"AO CONTRÁRIO DE MUITOS, NÃO NEGOCIAMOS A PALAVRA DE DEUS VISANDO A ALGUM LUCRO; ANTES, EM CRISTO FALAMOS DIANTE DE DEUS COM SINCERIDADE, COMO HOMENS ENVIADOS POR DEUS". 2 Coríntios 2. 17

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

* Jader Borges Filho / Biografia & Mensagens


Jáder Borges é pastor da Igreja Presbiteriana, Jardim Satélite na cidade de São José dos Campos, SP. Convertido pelo Senhor na Páscoa de 1978, estudou Teologia no Recife e também na Alemanha. Desde 1980 vem sendo requisitado para pregar a jovens no Brasil e na Europa em conferências, acampamentos e congressos. É autor de livros para adolescentes e esportistas. (“A História de um Ovo”, “A História de uma Espinha”, e “A História de um Cachorro”, “O Segredo da Vitória”). Atuou durante muito tempo com os Atletas de Cristo do Brasil e dinamizou a Secretaria Nacional da Infância IPB (2006-10). É pernambucano de Caruaru e casado com Priscilla Hediger Borges. O casal tem duas filhas, Fernanda e Juliana.





Por que Um Jovem Abandona a Igreja?
Brechas no Casamento 
A Desmasculinização das Crianças 
A Desmasculinização dos Homens
Escute com Atenção - Rev.Jader Borges 
.  Ensinando e disciplinando os filhos
.  Obedecer é Melhor que Existir
.  A Baixa Masculinidade Infantil
.  Torna-te Padrão dos Fiéis na Palavra 
.  Sejamos Testemunhas Vivas
.  Ninguém Despreze a Sua Mocidade!
.  Pregação- Animais rejeitados pela Arca de Noé que foram parar na igreja
.  A Dessexualização das Crianças 
.  Educação Cristã Infantil
.  A Dignidade de Cristo
.  Pregação Os Quatro Amigos
.  O Mundo e os Conflitos dos Pré Adolescentes
.  3ª Conferencia 4/14 - Brasilia - DF
.  Conferencia Evangelistica -Mensagem - Rev. Jader
.  Calçados Celestiais
.  IPSAT - Tema: Esaú... Convencidos e Não Convertidos
.  IPSAT - Tema: Obras de Jesus Cristo
.  IPSAT - Tema: No Princípio Criou Deus... 
.  IPSAT - Tema: A Fé e os Desigrejados - Hb 10.19
.  IPSAT -Tema: O Diabo criou o Inferno, Jesus pregou ali?




Nesta sequência de palestras, Jader Borges mostra a realidade do pré-adolescente evangélico na sociedade atual. Ele mostra de maneira dinâmica os desafios e as mudanças no decorrer do tempo nesta fase da vida.

Evento realizado na Galeria Cultura Bíblica.









Palestra Jader Borges - O pré-adolescente evangélico e os dias de hoje - Parte 4


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

* Seu Trabalho Como Ministério / John Piper


               Seu Trabalho Como Ministério


John Piper
O principal conceito de minha mensagem nesta manhã pode ser afirmado como uma declaração e como uma oração. Como uma declaração seria assim: A forma como você cumpre os deveres de sua vocação é parte essencial do discipulado cristão. Ou para expressar isso de outra forma: Como você faz o seu trabalho é uma grande parte de sua obediência a Jesus. Afirmado como oração, o principal conceito hoje é: Pai, conceda a nós toda a graça para sermos conscientes de sua presença em sua obra e da obediência aos seus mandamentos em todos os nossos relacionamentos vocacionais. Creio que essa é a palavra de Deus para nós hoje, e gostaria de revelá-la por uns poucos minutos em 1 Coríntios 7:14-24.

Permita que todos permaneçam onde ele foi chamado

Antes que leiamos o texto, vamos nos orientar do contexto precedente. Um dos problemas na igreja em Corinto era a incerteza a respeito de como a fé em Cristo deveria afetar os relacionamentos comuns da vida humana. Por exemplo, em 1 Coríntios 7, a questão levantada é se a fé em Cristo deveria denotar que o marido e esposa devessem se abster das relações sexuais. Paulo expressa um não ressonante no versículo 3. Outro exemplo nos versículos 12-16 é: deveríamos fazer se um dos cônjuges tem fé em Cristo, mas o outro não? O cônjuge cristão deveria abandonar o casamento para se manter puro? Novamente, Paulo responde: não. Permaneça no relacionamento que você estava quando Deus o chamou à fé. Fé em Cristo jamais destrói o pacto de casamento que Deus ordenou na criação.

Entretanto, tendo dito isso nos versículos 12 e 13, o apóstolo Paulo permite que, se o cônjuge incrédulo abandona o cônjuge cristão e não deseja nada mais com este, então o cristão não está ligado para sempre a esse relacionamento. Em outras palavras, vir à fé em Cristo não faz com que a pessoa deseje abandonar relacionamentos instituídos por Deus, mas faz santificá-los. Com paciência, oração e conduta humilde e exemplar, o cônjuge cristão deseja ganhar o cônjuge incrédulo. Mas, pode ser, como Jesus previu em Mateus 10,34 e versículos seguintes, que a rebelião e a incredulidade do cônjuge não cristão tornará o cristianismo uma espada que corta em vez de ser o bálsamo pacífico que cura. Assim, o princípio que o apóstolo segue é: permaneça em seus relacionamentos instituídos por Deus; não procure abandoná-los ou destruí-los. Mas Deus permite a exceção que, se o relacionamento é abandonado e destruído além de seu desejo ou controle pelo cônjuge incrédulo, então, assim seja. O cristão inocente não está ligado ao desertor.

Aqui começa nosso texto, em 1 Coríntios 7:17. Tendo discutido o princípio de permanecer no relacionamento matrimonial instituído por Deus quando você se torna cristão, Paulo agora discute esse princípio com duas outras conexões. Vamos ler 1 Coríntios 7:17-24.

17 Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado. É assim que ordeno em todas as Igrejas. 18 Foi alguém chamado, estando circunciso? Não se faça circuncidar. 19 A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus. 20 Cada um permaneça na vocação em que foi chamado.21 Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. 22 Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo. 23 Por preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens. 24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que foi chamado.

O princípio que Paulo já havia ensinado em relação ao casamento está aqui mencionado claramente três vezes. Note o versículo 17: "Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado". Então, o versículo 20: "Cada um permaneça na vocação em que foi chamado". Em seguida, o versículo 24: "Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que foi chamado". Essas três afirmações do princípio de Paulo dividem o texto em duas partes. Pode ser útil refletir sobre essas três fatias de pão em um sanduíche de duas camadas (como um Big Mac). Entre o topo das duas fatias estão os versículos 18 e 19, onde o princípio é aplicado ao assunto da circuncisão e incircuncisão. Entre a base das duas fatias estão os versículos 21 e 23, em que o princípio é empregado à escravidão e à liberdade. Mas antes que possamos entender qualquer uma dessas aplicações, precisamos esclarecer uma palavra-chave do princípio em si mesmo.

Que tipo de chamado está em vista?

A palavra que ocorre em cada afirmação do princípio e nove vezes ao todo neste parágrafo é "chamado". Quando Paulo afirma no versículo 17: Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído… conforme Deus o tem chamado", e quando ele diz no versículo 24: "Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que foi chamado", Paulo está se referindo ao chamado divino pelo qual somos atraídos a crer em Cristo. Sempre usamos a palavra "chamado" para se referir à nossa vocação: meu chamado é para ser dona de casa; meu chamado é para ser vendedor, etc. 

Mas esse não é o sentido que Paulo empregou oito das nove vezes em que a palavra ocorreu nesse parágrafo. Uma vez, ele emprega a palavra "chamado" no sentido vocacional, no versículo 20. Literalmente, o versículo afirma: "Cada um permaneça na vocação (não estado) em que foi chamado". A palavra "vocação", ou posição, denota posição na vida. E nessa vocação ou posição na vida outro chamado vem da parte de Deus. Esse chamado é a atração do Espírito Santo para a comunhão com Cristo. De maneira muito simples, o chamado de Deus que vem para a pessoa em sua vocação é o poder de Deus para converter a alma pelo evangelho.

Tudo isso se torna claro em 1 Coríntios 1. No capítulo 1, versículo 9, Paulo declara: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor". Assim, todos os cristãos, e somente os cristãos, são chamados nesse sentido. Esse chamado de Deus é diferente, por um lado, de nosso "chamado" vocacional e, por outro, do chamado geral para se arrepender, que é proclamado a todos os homens. Quando Jesus disse em Mateus 22:14: "Muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos", ele se referiu ao chamado universal do evangelho, no qual muitas pessoas ouvem e o rejeitam para a própria destruição.

Mas esse não foi o chamado que Paulo tinha em mente. O chamado de Deus que nos coloca em uma comunhão de fé e amor com Jesus é o chamado poderoso e eficaz que nos atrai para o Filho (João 6:44,65). Isso é visto com mais clareza em 1 Coríntios 1:23-24, onde Paulo diz: "Pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus". Os "chamados" não são todos aqueles que ouvem a pregação, mas aqueles que a recebem como a sabedoria. Podemos parafrasear os versículos para mostrar a diferença entre o chamado geral e o chamado eficaz: Paulo afirma: 

"Chamamos todos a crer no Cristo crucificado, mas muitos judeus consideram esse chamado um escândalo e muitos gentios veem esse chamado como loucura, mas aqueles que são chamados (isto é, poderosamente e eficazmente atraídos para Cristo) compreendem que o chamado do evangelho é o poder e sabedoria de Deus".

Portanto, quando Paulo declara em 1 Coríntios 7:17, 20 e 24, que devemos permanecer e viver com Deus no estado no qual fomos chamados, ele quer expressar: Permaneça no estado em que estava quando foi convertido, quando foi atraído por Deus para a fé e à comunhão de amor com seu Filho.

O princípio aplicado a judeus e gentios

Agora, precisamos ver como Paulo aplicou esse princípio em sua época e o que isso representa para nós hoje. No processo, a razão teológica para isso surgirá também. A primeira aplicação de Paulo do princípio não é à vocação, mas à circuncisão e incircuncisão. Ele aplica assim: Se você foi convertido enquanto era gentio, não tente se tornar judeu. Se você foi convertido enquanto era judeu, não tente se tornar gentio. Isso é essencialmente que a incircuncisão e circuncisão significaram. Essa aplicação tem implicações culturais abrangentes: se você é afrodescendente, não tente se tornar branco; se você é branco, não tente se tornar afrodescendente. Se você é mexicano, não tente se tornar americano; se você é americano, não tente se tornar mexicano.

