quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Portal Teologia & Missões

Epístola de Paulo aos Efésios


Mais do que uma carta, a Epístola aos Efésios (Ef) é um escrito doutrinário e exortatório, que revela no seu autor fundamentais interesses pedagógicos e pastorais. É uma reflexão sobre a Igreja, vista como Corpo de Cristo (1.22b-23; 4.15-16. Cf. Cl 1.18), e um sólido ensinamento sobre a salvação que Deus oferece aos pecadores (2.4-9).

Éfeso


Éfeso foi uma cidade grega antiga na costa de Jônia, três quilômetros a sudoeste de Selçuk, atual em província de Esmirna, Turquia. Foi construída no século X a.C. no local da capital anterior de Arzawa por colonos gregos jônicos.

Desde o ano 133 a.C., com uma população próxima a meio milhão de pessoas, Éfeso era a capital da província romana da Ásia e residência oficial do governador. Estava situada em um lugar privilegiado da costa do Mediterrâneo, com um porto de muito tráfego e uma importante via de comunicação com o interior da Ásia Menor.

Contribuía para aumentar o prestígio da cidade o culto à deusa Diana, em cuja honra se havia erigido um templo em Éfeso, ao qual devotos de “toda Ásia e o mundo” (At 19.23-41) acudiam em peregrinação.


O Livro de Atos faz referência a duas visitas de Paulo a Éfeso. A primeira foi breve (At 18.19-21), mas a segunda se prolongou “por três anos” (At 19.1—20.1,31), um período cuja duração indica a importância da obra missionária realizada ali.


Propósito 

As freqüentes alusões que o apóstolo faz, em outras epístolas, a Éfeso ou a pessoas relacionadas com essa cidade revelam estreitos laços de trabalho e afeto que o uniam à comunidade cristã estabelecida ali (cf. 1 Co 15.32; 16.8; 1 Tm 1.3; 2 Tm 1.18; 4.12). Contudo, na presente epístola, nota-se uma ausência quase total tanto de nomes próprios (exceto Tíquico, citado em 6.21) como das saudações pessoais que são habituais nos escritos paulinos. Isso leva a pensar que se trata mais de uma espécie de carta circular dirigida a diversas congregações.

O pensamento em torno do qual se estrutura a Epístola aos Efésios é a unidade da Igreja e de toda a criação sob o governo de Cristo ressuscitado (1.20-22a), pois vão “convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu como as da terra” (1.10). Este é o propósito de Deus, mantido no oculto da sua sabedoria (3.10), o qual agora há de ser revelado universalmente por meio da Igreja (3.10-11).


Conteúdo e Estrutura 

O texto da carta é formado por duas seções principais. A primeira (1.3—3.21), de caráter doutrinário, se apresenta após algumas palavras iniciais de saudação (1.1-2). A segunda (4.1—6.20) contém uma série de exortações para se viver de acordo com a vocação e a fé cristã. Por último, um breve epílogo põe ponto final à carta (6.21-24).


A seção doutrinária começa com um louvor a Deus (1.3-14), que nos escolheu em Cristo “antes da fundação do mundo” (v. 4) e “nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo” (v. 5). Essa eleição e destino pertencem ao “mistério da vontade” divina, agora manifestado, de que tanto judeus como gentios são chamados a participar dos benefícios da redenção (1.9; 2.11-22).






Em uma oração de gratidão e súplica pela fé e pelo amor dos efésios (1.15-23), Paulo evoca a grandeza do poder de Deus (1.19) e o senhorio único e definitivo de Jesus Cristo, cabeça da “igreja... plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas” (1.22-23).

O cap. 2 recorda aos leitores que, ainda que antes estivessem mortos nos seus “delitos e pecados” (2.1-3), agora são salvos pela graça (2.5) e fazem parte de um povo único, no qual não há diferenças de classe nem inimizade de raça (2.14-16), pois todos nele pertencem à família de Deus (2.19-22).


O mistério da salvação dos não-judeus foi revelado pelo Espírito aos santos apóstolos e profetas de Cristo (3.5). E também o foi a Paulo (3.3), ministro como eles, escolhido por Deus para anunciar o evangelho aos gentios (3.8).

