segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Acervo da Teologia

*Remova as Máscaras


REMOVA AS  MÁSCARAS

Nos teatros,  usava-se uma máscara  chamada ‘persona’ que é uma palavra italiana derivada do latim para um tipo de máscara.  A  psicologia usa o termo ‘persona’ para definir  a função psíquica relacional voltada ao mundo externo, ou seja, é o que somos por fora, é o que vendemos aos outros acerca de nós. Existe uma necessidade de vender uma imagem acerca de si mesmo a qual está, quase sempre, ancorada nas coisas que se fala, na maneira de se  vestir, nos bens que são ostentados e na maneira de se comportar. Em resumo, ‘persona’ é o que somos por fora, é a nossa personalidade.
Mas, quando pensamos em caráter nos remetemos ao que somos por dentro. É aquele ser que existe em nós que, de fato, sabemos que não enganamos quando encaramos a nós mesmos no silêncio do quarto ou nos desertos da vida. Caráter é sua índole, sua natureza pelo o que você é por dentro.  Davi, pensando em seu caráter, faz uma oração a Deus e diz o seguinte:
“Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração,  prova-me e conhece os meus pensamentos”  Salmo 139.23.
Coração no hebraico é:  lebab  significa o homem interior, sua mente, vontade, sentimento,  alma. Davi não tem a menor preocupação em impressionar a Deus. De fato ele procura ser autêntico, sem máscara alguma, diante das mentiras e enganos que nele existem.
Quem é  esse que existe dentro de nós, que nos dias de culto põe a ‘roupinha de ver Deus’ e  vai ao templo  pensando enganar ao Senhor como aos irmãos, falando o que não vive, pregando e “teologando” empolgadamente sem nunca ter experimentado a realidade do evangelho na  vida íntima e pessoal?  Quem é esse que existe dentro de nós que canta empolgadamente nos cultos e durante a semana cobiça, adultera, inveja e mente como se isso já fizeste parte da vida não pública, da vida ‘secreta’ e ‘íntima’? Quem é esse que existe dentro de nós, que vive  o ‘transtorno de personalidade aparente’? Quem é esse que existe dentro de nós, com suas  máscaras tomando forma em sua vida ao ponto de conseguir  adorar ao Senhor  com o coração carregado de mágoa, ressentimento, ódio, desprezo, ciúmes e sordidez?  Quem é esse??? Quem é esse que vive se escondendo por trás das máscaras?
As duas perguntas  que devem  provocar verdadeiro pânico e desespero  em nós é, primeira:  A quem Deus procura na terra para serem os seus verdadeiros adoradores? Os que tentam impressionar pela roupa que veste,  pelas coisas que fala  ou pelo cargo que possuem? A resposta é simples, é uma gente íntegra no caráter, segundo  o evangelho de João 4.23:“ Mas vem a hora e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.”. Nos íntegros e sinceros existe um ser dentro de nós cuja máscara não consegue esconder; é esse ser que faz a sua adoração torna-se verdadeira. A segunda pergunta é: Diante desse caos existencial, quem se salvará afinal? A resposta é muito simples e absurdamente desesperadora, veja Heb. 12.14:
“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”
A  palavra santificação no grego é  hagiasmos que signifca santificação de coração e vida, ou seja, o que somos por dentro e não o que aparentamos com o discurso de ‘santificação’ eclesiológico e teórico para impressionar os ouvintes com nossas máscaras.
Então, o que deveria nos fazer perder o sono seria essas duas pessoas que existem em nós: a de fora e a de dentro. A quem o Senhor quer como adoradores e servos? Vejamos apenas três textos bíblicos para concluirmos. Os dois primeiros são:
Tiago 1:8 – “… homem de ânimo dobre, inconstante em todos os seus caminhos.”
Tiago 4:8 – “Chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós outros. Purificai as mãos, pecadores; e vós que sois de ânimo dobre, limpai o coração.”
A palavra para ‘dobre’ no original grego é  dipsuchos, que significa: duas almas, duas pessoas, mente dupla, vacilante, incerto, duvidoso, de interesse dividido. Tiago descreve a figura de uma pessoa que usa máscara na igreja ou em público sendo uma, e outra quando está na intimidade da vida, no  secreto, sem máscaras, no deserto onde lá ele está a sós e precisa encarar a si mesmo com suas incongruências, contradições e antagonismos.
O outro texto que podemos analisar é o de Apocalipse 3.15, quando Jesus fala à igreja de Laudiceia: (Apoc 3:15) “Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!”
A palavra no original para ‘obras’ é ergon.  Ergon  tem um significado bem apropriado à vida íntima, secreta, pessoal, podendo ser traduzido como a mente Nesse caso, o escritor poderia ter usado a palavra ‘ergonai’ que seria melhor traduzido para a vida pública e não à vida íntima, só que  Jesus não está interessado pelo que fazemos publicamente com uso das máscaras mas sim, pela nossa vida íntima, secreta, pessoal, onde ninguém está vendo.
Portanto tiremos as máscaras da hipocrisia, do fingimento, do sensacionalismo eclesiástico, desse ser que é o que não é. Oremos para que Deus nos livre do transtorno de personalidade ‘aparente’, ancorado em figuras ou tipos carregados de aparência com exteriorização religiosa daquilo que não é segundo o coração de Deus. Vigiemos para sermos íntegros e sinceros em tudo.
Tiago 1:4:  “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes.”
Fil 2:15: ”… para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual resplandeceis como luzeiros no mundo.”
A palavra sincero no grego é  akeraios, que significa  mente sem  misto de maldade, livre de malícia, inocente, simples.
Que Deus  nos desmascare enquanto há tempo!
Por Irgledson Irvison Galvão – Pastor em Campinas (SP)



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