"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17

domingo, 21 de dezembro de 2014

* Primórdios do Movimento Reformado no Brasil / Alderi Souza de Matos

       Primórdios do Movimento Reformado no Brasil


Os primeiros calvinistas chegaram ao Brasil ainda no começo da sua história. No final de 1555, um grupo de franceses liderados por Nicolas Durand de Villegaignon instalou-se em uma das ilhas da baía de Guanabara. Um ano e meio mais tarde, chegou à "França Antártica" um grupo de colonos e pastores reformados enviados pelo próprio João Calvino, em resposta a um pedido de Villegaignon. No dia 10 de março de 1557 esses evangélicos realizaram o primeiro culto protestante no Brasil e possivelmente no Novo Mundo. Eventualmente, surgiram desavenças teológicas entre Villegaignon e os calvinistas. Cinco deles foram presos e forçados a escrever uma declaração de suas convicções. 

 O resultado foi a bela "Confissão de Fé da Guanabara." Com base nessa declaração, três dos calvinistas foram executados e um deles foi poupado por ser o único alfaiate da colônia. O quinto autor da confissão de fé, Jacques le Baleur, conseguiu fugir, mas eventualmente foi preso e mais tarde enforcado. Dentre os que conseguiram retornar para a França estava o sapateiro Jean de Léry, que mais tarde tornou-se pastor e escreveu a célebre obra Viagem à Terra do Brasil.

A próxima tentativa de introdução do calvinismo no Brasil ocorreu em meados do século XVII através dos holandeses. No contexto da guerra contra a Espanha, a Companhia das Índias Ocidentais ocupou o nordeste brasileiro por vinte e quatro anos (1630-1654). O mais famoso governante do Brasil holandês foi o príncipe João Maurício de Nassau-Siegen (1637-1644). Embora os residentes católicos e judeus tenham gozado de tolerância religiosa, a igreja oficial da colônia foi a Igreja Reformada da Holanda, que realizou uma grande obra pastoral e missionária. Ao longo dos anos foram criadas 22 igrejas e congregações, dois presbitérios (Pernambuco e Paraíba) e até mesmo um sínodo (1642-1646). Além da assistência aos colonos europeus, a igreja reformada fez um grande trabalho missionário junto aos indígenas. Ao lado da pregação e ensino, houve a preparação de um catecismo na língua nativa. Outros projetos incluíam a tradução das Escrituras e a ordenação de pastores indígenas, o que não chegou a efetivar-se. Com a expulsão dos holandeses, as igrejas nativas vieram a extinguir-se e por um século e meio desapareceram os vestígios do calvinismo no Brasil.

O protestantismo em geral e o presbiterianismo em particular só puderam estabelecer-se definitivamente no Brasil após a chegada da família real em 1808. Em 1810, Portugal e a Inglaterra firmaram um Tratado de Comércio e Navegação cujo artigo XII pela primeira vez em nossa história concedeu liberdade religiosa aos imigrantes protestantes. Logo, muitos deles começaram a chegar de diversas regiões da Europa, inclusive reformados franceses, suíços e alemães. Em 1827, por iniciativa do cônsul da Prússia, foi fundada no Rio de Janeiro a Comunidade Protestante Alemã-Francesa, que congregava luteranos e calvinistas.
Durante várias décadas, o calvinismo ficou restrito às comunidades imigrantes, sem atingir os brasileiros. Os poucos pastores reformados ou presbiterianos que por aqui passaram restringiram suas atividades religiosas aos estrangeiros. Tal foi o caso do Rev. James Cooley Fletcher, um pastor presbiteriano norte-americano que teve uma longa e frutífera ligação com o Brasil a partir de 1851. Ele deu assistência religiosa a marinheiros e imigrantes europeus, procurou aproximar o Brasil e os Estados Unidos nas áreas diplomática, comercial e cultural e escreveu o livro O Brasil e os Brasileiros, publicado em 1857. Através de seus contatos com políticos e intelectuais brasileiros, Fletcher contribuiu indiretamente para a introdução do protestantismo no Brasil. Foi por sua sugestão que o missionário congregacional inglês Robert Reid Kalley veio para o Brasil em 1855.

