando que o poder do Espírito não objetivava primordialmente operar milagres, mas levar o evangelho a todos os povos.
Os discípulos de Jesus, todavia, parece não terem entendido o significado da grande comissão e se mostraram relutantes em atender à ordem de Jesus Cristo para levar o evangelho aos gentios, até que Deus tomou providências drásticas para que sua promessa a Abraão, feita sob autojuramento, fosse cumprida. Três fatos importantes evidenciaram a ação de Deus: 1) a grande perseguição que se abateu sobre a igreja de Jerusalém (At 8.1); 2) a conversão de Saulo (At 9.1ss); 3) a destruição de Jerusalém por Tito no ano 70 A.D. Acrescenta-se ainda o fato de Deus ter ordenado a Pedro que fosse a casa de Cornélio, um gentio, a fim de que este recebesse as bênçãos do evangelho (At 10.9-23). Richardson mostra com detalhes como esses acontecimentos foram decisivos para a expansão do Reino de Deus entre os gentios. O livro se encerra com o autor desafiando os leitores a atentarem para a linha de baixo das promessas feitas por Deus a Abraão, a fim de que façam frutificar a promessa de 4.000 anos feita ao pai da fé.
O livro O Fator Melquisedeque é encantador pelo estilo cativante e pelas eloquentes ideias desenvolvidas por Don Richardson sobre as revelações de Deus para a humanidade. As histórias narradas prendem a atenção do leitor e o enriquecem muito em relação às diversas culturas dos povos, culturas impregnadas do elemento religioso. É um verdadeiro tratado missiológico e, portanto, de leitura indispensável para quem aspira à obra missionária ou mesmo quem já está engajada nela de alguma forma.
Já li outros livros que tratam do assunto das revelações de Deus aos povos, bem como dos costumes e culturas de povos antigos, tanto de caráter secular, como de caráter cristão, mas desconheço um autor que tenha abordado o assunto com tanta propriedade e profundidade. A leitura de o Fator Melquisedeque possibilita ao leitor uma visão geral e precisa do plano de Deus para a salvação de todos os homens e como ele trabalhou para executar o seu plano no decorrer da história, através de pessoas que ele escolheu. Mostra também um resquício do conhecimento de Deus na mente dos pagãos, um rascunho do seu plano de salvação, o qual Ele revelou também aos gentios, materializado nos costumes e práticas religiosos destes.
Lembro-me que tinha uma professora de Psicanálise que citava Freud para dizer que todas as pessoas carregam dentro de si um sentimento de culpa, culpa derivada da ideia de que estão rebeladas contra alguém. “Nós somos rebelados”, ela dizia. Um dia lhe perguntei qual seria o meio de curar esta sensação de culpa, ao que ela respondeu: “Na Psicanálise, não tem salvador. Então será preciso muitos anos de divã”. Comentei com ela que achava muito interessante que a Bíblia também falasse de um sentimento de culpa universal, e que este sentimento de culpa, segundo a Bíblia, também se origina da ideia de rebelião, mas, diferente da Psicanálise, a Bíblia apresenta um Salvador que apaga as culpas. Richardson mostra em seu livro exatamente o que a minha professora dizia nas aulas de Psicanálise: existe nos corações das pessoas, mesmo daquelas mais primitivas e isoladas, a ideia de que agrediram alguém de ordem transcendental e por isso são culpadas, e precisam desesperadamente reparar seu erro, o que as leva a buscarem os mais diversos caminhos. Richardson chama este fenômeno de revelação geral (ou fator Melquisedeque), entendendo que foi Deus quem incutiu estas impressões nos corações humanos.
A revelação geral configurou-se em um terreno propício para o que Richardson chama de revelação especial (o fator Abraão), o que tentei passar para minha professora. Deus providenciou um Salvador para todos os povos, por meio de um homem que ele escolheu, a quem se revelou, fez promessas, e jurou por Si mesmo que as cumpriria. É disto que Don Richardson trata neste livro brilhante. Por isso eu recomendo a leitura.
Reconhecido por seu trabalho antropológico e linguístico, Don Richardson foi missionário em Irian Jaya, parte indonésia e ocidental da Ilha de Nova Guiné, em uma das regiões mais desconhecidas e misteriosas do planeta, habitada por tribos papuas que ainda vivem da maneira mais primitiva. É famoso conferencista e autor de vários best-sellers na área de missões, entre eles Fator Melquisedeque, Senhores da Terra e o Totem da Paz.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

500 ANOS DA REFORMA

500 ANOS DA REFORMA

Postagens populares

.

E SE FOSSE VOCÊ?

E SE FOSSE VOCÊ?

DOUTOR DA IGREJA GREGA - MAIOR PREGADOR DA IGREJA PRIMITIVA - MESTRE DA RETÓRICA, DA HOMILÉTICA!

DOUTOR DA IGREJA GREGA - MAIOR PREGADOR DA IGREJA PRIMITIVA - MESTRE DA RETÓRICA, DA HOMILÉTICA!
Você deseja honrar o corpo de Cristo? Não o ignore quando ele está nu. Não o homenageie no templo vestido com seda quando o negligencia do lado de fora, onde ele está malvestido e passando frio. Ele que disse "Este é o meu corpo" é o mesmo que diz "Tu me vistes faminto e não me destes comida" e «quantas vezes o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes» (Mateus 25:40)... Que importa se a mesa eucarística está lotada de cálices de ouro quando seu irmão está morrendo de fome? Comeces satisfazendo a fome dele e, depois, com o que sobrar, poderás adornar também o altar.

João Crisóstomo, Comentário sobre Mateus

♛ Uma das características mais recorrentes das homilias de João Crisóstomo (347-407) é sua ênfase no cuidado com os necessitados. Ecoando temas do Evangelho de Mateus, ele exorta os ricos a abandonarem o materialismo para ajudar os pobres, empregando todas as suas habilidades retóricas para envergonhar os ricos e obrigá-los a abandonar o consumismo mais conspícuo:


“Honras de tal forma teus excrementos a ponto de recebê-los em vasilhas de prata quando outro homem criado à imagem de Deus está morrendo de frio?”


— João Crisóstomo