Então, Paulo expressa a razão teológica para essa admoestação. O versículo 19 diz literalmente: "A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus (é tudo)". Seria a coisa mais ofensiva que Paulo poderia dizer a um judeu: a circuncisão não é nada. E se compreendermos sua aplicação cultural abrangente, ela ofende a todos nós. Mas isso é verdadeiro. Observe o quanto é radicalmente diferente a lógica de Paulo para preservar suas distinções culturais que a lógica contemporânea de nossa era. Afirmamos que branco é bonito, afrodescendente é bonito, vermelho é bonito, amarelo é bonito; portanto, não tente mudar culturas. 

Paulo declara que branco é nada, afrodescendente é nada, vermelho é nada, amarelo é nada, mas cumprir os mandamentos de Deus é tudo; por conseguinte, não tente alterar as culturas. Permaneça onde está e obedeça a Deus. Paulo é um pensador inconformista e, portanto, eternamente relevante. Ele é radicalmente orientado por Deus. Tudo, tudo cai diante da prioridade de Deus.

Esse princípio é um imperativo absoluto para se apegar, a menos que criemos um novo legalismo. O antigo legalismo dizia: "Você precisa ser circuncidado para ser salvo (Atos 15:1). Você precisa ser branco para ser aprovado". O novo legalismo diria: "Você não pode ser circuncidado se você deseja ser salvo. Você não pode ser branco se você deseja ser aceito". Perverteremos o ensino de Paulo e perderemos seu objetivo se considerarmos a sentença: "Estando alguém incircunciso. Não se faça circuncidar" (versículo 18) e fazer disso uma proibição absoluta de adaptações culturais. Paulo não pronuncia uma condenação absoluta sobre todos aqueles que adotam aspectos de outras culturas e renunciam aspectos de sua própria. Isso é claro pelo fato de que ele permitiu a Timóteo ser circuncidado (Atos 16:3) e, devido à sua própria afirmação, ele fez de tudo para com todos, com o fim de salvar alguns (1 Coríntios 9:22).

O que Paulo fez foi mostrar que a obediência aos mandamentos de Deus é muito mais importante do que quaisquer distinções culturais, e que a mera mudança dessas distinções não deveria ser de importância alguma para o cristão. Em outras palavras, não faça desse assunto uma questão relevante se você é circuncidado ou não; ou se você é branco ou afrodescendente, vermelho ou sueco. Mas, em vez disso, faça da obediência uma questão relevante; faça do propósito integral de sua vida obedecer à lei moral de Deus. Então, e somente então, a circuncisão (como Paulo sugere em Romanos 2:25) e outras distinções culturais poderão se tornar, de uma forma bastante secundária e derivativa, expressões da obediência da fé. Em uma palavra, a aplicação do princípio de Paulo às distinções culturais é esta: Não se queixe e não se gabe sobre seu presente estado de distinções culturais; ele é de pouca importância para Deus comparado a se você devota alma, mente e corpo para obedecer a seus mandamentos, os quais todos se cumprem nisto: "Ame o próximo como a ti mesmo" (Romanos 13:8-10; Gálatas 5:14).

O princípio aplicado aos escravos e aos homens livres

Então, Paulo se volta aos versículos 21–23 para aplicar seu princípio à questão se alguém é escravo ou livre. O problema da tradução no versículo 21 é realmente difícil. A maioria das versões modernas diz: "Fostes chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade" (ARA). Essa tradução pode estar correta, mas considero difícil aceitar, uma vez que o princípio que o texto ilustra é expresso no versículo 20 como "Cada um permaneça na vocação em que foi chamado", e no versículo 24 como "naquilo em que foi chamado". Parece totalmente fora de lugar entre esses versículos dizer: "se você pode obter sua liberdade, faça isso". Não apenas isso, mas essa tradução não faz justiça a todas as palavras no grego ("ainda e "preferir") que aparecem na tradução alternativa: "Foste chamado como escravo? Não se preocupe com isso; mas, ainda que você possa se tornar um homem livre, prefira fazer uso disso (sua presente posição como escravo)". 

O contraste real, parece-me, deveria ser expresso assim: "Não deixe que sua escravidão o torne ansioso, mas, em vez, disso use-a". Use-a para obedecer a Cristo e assim "torne a doutrina de Deus, nosso Salvador" (Tito 2,10).

Penso que isso seja verdadeiro em uma análise definitiva que não é uma proibição absoluta de aceitar a liberdade, ainda que o versículo 18 fosse uma proibição absoluta da circuncisão. Mas se você traduz esse texto como um mandamento para buscar liberdade, a ideia verdadeira da passagem é obscurecida. A ideia é: quando você é chamado para a comunhão de Cristo, recebe um novo conjunto de prioridades radicalmente centradas em Cristo; muito mais se você é um escravo, essa condição não deveria lhe aborrecer. "Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes". O seu trabalho é desprezível? Não te preocupes. O seu trabalho não é altamente estimado como outras profissões? Não te preocupes. Esse é o mesmo conceito que ele estabeleceu com as diferenças culturais como a circuncisão: Foste chamado, estando incircunciso? Não te preocupes. Foste chamado, estando circunciso? Não te preocupes.
Paulo poderia ter dito, de fato, a mesma razão teológica para essa posição como fez no versículo 19. Ele poderia ter dito: "Ser um escravo, em si, não é nada; e ser livre também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus". Isso é verdadeiro. No entanto, Paulo aprofunda nossa compreensão com uma nova razão teológica. 

A razão pela qual uma pessoa pode dizer: "Não te preocupes", embora ele seja um escravo, é esta: o versículo 22: "Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor". E a razão pela qual a pessoa que é livre pode dizer: "Não te preocupes" é similar: "o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo". Amo assistir a Paulo colocar em prática sua teologia dessa forma. Ele afirma que, no evangelho, há um antídoto para o desespero em trabalhos desprezíveis e um antídoto para o orgulho nos trabalhos altamente valorizados. Ele olha para o escravo que pode se sentir desesperado e diz: "Em Cristo, você é um homem livre". Você foi comprado por um preço. Não permita que o homem escravize sua alma. Alegre-se no Senhor e espere nele; você será mais livre que todas as nobres aflições. Em seguida, ele olha para o nobre homem livre e afirma: "Não se torne orgulhoso, porquanto em Cristo você é um escravo. Há alguém que tem autoridade sobre você, e você precisa ser humilde e submisso".

A conclusão disso é que, se uma pessoa é um escravo ou um livre, essa condição não seria razão para desespero ou orgulho. Ele deveria ser capaz de dizer: "Não te preocupes". Ele não deveria se gabar se é um doutor ou advogado ou executivo; e ele não deveria ter autocomiseração ou depressão se tem um trabalho em que a sociedade dá menos valor. "Irmãos, Paulo conclui, no versículo 24: cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado". Com Deus! Há uma frase crucial. O que importa na vida e na vida eterna é ficar próximo a Deus e desfrutar de sua presença. Não importa se nosso trabalho é valioso ou inferior aos olhos do homem. É relevante se somos encorajados e humilhados pela presença de Deus.

Expressando as duas aplicações juntas do princípio de Paulo, o ensino parece ser este: Obedecer aos mandamentos de Deus (v. 19) e desfrutar de sua presença (v. 24) são imensamente mais importantes que sua cultura ou seu trabalho, tanto que você não deveria sentir qualquer compulsão para mudar sua posição. Você não deveria ser controlado por alguém pelo medo ou desespero, nem seduzido por outro pela riqueza ou pelo orgulho. Você deveria ser capaz de dizer para sua posição: "Não te preocupes. Você não é minha vida. Minha vida é obedecer a Deus e desfrutar de sua presença".

Quatro implicações práticas

Permita-me concluir com algumas implicações práticas. Primeiro, Deus se preocupa muito mais com a forma com que você faz o seu trabalho que tem agora, que se conseguisse um novo emprego. Temos nesta congregação enfermeiros, professores, carpinteiros, artistas, secretárias, tesoureiros, advogados, recepcionistas, contadores, assistentes sociais, pessoas que trabalham com reparos de todos os tipos, engenheiros, gerentes de escritório, garçonetes, bombeiros, vendedores, seguranças, doutores, militares, conselheiros, banqueiros, policiais, decoradores, músicos, arquitetos, pintores, faxineiros, diretores de escola, donas de casa, missionários, pastores, marceneiros, e muito mais. E tudo o que precisamos ouvir é que o que mais se encontra no coração de Deus não é se mudamos de emprego para o outro, mas se em nosso trabalho atual desfrutamos da prometida presença de Deus e obedecemos aos seus mandamentos pela forma como realizamos nosso trabalho.

Segundo, como vimos, o mandamento de permanecer no chamado no qual você estava quando foi convertido não é absoluto. Ele não condena todas as mudanças de emprego. Sabemos disso não somente pelas exceções que Paulo permitiu para seu princípio aqui em 1 Coríntios 7 (conferir versículo 15), mas também porque a Escritura descreve e aprova essas mudanças. Há uma provisão para libertar escravos no Antigo Testamento e somos familiares com o coletor de impostos que se tornou um pregador e pescador de homens e que, por sua vez, se tornou missionário. Além disso, sabemos que há alguns trabalhos nos quais você não poderia permanecer e obedecer aos mandamentos de Deus: por exemplo, prostituição, inúmeras formas de entretenimento indecente e corrupto, e outros nos quais você poderia ser forçado a explorar as pessoas.

Paulo não diz que um ladrão profissional ou uma prostituta cultual de Corinto deveria permanecer no chamado, na vocação a qual ele ou ela foi chamado. A questão em Corinto era: quando viéssemos a Cristo, o que deveríamos abandonar? E a resposta de Paulo é: Você não precisa abandonar sua vocação se pode permanecer nele com Deus. A preocupação de Paulo não é condenar mudanças de emprego, mas ensinar que você pode ter plenitude em Cristo seja lá qual for o seu trabalho. Esse é um ensino muito não conformista na sociedade ocidental contemporânea, porque corta o nervo da ambição secularista. Precisamos pensar muito e com esforço sobre se o que falamos para nossas crianças a respeito do sucesso é bíblico ou apenas cultural. A palavra de Deus para todos nós, "os que buscam o sucesso", é esta: tome toda essa ambição e direcione o que investe em sua ascensão social no zelo espiritual para cultivar a felicidade da presença de Deus e a obediência à sua vontade revelada na Escritura.