Na segunda seção, o apóstolo exorta a “preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz” (4.3-6), o que em nada se opõe à diversidade dos dons espirituais que devem estar sempre presentes na Igreja (4.7-16; cf. 1Co 12).

A vocação cristã há de manifestar-se na renovação profunda da pessoa, com o abandono dos antigos hábitos perniciosos e fazendo conciliar pensamentos, palavras e atitudes com a realidade da nova vida em Cristo (4.22-24). Os princípios do Espírito: “bondade, justiça e verdade” (5.9) devem governar o coração dos crentes e dirigir todos os seus relacionamentos humanos: de esposas e esposos, de pais e filhos e inclusive de senhores e escravos (5.21—6.9).

Particularmente importante é a passagem de 5.21-33, onde o autor estabelece um paralelismo entre a unidade essencial de Cristo e a sua Igreja e a figura do matrimônio.


A seção conclui com uma exortação a lutar contra o mal. A indumentária e as armas do soldado inspiram a Paulo a figura militar que achamos em 6.10-20, com a qual, mais uma última nota de despedida, termina o corpo central da carta.


Data e Lugar de Redação  


Como ocorre com outros textos epistolares do Novo Testamento, também não há unanimidade de critério sobre a data e o lugar de redação dessa epístola, incluída no grupo das chamadas “da prisão” (ver a Introdução às Epístolas) por causa do testemunho do autor sobre a sua situação pessoal (3.1; 4.1). Tendo presente essa clara referência ao seu cativeiro, se tem pensado que a carta foi escrita em Roma, entre os anos 60 e 61 d.C.

Por outro lado, Efésios oferece algumas peculiaridades literárias de vocabulário e de perspectiva teológica que a diferenciam dos demais escritos paulinos, com exceção da Epístola aos Colossenses, com a qual tem muitas afinidades em temas, conceitos e expressão.

Na sua segunda viagem missionária, Paulo passou por Éfeso (Atos 18:18-21). Ficou pouco tempo, mas deixou Áqüila e Priscila, seus companheiros desde o tempo que ele havia ficado em Corinto (Atos 18:1-3). Paulo saiu de Éfeso com a intenção de voltar. Terminou a segunda viagem em Antioquia, donde partiu na terceira (Atos 18:22-23).

Antes de Paulo chegar de volta a Éfeso, um outro pregador passou pela cidade. Apolo foi um pregador capaz e eloqüente, mas chegou em Éfeso com entendimento incompleto da obra do Senhor. Ele entendeu o plano de Deus até o batismo de João, mas evidentemente não conheceu o comprimento do plano de Deus. João e seu batismo olhavam para frente, ainda esperando a morte e a ressurreição de Cristo. Áqüila e Priscila ensinaram este evangelista zeloso e ele continuou pregando ousadamente em outros lugares, principalmente na Acaia (província que incluia a cidade de Corinto). O relato desta história se encontra em Atos 18:24-28.

Quando Paulo chegou a Éfeso, ele encontrou um grupo de discípulos que nada sabiam da vinda do Espírito Santo (Atos 19:1-2). Pelo contexto, deduzimos que estes discípulos ouviram e aceitaram a mensagem pregada por Apolo antes de aprender melhor de Áqüila e Priscila. Paulo esclareceu o assunto, mostrando que Jesus já morreu, ressuscitou, voltou aos céus e enviou o Espírito Santo. Entendendo melhor, estes doze homens "foram batizados em o nome do Senhor Jesus" (Atos 19:3-5). Depois do batismo, Paulo impôs as mãos e eles receberam dons de línguas e profecia do Espírito Santo (Atos 19:6-7).

Paulo continuou em Éfeso por três anos (Atos 20:31), ensinando na sinagoga e na escola de Tirano, realizando milagres extraordinários, e conduzindo muitas pessoas a Cristo. O trabalho de Paulo e outros discípulos em Éfeso provocou um grande tumulto por parte dos seguidores da "deusa" Diana (Atos 19). Paulo prosseguiu para a Macedônia e a Grécia. Na volta, passou perto de Éfeso. De Mileto, ele chamou os presbíteros da igreja de Éfeso e conversou com eles, avisando sobre o perigo de lobos vorazes entrarem no meio deles (Atos 20).