Finalmente, o presbiterianismo foi implantado entre os brasileiros graças ao trabalho do Rev. Ashbel Green Simonton (1833-1867), que chegou ao Brasil em 12 de agosto de 1859 e dois anos e meio mais tarde organizou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro (12-01-1862). Em março de 1865, seu colega e cunhado Alexander Latimer Blackford organizou a segunda comunidade presbiteriana em terras brasileiras, a Igreja Presbiteriana de São Paulo.
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Por: Alderi Souza de Matos





quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

* James Meikle / Biografia & Obras

                                                                                                           1730 - 1799


James Meikle (Carnwath, 1 de junho de 1729 ou 1730-7 de dezembro de 1799) foi um puritano escocês do século XVIII, pouco conhecido.
Esteve na marinha real na guerra dos sete anos, entre os anos de 1757 e 1760, trabalhando como cirurgião, época em que escreveu seu livro mais famoso, Solitudes Sweetened ("A Doçura da Solidão", em português), de temática cristã . Posteriormente, essa obra foi disponibilizada para o público em geral pela Universidade de Pittsburgh


      QUATRO COISAS EU DEVO TEMER - JAMES MEIKLE
                  1730 - 1799

"...Quatro coisas eu devo temer

Deus, eu mesmo, a tentação e o pecado.

Devo temer a Deus por sua grandeza; meu eu, por sua enfermidade; a tentação, por seu perigo; e o pecado por sua contaminação. Devo temer a Deus com amor; a mim mesmo com  cautela; ao pecado com ódio; e à tentação com determinação. O temor a Deus vai tirar o temor do homem; o temor a mim mesmo irá moderar o amor próprio; o temor ao pecado alertará contra o pecado; e o temor à tentação será um antídoto contra a tentação. O meu temor a Deus deve ser com constante alegria; de mim mesmo, com constante tremor; do pecado com constante cautela; e da tentação com constante vigilância.

primeiro é minha realização; o segundo, meu dever; o terceiro, minha sabedoria; e o quarto, minha prudência.

O temor ao pecado sumirá quando me aperfeiçoar em santidade e passar para a glória; o temor a mim mesmo cessará quando o meu eu for deixado de lado e Deus for tudo em todos; o temor à tentação, quando Satanás for pisado pelos meus pés. Mas o temor de Deus durará para sempre, somente o medo é removido quando o amor se aperfeiçoa e lança fora o medo; (pois o temor dos santos, lutando, com um corpo de pecado e morte, é atormentado nisto); mas não há tormento de medo nas hostes angelicais, que, com o mais profundo respeito e reverência diante do trono, cobrem o rosto com as suas asas. Vejo, então, que o amor, acompanhado do temor que lança fora o tormento do terror, habitará em cada seio glorificado."...


 SOLIDÃO ADOÇADO 

por James Meikle, 1730-1799 

"Minha meditação Dele será suave." Salmo 104: 34 

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

* Silvestre Kuhlmann / Biografia & Canções


Seja pela variedade rítmica, pelo timbre da voz (já foi chamado de “Milton do Novo Nascimento”), seu talento como instrumentista ou pela beleza da poesia contida em suas canções, não dá pra negar: ouvir Silvestre Kuhlmann é bom demais.


Silvestre Moysés Loyolla Kuhlmann (Silvestre Kuhlmann), nascido em São Paulo-SP, em 12/10/72.
Bacharel em violão erudito pela Faculdade de Música Carlos Gomes (1996), gravou onze cds como intérprete (O Quadro Mais Elevado do Homem-2000/ Louvor ao Doador da Vida-2002/ A Risada-2003/ Alvíssaras-2003/ A Mais Bela Poesia-2005/ Dedo de Prosa-2007/ Milagres-2009/ Leve é a Pena-2010/ Nome Bendito-2011/ Vi Oleiro-2013 / O Carpinteiro-2014).
É autor do Livro "Trabalha, Poeta!", lançado em 2013 pela Editora Reflexão.
É compositor, cantor e poeta, com mais de trezentas canções de sua autoria. Em seus discos, vê-se a variedade rítmica brasileira: baião, samba, bossa, frevo, marcha, toada, boi, chôro, ijechá, xaxado e xote ; Silvestre é poeta: escreve letras densas que evidenciam devoção, preocupação social, humor e romantismo. Suas harmonias são belas e escolhidas com um cuidado de artesão.
Apresentou-se com seu trabalho de composição nos Estados do Pará, Ceará, Tocantins, Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e em Brasília, Distrito Federal, entre outros.
É membro da Comunidade de Jesus em São Paulo.
Casado com Adriane.