Terceiro, para seu povo mais jovem, que ainda não ingressou em uma profissão, a implicação de nosso texto é esta: quando se faz a si mesmo a pergunta: "Qual é a vontade de Deus para minha vida?" Você deveria dar uma resposta ressonante: "Sua vontade é esta: que eu conserve uma comunhão íntima com ele e me devote a obedecer a seus mandamentos". A vontade revelada de Deus para você (a única vontade que você é responsável por obedecer) é sua santificação (1 Tessalonicenses 4:3), não sua vocação. Devote-se a isso com todo seu coração e aceite qualquer trabalho que você queira. Não tenho dúvida de que, se todos os nossos jovens envidassem todo o esforço para se conservarem próximos a Deus e a obedecer aos mandamentos da Escritura, Deus os colocaria no mundo exatamente onde ele deseja a influência deles para si mesmo.

Quarto, e finalmente, este texto implica que o trabalho que você tem agora, desde que esteja ali, é a designação de Deus para você. O versículo 17 diz: "Deixe que todos tenham a vida que O Senhor designou para ele". Deus é soberano. Não é acaso que você está onde deveria estar. "O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Provérbios 16:9). "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do Senhor permanecerá" (Provérbios 19:21). "A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão" (Provérbios 16:33).

Você está onde deveria estar por escolha divina, mesmo se chegou ali por trapaça. Seu trabalho é seu dever ministerial tanto quanto o meu. Como você cumpre os deveres deste trabalho é tão essencial na vida quanto o que faz aqui no domingo. Para muitos de nós, pode representar o começo de uma nova vida amanhã de manhã. Vamos todos orar antes de nos dispormos a trabalhar: "Deus, vá comigo hoje e me conserve consciente de sua presença. Encoraje meu coração quando tendo a me desesperar e me faça humilde quando tendo a me orgulhar. Ó, Deus, dê-me a graça para obedecer a seus mandamentos, os quais sei que todos se resumem a isto, amar ao próximo como a mim mesmo. Amém".






quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

* O Evangelho no Trabalho / Livro de Sebastian Traeger & Greg Gilbert


Encontre o propósito de Deus para o seu trabalho 

Você é indolente no trabalho ou idolatra a sua profissão? Esses são dois extremos perigosos que fogem do propósito de Deus para a sua vida profissional.


Neste livro, Sebastian Trager e Greg Gilbert irão ajudá-lo a transformar, pelo poder do evangelho, o modo como você enxerga o trabalho. Conheça uma ética cristã de trabalho baseada no serviço a Cristo e liberte-se de ser alguém viciado no trabalho ou que só bate ponto.


Ache respostas para a sua vida profissional:

- Que fatores devem ser mais importantes na escolha de um trabalho? 
- Que princípios do evangelho devem moldar a forma como trato meu chefe, meus colegas de trabalho e meus funcionários?
- Meu trabalho é menos importante que o de um missionário ou pastor?
- É correto ser motivado pelo dinheiro?
- Como equilibrar trabalho, família e igreja? 

Li cada palavra de O Evangelho no Trabalho e amei. Este livro sugestivo e prático faz e responde as perguntas certas da maneira certa. 

Mark Dever, Capitol Hill Baptist Church

Muitos cristãos sofrem da inabilidade de conectar seu trabalho com o evangelho. Aqui, Sebastian Traeger e Greg Gilbert oferecem argumentos claros e fundamentos bíblicos sólidos para entendermos corretamente nosso trabalho e por que ele é importante para Deus. 
Dr. Albert R. Mohler Jr.,presidente
The Southern Baptist Theological Seminary





O texto a seguir é um trecho do livro “O Evangelho no Trabalho”, de Greg Gilbert e Sebastian Traeger, futuro lançamento da Editora Fiel:
Desde o princípio, a intenção de Deus era que os seres humanos trabalhassem. O trabalho não é uma consequência do pecado — embora nós experimentemos dias terríveis que nos tentam a pensar que ele é! A partir do momento que Deus criou Adão e Eva, ele lhes deu trabalho para fazer. Ele fez um jardim e lhes disse: “Trabalhem e tomem conta disso” (Gênesis 2.15). O trabalho que Adão e Eva deveriam fazer era perfeitamente prazeroso, um trabalho perfeitamente gratificante. Não havia qualquer fadiga entediante, nenhuma competição impiedosa, nenhum senso de futilidade. Eles faziam tudo como um serviço para o próprio Senhor, em um relacionamento perfeito com ele. O trabalho deles era só uma questão de colher as superabundantes bênçãos de Deus para eles!
O pecado de Adão e Eva, obviamente, mudou isso. Quando eles desobedeceram ao mandamento de Deus e se rebelaram contra ele, o trabalho deixou de ser simplesmente uma colheita da abundância de Deus. O pecado de Adão e a maldição de Deus contra o pecado afetou até o próprio solo. O trabalho se tornou doloroso e necessário para a própria sobrevivência de Adão e Eva. O lugar onde antes a terra produzia vigorosamente seus frutos — quase como se estivesse segurando-os com mãos zelosas e implorando para que Adão e Eva os colhessem — agora se tornara mesquinho. A terra reteve suas riquezas, e os humanos foram forçados a trabalhar de forma dura e penosa para obtê-las. A vida no oriente do Éden era completamente diferente da vida dentro dele.
Compreender essa parte da história bíblica e o lugar do trabalho nela é, na verdade, crucial para nós como cristãos, pois ela ajuda a explicar porque o nosso trabalho sempre será, em um grau ou em outro, marcado pela frustração. O trabalho é difícil porque nós e o mundo ao nosso redor temos sido afetados pelo nosso afastamento de Deus. Por causa disso, não deveríamos nos surpreender com o fato de o trabalho ser às vezes difícil e doloroso. O trabalho tem a tendência de nos desgastar e esgotar. Ele pode ser uma fonte de grande frustração em nossa vida. Por outro lado, não deveríamos nos surpreender com o fato de que quando realmente apreciamos o nosso trabalho, há um perigo sempre presente de que o nosso trabalho nos consuma completamente — a ponto de nosso coração ser definido pelos interesses do trabalho e sermos reduzidos a meros trabalhadores. 
O trabalho é necessário, o trabalho é difícil e até mesmo perigoso. Apesar de tudo isso, ainda assim está claro que Deus se preocupa profundamente com o que pensamos acerca de nosso trabalho e com a forma como nos relacionamos com ele. O que fazemos e o modo como o fazemos não estão fora do interesse de Deus. Quando Jesus morreu na cruz e ressuscitou dentre os mortos para redimir um povo para si mesmo, ele também se comprometeu a conformá-lo exatamente a ele, cada vez mais, pelo poder do Espírito Santo. A Bíblia nos diz que ele faz isso por meio de todas as circunstâncias de nossa vida — incluindo o nosso trabalho. O nosso trabalho é um dos principais meios que Deus pretende usar para nos tornar mais semelhantes a Jesus. Ele usa o nosso trabalho para nos santificar, desenvolver nosso caráter cristão e nos ensinar a amá-lo mais e a servi-lo melhor, até que nos unamos a ele no dia final, no descanso de nossos trabalhos. 
Na verdade, o Novo Testamento considera bem importante a forma como devemos pensar a respeito do nosso trabalho. As seguintes passagens das Escrituras são cruciais, se quisermos ter uma compreensão bíblica sobre o nosso trabalho e o propósito dele no plano de Deus na redenção. 
Em Efésios 6.5, 7, o apóstolo Paulo nos diz para realizar o trabalho “na sinceridade do vosso coração, como a Cristo… servindo de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens”. Em Colossenses 3.22-24, ele nos diz que devemos fazê-lo “em singeleza de coração, temendo ao Senhor”. “Tudo quanto fizerdes” — Paulo continua escrevendo — “fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens… A Cristo, o Senhor, é que estais servindo”. 
Que declarações maravilhosas são essas! Olhe mais de perto para o que a Bíblia diz acerca de seu trabalho: Tudo quanto você fizer, você deve fazê-lo “como ao Senhor e não como a homens”. Você deve trabalhar “de todo o coração, como para o Senhor e não para homens”. Você percebe a incrível importância dessas expressões? O trabalho não é apenas uma forma de passar o tempo e ganhar dinheiro. O seu trabalho é na verdade um serviço que você presta ao próprio Senhor! 
Você pensa dessa maneira em relação ao seu emprego? Você percebe que não importa qual seja a sua profissão; não importa o que quer que seja que você faça nela; não importa quem seja o seu chefe ou o chefe do seu chefe; o que você faz em sua profissão é feito, na verdade, como um serviço para o Rei Jesus! Ele é quem o colocou lá neste momento de sua vida, e é para ele que você trabalha basicamente.












Não importa o que façamos, o nosso trabalho tem propósito e sentido inerentes porque o estamos realizando basicamente para o Rei. A pessoa para quem trabalhamos é mais importante do que aquilo que fazemos. O mundo nos dirá o contrário. O mundo nos dirá que a vida encontra o seu sentido no sucesso no trabalho ou que o trabalho é apenas um mal necessário para o caminho do lazer. Todas essas formas de pensamento são mentirosas. 

Nós realmente trabalhamos para alguém superior ao nosso chefe. Trabalhamos para Jesus. Isso é a coisa mais importante que podemos saber e lembrar a respeito do nosso trabalho. Isso é muito mais importante do que a profissão em si, independentemente de a pessoa ser uma dona de casa, um banqueiro, um funcionário político, um trabalhador da construção, um barista ou um executivo de uma corporação. Não importa o que estejamos fazendo, nós o estamos fazendo para glorificar a Jesus.

Se mantivermos essa ideia principal em mente, isso mudará a forma como pensamos a respeito do nosso trabalho e nos empenhamos nele. Por quê? Porque quando glorificar a Jesus é a nossa motivação primordial, o nosso trabalho — independentemente do que esse trabalho seja em suas particularidades — passa a ser um ato de adoração. Ficamos completamente livres do pensamento de que o nosso trabalho é sem sentido e propósito, e somos igualmente libertos do pensamento de que o nosso trabalho possui algum significado supremo. Ainda mais, descobrimos, de uma nova forma, a ligação entre o nosso trabalho e a nossa principal identidade como discípulos de Jesus. Deixamos de nos desvencilhar de nosso papel de discípulos a cada dia de trabalho. Pelo contrário, o nosso compromisso com o nosso trabalho se torna uma das principais maneiras pela qual expressamos o nosso discipulado ao nosso Senhor e o nosso amor por ele.