Paulo continuou a sua viagem até Jerusalém, onde foi preso (Atos 21-23). Foi transferido para Cesaréia onde foi detido por dois anos ou mais (Atos 23-26) e, depois, foi levado a Roma (Atos 27-28). Lucas encerra a história do livro de Atos com Paulo ainda em Roma dois anos depois da chegada àquela cidade. Durante estes anos de prisão, ele escreveu o livro de Efésios (veja 3:1; 4:1; 6:20).


O Livro de Efésios

Há grandes similaridades entre Efésios e Colossenses. Um estudo paralelo dos dois livros mostra muitos pontos iguais e estruturas paralelas. Mas, os livros não são iguais. Colossenses frisa a primazia de Cristo. Efésios, também, fala de sua primazia, mas destaca mais o papel da igreja no plano eterno de Deus.

Existe um debate sobre os destinatários da carta. Alguns manuscritos omitem as palavras "em Éfeso" em 1:1. Nós não entraremos nesta discussão aqui, porque não muda o sentido do livro para nós. Se Paulo enviou esta carta exclusivamente aos efésios ou a vários irmãos em diversos lugares, a mensagem para os dias de hoje é a mesma.

Entre os assuntos tratados neste livro:


As bênçãos espirituais em Cristo
A primazia de Jesus Cristo
A salvação pela graça mediante a fé
A paz em Cristo
O plano eterno de Deus para a igreja
Os dons concedidos à igreja para promover a edificação dela
A importância da santificação
A conduta cristã em várias relações: marido/mulher, pais/filhos, servos/senhores
A armadura de Deus para enfrentar os inimigos espirituais


O templo de Ártemis em Éfeso

Ruínas 

No primeiro século de nossa Era Comum, a cidade de Éfeso era uma metrópole abastada e movimentada, sendo o centro dum próspero culto à deusa pagã Ártemis (ou Diana). O ensino sobre Jesus como o Messias de Jeová, foi pela primeira vez ouvido ali o mais tardar em 52 EC, quando Paulo chegou de Corinto, junto com o casal Áquila e Priscila. O próprio Paulo não podia ficar, mas Áquila e Priscila permaneceram ali. Quando um notável orador, Apolo, começou a ensinar ali “com precisão” as coisas a respeito de Jesus, este casal cristão ajudou-o a desfazer a má compreensão que ele tinha do batismo. Apolo passou a tornar-se trabalhador fervoroso na congregação do primeiro século. — Atos 18:24-28.


Alguns meses mais tarde, Paulo retornou a Éfeso e encontrou ali um grupo de cerca de 12 discípulos que haviam sido batizados com o batismo de João. Acatando as palavras de Paulo, foram batizados novamente. Daí, durante uns três meses, ele pregava na sinagoga. Mas, quando a maioria dos judeus mostrou-se indiferente, Paulo e os novos discípulos passaram para o auditório da escola de Tirano, onde Paulo começou a proferir diariamente discursos. — Atos 19:8-10.

Começou então um período estimulante em Éfeso. Jeová, realizou obras poderosas de cura por meio de Paulo. Pessoas que apenas tocavam na roupa
dele eram curadas, e a notícia a respeito da pregação dele espalhava-se por toda aquela região. (Atos 19:11-17) Numa carta que ele escreveu naquela época, Paulo disse à congregação em Corinto, do outro lado do mar Egeu: “Vou permanecer em Éfeso até a festividade de Pentecostes; porque se me abriu uma porta larga para atividades mas há muitos opositores.” — 1 Coríntios 16:8, 9.

Paulo ficou em Éfeso por mais de dois anos. Muitos ficaram sabendo do amor extraordinário que Jeová havia demonstrado ao enviar seu Fil
ho unigênito para que os que exercessem fé nele tivessem a vida eterna. Eles aceitavam a verdade, e o amor que expressavam a Jeová e seu Filho era forte. Antigos praticantes de artes mágicas “trouxeram os seus livros e os queimaram diante de todos. E calcularam os preços deles e acharam que valiam cinqüenta mil moedas de prata. A palavra de Jeová, crescia e prevalecia assim de modo poderoso”. (Atos 19:19, 20) Imagine que enorme testemunho se deu ali!