Quando estou triste, leio;
Nas letras encontro recreio,
Despeço-me do mundo feio,
A literatura é um meio
De ver meu dilema.


Quando estou triste, rimo,
Faço das rimas, arrimo,
Tiro, das pedras, o limo,
Dou-me um presente, um mimo:
Um novo poema.

Quando estou triste, canto,
Achego-me Àquele que é Santo;
E em êxtase, cheio de encanto,
Saio do chão, me levanto.
Esqueço o problema.


"Composição"
Letra: Silvestre Kuhlmann
Música: Gladir Cabral 







                    

sábado, 13 de dezembro de 2014

* David Brainerd / Biografia & Obras



David BrainerdDavid Brainerd (1718-1747) foi um missionário para os índios americanos em Nova York, Nova Jersey e Pensilvânia oriental. Nascido em Connecticut em 1718, ele morreu de tuberculose na idade de vinte e nove anos.

Certo jovem, franzino de corpo, mas tendo na alma o fogo do amor aceso por Deus, encontrou-se na floresta, para ele desconhecida. 

Era tarde e o sol já declinava até quase desaparecer no horizonte, quando o viajante, enfadado da longa viagem, avistou a fumaça das fogueiras dos índios "peles-vermelhas". Depois de apear e amarrar seu cavalo, deitou-se no chão para passar a noite, agonizando em oração.

Sem ele saber, alguns dos silvícolas o haviam seguido silenciosamente, como serpentes, durante a tarde. Agora estacionavam atrás dos troncos das árvores para contemplar a cena misteriosa de um vulto de cara pálida, sozinho, prostrado no chão, clamando a Deus.

Os guerreiros da vila resolveram matá-lo, sem demora, pois, diziam, os brancos davam uma aguardente aos peles-vermelhas, para, enquanto bêbados, levar-lhes as cestas e as peles de animais, e roubar-lhes as terras. Mas depois de cercarem furtivamente o missionário, que orava prostrado, e ouvirem como clamava ao "Grande Espírito", insistindo que lhes salvasse a alma, eles partiram tão secretamente como chegaram.

No dia seguinte, o moço, não sabendo o que acontecera em redor, enquanto orava no ermo, foi recebido na vila de uma maneira não esperada. No espaço aberto entre as "wigwams" (barracas de peles) os índios o cercaram e o moço, com o amor de Deus ardendo na alma, leu o capítulo 53 de Isaías. Enquanto pregava, Deus respondeu a sua oração da noite anterior e os silvícolas ouviram o sermão, com lágrimas nos olhos.

Esse cara pálida chamava-se David Brainerd. Nasceu em 20 de abril de 1718. Seu pai faleceu quando David tinha 9 anos de idade, e sua mãe, filha dum pregador, faleceu quando ele tinha 14 anos.

Acerca de sua luta com Deus, no tempo da sua conversão, na idade de vinte anos, ele escreveu.

"Designei um dia para jejuar e orar, e passei esse dia clamando quase incessantemente a Deus, pedindo misericórdia e que ele abrisse meus olhos para a enormidade do pecado e o caminho para a vida em Jesus Cristo... Contudo, continuei a confiar nas boas obras... Então, uma noite andando na roça, foi me dada uma visão da grandeza do meu pecado, parecendo-me que a terra se abrira por baixo dos meus pès para me sepultar e que a minha alma iria ao Inferno antes de eu chegar em casa... Certo dia, estando longe do colégio, no campo, sozinho em oração, senti tanto gozo e doçura em Deus, que, se eu devesse ficar neste mundo vil, queria permanecer contemplando a glória de Deus. Senti na alma um profundo amor ardente para com todos os homens e anelava que eles desfrutassem desse mesmo amor de Deus.