O trabalho é importante. Isso ninguém discute. Mas trabalhar para o Rei é mais importante. Essa compreensão fornece tanto a motivação diária para o nosso trabalho quanto as respostas práticas para algumas situações difíceis com as quais nos deparamos no mercado de trabalho. E mais do que isso, ela coloca o trabalho em seu devido lugar — cheio de significado e propósito, mas não em competição com aquele para quem o trabalho é feito em primeiro lugar. Nós trabalhamos, e isso é importante. Mas, acima de tudo, isso é importante porque é feito para o Rei Jesus.

Lembrar de que trabalhamos para o Rei e exercer as nossas profissões a cada dia à luz dessa realidade não é fácil. É bem mais fácil cair no pensamento errôneo em relação ao nosso emprego do que manter uma perspectiva piedosa acerca dele. E há muitas maneiras de fazer isso da forma errada, não é mesmo? Nós nos pegamos murmurando em relação ao nosso emprego ou sendo preguiçosos no trabalho. Nós fazemos apenas o suficiente para nos manter longe dos problemas. Ou, por outro lado, encontramo-nos dando a nossa vida aos nossos empregos e negligenciando nossa família, nossa igreja e até mesmo a nossa própria saúde espiritual. Tudo isso parece muito complicado.

Mas será que é tão complicado assim? Quando consideramos essa questão seriamente, parece que a maioria dos pecados que enfrentamos quando se trata de nosso trabalho podem ser resumidos a algumas armadilhas. Por um lado, não podemos deixar que o nosso trabalho se torne um ídolo. O trabalho pode se tornar o objeto principal de nossa paixão, da nossa energia e do nosso amor. Acabamos adorando o trabalho. Por outro lado, podemos cair na indolência em nosso trabalho. Quando falhamos em perceber os propósitos de Deus para o trabalho, não nos importamos muito com ele. Falhamos em dar qualquer atenção a ele ou o desprezamos e, de forma geral, negligenciamos nossa responsabilidade de servir como se estivéssemos servindo ao Senhor. Infelizmente, tanto a indolência no trabalho quanto a idolatria do trabalho são celebradas em nossa sociedade. Temos a tendência de louvar aqueles que fazem do trabalho o centro de suas vidas, bem como aqueles que o lançaram totalmente para fora de suas vidas. Ambas as coisas são armadilhas — indolência e idolatria — embora haja uma má interpretação fatal a respeito de como Deus quer que pensemos acerca de nosso trabalho.

Nenhuma delas se encaixa na ideia bíblica de que nós trabalhamos para o Rei Jesus. Como podemos ser indolentes — trabalhar sem propósito e sentido — se o próprio Rei designou nosso trabalho para nós e se o fazemos como um serviço para ele? Como podemos estar contentes sendo relapsos em nosso trabalho e exercê-lo sem entusiasmo, quando, na realidade, fazemos o que fazemos para ele? Quando trabalhamos para o Rei, a indolência em nosso trabalho não é simplesmente uma opção. A idolatria também não é. Se o nosso trabalho é um meio de prestar serviço ao Rei e de adorá-lo, devemos combater a tentação de fazer do nosso trabalho o centro de nossas vidas. Jesus, e não o nosso trabalho, merece ser o objeto central da devoção do nosso coração.




Aproveitando o Tema "O Evangelho no Trabalho", compartilhamos abaixo outros artigos com concordâncias entre si. 


Antes de trabalhar no meu emprego atual, eu fui um cozinheiro por cinco anos em um restaurante italiano. Se você já trabalhou na indústria dos restaurantes, você sabe que ela pode atrair uma interessante e diversa multidão de funcionários. Durante esse tempo, eu me tornei um cristão. Eu nunca pensei que pudesse estar em uma atmosfera profissional mais desafiadora para compartilhar e viver a minha fé. Embora meu emprego atual seja muito diferente do restaurante (eu trabalho em uma empresa enorme), eu encontrei um conjunto inteiramente novo de desafios para viver minha fé no trabalho. A verdade é que sempre há desafios em carregar a mensagem do evangelho em um mundo decaído, independente do contexto.

O mundo corporativo apresenta uma capa singular de profissionalismo, ética e propriedade. Mas na realidade, a essência do dia-a-dia em um trabalho corporativo pode ser bastante desafiadora. Há milhares de enigmas morais que surgem em um escritório. Encaramos tentações de fofocar e nos juntarmos a conversas maliciosas quando outros não estão presentes. Muitos encaram dificuldades com o sexo oposto. O desafio dos cristãos é representar bem o evangelho em qualquer emprego.

Então como representamos bem a Jesus no local de trabalho? Eis aqui cinco maneiras de agraciar seu local de trabalho.

1. Seja corajoso, mas inteligente. Considere a coragem de Paulo diante de Félix em Atos 24 ou as palavras de Jesus sobre ser trazidos diante de governantes e reis em Mateus 10. Mesmo que estejamos trabalhando, nunca estamos isentos do chamado em nossas vidas de valorizá-lo. Contudo, devemos ser inteligentes e sempre lembrar de passagens como 1 Pedro 2.13: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor”. No trabalho, estamos sujeitos aos nossos chefes e ao líder ou líderes da empresa.
 Então seja corajoso, mas lembre-se sempre de onde você está.

2. Assuma riscos. Eu sei que este ponto, de alguma maneira, contradiz o anterior; mas a vida cristã repousa nessa tensão entre o risco e a prudência. Dê passos em amizades profissionais para falar de Jesus. Eu sou um evangelista relacional, o que significa que eu gosto de estabelecer algum tipo de amizade e depois falar de Jesus. Eu raramente sou aquele cara que diz: “posso te apresentar Jesus?” Minha tentação é a de nunca, de fato, falar de Jesus ou de fazê-lo de maneiras abrandadas. Arrisque uma amizade, arrisque uma promoção, arrisque “não se encaixar”, ou até mesmo arrisque o seu emprego se Deus o chamar para fazer tal sacrifício. É claro que não queremos ser temerários só por ser temerário.

3. Ore por seus inimigos. Transforme em um hábito orar pelas pessoas que parecem não gostar de você, com quem você não se dá muito bem, ou que sempre parecem ter algo sarcástico a dizer a seu respeito. Isso é incrivelmente difícil, e é por isso que você precisa depender do Espírito. Você também descobrirá que Deus ministra a você até enquanto você ora. Ore por eles, por suas famílias, por seus filhos. E o mais importante, ore por seu relacionamento com Jesus.

4. Use seu(s) dom(ns). Eu sou do tipo mestre/pastor. Eu normalmente entro em um modo de ensino ou pastoral em algum ponto durante meus encontros de fé com meus colegas de trabalho.
 A igreja ainda é a igreja, tanto reunida quanto espalhada. Enquanto estamos no trabalho nós continuamos sendo parte da igreja espalhada, e na igreja somos chamados a usar nossos dons para edificar o corpo. Ore a respeito disso e encontre uma maneira de usar seu(s) dom(ns). Comece um estudo bíblico; comece um grupo de oração; anote os pedidos de oração das pessoas e ore por elas; dê de seu tempo, seus talentos ou tesouros para aqueles que precisam. Faça o que for necessário para ser um ministro reconciliador do evangelho (2 Co 5.18-20).

5. Trabalhe duro. Seja pontual, se preocupe com seu trabalho, siga as regras, seja produtivo e ajude os outros. É claro que incrédulos também podem ser bons funcionários. O que nos torna diferentes é realmente capturado nos códigos familiares de muitas das epístolas. “Servos, sede submissos, com todo o temor ao vosso senhor, não somente se for bom e cordato, mas também ao perverso” (1 Pe 2.18). Nós devemos ser aquele “bom” funcionário independente de para quem trabalhamos, quais sejam as condições e/ou se gostamos ou não do emprego. Ao partilhar desses sofrimentos de Cristo, por mais leves que sejam, podemos valorizar a Cristo ao trabalharmos duro com integridade. Nunca deixe a preguiça ou os resmungos serem seu cartão de visita.

Que Deus nos abençoe enquanto buscamos servir e valorizar a Cristo em todas as áreas das nossas vidas!

“Aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo; para isso é que eu também me afadigo, esforçando-me o mais possível, segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim” (Cl 1.27-29).


Como a Graça Deveria Impactar a Execução do seu Trabalho


J. D. Greear
Quando alguém pensa em seu trabalho sendo “cristão,” todo tipo de imagem perturbadora vem à mente:
  • Abrir um salão de beleza chamado “Você Muito Melhor” ou uma livraria chamada “E Lias”.
  • Fazer momentos constrangedores de evangelismo nas chamadas promocionais.
  • Desafiadoramente dizer “Feliz Natal” ao invés de “Boas Festas” na fila do caixa, ou furtivamente dizer “Tenha um dia abençoado” na saudação.
  • Colar pôsteres de opções de estudo bíblico no horário de almoço ou enviar spams sobre visões da Virgem Maria no Equador.

Talvez você se lembre do incidente de 2004 com um piloto da American Airlines que, em seus anúncios antes do voo, pedia a todos os cristãos a bordo do avião que levantassem a mão. Ele então sugeria que durante o voo, os outros passageiros conversassem com essas pessoas sobre a fé deles. Ele também disse aos passageiros que ele ficaria feliz em conversar com qualquer um que tivesse dúvidas. É compreensível que isso fazia as pessoas surtarem: o piloto do seu avião falando com você sobre se você vai ou não se encontrar com Jesus?[1] Embora eles pudessem admirar o zelo do cara, muitos empresários cristãos pensam: “Eu acho que eu não conseguiria fazer isso sem ser demitido.”

Muitos cristãos pensam que simplesmente não dá para servir o reino de Deus no trabalho, e que o trabalho desse reino acontece “após o expediente” — voluntariando-se no berçário da igreja, frequentando grupos pequenos, indo a uma viagem missionária, servindo na cantina. A maioria pensa que o nosso trabalho é uma necessidade que deve ser suportada para colocar comida na mesa, e que o interesse de Deus no fruto de nosso trabalho é primariamente que entreguemos os nossos dízimos.

A Bíblia oferece uma perspectiva bem diferente. A Escritura nos ensina como servir a Deus através de nosso trabalho, não apenas após o trabalho. A Bíblia diz palavras claras e radicais às pessoas no local de trabalho, nos mostrando que mesmo o mais subalterno deles possui um papel essencial na missão de Deus.