Em pouco tempo, a intensidade do amor dos efésios foi posta à prova. Em Éfeso, muitos prateiros ganhavam bem a vida, fabricando santuários de prata de Ártemis. Um deles, Demétrio, encarando a jovem congregação cristã como ameaça para o sustento deles, arengou seus colegas prateiros e fomentou um distúrbio. A vida dos cristãos ficou em perigo, até que o escrivão da cidade acalmou a turba. (Atos 19:23-41) Pode ter havido outras provas similares, não registradas na Bíblia, visto que Paulo alude a ‘ter lutado com feras em Éfeso’. (1 Coríntios 15:32) Não obstante, o amor ardente que os efésios tinham a Jeová ajudava-os a perseverar.

Por fim, Paulo partiu de Éfeso. Mas em 56 EC, em caminho para Jerusalém, encontrava-se em Mileto, a uns 48 quilômetros de distância. Convocou assim uma reunião com os anciãos efésios e exortou-os a seguirem o exemplo dele e pastorearem o rebanho de Deus confiado aos cuidados deles. Advertiu-os especialmente contra “lobos opressivos” que surgiriam dentre eles mesmos e que desencaminhariam os discípulos. Revelou também que era provável que nunca mais se vissem face a face. Assim, “irrompeu muito choro entre eles todos, e lançaram-se ao pescoço de Paulo e o beijaram ternamente”. — Atos 20:17-38.

Quando Paulo chegou a Jerusalém, ele foi preso e finalmente enviado a Roma, como prisioneiro. Ali, seus pensamentos voltaram-se novamente para seus irmãos efésios, e ele escreveu a carta que aparece na Bíblia sob o título “Aos Efésios”. Neste ponto, o amor a Jeová e ao Filho dele, por parte dos cristãos em Éfeso, ainda era forte, visto que Paulo lhes disse: “Também eu, tendo ouvido falar da fé que tendes no Senhor Jesus e para com todos os santos, não cesso de dar graças por vós.” — Efésios 1:15-17.

Paulo, na sua carta, deu bom conselho destinado a ajudá-los a manter vivo seu amor. Lembrou-lhes que estavam vivendo em dias iníquos e que, portanto, deviam ‘comprar todo o tempo oportuno’, não permitindo que outros assuntos os impedissem de fazer a vontade de Deus. (Efésios 5:15-17) Paulo lembrou também aos efésios que seus verdadeiros inimigos não eram os humanos que procuravam opor-se a eles. Antes, ele disse, “temos uma pugna . . . contra as forças espirituais iníquas nos lugares celestiais”. Por isso incentivou-os fortemente a se revestirem da armadura espiritual e a manterem contato íntimo com Deus por meio da oração. — Efésios 6:11-18.




Paulo escreveu sua carta aos efésios por volta de 60 ou 61 de nossa Era Comum. (Efésios 1:1) Pouco depois, Timóteo visitou Éfeso, e, enquanto ali, recebeu de Paulo uma carta, que chamamos de Primeira a Timóteo. Nela Paulo exorta este homem mais jovem a permanecer em Éfeso, para ‘mandar a certos que não ensinem doutrina diferente, nem prestem atenção a histórias falsas e a genealogias, que acabam em nada’. (1 Timóteo 1:3, 4) A presença de Timóteo naquela cidade, sem dúvida, ajudou a maioria dos cristãos efésios a preservarem seu amor zeloso a Jeová, apesar da influência má que os cercava.

Por volta de 65 EC, Paulo escreveu a sua segunda carta a Timóteo. Nela mencionou que havia enviado outro emissário, Tíquico, a Éfeso. (2 Timóteo 4:12) Esta é a última coisa que lemos sobre Éfeso, até que Jesus enviou sua mensagem registrada no livro de Revelação. Os cristãos em Éfeso eram os frutos da pregação do apóstolo Paulo. Haviam tirado proveito de visitas posteriores por cristãos de destaque, tais como Timóteo, haviam recebido conselhos por meio duma carta inspirada por espírito santo e faziam parte do “um só corpo”. (Efésios 4:4)

Contudo, haviam perdido ‘o amor que tinham no princípio’.


































Pesquisas

Bíblia Ilúmina
Bíblia de Estudo de Genebra
Fotos Internet 
www.estudosdabiblia.net 


Livro Bíblico Completo de Efésios narrado por Cid Moreira 






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