"No mês de agosto, depois, senti-me tão fraco e doente, como resultado de aplicar-me demais aos estudos, que o diretor do colégio me aconselhou a voltar para casa. Estava tão fraco que tive algumas hemorragias. Senti-me perto da morte, mas Deus renovou em mim o conhecimento e o gosto das coisas divinas. 


Anelava tanto a presença de Deus e ficar livre do pecado, que, ao melhorar, preferia morrer a voltar ao colégio, e me afastar de Deus...

“Oh! Uma hora com Deus excede infinitamente todos os prazeres do mundo."

De fato, depois de voltar ao colégio, Brainerd esfriou em espírito, mas o Grande Avivamento, dessa época, alcançou a cidade de New Haven, o colégio de Yale e o coração de David Brainerd. Ele tinha o costume de escrever diariamente uma relação dos acontecimentos mais importantes da sua vida, passados durante o dia. É por esses diários escritos para si próprio e não para o mundo ler, que sabemos da sua vida íntima de profunda comunhão com Deus. Os seguintes trechos servem como amostras do que ele escreveu em muitas páginas de seu diário e descobrem algo de sua luta com Deus, enquanto estudava para o ministério:

"Fui tomado repentinamente pelo horror da minha miséria. Então clamei a Deus, pedindo que me purificasse da minha extrema imundície. Depois a oração se tornou mui preciosa para mim. 

Ofereci-me alegremente para passar os maiores sofrimentos pela causa de Cristo, mesmo que fosse para ser desterrado entre os pagãos, desde que pudesse ganhar suas almas. Então Deus me deu o espírito de lutar em oração pelo reino de Cristo no mundo.

"Retirei-me cedo, de manhã, para a floresta, e foi-me concedido fervor em rogar pelo avanço do reino de Cristo no mundo. Ao meio-dia, ainda combatia em oração a Deus, e sentia o poder do divino amor na intercessão.

"Passei o dia em jejum e oração, implorando que Deus me preparasse para o ministério, e me concedesse auxílio divino e direção, e que ele me enviasse para a seara no dia que ele designasse. Pela manhã, senti poder na intercessão pelas almas imortais e pelo progresso do reino do querido Senhor e Salvador no mundo... À tarde, Deus estava comigo de verdade. Quão bendita a sua companhia! Ele me concedeu agonizar em oração até ficar com a roupa encharcada de suor, apesar de eu me achar na sombra, e de soprar um vento fresco. Sentia a minha alma grandemente extenuada pela condição do mundo: esforçava-me para arrebatar multidões de almas. Sentia-me mais dilatado pelos pecadores do que pelos filhos de Deus, contudo anelava gastar a minha vida clamando por ambos."Passei duas horas agonizando pelas almas imortais. Apesar de ser ainda muito cedo, meu corpo estava molhado de suor... Se eu tivesse mil vidas, a minha alma as teria dado pelo gozo de estar com Cristo...

"Dediquei o dia para jejuar e orar, implorando a Deus que me dirigisse e me abençoasse na grande obra que tenho perante mim, a de pregar o Evangelho. Ao anoitecer, o Senhor me visitou maravilhosamente na oração; senti a minha alma angustiada como nunca... Senti tanta agonia que me achava ensopado de suor. Oh! e Jesus suou sangue pelas pobres almas! Eu anelava mostrar mais e mais compaixão para com elas.

"Cheguei a saber que as autoridades esperam a oportunidade de me prender e encarcerar por ter pregado em New Haven. Fiquei mais sóbrio e abandonei toda a esperança de travar amizade com o mundo. Retirei-me para um lugar oculto na floresta e coloquei o caso perante Deus."

Completados os seus estudos para o ministério, ele escreveu:

"Preguei o sermão de despedida ontem, à noite. Hoje, pela manhã orei em quase todos os lugares por onde andei, e, depois de me despedir dos amigos, iniciei a viagem para o habitat dos índios."