De fato, certamente não é coincidência que a maioria das parábolas que Jesus contou tinha como contexto um local de trabalho, e que dos quarenta milagres registrados no livro de Atos, trinta e nove ocorreram fora do cenário de uma igreja. O Deus da Bíblia parece tão preocupado em demonstrar seu poder fora dos muros da igreja, quanto dentro.

Quero sugerir cinco qualidades que tornam o trabalho “cristão.” Por “cristão” neste contexto eu quero dizer “feito através da fé em Jesus Cristo.” Portanto, o trabalho que é cristão terá cinco qualidades: (1) cumpre a criação, (2) busca a excelência, (3) reflete santidade, (4) demonstra redenção e (5) avança em missões.

O trabalho cristão cumpre a criação

Quando Deus colocou Adão no Jardim do Éden, ele não disse simplesmente para ele se manter longe de certas maçãs podres. Deus colocou Adão no jardim “para cultivá-lo e guardá-lo” (Gênesis 2:15). Lembre-se que Deus disse isso antes da maldição, indicando que o trabalho não era uma punição infligida em Adão por seu pecado, mas era parte do desígnio original de Deus. O primeiro propósito que Deus tinha em mente para Adão não era ler uma Bíblia ou orar, mas ser um bom jardineiro.

A palavra hebraica ‘abad, traduzida por “cultivar,” mostra exatamente o que Deus quer dizer: tem a conotação de preparar e desenvolver. Adão foi colocado no jardim para desenvolver sua matéria-prima, para cultivar um jardim. Cristãos podem cumprir o propósito criado por Deus da mesma maneira, tomando a matéria-prima do mundo e desenvolvendo-as. Isso está acontecendo o tempo todo, tanto por crentes quanto por incrédulos. Empreiteiras pegam areia e cimento e os usam para criar prédios. Artistas tomam cor e música e os harmonizam em arte. Advogados tomam princípios de justiça e os codificam em leis que beneficiam a sociedade.

Este é o plano de Deus. Martinho Lutero, o famoso reformador alemão, coloca desta maneira: “Quando oramos a Oração do Senhor, nós pedimos que Deus nos dê ‘o pão nosso de cada dia.’ E ele nos dá nosso pão diário. Ele faz isso através do fazendeiro que plantou e colheu o grão, o padeiro que transformou a farinha em pão, a pessoa que preparou nossa refeição.”

O que isso significa é que a vocação secular de um cristão ajuda a mediar o cuidado ativo de Deus no mundo. Deus está ativo através do trabalho de uma pessoa para assegurar que famílias estejam alimentadas, que lares sejam construídos, que a justiça seja cumprida. Muitos cristãos trabalham de má vontade quando deveriam festejar o fato de que Deus os está usando, em qualquer que seja o pequeno papel, para cumprir seus propósitos.

Outro grande exemplo disso vem do clássico filme Carruagens de Fogo. O filme mostra um atleta de corrida cristão, Eric Liddell, em sua preparação para as Olimpíadas de 1924. Em um ponto do filme, Liddell é confrontado com a objeção à sua carreira de que há questões mais urgentes na vida de um cristão do que meramente correr. Liddell responde: “Eu acredito que Deus me criou para um propósito, mas ele também me criou rápido. E quando eu corro, sinto o prazer de Deus.” Em um momento ou outro, enquanto trabalhamos em algo que amamos ou em algo que somos bons, muitos de nós temos um sentimento similar. É como se sentíssemos dentro de nós, bem literalmente: “Eu fui feito para isso.”

O trabalho cristão busca a excelência

Se nosso trabalho é feito “para Deus,” ele deve ser feito de acordo com os mais altos padrões de excelência. Paulo diz: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Colossenses 3:17). Isso deveria ser verdade quer recebamos qualquer recompensa por nosso trabalho ou não, e mesmo se nunca ninguém notar.

Sejamos honestos: é desmoralizante trabalhar para alguém que não nos dá crédito por aquilo que fizemos, ou pior, alguém que reage oferecendo apenas feedbacks negativos. Um chefe ruim pode transformar um trabalho que seria satisfatório em um absoluto terror. Numa situação como essa, a maioria das pessoas perde a motivação de trabalhar com excelência. “Afinal,” elas podem pensar, “qual o sentido de trabalhar duro? Ninguém vai notar de qualquer maneira, e mesmo que eles notem, eu certamente não ganharei o crédito por isso.” Essa pode ser uma resposta razoável, mas não é uma resposta cristã.

Cristãos devem buscar a excelência em seus trabalhos não porque eles querem impressionar seus chefes ou porque trabalhar duro leva a um pagamento melhor, mas porque eles trabalham para Cristo. C.S. Lewis uma vez observou como vales nunca antes descobertos pelos olhos humanos ainda são cheios de belas flores. Para quem Deus criou aquela beleza, se olhos humanos nunca a veriam? A resposta de Lewis era que Deus faz algumas coisas apenas para seu próprio prazer. Ele vê mesmo quando ninguém mais vê.

Essa perspectiva adiciona um novo significado para toda tarefa que os crentes executarem, mesmo que eles saibam que nunca serão reconhecidos. Eles não precisam mais da aprovação dos outros em seus trabalhos, porque não mais trabalham primariamente para outros. Eles trabalham em primeiro lugar para Cristo, e ele merece o melhor deles.

Na realidade, contudo, pouquíssimos trabalhos passam desapercebidos, especialmente se malfeitos. Um cristão com uma ética trabalhista medíocre ou um desenvolvimento acadêmico desleixado dá ao mundo um terrível testemunho de Cristo. Ele pode dizer com sua boca que “Jesus é Senhor,” mas quando ele não se importa em entregar seus trabalhos a tempo ou respeitar seu chefe, ele está dizendo mais alto ainda: “Eu mesmo sou senhor.” Ao trabalhar com excelência, os cristãos não apenas servem a Deus, mas também demonstram uma atitude de serviço ao mundo.

O trabalho cristão reflete santidade

Se cristãos trabalham para Deus, isso deveria inerentemente fazê-los trabalhar com excelência. Mas saber que Deus vê tudo o que fazemos deveria também fazer-nos trabalhar com integridade. Trabalho que é “cristão” nos conformará aos mais altos padrões de ética.

Paulo procede em Colossenses explicando que tudo o que fazemos é feito com respeito ao nosso Mestre que nos assiste dos céus, a quem prestaremos conta (Colossenses 3:23-25). Isso significa, Paulo disse, que mesmo quando nosso chefe é um idiota (e muitas pessoas para quem Paulo estava escrevendo literalmente pertenciam a seus chefes!), cristãos fazem seu trabalho para Deus. Nosso trabalho deve deixar evidente que nós servimos a um Deus de justiça e bondade. Isso significa que chefes cristãos devem se preocupar menos com as críticas, e mais com o fato de que eles prestarão contas a um Mestre celestial. Funcionários cristãos não devem fazer nada de forma descuidada ou mentir sobre quanto trabalho eles tiveram. A ética nos negócios realmente importa, porque através dela nós espelhamos o caráter de Deus. Deus diz que “balança enganosa” — trabalhos malfeitos, balancetes falsificados, folhas de ponto inexatas, etc. — são uma “abominação” a ele (cf. Provérbios 11:1). Uma ética medíocre nos negócios não é uma questão insignificante.

O trabalho cristão demonstra redenção

Se cristãos agissem em seus empregos com equidade e justiça, só isso já os diferenciaria. Mas aqueles que foram tocados pelo evangelho não tentam meramente abraçar altos padrões éticos; eles vivem suas vidas com uma perspectiva de gratidão radicalmente transformada. O que Cristo fez ao nos redimir para o Pai produz uma resposta natural de graça para com outros.

Eu recentemente ouvi uma história sobre uma jovem recém-formada que conseguiu um emprego na Madison Avenue, em uma das mais prestigiadas firmas de propaganda. Com pouco tempo de empresa, ela cometeu um erro que custou à companhia aproximadamente US$25.000. A Madison Avenue não é um mundo definido pela graça e ela esperava ser demitida no fim do dia. Seu chefe, contudo, compareceu diante da diretoria e os convenceu sobre permitir que a culpa pelo erro dela recaísse sobre ele mesmo. Quando essa jovem mulher ouviu o que o seu chefe havia feito, ela foi até ele em lágrimas. Ela lhe perguntou o motivo pelo qual, naquela atmosfera absurdamente competitiva, ele escolheria colocar seu próprio pescoço no lugar do dela. Ele respondeu compartilhando como Jesus tinha feito algo similar por ele, tomando sobre si a ira que ele merecia. Por causa da grande graça que Jesus mostrou para com ele, ele queria demonstrar uma graça similar para com outros quando tivesse a oportunidade.

Isso significa que devemos enxergar nosso trabalho com um propósito diferenciado. Nós não procuramos mais apenas subir de posição ou maximizar nosso lucro pessoal. Se verdadeiramente tocados pela graça, cristãos empregados começam a usar seus recursos para abençoar aqueles em necessidade.

Alguns cristãos podem contestar uma perspectiva como essa. Graça é algo que se aplica ao âmbito espiritual, eles podem dizer, mas não nos negócios: “Eu trabalhei por aquilo que tenho — eu conquistei!”, eles podem dizer. Uma pessoa pode certamente sentir como se tivesse conquistado tudo o que tem, mas onde ela conseguiu sua ética trabalhista cabeça-dura? Sua inteligência? Tudo isso é graça de Deus. Por decreto de quem ela cresceu nos Estados Unidos ao invés de nascer em uma favela brasileira? Certamente não foi por seu próprio decreto — isso também foi graça de Deus. O próprio ar que ela respirou e a comida que ela comeu lhe foram dados como presentes da graça. Jesus ensinou que o reino de Deus pertence àqueles que são “pobres de espírito” — aqueles que reconhecem que tudo o que eles têm é um presente da graça. Os “classe-média de espírito,” que creem que estão apenas colhendo o fruto de seu trabalho, não conhecerão nada do reino de Deus, porque eles não têm o conceito da magnitude da graça de Deus em suas vidas. Quando alguém entende o quanto deve à graça, começará a ver cada situação em que estão, seja nos negócios ou na igreja, como um lugar não para ser servido, mas para servir.

O chamado para entregar nossas vidas pelo reino de Deus não é uma tarefa especial de poucos consagrados. Todos os discípulos de Jesus são chamados a verem suas vidas como sementes a serem plantadas para o reino de Deus. Jesus disse que se sua vida fosse uma festa, ela deveria ser dada àqueles que não podem nos pagar de volta. Às vezes eu penso que nós inventamos toda essa linguagem de “chamado ao ministério” para mascarar o fato de que a maioria das pessoas em nossas igrejas não estão vivendo como discípulos de Jesus.

O trabalho cristão avança em missões

O trabalho feito pelos discípulos de Jesus deve ser feito tendo em vista a Grande Comissão. Em Atos, vemos que Deus usou ministros não-vocacionados (talvez empresários, médicos, escravos, quem sabe!) para levar o evangelho pelo mundo a lugares que os apóstolos nunca tinham ido. Lucas registra que a primeira vez que a igreja “foi por todo lugar pregando a palavra,” os Apóstolos não estavam envolvidos (Atos 8:1). Ele também registra que quando Paulo finalmente chega a Roma para pregar a Cristo lá, ele é saudado por “irmãos” hospitaleiros, que parecem ter estado lá por algum tempo (Atos 28:7). Nas anotações de Steven Neill no clássico História das Missões, dos três grandes centros de plantação de igreja do mundo antigo (Antioquia, Alexandria e Roma), nenhum foi fundado por um apóstolo.

Da mesma maneira, os cristãos no mercado de trabalho hoje são capazes de acessar mais facilmente lugares estratégicos e não alcançados. A globalização, as revoluções na tecnologia e a urbanização deram à comunidade dos negócios acesso quase universal.

Habilidades seculares são necessárias para dar aos cristãos acesso a países que, de outra maneira, rapidamente rejeitariam sua presença. Os países que têm mais necessidade de uma presença do evangelho — aqueles chamados “janela 10-40” — são devastados pela pobreza e pelo desemprego. Tais lugares precisam tanto das palavras do evangelho quanto do reflexo tangível do amor de Deus que os negócios podem proporcionar. Milhões nessa região estão sem trabalho e sem o conhecimento de Cristo.

Um exemplo, apesar de haver dúzias de outros exemplos, é a nação do Irã. O Irã é uma área não alcançada em necessidade desesperadora do evangelho. Hoje mesmo, há 10 milhões de pessoas buscando um emprego no Irã, um número que pode chegar a 20 milhões nos próximos 15 anos. Como lugares como esse serão alcançados? O Irã pode ser alcançado através dos esforços de empresários cristãos comuns, levando suas habilidades e especialidades para o exterior. Isso pode não ser o caminho para todos os cristãos, mas talvez Deus o esteja desafiando a considerar dedicar seu trabalho para os seus propósitos de avanço de missões.

Nem todo cristão, é claro, será levado a executar seus negócios em um povo não alcançado. Mas os discípulos de Jesus devem sempre fazer seu trabalho tendo em vista a Grande Comissão. Uma “visão missional” para o trabalho cristão é fazê-lo bem, e fazê-lo, se possível, em algum lugar estratégico. Provérbios 22:29 diz: “Vês a um homem perito na sua obra? Perante reis será posto; não entre a plebe.” Crentes que executam bem o seu trabalho podem ser grandemente usados no trabalho da Grande Comissão. Sua excelência nos negócios pode dar-lhes audiências com os “reis” e com os influentes dos povos mais difíceis de serem alcançados do mundo.

Deus está interessado em como os cristãos executam seus trabalhos, e ele quer estar envolvido neles. Seu trabalho pode fazer uma diferença eterna na vida daqueles com quem você trabalha, daqueles para quem você trabalha e daqueles que você serve através do seu emprego. Permita que a transformação do evangelho mude a maneira pela qual você enxerga e executa o seu trabalho. Você foi redimido pela graça — agora viva essa graça no contexto do seu emprego. Você pode nunca mais olhar para o trabalho da mesma maneira novamente.

http://www.travelkb.com/Uwe/Forum.aspx/air/2002/American-Airlines-Preaching-Pilot [Em inglês] Encontrado em John Dickson, The Best Kept Secret of Christian Mission (O Segredo Mais Bem Guardado da Missão Cristã) (Zondervan, 2010), 172-173.
Tradução: Alan Cristie



7 Aprendizados para o Chamado no Mercado de Trabalho


O mercado, o mundo diário do comércio e da atividade econômica é onde a maioria das pessoas passam a maior parte dos seus dias. Na história moderna, o mercado teve um papel único na formação do nosso mundo. A globalização transformou incontáveis mercados locais em um mercado global massivo. Avanços na tecnologia e na comunicação conseguiram unir enormes lacunas geográficas e culturais em velocidade estonteante.

Enquanto isso, a língua e as normas do mercado mudaram a maneira de se pensar e operar de outras instituições sociais, incluindo a igreja. Até a vida familiar foi moldada pelo mercado de maneira aparentemente permanente.

Ainda assim, o mercado não é uma entidade homogênea  única. É um organismo complexo que desafia uma simples definição. A experiência de mercado de um encanador não é a mesma que a de um gerente de fundo de risco, e o trabalho de um banqueiro é diferente do trabalho de um professor. De fato, o trabalho acontece:
  • em uma variedade de locais (desde o lar, remotamente, no ar, de um carro, em um escritório, em um cubículo, em um armazém, em um campo, no céu, no subsolo, sobre a água),
  • em uma variedade de formas  (freelancers, empregados, contratados, consultores, empregadores, proprietários),
  • e em uma variedade de organizações (firmas, pequenos negócios, grandes corporações, franquias, exercícios, parcerias, governos, escolas, organizações sem fins lucrativos).
Portanto, conforme um pastor busca ensinar biblicamente sobre as dinâmicas do mercado, é útil que ele aprofunde a sua empatia e amplie o seu entendimento sobre as vocações representadas em sua congregação.

Então o que os pastores devem ensinar àqueles chamados para o mercado de trabalho?

1. Ensine-os como as Escrituras abordam o trabalho deles.

Um dos textos mais fundamentais para entender o trabalho é a “ordenança da criação”, onde Deus ordena a Adão: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra” (Gn 1.28). Embora seja impossível para um pastor manter-se atualizado com a sempre crescente complexidade do desenvolvimento socioeconômico desde o Jardim do Éden, ele tem a oportunidade de devotar a si mesmo a sabedoria atemporal das Escrituras. Ajudar aqueles no mercado a amar e viver a sabedoria encontrada em Provérbios vai moldar o entendimento deles do trabalho diário, e como ele pode ser usado para glorificar a Deus e servir o próximo.

2. Ensine-os a temer o Senhor.

O mercado é um local de temor. Um trabalhador pode temer seu chefe, um executivo pode temer muitos fracassos públicos e outros podem temer a instabilidade do mercado, desemprego e regulamentações governamentais. Globalização, mídia e tecnologia, tudo isso serve para ampliar a sensação de não estar no controle. Assim como a ira e o orgulho, o agir a partir do medo produz uma gama de inseguranças, pecados e falhas.

Por toda a Escritura, é ordenado ao povo de Deus que não tema. Paulo nos lembra: “Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação” (2 Tm 1.7). Contudo, nos é ordenado que temamos a Deus: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Pv 9.10; Sl 111.10). Infelizmente há muitos crentes professos cuja vida de trabalho é dominada pelo medo e pela ansiedade, o que os impede de viver a sabedoria de Deus.

3. Ensine-os a orar.

Muitos cristãos não se sentem preparados para orar pelo seu trabalho, muito menos a orar no trabalho. Dado o temor que é tão excessivo no mercado, unido à hostilidade contra a fé e a prática cristã, a melhor coisa para os trabalhadores fazerem é orar. Ainda assim, os tipos de orações necessárias no trabalho não podem ser aquelas típicas orações ouvidas nas manhãs de domingo. Pastores têm a oportunidade de ensinar os cristãos como orar por coragem, contra a tentação, por integridade, para que eles trabalhem com destreza, por seus colegas, e para que Deus estabeleça a obra das suas mãos. E, em resposta às muitas bênçãos do trabalho, eles devem ser preparados para dar graças.

4. Ensine-os que seu valor último não está em sua performance.

Há uma pressão massiva no mercado para que os trabalhadores ganhem o seu sustento, atendam às suas metas e subam na carreira. Sem resistência vigilante, os cristãos podem também vir a crer que não são nada mais do que um título, um nível de responsabilidade ou uma unidade de produção.

O salmista ensina que, diferentemente do homem, Deus não nos julga como quem avalia a força de um cavalo. Mas, “agrada-se o Senhor dos que o temem e dos que esperam na sua misericórdia” (Sl 147.10-11). No fim do dia, nossa aprovação e identidade estão no fato de sermos adotados como filhos de Deus pela graça através da fé em Cristo — não com base em nada do que fazemos por nós mesmos.

5. Ensine-os que eles são mais do que “úteis” para a igreja local.

Existe uma sutil tendência para pastores verem os membros de sua congregação em termos da sua utilidade em auxiliar eventos ou contribuir para o orçamento da igreja. Essa tentação se torna ainda maior quando um membro é conhecido por ser talentoso em seu ofício ou bem sucedido no mercado de trabalho. Nesse sentido, pastores aplicam as mesmas pressões que os trabalhadores provavelmente experimentam de seus empregadores, líderes e supervisores durante a semana. Antes da igreja tratar de orçamentos e programas, ela trata de pessoas. Os membros de uma congregação precisam saber que eles são importantes para além de suas utilidades.

6. Ensine-os que eles não são inferiores a pastores e missionários.

Muitas igrejas, talvez inconscientemente, propagam sutilmente o mito de que pastores e missionários são mais importantes ou intrinsecamente mais santos do que carpinteiros, operadores de telemarketing ou empreendedores. A igreja pode empregar pastores e enviar missionários, mas a silenciosa maioria do trabalho do reino é feita por esses diversos chamados no mercado de trabalho. Pastores devem encontrar maneiras de discipular membros para a variedade de vocações representadas na congregação, e não apenas aqueles que estão no chamado “ministério cristão”.

7. Ensine-os a amar o que fazem e a fazerem-no bem.

É fácil amar o trabalho por algum tempo, mas quando as circunstâncias, oportunidades, relacionamentos e recompensas mudam, dificuldade e desencorajamento rapidamente se instalam. Um certo nível disso é inevitável, mas se o trabalho é dominado por um senso de pessimismo ou fatalismo, o trabalhador não fará bem o seu trabalho, ele não terá contentamento e o seu testemunho do evangelho murchará e morrerá. Crentes precisam do lembrete de Colossenses 3.23, de que em um mundo doente, eles trabalham em última instância para o Senhor. Em toda tarefa e a todo tempo, essa é a verdade que fornece a motivação para fazer todo trabalho com paixão e excelência. Pastores também enfrentam dificuldade e desânimo em seu trabalho. Mas aqueles que, em contrapartida, encontraram novas e vivas maneiras de reacender o amor por aquilo que fazem, serão capazes de compartilhar essa sabedoria com aqueles em diferentes ocupações.