Essas notas do diário revelam, em parte, a sua luta com Deus enquanto estudava para o ministério. Um dos maiores pregadores atuais, referindo-se a esse diário, declarou: "Foi Brainerd quem me ensinou a jejuar e orar. Cheguei a saber que se fazem maiores coisas por meio de contato cotidiano com Deus do que por pregações."

No início da história da vida de Brainerd, já relatamos como Deus lhe concedeu entrada entre os silvícolas violentos, em resposta a uma noite de oração, prostrado em terra, nas profundezas da floresta. Mas, apesar de os índios lhe darem a toda hospitalidade, concedendo-lhe um lugar para dormir sobre um pouco de palha e, ouvirem o sermão, comovidos, Brainerd não estava satisfeito e continuava a lutar em oração, como revela seu diário:



"Continuo a sentir-me angustiado. À tarde preguei ao povo, mas fiquei mais desanimado acerca do trabalho do que antes; receio que seja impossível alcançar as almas. Retirei-me e derramei a minha alma pedindo misericórdia, mas sem sentir alívio.

"Completo vinte e cinco anos de idade hoje. Dói-me a alma ao pensar que vivi tão pouco para a glória de Deus. Passei o dia na floresta sozinho, derramando a minha queixa perante o Senhor.

"Cerca das nove horas, saí para orar na mata. Depois do meio-dia, percebi que os índios estavam se preparando para uma festa e uma dança... Em oração, senti o poder de Deus e a minha alma extenuada como nunca antes na minha vida. Senti tanta agonia e insisti com tanta veemência que, ao levantar-me, só consegui andar com dificuldade. O suor corria-me pelo rosto e pelo corpo. 

Reconheci que os pobres índios se reuniam para adorar demônios e não a Deus; esse foi o motivo de eu clamar a Deus, que se apressasse em frustrar a reunião idólatra. Assim, passei a tarde orando incessantemente, pedindo o auxílio divino para que eu não confiasse em mim mesmo. O que experimentei, enquanto orava, foi maravilhoso. Parecia-me que não havia nada de importância em mim, a não ser santidade de coração e vida, e o anelo pela conversão dos pagãos a Deus. Desapareceram todos os cuidados, receios e anelos; todos juntos pareciam-me de menor importância que o sopro do vento. Anelava que Deus adquirisse para si um nome entre os pagãos e lhe fiz o meu apelo com a maior ousadia, insistindo em que ele reconhecesse que eu 'o preferia à minha maior alegria.' De fato, não me importava onde ou como morava, nem da fadiga que tinha de suportar, se pudesse ganhar almas para Cristo. Continuei assim toda a tarde e toda a noite."

Assim revestido, Brainerd, pela manhã, voltou da mata para enfrentar os índios, certo de que Deus estava com ele, como estivera com Elias no monte Carmelo. Ao insistir com os índios para que abandonassem a dança, eles, em vez de matá-lo, desistiram da orgia e ouviram a sua pregação, de manhã e à tarde.

Depois de sofrer como poucos sofrem, depois de se esforçar de noite e de dia, depois de passar horas inumeráveis em jejum e oração, depois de pregar a Palavra "a tempo e fora de tempo", por fim, abriram-se os céus e caiu o fogo. Os seguintes excertos do seu diário descrevem algumas dessas experiências gloriosas:

"Passei a maior parte do dia em oração, pedindo que o Espírito fosse derramado sobre o meu povo... Orei e louvei com grande ousadia, sentindo grande peso pela salvação das preciosas almas.

"Discursei à multidão extemporaneamente sobre Isaías 53.10: Todavia, o Senhor agradou moê-lo'. Muitos dos ouvintes entre a multidão de três a quatro mil, ficaram comovidos a ponto de haver um 'grande pranto, como o pranto de Hadadrimom'. [Ver Zacarias 12.11)

"Enquanto eu andava a cavalo, antes de chegar ao lugar para pregar, senti o meu espírito restaurado e a minha alma revestida com o poder para clamar a Deus, quase sem cessar, por muitos quilômetros a fio.