Tradução: Alan Cristie


Seu Trabalho Como Ministério



O principal conceito de minha mensagem nesta manhã pode ser afirmado como uma declaração e como uma oração. Como uma declaração seria assim: A forma como você cumpre os deveres de sua vocação é parte essencial do discipulado cristão. Ou para expressar isso de outra forma: Como você faz o seu trabalho é uma grande parte de sua obediência a Jesus. Afirmado como oração, o principal conceito hoje é: Pai, conceda a nós toda a graça para sermos conscientes de sua presença em sua obra e da obediência aos seus mandamentos em todos os nossos relacionamentos vocacionais. Creio que essa é a palavra de Deus para nós hoje, e gostaria de revelá-la por uns poucos minutos em 1 Coríntios 7:14-24.

Permita que todos permaneçam onde ele foi chamado

Antes que leiamos o texto, vamos nos orientar do contexto precedente. Um dos problemas na igreja em Corinto era a incerteza a respeito de como a fé em Cristo deveria afetar os relacionamentos comuns da vida humana. Por exemplo, em 1 Coríntios 7, a questão levantada é se a fé em Cristo deveria denotar que o marido e esposa devessem se abster das relações sexuais. Paulo expressa um não ressonante no versículo 3. Outro exemplo nos versículos 12-16 é: deveríamos fazer se um dos cônjuges tem fé em Cristo, mas o outro não? O cônjuge cristão deveria abandonar o casamento para se manter puro? Novamente, Paulo responde: não. Permaneça no relacionamento que você estava quando Deus o chamou à fé. Fé em Cristo jamais destrói o pacto de casamento que Deus ordenou na criação.

Entretanto, tendo dito isso nos versículos 12 e 13, o apóstolo Paulo permite que, se o cônjuge incrédulo abandona o cônjuge cristão e não deseja nada mais com este, então o cristão não está ligado para sempre a esse relacionamento. Em outras palavras, vir à fé em Cristo não faz com que a pessoa deseje abandonar relacionamentos instituídos por Deus, mas faz santificá-los. Com paciência, oração e conduta humilde e exemplar, o cônjuge cristão deseja ganhar o cônjuge incrédulo. Mas, pode ser, como Jesus previu em Mateus 10,34 e versículos seguintes, que a rebelião e a incredulidade do cônjuge não cristão tornará o cristianismo uma espada que corta em vez de ser o bálsamo pacífico que cura. Assim, o princípio que o apóstolo segue é: permaneça em seus relacionamentos instituídos por Deus; não procure abandoná-los ou destruí-los. Mas Deus permite a exceção que, se o relacionamento é abandonado e destruído além de seu desejo ou controle pelo cônjuge incrédulo, então, assim seja. O cristão inocente não está ligado ao desertor.

Aqui começa nosso texto, em 1 Coríntios 7:17. Tendo discutido o princípio de permanecer no relacionamento matrimonial instituído por Deus quando você se torna cristão, Paulo agora discute esse princípio com duas outras conexões. Vamos ler 1 Coríntios 7:17-24.

17 Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado. É assim que ordeno em todas as Igrejas. 18 Foi alguém chamado, estando circunciso? Não se faça circuncidar. 19 A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus. 20 Cada um permaneça na vocação em que foi chamado.21 Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade. 22 Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor; semelhantemente, o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo. 23 Por preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens. 24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que foi chamado.

O princípio que Paulo já havia ensinado em relação ao casamento está aqui mencionado claramente três vezes. Note o versículo 17: "Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído, cada um conforme Deus o tem chamado". Então, o versículo 20: "Cada um permaneça na vocação em que foi chamado". Em seguida, o versículo 24: "Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que foi chamado". Essas três afirmações do princípio de Paulo dividem o texto em duas partes. Pode ser útil refletir sobre essas três fatias de pão em um sanduíche de duas camadas (como um Big Mac). Entre o topo das duas fatias estão os versículos 18 e 19, onde o princípio é aplicado ao assunto da circuncisão e incircuncisão. Entre a base das duas fatias estão os versículos 21 e 23, em que o princípio é empregado à escravidão e à liberdade. Mas antes que possamos entender qualquer uma dessas aplicações, precisamos esclarecer uma palavra-chave do princípio em si mesmo.

Que tipo de chamado está em vista?

A palavra que ocorre em cada afirmação do princípio e nove vezes ao todo neste parágrafo é "chamado". Quando Paulo afirma no versículo 17: Ande cada um segundo o Senhor lhe tem distribuído… conforme Deus o tem chamado", e quando ele diz no versículo 24: "Irmãos, cada um permaneça diante de Deus naquilo que foi chamado", Paulo está se referindo ao chamado divino pelo qual somos atraídos a crer em Cristo. Sempre usamos a palavra "chamado" para se referir à nossa vocação: meu chamado é para ser dona de casa; meu chamado é para ser vendedor, etc. Mas esse não é o sentido que Paulo empregou oito das nove vezes em que a palavra ocorreu nesse parágrafo. Uma vez, ele emprega a palavra "chamado" no sentido vocacional, no versículo 20. Literalmente, o versículo afirma: "Cada um permaneça na vocação (não estado) em que foi chamado". A palavra "vocação", ou posição, denota posição na vida. E nessa vocação ou posição na vida outro chamado vem da parte de Deus. Esse chamado é a atração do Espírito Santo para a comunhão com Cristo. De maneira muito simples, o chamado de Deus que vem para a pessoa em sua vocação é o poder de Deus para converter a alma pelo evangelho.

Tudo isso se torna claro em 1 Coríntios 1. No capítulo 1, versículo 9, Paulo declara: "Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor". Assim, todos os cristãos, e somente os cristãos, são chamados nesse sentido. Esse chamado de Deus é diferente, por um lado, de nosso "chamado" vocacional e, por outro, do chamado geral para se arrepender, que é proclamado a todos os homens. Quando Jesus disse em Mateus 22:14: "Muitos são chamados, mas poucos são os escolhidos", ele se referiu ao chamado universal do evangelho, no qual muitas pessoas ouvem e o rejeitam para a própria destruição.

Mas esse não foi o chamado que Paulo tinha em mente. O chamado de Deus que nos coloca em uma comunhão de fé e amor com Jesus é o chamado poderoso e eficaz que nos atrai para o Filho (João 6:44,65). Isso é visto com mais clareza em 1 Coríntios 1:23-24, onde Paulo diz: "Pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios; mas para os que foram chamados, tanto judeus como gregos, pregamos Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus". Os "chamados" não são todos aqueles que ouvem a pregação, mas aqueles que a recebem como a sabedoria. Podemos parafrasear os versículos para mostrar a diferença entre o chamado geral e o chamado eficaz: Paulo afirma: "Chamamos todos a crer no Cristo crucificado, mas muitos judeus consideram esse chamado um escândalo e muitos gentios veem esse chamado como loucura, mas aqueles que são chamados (isto é, poderosamente e eficazmente atraídos para Cristo) compreendem que o chamado do evangelho é o poder e sabedoria de Deus".

Portanto, quando Paulo declara em 1 Coríntios 7:17, 20 e 24, que devemos permanecer e viver com Deus no estado no qual fomos chamados, ele quer expressar: Permaneça no estado em que estava quando foi convertido, quando foi atraído por Deus para a fé e à comunhão de amor com seu Filho.

O princípio aplicado a judeus e gentios

Agora, precisamos ver como Paulo aplicou esse princípio em sua época e o que isso representa para nós hoje. No processo, a razão teológica para isso surgirá também. A primeira aplicação de Paulo do princípio não é à vocação, mas à circuncisão e incircuncisão. Ele aplica assim: Se você foi convertido enquanto era gentio, não tente se tornar judeu. Se você foi convertido enquanto era judeu, não tente se tornar gentio. Isso é essencialmente que a incircuncisão e circuncisão significaram. Essa aplicação tem implicações culturais abrangentes: se você é afrodescendente, não tente se tornar branco; se você é branco, não tente se tornar afrodescendente. Se você é mexicano, não tente se tornar americano; se você é americano, não tente se tornar mexicano.

Então, Paulo expressa a razão teológica para essa admoestação. O versículo 19 diz literalmente: "A circuncisão, em si, não é nada; a incircuncisão também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus (é tudo)". Seria a coisa mais ofensiva que Paulo poderia dizer a um judeu: a circuncisão não é nada. E se compreendermos sua aplicação cultural abrangente, ela ofende a todos nós. Mas isso é verdadeiro. Observe o quanto é radicalmente diferente a lógica de Paulo para preservar suas distinções culturais que a lógica contemporânea de nossa era. Afirmamos que branco é bonito, afrodescendente é bonito, vermelho é bonito, amarelo é bonito; portanto, não tente mudar culturas. Paulo declara que branco é nada, afrodescendente é nada, vermelho é nada, amarelo é nada, mas cumprir os mandamentos de Deus é tudo; por conseguinte, não tente alterar as culturas. Permaneça onde está e obedeça a Deus. Paulo é um pensador inconformista e, portanto, eternamente relevante. Ele é radicalmente orientado por Deus. Tudo, tudo cai diante da prioridade de Deus.

Esse princípio é um imperativo absoluto para se apegar, a menos que criemos um novo legalismo. O antigo legalismo dizia: "Você precisa ser circuncidado para ser salvo (Atos 15:1). Você precisa ser branco para ser aprovado". O novo legalismo diria: "Você não pode ser circuncidado se você deseja ser salvo. Você não pode ser branco se você deseja ser aceito". Perverteremos o ensino de Paulo e perderemos seu objetivo se considerarmos a sentença: "Estando alguém incircunciso. Não se faça circuncidar" (versículo 18) e fazer disso uma proibição absoluta de adaptações culturais. Paulo não pronuncia uma condenação absoluta sobre todos aqueles que adotam aspectos de outras culturas e renunciam aspectos de sua própria. Isso é claro pelo fato de que ele permitiu a Timóteo ser circuncidado (Atos 16:3) e, devido à sua própria afirmação, ele fez de tudo para com todos, com o fim de salvar alguns (1 Coríntios 9:22).

O que Paulo fez foi mostrar que a obediência aos mandamentos de Deus é muito mais importante do que quaisquer distinções culturais, e que a mera mudança dessas distinções não deveria ser de importância alguma para o cristão. Em outras palavras, não faça desse assunto uma questão relevante se você é circuncidado ou não; ou se você é branco ou afrodescendente, vermelho ou sueco. Mas, em vez disso, faça da obediência uma questão relevante; faça do propósito integral de sua vida obedecer à lei moral de Deus. Então, e somente então, a circuncisão (como Paulo sugere em Romanos 2:25) e outras distinções culturais poderão se tornar, de uma forma bastante secundária e derivativa, expressões da obediência da fé. Em uma palavra, a aplicação do princípio de Paulo às distinções culturais é esta: Não se queixe e não se gabe sobre seu presente estado de distinções culturais; ele é de pouca importância para Deus comparado a se você devota alma, mente e corpo para obedecer a seus mandamentos, os quais todos se cumprem nisto: "Ame o próximo como a ti mesmo" (Romanos 13:8-10; Gálatas 5:14).

O princípio aplicado aos escravos e aos homens livres

Então, Paulo se volta aos versículos 21–23 para aplicar seu princípio à questão se alguém é escravo ou livre. O problema da tradução no versículo 21 é realmente difícil. A maioria das versões modernas diz: "Fostes chamado, sendo escravo? Não te preocupes com isso; mas, se ainda podes tornar-te livre, aproveita a oportunidade" (ARA). Essa tradução pode estar correta, mas considero difícil aceitar, uma vez que o princípio que o texto ilustra é expresso no versículo 20 como "Cada um permaneça na vocação em que foi chamado", e no versículo 24 como "naquilo em que foi chamado". Parece totalmente fora de lugar entre esses versículos dizer: "se você pode obter sua liberdade, faça isso". Não apenas isso, mas essa tradução não faz justiça a todas as palavras no grego ("ainda e "preferir") que aparecem na tradução alternativa: "Foste chamado como escravo? Não se preocupe com isso; mas, ainda que você possa se tornar um homem livre, prefira fazer uso disso (sua presente posição como escravo)". O contraste real, parece-me, deveria ser expresso assim: "Não deixe que sua escravidão o torne ansioso, mas, em vez, disso use-a". Use-a para obedecer a Cristo e assim "torne a doutrina de Deus, nosso Salvador" (Tito 2,10).

Penso que isso seja verdadeiro em uma análise definitiva que não é uma proibição absoluta de aceitar a liberdade, ainda que o versículo 18 fosse uma proibição absoluta da circuncisão. Mas se você traduz esse texto como um mandamento para buscar liberdade, a ideia verdadeira da passagem é obscurecida. A ideia é: quando você é chamado para a comunhão de Cristo, recebe um novo conjunto de prioridades radicalmente centradas em Cristo; muito mais se você é um escravo, essa condição não deveria lhe aborrecer. "Foste chamado, sendo escravo? Não te preocupes". O seu trabalho é desprezível? Não te preocupes. O seu trabalho não é altamente estimado como outras profissões? Não te preocupes. Esse é o mesmo conceito que ele estabeleceu com as diferenças culturais como a circuncisão: Foste chamado, estando incircunciso? Não te preocupes. Foste chamado, estando circunciso? Não te preocupes.

Paulo poderia ter dito, de fato, a mesma razão teológica para essa posição como fez no versículo 19. Ele poderia ter dito: "Ser um escravo, em si, não é nada; e ser livre também nada é, mas o que vale é guardar as ordenanças de Deus". Isso é verdadeiro. No entanto, Paulo aprofunda nossa compreensão com uma nova razão teológica. A razão pela qual uma pessoa pode dizer: "Não te preocupes", embora ele seja um escravo, é esta: o versículo 22: "Porque o que foi chamado no Senhor, sendo escravo, é liberto do Senhor". E a razão pela qual a pessoa que é livre pode dizer: "Não te preocupes" é similar: "o que foi chamado, sendo livre, é escravo de Cristo". Amo assistir a Paulo colocar em prática sua teologia dessa forma. Ele afirma que, no evangelho, há um antídoto para o desespero em trabalhos desprezíveis e um antídoto para o orgulho nos trabalhos altamente valorizados. Ele olha para o escravo que pode se sentir desesperado e diz: "Em Cristo, você é um homem livre". Você foi comprado por um preço. Não permita que o homem escravize sua alma. Alegre-se no Senhor e espere nele; você será mais livre que todas as nobres aflições. Em seguida, ele olha para o nobre homem livre e afirma: "Não se torne orgulhoso, porquanto em Cristo você é um escravo. Há alguém que tem autoridade sobre você, e você precisa ser humilde e submisso".

A conclusão disso é que, se uma pessoa é um escravo ou um livre, essa condição não seria razão para desespero ou orgulho. Ele deveria ser capaz de dizer: "Não te preocupes". Ele não deveria se gabar se é um doutor ou advogado ou executivo; e ele não deveria ter autocomiseração ou depressão se tem um trabalho em que a sociedade dá menos valor. "Irmãos, Paulo conclui, no versículo 24: cada um permaneça diante de Deus naquilo em que foi chamado". Com Deus! Há uma frase crucial. O que importa na vida e na vida eterna é ficar próximo a Deus e desfrutar de sua presença. Não importa se nosso trabalho é valioso ou inferior aos olhos do homem. É relevante se somos encorajados e humilhados pela presença de Deus.

Expressando as duas aplicações juntas do princípio de Paulo, o ensino parece ser este: Obedecer aos mandamentos de Deus (v. 19) e desfrutar de sua presença (v. 24) são imensamente mais importantes que sua cultura ou seu trabalho, tanto que você não deveria sentir qualquer compulsão para mudar sua posição. Você não deveria ser controlado por alguém pelo medo ou desespero, nem seduzido por outro pela riqueza ou pelo orgulho. Você deveria ser capaz de dizer para sua posição: "Não te preocupes. Você não é minha vida. Minha vida é obedecer a Deus e desfrutar de sua presença".

Quatro implicações práticas

Permita-me concluir com algumas implicações práticas. Primeiro, Deus se preocupa muito mais com a forma com que você faz o seu trabalho que tem agora, que se conseguisse um novo emprego. Temos nesta congregação enfermeiros, professores, carpinteiros, artistas, secretárias, tesoureiros, advogados, recepcionistas, contadores, assistentes sociais, pessoas que trabalham com reparos de todos os tipos, engenheiros, gerentes de escritório, garçonetes, bombeiros, vendedores, seguranças, doutores, militares, conselheiros, banqueiros, policiais, decoradores, músicos, arquitetos, pintores, faxineiros, diretores de escola, donas de casa, missionários, pastores, marceneiros, e muito mais. E tudo o que precisamos ouvir é que o que mais se encontra no coração de Deus não é se mudamos de emprego para o outro, mas se em nosso trabalho atual desfrutamos da prometida presença de Deus e obedecemos aos seus mandamentos pela forma como realizamos nosso trabalho.

Segundo, como vimos, o mandamento de permanecer no chamado no qual você estava quando foi convertido não é absoluto. Ele não condena todas as mudanças de emprego. Sabemos disso não somente pelas exceções que Paulo permitiu para seu princípio aqui em 1 Coríntios 7 (conferir versículo 15), mas também porque a Escritura descreve e aprova essas mudanças. Há uma provisão para libertar escravos no Antigo Testamento e somos familiares com o coletor de impostos que se tornou um pregador e pescador de homens e que, por sua vez, se tornou missionário. Além disso, sabemos que há alguns trabalhos nos quais você não poderia permanecer e obedecer aos mandamentos de Deus: por exemplo, prostituição, inúmeras formas de entretenimento indecente e corrupto, e outros nos quais você poderia ser forçado a explorar as pessoas.

Paulo não diz que um ladrão profissional ou uma prostituta cultual de Corinto deveria permanecer no chamado, na vocação a qual ele ou ela foi chamado. A questão em Corinto era: quando viéssemos a Cristo, o que deveríamos abandonar? E a resposta de Paulo é: Você não precisa abandonar sua vocação se pode permanecer nele com Deus. A preocupação de Paulo não é condenar mudanças de emprego, mas ensinar que você pode ter plenitude em Cristo seja lá qual for o seu trabalho. Esse é um ensino muito não conformista na sociedade ocidental contemporânea, porque corta o nervo da ambição secularista. Precisamos pensar muito e com esforço sobre se o que falamos para nossas crianças a respeito do sucesso é bíblico ou apenas cultural. A palavra de Deus para todos nós, "os que buscam o sucesso", é esta: tome toda essa ambição e direcione o que investe em sua ascensão social no zelo espiritual para cultivar a felicidade da presença de Deus e a obediência à sua vontade revelada na Escritura.

Terceiro, para seu povo mais jovem, que ainda não ingressou em uma profissão, a implicação de nosso texto é esta: quando se faz a si mesmo a pergunta: "Qual é a vontade de Deus para minha vida?" Você deveria dar uma resposta ressonante: "Sua vontade é esta: que eu conserve uma comunhão íntima com ele e me devote a obedecer a seus mandamentos". A vontade revelada de Deus para você (a única vontade que você é responsável por obedecer) é sua santificação (1 Tessalonicenses 4:3), não sua vocação. Devote-se a isso com todo seu coração e aceite qualquer trabalho que você queira. Não tenho dúvida de que, se todos os nossos jovens envidassem todo o esforço para se conservarem próximos a Deus e a obedecer aos mandamentos da Escritura, Deus os colocaria no mundo exatamente onde ele deseja a influência deles para si mesmo.

Quarto, e finalmente, este texto implica que o trabalho que você tem agora, desde que esteja ali, é a designação de Deus para você. O versículo 17 diz: "Deixe que todos tenham a vida que O Senhor designou para ele". Deus é soberano. Não é acaso que você está onde deveria estar. "O coração do homem traça o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos" (Provérbios 16:9). "Muitos propósitos há no coração do homem, mas o desígnio do Senhor permanecerá" (Provérbios 19:21). "A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede toda decisão" (Provérbios 16:33).

Você está onde deveria estar por escolha divina, mesmo se chegou ali por trapaça. Seu trabalho é seu dever ministerial tanto quanto o meu. Como você cumpre os deveres deste trabalho é tão essencial na vida quanto o que faz aqui no domingo. Para muitos de nós, pode representar o começo de uma nova vida amanhã de manhã. Vamos todos orar antes de nos dispormos a trabalhar: "Deus, vá comigo hoje e me conserve consciente de sua presença. Encoraje meu coração quando tendo a me desesperar e me faça humilde quando tendo a me orgulhar. Ó, Deus, dê-me a graça para obedecer a seus mandamentos, os quais sei que todos se resumem a isto, amar ao próximo como a mim mesmo. Amém".




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