"De manhã, discursei aos índios onde nos hospedamos. Muitos ficaram comovidos e, ao falar-lhes acerca da salvação da sua alma, as lágrimas correram abundantemente e eles começaram a soluçar e a gemer. À tarde, voltei ao lugar onde lhes costumava pregar; eles ouviram com a maior atenção quase até o fim. Nem a décima parte dos ouvintes pôde conter-se de derramar lágrimas e clamar amargamente. Quanto mais eu falava do amor e compaixão de Deus, ao enviar seu Filho para sofrer pelos pecados dos homens, tanto mais aumentava a angústia dos ouvintes. Foi para mim uma surpresa notar como seus corações pareciam traspassados pelo terno e comovente convite do Evangelho, antes de eu proferir uma única palavra de terror.

"Preguei aos índios sobre Isaías 53.3-10. Muito poder acompanhava a Palavra e houve grande convicção entre os ouvintes; contudo, não tão geral como no dia anterior. Mas a maioria ficou comovida e em grande angústia de alma; alguns não podiam caminhar, nem ficar em pé: caíam no chão como se tivessem o coração traspassado e clamavam sem cessar, pedindo, misericórdia... Os que vieram de lugares distantes foram levados logo à convicção, pelo Espírito de Deus.

"À tarde, preguei sobre Lucas 15.16-23. Havia muita convicção visível entre os ouvintes, enquanto eu discursava; mas, ao falar particularmente, depois, a alguns que se mostravam comovidos, o poder de Deus desceu sobre o auditório 'como um vento veemente e impetuoso e varreu tudo de uma maneira espetacular.

"Fiquei em pé, admirado da influência que se apoderou do auditório quase totalmente. Parecia, mais que qualquer outra coisa, a força irresistível de uma grande correnteza, ou dilúvio crescente, que derrubava e varria tudo que encontrava na sua frente.

"Quase todos oravam e clamavam, pedindo misericórdia, e muitos não podiam ficar em pé. A convicção que cada um sentiu foi tão grande, que pareciam ignorar por completo os outros em redor, mas cada um continuava a orar por si mesmo.

"Lembrei-me de Zacarias 12.10-12, porque havia grande pranto como o pranto de 'Hadadrimom', parecendo que cada um pranteava à parte.

"Parecia-me um dia muito semelhante ao dia em que Deus mostrou seu poder a Josué (Josué 10.14), porque era um dia diferente de qualquer dia que tinha presenciado antes, um dia em que Deus fez muito para destruir o reino das trevas entre esse povo".

É difícil reconhecer a magnitude da obra de Davi Brainerd entre as diversas tribos de índios, nas profundezas das florestas; ele não entendia os seus idiomas. Se lhes transmitia a mensagem de Deus ao coração, deveria achar alguém que pudesse servir como intérprete. Passava dias inteiros simplesmente orando para que viesse sobre ele o poder do Espírito Santo com tanto poder, que esse povo não pudesse resistir à mensagem. Certa vez teve que pregar por meio de um intérprete tão bêbado, que quase não podia ficar em pé, contudo, vintenas de almas foram convertidas por esse sermão.



Ele andava, às vezes, perdido de noite no ermo, apanhando chuva e atravessando montanhas e pântanos. Franzino de corpo, cansava-se nas viagens. Tinha que suportar o calor do verão e o intenso frio do inverno. Dias a fio passava-os com fome. Já começava a sentir a saúde abalada e estava a ponto de casar-se (sua noiva era Jerusa Edwards, filha de Jônatas Edwards) e estabelecer um lar entre os índios convertidos ou voltar e aceitar o pastorado de uma igreja que o convidava. Contudo, reconhecia que não podia viver, por causa da sua doença, mais que um ou dois anos e resolveu então ''arder até o fim".

Assim, depois de ganhar a vitória em oração, clamou: "Eis-me aqui, Senhor, envia-me a mim até os confins da terra; envia-me aos selvagens do ermo; envia-me para longe de tudo que se chama conforto da terra; envia-me mesmo para a morte, se for no teu serviço e para promover o teu reino..."

Então acrescentou: "Adeus amigos e confortos terrestres, mesmo os mais anelados de todos. Se o Senhor quiser, gastarei a minha vida, até os últimos momentos, em cavernas e covas da terra, se isso servir para o progresso do Reino de Cristo."

Foi nessa ocasião que escreveu: "Continuei lutando com Deus em oração pelo rebanho aqui e, especialmente, pelos índios em outros lugares, até a hora de deitar-me. Oh! como senti ser obrigado a gastar o tempo dormindo! Anelava ser uma chama de fogo, constantemente ardendo no serviço divino e edificando o reino de Deus, até o último momento, o momento de morrer."
Por fim, depois de cinco anos de viagens árduas no ermo, de aflições inumeráveis e de sofrer dores incessantes no corpo, Davi Brainerd, tuberculoso e com as forças físicas quase inteiramente esgotadas, conseguiu chegar à casa de Jônatas Edwards.

O peregrino já completara a sua carreira terrestre e esperava o carro de Deus para levá-lo à Glória. Quando, no seu leito de sofrimento, viu alguém entrar no quarto com a Bíblia, exclamou: "Oh! o querido Livro! Breve hei de vê-lo aberto. Os seus mistérios me serão então desvendados!"

Minguando sua força física e aumentando sua percepção espiritual, falava com mais e mais dificuldade: 

"Fui feito para a eternidade. Como anelo estar com Deus e prostrar-me perante Ele! Oh! que o Redentor pudesse ver o fruto do trabalho da sua alma e ficar satisfeito! Oh! vem,Senhor Jesus! Vem depressa! Amém!" - e dormiu no Senhor.

Depois desse acontecimento, a noiva de Brainerd, Jerusa Edwards, começou a murchar como uma flor e, quatro meses depois também foi morar na cidade celeste. Do lado do seu túmulo, está o de David Brainerd e do outro lado está o túmulo de seu pai, Jônatas Edwards.



O desejo veemente da vida de David Brainerd era o de arder como uma chama, por Deus, até o último momento, como ele mesmo dizia: "Anelo ser uma chama de fogo, constantemente ardendo no serviço divino, até o último momento, o momento de falecer." Brainerd findou a sua carreira terrestre aos vinte e nove anos. 

Contudo apesar de sua grande fraqueza física, fez mais que a maioria dos homens faz em setenta anos.

Sua biografia, escrita por Jônatas Edwards e revisada por João Wesley, teve mais influência sobre a vida de A. J. Gordon do que qualquer outro livro, exceto a Bíblia. Guilherme Carey leu a história da sua obra e consagrou a sua vida ao serviço de Cristo, e nas trevas da Índia! Roberto McCheyne leu o seu diário e gastou a sua vida entre os judeus. Henrique Martyn leu a sua biografia e se entregou para consumir-se dentro de um período de seis anos e meio no serviço de seu Mestre, na Pérsia.

O que David escreveu a seu irmão, Israel Brainerd, é para nós um desafio à obra missionária: "Digo, agora, morrendo, não teria gasto a minha vida de outra forma, nem por tudo que há no mundo."

Fonte: Livro Heróis da Fé / p. 71-79
Autor: Orlando Boyer / Editora: CPAD

Ministério Caminhar





David Brainerd nasceu no domingo, 20 de abril de 1718, em Haddam, Connecticut. Seu avô, Daniel Brainerd, havia chegado a Connecticut com idade de oito anos de Essex, na Inglaterra, por razões ainda desconhecidas. Daniel se tornou muito influente como o maior proprietário de terras, comissário para o Tribunal Geral, juiz de paz, e diácono.

Além de ser influente na comunidade, a família de David era muito devota. Sob a instrução de seu pai, David praticamente cresceu na Igreja Congregacional. Esta formação cristã provavelmente o ajudou suportar as primeiras grandes lutas da sua vida. Quando ele tinha nove anos, seu pai morreu e apenas cinco anos depois morreu sua mãe. Depois disso ele viveu por quatro anos no Oriente com sua irmã mais velha e durante esse tempo se mostraram deprimido e solitário, ao longo de sua vida lutou contra sua tendência à depressão

A partir de 1738 começou sentir uma grande angústia de alma percebendo que era egoísta e confiava em suas obras para a salvação. Apesar de ainda não ter tido uma experiência de conversão fez um compromisso de aos 20 anos de idade entrar no ministério, e começaram os planos para participar do Yale College (Seminário fundado pelos congregacionais). Pouco tempo depois, em setembro de 1739, ele se matriculou em Yale.

Os sofrimentos de David estavam para aumentar durante seus anos de faculdade. Ele era mais velho do que a maioria dos alunos, mas, como um novato ainda estava sujeito a trote dos veteranos. Ele também lutou contra doença constante. Durante seu primeiro ano foi mandado para casa por várias semanas com sarampo. Durante seu segundo ano, ele começou a cuspir sangue e foi novamente enviado para casa. Este foi provavelmente um dos primeiros sinais da tuberculose que acabaria por ser a causa de sua morte.

Quando voltou pela segunda vez, ele descobriu que o Grande Despertamento e uma visita de George Whitefield tinham mudado drasticamente o colégio. Brainerd contente se juntou ao corpo de estudante mais avivado, os da Nova Luz, enquanto a administração se manteve firme na Antiga Luz. Insultos e desrespeito cresceram entre os dois grupos. Em 9 de setembro de 1741, o pastor congregacional Jonathan Edwards fez o discurso de abertura na Universidade de Yale intitulado: "As marcas distintivas de uma obra do Espírito de Deus". Para a decepção da administração, Edwards apoiou os estudantes da Nova Luz. Esta foi provavelmente a primeira reunião entre o honorável Brainerd e Edwards. Acusado de destratar um tutor foi expulso da faculdade. Reavaliou sua vida e neste ínterim passou muito tempo estudando e orando.

Em 1741, John Sergeant, um missionário entre os índios, pediu Sociedade Escocesa para Propagação do Conhecimento Cristão (SSPCK) que nomeasse um missionário para eles. Em 08 de novembro de 1742, Brainerd recebeu uma carta de Ebenezer Pemberton de Nova York, pedindo-lhe que considerasse este ministério com índios. Assim, e em 25 de novembro, ele aceitou a comissão e começou o que seria o legado de sua vida. Ele iria agora para sempre ser conhecido como um missionário para os índios americanos.

Brainerd passou os próximos seis meses se preparando para seu ministério, viajou visitando amigos e família e foi ver o campo de missão que logo iria entrar. Em seguida, atuou como pastor durante seis semanas em uma igreja Congregacional em East Hampton, Long Island.

Em 01 de abril de 1743, ele viajou e começou seu ministério com os índios na Mohegan Kaunaumeek. Durante a primavera viveu com um escocês e dormiu em uma cama de palha. Ele viajava uma milha e meia em cada dia para pregar aos índios, e lutava diariamente com depressão, solidão e desconforto físico. Brainerd viveu sozinho em uma cabana durante a maior parte do verão e, finalmente, em 30 de julho de 1743, mudou-se para uma cabana que tinha construído para si mesmo.

Depois de muito trabalho e dificuldades, no outono de 1746 a doença começou a vencê-lo. A sua agenda está cheia de queixas sobre o quão fraco ele era e como era difícil continuar seu ministério na atual condição física. Por isso, ele deixou os índios em novembro e viajou para a Nova Inglaterra, onde foi cuidado por amigos. Em março de 1947, ele retornou para o que seria a sua última visita aos índios antes de sua morte. Nessa época ele estava muito deprimido por sua doença.

Em 19 de maio de 1747, mudou-se para New Hampton, onde iria passar os últimos tempos de sua vida sob os cuidados de Jonathan Edwards e sua filha, Jerusa com quem veio a ficar noivo. Mas, não teve a chance de casar com ela, pois finalmente, o que ele se referia em seu diário como "aquele dia glorioso" veio, e ele morreu de tuberculose em 09 de outubro de 1747 com a idade de 29 anos. Jerusa morreu 04 meses depois, também de tuberculose.


Até hoje os diários de David Brainerd têm sido uma grande influencia nas vidas de missionários em todo mundo, ele passou 03 anos de ministério entre os índios americanos, mas estes 03 anos têm impactado vidas durante séculos.







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